Notas iniciais
Não, vocês não estão sonhando! *---* Enjoy

POV Harry

—Ta aprendendo! — Gina comentou rindo assim que cambaleei apenas duas vezes ao firmar os pés no chão.

Ri junto com ela por dois segundos antes de ser esmagado pela Sra. Weasley e seu abraço carinhoso. Estavam todos ali: Sr. e Sra. Granger agarrados a Hermione, que lhes contava alguma coisa, Ron, todos meus outros cunhados, inclusive Percy, tia Muriel e os pais de Fleur.

—Harry, querido, estávamos todos com muitas saudades. — A Sra. Weasley disse assim que me soltou. — Vamos, vamos, deixem essas mochilas nos quartos e desçam para o almoço.

—Ginevra!

Uma voz chamou quando estávamos indo em direção às escadas, minha namorada rolou os olhos pra mim antes de virar, com cara de tédio, para a tia que a chamava.

—Olá tia Muriel. — Cumprimentou tentando soar simpática.

—Ora garota, vá buscar um pedaço de bolo de caldeirão para mim. — Ordenou sem o menor esforço de soar simpática.

Gina me entregou sua mochila e saiu em direção à cozinha. Eu aproveitei a oportunidade para sair correndo da sala. Não precisava que ela me alugasse também. Entrei no quarto que dividiria com Ron e deixei minha mochila em cima da cama auxiliar, desci as escadas novamente e entrei no quarto da minha namorada para guardar as coisas dela.

—Ela é um terror, juro! — Gina disse entrando e fechando a porta. — Quando era criança mamãe nos ameaçava dizendo que se não nos comportássemos iríamos passar as férias com ela.

Eu ri desse comentário.

—Deveríamos ter ficado na escola. — Ela resmungou se jogando sentada na cama. — Ela vai me encher o saco o tempo inteiro.

—São só alguns dias, depois voltamos pra lá. — A reconfortei.

—Se eu sobreviver, né? — Falou exageradamente.

Eu estava em pé, encostado em sua cômoda, e ela sentada na cama, ambos rindo, quando a porta do quarto se abriu, sem nenhum aviso precedente. Percy colocou metade do corpo para dentro do quarto e olhou para mim com superioridade antes de virar-se para a irmã.

—Desça, agora! — Ordenou.

—Por quê? — Perguntou desafiadora.

—Porque eu não quero você aqui com ele. — Falou grosseiro.

Eu me controlei e comecei a contar dragões azuis para continuar quieto e parado exatamente onde estava.

—Esse não é um motivo forte o suficiente. Com licença Percy, estamos conversando. — Ela respondeu indiferente.

—Ginevra, desça! — Falou um pouco mais alto.

—Desça você, Percy! Mesmo que essa ainda fosse sua casa, esse é o meu quarto e eu tenho total direito de conversar aqui com quem eu quiser. Então, se me der licença eu vou terminar meu assunto com o meu namorado e depois desço. — Levantou-se e fechou a porta, sem esperar que ele saísse totalmente do quarto.

Eu assisti toda a cena sem falar nada, apenas olhando meus próprios tênis e prestando atenção a cada movimento que ele fazia porque eu não tinha intenção de me manifestar nessa discussão, mas ele certamente não iria agredi-la na minha frente.

—Ele me irrita! — Ela desabafou voltando até sua cama e sentando-se.

—Hmm.. — Murmurei sem querer concordar com ela.

—Eu sei que irrita você também, pode dizer. — Brincou rindo um pouco.

—Quando fala de mim até que não, mas quando te trata assim, me irrito bastante. — Confessei e ela abriu um sorriso compreensivo. — E você queria conversar comigo?

—Não, mas não vou obedecer ao Percy então... — Deu de ombros e eu ri um pouco.

Eu não dei minha opinião, porque eu acho que me meter nessas coisas de família não é muito legal. Depois que ela for da minha família, caso a situação continue assim, eu vejo o que posso fazer porque minha mulher não vai ter que aguentar esse tipo de comportamento de ninguém.

—Você não acha melhor irmos? Tem bastante gente lá embaixo esperando a gente. — Falei ainda encostado ao móvel atrás de mim.

Antes que ela respondesse ouvimos duas batidinhas suaves na porta e uma pessoa muito mais harmoniosa entrou sem esperar resposta.

—Ah, vocês estão aqui. — A Sra. Weasley falou assim que entrou e fechou a porta. — Crianças não entendam mal, mas por favor, desçam comigo. Percy chegou lá na sala dizendo que Gina estava trancada no quarto com o namorado, Arthur queria ter subido, mas eu o repreendi e vim em seu lugar.

Ela me parecia muito sem graça ao nos dizer isso.

—Percy não sabe o que fala mamãe, nós estávamos aqui conversando quando ele entrou sem ser convidado e ordenou que eu descesse com ele porque não queria que eu ficasse sozinha com o Harry. Isso é um tanto ridículo, não acha? Nós estudamos juntos e se considerar que somos da mesma casa, moramos juntos também. — Minha namorada falou e eu, mais uma vez, comecei a mirar meus tênis.

—Eu sei Gina, mas também não precisamos testar a paciência de seu pai. Ande, vamos descer. — Ela convidou novamente e saiu, deixando a porta aberta para que saíssemos também.

—Venha, a Sra. Weasley tem razão. — Chamei estendendo minha mão e puxando-a da cama assim que ela segurou.

Chegamos ao fim da escada a tempo de ouvir tia Muriel reclamar algo como “não reclamem quando essa menina engravidar”, Percy concordou freneticamente, e nós dois os ignoramos, seguindo para o outro lado da sala.

Passada a euforia da nossa chegada, o resto do dia foi o mais normal possível, em se tratando de quando estamos n’A Toca. Almoçamos todos juntos, as pessoas ainda ficaram para o café da tarde e quando já estava anoitecendo todos foram para suas respectivas casas, inclusive Hermione e seus pais.

—Cara, sem ela aqui não dá. — Ron falou assim que me deitei na cama ao lado da sua.

—Mas vocês não dormiam juntos aqui, Rony. — Argumentei.

—Eu sei, mas ela estava ali na porta do lado, entende? — Respondeu. — Amanhã nós vamos à casa deles, não é?

—Acho que sim, eles nos convidaram para almoçar lá e seu pai ficou muito animado com as coisas que o Sr. Granger disse que mostraria a ele. Aposto que amanhã, antes do café, ele já vai estar nos apressando.

E foi exatamente o que aconteceu. No dia seguinte, mais cedo do que eu esperava, fomos acordados, obrigados a levantar, nos arrumar, tomar café da manhã e sair para passar o dia com a família trouxa mais legal que eu conhecia.

Como todos os outros já haviam voltado para suas casas no dia anterior logo após o jantar, apenas Ron, Gina, meus sogros e eu n os dirigimos até o limite dos portões d’A Toca para aparatar direto na rua lateral do bairro muito tranquilo onde Hermione morava.

Nenhum de nós nunca havíamos ido até a casa dela, no entanto não foi surpresa nenhuma perceber que o ambiente era tão metodicamente arrumado quanto seus objetos pessoais. Não se via ali nenhuma almofada, enfeite ou móvel afastado um centímetro sequer do lugar que parecia ser seu espaço de origem.

O Sr. Granger estava sentado na sala organizando alguns papeis que pareciam mais fichas de saúde, daquelas que haviam em consultórios médicos e a Sra. Granger surgiu de uma porta lateral trajando um avental branco, muito semelhante ao de Tia Petúnia, por cima do vestido de inverno. Ela e Hermione eram extremamente parecidas.

—Ah que bom que chegaram! — Exclamou assim que nos viu. — John não via a hora de recebê-los aqui.

—Ah, mas é claro que viríamos. — Respondeu a Sra. Weasley um tanto envergonhada, enquanto o Sr. Weasley já se dirigia para o sofá e questionava tudo a respeito do que o outro homem estava fazendo e a necessidade de fazer aquilo.

A Sra. Weasley acompanhou a mãe de Hermione até a cozinha enquanto as duas conversavam animadamente sobre as diferenças da culinária bruxa e trouxa.

Quando todos já haviam feito suas respectivas amizades e começado os assuntos de seus interesses, Ron, Gina e eu ficamos parados no meio da sala, sem saber o que fazer ou aonde ir, olhando de um para o outro sem saber como interrompê-los.

—Aaah, crianças, Hermione está no quarto, podem subir. Segunda porta à esquerda. — Finalmente o Sr. Granger se lembrou de nós, aproximadamente dez minutos depois.

Subimos as escadas tão logo ele terminou a frase e um corredor bege, de portas brancas e carpete marrom, adornado com quadros que não se mexiam, se materializou à nossa frente. Ron foi à frente, e sem nem bater abriu a porta que havia sido indicada.

—Rony! — Ouvi a voz de Hermione repreendê-lo logo após a exclamação de susto. — Podia ter batido na porta, né? E se eu estivesse me trocando?

—Não tive tanta sorte. — Ele respondeu já dentro do quarto e sem nem prestar atenção na brinca que havia recebido há pouco.

Gina e eu entramos logo atrás, Hermione estava sentada na cama, com um livro na mão. O que realmente não era novidade nenhuma.

—Olá! — Gina exclamou sentando-se ao lado dela na cama.

—Oi Gi, oi Harry. — Nos cumprimentou.

Rony já havia substituído o lugar de seu travesseiro e estava encostado na cabeceira da cama enquanto Hermione se apoiava ele.

—Estava lendo esse livro, só para me distrair. Havia me esquecido de quão fascinante é Shakespeare. — Falou se explicando sobre o livro enorme que estava segurando.

—Tia Petúnia vivia insistindo que Duda lesse Shakespeare porque ela achava incrivelmente lindo crianças cultas. Ele usava os livros para desenhar. — Falei fazendo-os rir.

—Mione, seu quarto é incrível! — Gina exclamou. — Você não colocou nada de magia nele.

—Não, eu quis deixá-lo como sempre foi. Gosto muito dele assim. — Respondeu olhando em volta, exatamente como Gina fez antes. — Pode olhar o que quiser, Gi. Acho que tem algumas coisas aqui que você nunca viu.

Depois da permissão que ela esperava, Gina passou o resto da manhã andando pelo quarto e mexendo em pequenas coisinhas que ela não conhecia, como caixinhas de musica e o interruptor que acionava o ventilador de teto. Devo acrescentar que quando viu este quase caiu para trás de susto, depois se acostumou e gostou tanto que me disse (à noite, quando estávamos conversando sozinhos, é claro.) que em nossa casa haveria um em casa cômodo.

No inicio da tarde a Sra. Granger veio nos avisar que almoço estava servido, para que não esperássemos tanto ou então as massas que ela havia feito iriam esfriar. Rony, de qualquer forma não nos deixou esperar muito e insistiu para irmos depressa.

Durante o almoço, conversando como se fossemos todos amigos de anos, o Sr. Weasley explicou aos pais de Hermione exatamente qual era sua função dentro do ministério, a Sra. Weasley disse resumidamente tudo que seus objetos enfeitiçados faziam por ela dentro de casa e que agora como o elfo doméstico era útil com as coisas menores com que não havia como usar magia. Desgnomizar o jardim, por exemplo.

Quando o Sr. Granger começou a contar, em detalhes, os detalhes do que ele e a mulher faziam no consultório meu sogro praticamente pulou de felicidade na cadeira. E neste momento, exatamente, eu descobri como seu poder de persuasão era grande porque ao final do almoço, depois que a Sra. Weasley deixou os pratos sendo lavados magicamente na pia da cozinha, saímos todos em direção à Clinica Odontológica Grangers para que o Sr. Weasley pudesse ver como funcionava o curioso motorzinho sobre o qual o Sr. Granger havia falado.

Saímos da clínica quatro horas mais tarde, rindo como quem havia saído de um circo, graças aos comentários do Sr. Weasley, que por sua vez tinha agora uma obturação em um dos molares.

—É apenas para ver como funciona, Molly. — Repetiu ele para a esposa quando ela viu o Sr. Granger com a agulha de anestesia nas mãos.

O mais engraçado, no entanto, era ver meu sogro desesperado porque a anestesia estava, segundo ele, deixando-o totalmente dormente. Depois de explicar milhares de vezes e convencê-lo de que o efeito passaria em algumas horas, finalmente ele se acalmou a ponto de aceitar sair conosco novamente.

Por recomendação do dentista responsável pelo trabalho, saímos do consultório direto para uma sorveteria no centro de Londres, o que ajudaria o efeito a passar mais rápido. Quando já estava anoitecendo, eu sugeri que fossemos ao cinema, apenas para que o Sr. Weasley tivesse algo mais para se impressionar.

Tão logo mencionei a frase “como uma TV gigante” ele aceitou e lá estávamos nós na fila enorme da bilheteria para conseguir os ingressos. O Sr. Weasley fazia tantas exclamações de surpresa que fomos repreendidos diversas vezes pelas pessoas ao nosso redor, não que isso tenha afetado a satisfação ou a felicidade dele em estar ali.

O dia, extremamente agradável em minha opinião, terminou da maneira mais trouxa possível: todos juntos, caminhando vagarosamente Av. Shaftesbury (aquela onde Hermione costumava ir ao teatro com os pais), comendo pipoca de cinema e conversando.

—Está vendo Molly, e você nunca queria ir ao centro trouxa de Londres porque considerava perigoso para gente como nós. — O Sr. Weasley disse arrancando mais risadas e deixando a esposa um pouco vermelha.

—Ora Arthur, não conhecemos direito esse lugar, claro que fiquei com medo. — Tentou justificar-se.

—Depois que as crianças voltarem para a escola poderíamos passear com mais frequência, querida. — O Sr. Weasley parecia muito empolgado.

—Claro que sim, tenho certeza que vocês adorariam o campo de golfe, não é querida? — O Sr. Granger interrompeu e envolveu a esposa na conversa.

A expressão que a mãe de Hermione fez me deu a impressão de que ela não adorava tanto assim o campo de golfe.

Assim que entramos novamente na sala da casa dos Granger nos despedimos de todos eles e aparatamos para A Toca. Hermione ficou totalmente divida entre ir conosco (ou ir com Rony, como preferir...) e ficar com os pais. Por fim ela ficou, com a promessa de que iria passar o natal lá junto com os pais.

—Mas isso é só daqui uma semana. Eu não vou sobreviver! — Rony exclamou emburrado enquanto abríamos os portões da frente para entrar.

—Pare de ser exagerado Roniquinho! — Gina o repreendeu rindo.

—Você fala isso porque nunca ficou longe do Harry! — Falou instintivamente e minha namorada ergueu uma sobrancelha de maneira ameaçadora. — Tá, esquece. — Retratou-se.

Sr. e Sra. Weasley haviam vindo na frente e já estavam dentro de casa enquanto nós três ainda estávamos caminhando pelo quintal.

—Relaxa cara, você por ir vê-la no meio da semana. — Tentei animá-lo.

—É... — Ele respondeu pensativo.

Ao entrar em casa Gina me disse que estava cansada e subiu direto para seu quarto, Ron e eu ainda ficamos na sala conversando até altas horas, relembrando os velhos tempos. A diferença é que naquela época discutíamos possíveis esconderijos de horcruxes, agora estávamos falando de esportes.

A semana que antecedeu o natal passou tranquila, sem grandes novidades. Monstro estava nos ajudando agora então não havia muito para ser feito alem de jogar quadribol à tarde, conversar com Rony sobre qualquer coisa, visitar a casa da arvore com Gina (esses eram os passeios mais legais) e ajudar a Sra. Weasley a preparar as refeições. Quando ela permitia.

Na quarta feira Ron passou o dia com Hermione, só voltou para casa depois do jantar, e pela primeira vez desde que o conheço, seus pais não reclamaram por ele ter ficado tanto tempo na rua.

—Mione está bem? — Foi a única coisa que a Sra. Weasley perguntou a ele antes de ir se deitar.

Sábado, véspera de natal, amanheceu como era típica nessa época: nevando. Descendo para o café da manhã encontrei Gina no corredor, vestida com um casaco muito bonito que compramos em um passeio ao shopping, luvas e touca.

A Sra. Weasley passou o dia preparando os pratos para o jantar e dispensou toda ajuda que oferecemos, alegando que na maioria das vezes acabamos atrapalhando. Monstro foi o único que pode ficar na cozinha com ela, e mesmo assim suas atividades foram vetadas a preparar os arranjos natalinos e arrumar os pratos, já prontos, na mesa.

O Sr. Weasley ficou o dia todo organizando sua pequena oficina, sob ordem da esposa, claro. Ron, Gina e eu desgnomizamos o jardim (embora não houvessem muitos gnomos no inverno) e erguemos a tenda que ficaria em parte do jardim, para o caso de não caber todos os convidados na casa.

Todos os anos a tenda era colocada como uma possibilidade de não caber todo mundo, e todos os anos a casa e a tenda ficavam cheias. Era quase um ritual. No fim da tarde os primeiros convidados foram chegando, e como não era pra se esperar menos, Tia Muriel foi a primeira a aparecer aqui, segurando uma bengala em uma das mãos, a varinha na outra e com uma bolsa berinjela berrante embaixo do braço.

—Molly! — Gritou da porta e a Sra. Weasley veio correndo acomodá-la na poltrona que usualmente era do Sr. Weasley.

Eu não fiquei muito tempo na sala para escutá-la, porque de certa forma ela me lembrava Tia Guida e eu não queria fazer ninguém se transformar num balão. Gina estava terminando de se arrumar então eu passei direto para o quarto que dividia com Rony e peguei, dentro da minha mochila, um pequeno embrulho prateado. Desci as escadas novamente e dei duas batidas leves na porta.

—Pode entrar. — Sua voz respondeu.

—Está linda! — Falei quando entrei e a vi terminando de se ajeitar em frente a um espelho grande.

—Obrigada. — Respondeu sorrindo. — A que devo a honra dessa visita?

—O primeiro motivo é fugir da Tia Muriel. — Ela riu comigo. — E o segundo é que eu não acho que haverá um lugar sossegado para te entregar seu presente de natal. — Falei ao mesmo tempo em que mostrava a ela o embrulho, até então atrás das minhas costas.

—Harry! — Ela exclamou entre irritada e emocionada. — Eu não comprei nada pra você.

—Não precisava. — Respondi de modo automático.

—E você não precisava ter gasto dinheiro. — Argumentou.

—Não gastei nada. — Me defendi. E era verdade, em partes.

Ela se aproximou e pegou o embrulho das minhas mãos.

—Obrigada amor. — Agradeceu ficando na ponta dos pés e me dando um selinho demorado.

Me puxou até sua cama e nos sentamos ali, enquanto ela terminava de desfazer o laço do embrulho. Puxou de dentro uma caixinha preta de veludo e suas mãos tremeram um pouquinho enquanto ela me olhava assustada.

—Não é um pedido de casamento, pode ficar tranquila. — Ri quando a vi relaxar.

Ela terminou de abrir ainda rindo, e puxou de dentro da caixa uma pulseira feminina e delicada, de ouro, sem nenhum pingente e a ergueu na frente dos olhos.

—É linda amor. Mas você disse que não tinha gastado nada. — Sorriu enquanto me repreendia.

—Na pulseira não gastei nada mesmo, estava no meu cofre, provavelmente era da minha mãe. Pedi para Monstro buscar pra mim. — Expliquei. — Eu só gastei um pouquinho no pingente.

Ela girou os olhos, mas me olhou em expectativa enquanto eu tirava do bolso uma sacolinha vermelha de veludo e a abria, para então mostrar a ela a miniatura de pomo de ouro que eu havia pedido para que Monstro comprasse, no mesmo dia que foi ao banco.

Ela me olhou meio encantada por alguns segundos e eu imaginei que ela não soubesse o que dizer.

—Bem sugestivo, não é? — Brinquei puxando a pulseira de sua mão, passando a pingente por ela e puxando seu braço direito para prendê-la ali. — Eu precisava garantir que você não se esqueceria nunca do nosso primeiro beijo.

Antes ainda que ela se manifestasse eu peguei a varinha e fiz um pequeno encantamento, apenas para garantir que ela não iria quebrar.

—Se você continuar muda vou achar que não gostou. — O que eu sabia que não era verdade, porque ela estava olhando para a pulseira encantada.

—Tenho algumas coisas a dizer. — Falou brincando e depois me olhou mais séria. — Primeiro, eu adorei. Nem consigo expressar o tanto que gostei, é linda e ainda bem que você a enfeitiçou porque eu iria me matar se a perdesse ou quebrasse. — Nós dois rimos quando ela falou e eu sabia que era bem possível que ela fizesse alguma dessas duas coisas enquanto jogava quadribol. — Mas você me deixa sem graça, porque eu não comprei nada pra você e nem poderia te dar uma coisa linda assim.

—Não precisa me dar nada, já disse. Eu gosto de ver essa sua carinha linda de satisfação, é meu presente já. Mas se faz tanta questão assim, você pode me presentear de algumas maneiras não monetárias e muito prazerosas. — Pisquei sugestivamente e ela riu, me dando um tapa no ombro.

—Bobo. — Finalizou rindo e me olhou mais séria. — Por ultimo, você acha que sua mãe iria achar ruim que você me desse essas coisas que foram dela?

—Minha mãe iria amar você, Gina. Tenho certeza disso. Ela não poderia querer ninguém que me fizesse mais feliz do que você faz. — Respondi sinceramente.

—Bom, se você diz. — Ela suspirou e passou a mão pelo pulso, sobre o presente. — Minha mãe vai ficar doida quando souber que você me deu outro presente.

—Ela tem medo que você fique insuportavelmente mimada. — Falei rindo e ela me acompanhou.

—E você está ajudando muito para isso, devo dizer. — Finalizou e se inclinou, grudando a boca na minha.

Nosso beijo foi ficando mais intenso à medida que ela se aproximava de mim, e quando suas mãos grudaram no meu cabelo e a minha alcançou seu bumbum eu nem me lembrava que no andar de baixo sua família provavelmente já estava toda reunida. Não me lembrava a te a porta se abrir.

—Desculpe pessoal, é que Ron está vindo e ele nunca bate na porta. Acho que se sentiria mais incomodado do que eu em ver essa cena.

Hermione disparou a falar enquanto Gina e eu nos ajeitávamos, porque ela já estava praticamente no meu colo.

—Que cena? — Ron perguntou abruptamente parando atrás da namorada e apoiando as mãos na cintura dela.

—Harry se declarando todo enquanto dava o presente de natal da Gina. — Ela desconversou tão rapidamente que eu quase acreditei que ela havia ouvido enquanto eu entregava. — Alias bela pulseira! — Elogiou me deixando boquiaberto com a capacidade que as mulheres têm de observar umas as outras.

—É linda, não é? — Gina respondeu com um sorriso enorme. — Eu nem soube o que dizer quando a vi.

Ela e Hermione ainda estavam rindo uma pra outra quando Ron interrompeu.

—Vim chama-los para descer, mamãe disse que a festa já começou e que quer que fiquemos com toda a família, e não trancados no quarto fofocando como sempre. — Falou de um fôlego só. — Palavras dela.

—É verdade. — Hermione confirmou.

—Bem, se não tem jeito. — Respondi conformado e me levantei, puxando minha namorada para que se levantasse também.

—Vamos então. Mal posso esperar para mostrar meu presente para todo mundo e ouvir Percy falar por horas sobre como Harry está me comprando. — Ela falou com falsa empolgação.

A primeira pessoa que vimos assim que descemos as escadas foram os pais de Hermione, parecendo totalmente perdidos e rindo dos sustos que levavam todas as vezes que uma bandeja passava flutuando por eles. A segunda foi Tia Muriel olhando-os com um misto de divertimento e curiosidade.

A família de Ron era conhecida por ser amiga e simpatizar com trouxas (ou, como nos tempos da guerra, Traidores do Sangue), mas isso não queria dizer exatamente que todos os Weasley mantivessem as casas cheiras de trouxas ou de artefatos trouxas. Tia Muriel visivelmente não tinha nada contra eles, mas eles certamente não seriam as principais pessoas em sua lista de melhores amigos e pessoas preferidas.

Depois do habitual discurso onde Percy insiste em que eu estou comprando a irmã dele e Gina rebate dizendo que se estivesse era ela quem deveria determinar o preço, fomos para o quintal cumprimentar todos os presentes.

Teddy infelizmente não pode estar presente, ele e a avó foram visitar alguns parentes da família dela. Recebi uma coruja essa semana, se desculpando por não trazê-lo para me ver. Do lado de fora haviam algumas pessoas, a maioria de cabelos ruivos e algumas sardas. Eu não conhecia a maioria delas, então depois de cumprimentar todo mundo educadamente, me juntei aos pais de Hermione e ficamos conversando sobre as noticias do mundo trouxa.

A noite se passou extremamente lenta na minha opinião, diferente da semana que seguiu. No domingo ainda houve o almoço de família, mas eu, Gina e Rony fomos salvos pelo Sr. Granger que insistiu que o acompanhássemos até Londres para ver a decoração de natal. Por isso quando chegamos em casa Monstro já havia arrumado tudo e estava na mesa da cozinha tricotando um gorro de lã.

O pobrezinho quase caiu da cadeira quando eu entrei de repente e tentou a todo custo esconder o que fazia.

—Monstro não queria, me desculpe Senhor. Monstro vai prender os dedos das mãos e dos pés no forno quente para se castigar, Monstro promete... — Falava sem parar enquanto fazia uma reverencia exagerada.

—Monstro, para! — Ordenei e ele imediatamente ficou em pé. — Agora me fala, tranquilamente, o que você fez de errado.

—Monstro estava fazendo um gorro de lã, mas Monstro sabe que é errado. — Gaguejou um pouco, mas respondeu por fim.

—E por que isso é errado, Monstro? Está muito frio, você deve mesmo usar um gorro, uma luva, até uma roupa, eu acho. — Respondi tranquilamente.

—Senhor, um elfo não pode usar roupas! — Respondeu como se fosse óbvio.

—E por que não, Monstro? Eu não vejo mal nenhum em um elfo usando roupas. Vocês veem? — Perguntei a Rony e Gina, que estavam parados atrás de mim.

—Eu não. — Gina respondeu prontamente.

—Eu também não. — Rony respondeu também.

—Mas quando um elfo usa roupas é por que foi libertado, não fez seu trabalho direito. E isso é uma vergonha! — Ele respondeu ainda fungando.

—Monstro, você quer ser libertado? — Perguntei diretamente.

—Claro que não meu senhor! Monstro é muito feliz trabalhando para o senhor e para os Weasleys. — Respondeu imediatamente e com cara de pânico. — A Sra. Weasley trata Monstro como se fosse um bruxo.

—Ótimo Monstro, eu também não quero perder você. Você é um ótimo elfo. — Elogiei e ele imediatamente se curvou, quase encostando o nariz no meu sapato.

— O senhor é muito gentil, senhor Potter. — Agradeceu visivelmente emocionado.

—Então — O levantei pelos ombros magrelos e o fiz me olhar novamente. — Se você já sabe que eu não quero que você vá embora, qual o problema de usar roupas? Eu não vou te libertar, Monstro. Hm.. Nunca! — Pensei na melhor forma de convencê-lo. — Você é o melhor elfo do mundo.

Rony tossiu sarcasticamente atrás de mim e Gina sufocou uma risada, disfarçando com um falso espirro. Monstro, por sua vez, parecia que ia chorar.

—Neste caso, pode usar quantas roupas quiser. Eu realmente não quero que você morra de frio. — Finalizei e ele me olhou pensativo.

—Mas os outros elfos, eles vão pensar mal de Monstro... — Argumentou.

—Então não use as roupas na frente deles, use quando estiver em casa, sei lá. — Dei de ombros. — Já sei, use as roupas quando tiver vontade. Sempre que quiser, pode usar roupas. — Finalizei e ele sorriu. — Só, por favor, não use as minhas roupas nem as de ninguém da casa. Não sei, você pode fazer suas roupas, não pode?

—Sim, Monstro pode... — Respondeu com um sorriso tímido.

—Ótimo! Faça suas roupas e use quando tiver vontade. Boa noite Monstro! — Me despedi e sai às pressas, antes que ele me interrompesse para outra onde de agradecimentos.

—Se você desistir de ser auror, pode fazer Psicologia Élfica. — Rony falou enquanto subíamos as escadas e Gina gargalhou quase alto demais.

Voltaríamos para a escola na quarta feira, antes mesmo do ano novo. Esse ano haviam muitos alunos nas turmas do sétimo ano, então nossas aulas foram estendidas para que houvesse o mesmo aproveitamento. Nosso retorno estava marcado para as oito, e a primeira aula, Defesa Contra as Artes das Trevas, começaria vinte minutos depois.

Como era de se esperar, Hermione chegou pontualmente às 07h52min. Voltaríamos usando Pó de Flu, então o tempo era mais que suficiente para ela, mas previsivelmente acordamos todos atrasados, então o congestionamento no banheiro foi inevitável, a mochila do Ron não estava totalmente pronta, Gina não sabia da comida de Fred e eu esqueci a Firebolt no quarto e precisei voltar. Enfim, quando conseguimos entrar na lareira, gritar “Hogwarts” e rodopiar até a sala da professora Minerva já eram 08h33min. Hermione foi primeiro, seguida de Rony, depois eu e Gina por ultimo, que só não caiu porque bateu nas minhas costas e eu consegui segurá-la.

—Estão atrasados. — A nova diretora exclamou sem nem tirar os olhos do pergaminho onde escrevia. — Vinte pontos a menos para a Grifinória.

Notas finais
Olá pessoas! Espero que tenham aproveitado o capítulo e gostado dele, claro. Não posso me estender muito, to com um pouquinho de pressa hoje. Se Merlin nos ajudar, até o fim do mês trago o próximo. Não é um prazo la muito animador, mas é o que ta dando pra fazer. Comentem, recomendem, opinem, critiquem. Quero saber a opinião de vocês. Beijinhos e até o próximo.