Sobrevivência do mais forte.

14 Capítulo 14 -A batalha começa.


Tentei controlar meus pensamentos, era realmente impossível ficar calmo naquela situação, mas eu deveria ser forte, pelos campistas. Pelas crianças, sátiros e ninfas que tinham a esperança de voltar para sua casa. Por Nick. Umbra estava na bainha e vibrava levemente, parecia ansiosa, minha armadura estava fria por conta do clima frio da madrugada, os campistas corriam para lá e para cá colocando suas armaduras, pegando suas armas e coisas do tipo, já deviam ter se passado 15 minutos e então uma massa enorme de soldados foram se acumulando um pouco à frente da fogueira e em cima de um tronco, que provavelmente Cassandra havia erguido, estava Percy e Annabeth de mãos dadas, eles iriam repassar o plano e provavelmente dizer algumas palavras. Quando todos os campistas foram reunidos, Annabeth deu início.

–Hoje é um dia pelo qual não fomos treinados, um dia pelo qual não devíamos estar enfrentando. A maioria de vocês foram treinados todos esses anos para enfrentar monstros e salvar o mundo quando fosse necessário, mas não podemos recuar! Hoje, enfrentaremos o nosso sangue para proteger o nosso lar. Muitos companheiros antigos estarão daquele lado, mas não hesitem em lutar, não fraquejem pois eles irão mata-los na primeira oportunidade. O plano é o seguinte, faremos uma linha de arqueiros, com caçadoras e filhos de Apolo, acima do morro, vamos derrubar o máximo possível até eles atingirem o topo, quando isso acontecer os arqueiros irão recuar o mais rápido possível e deixar o dragão, Peleu, enfrentando os renegados. Quando o dragão for derrotado, Edward Viana o conselheiro do 13° chalé junto de Leo Veronezi, irão levantar o máximo de esqueletos e cães para segurar a barra por muito tempo enquanto os outros arqueiros, das barricadas e torres vão reduzir o ataque inimigo. Quando isso acabar, vamos enfrentar frente a frente os renegados. E aí sejam o que os deuses quiserem. – A multidão ficou agitada, podia sentir o medo vagar entre os campistas, então quem começou a falar foi Percy.

–Ei, galera, hoje vocês não são campistas, hoje vocês são guerreiros. São heróis. Estão aqui defendendo com sua vida o que vocês chamam de lar. Estão defendendo o lar de crianças, ninfas e sátiros. Estão apostando a vida de vocês no futuro do acampamento. Iremos vencer, somos fortes, podemos fazer isso. Não vá para o campo pensando em sua morte, mas pensando em sua vida e em tudo o que você treinou para defender o mundo de vocês, se acreditarem que irão morrer, vocês já estão mortos! NÃO HESITEM, VAMOS VENCER!!!! QUE OS DEUSES ESTEJAM AO NOSSO FAVOR! – E então o entusiasmo tomou conta do acampamento e a fogueira magica subiu cerca de 15 metros com uma coloração vermelho vivo e amarelo. Todos nós gritamos erguendo nossas armas e então fomos nos preparar para a batalha.

Marylin junto de Simon organizava a linha de ataque para quando os arqueiros cessassem, Cassandra e Jully organizavam o esquadrão médico, Anna e Pietro organizavam a segunda linha de ataque, que viria das laterais. Du e Thalia ajustavam os arqueiros nas posições corretas, até cheguei a ver Percy e Annabeth em um canto escuro entre as barracas se beijando. Giu e Dan checavam as armadilhas, eu aproveitei esse tempo para conversar com Nick. Fui até ele, que conversava com outros dois guerreiros, um era uma garota com olhos escuros amendoados e o cabelo longo escuro, o outro era Helon. Completamente vestidos, fiz um aceno leve com a cabeça e eles retribuíram.

–Léo, essa é Corujinha, filha de Atena. – Ele sorriu um pouco, ela parecia um pouco envergonhada.

–Oi Léo, prazer Corujinha, seu irmão já comentou de você. – E ela sorriu. Sorri de volta um pouco rude. Peguei Nick pelo braço e o levei para uma parte mais isolada.

–Qualé Léo, eu ia te apresentar ela e você foi rude assim porque? Eu acho que to afi... – O cortei rapidamente, indo direto ao assunto.

–Nick, eu quero que você evite o máximo que der, o combate direto, fique para as laterais mais ao meio e.... –Ele me fuzilou com os olhos e então falou.

–Léo, você ouviu o que Percy disse? Hoje não sou um campista novato, hoje não sou seu irmão e não mereço atenção especial, HOJE SOU UM GUERREIRO! – Aquilo me pegou de surpresa.

–CALE A BOCA! Você sempre será meu irmão e nunca vou ficar relaxado enquanto você estiver no meio dessa guerra! – Ele avançou em mim.

–EU NÃO SOU UMA CRIANÇA!!! –E agarrou em meu pescoço, eu era treinado em diversas artes marciais e apliquei um golpe de judô, que o fez passar por cima de mim e o jogar no chão. Segurei ele no chão e comecei a gritar.

–VOCÊ É O ÚNICO MEMBRO DA MINHA FAMILIA! NÃO POSSO TE PERDER, NICK! QUE DROGA. – Então vi seus olhos enchendo de lágrimas e ele sussurrou.

–Você também é o único membro da minha família, Léo... Você acha que só você se preocupa? Você acha que não tem muitos irmãos nessa guerra também? Você acha que não há diversas pessoas importantes para cada um lá? ENTENDA, ESSE É O MEU LAR TAMBÉM E VOU LUTAR ATÉ O FIM PARA PROTEGE-LO. – Então me toquei, eu estava fazendo exatamente o que Hades fizera comigo. Eu o soltei, ele tinha razão, eu tinha de aceitar isso. Ele se levantou e então falei cabisbaixo.

–Nick... Me desc... – Ele me envolveu em um abraço carinhoso, eu retribui e ele disse.

–Eu prometo não morrer, se você prometer isso também. – Então eu assenti levemente com a cabeça e quando nos soltamos, soltei meu colar da Lua Nascente que Frances havia me dado e o prendi no pescoço de Nick.

–Quando precisar, aperte esse colar e peça ajuda, te vejo depois disso tudo maninho. Eu te amo. – Ele sussurrou ‘’ eu também te amo.’’ e então fomos para nossas posições. Todos já estavam organizados, ainda estava um pouco escuro, só a claridade do Sol por trás das nuvens permitia a visão de tudo, felizmente, minha visão era perfeita assim. Devia ser 5/5:30hrs, por aí, não faltava muito tempo, fui para minha posição que era ao lado de Du em um campo onde só havia nós dois, a cena seria linda se não estivéssemos esperando uma guerra. Ele estava com a armadura completa de conselheiro, só não estava com a capa, mas de resto, era um guerreiro formidável. Quando cheguei ao seu lado, ele me deu um cigarro e um isqueiro, acendemos e ele disse.

–Por que esse está melhor que os outros? – Ele me olhou curioso, nossos capacetes estavam no chão, suspirei e então respondi.

–Talvez possa ser o último. – Ele me deu um soco de leve.

–Pare de dizer besteiras. – Abri aos poucos um sorriso, eu já não sentia mais medo, agora era sentia a adrenalina correr em minhas veias, podia sentir a empolgação e ansiedade tomando conta do meu corpo.

–Verdade, você está me devendo um celular novo ainda. – Ele sorriu também. – Sabe que não vou dar ‘’ Adeus’’ ou qualquer despedida, mesmo sendo ‘’ Até já já’’, não sabe? – Ele me olhou e concordou.

–Nem deve, estamos sempre ligados carinha. – Eu assenti. –Só... cuidado. – Então os olhos negros se encontraram com os meus, não tínhamos esses momentos de fraquezas emocionais, era extremamente raro, mas nós não precisamos dizer nada naquele momento, para saber tudo o que o outro queria ter dito. Depois disso, um meio-sangue com a armadura verde-água de conchas e outras coisas marítimas, surgiu ao nosso lado, estava equipado com um escudo que havia entalhado no metal diversas aventuras do mesmo e a espada de 90 cm escrita pela lâmina ‘’ Anaklusmos’. O guerreiro retirou o elmo e os olhos verdes se dirigiram a nós, depois a colina. Provavelmente, estava deixando a barba crescer, ela era ralinha e o deixava com um ar mais erudito.

–Eu... Desejo sorte, a todos nós. – Percy começou, ele parecia um pouco mais fraco de antes durante o discurso. –Mas garotos, só quero que saibam uma coisa. Com sua idade Leo, participei da maior guerra da nossa época, a batalha em Manhattan. Lá, assim como aqui, teve traidores e heróis, teve desespero, teve tempos nos quais achávamos que estava tudo perdido. Porém, vencemos aquela maldita guerra e estamos aqui hoje. O que quero dizer é.... Não achem que acabou. Não. Vamos vencer. – Então ele se voltou a nós dois. –Uma vez, eu conheci um filho de Hades que mudou todo o curso da minha história. O mais corajoso, forte e companheiro que eu pude confiar. – Eu e Du sabíamos a quem se referia. Nico D’ Angelo. –Mas hoje, eu vejo mais dois que são até mais poderosos que ele. Não necessariamente em poder, mas nisso aqui. –E então, ele tocou meu peito, na parte que ficava meu coração. Em outras situações, eu teria dado um tapa na mão e chamado Percy de bixinha, mas ali não. Ele sorriu e quando se virou, Du falou.

–Bixinha.... – Percy se virou e sorriu, ele era uma pessoa incrível. Eu ri e soquei levemente o ombro de Du. O filho de Poseidon voltou para seu lugar da estratégia e 10 minutos depois, comecei a ouvir gritos, não gritos desesperadores, mas gritos de guerra vindo de depois da Colina, o Sol já havia atravessado as nuvens e então eu soube quando ouvi o som dos arcos se armando entre as arvores lá em cima, que a guerra havia começado.

–-----------------------------Frances Nightwolf, será a narradora a partir de agora--------------------------

Thalia estava do meu lado, lá embaixo da colina uma névoa espeça não permitia a visão de nada a 50 metros. Luna, minha loba estava ansiosa e se remexia, os outros lobos das caçadoras também uivavam levemente e rosnavam, porém em meio a névoa podíamos ouvir os urros e gritos de batalha. Eles ativaram algumas armadilhas, fogo grego explodia e outras armadilhas incapacitavam alguns outros renegados.

–ARQUEIROS, SE PREPAREM!! – Thalia gritou e todos os 50 arqueiros prenderam suas flechas no arco, me armei também e segurei a flecha por, talvez 15 segundos, até o primeiro grupo avançar correndo subindo a colina, estandartes com bandeiras azuis que tinham duas adagas cruzadas e alguma coisa escrita em grego antigo, que não dava pra ler no momento, mas era algo sobre ‘’ Sobrevivência do mais forte.’’. Guerreiros de armaduras de bronze, saiam da névoa vindo em nossa direção. 45 metros. 40. 35. Escolhi meu alvo, um soldado que usava duas lâminas curvadas e armadura leve com diversas brechas. Thalia deu a ordem ‘’ DISPARAR!’’, então soltei minha flecha e vi as demais seguindo rumos parecidos, minha flecha entrou na fresta entre o pescoço e a clavícula do soldado que caiu imóvel. Logo em seguida prendi outra flecha e comecei a disparar rapidamente como as demais caçadoras e filhos de Apolo ali, o plano praticamente dependia de nós. Eu atirava uma flecha com o intervalo de 5 segundos, assim tinha tempo de prender a próxima flecha, escolher o alvo e achar uma brecha mortal. Mas ninguém ali se comparava a Thalia que parecia uma metralhadora humana, talvez uma flecha a cada 2 segundos, era velocidade demais, mas não podia ficar prestando atenção nisso e tentar ser mais rápida só para ter olhos impressionados em mim, não. Tinha de ser certeira no meu tempo. Então flechas do meio da névoa começaram a vir em nossa direção, um filho de Apolo foi atingido em cima de um dos carvalhos e caiu morto. Nos mantivemos firmes, então outras flechas foram atingindo outros arqueiros nossos, era hora de recuar. Os soldados já deviam estar a 15 metros quando Thalia deu a ordem e o dragão Peleu saiu de trás de nós para segurar os renegados. Montei em Luna e nos afastamos o mais rápido que podíamos, quando olhei para o vale lá embaixo pude ver Léo e Du já desembainhando suas espadas negras e se preparando para o dever. Derrubamos no mínimo 130 soldados inimigos, a ação havia durado 7/8 minutos no máximo, o tempo que todos esperavam, até um pouco melhor. Luna corria rapidamente descendo para o vale e me virei para ver a situação lá em cima. Alguns filhos de Apolo haviam montado nos lobos junto de caçadoras, felizmente nenhuma caçadora havia morrido, os demais corriam de forma ordenada até as barricadas e defesas lá embaixo. Mais alguns metros e eu passaria por Léo e por Du. Assim que cheguei aos dois filhos de Hades, olhei de lado para ver os mesmos e.... estavam sorrindo! Não um sorriso triste, sabendo que irão morrer. Mas um sorriso vitorioso, um sorriso intimidador. Assim que cheguei a primeira linha de defesa, desci de Luna e fui para uma das barricadas, os outros arqueiros fizeram o mesmo, eu ainda tinha flechas o suficiente para um bom combate. Peleu soltava fogo, dava patadas, mordia, agitava sua calda, mas já víamos diversas flechas se projetando em seu corpo e então algo trágico aconteceu, uma garota (minha visão dotada permitia ver os mais precisos detalhes a distância) que usava duas espadas curtas desviou de um ataque de Peleu e agarrou em sua mão, assim que o fez usou a força da gigante pata do dragão para lança-la no ar, quando estava no ar, todos do acampamento podiam a ver, muito exibida. Girou 360° graus no ar e desceu com um golpe fatal no pescoço do dragão, que se dissipou em poeira dourada. Pude ver Annabeth urrar de dor e Percy cerrar os olhos, Thalia havia ficado irritada também, afinal o Dragão estava lá a anos e havia se tornado um companheiro. O Velocino dourado brilhava belamente lá em cima, seria lindo em outra ocasião, porém os guerreiros inimigos desciam urrando e foi ai que Léo e Du entraram em ação.

–-----------------------------------------Leonardo Veronezi, volta a narrar.------------------------------------

A primeira parte havia ido bem, podia sentir as baixas, talvez 6 filhos de Apolo e Peleu, a morte do dragão havia abalado um pouco os veteranos, mas ele estava em um lugar melhor. Como recompensa por proteger o Velocino e o acampamento todos esses anos, iria reencarnar rapidamente e tinha um lugar especial no Submundo para o mesmo. Quando o dragão virou pó dourado, eu e Du tocamos os punhos, não tiramos o sorriso da cara e enfincamos as espadas negras no solo. Mas.... não, meio-segundo antes de minha espada tocar o solo, olhei para cima e vi algo que extraiu minha atenção totalmente. Era... Um Anjo? Não... Era a Morte. Um homem na ponta do pinheiro de Thalia, em pé, vestia as vestes da Morte, usava uma foice enorme, duas vezes maior que a de Nick, tinha em média 1,95cm e de suas costas.... Se projetavam asas. Asas de 2,5m cada, não haviam penas, era feita de energia escura e desesperadora. Esse meio-segundo, passou mais devagar que muitos outros dias e então só acordei do transe, quando olhei para o rosto do Anjo da Morte. Uma barba rala e grisalha, foi quando o Anjo sorriu de forma monstruosa e cortou tudo. Quando pisquei o Anjo já não estava mais lá, meu sorriso sumiu e olhei para Du, o chão aparou minha espada pois havia perdido minhas forças, Du me olhou assustado e disse.

–O QUE FOI LÉO? NÃO PODEMOS FALHAR AGORA! – Ele tinha razão, será que só eu havia visto aquilo? Era coisa da minha cabeça... a maldita profecia havia me deixado louco. Pelos deuses... Eu... Eu... EU NÃO VOU FALHAR AGORA! Então minhas forças se retomaram como um turbilhão e finquei minha espada junto da de Du, oramos com todas as nossas forças para nosso pai. ‘’ Pai, por favor.’’ E então gritamos, um grito que fez os inimigos diminuírem o ritmo e hesitarem, havíamos liberado toda nossa Aura do Temor para cima da legião de renegados e então do chão começaram a se levantar esqueletos de todas as épocas que você pode pensar. Vikings, soldados da primeira e segunda guerra, guerreiros medievais, samurais e todo tipo de coisa, cavalos de esqueletos e paladinos. Cães infernais começaram a cavar as sombras, havíamos invocado no mínimo 300 soldados e 25 cães infernais, havia sido um número ótimo, porém eu sabia que apenas 50 soldados e 5 cães infernais eram meus. Pois é, essa é a diferença de um conselheiro para um campista. Assim que retiramos a espada do chão eu senti minha força se esgotar, Du assim, como eu cambaleou, e então, algo me pegou e me montou em alguma coisa parecido a um cachorro-branco-gigante, quando recuperei um pouco a consciência e a visão clareou, vi Du do outro lado do mesmo jeito que o meu, mas montado em um lobo que quem conduzia era Thalia, quando olhei para frente, cabelos platinados conduziam o lobo que eu montava. Era Frances.

–Fran... Obrigado. –Consegui resmungar, ela então respondeu.

–Fique quieto, esquentadinho. Você está esgotado. – Ela tinha razão, eu precisava poupar energia, eu queria lutar. Pude olhar de relance pela multidão de heróis e vi os olhares orgulhosos e até admiradores para mim e para Du, eu não gostava de atenção, sempre gostei mais de ficar na minha sombra, mas aquele tipo de reconhecimento era ótimo. Frances me deixou deitado em uma maca ao lado de Du, estávamos ofegantes e então ele me olhou com o melhor olhar do mundo. Felicidade.

–Conseguimos carinha, você... você viu aquilo? – Ele disse tossindo, eu assenti e tocamos os punhos que as pulseiras do Reggae pendiam. Filhos de Apolo e Deméter rapidamente nos rodearam e começaram a nos dar ambrosia para beber, tinha o gosto de... Café... não qualquer café, mas o café das tardes no bosque junto de Du, o café que sempre brigávamos por ele gostar de doce e eu amargo, estava delicioso. Um filho de Apolo deixava sua mão um pouco acima de minha testa e outro deixava na região do meu umbigo, uma aura amarelada saia da mão deles e me recuperava, havia passado talvez 10 minutos desde que havíamos erguidos os nossos servos. Eu sentia eles caindo, eu tinha 17 guerreiros e 3 cães ainda sobre meu comando, eles haviam durado bastante, mais do que o esperado e infelizmente ou felizmente... eu sentia a vida deixar o lado renegado. Um pouco mais de 300 renegados haviam caído nessa segunda investida, mas isso não era ruim... O que era ruim era a incerteza de quantos mais ainda existiam dessa força? Já havíamos derrotado tantos e mesmo assim eles continuavam vindo. Eu já havia me recuperado e me sentei na maca. Um dos médicos disse.

–É, acho que você já pode ir para lá, só pegue leve no começo, deixe o corpo se acostumar. – Eu assenti e procurei Du, ele não estava lá.

–E o conselheiro? – Perguntei um pouco desesperado, eu sabia que por conta do elo eu saberia se acontecesse algo, mas mesmo assim estávamos em guerra.

–Calma, ele levantou a uns 5 minutos atrás e está na linha de frente já. Vá rápido. – Eu concordei, me levantei, peguei Umbra do chão e atravessei nosso exército até chegar na frente. Quando cheguei, tive uma visão feliz, porém trágica. Ainda haviam 2 cães infernais lutando e 20 guerreiros esqueletos, estendido no chão, haviam muitos renegados mortos por flechas e por nossos servos. Só lutavam, cerca de 25 renegados ainda, que recuaram rapidamente para cima da colina. Era isso? Havíamos ganhado? Todos se entreolharam e gritaram erguendo suas armas. ‘’ VITÓRIA!!!!!!!!’’. Os nossos servos caíram e os cães infernais retornaram ao submundo.

Não, havia algo errado, aonde estava o verdadeiro poder daquele grupo? Pettrick? Stephan? Os outros guerreiros fortes? Não podia ter sido tão fácil. Foi ai que minhas suspeitas haviam se concretizado. Quando os 25 renegados chegaram ao topo da colina, eles pararam lá e então algo voando passou por cima dos pinheiros, com corpo de leão e asas cobertas por ele, uma cabeça de águia e asas gigantes musculosas, era... um Grifo? E tinha um cavaleiro, em uma armadura dourada que reluzia o sol, um arco dourado e flechas douradas. Eu, o chalé de Apolo e os veteranos, sabíamos quem era. O renegado, ex-conselheiro de Apolo, Stephan Martinato. Ele estava de pé no Grifo, lá no alto com uma pose onipotente, como se pudesse reduzir todo o acampamento em pó apenas com uma flecha, claro que era impossível com uma flecha, mas com uma aljava inteira eu não duvidava do poder do renegado. Todos olhavam para o alto tentando entender o que iria acontecer em seguida, até que os conselheiros se entreolharam e com a linha de raciocínio perfeito entre si, sacaram qual seria o próximo passo do ex-companheiro.

–MANOBRA DEFESA EXTREMA!!! – Gritou Annabeth, assim que o fez, Cassandra a conselheira de Deméter enfiou seu cajado verde no chão e começou a erguer diversas plantas e troncos em cima de nosso pequeno exército. Embaixo da mesma, Anna usava duas adagas curtas e fez um movimento com as mesmas que ergueu vinhas oferecendo resistência a mais na barreira de Cassandra. A barreira ainda não havia se fechado por inteira e pude ver Martinato prendendo uma flecha em seu arco. Alguns garotos de Éolo começaram a domar o ar e participar como resistência do enorme casco, por final Percy ergueu um escudo embaixo de todos feito de água, quando a gigante barreira fechou todas suas frestas, tive tempo de ver Martinato soltando a flecha, cortando a velocidade da luz, que se tivesse chego um milésimo de segundo atrás, teria varrido uma boa parte de nosso exército. A flecha tocou o casco e então pudemos sentir o barulho da explosão, parecia ter sido um tiro de um supercanhão, a barreira de Cassandra rapidamente foi se queimando junto da de Anna, os ventos dos filhos de Éolo se extinguiram e quando as chamas ferozes chegaram em nós, se não fosse pela barreira de Percy teríamos sido fritados. Quando a chama se extinguiu vi Martinato preparando a próxima flecha, não resistiríamos outra daquela e então Giuliana Missluani, que carregava um machado com 1,60 de cabo e uma lâmina enorme curvada de pelo menos 80cm, dourado e rosado gritou alguma coisa para Marylin que assim que entendeu a pegou pela cintura e a filha de Zeus comandou os ventos a carrega-la para cima, partiram em um voo rápido e assim que estavam pertos do renegado de Apolo, o garoto perdeu sua concentração e fez o Grifo desviar da investida das duas conselheiras. Quando atravessaram ao lado do Grifo, Marylin soltou Giuliana que com um corte que quase acertou o braço de Martinato, reduziu o Grifo em pó e caiu em queda livre. Martinato também começou a cair, mas tornei minha atenção para Giu que rapidamente foi resgatada por Marylin, pousaram com dificuldade e rolaram alguns metros. Quando me virei para Martinato, faltava alguns 200 metros para chegar no chão, quando um turbilhão passou e o pegou, era humano... devia ser Pettrick. Que droga! Havíamos chegado tão perto de tirar um inimigo poderoso da linha. Pietro foi verificar se as duas conselheiras estavam bem, ambas assentiram e quando se levantavam o segundo ataque veio à tona. Um grupo maior investiu descendo a colina em nossa direção, rapidamente. Agora haviam um pouco mais de 500 renegados, então Thalia deu a ordem a todos os arqueiros.

–ARQUEIROS! FLECHAS SONICAS!! – E então flechas que explodiam uma rajada sísmica começaram a atingir a força renegada, faziam vários deles voarem, mas não chegavam a matar. Muitos foram ficando desacordados e então quando estavam próximos demais, era a hora. O ataque direto. O tudo ou nada. Simon gritou.

–ENTÃO É ISSO SOLDADOS! ESSE É O TUDO OU NADA. O FINAL. LUTAREMOS ATÉ O FIM PELO NOSSO LAR, LEMBREM-SE DESSE DIA, É O DIA QUE VOCÊS SE TORNARÃO HERÓIS! VEJO VOCÊS NO ELÍSIO! – E com um grito, todos nós investimos, procurei Nick na multidão, mas era tarde demais. Só me virei, sussurrei ‘’ Áster’’ e meu anel foi se alongando e arredondando até se tornar meu escudo. Ouvi muitos outros sussurros de armas mágicas no nosso campo, estávamos fortes, estávamos confiantes. A vitória seria nossa! O impacto com o grupo renegado foi barulhento, lâminas colidindo com escudos ou com armaduras, o cheiro de suor com sangue... Aquilo.... Tinha um cheiro maravilhoso! O primeiro renegado que veio em minha direção com uma espada de duas mãos, fez um arco vertical de cima para baixo, defendi com facilidade com Áster e quando o guerreiro cambaleou, fiz um corte em sua coxa, ele ajoelhou e bati com o escudo forte em seu rosto o deixando desacordado, em seguida veio um da minha esquerda, usava uma lâmina comum, atacou da mesma forma que o renegado anterior, mas simplesmente rodei para o lado, fazendo-o cortar o ar, bati com o cabo de Umbra em sua mão que o desarmou e então... Finalmente fiz minha parte em uma guerra de verdade. Com um corte na horizontal na direção do pescoço me girei e alguns segundo depois do corpo imóvel atingir o chão, a cabeça do adversário caiu aos meus pés. A expressão era assustada. Me virei sem ter tempo para pensar nisso e investi adentrando a batalha, um renegado com uma lança e outros 3 com espadas vieram em minha direção, liberei a Aura do Temor e os fiz ficarem parados imóveis, logo em seguida juntei o máximo de sombras que pude em Umbra e soltei uma rajada negra na horizontal em cima dos 4 renegados. Os mesmos caíram imóveis no chão. O calor da batalha, adrenalina, déficit de atenção, hiperatividade e ser filho de um dos três grandes me faziam um guerreiro quase perfeito, era genial a forma que éramos criados, nascíamos já prontos para lutar. Então algo tirou meu foco, palmas em minhas costas, *clap clap clap*. Me virei e lá estava Stephan, a armadura não reluzia mais tanto, o arco estava nas costas, em mãos estava uma lança dourada e no coldre uma espada curta.

–É vermezinho, eu não esperava te encontrar tão cedo nesse meio. – Eu me virei sem baixar a guarda, sabia o quão rápido ele podia sacar aquele arco e fazer uma flecha penetrar minhas brechas.

–Admita, irradiei tanto poder que você não se controlou para ver com os próprios olhos o quão forte me tornei. – O sorriso do filho de Apolo se tornou uma careta de nojo.

–Não importa o quantos os anos passem, garotinho. Você nunca chegara ao meu nível. Nunca! – Ele.... Estava estranho, não tinha a expressão que os renegados tinham, ele não queria estar ali, ele não queria ter de enfrentar seus amigos. Isso estava nítido em seus olhos.

–Stephan... O que houve com você? – Eu perguntei de forma amistosa. As palavras o atingiram mais forte que qualquer outra coisa, ele pareceu se abalar.

–Não aconteceu nada.... Não aconteceu.... Assim como você, vermezinho, eu também tenho coisas que tenho de proteger. – Ele disse por fim, mas sem demonstrar fraqueza. Os renegados tinham arranjado uma forma de fazê-lo trabalhar para eles. Pelos deuses Martinato, o que houve? Não tive tempo de dizer mais nada, ele só disse. – LEVANTE ESSE ESCUDO SEU VERME! PROVE SUAS PALAVRAS COM AÇÕES, ACHA QUE PODE ME DERROTAR? VENHA! – Droga... Meu maldito orgulho não me permitia mais pensar, ergui o escudo e avancei contra ele com Umbra, ele atacou com sua lança que quando tocou meu escudo, fez um baque sônico e me fez cambalear, eu tinha de nos tirar daqui, eu precisava de um lugar no qual tivesse espaço para lutar. Meu braço havia dormido por conta da estocada com a lança, então fiz algo arriscado. Fiz Áster voltar a ser um anel, quando ele investiu de novo com a lança ergui uma sombra como escudo e cheguei em seu pescoço com minha mão esquerda. Forcei o mesmo a deitar no chão, nos fazendo mergulhar nas sombras e viajar para algum lugar no bosque. Tudo escuro e ele se retorcia em meu braço, me acertando chutes e socos com a mão livre, sem soltar a lança. Mas me mantive firme e quando emergimos das sombras em uma clareira, aonde eu e Du sempre íamos tomar café e fumar, o arremessei para longe e cai de costas. Ele foi arremessado por mais ou menos 2 metros e virou em um mortal de pé, estudou o lugar e quando me levantei, e disse.

–Por que diabos você nos trouxe aqui?! – Eu o olhei e respondi de forma devagar.

–Porque seria humilhante demais, até mesmo para você, te matar em meio tantos campistas que você traiu. – Provoquei. Sussurrei para Áster novamente e pude ouvir a distância os gritos de batalha. O renegado sorriu e por fim disse.

–Venha com tudo, filho da escória. – E segurou a lança com uma mão, desembainhando a espada curta com a outra.

–Espero que você aguente, fada encantada. – Fada encantada? Foi um dos piores apelidos que pude pensar na hora, mas por mais incrível que pareça, funcionou bem demais, Stephan tomou uma expressão assassina e investiu em minha direção.