Sobrevivendo Ás Férias
1 Prólogo
Notas iniciais
Base aérea de Chicago.
- O assassino atacou novamente, dessa vez na Flórida.
- Em qual cidade?
- Harbour Heights.
- Vítima igual ás outras?
- Sim, mulher na faixa dos trinta anos, morena, alta e magra.
- Obrigado soldado.
O capitão John Grass suspirou pesadamente. Havia um novo assassino serial á solta, havia começado com a primeira vítima em Chicago há dois anos, o caso não fora concluído por falta de evidências. A segunda vítima fora em Las Vegas, há meio ano. Também não haviam conseguido fechar o caso, haviam pouquíssimas evidências E a mais recente fora na Flórida. O assassino não seguia uma linha de tempo padrão, apenas as vítimas eram sempre iguais. Mulheres solteiras, por volta dos trinta anos e de cabelos castanhos.
- Parece que ele está ficando cada vez mais desesperado, os intervalos de tempo diminuíram consideravelmente. – Seu colega entrou na sala, trazendo um jarro de café. – Um cafezinho?
- Não há registros de homens assassinados por ele? – O capitão questionou, ignorando o subordinado.
- Apenas um, noivo da vítima em Vegas.
- Há indícios de trauma sexual?
- Sim, nas três mulheres.
- A família de alguma vítima relatou sobre algum possível relacionamente amoroso?
- Não senhor.
O capitão John Grass suspirou outra vez e segurou com força sua xícara de café, que estava gelado áquela hora. Haviam se passado dois anos, e nenhuma das famílias havia obtido qualquer resposta. Suas filhas haviam sido seqüestradas e depois encontradas mortas, e o culpado de tudo aquilo continuava solto e fazendo mais vítimas.
- Senhor, nós já fizemos nossa parte. Agora o resto está nas mãos da perícia.
- Continuo com a incômoda sensação de que estamos deixando passar um detalhe crucial.
- Você acha que ele fará mais vítimas?
- É da natureza de um psicopata continuar matando. Não param. Talvez pausem por um longo período, mas não param.
- E esse cara é esperto. Não deixou nada que pudesse nos ajudar a prendê-lo.
- Temos que pensar da maneira que ele pensaria. O que faríamos se estivéssemos desesperados?
- Atacaria novamente.
Duas semanas depois
Uma mulher com cabelos negros saiu do imponente prédio espelhado na Las Vegas Boulevard, sem perceber que dois olhos ferozes cuidavam de cada movimento seu. Já eram altas horas da madrugada de uma noite de lua minguante, era possível ver um contorno indefinido de uma silhueta caminhando rapidamente pelo estacionamento tomado pela escuridão da noite. Shelley Brooks era uma mulher na casa dos 40 anos, alta e esguia, com fama de megera no local onde trabalhava, o Las Vegas Review Journal, o jornal mais famoso de Las Vegas. Ela morava sozinha, não acreditava em qualquer tipo de relacionamento e esse fato havia se espalhado rapidamente pelos corredores do jornal. Com o passar do tempo ela havia conseguido uma posição de destaque na empresa, além de uma conta bancária recheada de zeros e uma casa com piscina e sistema de segurança no Seven Hills, bairro das celebridades. Entrou em seu carro blindado e dirigiu lentamente para casa, parando no supermercado para comprar um espumante. Um par de olhos continuava seguindo cada movimento seu, seguindo seu carro pelas ruas movimentadas de Las Vegas. Depois de chegar em casa, abriu o espumante e serviu se de uma taça, pôs um biquíni e foi em direção á piscina. Nadou por uma hora, até estar exausta e com certeza de que seus músculos estivessem totalmente bem trabalhados, fazendo pequenas pausas para tomar alguns goles de espumante que lhe davam uma sensação cada vez maior de tontura. Shelley ouviu um ruído á sua esquerda e virou a cabeça rapidamente para ver o que poderia haver acontecido. A única coisa que se movimentava eras as folhas de sua árvore perto da piscina. Ela saiu da piscina e caminhava em direção á porta de entrada quando duas mãos agarrarem lhe fortemente o cabelo, e, antes que pudesse revidar, sentiu a lâmina afiada de uma faca cortar seu pescoço de um lado ao outro. Sua ultima sensação antes de morrer foi de seu corpo sendo jogado na piscina e seu próprio sangue tingindo lentamente a água de vermelho.
Longe dali, em um bairro pobre de Las Vegas, Nancy Shields destrancou a porta de sua casa. Atrapalhou-se levemente com as três chaves penduradas em seu chaveiro, mas depois de conseguir fazer suas mãos pararem de tremer, entrou em casa. Seu gordo gato alaranjado correu lhe entre os pés para ver se sua dona havia lhe comprado algum quitute. A frágil senhora de setenta anos curvou se o máximo que suas costas lhe permitiam para acariciar a cabeça de Mike, seu gato quase tão idoso quanto ela. Nancy encheu uma chaleira com água para seu chá que tomava diariamente ás duas horas da madrugada, quando voltava de seu passeio. Os vizinhos lhe lançavam olhares de pena por ela voltar tão tarde para casa, mal sabiam eles que era porque ela estava até tarde trabalhando em um posto de gasolina abandonado, fabricando consideráveis quantidades de ecstasy. Por isso á cada noite tinha algumas notas de dinheiro a mais para guardar em baixo de seu colchão. Deu um resmungo de dor quando endireitou suas costas, e foi em direção á sala para ligar a televisão. Àquela hora passava Anthony Bourdain: No Reservations. Nancy adorava ver Anthony conhecendo novas culturas, aquele era seu programa de televisão predileto. Ela sentou-se no sofá e esperou pacientemente até que a água do chá começasse a ferver. Mesmo com seus ouvidos cansados e quase não funcionando, ela ouviu algo que parecia ser o ranger do piso de madeira de sua casa, mas estava muito exausta para ir averiguar o barulho. Provavelmente era Mike passeando pela cozinha a procura de migalhas de alguma refeição que pudessem estar sobrando. Nancy viu uma sombra erguer se por cima da parede de sua televisão, e antes que pudesse ver de onde essa sombra se originava, sentiu algo duro bater contra sua nuca com uma força descomunal. Ela sentiu um estalo em toda sua frágil coluna cervical, suas vértebras se quebravam e o feixe de nervos se rompeu, causando parada respiratória. Nancy Shileds caiu do sofá para o chão, enquanto ouvia a chaleira apitar por causa da água em ebulição.
A duas quadras de distância da casa da senhora, dois adolescentes se encaravam com raiva. Joe e Philip eram irmãos, sendo Joe dois anos mais velho que seu irmão Philip, de quinze anos. Estavam em uma rua deserta, de volta para casa depois de uma festa na casa de um amigo de Joe.
- Você me enganou, seu bastardo. Disse que não sabia onde estava minha arma. Além de você ter a pego sem me pedir permissão. – Joe gritou com seu irmão mais novo, o fazendo erguer o queixo em sinal de desafio.
- Isso não é problema meu. E bastardo é você. – Philip retrucou, caminhando em direção á um beco para pegar um atalho para sua casa. Com um sorriso debochado, ouviu Joe vindo atrás dele. Era ele, Philip, que sempre se dava melhor em tudo. Tinha as melhores notas na escola, era mais querido pelos pais, era mais popular no colégio e era mais musculoso que Joe.
- Você não vai virar as costas para mim seu moleque. – Joe bradou, engatilhando sua arma, o que fez Philip congelar na posição em que estava. Ele se virou rapidamente e encarou seu irmão nos olhos.
- Você não teria coragem de fazer isso. – Philip olhou para os lados, para gritar em sinal de socorro. Joe estava bêbado como um gambá, era bem provável que fosse dar um tiro no próprio pé. Ou poderia até acertar nele.
- Eu tenho coragem. Posso lhe mostrar como tenho. – Joe deu um tiro, que acertou o braço de Philip de raspão. Philip gritou e correu em direção á um muro, mas não foi rápido o suficiente, pois Joe lhe acertou na panturrilha, fazendo o cair. Philip estava deitado no chão, gemendo de dor. Joe chegou perto do irmão e lhe deu um chute na barriga, o que fez gemer mais alto.
- Para com isso Joe. Eu sou seu irmão. – Philip falou sentindo sua visão escurecer devido aos espasmos de dor que percorriam seu corpo inteiro como sinais elétricos. Ele sentiu seu irmão encostar a arma em sua têmpora direita e puxar a gatilho, e começou a gaguejar. – Joe, n-não faça isso. Por favor, Joe!
Mas já era tarde demais.
Fale com o autor