Notas iniciais
Oie! Mas um capitulo, onde não consegui deixar de mencionar um pouquinho de cada um. Digo mais coisas nas notas finais. Boa leitura!

Henry se calou completamente com a visão e não se moveu, assim como os outros, para não chamar atenção do animal entre as folhas e galhos do arbusto. No mesmo segundo ele percebeu que o longo focinho se direcionava para Suzie, que aparentemente não tinha percebido a movimentação predadora que a espreitava. A atenção dele voltou ao animal, que saída de seu esconderijo olhando para a entrada da caverna pacifica e sem suspeitos para interromper sua ação. Dois passos hesitantes para que a criatura se mostrasse sob a gaiola deles. E o estranho cavalo soltou um som indistinguível, na cabeça de Henry e Tae era um aviso do perigo. Nisso Suzie olhou em volta com mais atenção e congelou-se com o que viu surgir dos arbustos e pouco nítido na noite.

O animal era muito estranho, havia apenas um par de pernas de musculatura definida e nada peludas ao compara-las ás costas, tinha uma postura encurvada, quase ereta, e uma calda lupina, assim como a grande cabeça de orelhas pequenas e caídas. E até aquele momento não deu nenhum sinal de que percebeu a gaiola com os três integrantes, a alguns centímetros acima de seu ombro esquerdo, que não tinha sinal de braços.

Sem conseguir lidar com o fato de a menor seria atacada, Henry se moveu para chamar atenção da criatura falando algo, mas Cheryl lhe tampou a boca bem a tempo. Porém o movimento súbito deles balançou a gaiola e quando os três olharam para o predador abaixo se surpreenderam juntos. Não havia maxilar naquela cabeça -e nem miolos-, os olhos caninos não se moviam, pois estavam sem vida, e a metade de rosto que viam era de alguém humano, como eles, vestido com o couro peludo que um dia aquele predador foi. E o desconhecido os encarou com seus olhos azuis intensos, em meio à pele dourada e as mechas do cabelo preto, liso e repicados em um corte completamente desigual. Ele não teve nenhuma expressão na face quando os avaliou entre as barras espinhentas, logo virou o rosto novamente para a direção de Suzie, e continuou andando cauteloso e de cabeça baixa.

—Quem é ele? — perguntou Cheryl, bem confusa por alguém estar se ariscando a entrar no território de criaturas que eram inimigas.

—Algum banido enlouquecido? -Tae falou, assistindo o avanço do desconhecido.

—Não seria educado chamar alguém que vai nos ajudar de pirado. – comentou Henry. —Mas, o fato de parecer que ele não tem uma roupa decente, ajuda nessa impressão.

Passo a passo, o rapaz desconhecido se aproximou de Suzie e parou alguns metros diante dela. Eles se olharam por alguns segundos, mas a menina logo desviou o olhar, envergonhada e assustada demais, porém ele continuou a olhando sério até ouvir o som da criatura presa no cercado novamente. Então ignorou a garota e foi até o cercado, um fato estranho para os três mais velhos que esperavam pelo resgate da mais nova.

O desconhecido parou diante da porteira, deu uma ultima olhada para a entrada da caverna e depois olhou para o céu, que tinha começado a clarear lentamente, então puxou do meio da capa de pele um recipiente com uma pasta laranja esverdeada, tomando uma postura tranquila, melecou uma parte da corda que prendia a porteira do cercado usando a ponta de uma faca, então esperou, se virando para trás e olhando um pouco os três humanos na gaiola. Um sorriso gozador passou na face daquele jovem, e Tae franziu o cenho para aquilo, o rapaz estava rindo da situação deles. A seguir o cavalo do outro lado chamou sua atenção ao baixar a cabeça até a altura dele e encostar seu chifre entre as madeiras o encarando fixamente. O rapaz levantou a faca e passou sobre a parte empastada da corda, que se cedeu facilmente. Depois ele abriu a porteira o suficiente para apenas o cavalo passar e logo fechou, mantendo o que pareceu ser dois javalis gordos e grandes dentro do cercado. O animal libertado não se agitou como se podia esperar, ele galopou um pouco ali, fazendo pouquíssimo barulho, e depois caminhou calmamente para o mesmo arbusto do qual o garoto tinha vindo. E em uma corrida leve o desconhecido seguiu o animal, deixando Suzie de lado e os três.

A possibilidade de ficarem ali retumbou na mente de todos. O cara era claramente um demente para abandona-los a sangue frio, e tudo indicava que era isso que ele ia fazer.

—Espera! —Cheryl que falou quando ele passava por baixo da gaiola, e ele parou, até um pouco bruscamente, e encarou-a na luz fraca que vinha com a manhã. —Nos ajude a sair daqui... Por favor. Estamos andando a uns dias sozinhos, passamos por muitas coisas e não queremos morrer aqui... Eu não posso... — ela usou de um tom de voz encantador e aveludado ao olha-lo, dando um espanto para os dois rapazes que sempre ouvira-a séria, e nada mansa daquele jeito.

O rapaz a observou, então suspirou abaixando a cabeça e pondo as mãos na cintura, deixando que a aparência de animal lupina assumisse seu lugar.

—É um belo discurso... —sua voz era charmosamente audaciosa, e a olhou novamente. —Mas não vai ser por isso.

Ele deu a volta avaliando a gaiola e percebeu que não tinha altura para alcançar a portinhola, ou as cordas que atrancavam. Então voltou a ficar debaixo da gaiola e, estranhamente, contou lentamente os que estavam lá dentro, como se fosse uma criança brincando com os números, enquanto pegava seu potinho de condimento escondido e estendia até Cheryl.

—Use isso na corda que estão vendo, conte até quarenta e então use a faca. —ele ia passar a faca, mas Cheryl mostrou que tinha uma e ele apenas assentiu. Então ele virou o rosto e olhou para a menina menor presa no tronco. —Ela é de vocês também?

—Nossa?-Henry estranhou, mas foi ignorado quando Cheryl confirmou distraída e o rapaz foi até lá, dando uma olhada cautelosa na borda da caverna, para soltar Suzie.

A manhã começava com o nascer do sol e as coisas começavam a tomar uma forma em meio à escuridão. Depois de todos soltos, o desconhecido, que não perdia em altura para Tae ou Henry, os analisou a sua volta, depois se virou e seguiu em direção ao arbusto sem dizer nada. Sem alternativas eles o seguiram, porém Tae deu uma olhava esperta em volta pegando uma das ferramentas que tinha por ali para usar para sua defesa se fosse necessário.

[///]

—Aww... Vendo isso me faz querer encontrar minha família. Ter um deles por perto, só pra saber que terá alguém para cuidar de mim nesse lugar.

—Ou um guri para te esquentar e te abraçar nas noites frias, principalmente as mais escuras que você tem medo. – risos.

—Ai Alice, eu estou falando de boa, que mente você tem!

Ouvindo isso o garoto abriu os olhos devagar espiando quem estaria falando. Perto dele, o olhando de cima, estava a jovem de cabelos loiros ondulados rindo da cara avermelhada da ruiva do outro lado. Acima delas e das folhas das arvores, Sean viu um céu azulado com as poucas nuvens deslizando rapidamente.

—Vamos arrumar as coisas. Não podemos desperdiçar a luz do dia. — Louis estava arrumando a capa para coloca-la em sua mochila e avisava pela segunda vez para as garotas que não pareciam ter pressa.

Sean se moveu para se levantar, mas parou quando sentiu o peso sobre seu peito. Seu movimento foi suficiente para despertar a garotinha com gorro roxo torto, que estava deitada com ele. Judie acordou se sentando e olhando em volta com os olhos difíceis de ficarem abertos. Depois Sean também se sentou tentando acordar a face e bagunçando mais o cabelo.

—Você é uma pessoa legal, Sean. —Piper disse com um fino sorriso e depois se direcionou a menor. —Vamos tomar café da manhã? Vou separar alguma coisa para você comer.

—Mas a gente tem que ir logo. Aqui não é seguro.

—Calma Louis-vamos-embora, tenha um pouco de paz ai. —Alice disse seguindo Piper e Judie até as mochilas. —Vamos só alimentar a caçula. Além disso, Aurora e o menino com cicatriz na cara foram dar uma passeada e não voltaram. Depois que eles chegarem nós partimos.

O jovem ficou sério assistindo as garotas se acomodarem próximo da mochila de Piper e conversarem enquanto escolhiam uma das opções de raçoes não perecíveis que tinham. Ele queria que aqueles, que eram mais velhos que ele, compreendessem que a luz do dia era importante e era um desperdício ficar no mesmo lugar e retardar o avanço que podiam ter, mesmo sem saber para onde estava indo.

—Frederico, acorda essa aí para comer alguma coisa. Assim quando todo mundo estiver aqui poderemos ir logo. —Louis falou com o menino sentado á uns três metros dele, que já estava com a mochila pronta, pois tinha obedecido a orientação dele.

Fritz olhou para o lado e lá estava às costas da menina que tinha a mesma idade que ele. Pietra estava dormindo depois de ficar acordada uma parte da noite, e ele a tocou no ombro, ela não reagiu, então deu uma chacoalha e, para fazer o coração dele disparar logo cedo, a garota se moveu agilmente se virando para ele e pondo a lamina da faca contra seu pulso. Ele engoliu em seco sem poder esconder o espanto. Pietra logo percebeu que não era uma ameaça e abaixou a faca pedindo desculpas.

—Tá... É... Desculpa de acordar assim... É que estão se preparando para sair daqui.

Ela assentiu e ele repetiu o gesto voltando a se sentar direito, voltando a ficar na dele observando tudo.

Não muito longe deles, Richard seguia Aurora no meio de alguns arbustos. Em mãos ele tinha um saco improvisado com algumas poucas folhas de plantas medicinais que Aurora, ou ele, reconheceu.

—O que estamos procurando agora? – perguntou olhando a garota que estava parada a uns bons minutos no mesmo lugar.

—Algum cipó para ter corda, eu já disse.

—E porque não escolhe um desses? Parecem bons e compridos...

—Não, esses estão verdes demais e são muitos finos para serem úteis. Procuro um que seja mais velho, pois vai ter mais fibra e provavelmente será mais resistente, mas também não pode ser muito velho, pois será menos maleável e quebraria.

O menino fez um careta compreendendo e então voltou a olhar as coisas em volta. Mas antes que ele achasse um cipó, Aurora indicou um com um sorriso de vitória. Eles se aproximaram e ela tentou alcança-lo com um galho, mas o cipó estava alto. Richard analisou o ambiente e teve o pensamento segundos mais rápido do que o da morena de franja puxada para a lateral. Ele foi até a árvore em que o cipó se enroscava e começou a escala-la. Com doze anos e porte atlético, Rick foi ágil para alcançar a futura corda, mesmo Aurora tendo um breve momento de tentar impedi-lo ou aconselha-lo, com o teria feito com o irmão de dez anos se o visse subitamente subir em um arvore.

[///]

Ross, Yuki, Rose e Charlotte já caminhavam pêlo meio da floresta naquele começo de manhã. Os dois rapazes carregavam o peso extra das armas e suplemento. Mas faltava uma coisa, a agua deles estava acabando, e a nova garrafa que veio com a esfera, infelizmente, estava vazia. Então todos aceitaram que encontrar agua era o objetivo daquele dia.

Eles caminharam sempre sendo envolvidos pelo verde e o cenário parecido, que Ross conseguia decifrar ao se focar em detalhes que talvez só ele percebesse. O terreno se tornou levemente plano por uma hora e então começaram a descer cada vez mais.

Quando o sol se aproximava de seu pico e caia sobre a cabeça deles sem dó através das folhagens, eles encontraram uma arvore de tronco largo, alta e copa muito volumosa que criava um espaço limpo pertos de suas raízes com uma sombra agradável no ambiente abafado e quente.

—Nós precisamos de água o quanto antes. —Rose comentou ao se sentar sobre umas das raízes que saia do solo, com o corpo aquecido pelo exercício e atual temperatura, assim como os outros. —Um rio cristalino de agua fria para refrescar e matar a sede... —e suspirou. —É um pesadelo ter que ficar controlando goles de agua!

—Rio...? —Ross falou com desdém enquanto trocava a blusa escura e suja por outra mais clara e limpa. A imaginação e fala só colaborava para ele desejar mais o que não tinham. —Não ouvimos nada, não vimos nada, nem um sinal de vida nessa porcaria de mato! Esse rio tá só nos seus sonhos.

—Ei, o que é aquilo? —Charlotte, sentada sobre sua mochila e tomando um gole de seu cantil, olhava alguma parte das arvores ao redor na maior.

Rose seguiu o olhar estreitado da mais nova, que apenas apontava o rosto na direção.

—Delírio é um sinal de desidratação. Não é?—Ross disse em duvida se virando para Yuki, que o olhou e depois para as meninas. —Eu podia ter apostado que a criança ia ser a primeira. Ao menos ia ganhar alguma coisa tendo ela por perto... Ei, aonde você vai?

Rose tinha se levantado e começava a andar em uma direção com os olhos focados em algo acima do solo e no meio de algumas arvores.

—Vou ver aquilo. —e ela apontou.

—Aquilo o quê?

—Levanta dai e vamos lá, seu curioso preguiçoso!- Charli ficou de pé e depois seguiu a mais velha.

Yuki ficou de pé e as seguiu, fazendo Ross ir também. Após a clareira sobre a árvore, eles andaram uns dez metros e Rose sempre olhava para cima.

—Parece que é... uma pessoa. – disse ela hesitado.

—Parece? Acha que aqui vai ter alguma coisa que parece e não é um humano? –Ross falou então voltou a encarar aquele que estava içado por uma armadilha e desacordado.

—Que tal jogar uma faca? —Yuki se expressou ao acaso, com um quase imperceptível sorriso perverso.

—Ele pode estar vivo! Que ideia. —Rose disse ainda estranhando o loiro alto. —Vamos tentar solta-lo. —sugeriu.

—O quê? Isso pode ser perda de tempo. Ele nem tá se mexendo... Mas —Ross notou algo no desconhecido —talvez ele tenha água naquele cantil. Como vamos tira ele de lá? Deve estar a uns quatro metros do chão.

O plano foi rápido, Charllote ajudou a cortar a corda que se enrolava e se camuflava bem nos troncos castanhos, mas a queda não foi muito cuidadosa com o rapaz aloirado e rosto vermelho que caíra. Logo ele abriu os olhos vagarosamente observando a copa de algumas arvores antes de se focar nos quatro desconhecidos que estavam em sua volta, então se levantou bruscamente e se arrependeu de sua ação, sentindo uma apontada de dor na cabeça.

—Quem são vocês? —ele perguntou voltando a se deitar de costa no chão e os olhando de baixo.

—Quem somos nós? Quem é você! E porque estava ali? —Ross perguntou. —Caiu na sua própria armadilha ou qu-...

Ele se sentou novamente, com a expressão tensa e olhou em volta como se lembrasse de algo que estava fazendo.

—Eles... eles ainda estão por aí? —e olhou para a cara deles, mas não teve resposta, apenas a expressão confusa dos quatro. Então suspirou e foi desamarrar a corda das pernas que tinham uma ferida incomodando com sangue seco. —Eu sou Donnatelo, estava com um grupo noite passada e aconteceu uma coisa...

Don explicou basicamente o que houve, mas á Ross interessou a parte de que havia um rio em algum lugar. O loiro estava um pouco confuso, pois tinha corrido na escuridão e caindo em uma armadilha que o deixou de cabeça para baixo por algumas horas antes que ficasse inconsciente, e apesar da insistência do moreno não sabia calcular a distancia que percorreu nem para onde era o riacho.

De volta a sombra da grande arvore Rose ajudou o rapaz com um curativo e Ross avisou que se ele ficasse para trás na caminha, não ia se importar. Isso porque Don não tinha nada com ele, apenas o cantil preso no cinto e as roupas que usava, nenhuma vantagem.

Notas finais
Desculpem quem esperava por ação. Mas se lembrem dos Humanoides (é assim que vou chamar por enquanto) eles podem ser uteis. Até o momento tenho quatro personagens meus. Eu queria fazer Suzie passar para uma melhor, mas me sinto mal em fazer isso. Afinal alguém teve o trabalho de preencher a ficha toda e pensar, não quero que seja um desperdício, e ainda nutro a esperança de que o criador venha ler e comente, mas são capítulos grandes demais e muuuitos sem sinal... Talvez não aja outra forma.(hehehe Já até imaginei umas coisas) Consegui postar no final de semana! Uhul! Respondo todos os comentários antes de postar um próximo. Espero que tenham gostado, desculpe se tiver algum erro, e vamos lá! Obrigado por ler e comente para eu saber o que esta achando ou o que pode ser feito. Tudo de Bom!