Não consegui reagir, Umbra escorregou das minhas mãos e caiu no chão com um baque oco de madeira e metal, Nicholas me olhava com um olhar repugnante por entre as lágrimas. Consegui gaguejar e dizer.

–Nick... Eu... Eu deveria ter avisado, me desculpa, não lhe deixei, você é tudo o que ainda tenho. – Disse procurando ar desesperadamente, o chalé parecia que havia diminuído e virado uma caixa onde só estavam eu e meu irmão.

–Não venha com essas desculpas esfarrapadas. – Ele grunhiu. – O que custava ter avisado que iria me abandonar de novo? O que custava se importar de verdade comigo? – Ele soluçava para dizer qualquer palavra.

–Não são desculpas esfarrapadas! – Falei inseguro e sendo cuidadoso com cada palavra. – Eu te amo Nick, você sabe disso. Eu faço merda, mas nunca deixei de pensar em você por um segundo. Sempre que vou embora ou volto penso em você, penso em como você vai reagir, mas você precisa ser forte por nós! – Arrisquei.

–Forte por nós? – Ele cuspiu as palavras. –Já parou para pensar que não sou como você? Já parou para pensar que quando mamãe morreu eu me senti sozinho e não tinha nem um herói para me inspirar? Eu só precisava de um irmão mais velho, droga! É REALMENTE DIFICIL ENTENDER ISSO? – Ele gritou as últimas palavras e pulou para cima de mim com a foice fazendo um corte na vertical. Tive tempo para assimilar e peguei Umbra do chão em segundos, dobrei uma sombra para se erguer em baixo de mim e segurar a força da foice escura que mirava o meu peito. A foice atravessou a camada densa de sombras com facilidade e parou com o bloquei de Umbra, soltando um ruído de aço com aço alto e perturbador. Dei um pulo para trás e no segundo seguinte ele já avançava com a foice com um corte na horizontal que iria me matado. Um segundo mais tarde e eu teria morrido, porém uma sombra maior surgiu na minha frente e aparou o golpe colossal da lâmina de 70 cm escura, fazendo a mesma voar e prender na parede em cima de uma foto minha de nós dois mais novos com a nossa mãe. Era Du brandindo Ultimum e com um olhar irritado. Quando pousei no chão, foi o tempo para o conselheiro segurar meu irmão pelo pescoço e gruda-lo na parede, meu irmão sem tempo de reação para assimilar o surgimento da figura alta e forte simplesmente ficou preso na parede chutando o ar com raiva.

–Se venho aqui para provocar a raiva de seu irmão é melhor ir embora, Léo. – Ele disse meu nome seriamente, só me chamava assim quando era extremamente sério.

–Eu... não pensei que ele iria encarar isso com tamanha fúria. – Eu disse cabisbaixo e triste comigo mesmo.

–NÃO? EU TE ODEIO. EU SÓ QUERIA QUE VOCÊ REALMENTE SE IMPORTASSE COMIGO. SÓ VAI PERCEBER O QUÃO IMPORTANTE SOU QUANDO EU ESTIVER A BEIRA DA MORTE? COMO FEZ COM A NOSSA MÃE? – Nick gritava incontrolavelmente. Segundos depois uma multidão se reunia fora do chalé para observar o que estava acontecendo. Dan, Percy e Annabeth invadiram o chalé com as armas em mãos, provavelmente achando que o assassino de campistas havia tentado algo no meu chalé. 4 Conselheiros dentro de uma sala não era algo confortável, era muito poder, muita força em um lugar só.

–O que está acontecendo aqui? – Disse Annabeth Chase, conselheira de Atena. Já era uma mulher linda de 22 anos, seus cachos loiros caiam sobre os ombros e os olhos cinzas como uma tempestade varriam o local em busca de uma explicação para o ocorrido. Em sua mão estava uma adaga maior que as comuns, de bronze celestial e um cabo simples, vestia uma calça jeans azul, usava a camisa do acampamento e um colete com o símbolo de uma coruja nas costas que embaixo estava escrito ‘’ Cabine 6 – Atena ‘’ em Grego, o boné dos Yankees preso a cintura, uma aliança de prata com uma pedra azul marinha na mão direita representando seu namoro com Percy. Em seu pescoço estava um colar de contas com 4 contas, o primeiro era um tridente, o segundo o velocino de ouro, o terceiro um labirinto e o quarto o Empire State Building. Tinha uma expressão confusa e irritada no rosto.

–Os irmãos se desentenderam aqui. Nada muito grave, assim que ouvi o som de metais colidindo um com o outro, imaginei que Nicholas havia o encontrado. – Começou Du, sem tirar a atenção do jovem.

–Léo? Você voltou? – Percy disse meio atordoado. Ele também havia crescido, tinha 22 anos e a onipresente Contracorrente em mãos, uma espada de 90 cm de lâmina bronzeada e cabo de couro. Sempre que perdia a espada, ela retornava em forma de caneta para seu bolso. No outro braço estava seu escudo, que seu meio-irmão Tyson, um ciclope, forjou após ter perdido o outro no Labirinto no combate contra Campe. Havia o tridente de Poseidon no meio e era de bronze celestial revestido com couro em sua volta, vestia uma armadura azul, com algumas conchas e estrelas-do-mar em torno da mesma, tinha uma capa azul com o símbolo do tridente e escrito embaixo ‘’ Cabine 3 – Poseidon ‘’ em Grego e em seu pescoço estava o mesmo colar de contas de Annabeth. Seus olhos verdes-mar estava também com uma expressão tempestuosa, dando a impressão de estar em um dia de maré alta e violenta no mar. –Gearbender, você sabia disso? – Se voltou para Dan com um olhar interrogativo. Era raro chamarem Dan por seu segundo nome.

–Sim, eu iria tocar nesse assunto assim que saíssemos do assunto de ‘’ Como melhorar os banheiros de Afrodite’’. Mal tivemos tempo de discutir algo realmente sério lá dentro antes de formos interrompidos por essas duas crianças. – Senti o olhar dele pesar em mim e se dirigir para o meu irmão. Dan estava vestindo uma armadura de ferro que aparentava esquentar muito nos dias de calor, no peitoral da armadura havia o símbolo de uma chama e em suas costas, uma capa vermelha com o ícone de uma bigorna e embaixo escrito ''Cabine 9 — Hefesto'', em grego. Preso em um suporte, nas costas estava a espada enorme e o conselheiro havia feito a barba.

–Sim Percy, estou de volta, de novo. E olá Annie, senti saudades do meu casalzinho preferido. – Disse ironicamente. Percy e eu nos dávamos bem, mas eu não me acertava muito com Annabeth, ela sempre era extremamente perfeccionista, sempre dando ordens e pensando demais. Eu sou mais impulsivo, gostava de fazer rápido e de uma vez, então nos desentendíamos de vez em quando, mas mesmo assim ainda era próximo e gostava muito dos dois.

–Não está em posição para brincar agora, Veronezi. – Annabeth tornou irritada. –Você atrapalhou de novo uma reunião entre conselheiros importantíssima por imprudência. É melhor se resolver com seu irmão sem causar tanta confusão da próxima vez. – Os olhos cinzas me observavam com firmeza. ‘’ Ele cresceu muito, mas o maldito sorriso malicioso não sai desse rosto.’’ Ela pensou estressada com o ocorrido.

–Oh, me desculpem se sou um péssimo irmão e atrapalhei a reunião de como melhorar os banheiros do chalé de Afrodite. – Tornei irritado para os 4 conselheiros presentes.

–Não é para nós que deve pedir desculpas. – Disse Du cortando meu clima sarcástico e soltando meu irmão. –É para ele. – E olhou para o menino desarmado e agora mais calmo. Olhei para ele e de novo fiquei fraco, com toda a graça e sarcasmo indo embora. Como tenho uma velocidade surpreendente, não dei tempo para Nick se defender e envolvi-o em um abraço forte e apertado, finalmente ele pareceu ceder e relaxar o corpo, pousando seus braços ao lado de seu corpo sem apresentar qualquer resistência.

–Nick... Me desculpa, eu errei. Eu me importo mais com você a cada segundo que passa, as vezes é difícil dizer ‘’ tchau’’ sem saber se vou voltar. Cada segundo fora desse acampamento é arriscado e fatal, não queria que você achasse que eu te abandonei, você é meu irmãozinho, eu nunca seria capaz disso. – Dei um leve sorriso e terminei. – Você está muito mais forte. –E com essas palavras ele se soltou de mim e mergulhou nas sombras, não tive tempo de reação e os 4 conselheiros me olhavam pensando em algo para dizer e como sempre, foi Du quem disse.

–Ei carinha, ele precisa de um tempo pra pensar, você do nada, volta de novo como se nada tivesse acontecido, como se o tempo aqui congelasse quando você saísse das barreiras. Não é bem assim. Só de um tempo a ele, ele precisa. – Disse carinhosamente passando os braços em torno de mim. Agradeci com um aceno na cabeça e ele continuou. –Agora se nos permite, temos uma reunião para terminar. Vamos? – Ele disse para os demais conselheiros, todos acenaram com o rosto em um sinal de sim e se viraram para voltar a Casa Grande. Percy veio até mim e dei um soco de leve no meu braço.

–Eu também senti saudades da criança inconsequente do acampamento. – Ele disse sorrindo e se virou para pegar na mão de Annabeth que aceitou com prazer e um sorriso leve no rosto. Os dois eram um casal e tanto.

Fiquei sozinho um tempo no meu chalé pensando em pessoas que eu deveria ver e que não me socariam ou tentassem me matar por eu ter voltado, alguns minutos depois, constatei que não haveria ninguém assim no acampamento. Levantei e fui até o bosque do acampamento, embainhei Umbra, coloquei minha roupa de combate, uma túnica preta com placas escuras que mal pesavam 5 quilos, porém eram extremamente resistentes, criadas por Tyson depois de eu voltar ao acampamento na primeira vez. Era uma armadura extremamente leve e resistente, o que me beneficiava muito em questão de velocidade e força, coloquei a aljava nas costas e prendi o arco em um suporte atrás da armadura. Peguei meu escudo negro e leve, prendi ao meu braço esquerdo e sai do chalé, já era de noite, provavelmente 20hrs e uma linda lua nova no Céu. Não haviam muitos campistas por aí essa hora e se estivessem em algum lugar, estariam no anfiteatro lutando e conversando, ou no lago tendo algum tipo passeio romântico. Lembrei de alguém que iria me ver sem tentar me matar ou coisa parecida, me dirigi até uma das fontes que haviam espalhadas pelo acampamento e mandei uma mensagem de Íris para Frances Nightwolf. As mesmas feições jovens de 3 anos atrás, quando a conheci em nossa missão para o Chile, apareceram na imagem, seu cabelo estava agora platinado, a deixando mais linda e com algo parecido com a Lua. Ela se surpreendeu e deu um gritinho quando me viu.
–PELOS DEUSES, Léo, é você? Cadê aquela criança de 3 anos atrás? – Os olhos dela brilhavam.

–Meus deuses, Fran. Sou eu sim, diferente de você o tempo passa pra mim e eu envelheço. – Disse rindo e feliz por rever uma velha amiga. – Então, eu voltei hoje para o camp, quer vir para cá me ver? –

–Claro! Vou falar com Thalia e hoje mesmo apareço por ai, precisamos conversar mesmo. Aliás, esteja preparado. – Ela disse com um tom perigoso.

–Ótimo! Te encontro no bosque. – E a imagem tremulou e sumiu. Fiquei animado com a ideia de revê-la, ela era alguém realmente especial para mim, durante a missão no chile ela me tratou com muito carinho e atenção, eu era muito jovem e fiquei muito grato por tê-la ao meu lado. Ela me deu algumas dicas com o arco mais pra frente e então foi embora para a caçada, disse que quando eu voltasse para o acampamento, chama-la para conversarmos. Me levantei e fui sentido bosque.

Uma hora depois, eu estava encostado em uma árvore, brincando com as sombras, fazendo elas dançarem e até invoquei um esqueleto para lutar comigo, porém não durou mais de 10 segundos. A desvantagem de ter TDAH é essa, você não consegue ficar parado esperando algo, você quer simplesmente adiantar isso ou se ocupar para não ficar pensando no mesmo. Levantei para esticar as pernas e então ouvi um zunido vindo a minha direita, desembainhei Umbra e desviei o projétil prateado que vinha em direção do meu pescoço, em seguida mais um zunido vindo da esquerda e outro vindo das minhas costas. Com um giro ergui o escudo para proteger minhas costas e agachei a tempo do projétil da esquerda passar por cima da minha cabeça, poucos segundos depois dessas duas flechas vieram mais 3 zunidos, irritado com a brincadeirinha, enterrei Umbra no chão e ergui o terreno em forma de um círculo de 2 metros ao meu redor, aparando as flechas. Logo em seguida ouvi uma risada divertida e baixinha vindo de algum lugar do bosque, quando a risada sessou algo de 3 metros de comprimento, 4 patas e peludo de coloração branca e cinza saiu do meio da floresta. Era um Lobo enorme e em cima dele, havia uma figura pequena com um arco prateado em mãos e uma capa prata com o símbolo da Lua nascente em suas costas. O lobo aterrissou dentro do círculo rochoso e a cavaleira desceu da fera, tirando o capuz a garota tinha um sorriso estampado

–Você continua esquentadinho como sempre né? Tem certeza que não foi trocado na maternidade e não é filho de Ares? – Frances começou com um tom provocativo.

–Se eu fosse filho de Ares, já teria incendiado a floresta inteira em sua busca. – Respondi entrando na brincadeira. Ela estava exatamente como 3 anos atrás, só o cabelo que estava platinado agora, porém o mesmo olhar, o mesmo sorriso, o mesmo tamanho e o mesmo físico. Nada havia mudado.

–E então esquentadinho, não vai nem me dar um abraço? – Ela disse correndo em minha direção e pulando no meu peito. A envolvi com meus braços e apesar de estar mais alto e forte agora, senti aquela sensação materna de novo, conforto, segurança, carinho. Alguns segundos depois ela voltou a dizer. – Pelos deuses garoto, você cresceu mesmo. Está mais forte e muito mais lindo. Se eu soubesse que teria ficado assim com o passar do tempo não teria entrado para a caçada e me abnegado dos homens. – Ela disse ironicamente e no mesmo segundo, o Lobo gigantesco uivou extremamente alto, quase estourando nossos tímpanos. – O.k. FOI UMA BRINCADEIRA, se não sabe diferenciar não ouça a conversa dos outros! – Ela disse olhando para o lobo com uma falsa raiva na voz. –Essa é Luna, minha loba. Nos tornamos amigas quando a libertei de uma caverna com ciclopes que escolhiam de qual forma ela seria mais deliciosa para o jantar. –

–Prazer Luna, sou Léo. – Eu disse com um tom carismático, a loba veio até mim e bateu levemente com o focinho no meu ombro, em um sinal de ‘’ Prazer te conhecer.’’ Olhei para Frances e disse. –Então, podemos conversar? – Ela assentiu com a cabeça, escalamos uma árvore mais alta que as demais e começamos a colocar o assunto em dia. Ela contou como os anos na caçada foram incríveis e tinham passado em um piscar de olhos, falou sobre Thalia Grace a filha de Zeus, líder das caçadoras e como ela era incrível. Disse que havia tido um encontro com Artémis, falando como ela era linda e poderosa, contou várias de suas aventuras, inclusive uma que perdeu uma amiga próxima para um grupo de Harpias carnívoras dizendo que foi uma perda dura. As caçadoras não envelheciam, não adoeciam ou coisa parecida, porém poderiam morrer em batalhas. Contei para ela meus anos, a maioria das aventuras e dessa minha volta, disse sobre meu irmão, sobre eu ter começado a fumar, sobre os assassinatos que vinham acontecendo e sobre minha primeira missão com Du, ela me olhou com uma expressão perturbada e perguntou.

–De um tempo ao seu irmão, eu teria te atravessado com 5 flechas se fosse comigo. –Ela disse brincando.

–Ele tecnicamente, quase me fatiou ao meio com uma foice, não sei o que seria pior. –Respondi tentando me distrair

– E fumar seu idiota? Não esquece que quem não adoece aqui sou eu. Você não deveria ter entrado nessa. — Ela disse séria.

–Eu sei, mas... era muita coisa e eu queria entender o por que de minha mãe ter morrido por algo como isso. — E mostrei o maço de Malboro Red.

–É idiotice sua, mas tudo bem. Tem muito tempo para parar ainda. — Ela disse irritada e voltou para o assunto principal daquele encontro.– E então tem um grupo de algo ou alguém matando semideuses mais fracos para diminuir a superlotação. Faz sentido mas é um plano psicopata, esse semideus que você matou em sua primeira missão, fazia parte desse grupo, ele não tinha nada? Nenhum símbolo ou carta? – Ela perguntou intrigada.

–Não, na realidade, não me lembro. Eu estava em choque e queimamos tudo, não sobrou nada. – Falei meio desapontado por não ter pensado em checar o corpo antes de incendiar o galpão abandonado. Ela me olhou e compreendeu.

–Bem, vamos deixar os seus conselheiros quebrarem a cabeça com isso. Afinal, pra algo eles tem de servir. – Ela disse rindo e passou o braço pelo meu pescoço. –Vamos levantar e treinar seu tiro ao alvo pra esquecer um pouco isso, O.k.? – Ela me puxou e ficamos de pé, peguei meu arco e Frances pegou uma maçã da arvore, montou em Luna e fez a fera correr floresta a dentro. Fiquei observando a rota da grande loba e encaixei uma flecha no arco, alguns segundos depois, se meus olhos não fossem treinados eu já haveria perdido a grande fera, porém ainda via um clarão branco correndo por entre as arvores e ouvia seus passos sendo abafados pela terra, alguns segundos depois a maçã foi lançada para cima, estava a 300 metros e era um pontinho avermelhado no céu escuro que eu mal enxergava, porém por instinto e memoria muscular, puxei a flecha e calculei o vento e o ângulo mentalmente. Meio segundo depois da maçã ser lançada para o ar, soltei a corda e o zunido da flecha sendo disparada tomou conta do ar. Observei o tiro até o final e vi a maçã sendo perfurada e indo longe com a flecha, se perdendo na escuridão. Havia sido um bom tiro, fazia tempo que eu não treinava com o arco.

Frances voltou 1 minuto depois em cima de Luna e gritou para cima da arvore.

–Belo tiro, esquentadinho! Melhorou muito nesses anos. – Ela disse orgulhosa. Desci da arvore e me juntei a ela. –Léo, eu já tenho que ir, daqui algumas horas vamos para o México investigar pistas de um monstro que estamos caçando. – Ela disse com um tom de culpa na voz.

–Tudo bem Fran, me fez bem te ver, foi ótimo conversar com você. – Eu disse sorrindo e a dando um leve abraço.

–Prometo voltar assim que possível, O.k.? – Ela se virou e como se houvesse esquecido algo, virou-se para mim de novo. –Pelos deuses, quase esqueci, tome. – Ela tirou do bolso um colar prateado com um pingente da Lua Nascente. –Quando precisar de ajuda, segure o colar com força e grite por Luna em sua cabeça, tá? Até mais, esquentadinho. – Ela me jogou o colar, eu o apanhei o ar e ela fez um sinal para Luna correr e sumiu na escuridão do bosque.

–Obrigado Fran. – Disse para mim mesmo, sozinho na escuridão do bosque que era iluminado só pela bela Lua no céu, acendi um cigarro e voltei para o acampamento.

Já eram 4 horas da manhã e logo o sol já iria nascer, fui para o chalé e não havia ninguém lá dentro, me deitei e dormi na hora. Comecei a sonhar e me vi em uma floresta, era quente e batia muito Sol, o clima me lembrava o Brasil, poderia ser a Floreste Amazônica. Olhei em volta e vi um acampamento de barracas montado em volta de uma fogueira enorme, entre as barracas pequenas, havia uma barraca maior e fui entrando dentro do acampamento, haviam semideuses armados de lanças, bestas e armaduras. Amarrados perto da barraca maior, tinham 3 pégasos brancos com uma mancha amarela no peito em forma triangular, dentro da barraca eu avistei um rosto conhecido. Era Will Pettrick, o filho de Zeus que foi embora no acampamento e não voltou, ele estava mais velho e deveria ter 22 anos agora, vestia uma regata azul que mostrava os músculos definidos e suados por conta do clima, usava calças militares camufladas e botas pretas. Seu cabelo estava maior, bem maior, longos cachos dourados cainham sobre suas costas em grande volume, os olhos azuis estavam mais frios e menores, com um olhar assassino e esnobe, tinha uma cicatriz em seu pescoço que vinha de seu queixo e descia pelo peito, um corte uniforme e devastador. Em suas costas usava uma capa cinza que de lado estava escrito ‘’ Μόνο η ισχυρή επιβιώσει.’’, que em grego significa ‘’ Só os fortes sobrevivem.’’, e o símbolo de duas adagas azuis cruzadas, ficava em cima da frase. Pettrick conversava com um semideus que aparentava ter 14 anos e estava com uma roupa despachada e velha.

–Senhor Pettrick, os filhos de Hermes que cuidam dos assassinatos estão perguntando se podem renovar suas posições para pegar mais semideuses surpreendidos. – O garoto moreno, baixo e magrelo falava com certo receio e respeito com o filho de Zeus, sendo submisso ao mesmo.

–Sim miserável, eles já deviam ter feito isso assim que mataram algum novato que ia para aquele acampamento. – Pettrick respondeu duro e sem compaixão alguma para o pequeno e indefeso garoto.

–Me desculpe meu senhor, vou relatar imediatamente. – E saiu correndo em direção a fogueira.

–Esses pequenos vermes vão me deixar louco. – Dizia para si mesmo. Pettrick se virou e foi falar com alguém que o esperava em uma mensagem de Íris, não consegui distinguir o que era e de quem era a voz, mas era algo que parecia com um sussurro, algo que você se encolheria só de ouvir o som.

–E como andam as coisas? – A voz perguntou me fazendo ter arrepios.

–Estão indo bem, provavelmente o acampamento só começou a perceber agora o que está acontecendo e até os conselheiros tomarem iniciativa de algo já vamos ter poder o suficiente para um ataque direto. Os espiõe.... – Pettrick ia terminar quando a voz o silenciou com um chiado alto e perturbador.

–Você está falando demais capitão, deveria perceber quando alguém anda bisbilhotando você. – A voz falou com um tom divertido. Meu corpo gelou, como ela havia me percebido? Isso é um sonho. O que quer que estivesse falando com Pettrick, não era humano. O filho de Zeus arregalou os olhos e virou a adaga em um arco da esquerda para a direita que caia sobre o meu ombro, quando eu acordei em um salto. Senti como se a adaga tivesse rasgado minha pele, mas eu estava lá, eram 6 horas da manhã, não havia ninguém no quarto, o que queria dizer que Du havia voltado para a reunião antes do sol nascer e dormiu apenas 1 hora. Eu estava suado, me levantei para tomar um banho e pensar sobre o sonho e sobre tudo o que vi lá. Sai do banho e coloquei a camisa do acampamento e uma xadrez preta por cima, coloquei minha toca preta, botas e calça de sarja preta, prendi com um cinto, coloquei Umbra na bainha e fui para a Casa Grande para falar com Quíron.