Sobre os 19 anos depois
16 Primeiro dia
Notas iniciais
POV Harry
A decisão de onde iríamos dormir era uma coisa implícita, qualquer um aproveitaria a falta de monitoramento da Sra. Weasley para dormir junto com a namorada. Mas isso não dificultou menos as coisas na hora de entrarmos cada um em seu quarto.
Hermione ficou extremamente vermelha quando pegamos as chaves na recepção e ela e Ron entraram no primeiro quarto do corredor enquanto eu e Gina íamos para o segundo. Meu amigo, como sempre, não teve muito tato pra encarar a situação então não nos olhou nem falou nada ao fechar a porta. Eu estava muito sem graça para começar e Gina, a mais sem vergonha de todos nós, continuou observando tudo em volta como se estivesse fazendo compras.
Chegamos aqui por volta da hora do almoço e no avião combinamos que só iniciaríamos nossa busca amanhã, hoje aproveitaríamos para descansar da viagem e aproveitar um pouco o dia. Assim que fechei a porta do quarto que eu dividiria com Gina pelo tempo que ficaríamos aqui (que ainda era indefinido), coloquei nossas malas no chão, desfiz o feitiço que as deixava leves e me virei para ela, que já estava sentada na cama de casal enorme que havia ali e tirando as sapatilhas que usou durante a viagem.
—Precisamos avisar sua mãe que chegamos. — Me deitei ao lado dela.
—Eu sei, só não sei como vamos fazer isso. — Se deitou também.
—Vou mandar uma carta pra ela, mais tarde vamos ao correio. — Me virei e parei deitado em cima dela. — Tira a roupa, gatinha.
—Que proposta mais indecente para se fazer a uma moça de família, Menino Que Sobreviveu! — Brincou com meu cabelo enquanto se ajeitava embaixo de mim.
—Não vejo nada de indecente, moça de família. Eu só ia te convidar pra um banho, aposto que você está cansada. — Beijei seu pescoço quando terminei.
—Já que é assim, então tudo bem. Me ajuda a tirar aqui, vai. — Pediu já sabendo que eu nunca negaria um pedido desses.
A puxei para que se sentasse e tirei sua camiseta pink, deixando-a apenas com um sutiã branco, assim que a peça passou por sua cabeça ela se deitou de novo. Passei uma perna por cima do seu corpo e me sentei em cima dela, na altura dos seus quadris e sem soltar meu peso, em seguida entrelacei nossos dedos.
—Você é tão linda. — Havia mais que amor na minha voz, era adoração.
Ela não disse nada, só sorriu pra mim. Eu sabia o que ela pensava quando eu a olhava assim, ou falava assim com ela: depois de tantos anos finalmente ele sente a mesma coisa.
—Branco fica bonito em você. — Comentei passeando levemente meu dedo indicador sobre seu sutiã. — Mas essa calça marca demais sua bunda, amor.
Ela gargalhou.
—Não ria, estou falando sério. Você prestou atenção no tanto de homens que estavam te olhando hoje? — Perguntei sério.
—Não prestei, amor. — Respondeu ainda sorridente.
—Viu, por isso você está rindo! — Me deitei sobre ela e escondi meu rosto em seu pescoço. — Eu não gosto que te olhem e esses trouxas idiotas fazem isso o tempo todo.
—Harry, eles só estavam olhando, exatamente como todas as bruxas que conheço te olham. Quem está aqui comigo agora, deitado em cima de mim e enrolando uma vida pra tirar logo minha roupa e me levar para o prometido banho é você.
Me provocou enquanto arranhava levemente minhas costas por baixo da camiseta. Saí de cima dela rindo, peguei minha varinha e apontei para sua calça (que devo admitir ficava linda nela), antes que eu dissesse o feitiço ela me interrompeu:
—Não rasgue minha calça. — Qualquer um perceberia que isso não era um pedido.
Para não correr o risco de enfrentar, pela primeira vez na vida, a famosa azaração para bicho papão da Srta. Gina Weasley achei melhor colocar a varinha de novo onde estava e tirar o resto de suas roupas com a mão mesmo, aproveitando cada precioso momento para alisá-la sempre.
—Não era só um banho inocente amor? — Perguntou quando eu, descaradamente, passei a mão por toda a extensão da sua calcinha branca de renda.
—Claro que é. Só estou tirando suas roupas.
Quando ela estava somente de calcinha e sutiã tirei minhas roupas também, mantendo só a cueca e a puxei para o banheiro, que descobrimos ser composto de um box de vidro com um chuveiro, uma privada e uma pia com um espelho enorme em cima. Eu estava abraçado à suas costas e depois de olharmos tudo nos virei para o espelho, apoiei meu queixo em seu ombro e ela fez carinho no meu rosto enquanto encarava meu reflexo pelo vidro a nossa frente.
—Nós combinamos, não acha?
—Tenho certeza. — Respondi apertando-a mais ainda a mim. — Seu corpo é lindo, Gi.
—Fico feliz que você goste. — Apoiou as duas mãos na pia a nossa frente e sorriu pra mim pelo espelho.
Tirei o resto das nossas roupas e eu ajustei a temperatura do chuveiro para que minha princesa entrasse na água morna e quando ela já estava relaxada entrei também e a abracei, quase automaticamente ela se ajeitou e seu corpo se moldou ao meu. Tomamos um banho bem demorado e eu aproveitei cada momento possível para lhe fazer carinho.
Eu não fazia isso apenas pra sentir prazer ou para excitá-la, era muito gostoso fazer carinho naquele corpinho lindo, que ultimamente vinha crescendo bastante. Ela lavou os cabelos enquanto me contava que realmente andar de avião não tinha nada demais, e que na verdade era muito gostoso, e depois de quase uma hora e meia namorando embaixo da água decidimos que não poderíamos ficar ali pra sempre e desligamos o chuveiro.
Colocamos nossas roupas de calor, porque apesar de já ser quase três da tarde o sol brilhava ao máximo lá fora, e fomos convidar Ron e Mione para um passeio pelos arredores do hotel. Eu não sei o que ela tinha cismado com aquele monte de roupa chamativa, mas o short jeans curto e à vácuo que ela vestiu agora estava legal demais para o meu gosto. A abracei pela cintura e batemos na porta do quarto ao lado, rapidamente ouvi a voz de Hermione gritar "entrem".
—Vamos sair? — Gina perguntou já entrando e se deitando ao lado da minha melhor amiga.
—Sair Gina? — Mione perguntou com uma careta de desaprovação.
—Sair sim senhora! Você já viu o lugar lindo que é lá fora? Um desperdício ficar aqui dentro, e solta esse livro. — Arrancou das mãos dela o livro enorme que estava lendo. — Cade o Ron?
—Tomando banho. — Suspirou vencida. — E aonde vamos?
—Sei lá, eu não conheço nada aqui, vamos sair por ai, pra voltar aparatamos direto dentro do quarto, sem erro.
—Ela pensou em tudo sozinha. — Me defendi quando Hermione me olhou de canto.
—Vamos esperá-los na recepção, e apresse o Ron, por favor. — Passou por mim já me puxando pela mão. — Vamos amor.
Desci até a recepção praticamente arrastado, quando passamos pelo hall um grupo de turistas estava chegando, mas minha namorada pareceu nem se importar enquanto contornava as pessoas à nossa frente e descia os dois degraus que nos levariam à calçada de uma das ruas de Melbourne. Em frente ao hotel havia um banco, para onde ela me levou. Me sentei esperando que ela se sentasse ao meu lado, segundos depois senti seu peso em meu colo, a olhei interrogativamente.
—Não me faça essa cara, é o meu colo! — Falou simplesmente.
Eu ri e a abracei pela cintura, trazendo-a mais para perto.
—Sabe, não é má idéia.
—O que, princesa? — Perguntei acariciando sua perna exposta.
—Viajar, passear com você, conhecer lugares diferentes, gastar um pouquinho...
—Viu amor, eu sempre disse isso. — Sorri de orelha a orelha com a possibilidade.
—É mais fácil pensar que você tem tudo que precisa quando quase não sai de casa. — Olhou em volta pensativa.
—Meus tios me levavam para vários lugares com eles, enchiam o Duda de presentes e eu só ganhava as roupas velhas. Era frustrante. — Comentei rindo. — A primeira vez que fui ao Gringotes com Hagrid eu fiquei sem saber o que fazer diante de tanto dinheiro. Na primeira viagem pra Hogwarts comprei todo o carrinho de doces e dividi com Rony.
Ela riu comigo.
—Em casa nós sempre tivemos tudo em proporções iguais, papai e mamãe nunca deram mais pra um do que pra outro, mas as coisas eram meio limitadas. Seria meio difícil que algum dia eu ou algum dos meus irmãos pudéssemos comprar todo o carrinho de doces do Expresso de Hogwarts, mas eu pelo menos sempre tive vontade.
—Nós compraremos esse ano, você pode comer tudo se quiser.
—É tentador. — Me respondeu já sem a relutância de antes quando o assunto era dinheiro ou presentes.
—E é sua ultima chance, será nossa ultima viagem pra lá. Ron e Mione vão estar no vagão dos monitores, então podemos pegar um só pra nós dois e comer doce o caminho inteiro.
—Por mim está ótimo. — Riu e me beijou quando terminou de falar.
—Gina, não tinha espaço pra você no banco, não? — Meu cunhado perguntou de braços cruzados ao nosso lado, Mione estava segurando o riso.
—Aqui está mais confortável, Ron. — Respondeu naturalmente.
Hermione contornou nossas pernas e sentou-se do meu lado, Ron fez o mesmo.
—Aonde vamos? — Ele nos perguntou.
—Vamos andar por ai, conhecer a região. — Minha namorada sugeriu. — E eu queria ir à praia também.
—Eu topo! — Concordei.
—E você por acaso não concordaria com alguma coisa que ela pedisse? — Hermione questionou irônica.
—Acho que não. — Respondi sinceramente e nós quatro rimos.
Caminhamos pelas ruas tranqüilas nos arredores do hotel, tomamos sorvete numa sorveteria enorme que havia ali perto, passamos no correio para que eu mandasse uma carta para a Sra. Weasley e depois disso fomos à praia.
Apesar de ser vista facilmente do hotel, precisamos caminhar alguns minutos até chegar à areia, e quando alcançamos nosso destino o sol já estava quase se pondo. Completamente diferente de onde eu ia às vezes com meus tios, e que Duda sempre insistia em me enterrar na areia e eu tinha que deixar, à minha frente se estendia o mar mais azul que eu já havia visto.
Nos sentamos na areia, Gina acomodou-se entre minhas pernas, Ron e Mione acomodaram-se da mesma maneira ao meu lado. Eu conhecia minha amiga muito bem para saber que aquele olhar perdido para o oceano não era admiração.
—Eles estão tão perto. — Falou com ar pensativo.
—Você já tem alguma idéia de onde eles estejam? — Minha namorada perguntou virando-se para ela.
—Acredito que aqui mesmo, porque as passagens estavam compradas para o mesmo aeroporto que desembarcamos. Mas eles podem ter ido para qualquer lugar depois disso... — Terminou com um sussurro.
—Nós vamos encontrá-los. — Ron concluiu e a abraçou forte.
Acho que esse foi o gesto mais sensato que já o vi fazer, visto que ele uniu a frase, o gesto e o momento certo em um único tempo.
—E vamos encontrá-los logo. Espero que o Ron já tenha pensado no que vai dizer ao seu pai, Mione. — Gina comentou fazendo-a rir. — Ele é ciumento?
—Quando eu era criança ele era bastante, agora acho que não tanto mais.
—Mas não é como se eu fosse ter que pedir sua mão em namoro, é? — Ron perguntou confuso. — Eu não sei fazer essas coisas.
—Pare de ser medroso, Ronald. — Gina comentou rindo.
—Não estou com medo, mas e se seus pais não gostarem de mim?
—Eles vão gostar. E caso não gostem, eu gosto e isso é suficiente.
Rony abriu um sorriso tão grande que eu fiquei em dúvidas se algum dia ele conseguiria desfazê-lo.
—Já sabe por onde começaremos a procurar? — Perguntei mudando o foco da conversa.
—Vou perguntar no hotel onde eu consigo usar a internet, começamos procurando clínicas dentárias e depois vou ligar em todas elas. Acho que é uma boa maneira, não é?
—É um começo, e temos que começar de algum lugar. — Comentei.
—O que é internet, amor? — Gina perguntou.
—Você sabe o que um computador?
—Não. — Respondeu sincera.
—Bom, é uma máquina que faz contas, textos, tem alguns jogos, e algumas outras coisas. E internet é um sistema, eu acho, que te conecta com outros lugares, de onde se busca informações. — Tentei explicar da melhor maneira possível. — Amanhã você vai ver como é.
Ela confirmou com a cabeça e mesmo eu achando que ela não entendeu nada do que eu disse não perguntou mais. Ficamos mais um tempo sentados na areia, vemos o sol se pondo e quando começava a ficar escuro demais, e eu começava a ficar com fome demais, os chamei para irmos jantar.
—Que acham de irmos jantar? — Convidei.
—Eu acho uma idéia excelente. — Rony concordou de imediato.
—Também acho amor. — Gina respondeu simplesmente.
—Por mim tudo bem. — Hermione falou como se para ela qualquer coisa fosse aceitável.
E na verdade eu duvido que ela fosse comer, sempre que tínhamos alguma coisa um pouco mais emocionante pra fazer ela sofria de falta de apetite. Às vezes eu e Ron achávamos que ela estava fazendo greve de fome.
Nos levantamos, tiramos o pouco de areia que grudou em nossas roupas (Gina pediu para eu tirar do seu short e Ron me olhou de canto quando eu precisei passar a mão no seu bumbum) e fomos caminhando na direção oposta à praia. Assim que chegamos até uma das ruas mais movimentadas que havia ali perto perguntamos a um senhor onde havia um restaurante tranqüilo para comermos. Pegamos um taxi, demos o endereço indicado e alguns minutos depois entramos no local escolhido.
Era um lugar normal, sem muitos enfeites nem nada elegante, com luzes para todos os lados, fazendo com que ficasse bem claro por dentro e sobre as mesas toalhas xadrez vermelhas e brancas. O local não estava vazio, mas tampouco precisamos esperar para nos sentarmos. Gina sentou-se ao meu lado, Ron e Mione à nossa frente.
Embora houvesse alguns nomes estranhos no cardápio, eu e Mione escolhemos os pratos mais normais possíveis, já que Ron e Gi ainda não estavam muito acostumados com o cardápio trouxa. Jantamos tranquilamente, passeamos em um shopping que havia na rua de trás do restaurante, comprei alguns doces para comermos no caminho de volta e caminhamos lentamente pelas ruas mais movimentadas, até encontrarmos um beco pouco mais escuro e isolado.
—Vou aparatar direto no meu quarto, se importam? — Hermione nos perguntou assim que viramos a rua escura que nos esconderia.
—Não, fique a vontade. — Respondi.
—Vou com ela. — Ron nos informou.
—Nem precisava dizer. — Gina comentou divertida.
—Boa noite, até amanhã. Eu chamo vocês quando acordar. — Mione se despediu já segurando a mão do namorado e sumindo com ele em seguida.
—Quer ir dormir ou quer passear mais um pouco? — Perguntei para a ruiva inquieta ao meu lado.
—Acho que quero passear mais um pouquinho. Você já está cansado? — Neguei já a puxando para a rua movimentada atrás de nós. — É que esse lugar é tão legal.
—Também gostei daqui. Poderíamos voltar mais vezes, o que acha? — Viramos em uma rua completamente iluminada por outdoors eletrônicos.
—Ah não, podemos conhecer lugares diferentes.
Ela ficava tão linda andando ao meu lado empolgada e gesticulando enquanto falava.
—É só você me dizer aonde quer ir, amor. — Respondi me puxando-a para mais perto de mim e dando um beijo em sua bochecha.
—Vou pensar em alguns lugares legais e te falo. — Se virou e me deu um selinho. — Vamos ao shopping de novo?
—Será que ainda está aberto? — Perguntei já olhando o relógio que ganhei da Sra. Weasley no meu aniversário de dezessete anos. — São quase oito da noite.
—Acho que está, se não estiver voltamos. — Concluiu já me arrastando. — Por que eu nunca fui a um shopping antes? É fantástico, você não acha?
Eu ri antes de responder.
—Quando eu era criança e ia com meus tios eu achava fantásticos os brinquedos que tinha nas vitrines, agora já perdeu um pouco a graça pra mim. É só um monte de lojas. — Abri a porta para que ela passasse e entrei em seguida.
—Não é só um monte de loja, Harry, é quase a realização de todos os nossos sonhos. — Me contradisse rindo.
—Podemos realizar todos eles, Gi. — Comentei casualmente.
—Por que você quer me dar presentes toda hora? — Perguntou parando em frente uma loja de eletrônicos e os olhando confusa.
—Não sei. Deve ser porque eu sempre quis ganhá-los e não tive chance, por isso eu fico querendo te agradar. — A abracei por trás e apoiei meu queixo em seu ombro. — O dia que fui com Hermione comprar seu presente foi tão divertido.
Ela me puxou e continuou andando comigo pelos corredores bem iluminados, quando parou novamente estávamos em frente a uma vitrine de roupas, dessa vez ela já não estava confusa, mas muito admirada.
—Você não me disse que queria comprar algumas roupas? Podemos entrar e ver, amor.
—Já disse Harry, só quando nos casarmos. — Respondeu já pegando minha mão e se virando para sair.
—Ótimo. — Puxei seu braço fazendo com que ela virasse de frente para mim. — Quer casar comigo?
Ela riu antes de me responder.
—Claro que quero amor.
—Que bom, já somos noivos! — Andei ainda abraçado a ela para dentro da loja.
Uma vendedora morena, alta e muito maquiada veio nos atender.
—Posso ajudá-los?
—Pode. Por favor, mostre tudo o que ela quiser ver. — Pedi educadamente para a moça sorridente à minha frente.
—Harry... — Gina começou a questionar.
—É um presente. — Pisquei pra ela.
—Presente de que? — Perguntou desconfiada.
—Pra comemorar nossa primeira viagem juntos, ou o meu pedido de casamento que você aceitou, você que sabe. — Roubei um selinho rápido dela. — A moça está te esperando, vai logo. E não poupe, você merece muito mais que isso.
Quando ela se virou, um pouco sem graça, para a vendedora que esperava me sentei em um banco que havia ali do lado, provavelmente para os namorados se sentarem enquanto aguardam. Nos primeiros dez minutos ela estava um pouco tímida, mas é incrível como uma pilha de roupas consegue fazer uma mulher se sentir a vontade em um tempo milagroso.
Me assustei um pouco quando ela veio em minha direção com uma pilha de aproximadamente umas quinze peças e as jogou no meu colo.
—O que é isso? — Perguntei olhando aquele monte de tecido verde, azul, preto, branco e vermelho, todos misturados.
—As que eu achei que são a sua cara. Considere os presentes que não te deram quando você era criança. — Apontou uma porta lateral. — Ali é o provador, me mostre todas.
—Mas era pra comprar coisas pra você, Gi. — Tentei argumentar.
—Já escolhi, só não achei que fosse justo não escolher nada pra você, que na verdade é quem vai pagar tudo. — Riu no final da frase. — Agora vai logo amor, daqui a pouco a loja fecha.
Já sem argumentos, e gostando da idéia dela, me dirigi a um dos provadores. Experimentei tudo que ela havia escolhido e mostrei todas as peças para ela, que na verdade já havia gostado de tudo, e de todas as que ela havia pego eu só não fiquei com uma que tinha brilho demais na minha opinião.
—Harry, é tão bonita. — Argumentou me mostrando a camiseta.
—Gi, essa não dá, é muito gay. — Tirei a camiseta de sua mão e devolvi para a vendedora, que estava rindo. — Vou levar todas, menos essa.
—Tá bom. E as dela? — Perguntou já dobrando a que eu recusei e recolocando em algum lugar embaixo do balcão.
—Todas as dela também.
—Só um minuto, vou embalar e já volto.
Assim que ela saiu me virei para minha namorada e a abracei.
—E então, qual a sensação de comprar tudo que tiver vontade? — Perguntei sorrindo pra ela.
—Acho que viciante. — Riu também. — Obrigada, amor.
—De nada. Podemos repetir esse passeio mais vezes.
—Claro, Hermione vai ficar feliz em saber que deixamos de procurar os pais dela pra comprar roupas. — Revirou os olhos ao me dizer isso.
A vendedora voltou interrompendo nosso beijo e me entregou as cinco sacolas com nossas compras, eu paguei o que devia, na saída passei no banheiro e discretamente as deixei leves usando um pouco de magia e aproveitamos os trinta minutos que tínhamos antes que o shopping fechasse.
Expliquei para Gina como funcionava o bebedouro elétrico, o caixa eletrônico (ela me fez prometer que abriria uma conta no banco trouxa para sacarmos dinheiro qualquer dia desses), as máquinas de comprar chicletes e todas as coisas tecnológicas que encontramos no caminho.
—Merlin, como eu nunca visitei o mundo trouxa antes? É muito interessante. — Disse sentando-se ao meu lado em um banco com um chafariz ao lado.
—Amor, preciso ir ao banheiro. Você fica com as nossas coisas um minutinho? — Pedi entregando a ela a chave do nosso quarto no hotel, minha carteira e as sacolas.
—Fico, pode ir. Só não demore, por favor. — Me deu um beijo e se sentou para me aguardar.
Dez minutos depois retornei e a encontrei no mesmo lugar, sentada exatamente como estava. Peguei o que estava com ela, segurei sua mão e fomos novamente em direção ao beco onde Ron e Mione haviam desaparatado, indo dali direto para o nosso quarto.
Assim que chegamos coloquei nossas sacolas no chão, desfiz o feitiço e enquanto eu procurava na minha mala uma roupa para dormir ela disse que iria usar o banheiro. Tirei a camisa e os sapatos e me deitei só de calça na cama para esperá-la, enquanto isso liguei a TV que havia ali e troquei alguns canais, não consegui achar nada de interessante.
—Espero que você não se incomode por eu ter gasto um pouquinho a mais enquanto você estava no banheiro, só achei que você fosse gostar bastante desse. — Comentou casualmente parada na porta do banheiro.
—Foi o melhor investimento que fiz até hoje, tenho certeza. — Respondi sorrindo.
Me levantei e andei até ela, peguei sua mão e a fiz dar uma voltinha pra que eu pudesse ver melhor seu corpo lindo e branquinho dentro de uma camisola vermelha, inteira de renda, grudada em seu corpo e minúscula, deixando à mostra uma calcinha de tamanho quase inexistente.
Eu adorei tirá-la.
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