Sobre um amor estranho
1 Sobre ele
Notas iniciais
Boa leitura!
Ele tem um sorriso debochado que usa para quase tudo. Tem um quê de graça e desprezo, transborda segredo, por vezes se enche de malícia. Foi a primeira característica que detestei em seu conjunto.
Ele não mede as palavras. Mente fácil e sem pudor, despeja a verdade sem filtro. Não importa quem as ouça. Mas não é tão bom ator quanto pensa, o rosto transparece a sentença, nega ou afirma cada uma delas.
Ele não parece alguém que vale a pena, mas não se desviou um passo do que sonhei.
Na época em que todos me procuravam por interesse, ele me estendeu a mão sem pedir nada em troca. Olhou para minhas fraquezas e me falou sobre um remédio para as feridas. Por muito tempo insistiu que eu tomasse, vendo-me negar e negar até eu resolver escolher a cura em vez de beber a dor.
E permaneceu quando pensei que havia feito seu trabalho.
Ele parece não se importar com o que eu faço, mas sabe o que me agrada, e meus horários, gostos e preguiças. Compra os insumos para minha cafeteira e faz cappuccinos melhores que os meus. Sempre lhe pergunto qual o segredo e escuto uma desculpa para não dizê-lo. Perturbo um pouco só para fingir que quero mesmo saber. O café dele ainda é uma das melhores coisas quando abro os olhos.
E quando estou para fechá-los, com os pensamentos fugindo do meu controle, vejo os dele me observando, a expressão serena no rosto. Penso em perguntar o motivo, porém mal empurro uma palavra para fora da boca já é o dia seguinte. Então o ciclo recomeça.
Romantismo não existe em seu dicionário, mas ele trouxe uma garrafa de vinho no Natal e veio nas outras datas importantes, dizendo que elas não significavam nada; ainda assim me deixar sozinha era algo que não poderia fazer.
Ele parece do tipo que não fica um mês, mas há quatro anos anoitecemos e amanhecemos juntos.
Notas finais
Bjs!
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