Sobrevivência do mais forte.
6 Capítulo 6 - Velhos tempos.
Chegando na Casa Grande, ouvi o som de murmúrios e cheguei em uma porta que estava escrito ‘’ APENAS CONSELHEIROS E IMORTAIS.’’, invadi o grande aposento e os olhares assustados e curiosos olhavam na minha direção. Lá dentro estavam os 10 conselheiros dos deuses maiores (Hera e Artêmis não tem filhos semideuses, logo, não tem conselheiros para as mesmas. Artêmis tem as caçadoras, porém elas não ficam no acampamento). Os Chalés dos deuses menores, tinham conselheiros, porém não eram convocados para as reuniões com os deuses maiores, era uma forma de manter os antigos costumes e gerar organização, os deuses menores tinham suas próprias reuniões e quando havia uma ocasião para todos discutirem, enviavam os conselheiros de Zeus e Atena para conversar com os conselheiros dos chalés menores.
Sentado em uma cadeira maior estava Dionísio, diretor do acampamento e Deus do Vinho, estava com os cabelos negros despenteados, vestia a camisa de sempre que havia estampada um tigre de pelos laranjas e usava um shorts azul de tactel com outras estampas de flores, tomava uma garrafa de Diet Coke, seus olhos de cor púrpura, estavam estressados, sonolentos e me olhavam de uma forma mal-humorada. Ao seu lado estava Quíron, estava com os cachos castanhos um pouco maiores do que o normal e desarrumados, vestia um terno de professor de cor marrom-claro e linhas brancas por ele, estava em sua cadeira de rodas que disfarçava seu corpo de Centauro, me olhava com seus intensos olhos castanhos com uma expressão preocupada e penetrante. No centro havia uma mesa circular enorme com o mapa-múndi aberto sobre ela, em volta da mesa podia ver todos os conselheiros e podia sentir o quanto poder estava amontoado dentro daquela sala. Começando ao lado do Sr. D. (que é como chamamos Dionísio), estava a conselheira de Zeus, Marylin Franchini, uma mulher de 23 anos, alta, forte, porém extremamente linda. Tem olhos mais azuis que Thalia ou Pettrick. Fios de cabelos brancos e a pele branca, estava vestindo uma armadura branca com detalhes amarelos pelo corpo inteiro, tinha ombreiras douradas e a capa branca tinha o símbolo de um trovão e escrito embaixo do mesmo ‘’ Cabine 1 – Zeus’’ em grego, os olhos tempestuosos me fuzilavam por eu ter entrado.
Em seguida estava Percy Jackson, conselheiro de Poseidon, com a mesma roupa da noite passada, só que com uma expressão cansada e sonolenta no rosto, estava com olheiras, o que indicava que não tivera uma boa noite de sono, deve ter tido pesadelos, como eu. Mal me encarava, já sabia o que iria acontecer em seguida, principalmente quando sua namorada se desse conta de quem havia invadido ‘’ a sagrada reunião dos conselheiros’’ que mais soava como uma grande babaquisse.
Me observando com olhos verdes vibrantes, estava a conselheira de Deméter, Cassandra Evenflower, estava vestindo uma espécie de vestido verde-grama com traços beges e algumas flores aqui e ali. Em sua cabeça, estava algo que parecia uma ‘’ coroa-de-trigo-em-forma-de-trigo’’, tinha cabelos curtos e beges que iam até o final de sua orelha, formando o formato de um capacete, em suas costas a capa verde, escrito ‘’ Cabine 4 – Deméter ‘’ em grego, abaixo de uma espiga de trigo muito bem detalhada. Apesar das filhas de Deméter serem extremamente lindas, a maioria era estranha. Apoiando a cadeira só nas duas pernas de trás, como mamãe lembrará nunca fazer, estava o conselheiro de Ares, que aliás era o mais novo entres os demais do mesmo status.
Simon Kinnigan, irmão mais novo dos gêmeos Kinnigan’s de 18 anos, vestia uma armadura de combate que parecia pesar, feita de ferro e bronze celestial, em seu meio estava um desenho de quatro cavalos que de seus narizes saiam fumaça e levavam uma carroça que tinha Ares pilotando a mesma, em suas costas vinha a capa cor vermelho-sangue, escrito ‘’ Cabine 5 – Ares’’, em grego. O menino era alto, moreno, musculoso, continha os ombros largos e quadris estreitos, tinha olhos castanho-claros e violentos, em sua boca vinha um sorriso malicioso e egocêntrico, muitas vezes já falaram que parecia o meu. Apesar da idade do garoto não podia se deixar enganar pela incrível habilidade em combate, liderança e estratégica do mesmo, era um menino prodígio.
Me olhando com extremo estresse, estava a conselheira de Atena, Annabeth Chase. Estava como a noite anterior, assim como Percy, mas a garota não levava um tom sonolento ou cansado, estava com a mesma expressão de sempre quando olhava para mim ‘’ Você, de novo.’’, mas havia algo a mais no olhar dela para mim, talvez um pouco de vontade de colocar a adaga sobre minha garganta e gritar que eu devo bater na porta para entrar em reuniões importantíssimas. Ela era a única que não usava capa, vivia dizendo que as capas eram incrivelmente inúteis e em vez disso usava um colete que nas costas ficava escrito ‘’ Cabine 6 – Atena’’ em grego, embaixo da coruja costurada, de tom amarronzado.
Do lado da conselheira irritada, estava um dos conselheiros que eu mais odiava. Stephan Martinato, o maldito garoto me irritava de um jeito extremista, era o garanhão do acampamento e as garotas de até 13 anos babavam e sonhavam por ele. Depois de um tempo percebiam como o cara era idiota, porém uma coisa inegável, era sua habilidade no arco e em batalha, era um guerreiro fenomenal e extremamente forte. Tinha 21 anos, uma barba rala e loira cobria seu rosto e os olhos verde-claros divertidos e metidos me olhavam com desprezo, era baixo, corpo magro definido, tinha uma tonalidade de pele moreno-branco, tinha o sorriso também, vestia uma túnica amarelada com detalhes dourados e o símbolo do Sol em seu peito brilhava, tinha uma capa amarelada que estava escrito ‘’ Cabine 7 – Apolo’’ embaixo do símbolo do Sol e era um grande babaca. Por exemplo, no meu terceiro ano no acampamento, eu estava treinando com o arco, na época ele ainda não era conselheiro e veio até o campo, ao meu encontro. Ele começou a atirar em uma velocidade terrivelmente rápida, se exibindo para as ninfas que o olhavam apaixonadas. Visto que poderia fazer mais, o garoto começou a atirar em minha direção, eu com medo, desviava e gerava uma cena ridícula de um mongo sendo zoado por um ‘’ fodão’’. Eu não tinha como preparar uma flecha no arco, o garoto era rápido demais e tinha uma aljava maior de flechas em suas costas, que parecia levar cerca de 50 flechas e eu não podia me dar o luxo de ser zoado por mais tempo, mas não pensava em nada. Até que um campista filho de Poseidon, Miguel Rezende, baixo, porém encorpado, viu a ridícula cena e veio me ajudar, ele foi em direção a Stephan com uma espada de madeira para assustar o mesmo, que em seguida puxou uma flecha mirando-o como alvo. Eu não podia deixar aquilo acontecer, não deixaria alguém se ferir por mim, sem que eu ao menos conhecesse a pessoa, então me foquei nas sombras atrás de mim e viajei por dentro delas. 2 segundos depois eu estava do lado de Stephan e o acertei com um soco que o fez perder o equilíbrio e dando tempo para Miguel derruba-lo com um chute. Logo depois disso chegou Quíron que deixou nós 3 encarregados de limpar os estábulos por 2 meses, nesse meio tempo me aproximei de Miguel e o apelidei de ‘’ Re’’. Ele era mais velho, eu não sabia ao certo quanto, porém foi embora na mesma época que eu do acampamento e não voltará. Devido as circunstancias eu até poderia considerar que ele havia morrido, como muitos outros que foram e não voltaram.
Segurando a risada, estava Dan Gearbender, conselheiro de Hefesto. O grandalhão era sempre o único que em vez de brigar comigo por algo que eu fizesse, ele dava risada e nesse caso não seria diferente. Vestia uma armadura de bronze celestial escura, com uma tonalidade mais marrom, porém estava sem a longa espada em suas costas, sua armadura estava um pouco suja de graxa e usava luvas de metal retorcido, que facilitava o manejo de metais pesados e quentes nas forjas. No meio de seu peito estava o símbolo de uma chama, desenhado com traços vermelhos e amarelos, uma capa longa e marrom descia a partir de seus ombros, que com o símbolo de uma engrenagem, estava escrito embaixo ‘’ Cabine 9 – Hefesto’’ em grego.
O olhar mais sedutor e matador da sala mirava-me com uma expressão de surpresa e saudades. Era Giuliana Missluani, tinha olhos azuis lindos e intensos que fariam qualquer homem perder os sentidos com os mesmos, seu cabelo descia sobre seus ombros e pousavam em seus seios em cachoeiras escuras e onduladas, prendendo sua franja vinha uma coroa com o símbolo de um coração dourada, seu nariz que no final era um pouco arrebitado dava impressão de superioridade e força, tinha todas as curvas em todos os lugares precisos e seu lábio que extraia toda a atenção quando a mesma começava a falar, dava a impressão de até a natureza ter inveja da beleza da garota tão linda. Tinha estatura média, mais o menos 1.75, 19 anos e vestia uma túnica rosa-claro com traços roxo-escuro e alguns detalhes pretos, a capa de cor rosa tinha o símbolo de uma pomba voando e escrito embaixo ‘’ Cabine 10 – Afrodite’’, em grego. Era a conselheira mais linda e tivemos um caso a 1 ano atrás, porém não havia dado certo por eu gostar de coisas particulares e uma garota como ela, era impossível esconder de outros olhares. O que muitos se enganavam era achar que Giu era conselheira só por ser linda, ela tinha um poder em suas palavras muito forte que fazia qualquer homem se curvar diante de seu charme e além disso, era uma guerreira extremamente forte e respeitada entre os demais.
Ao lado da linda garota, estava o conselheiro de Hermes, Pietro Waldorf. Um garoto alto de pelo menos 1,89cm e magro, moreno, com uma expressão divertida e maliciosa no rosto, tinha o cabelo cortado em moicano, de cor preta tingida pelo mesmo, uma barba ralinha escura cobria seu rosto e seus olhos escuros me olhavam acompanhados de um sorriso feliz por me ver. Eu e Pietro éramos grandes amigos, ele pregava muitas peças nos filhos de Ares que eu não me dava bem e começamos a ficar juntos, porém desde que ele virará conselheiro de um dos chalés mais populosos não tinha mais tempo para ficar brincando por ai. Era extremamente rápido e tinha habilidades de roubo incríveis. Há dois anos atrás, quando havia se tornado conselheiro assumiu ser bissexual para o acampamento, foi o primeiro campista com tamanha coragem de assumir-se para nós, claro que pra mim não fazia diferença a sexualidade do garoto, ele era um amigo fenomenal e forte, porém muita gente se afastou dele no começo, principalmente amigos garotos, então ele começou a se juntar mais comigo e com Du, então depois de um tempo, todos aceitaram e tudo se estabilizou. Vestia uma túnica branca leve e shorts curtos, acima dos joelhos brancos e soltos, caso fosse preciso correr, o que ajudava muito. Tinha uma capa um pouco menor que a dos demais com o símbolo do caduceu de Hermes e escrito em grego, abaixo do símbolo ‘’ Cabine 11 – Hermes’’.
Havia uma cadeira vazia do lado de Pietro, o que eu estranhava e não me recordava quem estava faltando. Porém do outro lado da mesa, já chegando em Quíron, estava Du com o capuz cobrindo metade do rosto, porém sabia qual expressão ele trazia.
–Conselheiros, sei que não é uma boa hora e que entrei sem avisar, mas é algo urgent...- Fui interrompido por uma figura de 1,56 cm gritando meu nome e correndo em minha direção.
–LEONARRRRDO?! – Como poucos que vinham do Brasil, a garota venho da Bahia e tinha um sotaque carregado. Todos os conselheiros tinham de ser formados em 5 línguas, para poder assumir o cargo, que eram: Português, Inglês, Espanhol, Latim e Grego.
– Ai meus deuses. – Só tive tempo de dizer isso quando me virei para me preparar para o que quer que estivesse vindo, mas eu já conhecia a voz e o sotaque carregado. Quando vi a garota de touca cor vinho, óculos estilo Rayban, olhos escuros, cabelos negros, que vestia uma calça preta e uma xadrez vinho, com a capa roxa descendo até a sua panturrilha, com o símbolo de uvas e embaixo escrito em grego, ‘’ Cabine 12 – Dionísio’’. Era Anna Englert, conselheira de Dionísio. Ela pulou em cima de mim e me derrubou sobre a mesa de centro com o mapa-múndi, pude ouvir Dan soltando uma gargalhada e Marylin levantando da cadeira com tanta força que a jogou para trás e gritou.
–Senhor D.! Faça algo com sua filha e o garoto!! – Ela disse irritada. –Estamos em uma reunião se os dois não perceberam. – E voltou a olhar para mim e Anna. Senhor D. rindo disfarçadamente disse em seguida.
–Vamos filha, deixe Lourence falar o que quer que seja o porquê de ele atrapalhar a reunião. – disse com firmeza. Anna saiu de cima de mim e levantei para explicar o motivo daquilo.
–É... Senhor, é Leonardo, não Lourence. – Corrigi com cuidado.
–Não adianta Léo, tentei todos esses anos e ele ainda erra o meu nome. – Disse Percy com um tom irritado.
–Calado Petter! Depois de tantos anos é impossível esquecer seu nome. – Apontou o dedo para Percy, que abaixou a cabeça em forma de redenção. –Enfim, diga o que quer Leonel. – Voltou a olhar para mim. Desisti de tentar corrigi-lo e então fui contar o meu sonho.
Quando comecei os olhares confusos mudaram para olhares curiosos e tentavam entender a situação, os olhos de Quíron se estreitaram e ele passou a mão no rosto para tirar a expressão preocupada e cansada. Assim que terminei de explicar o sonho, Annabeth foi a primeira a levantar a mão e dizer.
–Você não conseguiu ver quem era o dono da voz sibilante? Não conseguiu qualquer pista de quem poderia estar por trás da mensagem de Íris? – Disse com uma pitada de esperança, porém vi a decepção inevitável em seu rosto quando eu respondi.
–Não... Não vi nada, apenas a voz. Parecia ser uma cobra falando. – Respondi cabisbaixo.
–Já pensaram na possibilidade de ser a Medusa? Tipo, o primeiro relato sobre esses assassinatos foi no galpão que matamos ela daquela vez, amor. – Falou Percy. Quíron então envolveu-se no assunto.
–Será que a Medusa teria tanto poder e moral para comandar um grupo de semideuses contra a própria raça? Creio que não, ela pode estar envolvida, mas não é a cabeça de toda essa operação. – Disse coçando a barba pensativo.
–Bem, Pettrick está envolvido nisso, então isso torna um assunto bem complicado. – Marylin deu ênfase no nome do traidor, era seu meio-irmão, sabia que a reputação de Zeus iria cair um pouco e reputação era algo que eles valorizavam.
–Tudo bem, então vamos começar a fazer buscas, floresta Amazônica não é? Podemos montar dois ou três esquadrões batedores para verificaram diversas áreas de lá. – Sugeriu Anna, que brincava com um cigarro entre os dedos.
–Concordo com Englert, devemos montar pequenos esquadrões de no máximo quatro semideuses e manda-los para a floresta aí. – Era difícil para Annabeth falar nomes brasileiros, a língua era complicada demais. Dan se espreguiçou e disse.
–Ótimo, vamos montar esses três grupos de quatro semideuses e fazer duas palestras sobre o Brasil, geografia do local e bestiário de lá. – Afirmou e todos assentiram. Dessa vez quem falou foi Martinato.
–Poderíamos também, montar mais um grupo e enviar para o galpão que fora incendiado pelo conselheiro Viana e a criança inconsequente. – Tinha o sotaque britânico que me deixava mais puto a cada palavra que ele dizia, quando fui abrir a boca para retrucar, Du começou.
–Primeiro, concordo com você e eu vou fazer parte desse grupo que vai até o galpão. E segundo, te ensinaram a não brincar com o fogo que você pode se queimar, vou te dar outro conselho, não brinque com as sombras, elas estão por toda a parte e são extremamente mortais. – Com esse argumento, Du sorriu com o canto da boca e uma expressão de raiva passou pelo rosto do filho de Apolo. Olhei para Du e fiz um aceno com a cabeça, ‘’ Obrigado’’, ele retrucou com um aceno de mão.
–Então estamos de acordo, Annabeth quero que faça palestras no sexto dia sobre a geografia e o bestiário de monstros do Brasil. Edward, junte seu grupo com cinco semideuses, você vai ser o capitão do primeiro grupo, vocês irão partir em sete dias, até lá quero vocês prontos e se apresentando no final de tarde do quinto dia. Percy, prepare um grande grupo de pégasos e você irá ser o capitão do segundo grupo, junte seus quatro semideuses e se apresente na tarde do quinto dia. Gearbender, você será responsável pelo terceiro grupo de semideuses. Simon será pelo quarto, os dois também irão nesse período de tempo, dar aulas extras de combate e sobrevivência para os novatos de até 16 anos. Martinato e Missluani, vocês estarão encarregados de dar treinos de primeiro-socorros para os novatos de até 16 anos. Pietro, quero que vá se comunicar com Thalia e as caçadoras, faça elas entenderem o que está acontecendo e diga que estou convocando-as. Marylin, você irá montar um grupo de emergência caso seja necessário e também ficara encarregada junto de Cassandra, montar uma linha de defesa para o acampamento, quero que fique de olho para qualquer sinal de estranhos ou a saída e entrada de novos campistas, quero pegar esse espião. Englert, você irá organizar uma festa daqui dois dias no bosque para vocês e apenas campistas maiores de idade. A reunião está encerrada, obrigado pelas novas informações, Veronezi. – Quando Quíron encerrou falando da festa, todos os olhares sérios e duros, relaxaram com uma leva surpresa, Quíron nunca havia proposto nada como isso, devia ser algo para relaxar. Todos os conselheiros assentiram, se levantaram e saíram da sala.
O Sol já esquentava o local, devia ser 8 horas agora. Du estava do meu lado e iniciou a conversa com uma leve tosse.
–Odeio quando ele me chama de Edward, qual a grande dificuldade de falar Eduardo? – Ele reclamou sobre Quíron.
–Bem, a língua portuguesa é um pequeno problema para nós da américa do norte, eu tive sorte por minha mãe ser brasileira e ter viajado para Califórnia antes de eu nascer. Foi fácil aprender português, por isso tenho facilidade com seu nome, agora Quíron não. Pare de mimimi. – Terminei rindo. Ele continuou e com um leve tom de raiva na voz disse.
–Até por que você deve adorar ter sido chamado de Lourence, Leandro e sei lá mais o que por Dionísio. – Me deu um leve empurrão no final da frase.
–Não há muito o que eu possa fazer quanto a isso, se eu reclamar demais tenho medo de acabar virando um cacho de uvas. – Tornei em sua direção rindo.
–É, você tem razão. Já sabe que faz parte do meu grupo, correto? Agora vamos para o bosque, preciso fumar e tomar café. – Sem eu ter tempo de resposta ele me puxou pelo colarinho, colocou a outra mão encima de Ultimum e atravessou as sombras. Pousamos em uma clareira no bosque, já havíamos ido ali mais de uma vez, toda vez montávamos uma fogueira e nas vezes anteriores, derrubamos duas arvores para nos sentarmos. O local era rodeado por árvores altas e verdes com algumas folhas amarelas por conta do outono, tinha um paredão de pedra com mais ou menos três metros de altura e cinco de comprimento, a frente do paredão era aonde montávamos a fogueira. Como sempre, montamos e acendemos o fogo, preso em uma das árvores a esquerda, tinha uma pequena bolsa com instrumentos para fazer café e o pó do mesmo ali. Fizemos café e fumávamos um cigarro, enquanto íamos discutindo sobre os membros para o grupo e como Stephan era um babaca, alguns segundo pós essa conversa, nós dois ouvimos um barulho. Peguei Umbra do chão e Du desembainhou Ultimum, ficamos de pé esperando o próximo som do que quer que estivesse se aproximando de nós, foi quando uma figura alta e branca saiu do meio das árvores, como toda vez que eu o via, eu perdia minhas forças e deixava Umbra cair. Era Nicholas vindo em nossa direção, não estava armado, apenas com uma expressão acabada, ele era um dos únicos que conhecia aquele lugar no bosque, já havíamos vindo aqui uma vez juntos.
–Nick...? – Perguntei assustado com o que o garoto fazia ali. Ele me olhou com os olhos cheios de lagrimas e correu em minha direção, me envolveu com os braços firmes e fortes em um abraço forte e carinhoso.
–Me desculpa por ter te atacado, eu te amo, eu não quero que você continue indo embora, eu preciso de você aqui. Sabe Léo, você é meu irmão mais velho, você é meu herói, minha inspiração, é o pai que eu não tive presente, é tudo o que me resta, eu não quero te perder... – Disse o garoto gritando e chorando. Eu o abracei e senti algo que eu não sentia fazia tempos, algo úmido escorria pelos meus olhos, era quente e salgado. Eu estava chorando.
–Nick, não tem de se desculpar, você é tudo o que eu tenho também, queria ser mais do que sou para você, sei que sou um idiota por ficar sumindo e aparecendo como se nada tivesse mudado, mas estou aqui. Sou seu herói, seu irmão mais velho, idiota, mais ainda sim seu irmão mais velho, eu te amo muito. – Disse sufocado por lagrimas e ódio de mim mesmo. Ficamos segundos abraçados, pareciam horas. Ele me soltou e limpou as lagrimas, eu fiz o mesmo. Ele vestia uma jaqueta de couro e por dentro uma camisa com uma caveira, do The Punisher, usava jeans azuis e botas.
–Bem... acho que já que estão bem de novo, vou avisar, Nick você está no meu grupo para a próxima missão. – O olhar de Du era firme e suas palavras claras. O rosto de Nick se iluminou, seria sua primeira grande missão, o garoto acenou com a cabeça e nos sentamos em volta da fogueira tomando café e conversando. Voltamos na hora do almoço e tomamos caminhos diferentes, Du foi para o chalé se trocar e descansar, Nick marcou de me encontrar depois do almoço no anfiteatro para treinar um pouco. Enquanto Nick ia almoçar, fui comer algumas bolachas que estavam na minha mala no chalé, Du já havia saído e eu ficara sozinho no espaço vazio e silencioso.
Alguns minutos depois me dirigi para o anfiteatro e encontrei com Nick vestido em uma túnica escura e com sua foice enorme em mãos. Eu tinha vestido minha armadura de combate leve e fui em direção do garoto, ele me olhou e disse:
–Está pronto maninho? Espero mais agora, quero que lute de verdade. – Ele disse desafiador, eu sabia que não poderia lutar pra valer contra ele sem o ferir, mas assenti do mesmo jeito.
–Vamos lá, o primeiro ataque é seu. – Desembainhei Umbra e deixei ele vir. Ele deu um salto em minha direção com a foice escura que fatiava o ar em um arco na horizontal para a esquerda, dei um leve salto para trás e me impulsionei para frente em direção do peito do jovem guerreiro. Já esperando isso ele girou o corpo e preparou outro arco na horizontal no mesmo lado, por pouco aparei a ponta da foice com Umbra e dei uma rasteira nas pernas de Nick, o garoto perdeu o equilíbrio e caiu de costas no chão.
–Cuidado com isso maninho, você tem uma arma mortal com um alcance fatal, porém tem a defesa comprometida por conta disso. Mantenha sua foice próxima do corpo se não for o golpe final. – Aconselhei e ele levanto com um salto já investido de novo, porem dessa vez o corte foi de baixo para cima, novamente dei um leve pulo para trás, mas vieram ondas de sombras em minha direção, ele havia usado a foice para focar as sombras e solta-las em um corte vertical contra mim. As sombras já chegavam até mim quando com Umbra, focalizei as sombras nela que se abriram em um escudo oval sobre meu corpo, que foi o suficiente para segurar o tranco das sombras de Nick, usei a tática de meu irmão e com um corte na vertical mandei uma onda de sombras forte o bastante para fazer uma leve cicatriz no chão. Talvez eu tivesse exagerado na força, porém Nick se saiu bem e desviou com velocidade o suficiente para a esquerda e mergulhou na própria sombra, aparecendo 1 segundo depois nas minhas costas surgindo da minha sombra em um pulo na minha direção. A ponta da foice já fazia um arco na vertical que caia sobre mim com muita força, usei minha velocidade e desviei para a direita, quando a ponta da foice passou por onde eu deveria estar e acertou o chão, fez um som de metal que explodiu em sombras, a onda de choque me fez sair do chão e voar 3 metros para trás, com um mortal me mantive estável, sem tempo para pensar Nick já corria em minha direção e mandava uma rajada de sombras verticais. Eu já estava cansando do joguinho e disse uma última coisa antes de encerrar a luta.
–Não se esqueça que domar as sombras não é nosso único poder. – E prendi Umbra no chão, levantei uma parede de pedra que aparou as três rajadas de sombras, em seguida a joguei em cima de Nick, que calculando meu movimento já havia pulado para cima e desviado da parede, porém ele fez o que eu esperava, a foice estava abaixada e me impulsionei no chão e saltei na direção de meu irmão. Ele não esperava meu ataque repentino e tentou erguer a foice, porém o chão não estava ao seu alcance e as sombras não chegariam a tempo de o defender, chutei o cabo da foice e segurei no pescoço de Nick, caímos em queda livre para o chão e quando chegamos lá, mergulhei nas sombras junto com o garoto e emergi na sombra da parede do anfiteatro, o impulso me deu força para lança-lo longe e o joguei a 5 metros de distância. Nick caiu e quicou no chão de terra, perdendo as forças e ficando deitado por alguns segundos.
–Maldito seja, quando vou alcançar seu nível? – Foram as palavras que ele disse antes de levantar a cabeça com um lindo sorriso no rosto. Olhei para ele e fui caminhando em sua direção.
–Não reclame, você está quase lá. – Sorri de volta e quando cheguei ofereci minha mão para levantar, ele a agarrou de bom-grado e levantou.
–Obrigado Léo, de verdade. – Disse sorridente.
–Eu sou seu irmão idiota, perceba que sempre que precisar, estarei aqui. – Devolvi com carinho.
Depois da luta voltamos para o chalé e tomamos banho, sentamos na cama e ele começou a contar as missões que havia passado, as pessoas que havia conhecido e a foice, que era chamada de ‘’ Grim Reaper’’, que em grego significa ‘’ Ceifador’’. Foi um presente de papai quando eu fui embora do acampamento. Nesse meio tempo Du chegou e disse:
–Tenho notícias animadoras, o caça-bandeira vai ocorrer amanhã e no dia seguinte terá a grande festa de Dionísio para campistas maiores de idade. Porém você está convidado Lelo, sinto informar que você não Nick. – Ele terminou rindo. Olhei para Nick e o cutuquei na barriga.
–Espere que seu tempo vai chegar. – Falei sorrindo e provocando-o.
–O que você esta falando idiota? Você teve sorte, ainda é um adolescente. – Disse jogando na cara e irritado.
–Ele tem razão. – Disse Du apoiando o ponto de vista de meu irmão.
–Vão se foder, obrigado, de nada. – Os três explodiram em gargalhadas, tudo estava indo bem, como os velhos tempos.
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