Sobre os 19 anos depois
25 Auror
Notas iniciais
POV Gina
Retornar à escola no segundo semestre aparentemente nos levou a um mundo diferente do qual havíamos saído antes das rápidas férias. Não havia mais aquela ansiedade por ver Harry, Rony e Hermione passarem, nem poções do amor sendo feitas em cada canto pelo qual passávamos.
As aulas estavam com força total e os professores não se cansavam nunca de passar trabalhos e mais trabalhos para as horas vagas. Entre tudo isso ainda precisava treinar para os jogos de Quadribol.
Até o momento havíamos perdido apenas dois jogos, o primeiro contra a Corvinal e o Segundo contra a Sonserina, e por isso não podíamos perder mais nenhum se ainda quiséssemos ser os campeões desse ano. Como Harry fazia questão de ganhar a taça em seu ultimo ano os treinos estavam sendo quase diários, para o terror de Hermione.
Eu não estava tendo muito tempo livre, já que as aulas tomavam parte do dia, os treinos parte da tarde e os deveres de casa o restante da noite, então Harry e eu não tínhamos mais tantos momentos juntos. Ao contrário das expectativas, estávamos ainda mais grudados, já que eu o ajudava com as lições de casa e ele me passava algumas táticas melhores durante os jogos.
Ron e Mione passavam quase todo o tempo conosco, apenas nos horários de treino ela nos abandonava e ia para a biblioteca estudar enquanto passávamos horas em cima da vassoura. E minha amiga nunca saia sem antes nos dar um sermão sobre como estávamos sendo irresponsáveis em não estudar para os NIEMs, que aconteceriam dali a quatro meses.
No inicio de fevereiro aconteceu um fato que me fez ficar totalmente dividida entre a raiva mortal e a incredulidade infinita: Harry e Malfoy brigaram, outra vez.
O tema da vez não fui eu, como vinha sendo antes das férias, mas a mania dos dois em querer serem sempre os melhores no jogo. Depois de uma sessão aparentemente interminável de ofensas de ambas as partes, Malfoy insinuou que talvez Harry não houvesse herdado o talento do pai em ser apanhador, já que nós havíamos perdido para eles.
Depois dessa afirmação infeliz o Malfoy levou um soco, Harry pegou uma semana de detenção e quando ficou livre outra vez durante as noites resolveu dobrar as horas diárias de treino e acabar com a paz de espírito de todo mundo.
Essa§foi a primeira vez, desde que começamos a namorar, que eu pensei seriamente em perguntar se ele era idiota ou o quê, mas acabei entendendo os motivos dele e deixei passar.
Não houve, depois disso, nenhum fato relevante que tornasse o semestre diferente de normal. Não sei se Ron gostou muito disso, mas Hermione certamente ficou muito feliz em não ter que ficar intimidado meninas do primeiro ano para não se jogarem aos pés de seu namorado.
—Não é ciúme, Gina Weasley, imagina se eu teria ciúmes do seu irmão. — Ela argumentou de novo. — É só que como monitora eu considero essas atitudes inadequadas.
—Entendi... Mas nunca vi você fazer isso quando elas se jogam em cima do Harry. — Respondi segurando o riso enquanto ela ficava vermelha.
—Ora, é só que Harry sabe lidar melhor com essas coisa do que o Ronald, então eu preciso interferir. — Respondeu sem graça e mudando de assunto.
O mês de abril chegou e junto com ele as preparações finais para os NIEMs, que fizeram Rony, até então tranquilo, surtar. Assim que ele viu a quantidade exagerada de matérias que deveria aprender em um mês foi correndo pedir socorro para Hermione, que não perdeu a oportunidade de fazê-lo implorar um pouquinho, para depois ceder.
Essa foi a ocasião em que Harry e eu começamos a ter novamente nossos momentos a sós, para estudar. Não que ele fosse exatamente um gênio na escola, mas sabia exatamente o que precisava saber para ser um auror, enquanto eu estudava de tudo um pouco, porque não fazia ideia do que queria fazer quando saísse daqui.
—Relaxa, Gi, você vai encontrar algo que goste de fazer, e quando isso acontecer saberá exatamente o que é. — Ele sempre repetia para mim.
—Você sempre fala isso, mas já pesquisei sobre todas as profissões bruxas possíveis e nada me agrada. — Respondi abrindo novamente o livro de poções para reler o capítulo sobre antídotos.
—Procure sobre profissões trouxas, então. — Sugeriu casualmente enquanto apanhava meu livro de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Na hora eu ri, mas esse assunto povoou seriamente meus pensamentos durante as semanas seguintes. Eu precisava de uma profissão, disso eu tinha certeza, não fazia muito meu tipo ficar em casa sendo sustentada pelo marido (mesmo meu futuro marido sendo absurdamente rico) e pensando nesse aspecto, que problema havia em escolher uma profissão que nada teria a ver com magia?
Como em Hogwarts não havia nada que eu pudesse usar para pesquisar sobre profissões trouxas, me dediquei em tentar novamente encontrar algo que me interessasse no meu mundo.
Os NIEMs finalmente chegaram e trouxeram as provas mais difíceis que eu já fiz na vida. Assim que deixamos o salão principal, depois das provas, Hermione começou a nos perguntar freneticamente como havíamos nos saído, enquanto repassava sua própria prova mentalmente em busca de algum erro, que certamente não encontraria.
Ron estava meio pálido, e por isso eu perguntei mais de uma vez se ele estava bem, enquanto Harry estava normal, apenas um pouco quieto.
Eu não estava nervosa, sabia que o que fiz era suficiente para conseguir uma nota aceitável em todas as matérias, então era o que bastava para mim. Quando questionei ao meu namorado o que ele tinha, ele disse que nada exatamente, estava apenas preocupado com sua nota de poções.
Ao contrário dos NOMs, em que os resultados eram enviados por corujas, o resultado dos NIEMs era necessário para nossa aprovação e conclusão da escola, então os resultados eram entregues enquanto ainda estávamos na escola.
No fim de maio foi nosso ultimo jogo de quadribol, ele valia a tão sonhada taça e seria contra a Sonserina. Foi nesse dia que Harry surtou tudo que não havia surtado o ano inteiro. Ele nos reuniu na primeira hora do dia já destilando instruções para todo mundo e pedindo por Merlin que ganhássemos esse jogo.
E não sei se porque ele pediu tanto ou se porque todos estavam muito animados com a ideia, mas nós realmente ganhamos o torneio. Foi a comemoração mais estrondosa que aquela sala comunal já viu, com certeza, e meu namorado estava tão feliz que eu fiquei preocupada que aquele sorriso não deixasse mais seu rosto. Depois da comemoração publica, nós fizemos nossa ultima visita à Sala Precisa para a comemoração a dois.
A ultima semana de aula chegou junto com os resultados dos NIEMs e uma choradeira danada por parte de alguns alunos que não conseguiram a nota necessária para seguir a profissão que queriam. Hermione, como sempre, tirou O em tudo, menos em Defesa Contra as Artes das Trevas, onde conseguiu um E. Eu tirei E em quase todas, menos em Poções, porque tirei A, e em Defesa Contra as Artes das Trevas, onde tirei O.
Harry e Rony tiraram exatamente as mesmas notas, o que fez Hermione duvidar muito da autenticidade de suas provas, mesmo eles tendo insistido em que as penas usadas eram anti colas e que não haveria como burlar essa magia. Os dois queriam ser aurores, e suas notas foram suficientes para isso.
Com essa noticia eu experimentei um misto estranho de alegria e tristeza, porque se por um lado significava que ele faria aquilo que gosta e seria feliz, significaria também ficar longe por dois anos, vendo-o só de vez em quando.
Rony e Hermione também tiveram pontuação suficiente para seguir a carreira de auror (Rony teve a pontuação mínima necessária nas matérias específicas e Hermione teve pontuação suficiente para seguir qualquer carreira) e no dia em que os três receberam a carta de aceitação da Academia de Aurores foi uma festa imensa, para eles.
Não que eu não estivesse muito feliz com essa notícia também, mas não consegui não me sentir excluída como da outra vez. Eu vi a cena se repetindo: os três sairiam em algumas semanas e eu ficaria novamente em casa. Mesmo que dessa vez fosse diferente e eu certamente fosse ter noticias, cartas e visitas regulares, eu quis, nem que fosse um pouquinho, gostar tanto de salvar o mundo, como eles gostavam.
Hogwarts não tinha nenhum evento diferente para o encerramento do ano letivo daqueles que estavam se formando, acontecia o jantar de sempre, as despedidas formais e a volta para casa no trem de todos os anos. Esse ano é que as coisas foram um pouco diferentes, porque as despedidas duraram um pouco mais e pela primeira vez em sete anos que frequento essa escola o Expresso de Hogwarts se atrasou.
O caminho de volta foi meio nostálgico para todo mundo, pois ele certamente significava nosso adeus ao castelo. Mesmo que um dia voltássemos, nunca mais seria para dormir naquelas camas ou participar do banquete de inicio do ano letivo.
Quando chegamos em Londres papai e mamãe já estavam nos esperando junto com Sr. e Sra. Granger, que ainda se espantavam quando alguém surgia da parede. A primeira coisa que os três fizeram foi exibir suas cartas de aceitação da Academia e receber, com muita empolgação, os cumprimentos e felicitações de todos em volta.
—E você, meu bem, já sabe o que vai fazer também? — A mãe de Hermione me perguntou carinhosamente.
—Ainda não. — Respondi sem graça. — É muito difícil se decidir.
Todos sorriram compreensivos para mim e voltaram aos seus assuntos iniciais. Menos Harry, que deve ter ficado tão deslocado quanto eu quando papai e mamãe abraçavam Rony um pouco emocionados e os pais de Hermione faziam o mesmo com ela.
—Está feliz? — Perguntei quando ele parou ao meu lado e passou os braços ao redor da minha cintura.
—Sim, um pouco. — Respondeu me olhando. — E você?
—Sim e não. -Respondi sincera e ele riu um pouco.
—Eu vou dar noticias.
—É muito bom mesmo que você faça isso. — Ameacei e ele riu um pouco.
Hermione não foi para A Toca conosco, para o terror de Rony, então fizemos o caminho de volta por meio de aparatação. Assim que chegamos nossos malões foram levados para os quartos e, pela ultima vez, desfeitos.
Não havia uma comitiva de recepção para nós, mas meus irmãos apareceram à noite para jantar conosco e perguntar como haviam sido nossos últimos meses na escola.
Carlinhos ficou empolgadíssimo quando contamos que ganhamos a Taça de Quadribol e Percy ficou decepcionado quando soube que perdemos a Taça das Casas para a Lufa Lufa.
—Não se pode ganhar tudo, não é? E a Taça de Quadribol já é um feito histórico e tanto no ultimo ano de Hogwarts. — Jorge argumentou para o irmão mais velho. — Fred e eu, os mais importantes, sabemos como isso é importante, então não deem atenção ao Percy.
Todos riram da sua ultima frase. Ao contrario do que se imaginava a principio, Fred não era um assunto intocável, e sim uma lembrança boa entre nossas conversar.
Na hora da sobremesa Harry e Rony deram a noticia de que já haviam sido aceitos pela Academia de Aurores e dessa vez sim a comemoração foi notável. Papai abriu até sua garrafa especial de whisky de fogo para comemorarmos. Mamãe não conteve por muito tempo a emoção e chorou copiosamente depois da segunda taça de bebida, enquanto nós apenas riamos da cena.
Já bem depois da meia noite nossos irmãos foram embora para suas casas e fomos todos dormir. Apesar de não ter hora para acordar no dia seguinte, mamãe nunca nos deixava acordados até muito tarde.
Nós teríamos três meses de férias e depois disso eles iriam para seus treinamentos enquanto eu iria fazer o que quer que seja que eu escolha até lá. As duas primeiras semanas em casa foram de total e completa ociosidade. Estávamos descansando tudo o que o ultimo ano letivo havia nos cansado e por incrível que pareça ninguém nos atrapalhou todas as vezes que quisemos dormir no meio da tarde.
Hermione nos visitou umas quatro ou cinco vezes, para a alegria de mamãe e felicidade extrema de Rony, e nessas ocasiões sempre dávamos muitas risadas e éramos entupidos de comida por D. Molly. Nesse tempo que ficamos em casa mamãe não insistiu em controlar nossos passeios nem nossos horários, o que me fez acreditar que ela finalmente havia percebido o quanto crescemos.
Mais ou menos na metade do mês de julho eu comecei a ficar seriamente preocupada com o presente de aniversario do Harry. Eu já sabia que não conseguiria dar a ele nada parecido com os presentes lindos que ele sempre me dava, por isso eu fui ficando cada vez mais constrangida.
Eu pensei em pedir a ajuda de Rony ou Hermione, mas desisti porque queria que o primeiro presente que ele ganhasse de mim fosse totalmente autentico, ideia minha. O problema era que nada que eu pensava se mostrava à altura dele ou do que eu sentia e o fato de não ter dinheiro ajudava muito para o insucesso de tudo que se mostrava aceitável.
Eu nunca senti vergonha da condição financeira da minha família e não sentiria agora justamente com meu namorado, mas eu considerava a situação um tanto constrangedora, visto a quantidade de presentes caros que ele havia me dado até hoje. Faltando três dias para o seu aniversário eu decidi que não haveria nenhuma possibilidade melhor ou mais significativa do que a ideia que eu havia deixado em segundo plano até agora, então comecei a me esforçar para desse certo.
Eu acordei no dia 31 de julho com a ideia em mente de pedir para que mamãe fizesse um bolo e uma daquelas coisas gostosas que ela sempre faz, mas como já era de se imaginar não foi preciso, pois assim que entrei na cozinha, bem cedo, ela e Monstro já se empenhavam em vários pratos diferentes para comemorar os 19 anos do meu namorado.
Como qualquer ajuda que eu ofereci foi terminantemente dispensada sob o pretexto de que eu mais atrapalharia do que ajudaria, fui para o meu quarto novamente terminar a carta que eu levava dois dias escrevendo. Há dois anos eu havia dado a ele um beijo de presente de aniversario e ele se mostrou muito feliz em recebê-lo, então agora eu daria algo que lembrasse o meu cheiro e os nossos bons momentos juntos.
Assim que ele e Rony acordaram eu soube, pois a barulheira foi geral e as conversas também. Quando os ouvi passando pelo corredor desci também para tomarmos café da manhã juntos. Ao entrar na cozinha vi mamãe já agarrada a Harry lhe desejando todos os votos de felicidades do mundo e em cima da mesa um suéter de lã extremamente grossa que ela mesma havia feito para que ele levasse para a Academia de Aurores em setembro.
Sentei-me à mesa e esperei que todos estivessem sentados também até começar a comer. Rony terminou rápido porque havia combinado de buscar Hermione em sua casa para que ela passasse o dia aqui conosco.
Logo que ele saiu eu conclui que aquela seria a melhor hora, porque assim que ela chegasse iríamos nos juntar e passar a tarde toda juntos, como sempre. Então esperei apenas que ele terminasse seu café o chamei para caminhar um pouco.
—Terminei, vamos? — Convidou já se levantando da mesa, após meu convite.
—Claro, só preciso ir ao meu quarto antes. — Respondi e corri escada acima.
Ao retornar eu trazia comigo a carta que havia escrito e na qual eu dizia tudo que senti nesses anos todos e o quanto ele era importante para mim, e um embrulho contendo o presente mais simples do mundo.
—Não acredito. — Ele argumentou a contra gosto quando me viu.
—Você não achou que eu fosse deixar seu aniversário passar em branco, achou? — Perguntei segurando a mão que ele me oferecia e saindo para o quintal em sua companhia.
—Pois deveria. — Respondeu normalmente. — Você sabe que não me importo para presentes.
—Você vai gostar desse, tenho certeza. — Finalizei o assunto sorrindo para ele.
Caminhamos até um ponto muito bonito que havia nos limites dos quintais d’A Toca, onde já não víamos a casa nem o galinheiro, mas a paisagem era muito atraente, e assim que nos sentamos na grama eu entreguei primeiro a carta, que ele leu sorrindo o tempo todo antes de me abraçar.
—Só com isso eu já estaria mais que feliz. — Falou ainda abraçado à mim.
E então eu entreguei o embrulho.
—Eu espero que você se lembre e que goste. Não consegui pensar em nada melhor para te dar. — Falei um pouco sem graça enquanto ele abria o pacote.
Pelo visto ele gostou, e certamente também se lembrava, já que sorriu pra mim quando viu o que era.
—Se não estou muito enganado esse era o pijama que você usava para dormir comigo na Austrália, não era? — Falou sorridente.
Eu ri antes de responder e enquanto ele cheirava a peça.
—Dormi com ele hoje e pela manhã apliquei um feitiço para que o cheiro não saia. — Respondi corando um pouco. — Espero que seja útil nos dias em que você ficar longe de mim.
Depois disso, nosso passeio acabou com mais uma visita à casa da arvore que ele e eu tanto gostávamos. Ao voltar para casa, algumas horas depois, Ron já estava lá com a namorada e mamãe já estava arrumando a mesa para o almoço, que seria servido em breve.
A tarde passou rápido, assim como a comemoração simples que mamãe preparou apenas para nos e Jorge. Hermione deu a ele um livro (mais um), Jorge deu alguns artigos da loja que segundo ele seriam uteis quando quiser uma folga do treinamento pesado que o espera e Rony deu alguns pares de meias para que Harry parasse de pegar as dele emprestadas.
Passado o aniversario dele, era a vez do meu, que acontecia apenas doze dias depois. Eu não sabia o que esperar dessa data, só sabia que Harry prepararia algo especial, assim como fez no ano anterior.
Na semana que antecedeu ele esteve meio ausente e houve inclusive um dia que saiu só com Hermione, deixando Ron enciumado e eu morrendo de curiosidade. Era estranho pensar que eu não sentia ciúme algum dela, mas eu gostava que isso fosse assim.
Aparentemente mamãe sabia o que se passava ao redor, já que de uns dias para cá me olhava sempre com os olhos emocionados e no dia anterior ao meu aniversario inclusive derramou uma ou duas lagrimas quando eu perguntei o que ela tinha.
O dia 11 de agosto amanheceu nublado e com algumas ameaças de chuva, mas visto o barulho que vinha do andar de baixo, isso não atrapalharia em nada os planos para hoje. Assim que sai do quarto Hermione me esmagou em um abraço super apertado enquanto me entregava um livro sobre todas as profissões e o que faziam, para que eu pudesse escolher mais facilmente.
Assim que apareci na cozinha mamãe me deu um abraço de urso e entregou para mim um casaco feito por ela também, e que era realmente muito bonito. Ron não me deu presente algum, mas se desculpou e me desejou parabéns.
Harry foi o ultimo a me cumprimentar e curiosamente não me deu nada, alem de um beijo e felicitações. Eu não achei ruim, mas estranhei o fato, já que não era muito a cara dele fazer essas coisas. Tomei café com todo mundo e observei Monstro muito sem graça ao me entregar um gorro de lã que ele mesmo havia feito e desejar parabéns quase encostando o nariz no chão.
Quando meu pai chegou trazendo Percy e Jorge eu tive meu costumeiro parabéns cantado em frente ao bolo rosa que minha mãe fez, apaguei algumas velinhas e, para total surpresa, saí para jantar — só com Harry. O mais impressionante disso tudo era que mamãe e papai sabiam e me apressaram, dizendo que eu iria me atrasar.
Assim que sai para o quintal com ele foi impossível não rir ao ver meus irmãos questionarem o fato enquanto meus pais apenas davam de ombro e os convidavam para outro pedaço de bolo.
Meu namorado me levou a um restaurante no centro de Londres onde comemos um jantar simples, mas maravilhoso, e depois me levou para caminhar em uma praça muito bonita que havia no centro trouxa da cidade e que ate então eu não conhecia.
Eu o sentia um pouco nervoso enquanto tentava me falar alguma coisa que intimamente eu já sabia o que era, e eu estava tão nervosa quanto ele para falar o ‘sim’ que certamente ele ouviria assim que pronunciasse.
Para mim não importava que fossemos muito jovens ou que estivéssemos namorando apenas há um ano, desde os meus onze anos eu sabia que ficaria com ele no fim, e que essa era a coisa certa a se fazer. Quando ele sugeriu que eu deveria decorar o Largo Grimould da maneira que mais me agradasse para que ficasse com a nossa cara disse também que o pedido seria feito de maneira especial.
E foi.
Não houveram palavras decoradas, ele não ficou de joelhos e nem me fez uma serenata. Ao contrário, ele gaguejou, como eu imaginei que faria, e quase não conseguiu terminar a frase, mas me deu um sorriso lindo quando eu respondi que passaria o resto da minha vida com ele. O anel que e ganhei não era novo, nem muito menos de uma grife famosa, mas era o mesmo anel que Thiago havia pedido Lilian em casamento, e saber disso o fez tão especial para mim quanto era para ele.
Foi a noite mais mágica em meus dezoito anos de vida, e eu devia isso ao moreno de olhos verdes que sorriu ao meu lado o tempo todo enquanto andávamos ao redor do lago embaixo de uma garoa fina. Em alguns momentos de silencio eu me lembrei da cara da minha mãe para mim nos últimos dias e o sorriso enciumado do meu pai quando saímos de casa.
—Meus pais sabem disso? — Perguntei olhando-o.
—Sabem. Eu pedi para o seu pai na semana passada. — Respondeu meio sem graça. — Ele precisou completar o pedido por mim e dizer que permitia, porque eu não consegui falar a frase inteira.
Ao fim ele riu um pouquinho e eu gargalhei abertamente, recebendo um olhar tímido para depois me desculpar.
—Desculpe, deve ter sido engraçado. — Me desculpei e ele riu também. — Meus irmãos já sabem também?
—Não, só Hermione, que me ajudou a escolher o lugar. — Quero contar pra todo mundo junto com você. — Respondeu me abraçado.
—Estou muito feliz. Obrigada! — Falei ainda abraçada a ele e depois de um momento de silencio.
—Eu também. E eu tenho mais a agradecer do que você. — Respondeu fazendo carinho nos meus cabelos.
—Por quê? — Perguntei confusa.
—Porque você vai me dar uma família. E eu nunca tive isso. — Disse calmamente.
Eu engoli bravamente a vontade de chorar diante dessa afirmação e o abracei ainda mais apertado.
—Vou sentir saudades quando você estiver fora. — Mudei de assunto.
—Eu também, linda. — Deu um beijo na minha testa. — Mas poderei voltar para casa a cada dois meses, ou até antes, e vou escrever sempre para você.
—É bom mesmo que escreva. — Respondi ainda abraçada a ele e rimos juntos, antes de voltar a caminhar.
Chegamos em casa muito tarde naquela noite, e pela primeira vez na minha vida, não havia ninguém me esperando. Para não abusar, eu fui para o meu quarto e ele foi se deitar no quarto do Ron, onde normalmente dormia quando estava aqui.
O dia seguinte ao meu aniversário foi repleto de perguntar de todo mundo e lagrimas da minha mãe, que dizia não poder imaginar ninguém melhor que o Harry para mim e ninguém melhor que eu para ele. Papai nos parabenizou e pediu para que não apressássemos as coisas.
Ron ficou vermelho quando soube e Hermione precisou pedir para que ele respirasse. Jorge e Percy ficaram sabendo por mim, naquele mesmo dia, e enquanto Jorge nos parabenizou e exigiu que dormíssemos em quartos separados depois do casamento pelos próximos cinco anos, Percy começou cedo demais a dizer que nossos pais estavam loucos em achar aquilo normal.
Já estávamos na metade do mês de agosto e o ano letivo começaria em setembro, o que significava que eu deveria me matricular logo em alguma coisa caso não quisesse perder tempo. Por isso comecei a ler o livro que Hermione havia me dado e encontrei uma matéria muito interessante sobre pessoas que escreviam para o Profeta Diário.
Uma semana antes de embarcar para a Academia, Harry comprou quatro ingressos para o jogo de Quadribol das Harpias de Holyhead contra Flechas de Appleby, e foi nesse dia que eu decidi que seria comentarista de esportes para algum jornal bruxo.
—Tem certeza, Gina? — Minha mãe perguntou pela milionésima vez desde que eu comecei a preencher minha ficha para ser aceita na escola de jornalismo do Profeta.
—Sim, mamãe, tenho certeza. Eu sempre gostei de esportes, o que mais posso fazer? — Respondi de novo a mesma coisa.
Harry e Hermione aprovaram a ideia assim que eu os comuniquei, e Ron aprovou porque a namorada havia aprovado, mas estava tudo bem.
No dia em que os três embarcaram para a cidade bruxa onde o treinamento era realizado eu acordei me sentindo extremamente triste, como todos em casa. O embarque seria ao meio dia, então tivemos pouco tempo juntos antes de leva-los até o ponto onde a chave de portal os esperava.
Eu não era muito de chorar, mas não consegui segurar as lagrimas ao me despedir de Harry.
—Não chore amor, nós vamos nos ver sempre que possível e eu vou escrever para você toda semana. — Prometeu me abraçando e eu apenas assenti. — E não se esqueça da nossa casa, você precisa fazer um excelente trabalho nela.
Terminadas as despedidas eles se foram e eu voltei para casa com a minha mãe, que também havia derramado algumas lagrimas. Assim que aparatamos e entramos no quintal d’A Toca uma coruja acinzentada pousou em meu braço e deixou que eu pegasse o envelope que trazia, para sair voando novamente depois de pegar um biscoitinho que ofereci a ela.
Era minha carta de aceitação no Profeta, junto com uma bronca por eu ter deixado tão para cima da hora. As aulas começariam em quatro dias, e a primeira coisa que fiz foi escrever a primeira de muitas cartas para Harry, já contando as primeiras novidades.
Jornalismo bruxo era mais interessante do que eu pensei e a reforma da casa dava mais trabalho do que eu podia imaginar. Como as aulas eram sempre pela manhã, eu tinha as tardes livres para me dedicar ao meu futuro lar.
Monstro ia todos os dias comigo ao Largo Grimould e isso tornou tudo muito mais fácil. Quando dei a ordem para que ele tirasse a arvore genealógica e o quadro da Sra. Black da parede ele ficou extremamente dividido, então tive que usar todo meu poder de negociação para convencê-lo.
—Você pode ficar com eles para você, Monstro, mas temos que tirar das paredes. — Argumentei pela ultima vez e ele aceitou.
Difícil foi ouvir a gritaria da Sra. Black enquanto seu quadro era removido, por isso eu me retirei para o andar de cima e comecei a esvaziar os quartos. No fim, quando já estava tudo limpo e já sem toda a tralha dispensável, é que pude perceber como aquela casa era grande e perfeita, em certo sentido.
Toda essa limpeza inicial demorou mais de um mês para terminar, e antecedeu em duas semanas a primeira visita do Harry desde que começou a Academia. Ele podia passar apenas um fim de semana em casa, e eu não o deixei ver como nossa casa estava, pois a primeira ida dele até lá deveria ser uma surpresa.
Após a limpeza total começou a parte mais constrangedora para mim: comprar as coisas. Eu estava totalmente empolgada com a ideia de ter um lar como aquele, do jeito que toda mulher sonha, mas ainda me sentia mal em não poder ajudar em nada financeiramente. A questão principal era que Harry me deixava tão a vontade para fazer essas coisas que esse sentimento logo deu lugar à vontade impressionante de surpreende-lo com tudo que podíamos fazer naquela casa.
A primeira coisa foi clarear todas as paredes e o chão, o que fez com que aquele ambiente escuro e pesado desse lugar à uma casa clara, ampla e iluminada. Não era prioridade, mas eu não resisti em comprar alguns quadros coloridos para enfeitar alguns ambientes.
A segunda visita de Harry, no Natal, chegou junto com o termino de toda a reforma de cores e acabamentos, e pela primeira vez desde que entregou as chaves a mim, ele pode entrar em nossa casa.
Ao contrário do que ele havia deixado, o que o surpreendeu assim que abriu a porta foi um ambiente iluminado, claro, aconchegando mesmo que sem nenhum móvel, e com cara de lar. A julgar pela maneira como reagiu, ele aprovou todas as mudanças que foram feitas e ressaltou, um milhão de vezes, que ele próprio não teria feito um trabalho tão bom.
Após o ano novo ele voltou para a Academia com Rony e Hermione e eu voltei à minha rotina de sempre, estudando pela manhã, visitando nossa casa e um milhão de lojas pela tarde e sendo paparicada pelos meus pais a noite.
A maior vantagem de ser a única filha da família e morar só com os pais é que eles dedicam total atenção a tudo que você quer. E desde que a noticia de que assim que Harry concluísse o treinamento nos casaríamos ficou conhecida pela família eu estava recebendo mais atenção do que o normal.
Mamãe sempre que possível deixava seus afazeres de lado e visitava varias lojas comigo. A princípio foram apenas lojas bruxas, mas depois de algumas insistências ela aceitou conhecer algumas lojas de decoração trouxa e concordou comigo que eles tinham um bom gosto inquestionável.
Dois meses após o ano novo, quando Harry viria nos visitar novamente, eu recebi uma carta dele avisando que não seriam liberados naquele fim de semana e pedindo um milhão de desculpas. Eu estava extremamente ansiosa para mostrar a ele a decoração que havia feito em nosso quarto, e a noticia me decepcionou um pouco, mas eu entendi que ele viria, se fosse possível.
Em abril ele pôde ficar quatro dias comigo, e aproveitamos ao máximo nosso tempo juntos para namorar, matar um pouquinho da saudade imensa e ter ideias para os outros cômodos, já que eu não havia terminado todos.
Os meses seguintes coincidiram com as minhas provas anuais, então quando ele veio me visitar, em junho, eu não consegui ficar muito tempo com ele, porque tinha uma montanha de livros para ler. Como sempre, Harry foi totalmente compreensivo e ficou ao meu lado, em silencio, quase o tempo todo, apenas me fazendo um carinho gostoso.
Ele estava entrando em uma época mais pesada de treinamentos, e por isso não conseguimos nos ver no aniversário dele, nem no meu. Apesar disso, eu não deixei de enviar um pequeno bolo pra ele, com um cartão de parabéns que encontrei em uma loja trouxa enquanto tentava encontrar um sofá perfeito para nossa casa.
Sua próxima visita aconteceu apenas em outubro, quando ele estava totalmente sem graça e eu fui obrigada a interromper seus pedidos de desculpa com um beijo informando que tínhamos coisas mais interessantes para fazer naqueles dois dias do que pedir desculpa e ser desculpado.
À essa altura nossa casa já estava quase toda pronta, faltavam apenas algumas coisas na cozinha porque eu não tinha certeza se ele gostaria de algo totalmente bruxo ou como era em sua antiga casa. Depois de conversar sobre isso, decidimos montar a decoração trouxa e colocar magia nos objetos, assim agradaria a nós dois.
Quando ele veio para o Natal eu ainda não havia comprado as coisas que faltavam, porque se não a ansiedade iria me corroer até que ele voltasse para que eu mostrasse tudo. Não foram umas férias muito longas, duraram apenas 5 dias, mas não nos desgrudamos um minuto sequer.
Durante essas visitas esporádicas eu notava como Rony e Hermione estavam cúmplices ultimamente, mais sincronizados, sem tantas brigas. Essas ocasiões me fazia imaginar como Harry deveria estar se sentindo sozinho, exatamente como eu me sentia aqui.
Faltando três meses para o fim do treinamento de auror ele fez sua ultima visita antes de retornar de vez para casa. Foi apenas um fim de semana, como quase todas as outras, mas eu estava morrendo de saudade, então fizemos questão de aproveitá-lo ao máximo.
Meu curso de jornalismo também estava na reta final e por isso não tive muito tempo para mais nada. Eu havia me identificado muito com o que escolhi fazer, e isso ajudava muito para que meu rendimento escolar fosse exemplar.
Nossa casa já estava pronta, apenas esperando que fossemos felizes nela, e como não havia mais o que fazer eu apenas pedi para que Monstro a mantivesse limpa e organizada para quando Harry voltasse.
No final de junho eu terminei minhas ultimas provas e fui declarada oficialmente jornalista. A vaga que eu queria, para comentar a coluna de esportes, já estava preenchida e por isso precisei escolher alguma outra que estivesse livre. Por esse motivo, minha vida profissional iniciou como colunista da previsão do tempo. Pois é, nada é perfeito.
Eu comecei a trabalhar duas semanas depois do fim das minhas aulas, e Harry foi a primeira pessoa a saber da novidade pela carta que eu enviei. Sua resposta chegou dois dias depois, com um parabéns empolgado e a noticia maravilhosa de que era a ultima semana de testes e o retorno estava marcado para o dia 31, mesmo dia em que completaria 21 anos.
No dia em que recebi a carta faltavam quatorze dias para o seu retorno, e eu não sabia como comemorar a empolgação que estava sentindo. Pelo menos dessa vez eu teria o presente perfeito para dar a ele.
Os dias se arrastaram a partir de então, e quando o sábado que ele chegaria amanheceu eu quase não me contive de ansiedade. Sem que fosse preciso alguém me chamar eu levantei cedo, me arrumei, tomei café e uma eternidade depois aparatei na estação de trem onde ele chegaria, vinte minutos antes do horário previsto para o seu retorno.
Assim que aquele trem de viagem, totalmente trouxa, estacionou na plataforma e as portas se abriram, eu senti meu coração bater mais rápido que os rasantes que meu namorado costumava dar atrás do pomo de ouro em nossos jogos na escola.
Rony e Hermione desceram primeiro, abraçados e sorridentes. O abraço que ganhei deles foi duplo e me fez sorrir de pura felicidade antes de parabenizá-los pela formação enquanto eles faziam o mesmo comigo. Hermione comentou também como eu estava linda, o que me fez ficar sem graça e Ron chamá-la de mentirosa, em tom de brincadeira.
Harry desceu logo atrás, trazendo aqueles olhos verdes que me tiravam dos eixos e sorrindo de canto para mim, como sempre fazia quando ficávamos muito tempo sem nos ver. Assim que ele me abraçou, com tanto entusiasmo que me tirou do chão, eu ganhei o beijo mais apaixonado do mundo, que fez meu coração disparar.
—Oi, auror. — Falei sorrindo como boba para ele.
—Oi, jornalista. — Respondeu da mesma maneira e rimos um para o outro.
—Feliz aniversário. — Desejei levantando o molho de chaves preso em um laço azul feito com fita de cetim.
—O que é isso? — Perguntou tirando o presente das minhas mãos e olhando atentamente.
—O lar que você me pediu. — Respondi olhando-o apaixonadamente.
O abraço que ele me deu em seguida me fez ter certeza de que ele estava tão feliz quanto eu em estarmos juntos e de que a escolha do presente havia sido perfeita.
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