Sobrenome Intensidade
1 Cap. I
Notas iniciais
Este é apenas o prólogo.
:)
Os deuses pareciam alegres.
O sol brilhava forte e uma brisa suave fazia seus cabelos levitarem, emoldurando o rosto que mostrava uma estranha serenidade. Havia muitas pessoas ao seu redor e algumas delas tinham os olhos molhados, outras mostravam aquela expressão de falsa piedade que Dóris se negava a compartilhar.
Em nenhum momento olhou para o caixão a sua frente, seus olhos estavam em outro lugar, assim como todos os seus sentimentos. Examinava outro rosto a poucos metros a frente. Ele não chorava, mas sofria em silêncio e isto era perceptível em seus olhos azuis.
Léo mantinha uma postura ereta e tinha nas mãos uma rosa vermelha. Parecia olhar através de toda aquela cena e lembrar-se de um tempo em que vivia as voltas com uma criatura que jamais conseguira compreender. Talvez por isso sempre a desejara tanto; tentara de todas as formas salvar alguém que não queria ser salva e mais que isso, fazia caso de sua dedicação.
Assim que o caixão começou a ser baixado, Dóris percebeu um pequeno movimento de Léo, quase imperceptível, mas ele o fizera. Se movera para frente e um soluço doloroso deixou seus lábios. Havia sido by Browse to Save\">rápido demais e talvez apenas ela houvesse percebido, mas imediatamente ele recuperou o autocontrole.
Ela olhou ao redor pela primeira vez. As pessoas já estavam indo embora enquanto o caixão era coberto de terra. Seus pais estavam logo ao seu lado e choravam de forma aberta e sincera. Sua mãe tocou-lhe a mão em um aviso e os dois se retiraram também. Logo, apenas ela e Léo continuavam ali, olhando para a terra mexida. Ele depositou a rosa que segurava sobre o tumulo e fechou os olhos em uma prece silenciosa.
Naquele momento Dóris odiou sua irmã morta, mais do que nunca e pela última vez.
Quando Léo se levantou já mostrava a postura segura e firme que sempre fora sua marca registrada. Não havia mais nada para ele ali, tudo o que restava eram as lembranças de alguém que ele amara desesperadamente, um amor unilateral, mas intenso o bastante para que ele nunca houvesse desistido.
Ele foi se afastando lentamente e Dóris sentiu que estava perdendo uma parte dela, algo que não experimentara pela própria irmã. Virou-se devagar e o seguiu de perto. Assim que chegaram ao estacionamento ela o chamou.
– Léo? – Sua voz saiu controlada, de uma forma que nem ela entendia. Ele voltou o rosto inexpressivo de sempre e a olhou do alto de seus quase dois metros. Apenas os olhos não eram os mesmos. – Talvez jamais me perdoe pelo que direi, mas nem por um segundo eu lamentei por ela.
Ele pareceu refletir e, de certa forma, entender. Não havia mais porque discutir ou por quem lutar, todos haviam feito o possível e o impossível. Estava cansado demais, queria paz e não sabia quando a teria.
– Adeus, Dóris. – Foi tudo o que disse ao partir.
Dóris ficou ali. Já não sabia como seria o amanhã, os tempos difíceis pareciam ter tido um fim. Porem, sentia um vazio inexplicável, uma dor desalentada e irremediável que parecia pertencer a outra pessoa. Olhou para o céu azul e fechou os olhos mais uma vez, fazendo uma prece pela irmã, para que ela encontrasse paz.
Caminhou para perto do carro, onde seus pais a aguardavam.
“Adeus, Léo.”
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