Sobrevivência do mais forte.
15 Capítulo 15 - O renegado brilha.
A lança dourada investiu contra minha coxa, arrastei minha perna para fora do alcance e fiz um corte na vertical, com a espada curta na outra mão, o renegado defendeu-se e rolou para trás. Chamei meu anel pelo nome e rapidamente ele se expandiu no escudo, corri em direção do filho de Apolo e então cometi um erro grave. Pulei com minha espada em uma estocada na direção da clavícula, porém Stephan foi mais rápido e esquivou-se com grande facilidade, enquanto eu ainda estava no ar, a ponta da lança de Stephan veio em direção a minha costela. Por sorte consegui trazer Áster a tempo de defender com a borda do escudo, porém a rajada sônica em fez voar alguns metros, rolar e bater em uma árvore com força. Fiquei sem ar alguns segundos, mas me levantei rapidamente, Stephan já avançava de novo e com mais uma estocada da lança em meu escudo, me fez sair do chão e cambalear, sua espada curta entrou em minha defesa e vinha em direção ao meu coração. O mundo desacelerou.... Era aquilo? Eu iria morrer enfrentando Stephan? Enquanto eu observava a ponta da espada chegando em meu peito, eu só desejei viver para acabar com a raça dele, eu não podia morrer agora, eu tinha.... EU TINHA QUE SOBREVIVER! Quando a ponta da arma atravessou minha armadura e tocou meu peito nu, algo aconteceu. Tudo explodiu em chamas negras e minha visão foi escurecendo, Stephan foi jogado com grande força, rolou por vários metros antes de levantar pasmo e tentar entender o que aconteceu ali. E então, eu olhei para o meu corpo. Eu havia irrompido em chamas negras e todo meu corpo estava envolvido por labaredas, eu estava tão surpreso quanto Stephan. O que era aquilo? Um pensamento me ocorreu, a benção de Hades! Ele havia me dado o poder de controlar as chamas negras com livre e espontânea vontade, não precisava canalizar em ferro estígio ou coisa do tipo, eu era um supercondutor de fogo do inferno.
–Mas... que droga é essa?! – Martinato ficou estupefato com o que havia acabado de presenciar, sua espada curta havia sido queimada pelo fogo e só restava o cabo em sua mão. Então ele se levantou e sorriu. O desgraçado estava sorrindo. –É filho de Hades, você sabia que os conselheiros tem uma regra? – Eu o olhei e resistia o impulso de o explodir em milhões de cinzas.
–Que maldita regra? VOCÊ NEM É UM DELES, SEU LIXO! – Foi então que o sorriso se extinguiu e ele baixou a cabeça.
–A regra é.... Um conselheiro nunca deve usar poder total contra um campista. Mas como você disse, eu não sou mais um deles. –Poder total? O que aquele merda estava falando? –Sinto muito Leo, sinto mesmo. – E então ele começou a reluzir e criar uma aura dourada em sua volta, um manto dourado e quente. Eu avancei contra ele. Eu estava incrivelmente rápido e forte, a lança de Stephan havia se desfeio tem duas partes, se tornando duas espadas médias douradas. Umbra explodia em fogo negro e ele defendeu com as duas lâminas em forma de ‘’X’’, trevas se chocando com a luz e uma bela explosão saiu do impacto de nós dois. Recuei alguns metros assim como ele e investimos, os golpes que eu executava ele aparava e vice-versa, parecia algo sem fim, eu não conseguia achar uma brecha se eu não abrisse uma. Ele golpeou com as lâminas duplas de forma que uma atingisse Áster e a outra passasse por minha defesa, chegando na minha coxa e fazendo um corte profundo, o ferimento começou a arder na hora e minha armadura de fogo infernal não estava se regenerando naquela área, eu não sabia o que fazer no momento, havia acabado de aprender sobre o novo poder. Fiz Áster explodir em um casco de fogo negro e recuei 2 metros, assim reuni fogo infernal em Umbra e o disparei em um corte na horizontal que foi devastador. Stephan o segurou o bastante para não fatia-lo, mas faze-lo cair no chão com um corte na testa enorme que começou a jorrar sangue e com suas espadas quebradas, atrás de si as árvores foram derrubadas pelo impacto de meu golpe. Eu ainda aguentava por muito tempo dançar aquela dança, mas então algo que eu havia esquecido completamente me ocorreu, o arco. Stephan rapidamente tirou o arco e prendeu três flechas, disparou-as igualmente rápido e as parei com uma parede de sombra, as três flechas explodiram em um fogo claro, eu não ia aguentar tanto tempo assim quanto pensava, minha perna ardia como se houvessem mini-explosões nucleares nas células, ele iria me vencer no combate a distância, eu não poderia nem arriscar pegar meu arco e tentar competir com ele. Então eu o disse uma coisa.
–STEPHAN, VAMOS RESOLVER ISSO DE UMA SÓ VEZ. UM SÓ GOLPE. VAMOS VER QUEM É MAIS FORTE! – Aquela era a única chance que eu tinha, eu rezei a Hades que ele aceitasse, ele era egocêntrico demais para recusar um desafio. Ele sorriu em meio seu manto de energia solar e assentiu. Ótimo. Em sua flecha ele começou a juntar energia, parecia que o próprio Sol estava se aproximando da Terra, eu comecei a juntar todo o fogo infernal em Umbra e pude sentir minha armadura elemental indo junto para a espada, aos poucos fui ficando só com minha armadura de estígio e a espada começava a tremer, ela havia crescido 1m e ficará muito mais pesada que o natural, pelo menos 50kg a mais. Stephan estava preparando uma flecha como aquela que os conselheiros haviam criado um casco para proteção, eu tinha de ser mais forte. Mas antes de nós dois executarmos os movimentos ele fraquejou e disse algo.
–Leo... Eles estão com meu irmãozinho, meu irmãozinho de 7 anos. – O QUE? Não. Era um truque. Ele queria que eu ficasse com pena dele e baixasse a guarda. Mas.... Havia honestidade nas palavras, eu podia sentir isso. Fazia sentido por sua expressão, por tamanha submissão a pessoas que ele poderia ajudar a combater, ele estava sendo chantageado.
–Stephan? – Eu não aguentava mais segurar Umbra, ela dava a impressão de que iria explodir a qualquer segundo, ela tremia muito e pesava cada vez mais. Meu corte na coxa também me fazia querer arrancar minha perna. E agora? Soltava o golpe em cima dele ou liberava toda aquela energia pra lugar nenhum? Se eu largasse aquela energia, eu nunca poderia juntar mais tanta força e se ele me atacasse, eu seria morto sem ter chances de lutar. O olhar dele....
–O que você faria para salvar Nick, Leo? – ‘’ Eu caçaria os deuses por ele.’’ Pensei comigo. Enquanto ele não baixasse a flecha queria dizer que continuaria lutando. Puta que pariu, Umbra parecia gritar de dor e eu não estava mais me aguentando em pé com todo aquele peso nos braços.
–Podemos salva-lo, Stephan! Venha para o nosso lado, podemos ajuda-lo! – Havia desespero no olhar do ex-conselheiro de Apolo, ele não sabia o que fazer.
–Eles me prometeram deixa-lo vivo, seu eu matasse você Leo.... EU NÃO POSSO DEIXA-LO MORRER, EU TENHO QUE TE MATAR! – Eu queria gritar com ele, eu queria que ele pudesse ver que podíamos salvar seu irmão juntos. Mas ele estava cego de medo, eu entendo o lado de Stephan, eu faria o mesmo por Nick. Umbra agora parecia pesar 1 tonelada, eu tinha de decidir nos próximos segundos o que fazer. Stephan também não disparava sua flecha, ele lutava contra si mesmo em sua mente, medo contra sanidade. Ele havia juntado energia demais, estava sobrecarregando, assim como eu. Então eu fiz a escolha mais arriscada de toda minha vida, executei o golpe. Porém mirei acima de nós dois e uma energia monstruosa escura foi aos céus, um segundo depois da rajada viajar vários metros para cima, explodiu. Uma onda de energia negra e devastadora tomou o céu por alguns segundos, agora Umbra não pesava tanto, mas eu estava esgotado. Cai de joelhos e Stephan ficou surpreso com minha ação, com certeza ficará mais confuso agora.
–Stephan... Não se esqueça de tudo o que passou aqui, mesmo nós não sermos amigos, você passou ótimos momentos aqui, aqui é seu lar. Podemos salvar seu irmão juntos, você sabe disso! – Falei o mais alto que pude, mas infelizmente o desespero o cegou e ele puxou a corda do arco. Fechei meus olhos e sussurrei para mim mesmo, ‘’ Nick... Du... Desculpem.’’, ‘’ Desculpa o caralho.’’, uma voz grossa e familiar invadiu meus pensamentos. Então meio segundo antes de Stephan soltar a flecha, um vulto escuro emergiu das trevas e tocou o chão, um instante antes da flecha nos acertar, uma parede de sombras nos cobriu e ouviu-se a fundo ‘’ BUUUUUUUUUUUUUMMMMMM’’. O homem se virou e lá estava ele, o conselheiro do 13° chalé.
–Mais que droga Lelo, qual a porra do seu problema de ter sumido para lutar mano-a-mano com um conselheiro? Você quase morreu. – Ele estava irritado, mas era a forma dele de disfarçar a preocupação. As paredes de sombras baixaram e ao nosso redor, aonde haviam árvores estavam grandes labaredas tomando o local, a flecha havia aumentado o tamanho da clareira em quase três vezes por conta da explosão. Stephan havia sumido... eu havia perdido a luta. Du vasculhou o lugar com os olhos e então perguntei.
–Como me encontrou? – Ele me olhou e começou a listar os motivos:
–1°- Você acha que não conseguimos sentir energia? Vocês irradiaram mais poder que muitos grandes semideuses da história.
2°- Você lançou um mega-sinalizador no céu.
3°-Elo empático. – Ele tinha razão, fazia sentido. –Vamos, vou levar você para a área médica. – Então eu lembrei do que realmente estava acontecendo ali, a guerra não era eu e Stephan, eles não pararam para nos esperar, eu havia esquecido completamente de tudo.
–Pelos deuses, como aquilo está? – Perguntei um pouco desesperado. Ele me olhou um pouco cansado, havia sangue seco misturado de suor em seu rosto e em partes de sua armadura.
–Ares deve estar morrendo de prazer. Eles recuaram, você tirou Martinato de lá e ele era a ameaça do momento, os demais não eram grande coisa, tivemos algumas baixas... Acho que sobrevivemos um dia. – Mas o dia não havia acabado, devia ser 10hrs ainda, apenas 4hrs de batalha. Tinha mais a vir. Du me pegou de cavalinho e viajou nas sombras, quando emergimos na sombra de uma das barracas, muitos olhares surpresos foram até mim, deviam ter achado que eu havia morrido mas me ver ali significava que eu havia derrotado o poderoso renegado, isso era horrível, eu havia sido derrotado por ele, era para mim estar morto. Ele me deitou em uma das macas e os filhos de Apolo foram cuidar do corte profundo na coxa, eu acabei dormindo e.... sonhei.
Estava no outro lado da colina, um acampamento muito maior que o nosso era erguido e ao meu lado estava Stephan com uma expressão arrependida, ele não sabia o que fazer, ele estava com medo. Então Pettrick apareceu em cena, o olhar dele fuzilava Stephan.
–VOCÊ NÃO O MATOU? VOCÊ É PIOR QUE LIXO, MALDITO. – e virou um soco no rosto de Stephan. Pude ver o rosto do filho de Apolo se encher de raiva, mas sumir na mesma velocidade.
–Eu... Eu quase consegui! O conselheiro de Hades impediu! Não foi minha culpa! – Ele falava desesperadamente.
–NÃO FOI CULPA SUA? – E então Pettrick se controlou. Fez um sinal para os dois guardas trazerem algo até ele. Alguns minutos depois, os guardas trouxeram um garoto. Era baixo, loiro e branquelo, vestido com trapos e cheio de alguns ferimentos, a expressão de Martinato adotou o terror e ficou olhando para o menino que chorava.
–PETTRICK, NÃO OUSE ENCOSTAR UM DEDO EM LANCE! – O irmão de Stephan chorava e gemia.
–Por favor maninho... me ajuda, por favor. – Então Pettrick mantinha no rosto um sorriso assassino, sacou uma adaga de seu cinto e olhou para Stephan.
–Tínhamos um combinado, meu caro. A vida do herdeiro da Morte mais velho, pela vida de seu irmãozinho. – Ele estendeu a adaga até o pescoço da criança que chorava. Stephan começou a chorar e então com um simples ‘’ fsssslin’’ agudo, sangue jorrou e Stephan ficou imóvel. Eu fiquei pasmo, não conseguia me mover. Stephan então, baixou sua cabeça e começou a gritar. Um grito de ódio, um grito de dor, um grito de fúria. Pettrick ficou olhando para o filho de Apolo com um olhar diferente no rosto, talvez medo. Eu senti o clima ficando mais quente, a pele de Stephan começou a brilhar, algumas rachaduras vermelhas começaram a surgir em sua pele, fazia parecer que Stephan havia se tornado uma réplica do Sol. O mundo foi ficando mudo e pude ver Pettrick dando ordens de evacuação, foi quando ele pegou o filho de Apolo e começou a voar com o mesmo, então acordei em um sobressalto. Não havia ninguém próximo a mim, me levantei com dificuldade e avistei uma multidão olhando para o céu. Fui até onde a multidão de heróis estava reunida, consegui ver só um traço dourado subindo velozmente, na hora eu entendi o que era. Era Pettrick carregando Stephan para o mais longe o possível, foi quando o brilho parou de subir e um vulto a parte saiu voando. Provavelmente ele havia largado Stephan devido ao calor que ele irradiava, então o traço dourado começou a cair rapidamente e quando o traço brilhou como nunca... Uma enorme explosão aconteceu, uma explosão de luz, calor e fogo no céu, o impacto chegou alguns segundos depois fazendo as barracas voarem e desestabilizando nosso exército, me derrubando por conta da perna ferida. Era muito forte, muita energia, todos ficaram sem entender o que aconteceu, mas.... Eu sabia o que havia acontecido. ‘’ Um renegado brilhará.’’ A voz do Oráculo ecoou em minha mente.
Afinal de contas, você foi nunca foi uma má pessoa, Stephan.
Depois de todos arrumarem o acampamento bagunçado devido a onda de impacto, ficaram incertos e curiosos sobre o que teria sido aquela grande explosão, Percy devia imaginar o que era. Paramos para comer e cuidar dos feridos, Du estava em uma reunião com os demais conselheiros e fui procurar Nick, eu estava preocupado com ele. Eu estava usando duas muletas provisoriamente, só por 1 hora ou menos até o corte melhorar. Nick estava sentado, havia sangue em seu pescoço e na lâmina de sua foice, ele dava risada junto a menina que ele tinha me apresentado, não lembro muito bem o nome.... Pombinha? Hm... não. Pardauzinha? Hm.... Creio que também não. Ah foda-se. Eu estava feliz por ele dar risada junto dela. Cheguei devagar e quando Nick me viu, seu olhar se encheu de felicidade e me abraçou com força.
–Nick... eu estou ferido. Muito, aliás. – Então ele se tocou da força que usava e me soltou.
–Deuses Léo! Me desculpe, como você está? Estão espalhando rumores que você derrotou Stephan. – Ele disse orgulhoso e cheio de esperança nos olhos. Eu não podia mentir, odiava tomar crédito por algo que não havia feito.
–Na verdade não, Nick... Se não fosse por Du, eu estaria morto agora. – Então o olhar mudou para preocupação, fiz um sinal com a cabeça para a garota-pássaro e ela retribuiu um pouco irritada, então me lembrei que havia sido rude com ela. Apesar de eu não acreditar que ela se preocuparia com uma coisa idiota como essa, em meio a uma guerra, eu relevei. Me sentei ao lado de Nick e a garota se levantou, deu um beijo na testa de Nick e me deu tchau com mão, ‘’ vejo você depois.’’, eu sabia que não tinha sido para mim isso. Olhei para ele e ele ficou envergonhado.
–Érr... eu ia te contar desse lance, mas você me aplicou um golpe de Judô e tals. – Então eu ri e meus músculos doloridos começaram a reclamar. –Enfim... o que aconteceu lá? – Ele disse preocupado. Eu contei toda a história, falei sobre o sonho também, sobre o irmão mais novo de Stephan, Lance Martinato, sobre a explosão... eu só escondi duas partes que me incomodavam muito. A benção de papai e ‘’ Herdeiro da Morte mais velho’’, herdeiro da morte? Pettrick sabia de algo sobre mim que eu não sabia. Isso tudo me irritava, esses segredos, o Anjo, as profecias. Quando terminei de explicar tudo, Nick assentiu e passou a mão em minhas costas de forma carinhosa.
–E você? Como foi o campo de batalha? Se feriu? – Falei rapidamente, ele parecia bem.
–Ah, sim, estou bem. A batalha no campo foi complicada, eles eram em vários, mas os nossos arqueiros fizeram a diferença. Lutei em trio. Eu, Helon e Corujinha. – ESSE ERA O MALDITO NOME! –Derrubei vários renegados e bem, a morte não me incomoda tanto, mas para Corujinha foi meio difícil encarar, ela chorou bastante depois, mas no campo é uma guerreira fantástica, assim como Helon. Temos os conselheiros também né, eles são monstros no campo de batalha. Você nunca viu Percy lutando pra valer, ele mergulhou no Rio Estige, como você sabe e tem a mesma benção que Aquiles tinha, então nada o feria, ele é uma máquina de matar, talvez o conselheiro mais forte. – Eu já devo ter comentado como a admiração de meu irmão por Percy me irrita. Mas fazer o que né. Ele continuou falando e eu ficava ouvindo, mas prestando atenção em tudo, não havíamos sofrido muitas baixas comparado ao inimigo, talvez 60 semideuses. Porém ainda sim, era um número sofrido... 60 semideuses, 60 campistas, 60 colegas. — ....e então o gorila azul, roubou meu chapéu e enfiou no seu cu. – Percebi algo errado quando Nick parou de falar e ficou olhando para minha cara. Me toquei que havia esquecido completamente que ele estava falando e o ignorei.
–Ahnnn... desculpe Nick, eu estava meio avoado, pode repetir? – E dei uma leve risada, ele assentiu um pouco irritado e avistamos Du vindo em nossa direção com um olhar triunfante.
–A batalha foi boa, estamos cansados, mas já cuidamos dos feridos e não tivemos tantas baixas. Foi o que eu disse, sobrevivemos por mais algumas horas. Aliás, tivemos sorte, aquela explosão a fundo se fez o que fez com nós nessa distancia, com certeza deve ter desmontado completamente o exército de Pettrick. –Concordei e fiquei pensando na morte do garotinho e do irmão. Contei a Du a mesma história que contei a Nick e ele assentiu entristecido. –É, apesar de tudo, eu gostava de Stephan, é realmente uma pena. – E começamos a jogar conversa fora, com assuntos meio perturbadores do tipo, ‘’ quem matou mais renegados’’, ficaram me zoando por eu ter matado apenas 5 ou sei lá quantos, até Frances chegar montada em Luna e cortar o assunto.
–Garotos, vocês precisam ver uma coisa. Ah, bom te ver bem Léo. – Ela disse aflita, montei em Luna e fomos indo até a uma barraca médica. –Estávamos fazendo a ronda para prevenir ataques inimigos surpresos e olha o que encontramos. – Quando entramos na barraca, um corpo, quase carbonizado, cheio de feridas e vestindo apenas uma coberta para esconder sua genitália, se encontrava deitado na maca. O cabelo não havia sido queimado, mas eu saberia quem é por puro instinto. Stephan Martinato. – Não sabemos se vai sobreviver, mas por enquanto ele permanece vivo. – Disse Frances. Um dos membros do chalé de Apolo que cuidava de seu ex-conselheiro disse.
–Ele está em um tipo de coma, teve extrema sorte em não morrer, ele usou uma habilidade que até onde sabemos só ele era capaz, chamada ‘’Supernova’’, é quando reunimos tanto poder em nosso corpo que simplesmente explodimos. é como se... Se nosso pai tivesse protegido ele. Assim que ele acordar informaremos os conselheiros, mas todos já estão cientes do estado de Martinato. – Eu não sabia se ficava aliviado ou com pena, mas me mantive firme, Nick saiu da barraca e Du ficou para discutir o futuro do renegado, com os outros conselheiros. Desmontei de Luna e Frances falou.
–Até ficaria aqui com você conversando, mas preciso ver como estão as outras caçadoras, reunir coisas e blá blá blá. A propósito, tem uma garota na enfermaria que queria te ver. – Droga, eu havia esquecido dos meus amigos. Como será que eles estão? Essa batalha era um saco, era impossível você pensar em uma coisa de cada vez. Fui para a enfermaria e encontrei a garota que provavelmente me procurava, seus cabelos enrolados estavam embaraçados, sua armadura leve ensanguentada e havia um curativo em seu ombro.
–Ju? – Julia abriu os olhos devagar e me puxou para perto dela, me abraçando. –Pelos deuses Ju... você está bem? O que houve? – Falei em meio ao abraço.
–Estou bem? Se estivesse, não estaria aqui, bobão. – Ela riu com dificuldade. –Fui pega desprevenida. Estava com Jhon lutando contra um grupo maior e ele afastava a maior parte com sua espada, mas teve uma hora que se aproximaram muito rápido e me acertaram no ombro, se não fosse pelo conselheiro de Hermes que apareceu, ele tem super-velocidade porque tem botas com asas que o permitem aumentar muito sua velocidade e tem uma mira fantástica, atira facas como ninguém, ele me levou a enfermaria e ajudou Jhon com o combate. Mas o ferimento não é nada gravíssimo, o garoto de Apolo, Lucian, disse que já já eu vou melhorar. – Eu assenti e fiquei olhando para ela. –E você? Como foi? – Eu baixei os olhos e disse.
–Bem, foi difícil. – Dei uma risadinha. – Mas sabe como é né, não morro nunca. – Ela riu também e tossiu um pouco. –Agora meu bem, vou deixar você descansar um pouquinho, tá? Quer que eu volte depois? – Ela assentiu e disse.
–Sempre que quiser, priminho. – Dei um beijo em sua testa e sai com as muletas. Eu não entendia como os sátiros viviam andando com isso no mundo, era extremamente irritante.
Já era 13hrs e eu havia desistido da porra das muletas. 3hrs sem ataque e tudo tranquilo, mas nosso pequeno exército não relaxava. Queimamos mortalhas aos heróis mortos em combate, dizemos algumas palavras, muitos choraram por um tempo nas escondidas e almoçamos comida enlatada e rações. Du continuava na reunião de conselheiros para montar novas estratégias e discutir assuntos, Nick ficava com Corujinha e Helon conversando, treinando e rindo. Frances fora promovida para sub-capitã das caçadoras, pois a anterior havia morrido no combate. Encontrei com Jully, a garota de Deméter e conversamos por um bom tempo, nada sobre a guerra, mas sim sobre Miguel, ela me contou algumas histórias dos dois juntos. Eu não queria ouvir, mas ela precisava de alguém que a ouvisse. Depois disso voltei mais umas duas vezes para a enfermaria, conversei com Ju, rimos bastante juntos e quando sai de lá, fui tirar um tempo para mim. Estava no lago e vi um vulto do outro lado, alguma coisa sentada, um espectro talvez. Fui até lá e vi que era um garoto, baixo e com a expressão perdida, eu o reconheci quando ele se levantou, era Lance.
–Eu.... Estou perdido, não sei para onde ir. – A voz que teria me feito ter calafrios, mas não me afetou, eu já estava acostumado em encontrar fantasmas.
–Perdido? O que aconteceu garoto? – Falei de forma reconfortante, os fantasmas que rondam o mundo ficam aqui por poucos motivos: Ou estão presos a algum objeto material que seja de extremo valor, ou estão amaldiçoados, ou estão perdidos, ou buscam vingança. Mas é extremamente raro eles se perderem no caminho, é difícil Tanatos errar com a supervisão das almas que seriam enviadas ao submundo. Porém, com tantas mortes, era fácil escapar um garotinho como ele do fluxo.
–Eu não sei, uma hora tudo ficou escuro e no segundo seguinte eu apareci na floresta ali.... Eu estou com medo. Quero meu maninho. Você conhece meu maninho? – Aquilo me deu um aperto no peito, ele não sabia que estava morto.
–Sim Lance... eu conheço seu maninho. – O garoto mudou a expressão para surpresa.
–Como sabe meu nome? Eu te disse? Como ele tá? – Ele perguntou, eu sorri levemente e fiz que não com a cabeça.
–Lance, vou pedir que feche os olhos, O.k.? – Ele assentiu um pouco relutante, então toquei na silhueta fria do garoto-fantasma. Rezei a meu pai e aos poucos ele foi sumindo. ‘’ Obrigado, já consigo ver minha mãe, quando ver meu maninho, fala pra ele não demorar pra voltar, tá? Ele sempre se atrasa e mamãe fica irritada.’’ O garoto sussurrou por fim.
Fiquei parado ali por alguns segundos, respirando devagar, o bosque tinha uma cratera enorme e boa parte foi queimada pelo incêndio que Stephan causou, mas Percy deu um jeito nisso. Os campos de morango haviam sido pisoteados e não sobrará nada. Os pégasos haviam sido soltos, os chalés permaneciam intactos, era lá que montávamos a base. As quadras de vôlei foram destruídas, o chão do lugar da batalha estava cheio de mortos, mas foram todos empilhados a parte e queimados aos deuses, afinal eram meio-sangues também, a grama tinha uma cor doente, ensanguentada, queimada, tufos arrancados e todo tipo de outras coisas. O próximo dia, seria o último para um dos dois lados, isso estava claro.
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