Sobre os 19 anos depois
17 Primeira tentativa
Notas iniciais
POV Harry
—Rony, pára quieto! — Hermione ralhou pela milésima vez.
—Mione, deixe-o olhar as coisas. — Intercedi por ele, que a olhou chateado.
—Eu o deixo olhar, mas todo mundo já está olhando para nós, ele não pára de mexer nas coisas e de procurar por onde a setinha do mouse se mexe, as pessoas estão olhando! Ele não podia ser curioso igual a Gina? — Apontou discretamente para algum ponto atrás de mim.
Minha namorada estava sentada em frente a um dos computadores, olhando fascinada para o monitor à sua frente enquanto a proteção de tela exibia dois pequenos círculos que se chocavam mais ou menos a cada dois segundos. Olhei para Hermione e nós dois rimos da cena.
—Ok, vamos continuar...
—Vamos começar você quer dizer, porque até agora o Ron não me deixou fazer nada. — Mione me interrompeu.
—Ok, vamos começar então.
Abri a página de busca e digitei “dentistas Melbourne” e apertei “Enter”, Hermione fez o mesmo, mas digitando “dentistas Austrália”, pois ela vinha insistindo que eles poderiam ter ido para qualquer lugar. Nossa intenção era ensinar o pouquíssimo de informática que sabíamos para que Ron e Gina nos ajudassem, mas decidimos que pelo menos hoje seria exigir demais dos dois.
—Harry... — Mione me chamou depois de alguns minutos olhando os sites de busca. — Acho que deu problema nisso aqui. — Reclamou erguendo o mouse e me mostrando.
Quando eu me levantei para tentar identificar a possível causa do problema Rony exclamou ao meu lado.
—Merlin, também não é um fiozinho que puxa a setinha. — Sua cara de dúvida para o fio desconectado do mouse que Hermione estava tentando usar seria cômica, não fosse a cena trágica que se seguiu. — Mi, você não me disse que os trouxas não usam nada de magia? Acho que você se enganou, ou mentiu pra mim porque...
—Ronald Weasley — Ela disse isso tão alto que Gina parou imediatamente de olhar seu monitor e ela, e todas as outras pessoas dentro daquela Lan House se viraram para nós. — Você pode, por favor, parar de mexer nas coisas? Eu estou ocupada aqui.
—Eu só estava tentando descobrir como é que isso funciona e...
—Não te interessa como isso funciona, o importante é que funciona e pronto! — Retrucou ela vermelha de raiva.
—Primo do interior, sabe como é, não conhece muito da tecnologia... — Expliquei sem graça ao dono do local que nos olhava interrogativamente.
Aparentemente minha desculpa não deu certo, porque mesmo assim fomos obrigados a nos retirar. Hermione e Rony mal se olharam quando saímos de lá de dentro, e esse era o motivo de eu estar andando ao lado dele agora enquanto minha namorada andava com Hermione uns cinqüenta metros à nossa frente.
—Rony, você tem que entendê-la. — Tentei apaziguar a situação.
—Ela é que tem que parar de descontar as coisas em mim. — Retrucou emburrado.
—Ela não está descontando coisas em você, está nervosa. É diferente...
—Não precisava ficar gritando comigo a cada cinco minutos, eu não tenho culpa se ela está menstruada, o pior é que isso vai acontecer todos os meses, eu acho. — Ele parou pensativo e olhou pra mim antes de perguntar. — Isso acontece todos os meses, certo?
—Acho que sim. — Respondi sentindo minhas bochechas corarem.
—Ah não, desse jeito eu não agüento! Tudo bem que eu convivi com Hermione minha vida inteira, mas quando éramos só amigos ela não tinha mania de ficar me culpando por tudo nesses dias, pelo menos não que eu me lembre. — Seus olhos estavam arregalados. — Gina fica assim também?
—Não, acho que não.
—E para piorar nesses dias a gente nem pode... você sabe. -Finalizou indignado.
—Ron, na verdade eu acho que eu não queria saber essas coisas. — Comentei envergonhado.
Ele só me olhou um pouco constrangido e não disse nada. Continuamos caminhando sem na verdade saber onde estávamos indo, eu pelo menos estava só aguardando que Gina conseguisse convencer Hermione a falar com Ron para que decidíssemos o que fazer, já que implicitamente fomos proibidos de voltar lá.
—Ron, peça desculpa a ela. Você a conhece, sabe que Hermione não vai ficar normal com você enquanto não fizer isso. — Sugeri o mais casual e calmamente que consegui.
—Nem pensar. Se ela quiser ficar brava comigo que fique. Qualquer coisa que durmo no seu quarto e Gina dorme com ela hoje. — O olhei para ver se encontrava algum vestígio de brincadeira, seu rosto estava anormalmente sério.
—Sei lá, só acho que você deveria entender, dar um desconto. — Tentei uma ultima vez.
Ron me olhou de canto, bufou e continuou caminhando sem me responder. Estava quase na hora do almoço, o sol estava escaldante e nós já havíamos caminhado pelo menos dois quarteirões desde que eu e Rony trocamos aquelas ultimas palavras nas quais eu tentava convencê-lo. À nossa frente eu podia ver Gina conversando calmamente com Hermione, provavelmente falando de outra coisa qualquer, já que minha amiga não era a pessoa mais influenciável do mundo.
As duas viraram em uma esquina à nossa frente, e eu e Rony viramos no mesmo lugar no momento exato para ver um rapaz alto, loiro e com alguns músculos aparecendo, já que ele estava sem camisa, passar pelas duas e virar-se descaradamente para Hermione antes de comentar casualmente.
—Um desperdício andar sozinha por ai.
Até eu me senti mal com a maneira que ele olhou para as pernas dela, mas não disse nada. Pude ver que Gina estava rindo e a julgar pela cabeça um pouco baixa, Hermione estava morrendo de vergonha. Não ousei olhar para o Rony, mas ele certamente não estava em seu melhor humor, se levar em consideração as orelhas vermelho escarlate.
—Acho que vou seguir seu conselho Harry. — Falou a contragosto antes de sair andando um pouco mais rápido em direção às duas.
Mantive o mesmo ritmo, afinal quando Ron as alcançasse Gina certamente pararia para me esperar. E foi exatamente o que aconteceu, assim que Rony apareceu entre as duas minha namorada olhou para trás aliviada e parou de andar imediatamente, até que eu a alcancei.
—Até que enfim. Esses dois nunca param de brigar? — Perguntou já pegando minha mão para que voltássemos a caminhar atrás dos nossos amigos.
—E se pararem eu vou dizer que há algo de muito errado. — Comentei sinceramente e ela riu. — Você precisava ver durante nossa viagem, principalmente depois que Ron voltou. Enquanto ele esteve fora Hermione quase se desfez de chorar, e quando ele voltou a primeira coisa que ela fez foi bater nele.
Nós dois rimos.
—Hermione disse que nem por decreto dormiria ao lado dele hoje, que ele que se acomodasse no quarto ao lado e eu fosse dormir com ela, pelo menos não a irritaria.
—Ron disse isso também. — A puxei para um abraço. — Não leve a mal, eu adoro seu irmão, mas você é muito mais bonita.
Ganhei um selinho demorado e continuamos a acompanhá-los. O processo de reconciliação foi gradual: primeiro Ron insistiu para que Hermione o ouvisse, depois ele passou uns bons minutos falando, em seguida pôde se aproximar um pouco mais, alguns quarteirões à frente (quando eu e Gi já estávamos reclamando de tanta caminhada) ele a abraçou pela cintura sem ser correspondido e ela já lhe dirigia algumas frases não grosseiras.
Só quando estávamos em frente a um restaurante onde iríamos almoçar hoje foi que ela aceitou segurar a mão que ele lhe oferecia, e o sorriso que Ron me deu parecia com aquele que eu vi no dia que ele achou que havia tomado Sorte Liquida. Quando os ânimos já estavam acalmados, me senti confiante para perguntar:
—Mione, o que vamos fazer agora? Não poderemos voltar lá. — Comentei temendo que sua reação se voltasse à pessoa que lhe oferecia, com anormal cuidado, um copo de suco.
—Não sei, Harry. — Respondeu desanimada.
—Eu tenho uma idéia. — A ruiva ao meu lado comentou despretensiosamente, mas com os olhos brilhando e esperou que todos a olhássemos para depois continuar. — Nós podíamos comprar um daquele, assim podemos procurar no hotel mesmo.
Hermione ficou com a cara que sempre ficava quando a boa idéia não era dela e Ron me olhou amedrontado. Eu o entendia, afinal foi por causa de um computador que o desentendimento havia começado.
—Eu gostei da idéia. — Dei minha opinião esperando que os outros dois envolvidos também opinassem.
—Acho até melhor, assim não precisamos andar tanto. — Ron disse meio apreensivo.
—Gina tem razão, é o melhor a se fazer. — Mione respondeu brincando com a comida em seu prato. — Podemos fazer uma pequena lista das coisas que iríamos ter que pagar pra usar, assim já compramos tudo.
—E poderíamos ir ao cópin de novo. — Minha namorada sugeriu eufórica.
—É shopping amor. — A corrigi rindo e grudando meus lábios em sua bochecha.
—Que seja. — Rebateu sorrindo. — Podemos ir lá.
—Por mim ótimo. Hermione?
—Sem problemas.
Depois de resolvido o assunto, terminamos nosso almoço, Hermione fez questão de pagar a conta e saímos do restaurante à procura de um lugar para aparatar, o que só foi possível dentro de um banheiro público que havia perto da praia.
Passamos o resto da tarde no meu quarto, sentados os quatro em cima da cama e com um pergaminho e uma pena nas mãos, anotando o que seria necessário para essa primeira etapa das nossas buscas. O assunto não rendeu muita discussão, já que Ron e Gina conheciam pouquíssimo dos objetos trouxas de que provavelmente precisaríamos.
Ao final do processo decisório nossa lista continha dois computadores portáteis, já que Ron e Gi provavelmente não precisariam de um só pra eles, e um telefone que usaríamos para fazer as chamadas quando já tivéssemos números para os quais ligar. Decidimos fazer as compras durante a noite, assim já jantaríamos onde estávamos mesmo e depois voltaríamos direto para o hotel.
Nossa visita à loja de eletrônicos foi rápida, pois já sabíamos o que iríamos precisar. A princípio Hermione brigou comigo dizendo que quem deveria comprar as coisas era ela, já que o interesse maior era seu. Eu a contradisse argumentando que também usaria os aparelhos, ao que ela respondeu:
—Vai ligar para os Dursley?
Isso de uma forma totalmente irônica, de modo que não tive como contestar mais. No fim Hermione comprou tudo, rebatendo meu ultimo argumento de o que ela faria com dois computadores dizendo que daria um para o Ron desmontar e descobrir como funciona.
Chegamos ao pequeno beco sem saída alguns minutos depois e antes de desaparatar com as sacolas Hermione informou:
—Nos vemos no quarto de vocês.
E então sumiu com o namorado.
—Pelo visto a noite ainda vai ser longa, não é? — Gi comentou com cara de desanimo.
—Provavelmente sim. — Confirmei segurando a mão que ela me oferecia e sendo engolido pela escuridão segundos depois.
Quando chegamos ao nosso destino os dois já estavam sentados na cama e abrindo as embalagens. Quando vi os dois notebooks já desembalados foi que me lembrei de um ponto importante.
—Mione, precisamos de internet.
—Eu sei. Já resolvi isso com magia. — Seu tom de satisfação com a própria inteligência me fez saber que a instabilidade emocional havia passado.
—Eu nem sabia que existia um feito pra isso. — Rony comentou virando o celular na mão pela milésima vez.
—Você saberia se tivesse lido “1001 feitiços uteis para o mundo dos trouxas”. — Informou tentando ligar um dos aparelhos. — A professora Burbage nos recomendou no quinto ano.
Como nenhum dos quatro presentes naquele cômodo era gênio da informática, nem da tecnologia, o processo de adaptação foi um tanto demorado. E pode-se dizer que o pânico tomou conta quando a tela do celular informou que precisávamos de uma senha para ligá-lo.
Depois de finalmente descobrir que a senha estava na embalagem e Hermione interferir com magia quando estava difícil demais saber como se acessava o navegador pela primeira vez, começamos nossa busca. Gina ficou o tempo todo sentada ao meu lado olhando atentamente as páginas e mais página de internet que eu abria com o mesmo tópico de mais cedo (no começo lentamente, depois com um pouco mais de prática e agora, às três da manhã, com uma rapidez invejável). Gi anotava para mim todos os nomes e telefones que eu ditava, todos eles de clinicas dentárias.
Nossa primeira procura foi Wendell e Monica Wilkins, mas sem sucesso algum. Já havíamos discutido sobre a dificuldade de encontrar seus nomes diretos, afinal havia apenas pouco mais de um ano que estavam aqui. Quando resolvemos dormir, quase quatro horas da manhã, tínhamos uma lista de mais de um metro e meio de pergaminho contendo todos os nomes e telefones que conseguimos encontrar em Malbourne e regiões próximas.
—Acho que já podemos ir dormir, não é? — Perguntou Hermione casualmente.
Com muita discrição todos nós respiramos aliviados e concordamos imediatamente. Ron e Mione levaram a lista de nomes, o celular e um dos computadores que estávamos usando. Eles mal fecharam a porta do nosso quarto quando eu e Gi caímos na cama um ao lado do outro, completamente exaustos. Nem me preocupei em procurar meu pijama na mala, apenas me despi, ficando só de cueca, e me deitei enquanto minha namorada fazia o mesmo, ficando apenas com a calcinha pequena que estava usando e uma camiseta minha.
—Acha que vamos encontrá-los logo? — Me perguntou assim que se acomodou na cama, de costas para mim para que eu a abraçasse.
—Não sei. Sinceramente, estou começando a achar que não será tão fácil assim. — Confidenciei.
Naquela noite, a única coisa que demos um ao outro foi um selinho demorado, seguido de um "boa noite" e do costumeiro "eu te amo" e dormimos minutos depois de termos deitado. Minha noite não foi ruim, pelo contrário, dormir com Gina era sempre bom, no entanto eu tive alguns sonhos estranhos, agitados e eu não saberia explicá-los. O que me confortava agora, era saber que esses sonhos, por mais estranhos que fossem, eram meus somente, de mais ninguém.
Eu não costumava acordar tarde, mas a situação hoje foi um tanto incomum. Além de dormir quando estava praticamente amanhecendo, havíamos caminhado bastante e procurado informações por muito tempo e isso nos cansa. Acordamos com leves batidinhas na porta do quarto e eu não me enganei quando pensei que eram Rony e Hermione tentando nos acordar. Me levantei lentamente para não acordar a mulher mais linda do mundo, a cobri bem para que não a vissem sem roupa, coloquei um short qualquer e abri a porta para que entrassem. Mione trazia nas mãos uma pequena sacola contendo dois sanduiches e dois sucos em lata.
—Obrigado. — Agradeci quando ela me entregou a embalagem.
—De nada. Me desculpe acordá-los agora, sei que estão cansados e dormiram muito tarde ontem, mas já é quase uma da tarde, Harry. Eu liguei em alguns daqueles números, mas é um trabalho demorado, devo dizer. — Explicou-se com a voz mais baixa que o normal por causa de Gina, que ainda dormia.
—Não tem problema, Mione. Nem sabia que era tão tarde, nós podemos ajudá-la eu acho, o problema é que só temos um telefone. — Me expliquei coçando os cabelos revoltos.
—Ah claro, havia me esquecido disso. Nesse caso, vou continuar tentando e informo vocês caso tenha alguma notícia. — Continuou no tom de sussurro e se levantou fazendo um sinal de que estaria no quarto ao lado.
Assim que ela passou pela porta olhei para Rony, até então parado na parede da janela, encostado casualmente e com uma expressão bastante feliz.
—Ela está mais calma? — Perguntei baixinho.
—Ah sim, descobri uma forma ótima de acalmá-la. — Me respondeu sorrindo e com as orelhas um pouco vermelhas.
—Algo me diz que eu não gostaria de ouvi-la. — Adverti um tanto sem graça, mas ainda rindo. — Vá logo antes que ela se revolte outra vez.
Essas foram quase as palavras mágicas para ele praticamente correr para o quarto ao lado. Assim que os dois se foram fechei a porta e olhei no relógio em cima da mesinha de refeições que havia ali: 12hrs37min. Quando abri a sacola com o lanche para ver o de que eram, meu estômago roncou, na mesma hora olhei para a cama, Gi devia estar com fome também, havíamos comido juntos e já fazia tempo.
Me sentei ao seu lado e a acordei delicadamente, o que não demorou muito já que ela não era tão dorminhoca. Comemos na cama mesmo, e antes que os dois furacões do quarto ao lado invadissem nossos aposentos novamente ela vestiu algo que a tampasse melhor que minha camiseta, embora eu não ache que aquele vestido tampasse tanta coisa a mais.
Ao contrário do que havia acontecido ontem, hoje nós passamos o dia no quarto deles (que devo admitir estava mais organizado que o nosso) e nos revezando para fazer as ligações para as clínicas. Passada a fase de rir de Rony e Gina enquanto aprendiam a usar o telefone, tudo correu bem e enquanto um de nós telefonava os outros ficavam buscando possíveis locais que ainda não estavam na imensa lista à nossa frente. Como todos os estabelecimentos fechavam por volta das 6 da tarde, assim que a maioria dos locais para que ligávamos não atendiam mais, encerramos as ligações por hoje.
A lista não continha mais do que trinta centímetros agora, e gradativamente eu via a expressão de Hermione tornar-se mais triste. Nessa noite comemos no quarto mesmo e enquanto isso acrescentamos mais alguns nomes para buscas. No final, havia não mais do que quinze centímetros adicionais, o que não aumentava muito as esperanças dela. Optamos por dormir mais cedo e acordar mais cedo no dia seguinte, assim teríamos mais tempo para as ligações.
Gi e eu voltamos para nosso quarto, tomamos um banho juntos já que não havíamos tido muito tempo para nós, e dormimos rapidamente. Essa noite foi mais tranqüila que a outra, o que me leva a crer que as confusões do sonho de ontem eram cansaço. Acordei por volta das 9 da manhã, acordei Gina para perguntar se ela preferia dormir mais ou se já iria se juntar a nós e como ela me respondeu que iria também, esperei que se arrumasse.
Quase meia hora depois nos juntamos novamente no quarto ao lado para o mesmo trabalho cansativo de ontem, que hoje Hermione fez questão de fazer sozinha. Também não saímos para almoçar e estávamos quase morrendo de calor dentro desse quarto quente (até Mione executar um feitiço climatizador). Já eram três da tarde, ainda não tínhamos obtido sucesso e agora restavam apenas três nomes na lista. Não sei se Ron e Gi notaram, mas eu reparei o quanto minha amiga lutava para esconder a decepção que estava surgindo nela agora.
Ela ligou para o primeiro número dos que restavam, perguntou pelo nome já então decorado e aguardou a resposta que soubemos imediatamente que era negativa, apenas pelo modo como ela nos olhou ao apertar o botão que desligava a chamada.
— Bom, ainda restam dois. — Seu tom tentou soar encorajador, mas sem sucesso algum.
Ficamos em silêncio enquanto ela testava o penúltimo número anotado e vimos a mesma cena se repetir, dessa vez com a tensão se espalhando entre nós. Gina se aproximou mais e encostou-se em mim, Ron nem se atreveu a aproximar-se de Hermione, ele já deveria mesmo conhecê-la bem demais para saber que esse não era o menor momento. Ela olhou para o pergaminho, discou o número anotado e aguardou o que pareceu uma eternidade para que alguém atendesse do outro lado da linha.
—Boa tarde. — Falou meio trêmula quando alguém atendeu. — Por favor, poderia me informar se Wendell e Monica Wilkins trabalham ai?
Os segundos que antecederam a resposta foram longos até para mim, que observava a situação, imagino para ela que estava agora com o celular no ouvido aguardando o "sim" esperado ou o "não" que complicaria nossa vida. De repente, quase que num piscar de olhos, sua expressão desmoronou.
—Ok, obrigada.
A cara que Hermione fez para nós antes de cair no choro e ser abraçada por Rony dispensava qualquer resposta para o resultado da nossa busca. Gina e eu nos entreolhamos e eu não precisava perguntar para saber que ela estava calculando mentalmente o tempo que tínhamos para encontrá-los antes de voltar a Hogwarts: menos de 4 semanas.
Definitivamente, agora temos um problema!
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