Sobrevivência do mais forte.

18 Capítulo 18 - Esperança.


Layla, a devota de Héstia, projetava círculos de fogo ao seu redor com sua espada, com a expressão despreocupada e avoada, o brilho de sua lâmina iluminava a noite fria e aos poucos ia queimando a grama ao seu redor. Ela não usava armadura, porém eu havia visto que ela podia explodir em chamas e moldar uma armadura de fogo, assim como eu fiz contra Martinato. Seus olhos mantinham a cor de uma fogueira calma, vermelho-vivo e fagulhas laranjas, ela era realmente muito bonita, porém diferente das outras devotas de Héstia que eu havia conhecido, ela irradiava perigo de seus olhos e seu jeito. Dan vestia sua armadura de um bronze mais escuro, grande e cheia de riscos ou cortes, menos em suas costas. Empunhava sua espada gigante de 1,30cm de lâmina e 30cm de cabo, revestido em metal e com entalhes de chamas belíssimas ao redor da espada mortal. Ele caminhava até sua adversária, estavam bem longes um do outro, porém eu sabia que assim que Dan quisesse ele poderia disparar na direção da inimiga em uma velocidade incrível.

–Sinto pena que vou ter de derrotar um filho de Hefesto tão gato. – Layla sorriu provocativa, então girou a espada mais uma vez e a firmou em sua mão. Dan não respondeu, apenas continuou andando calmamente até ela. Ela pareceu se irritar mais com Dan a ignorando do que qualquer outra coisa. –Arrghhh, vou te reduzir a cinzas com um único golpe, Conselheiro. – Então ela estendeu sua espada com a ponta mirada para Dan e sua espada começou a brilhar, um brilho forte e quente. Ao redor de Layla um pequeno vórtice de fogo surgiu com muita ventania e seus olhos estavam totalmente tomados pela cor vermelha. –Eu sei que os filhos de Hefesto tem certa resistência ao fogo, mas acredite querido, nada é capaz de aguentar o poder de minhas chamas. – Dan permaneceu caminhando em sua direção, o que ele tinha na cabeça? Eu podia sentir a energia que a lâmina da devota de Héstia juntava, suas chamas iluminavam a noite como um grande farol. Nick gritou para Dan, algo como “DAN, ELA VAI ACABAR COM VOCÊ!!’’ mas o vento levou sua voz para longe, olhei para os meus demais companheiros e os conselheiros apenas olhavam, não diziam nada. Eles tinham total confiança em seu parceiro. Foi quando Annabeth levantou-se aflita e fez com as mãos um sinal de “temos de sair daqui’’, todos se levantaram e fomos correndo a direita para sair da linha de ataque de Layla. Andamos 15 metros e paramos. Foi quando em um grito de Layla, o vórtice sumiu e sua lâmina retraiu todo o brilho e calor, por alguns segundos a noite voltou a ser fria. –AEGLA. – Uma rajada de fogo circular, com 5 metros de diâmetro, explodiu da espada da garota e rápido demais para Dan desviar, acertou em cheio o conselheiro de Hefesto, que sumiu em meio ao fogo. A rajada acertou o chalé de Deméter e o explodiu em centenas de faíscas e muita poeira, senti minhas sobrancelhas queimarem e então virei o rosto e joguei meu corpo na frente de Nick, para não queima-lo ou coisa do tipo. O campo de batalha foi tomado por poeira, eu não enxergava nada, apenas vi Nick embaixo de mim com os olhos arregalados, ao redor os sobreviventes tossiam. Ninguém havia se machucado, nem nada... Dan! Quando me levantei em meio a poeira, não conseguia enxergar nada direito, apenas vi Marylin fazendo um movimento com sua mão e a poeira ao nosso redor foi levada para longe junto com o vento. Todos estavam bem, apenas tossindo um pouco e abalados com o susto, aonde Dan estava permanecia com muita poeira e pude ouvir uma gargalhada ao fundo, uma gargalhada feminina e problemática. –EU DISSE!!! NADA, NEM NINGUEM PODE RESISTIR AO MEU PODER!! –Era Layla, ela realmente havia me surpreendido, era realmente muito poderosa e sua espada tinha a capacidade de atirar rajadas de fogo, espero sobreviver para anotar isso em sua ficha criminal. Então outro som tomou conta da noite, não de gargalhada ou de qualquer outro som, era o som de passos, passos pesados revestidos de ferros. Eu não podia acreditar, mas a essência vital de Dan continuava perfeitamente bem, enfim uma lâmina gigante cortou o ar e dissipou a fumaça. Lá estava ele, caminhando na direção de Layla intacto. Consegui ver a expressão de Layla e dos demais inimigos, uma expressão de surpresa e incredibilidade. Ela recuou um passo com receio. –COMO? Não, não pode ser possível! Era pra você ter sido desintegrado!! – Dan sustentou o olhar da garota e respondeu.

–Querida... Hefesto não é um deus fraco como todos pensam, ele forjou o escudo de Zeus, a armadura de Aquiles, a carruagem de Hélio, o arco e as flechas de Eros e diversos outras obras-primas. Por isso, acham que meu pai é só o deus das forjas, artesões ou metalurgia. Não. Ele é também o deus do fogo e dos vulcões. Então tente não subestimar um filho desse grande deus, ainda mais do meu nível. – Com esse breve discurso, Dan a encarou e sorriu divertido. -É só isso que tem? – Ele manteve o sorriso. –Acho que agora é minha vez. – Tirou sua espada do ombro e a deixou raspar a grama, depois disso ele apertou um pouco o passo e foi trotando em direção da devota de Héstia perplexa com tudo aquilo.

–-------------------------------A partir de agora, Dan Gearbender irá narrar. ---------------------------------

Eu me fiz de indestrutível resistindo o ataque dessa garota, mas eu quase não consegui segurar todo o tranco, ainda bem que minha armadura é a prova-de-fogo assim como meu corpo, ainda bem também que já treinei mergulhando em um vulcão, se eu não tivesse acostumado, com certeza eu teria saído daquele fogaréu com algumas partes do meu corpo carbonizadas ou até mesmo morto. Pelo menos, consegui abalar a moral dela, ela gastou muita energia em um ataque poderosíssimo e agora vai se obrigar a atacar de forma mais poderosa para furar minha barreira natural contra o fogo, ela vai se cansar rápido. A vitória já é minha.

Ergui Elen, minha espada gigante e então disparei como uma bala mirando seu peito protegido apenas por uma camisa de seda verde, cobri 40 metros rapidamente e quando estava a 5 metros investi minha espada em seu peito, ela rapidamente pulou para a esquerda, desviando do ataque e investiu com sua espada em minha costela, quando o golpe da mesma chegava em seu destino agarrei a lamina de sua espada na lateral e a joguei para cima. Usei a habilidade de esquentar ou resfriar o metal até a temperatura que eu decidir e fiz a lâmina de Elen derreter em lava, pulei e golpeei a devota de Héstia mas assim que minha espada de lava tocou sua mão, ela explodiu em fogo e eu fui atirado para o chão velozmente. Atingi o chão e uma cratera enorme se formou ao meu redor, o impacto doeu, mas nada demais, quando procurei pela menina ouvi ela gritando de dor. Seus pés estavam pegando fogo, como botas-a-jato, porém ela olhava para sua mão... pelo menos aonde sua mão deveria estar. Ela segurava o pulso de seu braço esquerdo e gritava, sua mão havia sido cortada pela minha espada, não sangrava porque a temperatura da lava cicatrizou o ferimento rapidamente, ela se virou para mim e procurei minha espada, ela já estava normal novamente e então quando me virei para atacar a devota de Héstia, ela não estava mais no ar. Fui surpreendido por um chute na minha perna direita, olhei para aonde vinha o golpe e então encontrei uma figura totalmente tomada pelo fogo, o chute fez minha perna doer muito e felizmente não quebrou, o impacto fez uma onda de calor emanar de onde estávamos. Segurei Elen com uma mão e com a outra soquei o rosto flamejante, com força o suficiente para joga-la no chão, ela atingiu o solo e quando girei Elen para crava-la no peito de Layla, ela segurou a espada na parte chata e a desviou para o lado, quando a espada cravou no chão, ela pegou sua lâmina flamejante e tentou atravessar meu peito, se a espada me atingisse diretamente seria capaz de me matar.

–Elen. – Minha espada gigante explodiu como uma tocha, fazendo o impacto da mesma jogar Layla para a direita com muita força, desviando a espada da mesma de sua rota. Ela foi jogada e começou a planar no ar, até parar lentamente, sua mão havia se reconstituído em fogo, mas creio que a mão mesmo havia se perdido para sempre com meu golpe. Minha espada ardia em fogo e suor começou a cair em meu olho, aquilo estava me incomodando e cometi o erro de passar as costas da minha mão para limpar meu rosto, quando tirei a mão do rosto, Layla havia sumido. Estava a minha frente com a espada em mãos e então atacou com um golpe na horizontal vindo da esquerda, rapidamente coloquei Elen em sua direção que aparou o golpe, mas ela girou e atacou na horizontal, agora vindo da direita, aparei o golpe novamente e ela chutou minha espada, que me fez perder o equilíbrio. Ela investiu novamente sua espada contra o meu peito e fiz a única coisa que me sobrou a fazer, agarrei sua espada com minha mão, quando a segurei pude sentir minha mão queimando, então a puxei para perto o suficiente, soltei Elen e com a outra mão a segurei no pescoço flamejante. Minha mão iria virar geleia se eu continuasse segurando a mesma, então a joguei com muita força para minhas costas, ela foi como um cometa e acertou o chalé de Ares, que começou a desabar. “Desculpe, Simon.’’ Sussurrei para mim mesmo e então uma explosão de fogo saiu do meio das ruinas do chalé de Ares, a garota continuava pegando fogo e voou em minha direção. Eu estava desarmado e ela devia pensar que eu não aguentava mais lutar, o maior defeito nela, é achar que é superpoderosa. Quando ela se aproximou demais, simplesmente ajoelhei e agarrei Elen, que ainda explodia em chamas, e girei 180° com um corte na horizontal. Senti minha espada passando pela armadura de fogo que já estava fraca e cortando pele, carne, osso e órgãos da garota. Senti a temperatura caindo e o brilho sumindo em minhas costas, senti sangue respingando em minha nuca e um gemido de piedade. Quando olhei para trás, vi Layla dividida entre coluna e quadril, sangue jorrava e ela gemia de dor e respirava pesadamente.

–Como? Deveria ser impossível me ferir com fogo.... – Ela disse alto e foi perdendo a consciência.

–Minhas chamas são mais fortes, porque eu tenho um ideal. Elas não são moldadas em raiva e destruição, elas são moldadas em sentimentos, pelos meus amigos, pelas pessoas que eu devo proteger. – Eu disse olhando para a mesma que ia sussurrando para si antes de morrer. “Amigos... Proteger...’’ e então uma lagrima flamejante escorreu pelos seus olhos, nos mesmos, não estavam mais aquela fogueira furiosa, em seus olhos agora restava apenas uma coloração cinza. Me virei e minha perna direita fraquejou, o local aonde o chute havia me atingido havia sido fritado assim como minhas duas mãos que ardiam muito. Caí de joelhos e então quando fui levantar, um punho acertou a boca do meu estomago, era o garoto pálido filho de Quione com o olhar de um assassino desesperado. Eu pude sentir o golpe dele fazendo minha pele congelar, aos poucos, eu sabia que iria morrer.

–EU A AMAVA. VOCÊ MATOU A GAROTA QUE EU AMAVA. – Sua katana surgiu em sua mão, eu queria fazer algo, mas não tinha mais forças e fui pego totalmente desprevenido. Quando a espada vinha pousando em meu ombro, algo aconteceu, duas sombras apareceram em minha frente e as reconheci imediatamente, Pietro e Marylin, outra sombra me agarrou e me tirou dali, então desmaiei.

–----------------------------------------------Léo volta a ser o narrador. -------------------------------------------

Dan havia sido incrível, mas por que porra de motivo o filho de Quione o atacou? Não eram combates um contra um? Felizmente, Marylin interceptou o golpe da katana do inimigo e Pietro o acertou um chute no meio do peito que o jogou longe, Helon correu e agarrou seu conselheiro trazendo o mesmo até nós. Quando o filho de Quione atingiu o chão de pé, Marylin gritou irritada.

–O QUE É ISSO, WILLIAM? VOCÊ NÃO DISSE QUE NÃO PODIA TER AJUDA DE FORA? – Pettrick então sorriu e começou a gargalhar.

–Desculpa maninha, não pude controla-lo. Eu juro que tentei. – Então começou a rir mais. Aquilo fez a raiva explodir em mim, o filho de Quione voltou ao lado de seu capitão e ficou lá, agora estava rindo. Ele era extremamente bipolar, antes estava chorando e explodindo de raiva porque sua amada havia morrido, agora estava rindo à toa, como se nada tivesse acontecido. Desviei minha atenção para Dan, que estava estirado no chão e frio, pela primeira vez, ele estava frio. Rapidamente Cassandra tirou o peitoral de Dan, em sua barriga havia a marca de um punho onde o golpe havia atingido ao redor do golpe, linhas brancas seguiam por seu peito inteiro, como uma teia de aranha.

–Pelos deuses.... Aquele garoto atingiu Dan com um golpe que está congelando os órgãos dele aos pouco, pelos deuses, não posso fazer nada. Meus deuses.... – Então eu havia ficado desesperado, Dan não podia morrer, ele havia ganhado, ele tinha de sobreviver.

–Não... Temos de fazer algo, temos de dar um jeito, tem de ter um jeito!! – Ela me olhou suplicante.

–Leo... O único jeito de derreter o gelo dele é esquentando o corpo dele, mas não temos como fazer isso! Ninguém aqui controla o fogo! – Aquilo parecia ter sido uma indireta não intencional, mas eu não tentaria de maneira alguma usar fogo infernal em Dan. Se eu perdesse o controle iria mata-lo e nunca que fogo infernal iria reparar alguma coisa. Droga. Coloquei a mão em seu peito, na região do coração e pude sentir o coração batendo mais devagar... estava sendo congelado, iriamos perder Dan. Então uma voz que eu odiaria ouvir em qualquer outra ocasião, com aquele sotaque britânico que me irritava, me aliviou. Quando olhei para onde os chalés ficam vi de onde vinha a voz.

–Eu sei que não confiam em mim, mas eu posso salva-lo. – Era Stephan Martinato, ele não estava mais cheio de feridas e carbonizado, ele vestia uma camisa normal e calças jeans, como se tivesse acabado de acordar caindo da cama. Eu não sabia se atacava ou deixava ele cuidar de Dan. Então Cassandra o fuzilou com os olhos e por fim disse.

–Vá rápido! – Stephan correu até nós e colocou as duas mãos sobre o peito de Dan, as mãos de Stephan pareciam lupas para o Sol, porque um raio do sol foi focalizado bem no coração de Dan, que começou a tomar cor e esquentar, os fios brancos congelados foram derretendo e alguns segundos depois, Stephan tirou as mãos de cima do peito do conselheiro. Os olhos de Dan abriram confusos e ele voltou a respirar rapidamente, então Cassandra abraçou Dan com força e o conselheiro de Hefesto tentou levantar, mas fraquejou, sacudiu a cabeça devagar para retomar totalmente a consciência. Ele olhou para mim e perguntou.

–O que aconteceu? – Eu olhei para Stephan e Dan acompanhou meu olhar. Seus olhos se arregalaram e uma faísca de raiva surgiu em seus olhos.

–Ele o salvou. – Eu disse aquilo da forma mais pura que pude e senti a faísca de raiva ser substituída por surpresa.

–Obrigado, Stephan. – Disse Dan com um cansaço. Stephan estava um pouco afastado de nós, provavelmente com medo de nós tentarmos desintegra-lo a qualquer momento.

–Não foi nada, Gearbender. – Ele estava triste e de cabeça baixa.

–Stephan... Eu sei de tudo o que aconteceu. Mas como está vivo? – Eu perguntei confuso. – Como pode estar tão bem? – Ele dirigiu os olhos verdes para mim e então suspirou.

–Eu... preciso falar com todos vocês sobre isso. – Nós assentimos, eu estava com um leve peso na consciência pela perda do irmão dele. Ele permaneceu de pé e os outros conselheiros assim que o viram foram se reunindo ao redor do mesmo, os campistas ficaram mais atrás. Marylin e Pietro continuavam lá na frente até terem certeza de que mais nenhum ataque surpresa ocorreria e se juntaram a nós. Ninguém disse uma palavra sequer e ele começou seu discurso. –Eu... Eu estava trabalhando para a força renegada como espião no acampamento. Mas eu tive um motivo para isso, meu irmão, Lance Martinato... – Ele fez uma pausa dolorosa e então retomou. –Ele fora raptado e a vida dele estava em jogo... Ele... Agora eu não tenho mais porque ajuda-los, meu irmão está livre. Eu odiava trabalhar para eles, trair minha família, trair meus companheiros... Eu peço perdão, não espero que me aceitem de volta... eu só preciso do perdão de vocês todos! – Todos os conselheiros se entreolharam, estava claro que ele dizia a verdade, ele chorava, lágrimas de dor e remorso. Foi quando Percy foi em sua direção e o envolveu em um abraço. Stephan arregalou os olhos de surpresa e Percy por fim disse.

–Você está perdoado, meu amigo. – Stephan então abraçou Percy com força e começou a chorar de verdade, aquela era uma cena feliz apesar de toda a situação, alguns minutos depois, ele falou com cada conselheiro. Eu me sentei ao lado de Jhon e Ju, eles estavam passando ataduras nos demais feridos, mas em geral estavam bem. Já deviam ser 2hrs da madrugada e o sono vinha tomando conta aos poucos dos campistas, eu estava acostumado a ficar acordado, a noite sempre foi o meu terreno. Ju brincava com seus cachinhos e Jhon fumava um cigarro, estávamos conversando sobre o que faríamos, até Stephan chegar e interromper a conversa desagradável.

–Leo...? Podemos conversar? – Ele disse suplicante, eu queria dizer que não, só para aumentar meu próprio ego, mas agora não era hora para isso. Assenti com a cabeça e me levantei, fomos andando até um lugar mais privado e então ele colocou a mão em meu ombro. –Eu... queria agradecer. Você tentou abrir meus olhos durante a nossa luta e eu queria me desculpar por ter sido o maior idiota com você, todo esse tempo. – Eu olhei em seus olhos, não havia truque ou qualquer tentativa de se aparecer, ele estava sendo sincero.

–Como sobreviveu? Quer dizer, depois daquela explosão que já havia sido um milagre você sobreviver a ela, mas você entrou em coma. Eu vi seu estado, estava cheio de feridas e totalmente carbonizado. – A pergunta pareceu abalar ele. Então ele sentou no chão e eu permaneci de pé olhando para os dois chalés destruídos.

–Eu... Eu ouvi uma explosão vindo de algum lugar e acordei, mas não consegui me mexer, apenas movia meus olhos tentando entender aonde eu estava. Então eu vi meu pai. – Eu dirigi meu olhar para ele.

–Apolo? – Ele assentiu sonhador.

–Ele estava parado no pé da minha maca, com o sorriso melancólico. Ele me disse que eu havia me provado um poderoso filho... Ele disse que me daria mais uma chance de fazer tudo certo, de fazer tudo certo por Lance. – O nome do garoto pairou no ar como uma brisa de verão. –Então ele beijou levemente minha testa e meu corpo começou a se reconstituir, senti como se tivesse acabado de acordar de um sono totalmente revigorado, ele deixou também essas camisas no cabide e antes de sumir, ele falou, “Agora vá meu garoto, seus amigos precisam de você.’’ As palavras dele passaram como um flashback em minha mente, me mostrando tudo o que havia acontecido na luta e eu disparei para fora da barraca. Vi Dan no chão com o gelo tomando conta do corpo dele e eu soube o que deveria fazer. – Eu assenti, eu sabia que ele não estava mentindo.

–Stephan, eu confio em você. Mas acredite, qualquer passo em falso que você der, eu estarei olhando. Qualquer furada, eu não vou hesitar em te matar. – Ele me olhou com os olhos claros e assentiu levemente.

–Eu confio em você para isso. – Se levantou e me ofereceu um aperto de mãos, encaixamos nossas mãos uma na outra e por fim sorrimos, voltamos para o grupo que haviam criado uma fogueira e estavam lá, desfrutando do calor do fogo. Dan estava deitado repousando por conta de sua luta e do golpe do filho de Quione, Anna já estava melhor dos ferimentos, mas a moral dos semideuses estava baixa. Vi Annabeth e Percy conversando a parte, ela parecia estar tentando contar algo, mas não conseguia dizer.

–Eu quero dizer que está atrasada.... Eu queria te contar antes... Mas... – Ela dizia, então tirei minha atenção da conversa, era ridículo eu espiar a conversa dos dois, mas eu sentia algo estranho na vitalidade de Annabeth, não algo ruim, mas diferente. Tornei minha atenção para Du, que estava sentado sozinho um pouco depois do limite da luz que a fogueira fornecia, fui andando até o mesmo e me sentei ao lado dele.

–Ei, como você está? – Eu perguntei de forma gentil.

–Eu? Não sei, cheio de ódio, cheio de adrenalina, se eu pulasse ali no meio, mataria no mínimo 200 filhos das putas. – Eu consegui rir levemente.

–Eu juro que se estivesse junto, levaríamos 400 filhos das putas. – Ele então riu um pouco. –Du... uma pergunta, só para confirmar... Você vai lutar contra o filho de Quione, estou errado? – Ele olhou dentro dos meus olhos e a ligação que só eu e ele tínhamos me fez sentir forte e seguro.

–E quando você está errado sobre mim, carinha? – Ele respondeu. –Eu tenho de enfrentar esse cara, eu posso ter vantagem sobre a neve, os movimentos dele devem ser lentos, eu sou rápido. Marylin vai querer enfrentar o filho de Deimos e considero que ela terá vantagem sobre ele, eu levo as coisas muito para o pessoal, se ele usasse a influência do ódio em mim, eu não sei do que seria capaz de fazer. Percy vai ter de lutar contra Pettrick, apesar de eu ter vontade de esfolar esse filho de Zeus, eu tenho de entender que só Percy é capaz de derrota-lo. –Eu assenti devagar.

–Você tem razão. Só tome cuidado, seu idiota. – Eu sabia que ele iria ganhar. Ele é Eduardo Viana, o filho de Hades mais forte que a terra já viu. Ficamos sentados juntos por mais algum tempo, então vimos Pettrick mandar seu exército inteiro retornar, eu comecei a reparar uma coisa. O exército inteiro parecia robotizado, pareciam robôs sobre o comando de um mestre. Como os irmãos Kinnigan’s, tinha algo errado naquilo. O exército subiu a colina e desapareceu para lá do vale, ficaram apenas no terreno inteiro, nossos 30 campistas e Pettrick com o filho de Quione, o filho de Deimos, o único irmão Kinnigan e uma outra garota que estava sentada em uma cadeira de rodas, eu não havia a visto antes. Atrás dele, estavam mais 10 soldados que eu não conseguia reconhecer ou estuda-los com total clareza. O pensamento de que agora havíamos Stephan ao nosso lado e tínhamos reduzido a guarda-real de Pettrick para apenas 3 semideuses, me alegrava, me dava esperanças de vitória. Du continuava estudando o grupo de Pettrick, parecia estranhar alguma coisa, mas quando fui perguntar Percy me chamou para conversar. Andamos o bastante para ficarmos longe dos ouvidos de todos e lá os olhos do filho de Poseidon me estudaram, como se gravasse meus detalhes, por fim ele suspirou e disse.

–Eu estou encantado com tudo isso. – Aquilo me pegou desprevenido, ele estava falando de mim?! PERCY JACKSON TEM INTERESSE EM MACHOS?!

–Que? – Eu me afastei um metro e provavelmente fiquei com uma cara ridícula, pois Percy começou a rir no instante seguinte.

–NÃO! Você entendeu errado, Leo. – Ele disse gargalhando e se debruçando. –Não estou falando de você, idiota. Aliás, você acha que Annabeth ficaria feliz se eu a trocasse por você? – Então, eu comecei a rir. Percy tinha uma aura fantástica, acolhedora, feliz e relaxante. Estar perto dele fazia parecer que você estava sentado em uma pedra no meio do oceano, em um dia de Sol e o cheiro de água salgada invadindo seu nariz tranquilamente, ouvindo o som relaxante das ondas se chocando com a pedra.

–Realmente. Só não me assuste dessa forma novamente. – Então alguns segundos depois, paramos de rir. –Ahn... O que ia dizendo? –

–Ah! Claro... Estou encantado com o poder que esses semideuses alcançaram. – Eu achei não ter entendido o sentido da pergunta, mas felizmente, ele deu continuidade. –Quer dizer... a cinco anos atrás não existiam semideuses poderosos como eles, eu era o semideus mais forte da minha época... –

–Você é o semideus mais forte do século. – Ele me olhou sorridente.

–Claro que não, Leo. Um século é muito tempo e já vi muitos semideuses capazes de me ultrapassar. Enfim, o que eu ia dizendo é que não tínhamos tanto controle sobre nossos poderes, naquela época, era difícil ver semideuses que realmente sabiam usar seus poderes ativos, não só seus poderes passivos. – Eu achava que Percy estava apenas falando coisas sem sentido, ele provavelmente percebeu que eu não entendia e então explicou. –É assim Leo, um exemplo fácil, Martinato é capaz de explodir o acampamento inteiro com três flechadas da luz ou até mesmo explodindo si próprio. Simon... você viu do que ele foi capaz de fazer. Anna conseguiu misturar sua forma com a do patrono de seu pai. Isso eram coisas totalmente fora de alcance dos semideuses de antes, já viu Perseu jogando um raio em alguém? – O que ele dizia fazia sentido, nunca vi um mito no qual Héracles jogar um raio em alguém também. –O que eu quero dizer é que, podemos ganhar isso e sobrevivermos. – A convicção em sua voz era animadora.

–Você tem razão, Percy. – Aquilo fazia sentido, quer dizer, se ouvirmos as histórias de cinco ou dez anos atrás, veríamos como nos tornamos incrivelmente mais fortes agora. Ele tinha razão, iríamos sobreviver. Voltamos para o pequeno “acampamento’’ montado pelos nossos sobreviventes e aguardamos a próxima chamada de Pettrick de forma agonizante, então alguns breves minutos depois o filho de Zeus se virou para anunciar seu próximo combatente. Mas diferente de antes, não estávamos mais com medo ou melancólicos, perdemos Simon e uma quantidade enorme de campistas e caçadoras, tínhamos de sobreviver por eles. Diferente de antes, não sentíamos nenhum desses sentimentos fracos.

Tínhamos esperança.