Notas iniciais
Notas finais importantes. Enjoy!

POV Harry

Os anos na Academia de Aurores me fizeram relembrar, de uma maneira bem mais descontraída, do tempo em que eu procurava freneticamente por Horcrux que eu nem sabia o que eram. Ron, Mione e eu estávamos juntos novamente e os treinamentos eram bem práticos para serem caracterizados como simples treinamentos, e foi numa dessas ocasiões que eu entendi que era realmente possível que o professor Moody não tivesse parte do nariz e que eu percebesse o tamanho absurdo da sorte que eu tive por ainda estar vivo.

Voltar para casa no dia do meu aniversário foi, no sentido mais literal possível, um presente pra mim. Assim que desembarquei Gina já estava me esperando na plataforma e com um sorriso enorme no rosto, demonstrando tamanha satisfação em me ver que era impossível não me sentir um pouco bobo com esse fato. Não sei se foi o tempo longe e a correria que sempre estávamos quando nos víamos, mas ela estava incrivelmente linda.

Eu estava com tanta saudade dela, e me sentindo tão adolescente com a proximidade do seu corpo quando aparatamos abraçados, que assim que cruzamos os portões da frente d’A Toca eu falei para Ron e Mione irem à frente e a puxei para trás de uma árvore grande do jardim para darmos uns amassos cobertos com a capa da invisibilidade, que eu ainda carregava comigo para todos os lados.

—Agora eu sou uma jornalista, sabia? Você precisa me respeitar. — Falou meio sem fôlego enquanto eu beijava seu pescoço e descia minhas mãos pelas suas costas em direção aquele bumbum durinho e tentador.

—E eu sou um auror, estou treinando como enfraquecer suas defesas. — Respondi e ela riu correspondendo minha empolgação.

Alguns minutinhos a mais de pegação e ela se separou de mim, respirando fundo, antes de dizer:

—Vamos, precisamos entrar logo. Estão todos ai.

—Tenho outra festa surpresa? — Perguntei tentando me concentrar em outra coisa para que a situação fosse o menos embaraçosa possível quando eu entrasse na casa.

—Sim. E finja que está realmente surpreso. — Finalizou e recomeçou a andar em direção à casa me puxando pela mão.

Todo o meu trabalho de concentração foi desperdiçado ao vê-la caminhar rebolando na minha frente. Eu busquei na minha memória as cenas da escola e dos verões que passei aqui apenas para confirmar que aquele não era seu jeito natural de andar e que ela estava de fato me provocando.

Minha festa surpresa aconteceu como todos os anos: Weasleys reunidos, suéter de lã de presente, bolo caseiro muito bom e muitos pratos deliciosos para todos comerem. A exceção esse ano era que a Sra. Tonks havia trazido Teddy para me ver e ele estava aparentando muita felicidade com os cabelos roxos e assim que entrei na cozinha ele deu um jeito de pular para o meu colo.

Quando todos já haviam feito seus respectivos grupos de conversa, eu estava encostado no armário da cozinha, com Teddy já meio sonolento no meu colo e Gina ao meu lado abraçada a mim e brincando com ele. Eu assistia aquela cena com um misto um pouco estranho de sentimentos, porque ela me mostrava a perspectiva de uma posição que eu estive durante muito pouco tempo e ao mesmo tempo a vaga ideia do que eu iria representar para alguém dentro de alguns anos.

—Não dava pra ter esperado mais um dia, não? — Ron perguntou chegando perto de nós e se referindo à hora em que chegamos.

—Desculpa cara, mas olhando tudo isso não dava não. — Respondi apontando o corpo da minha noiva.

Ron riu conosco depois que falei, há tempos ele não era mais o irmão ciumento de antes e isso facilitou muito meu relacionamento com a protegida dele.

—Percy acabou de puxar o assunto sobre o casamento de vocês. — Hermione informou encostando confortavelmente no Ron, que se encostou no armário ao nosso lado.

—E o que foi dessa vez? — Gi perguntou fazendo uma careta e arrancando uma gargalhada sonolenta do nosso afilhado. — Dessa vez o Harry vai me largar pra ir atrás da primeira aventura ridícula que aparecer, da primeira bruxa gostosona ou ele voltou a ser só o moleque aparecido que não me merece?

Eu não gostava de quando ele falava aquele monte de besteiras, porque eu sabia que por mais que ela demonstrasse não se afetar e brincasse com a situação eu sabia que por dentro existia um pouco de medo infundado de que aquilo acontecesse realmente.

—Sei lá, não ficamos pra ouvir. — Foi o Ron que respondeu. — Quando ele puxou o assunto nós saímos porque ele me irrita quando fala assim. O Percy tem que entender que agora tem um auror na família e que se o Harry te largar eu consigo matá-lo bem lentamente. Hermione deu um tapa no ombro dele, mas todos nós rimos com o comentário.

Já bem depois da meia noite a Sra. Tonks apareceu na cozinha, onde nós quatro ainda estávamos conversando e eu segurava um Teddy profundamente adormecido no colo, para levá-lo para casa. Eu me ofereci para levá-lo até lá, mas ela disse que não era necessário e minutos depois já desaparecia de vista levando-o.

Era mais do que óbvio que ninguém nos deixaria dormir juntos n’A Toca, então assim que Hermione e os pais, os últimos a sair, foram embora a Sra. Weasley mandou todos irmos dormir, pois provavelmente estávamos cansados.

Como o dia seguinte ao nosso retorno era domingo, ninguém trabalharia e por isso minha sogra deixou que dormíssemos um pouco mais do que o normal. Tomamos café já quase na hora de almoçar e assim que terminamos Gina me levou para conhecer a nossa casa. Da mesma forma como no dia em que saímos para jantar, ninguém questionou ou tentou nos impedir de ir sozinhos.

—Sério amor, se você não gostar é pra falar! — Gina repetiu pela décima vez desde que saímos d’A Toca e assim que paramos em frente à porta da nossa casa.

—Eu vou gostar, tenho certeza! — Ela estava colocando a chave na porta e parou de súbito ao ouvir minha resposta.

—Assim não vale, você nem viu ainda. — Argumentou virando-se para mim e eu aproveitei o momento para tirar a chave da sua mão. — Devolve! — Pediu rindo quando eu já estava destrancando a porta.

—Não devolvo não, eu quero conhecer a nossa casa e você fica enrolando, estou curioso! — Finalizei rindo e abrindo a porta no mesmo momento em que ela tampava meus olhos com as mãos, me impedindo de ver.

Eu podia ter tirado suas mãos do meu rosto facilmente, mas não queria estragar sua brincadeira, então fechei a porta com o pé, trancando-a com a varinha, e acompanhei sua risada descontraída.

—Antes de deixar você ver eu vou pedir de novo para que você me fale se não tiver gostado, ok? — Perguntou bem perto de mim.

—Ok, senhorita. Posso conhecer minha nova casa agora? — Perguntei irônico e abraçando-a.

—Agora pode. — Respondeu depois de me dar um selinho e em seguida tirou as mãos dos meus olhos.

A casa que se estendeu à minha frente era realmente um lar, muito diferente do lugar pesado e completamente desaconchegante que havia nesse mesmo endereço antes. Gina estava um pouco insegura ao meu lado, me olhando em duvida, mas acho que minha expressão de surpresa boquiaberta a fez se sentir um pouco melhor.

A sala ampla era agora toda branca, com uma decoração de cores neutras e suaves, alguns sofás de aparência muito confortável e uma TV enorme em uma das paredes. No canto oposto uma lareira de pedras também neutras e um quadro abstrato de muito bom gosto que não combinava em nada com o tapete bege, mas proporcionava um contraste agradável.

De momento, parado onde eu estava, era a única parte da casa que eu conseguia ver, sem contar a escada que agora possuía um corrimão de madeira e degraus completamente reformados.

—E então? — Perguntou ansiosa.

—Para você não dizer que estou sendo tendencioso, vou dizer apenas que a sala está perfeita. Eu certamente não teria feito um trabalho tão bom quanto você fez. Agora quero ver o resto. — Anunciei segurando sua mão e já a puxando para onde ficava a cozinha.

Mais uma vez não me decepcionou, ambiente claro e amplo com vários artigos trouxas, como nos combinamos que seria, e uma pequena mesa para quatro pessoas. Ela havia reduzido o cômodo e usado parte da sala para fazer uma sala de jantar com uma mesa de madeira com dez lugares.

—Teremos uma família bem grande, Harry! — Foi sua resposta quando eu perguntei se tudo aquilo não era exagero.

O minúsculo quartinho de bagunça que havia anexo à cozinha agora estava limpo, reformado e com uma pequena cama infantil. Na parede ao lado, o que me fez ter certeza de que se tratava do quarto de Monstro: o retrato da Sra. Black.

—Você não se importa, não é? Ele me ajudou tanto que não tive como negar isso a ele. Não que ele tenha pedido, é claro... — Minha namorada se justificou quando eu a questionei.

—Desde que ela não grite... — Respondi baixo e dando de ombros enquanto fechava a porta.

Ao invés de fazer o caminho de volta à sala, Gina me puxou para uma portinha lateral que antes não existia na cozinha.

—Agora uma surpresa, espero que você goste. — Falou abrindo a porta para um jardim que antes não existia ali.

Não era tão grande quando o quintal d’A Toca, mas com certeza era suficiente para duas ou três crianças brincarem até se cansar e para recepcionar as festas de aniversário que com certeza nossos filhos teriam todos os anos. Apesar de ter adorado, eu ainda não entendia exatamente como aquilo havia sido feito.

—Feitiço Indetectável de Extensão. — Me explicou antes mesmo que eu perguntasse. — O mesmo que Hermione fez naquela bolsinha antes de vocês viajarem. Quase todas as noites eu a via guardando coisas ali e me lembrei disso numa das noites que estava em casa pensando que nossos filhos precisariam de um espaço seguro e amplo para brincarem, já que a casa fica num lugar muito urbano.

—Sério, você é perfeita! — Falei enquanto a abraçava e grudava nossos lábios num selinho demorado.

A próxima parte foi conhecer o andar de cima, que se dividia entre um corredor longo e igualmente branco e iluminado. A primeira porta à nossa esquerda era onde antes ficava o quarto de Regulus, e agora havia se transformado em um espaçoso quarto de hospedes com uma cama de casal e uma pequena cômoda.

—Eu não quis colocar muitos moveis aqui, porque esse vai ser o quarto do nosso menininho e a gente logo ia ter que tirar tudo de qualquer forma. — Gina me explicou sorridente e eu me senti um pouco emocionado ao vê-la falar com tanta certeza de que teríamos um filho em breve.

A segunda porta era decorada quase da mesma maneira, à exceção de que ao invés da cama de casal haviam duas camas de solteiro com camas auxiliares. Eu imaginei que pelos mesmos motivos do anterior.

—E esse vai ser o quarto da nossa menininha. — Informou e eu já quase pude imaginar uma menina, linda como a mãe, bagunçando todo aquele espaço milimetricamente organizado.

A terceira porta à direita revelava um banheiro espaçoso e bem decorado, mas sem luxos desnecessários. Eu me lembro bem de que sempre que a visitava ela me perguntava se havia uma quantia máxima que eu esperava gastar em nossa casa para que se refreasse e eu sempre disse que não. Numa das ultimas visitas, inclusive, ela comentou que achava que havia se excedido um pouco nas compras, no entanto até agora eu havia notado tudo muito simples, com extremo bom gosto, mas nada que me fizesse imaginar excesso de gastos.

—Amor... — Chamei enquanto ela se dirigia à ultima porta, logo em frente, onde provavelmente seria nosso quarto. — Você me disse que havia se excedido um pouco em algumas compras, mas até agora sinceramente não vi nada que fosse exagerado. Quer dizer, está tudo muito lindo, mas não vi nada de exagero.

—Até agora... — Ela respondeu um pouco corada antes de abrir a porta do ultimo cômodo que faltava me apresentar.

Meu queixo quase foi parar no chão, literalmente. Nosso quarto era amplo, com uma cama gigantesca no centro, uma televisão enorme à frente, uma poltrona de descanso e na parede oposta à entrada duas portas até então fechadas.

Nossa cama estava arrumada com lençóis, edredons, colchas e não sei mais o que, todos em harmoniosos tons azuis claros e ao lado dois criados mudos davam um toque mais clássico à decoração. A poltrona, eu tive certeza só de olhar, era quase tão confortável quanto a cama.

—Acho que encontrei! — Falei ainda boquiaberto com o que via.

—Ainda não acabou. — Ela falou depois de rir e me puxando pela mão até a primeira porta da parede oposta.

Assim que ela revelou o que havia por detrás, um banheiro enorme, com uma banheira enorme e completamente decorado em pedras brancas e pretas se estendeu à nossa frente. Mais uma vez eu fiquei boquiaberto e mais uma vez ela me olhou em duvida.

—Essa banheira já está me dando ideias desde agora. — Pisquei maliciosamente para ela ao final da frase.

Ela riu abertamente e descontraída antes de me puxar de novo para a última porta. Assim que entramos me deparei com um ambiente completamente coberto por guarda roupas e com um chaise branco ao centro. Tudo ainda estava vazio, mas com certeza cabia ali muito mais coisas do que nós dois tínhamos.

—Não resisti fazer um closet, eu nunca tive um! — Explicou-se com os olhos brilhando e me fazendo rir e abraça-la. — Você gostou?

—Muito mesmo. — Respondi me sentando no chaise e trazendo-a junto comigo.

—Do que você mais gostou?

—Do nosso quarto, com certeza. — Respondi sem nem precisar pensar.

—Você não achou exagerado? Acha que deveria ter feito algo mais simples? — Questionou ainda parecendo em duvida.

—Exagero? Ficou perfeito! Passei metade da minha vida dormindo embaixo de uma escada, então agora que eu posso pagar qualquer exagero é pouco. — Respondi gesticulando e indicando o espaço à nossa volta.

—Bom, eu não dormi embaixo de uma escada, mas você sabe como meu quarto é muito simples. Então eu não consegui frear esse impulso. — Falou divertida me abraçando. — Mamãe achou um absurdo quando veio aqui pela primeira vez, mas adorou.

Gina terminou de falar sentada no meu colo e com os braços ao redor do meu pescoço, o rosto bem próximo ao meu. Mal ela havia terminado a frase e eu já a estava beijando com toda a pressa do mundo e com toda a saudade que senti nesse tempo longe, e como sempre eu fui correspondido com a mesma vontade.

Eu já estava explorando todas as partes estratégicas do seu corpo e ia começar a subir sua camiseta quando ela segurou minhas mãos e disse “Não”.

—Por que não? — Perguntei confuso, mas ainda beijando seu pescoço e tentando delicadamente soltar minhas mãos de seu fraco aperto.

—No nosso quarto não. — Falou meio sem fôlego e se afastando de mim para me olhar. — Em qualquer outro lugar da casa que você quiser, mas no nosso quarto não.

—Algum motivo especial? — Questionei voltando a acariciar suas coxas, que estava ao redor do meu quadril.

—Sim, é o nosso quarto. E eu quero que ele seja um lugar especial para nós dois depois que nos casarmos. — Explicou com os braços ao redor do meu pescoço e acariciando minha nuca. — Foi a parte da casa que mais me dediquei e que mais pensei em nós ao decorar, então não vai ter graça se a gente simplesmente fizer amor e for embora. Eu quero ficar com você aqui, namorar, dividir nossos problemas, nossas felicidades. Por isso.

—Hummm... É que aquela cama me pareceu tão confortável. — Argumentei divertido e beijando novamente seu pescoço.

—E é! Eu dormi durante uns quarenta minutos nela uma vez enquanto Monstro limpava o andar debaixo. — Olhei para ela fingindo estar bravo e ela riu. — Foi só uma vez, juro!

Ri com ela antes de me levantar e sair do nosso closet em direção ao corredor, trazendo-a junto comigo.

—Então é só o quarto que não pode ainda? — Perguntei e ela assentiu. — Qualquer outro lugar? — Assentiu novamente. — Então vamos, adorei o sofá da sala.

Gi também não quis deixar que tomássemos banho no banheiro do nosso quarto, porque ele também merecia uma estreia digna, então fizemos isso no banheiro que havia no corredor. Eu estava fazendo carinho em seus cabelos e estávamos em silencio sob a água quando eu perguntei.

—Quando você quer se casar, amor?

—Não sei... — Disse lentamente. — Eu fiquei um pouco ansiosa pra isso depois da reforma da casa, porque ficou tudo tão lindo. Mas não sei...

—Eu estou ansioso também, não quero que demore. — Falei abraçando-a e trazendo mais para perto.

—Também não quero demorar. — Ela respondeu com uma frase solta.

—Em dezembro? — Perguntei de súbito, alguns minutos de silencio depois.

Minha namorada se separou de mim abruptamente e me olhou com os olhos arregalados.

—Não está muito perto?

—Faltam 5 meses ainda, é tempo suficiente para arrumarmos tudo, eu acho. — Respondi dando de ombros.

—Isso sim, mas você não acha precipitado? — Perguntou sem realmente ter duvida, apenas querendo ouvir o que eu responderia, por isso eu ri antes de contestá-la.

—Não, eu não acho precipitado. Por que seria? Fomos feitos um para o outro.

Ela sorriu lindamente para mim, com a maior cara de apaixonada do mundo.

—E onde você vai morar até lá? — Perguntou em dúvida.

—Aqui. Não posso me mudar para sua casa de vez. — Esclareci e ela aquiesceu compreensiva.

—Nada de dormir no nosso quarto! — Ordenou com o dedo em riste.

—Sim, senhora. — Respondi rindo e ficamos alguns minutos em silêncio.

—Dezembro me parece ótimo, podemos aproveitar as decorações de natal, elas são tão lindas! — Afirmou com a expressão muito sonhadora.

—Podemos fazer como você quiser. Assim como a casa, você tem passe livre para organizar como quiser. Algo mais intimo ou não, você que sabe.

—Então já posso começar a organizar tudo, de verdade? — Perguntou mordendo a unha do dedão, como fazia quando estava um pouco nervosa.

—Pode, e eu gostaria de acompanhar dessa vez, me envolver mais. Porque aqui você fez tudo sozinha. — Pedi dando de ombros e aparentemente ela adorou a ideia, porque se jogou nos meus braços e me beijou, mostrando-me uma prévia do que provavelmente será nossa vida a dois.

Naquele mesmo dia informamos à família que decidimos nos casar em dezembro. Como quando anunciamos o noivado, houve um misto de alegria e tristeza que eu não soube entender, mas no fim da noite todos já estavam dando palpites para a cerimônia e a festa.

Nessa noite eu anunciei também que iria me mudar para o Largo Grimould. Gina foi a única que não se espantou, porque já sabia, e a Sra. Weasley inclusive chorou por alguns minutos. Depois de explicar a eles meus motivos finalmente todos entenderam, não sem antes argumentar de todas as formas possíveis, e minha sogra insistiu para que eu levasse Monstro comigo, para me ajudar e fazer companhia.

No fim, depois de muita negociação e de perguntar ao elfo o que ele gostaria de fazer (o que o deixou comovido quase ao ponto de chorar), decidimos que ele dormiria todas as noites em nossa casa, mas que passaria os dias n'A Toca quando não tivesse nada para fazer e quando a Sra. Weasley precisasse de ajuda. Afinal, a partir do dia seguinte eu passaria quase todo o meu dia no Ministério.

No domingo que antecedeu o dia do meu retorno eu ainda dormi n'A Toca. Ficou acertado que Monstro e a Sra. Weasley levariam minhas coisas para minha casa no dia seguinte e depois do primeiro dia de trabalho eu iria direto para lá.

Enfim, na segunda feira começou a vida real. O departamento de aurores era o lugar mais abarrotado de coisas que eu já havia conhecido e possuía um numero enorme de arquivos confidenciais. Ron, Mione e eu começamos ainda como auxiliares, entendendo os casos em andamento e usando esses primeiros meses para entender como o trabalho funcionava na prática e isso nos levava muito tempo.

Durante os dois meses seguintes eu não saí do trabalho no horário certo e quase não comi também, já que eu usava meu horário de almoço para conversar com Gina sobre o andamento da organização do nosso casamento e matar um pouco da saudade. A essa altura já havíamos decidido que a festa seria no jardim d'A Toca, que a decoração seria toda em tons de azul e que seria uma cerimônia mais familiar, com poucas pessoas.

A lista de convidados eu deixei por conta dela também, até porque eu não teria ninguém para convidar exceto poucos amigos da escola que ela certamente chamaria. Por questões pessoais eu sugeri casualmente que ela não deveria convidar Dino Tomaz. Os padrinhos foram a escolha mais fácil do mundo: Ron, Neville, Mione e Luna.

Em novembro os convites foram distribuídos já com a data em que nós casaríamos: 19 de dezembro. Ninguém considerou aquilo realmente uma surpresa, com exceção de Luna que outra vez comentou que aquilo seria legal porque ela se sentiria como se tivesse amigos e mais uma vez repetimos que nós somos seus amigos.

Durante esse tempo em que eu morei sozinho no Largo Grimould Gina não dormiu nenhum dia comigo, mas não foram poucas as vezes que eu chegava do trabalho e a encontrava com alguma surpresinha para adultos, ou apenas com um jantar feito por ela. Devo admitir que eles não eram tão gostosos quanto os que Monstro ou a Sra. Weasley faziam, mas eu adorava comê-los em sua companhia.

O trabalho no Ministério estava cada vez mais complexo e corrido. Mesmo que Voldemort estivesse morto agora, sempre haveriam as trevas e aqueles que almejavam substituí-lo, disso não há duvida. Mas parece que desde que Ron, Mione e eu entramos as coisas tem se intensificado ao invés de se acalmarem. Por isso, no dia anterior ao meu casamento eu aparatei em casa quase uma hora da manhã.

Se não fosse a poção rejuvenescedora que Monstro preparou, eu certamente estaria com cara de velório no meu próprio casamento, o que com certeza desagradaria minha futura esposa. Cheguei n'A Toca aproximadamente uma da tarde e a cerimônia estava marcada para as seis.

Assim que me viu, a Sra. Weasley já começou a chorar e se abraçou a mim murmurando alguma coisa como cuidar da sua menina, ou algo assim. Eu a acalmei com alguns tapinhas nas costas e fui me sentar na sala com Ron, Carlinhos e Jorge, que começaram a falar desde já que eu estava proibido de ter uma noite de nucpcias pelos próximos cinco anos.

Algumas vezes Hermione e Luna desceram as escadas apressadas e pediram algo para a Sra. Weasley. Essas aparições eram tão rápidas e entusiasmadas que elas me notaram apenas na quarta vez que passaram pela sala. Eu não queria demonstrar de forma alguma, mas minhas mãos estavam suando cada vez mais à medida que a hora se aproximava.

Às quatro da tarde eu subi para o quarto que era de Fred e Jorge e vesti meu smoking, comprado especialmente para a ocasião, arrumei os cabelos da melhor forma possível, tomando o cuidado de deixá-los propositalmente desarrumados como eu sabia que minha futura esposa gostava, e desci para os jardins para recepcionar alguns convidados que chegavam.

Neville foi um dos primeiros, junto com sua avó e seguidos pelos pais de Hermione. Meus cunhados já estavam todos vestidos e do lado de fora, também recepcionando os convidados. Apenas Percy não havia se juntado a nós e estava sentado na sala sozinho. Meu sogro irradiava felicidade por todos os poros, e minha sogra havia se juntado às garotas.

Sra. Tonks e Teddy chegaram bem cedo também, e quando a Sra. Weasley apareceu nos jardins com a expressão de choro ele estava no meu colo e o Sr. Weasley brincando com ele, que ria abertamente.

—Me dê ele, querido. — Pediu tirando meu afilhado do meu colo e o entregando para a avó, que estava por perto. Vá buscá-la Arthur, ela está pronta. — Falou para o marido com a voz tremendo um pouco. — Está na hora, meu bem. — Falou já enroscando seu braço no meu e nos direcionando para a tenda onde aconteceria a cerimônia.

Eu mal tive consciência dos nossos padrinhos entrando à frente ou de todos os rostos sorridentes voltados para mim quando eu passei de braços dados com a Sra. Weasley, toda a minha atenção estava voltada para o ponto onde ela surgiria em breve, linda como sempre e mais deslumbrante do que nunca.

Podem ter se passado apenas alguns minutinhos, mas me pareceram algumas décadas, e finalmente ela surgiu. Com um vestido branco bem grudado em seu corpo, mas com um pouco de volume na saia, um arranjo gracioso em seus cabelos vermelhos e quase que totalmente soltos, e apenas de braços dados com o pai, já que bruxos não tinham a mania de usar flores como os trouxas faziam.

Mais do que nunca ela me pareceu perfeita, porque tudo ali era como eu havia imaginado: ela estava simples, porque toda a beleza que ela irradia não depende da roupa que usa, e seu sorriso pra mim demonstrava uma dose de felicidade e satisfação que eu sempre percebia em seu rosto quando me olhava. Provavelmente o mesmo sorriso que ela exibia aos onze anos quando se lembrava de mim.

A cerimônia se passou rápido, ou apenas eu estivesse muito ocupado olhando apenas para a garota que se tornava minha mulher, e o resto da noite foi banhado por cumprimentos, felicitações e muita animação por parte de toda a família e amigos mais próximos que ali estavam. Já de madrugada os convidados começaram a se despedir e nós dois fizemos o mesmo, porque agora era hora de ir para nossa casa.

A Sra. Weasley chorou mais uma vez quando abraçou a filha, e embora eu tenha visto que o Sr. Weasley morreu de vontade de fazer o mesmo ele segurou bravamente. Ron nos cumprimentou como se estivéssemos nos mudando de planeta e Hermione sorria tanto que eu cheguei a pensar que ela também havia se casado e eu não tinha visto.

Aparatamos na nossa casa e fomos direto para o nosso quarto dessa vez. Estava tudo arrumado, nossas coisas em seus devidos lugares, minhas roupas e as dela ocupando o mesmo closet. Agora era o nosso lar.

—Então, Sra. Potter, como se sente agora? — Perguntei abraçando-a e caminhando em direção à nossa cama.

—Me sinto completa. — Respondeu antes de me beijar e estrearmos nosso novo cantinho.

A noite foi um pouco agitada, então no dia seguinte acordamos atrasados para a única coisa que eu havia feito questão de planejar sozinho: a viagem. Quando anunciamos que passaríamos o natal fora pela primeira vez foi uma briga, mas não havia mais o que ser feito, então aqui estávamos nós já com as malas prontas indo em direção ao aeroporto (minha esposa gostava bastante de experimentar meios trouxas de fazer as coisas­)para nossa primeira viagem a sós.

O primeiro destino foi Berlim, seguido de Roma, natal em Paris e ano novo em Barcelona. Voltamos para casa uma semana antes das nossas férias acabarem, pra poder curtir um pouco a nova vida.

Quando a vida real começou mesmo é que nós aprendemos como era dividir o mesmo teto com outra pessoa, mesmo que essa fosse o amor da sua vida. Gina era um pouquinho arrumadinha demais com tudo e eu era naturalmente bagunceiro, então esse foi o motivo da nossa primeira briga. Meia hora depois já estávamos fazendo as pazes da melhor maneira que existia no mundo, e na melhor ideia que ela teve para essa casa: a banheira.

Um mês depois que nos casamos eu saí em minha primeira missão no trabalho, precisei ficar dois dias fora e quando voltei Gina pulou no meu pescoço como se eu estivesse ausente a um mês e com um olhar tão aflito que parecia que eu havia retornado de uma batalha militar. Com o tempo ela foi se adaptando à situação, mas sua empolgação quando eu chegava era sempre a mesma.

Seis meses depois ela conseguiu a vaga que queria no Profeta Diário como comentarista de Quadribol, e com isso vieram também as viagens dela para cobrir jogos em outros países. Eram sempre viagens curtas, de menos de um dia, mas ela sempre chegava em casa de madrugada e eu sempre ficava morrendo de saudade.

Nosso primeiro aniversário de casamento foi comemorado em casa mesmo. Dispensamos Monstro e passamos o dia juntos preparando um jantar romântico. A ideia não foi totalmente um sucesso, mas nos divertimos muito e foi muito melhor do que ir a outro lugar qualquer.

A família de Gina, minha nova família, nos visitava com bastante frequência, e eram sempre momentos muito divertidos em que ríamos muito e acabávamos por mimar Victoire, que era filha de Gui e Fleur e primeira neta e sobrinha da família.

Ron e Hermione estavam absurdamente grudados um no outro, tanto no trabalho quanto fora dele, e viviam em nossa casa nos visitando. Na verdade, um dos nossos quartos de hóspedes já era mais do Ron e da Mione do que de hóspedes. Eles não brigavam tanto mais e a relação parecia ter atingido um nível de equilíbrio que os tornava certos um para o outro.

Sempre que perguntávamos se eles não iriam se casar a resposta era que só quando já tivessem sua própria casa, enquanto isso eles não se importavam de aproveitar a minha. Essas respostas sempre geravam uma má resposta da minha parte e risadas de todos nós.

Mesmo assim eu concordava com a decisão deles de esperarem um bom momento, eu teria feito o mesmo se meus pais não me tivessem deixado numa condição confortável financeiramente, porque todos no mundo bruxo sabiam que aurores ganhavam muito bem, mas não enquanto ainda eram auxiliares no departamento.

Neste mesmo ano, mais ou menos em maio, Ron foi promovido a auror, enquanto eu e Hermione demoramos mais seis meses para ter o mesmo cargo. Foi um daqueles momentos em que nós ficamos surpresos, mas felizes, e ele ficou tão cheio de si que não soube disfarçar e se atrapalhou todo em tudo mais que tentou fazer.

Enquanto eu comemorei minha promoção com um jantar romântico e caro e um carro trouxa que Gina achou o máximo quando chegou, Ron e Mione comemoraram a deles começando a juntar dinheiro para comprar uma casa e enfim se casarem.

Nosso segundo aniversário de casamento foi comemorado em um cruzeiro de 15 dias pelas praias da Grécia, a viagem mais linda que fizemos, e um dia depois que voltamos a Sra. Tonks apareceu em casa trazendo pela mão um Teddy já com cinco anos e chorando aos prantos, com o cabelo em um tom opaco de castanho. Ela se desculpou um milhão de vezes antes de dizer que Teddy estava assim porque estava com saudade do padrinho e da madrinha e que queria nos ver. A partir desse dia ele começou a dormir em nossa casa pelo menos uma vez por semana.

As visitas de Teddy eram muito constantes e Gina estava cada vez mais apegada a ele, que por sua vez idolatrava a madrinha. Num belo dia, mais ou menos em março, eu e Gina fomos nos deitar depois de um dia muito divertido e cansativo com ele em um parque trouxa e estávamos abraçados em silêncio, quando ela falou de repente:

—Eu queria um filho.

Eu fiquei sem reação durante alguns minutos e ela provavelmente interpretou errado, porque se virou lentamente para mim e perguntou apreensiva:

—Você não quer?

—Quero demais. — Respondi abraçando-a e grudando-a mais ainda a mim. — Só não sabia que você já queria também. Quer dizer, só estamos casados há dois anos, achei que você quisesse esperar mais.

—Não quero esperar, nem vejo motivos para esperar mais. — Falou alisando meu rosto com as pontas dos dedos.

A partir desse dia nós paramos de usar métodos contraceptivos e começamos a esperar que o destino nos desse um bebezinho lindo. Que não chegava nunca. Três meses depois que começamos a tentar ter um filho ela ainda não tinha engravidado, e isso começou a nos preocupar um pouco. Mais do que só preocupação, ela começou a ficar triste, sempre indisposta e nunca queria fazer nada e por isso eu decidi que precisávamos fazer algo a respeito.

Pedi para sair mais cedo do ministério e fui até a parte trouxa de Londres procurar por um daqueles médicos especializados em fertilidade. Como estava sozinho, eu só consegui tirar algumas dúvidas, mas já deixei a consulta dela marcada para dali alguns dias. A princípio ela não aprovou muito minha ideia, dizendo que não confiava muito nesses métodos, mas após pesquisar um pouco sobre isso no notebook que eu dei de presente no mesmo dia para ver se a animava, ela aceitou.

Quando saímos do consultório ela estava bem confiante e eu bem ciumento, porque antes eu não sabia como funcionavam exames desse tipo. Ele nos pediu um monte de exames, para os dois, e combinamos de realizá-los ainda naquela semana.

No sábado que antecedeu a semana do retorno ao médico com todos os resultados, estávamos sentados em casa, sozinhos, usando pouca roupa e fazendo planos bobos do tipo onde passaríamos nossas férias com as crianças quando a campainha tocou insistentemente. Eu coloquei minha calça de moletom por cima da cueca boxer e Gina vestiu o short do pijama para compor uma roupa quase adequada para abrir a porta e dar de cara com uma Hermione chorando compulsivamente e um Ron com cara de quem viu outro ninho de aranhas gigantes.

—Merlin, o que aconteceu? — Minha esposa perguntou quando Hermione se jogou nos braços dela.

Eu não falei nada, apenas encarei assustado meu melhor amigo mudo enquanto ele entrava e se sentava no sofá da sala. Demoraram alguns minutos e foram necessários dois copos de água para Hermione conseguir falar:

—Estou grávida, Gi.

Pelo modo como Gina me olhou eu soube exatamente o que ela estava sentindo, porque eu senti igual, e as duas lágrimas discretas que ela derramou não tinham nada a ver com o desespero da amiga, embora ela se justificasse assim.

—Ok, calma Mione. Se você está grávida a primeira coisa a fazer é se acalmar, vai fazer mal pra criança. — Minha esposa falou abraçando-a novamente e os soluços foram se acalmando aos poucos.

Quando ela parou de chorar e se recompôs, começamos as perguntas:

—Os seus pais já sabem? — Eu perguntei.

—Ainda não, acabamos de saber. Vocês são os primeiros para quem contamos. — Ron se manifestou pela primeira vez desde que chegou.

—E por que você está tão desesperada? — Gina perguntou segurando suas mãos. — São adultos, os dois, e com responsabilidade suficiente. Ninguém pode brigar com vocês por causa disso.

—Eu sei, mas eu não tinha planejado assim, meus pais ficarão chateados, a Sra. Weasley também... — Hermione respondeu soluçando de levinho.

—Mione as coisas não são sempre como planejamos, aceite isso que é melhor. Você conseguiu cumprir todos os seus planejamentos até agora, o que já é uma grande vitória. — Gina argumentou.

—Eu queria me casar, e...

—Mas nós vamos nos casar! — Ron afirmou. — Agora mais do que nunca.

Nesse momento Hermione o encarou com tanto afeto que eu me senti meio intruso naquele contexto.

—Como nós vamos contar isso pras nossas famílias? — Hermione me perguntou, parecendo perdida pela primeira vez.

—Do mesmo jeito que contaram para nós dois, só espero que chorando menos, senão Molly enfarta antes de ter a oportunidade de ficar feliz com a novidade.

Ela riu um pouco entre lágrimas e apoiou o rosto entre as mãos. Rony, que até então mal havia respirado, se levantou e sentou ao lado dela, abraçando-a.

—Não precisa ficar nervosa, amor.

—Você não está nervoso? — Ela perguntou encarando o namorado.

—Sim, mas não tem uma criança dentro de mim, então eu posso. — Respondeu com todo o cinismo que só ele tinha e nós quatro rimos.

Depois dessa cena e do choro de Hermione cessar Gina foi para a cozinha sob o pretexto de preparar algo para comermos e assim que ela passou pela porta eu fui atrás. Encontrei-a debruçada sobre o balcão, com o rosto apoiado entre as mãos e chorando em silencio. Eu apoiei meus braços ao redor do seu corpo e dei um beijo de leve no seu ombro. Assim que sentiu ela limpou o rosto rapidamente e sorriu tentando disfarçar.

—Vai disfarçar pra mim, Ginevra Potter? — Tirei suas mãos do rosto e limpei de leve a lágrima que caia enquanto ela riu um pouco.

—Ela nem queria e conseguiu, porque eu não consigo? — Perguntou me abraçando e encostando o rosto no meu peito.

Você não consegue, não. — Falei puxando seu rosto para ela olhar pra mim. — Nós não estamos conseguindo por enquanto, mas conseguiremos em breve. — Ela riu e me deu um beijo, antes de se aconchegar nos meus braços em um abraço demorado.

Rony e Mione só foram embora no dia seguinte e direto para a casa dos pais de Hermione, onde marcaram um almoço com meus sogros para contar a novidade. Gina inventou uma dor de cabeça de ultima hora e recusou o convite para ir também, mas eu sabia que no fundo ela apenas não queria ver a comemoração que ela queria que fosse nossa. Alguns chamariam de egoísmo, mas eu entendi perfeitamente e a apoiei.

No dia do nosso retorno ao médico eu conseguia disfarçar bem meu nervosismo, mas ela não. Chegamos ao consultório e não havia ninguém na sala de espera, então fomos atendidos rapidamente. Assim que entramos ele nos cumprimentou e já começou a abrir os inúmeros envelopes de resultados que entregamos, e sem dizer uma palavra analisou atentamente um a um, para depois cruzar os braços sobre a mesa e se virar calmamente para nós antes de dizer:

—Vocês não tem nada.

—Como assim, nada? — Gina perguntou em dúvida.

—Nada, Sra. Potter, não há nenhum problema fisiológico que os impeça de ter uma criança. Ambos são completamente saudáveis e férteis. — Esclareceu.

—Então por que não conseguimos? — Minha esposa questionou completamente aturdida.

—Essa é uma questão interessante, e a senhora vai discordar de mim num primeiro momento, mas te garanto, de acordo com a minha experiência, que estou certo. Sua ansiedade é que atrapalha.

—Minha ansiedade? — Gina perguntou incrédula. — Então quer dizer que o problema todo está na minha cabeça?

—Exatamente. — Disse ajeitando-se em sua cadeira. — Escutem, não adianta ficar ansiosos, essa gravidez vai acontecer. Enquanto isso eu aconselho que aproveitem o momento, a vida de vocês. Viajem se for possível, isso ajuda bastante. Distraiam-se, é o único que posso dizer.

Quando saímos do consultório ela estava quieta, e assim permaneceu até chegarmos à entrada de visitantes do ministério, que era próxima ao lugar onde estávamos. Aproveitei que entramos juntos na diminuta cabine telefônica para trazê-la para perto e conversar com ela um pouco.

—Viu, não temos nada.

—É, mas mesmo assim a culpa é minha...

—Ei, pare com isso. — Falei colocando o dedo sobre seus lábios para que ela se calasse. — Eu também estou ansioso, então a culpa é de nós dois. Vamos parar de nos preocupar, de pensar nisso um pouco. Vamos viajar, aproveitar nosso casamento enquanto somos só nós dois, e quando tiver que acontecer vai acontecer.

Ela assentiu ainda sem falar nada.

—Promete que vai parar de pensar nisso, parar de se culpar? — Pedi.

—Prometo que vou tentar.

—Ótimo, já é um começo. Se concentre no seu trabalho. Você quis tanto e está quase chegando ao cargo de editora, aproveita que vai começar a copa de quadribol no próximo mês e se foca nisso. Eu te acompanho nas viagens, se você quiser, e podemos ficar mais tempo nos países.

Nessa hora o elevador chegou ao hall, nós descemos e nos dirigimos a um canto um pouco mais reservado.

—Obrigada, você é o melhor marido do mundo. — Falou me abraçando.

—Você também é a melhor esposa do mundo, e eu te amo. — Respondi e a abracei de volta, beijando seus cabelos e inalando seu cheiro gostoso.

Ela foi se soltando aos poucos de mim, antes de dizer.

—Preciso ir, e você também.

—Sim, te acompanho no elevador. — A conduzi até o elevador mais próximo, sem mãos dadas porque aqui era nosso trabalho e separávamos as coisas. — Vai sair muito tarde hoje?

—Não, hoje quero ir embora logo, descansar. As seis vou pra casa. — Respondeu entrando em um elevador vazio que parou no andar e se segurando nas barras de segurança, eu a segui.

—Ótimo, vou sair cedo também, então. Vamos jantar fora hoje? — Convidei dando um selinho rápido nos seus lábios, aproveitando que estávamos sozinhos, assim que o elevador parou no andar de comunicação e ela se preparou para descer.

—Vamos. Pode escolher o lugar. Amo você. — Respondeu saindo em direção ao corredor que levava à redação do Profeta Diário.

Desci mais três andares e cheguei ao departamento de aurores, onde todos estavam em suas mesas, muito ocupados com novos casos. Depois de murmurar um “Abafiatto” Ron se virou para mim e perguntou:

—E ai, como foi?

—Graças a Merlin não temos nada. — Respondi me sentando e relaxando na cadeira. — Cadê a Mione?

—Foi almoçar. Ela tem fome o dia todo. — Falou assustado e eu ri. — Se não tem nada então qual é o problema?

—Olha só quem está julgando. — Falei rindo e ele me acompanhou. — Segundo o médico é a ansiedade da sua irmã que atrapalha.

—Cara, Gina sempre foi meio paranoica quando coloca uma coisa na cabeça. — Ron divagou mais para si mesmo. — Mas ela tem que relaxar, e você tem que ajudá-la.

—Eu sei disso, mas não sei como fazer. Nós vamos jantar fora hoje, mas com certeza vamos chegar em casa e ela vai estar toda triste no canto. Isso me mata, mas não sei o que eu faço. — Desabafei, afinal ele era meu melhor amigo então tinha que ouvir essas coisas também.

—Cara, para de ser lerdo! — Falou como se fosse óbvio e eu o encarei meio desconfiado, afinal suas ideias raramente eram brilhantes. — Você tem que fazê-la esquecer de tudo, fazê-la ficar fora de si, sem se preocupar com nada. Faça com que ela não tenha tempo nem de pensar.

—Isso eu também acho, mas como eu faço isso, gênio? — Ironizei no final.

—Com sexo, cara, é lógico! Já chega agarrando, onde vocês estiverem não importa. Primeiro ela se surpreende, depois entra na brincadeira e não pensa em nada. Assim ela relaxa e as coisas vão ficando mais naturais. Pelo menos foi assim que Hermione engravidou.

Eu gargalhei depois disso. E não sei dizer se foi porque eu achei o conselho dele maravilhoso e não tinha pensado nisso antes, se foi porque era ele me dando um conselho maravilhoso ou se foi porque era ele me dando aquele conselho maravilhoso para usar com a irmã dele. No fim ele percebeu a ironia da situação e riu também, só não gostou muito da parte em que eu disse que começaria hoje mesmo.

Gina e eu jantamos em um restaurante trouxa italiano que ela gostava, tomamos umas duas taças de vinho e depois caminhamos calmamente e sem pressa pela cidade, de mãos dadas e conversando sobre tudo e sobre nada. Aparatamos em casa já quase dez da noite, e assim que pisamos na sala ela se virou já dizendo que ia tomar banho e subiu rapidamente as escadas, com a mesma expressão um tanto distante que tinha nos últimos dias. Eu tive tempo apenas de terminar de tirar meu casaco e jogá-lo de qualquer jeito em cima do sofá junto com a varinha e a encontrei na metade do corredor.

Ela se assustou um pouco quando puxei seu braço e a prensei entre meu corpo e a parede, pude sentir por seu coração batendo um pouco mais forte contra meu peito, mas começou a me corresponder logo depois com o mesmo fogo que eu estava. Quando ela fez menção de nos guiar até nosso quarto eu a segurei mais forte ali e levantei seu corpo, colocando suas pernas ao redor da minha cintura. Minha esposa estava de vestido, então foi fácil alcançar meu objetivo.

Minutos depois estávamos os dois suados, ofegantes e muito satisfeitos ainda usando quase todas as nossas peças de roupas, eu sentado no chão do corredor e ela no meu colo, de frente para mim com as pernas ao redor do meu corpo.

—Eu não sei que surto foi esse, mas você pode repeti-lo mais vezes. — Falou se livrando do vestido, que ainda usava, e me mostrando seu corpo perfeito. Eu ri e a abracei novamente.

Essas abordagens fora de hora viraram uma brincadeira particular nossa, e elas não eram sempre feitas por mim, o que me deixava extremamente satisfeito. Fizemos algumas viagens juntos durante a cobertura dos jogos da copa mundial de quadribol e nos divertimos bastante em tudo que pudemos.

No inicio de agosto Rony e Hermione compraram uma casa num bairro mais discreto e afastado do centro de Londres, não era grande como o Largo Grimauld, mas muito graciosa e aconchegante e nos informaram que se casariam no inicio de outubro, porque Hermione não queria estar muito gorda na festa e que a ajuda de Gina estava convocada em todos os preparativos, desde a decoração da casa nova até os menores detalhes da festa.

Aliado a toda essa agitação havia as visitas constantes de Teddy, que nos distraía e nos cansava muito, e uma semana antes do casamento de Ron e Mione, num sábado, antes das oito da manhã enquanto eu ainda estava só de cueca e Gina já estava toda arrumada para ir procurar flores silvestres e quase engolindo a embalagem do iogurte natural para ir mais rápido, ela reclamou de enjoo pela primeira vez.

A pressa era tanta que ela nem deu atenção ao fato, que não me passou despercebido e quase como bobo, depois que ela se despediu de mim e eu voltei para o quarto para dormir mais um pouco, pensei sorridente ao passar em frente à porta do quarto vazio que ele logo teria um dono, ou uma dona.

A confirmação veio três semanas depois e a essa altura Gina já estava desconfiada, mas tomando todo o cuidado possível para não se iludir demais. Assim que a medibruxa nos confirmou e pudemos sair do St. Mungus, já com todas as poções que ela deveria tomar, nem demos atenção ao fato de que era bem tarde para um dia comum de semana e fomos direto para A Toca, contar a novidade para as primeiras pessoas da família.

Foram oito meses de muito mimo em cima dela, porque descobrimos quando já fazia um mês, e embora ela reclamasse às vezes eu sabia que ela estava adorando a situação. Teddy ficou um pouco enciumado quando contamos a ele que teríamos um bebe, mas foi se acostumando com a ideia à medida que a barriga dela começou a aparecer e um tempo depois já fazia planos para quando o primo pudesse brincar com ele.

Passamos nosso terceiro aniversário de casamento em um hotel fazenda perto de Londres, apenas um final de semana para comemorarmos só os dois, e voltamos a tempo de passar o natal com Teddy e o resto da família.

Agora que tinham sua própria casa e estavam casados, Ron e Mione não dormiam mais na nossa casa, mas pelo menos duas vezes por semana nós quatro jantávamos juntos, fosse em uma das duas casas ou em algum restaurante. Esses passeios começaram a ficar menos frequentes em janeiro, porque Rosa, a filha de Ron e Mione, poderia nascer a qualquer momento.

E a pequena veio ao mundo na metade de fevereiro, anunciando sua chegada quando estavam apenas Ron e Mione em casa, fazendo com que ele desmaiasse e ela tivesse que nos enviar um patrono avisando. Na mesma época nós descobrimos que nosso bebe seria um menino, que Gina jurava que seria como eu. O nome era algo que não precisávamos discutir, pois isso já havia sido feito quase um ano atrás enquanto fazíamos planos para o que estávamos vivendo agora: se chamaria Thiago.

Nosso meninão nasceu em junho, deixando nós dois bobos e nos fazendo valorizar as noites inteiras de sono que tínhamos antes. Ele cresceu muito rápido e cada dia tinha algo novo para me mostrar quando eu chegava do trabalho.

Queríamos passar nosso primeiro natal em família, os quatro juntos, já que Teddy também era quase um filho para nós, por isso viajamos no dia vinte de dezembro, após comemorar o quarto aniversário de casamento com um jantar em um restaurante requintado da parte trouxa de Londres, para uma cidade no sul da França e ficamos ali até um dia antes do ano novo, que a Sra. Tonks fez questão de passar com o neto.

Em janeiro, quando Thiago tinha sete meses descobrimos que Gina estava grávida de novo, o que não nos assustou necessariamente, porque queríamos mesmo dar um irmãozinho ou irmãzinha para ele, mas que fez Ron rir de nós e dizer que estávamos querendo ser mais rápidos dessa vez.

Nossa menininha já tinha nome definido também, mas descobrimos que era outro rapazinho e isso nos fez ficar varias noites acordados, depois que Thiago havia dormido, para decidir o nome ideal para nosso caçula. Eu queria que ele tivesse um nome forte, que representasse algo para nós, e Gina queria que ele tivesse nome de gente corajosa, por isso decidimos juntar o nome das duas pessoas mais corajosas que já conheci e que mais me protegeram, mesmo sem eu saber: Alvo Severo. Ela ficou um pouco pensativa, mas gostou da ideia e assim o segundo quarto da casa foi decorado para que dentro de alguns meses seu novo dono o ocupasse.

Com um ano de idade nosso bebê já andava e levava alguns tombos tentando correr, o que fazia Gina e eu rir e nos assustarmos ao mesmo tempo. Alvo nasceu no fim de setembro, deixando Thiago louco de ciúmes, Teddy, já com sete anos, encantando por ter outro primo e Rosa, com quase dois anos, nos importunando o tempo todo para saber por que ele não tinha cabelo.

No fim do ano nosso bebe mais novo ainda tinha três meses, então achamos que seria arriscado viajar com os dois tão pequenos e decidimos, pela primeira vez, passar nosso quinto aniversário de casamento e o primeiro natal de Alvo em casa, só nós quatro.

É claro que no dia do natal houve o almoço de sempre na casa dos pais de Gina e a família estava em peso reunida, onde sempre aconteciam as mesmas coisas: Teddy ficava o tempo todo atrás de Victoire, a filha de Gui e Fleur, Jorge trazia alguns artigos novos da loja para as crianças se divertirem, Percy, que já havia se convencido de que eu não queria usar e abandonar Gina, agora dizia que eu mimava demais meus filhos e meus sogros tão radiantes de felicidade por terem todos ali que o resto nem importava muito.

Quando Alvo completou seis meses Gina decidiu voltar a trabalhar e nós contratamos uma bruxa para cuidar das crianças, sempre com a supervisão de Monstro, que tinha ordens expressas de arrancá-la de dentro da minha casa a tapas caso ela maltratasse um dos meninos. No primeiro mês foi mais complicado, eu porque estava acostumado a ter certeza de que eles estavam bem, porque estavam com a melhor mãe do mundo, e ela porque era quem ficava com eles o tempo inteiro, mas fomos nos acostumando.

No final do próximo ano, quando completaríamos seis anos de casados, Alvo já tinha um ano e meio e Thiago quase três anos, então ficamos mais confiantes para viajar com eles. Fizemos uma viagem longa dessa vez, percorrendo algumas praias bem quentes da África do Sul e eu não sei se a criança mais feliz era um dos meus filhos ou minha esposa.

Teddy ficou um pouco triste por não ter ido conosco, mas sua avó queria passar o natal com ele esse ano, na casa de uma de suas irmãs, então não insistimos em leva-lo. Ele, Alvo e Thiago se davam muito bem e era sempre uma festa em casa quando nosso afilhado estava conosco.

Assim que voltamos da África Gi começou a se sentir um pouco mal, vomitando com frequência e sentindo muita indisposição, mas sempre afirmava que devia ser mal estar por causa da mudança brusca de temperatura e nunca queria ir ao médico. Quando ela já estava assim há duas semanas eu disse que se ela não fosse por bem eu a levaria no colo, então ela cedeu e fomos enquanto os meninos ficaram com Monstro.

A medibruxa que nos atendeu, muito atenciosa, fez uma série de exames de rotina na minha esposa e voltou sorrindo para nós dois, antes de dizer:

—Parabéns, mocinha, você está grávida!

Eu quase caí para trás e Gina quase perdeu os olhos de tanto que eles ficaram arregalados. Agora estava explicado todo o mal estar e o escândalo por causa do cheiro de camarão em um dos nossos almoços durante a viagem.

—Eu disse que aqueles camarões não estavam estragados, afinal. — Falei depois de longos minutos de silencio, quando já estávamos em casa.

Ela riu um pouco antes de se virar para mim:

—Você não está com medo?

—Não, e você? — Respondi já perguntando também.

—Não também, só estou achando irônico que Thiago tenha dado tanto trabalho para vir e os outros estejam chegando assim tão do nada. — Finalizou e nós rimos outra vez. — Esse é o ultimo, certo?

—Certo! — Concordei rapidamente e a beijei antes de passar a mão por sua barriga ainda imperceptível e falar oi para o meu novo bebe.

Meus sogros ficaram extremamente felizes e Rony riu muito da minha cara por três semanas, que foi o tempo que Hermione precisou para descobrir que estava grávida também e eu começar a chamá-lo de invejoso. Dessa vez Thiago ficou animado, porque já era mais velho, e Alvo, que ainda era nosso bebê, ficou morrendo de ciúmes, principalmente da mamãe.

Exatamente como eu havia pedido a ela, eu tinha uma família agora: dois filhos lindos e um que chegaria em breve e com certeza também seria perfeito, ou perfeita, também. Nossos finais de semana eram sempre cheios de risadas e brincadeiras, os aniversários eram comemorados sempre em família e o quintal da nossa casa nunca estava arrumado, o que considerávamos um ótimo sinal.

Meus filhos tinham primos com quem brincar e brigar, e isso fazia deles crianças felizes, completas. Gina estava em uma fase profissional maravilhosa, quase assumindo o caderno de quadribol do Profeta Diário, e ainda assim conseguia dar toda atenção a eles, sabendo tudo o que acontecia.

Eu fazia o que gostava, embora estivesse ainda longe de alcançar um cargo de coordenação. E sinceramente no momento eu nem queria essa responsabilidade, já me bastavam as viagens esporádicas, das quais eu sempre voltava cansado e de madrugada, encontrando encontrava as crianças dormindo com a mãe na nossa cama.

Teddy, já com dez anos, não disputava mais nossa atenção com Thiago e Alvo, agora ele já entendia que seu lugarzinho era especial e não lhe seria tirado. No ano seguinte ele iria para Hogwarts e estava todo ansioso esperando sua carta, que ainda não havia chegado. O que o tranquilizava eram os sinais de magia que já haviam aparecido, o primeiro deles inclusive se manifestou fazendo um bastão de brinquedo flutuar e cair na cabeça de Alvo, que ficou tão assustado que passou semanas se trancando no quarto quando meu afilhado chegava. Nesse ano seu presente de aniversário foi uma coruja.

Com o avanço da gravidez da Gi resolvemos já reformar a casa para dar espaço para mais uma pessoa, e com isso os dois quartos grandes das crianças se transformaram em três quartos médios. Um deles, o mais próximo do nosso, ainda vago e sem nenhuma decoração.

Em maio descobrimos que dessa vez teríamos uma menina, nossa Lilian, e quem ficou bobo com a noticia fui eu, e não minha esposa, como eu havia imaginado que seria. Semanas depois o quarto já tinha tanta coisa rosa e feminina que os meninos começaram a se recusar a entrar no cômodo.

Lili nasceu dois dias depois do aniversário de Gina, dando seus primeiros sinais de que estava a caminho enquanto estávamos tomando café da manhã tranquilamente em um sábado tranquilo de verão. Foi a maior correria, porque Alvo se assustou quando eu saí correndo dizendo que era uma emergência e praticamente enfiei os dois no carro enquanto Gina se sentava à frente.

Quando chegamos ao St. Mungus Gina foi atendida e levada pela medibruxa para a sala onde nosso bebe nasceria, enquanto eu fiquei na espera explicando aos meninos que a irmãzinha deles estava chegando. Eu mandei um patrono para A Toca avisando que havia chegado a hora e esperava que a família toda chegasse logo, mas eles demoraram um pouco mais do que o normal, então quando vieram me avisar que elas já podiam receber visitas ainda estávamos só os três ali esperando.

Eu entrei e encontrei minha esposa linda, mas um pouco cansada, segurando um pacotinho rosa que parecia ser composto apenas de cobertores estampados com princesas. Dentro havia uma menininha linda, com poucos cabelos e pele branquinha, dormindo tranquilamente.

Eu sentei Alvo e Thiago na cama junto com elas e fiquei em pé, ao lado da cabeceira, olhando para as duas e pensando em como eu era um cara de sorte.

—Você esta bem? — Perguntei para Gina, que me respondeu apenas com um sorriso radiante.

—Mamãe, eu quero ver ela melhor! — Alvo reclamou e Gina estendeu uma mão ajudando-o a chegar mais perto e olhar para a irmã.

—Ela é pequena demais. — Thiago observou se esticando para vê-la melhor.

—Mas ela vai crescer, você também era pequeno assim. — Gina respondeu passando a mão por seus cabelos bagunçados.

Thiago fez uma cara de desconfiança linda, que fez nós dois rir.

—E você, papai, não vai falar nada? — Perguntou me olhando e acariciando minha mão, que estava sobre sua mão que segurava nosso bebe.

—Só que ela é perfeita. E obrigado pela família maravilhosa que você me deu.

Ela só teve tempo de sorrir pra mim, porque nessa hora a porta se abriu e uma multidão de Weasleys invadiu o quarto para conhecer a mais nova integrante da família.

Notas finais
Olá meus amores. Bom, chegamos ao ultimo capítulo. Da uma dorzinha no coração finalizar essa fic, mas ela precisava acabar uma hora, então... Eu me diverti muito escrevendo essa história e tive muito trabalho também. Não foram poucas as vezes que eu estava escrevendo e parava para ler novamente trechos de um dos livros só para que a história ficasse o mais próxima possível do real. E mesmo assim eu errei muitas vezes, e desde já peço desculpas por isso. Quando eu comecei essa história tinha a intenção de matar um pouquinho da saudade que o fim da série deixou em mim, e espero que eu tenha feito o mesmo por todos vocês que leram, me acompanharam, que comentaram ou não, mas que tiveram a paciência e a vontade necessárias para dedicar seus tempos às minhas ideias. Eu não consegui seguir todas as recomendações que recebi e nem responder a todos os reviews, mas todos, sem exceção, foram carinhosamente lidos e inúmeras vezes mostrados para pessoas próximas de mim, sempre acompanhados de um sorriso enorme meu por ter sido merecedora de tanto carinho. O ultimo capítulo ficou bem grande, então para não me estender mais ainda, guardei um pouco para o epílogo, que será postado em breve, com o fim que eu imagino para a fic desde quando comecei a escrevê-la. Ainda não estou me despedindo, mas desde já eu agradeço imensamente o carinho, os comentários, às pessoas que acompanharam, as criticas, os elogios, os incentivos para que eu continuasse e, principalmente, a oportunidade de extravasar minhas ideias sabendo que eu tenho leitores maravilhosos. Beijão enorme para todos.