Sobre os 19 anos depois
22 Expresso de Hogwarts - II
Notas iniciais
POV Harry
Os quatro dias que passamos com os Granger foram familiarmente trouxas. Foi ai que eu descobri como deveria ter sido minha vida até os onze anos, se os Dursley fossem um pouco mais humanos comigo. Nós saímos apenas duas vezes: fomos ao zoológico na segunda feira e a um parque aquático na terça feira, o resto do tempo foi aproveitado em casa, e sem nada de magia.
Os pais de Hermione eram divertidos, o tipo que senta no chão da sala com a gente, come besteiras durante a tarde e se prende por um filme bobo que está passando na TV, não deixando de lado, claro, todo aquele assunto relacionado a nossa saúde e alimentação. Apesar de a comida australiana ser um pouco diferente, a Sra. Granger fazia para nós coisas que passavam bem perto da comida londrina a que estávamos acostumados. Ela não era uma cozinheira tal qual a Sra. Weasley, mas nós adoramos suas invenções culinárias.
A quarta feira, dia da partida, amanheceu ensolarada como todos os dias que estivemos aqui, mas com uma sensação de abandono típica das despedidas — quando não se tratava de se despedir dos Dursley.
Quando acordei, próximo às nove da manhã, Rony ainda estava dormindo como uma pedra e ao fazer uma visita sutil ao quarto ao lado descobri que Hermione já havia se levantado e Gina estava deitada de costas na cama, com os olhos bem abertos.
—Oi. — Sussurrei através da porta entreaberta.
—Oi. — Ela me respondeu sorrindo e eu entrei silenciosamente, lhe dei um selinho e me sentei ao lado da sua cama. — Pronta pra voltar?
—Acho que sim. Pra onde será a viagem do ano que vem? — Perguntou sorrindo e eu a acompanhei.
—Cancun? Aruba? Ilhas Gregas? — Arrisquei alguns palpites e ela riu novamente. — Gostou da primeira?
—Bastante. Obrigada, amor. — Respondeu acariciando meu rosto.
—Você merece. — Respondi sorrindo.
—Você vai me dar um computador e um celular? — Perguntou me olhando divertida.
—Eu ia, mas você não quis comprar aquele dia no shopping. — Falei dando de ombros.
—Dona Molly ia surtar se eu chegasse lá com duas malas de roupas a mais e objetos trouxas a tira colo, melhor não arriscar. — Esclareceu dramática e nós rimos.
—Nós pensaremos um jeito de enganá-la. — Me abaixei e beijei novamente seus lábios. — Vou sair antes que os pais de Hermione me vejam aqui e nos expulsem seis horas mais cedo do que o correto.
A ouvi rindo baixinho e deixei o quarto no mesmo silêncio que havia entrado. Duas horas mais tarde ainda estávamos sentados na mesa do café da manhã e conversando menos animados que nos outros dias. Notei também que Hermione tinha os olhos um pouquinho vermelhos e que seus pais a olhavam numa expressão muda de apoio e saudade antecipada, o que fez com que eu, Ron e Gina nos sentíssemos intrusos.
Pela primeira vez em quatro dias pudemos usar magia, e com isso arrumamos nossas malas para que ficassem pequenas e leves. Processo que os Granger não quiseram ver, porque segundo eles nunca se acostumariam.
O almoço foi mais silencioso que o café da manhã, mas ainda assim aproveitamos o restinho do nosso tempo juntos conversando amenidades e rindo das opiniões do Rony sobre o mundo trouxa.
Quando vestimos nossas roupas de viagens, colocamos as malas no carro e saímos em direção ao aeroporto, a atmosfera ficou totalmente diferente e eu tive a impressão de que todos estavam tentando evitar pensar que estávamos indo embora, inclusive eu. As risadas altas demais eram minha evidência de que nós estávamos nos empenhando para transformar essa breve despedida em algo o mais sutil possível. O que funcionou, até ouvirmos a chamada do nosso vôo.
Havíamos chegado ao aeroporto com as normais duas horas de antecedência e quando aquela voz impessoal soou dizendo que deveríamos embarcar imediatamente o nosso clima de família feliz desmoronou completamente. Os pais de Hermione se despediram primeiro de Gina, Ron e de mim, deixando-a por último, e mesmo assim enquanto nós três éramos abraçados por eles já se podia ouvir os soluços não contidos da minha amiga.
—Não chore querida. — O Sr. Granger murmurou em meio a um abraço triplo onde ele aparentemente era o único que ainda conseguia segurar as lágrimas. — Resolveremos nossos assuntos por aqui e nas suas férias de natal já estaremos de volta a Londres para que fique conosco.
Se Hermione respondeu eu não escutei. Ron a abraçou carinhosamente pela cintura e depois de acenarmos uma última vez, embarcamos na aeronave que nos levaria embora da Austrália. O avião demorou aproximadamente mais vinte minutos para fechar as portas e decolar, tempo no qual não conversamos, mas eu fiz carinho nos cabelos macios da minha namorada constantemente.
—Não chore, Mi. — Minha namorada tentou tranqüilizá-la. — Eles estarão lá no natal. De qualquer forma você não os veria porque vai estar na escola.
Hermione apenas acenou em concordância e se aninhou novamente ao peito de Rony para continuar com seus soluços. Ele, por sua vez, apenas nos olhou com a típica expressão de quem é tudo que a namorada precisava nesse momento.
Não demorou a anoitecer e menos de uma hora depois de servido nosso jantar minha namorada já ressonava tranquilamente apoiada em mim. Eu aproveitei para fazer o mesmo, afinal se bem conheço os Weasley os próximos dois dias serão pouco para agüentar as broncas por falta de notícias, as perguntas por detalhes e arrumar nossas coisas para Hogwarts.
Desembarcamos no aeroporto de Londres antes da hora do almoço e os pais do Rony já nos aguardavam com sorrisos enormes, exatamente como eu previ.
—Papai, que saudade! — Gina se jogou nos braços do Sr. Weasley, ela era a bonequinha dele e fazia tudo que ela queria.
—Olá princesa, também estava com saudades. Espero que eles tenham cuidado bem de você. — Falou enquanto a abraçava.
—Oh meninos, que saudades. — A Sra. Weasley sussurrou enquanto esmagava o pescoço do Ron e ele se encurvava para que ela o alcançasse. — Não andaram se alimentando direito. Veja, Arthur, como estão magros.
Enquanto o Sr. Weasley sorria e concordava a Sra. Weasley abraçava a mim e Hermione e, por fim, Gina, com quem demorou mais do que a todos os outros.
Fomos para casa no carro mágico do ministério e não demoramos mais do que quarenta minutos para estar passando pela porta de entrada d'A Toca e encontrar todos os outros Weasleys a nossa espera, inclusive Tia Muriel.
—Arry, come estav a Australie? — Fleur foi a primeira a me saudar com um abraço e um beijo em cada bochecha.
—Bem, Fleur, obrigada! — Respondi um pouco sem graça ao ver o olhar mortal que Gina me lançava e pelo canto do olho observei Rony não ser tão receptivo com o beijo dela, dessa vez.
—Olá cunhadinho. — Jorge me cumprimentou divertido.
Sorri e cumprimentei todos os membros da família, inclusive Percy, em quem dei apenas um discreto aperto de mão e troquei um olhar ameaçador, porém mudo. Quando cheguei a Tia Muriel tentei soar o mais simpático possível.
—Olá Tia Muriel. — Saudei enquanto lhe estendia a mão.
—Olá garoto. — Respondeu de má vontade. — Francamente, pensei que Ginevra escolheria um homem feito, não um moleque metido. — A ouvi sussurrar enquanto me afastava em direção ao Carlinhos.
—Não se importe, Tia Muriel nunca superou o fato de não ter se casado. — Disse antes de me cumprimentar com um abraço caloroso, eu apenas sorri.
Passada fase de cumprimentos e toda a conversa a respeito de como havia sido a ida e a volta nos sentamos para almoçar. Eu reparei que em momento algum perguntaram pelos pais de Hermione, provavelmente porque a Sra. Weasley já os havia alertado que permaneciam "desaparecidos" e que seria indelicado tocar no assunto.
Comemos o bolo de caldeirão que minha sogra fazia maravilhosamente bem, acompanhado de muito suco de abóbora fresco e pudim para a sobremesa. Quando todos ja conversavam animadamente, num sinal claro de que o almoço já havia acabado Hermione se manifestou.
—Gente, por favor. Eu gostaria de contar uma coisa a vocês. — Chamou e quando todos a olharam ela ficou um pouco vermelha, mas prosseguiu. — Na sexta feira, depois que avisamos por carta o dia do nosso retorno, eu e Ron encontramos os meus pais. — Falou naturalmente e com um sorriso enorme.
O alvoroço foi total e todos queriam falar ao mesmo tempo, perguntar como eles estavam e por que não haviam voltado conosco. Quando a Sra. Weasley exerceu sua autoridade de mãe de família e finalmente os calou com um grito, Hermione contou exatamente o que havia acontecido e os Weasley a nossa volta ouviram tudo com atenção, para logo depois parabenizá-la por tê-los encontrado e tranqüilizá-la, alegando que o natal chegaria logo.
Quando já anoitecia e todos foram para suas respectivas casas, a Sra. Weasley pediu para que subíssemos e começássemos a arrumar nossas coisas, pois um dia só era pouco para organizar tudo que precisávamos. Foi o primeiro momento, desde o inicio da viagem, que eu e Gina ficamos separados por um período maior do que um banho ou um provador de loja de shopping.
Eu e Ron entramos em seu quarto, no último andar antes do porão, e eu desfiz o feitiço que reduzia nossas bagagens a uma pequena mala leve, imediatamente transformando-as em três malas grandes e com um peso considerável.
—Cara, não reparei que você havia levado tanta coisa! — Ron exclamou quando viu tudo aquilo.
—Não levei. Mas eu aproveitei para comprar algumas coisas para mim, porque eu nunca havia saído para realmente fazer compras. — Esclareci.
—Não sei como alguém que tem tanto dinheiro consegue nunca ter feito compras aos dezoito anos de idade. — Falou me olhando com a típica cara de dúvida que ele fazia muito bem.
Nós rimos e continuamos tirando as roupas sujas de dentro da mala.
—Você pediu Hermione em namoro para os pais dela? — Perguntei um momento depois.
—Pedi! — Respondeu se virando para mim e arregalando os olhos. — Achei que fosse desmaiar. — Falou exageradamente me fazendo rir.
—Bom, mas não deve ter sido tão difícil. O Sr. Granger é muito simpático.
—Claro, quando você não namora a filha dele. — Argumentou como se fosse óbvio.
Balancei a cabeça negativamente enquanto ria e agora pegava um pouco das roupas da Gina que ainda estavam na minha mala e colocando ao lado das minhas, em cima da cama.
—Gina vai te levar à falência, cara. — Ron falou apontando para a pilha de roupas coloridas.
—Não vai não. Na verdade eu até precisava de alguém para me ajudar a comprar coisas úteis com meu dinheiro. — Respondi sorrindo como bobo ao me lembrar de como ela me parecia feliz durante nossos passeios consumistas.
—E você acha que comprar um shopping de roupas pra minha irmã é um gasto útil? — Perguntou com a expressão nítida de quando me chama de idiota.
—Não Ronald. — Rolei os olhos para ele. — Isso aconteceu umas duas ou três vezes. Mas nós já combinamos que quando terminar Hogwarts e eu estiver na academia de aurores ela vai reformar nossa casa. — Tranquilamente separando agora os meus tênis.
—A o quê? — Ele perguntou quase gritando. Eu não entendi de imediato, então só o encarei assustado. — A casa de vocês? — Perguntou novamente frisando bem a palavra casa.
—Sim Ronald, a nossa casa. Qual o problema? — Respondi me virando para ele.
—Mas vocês vão se casar? — Perguntou novamente, com os olhos ainda mais abertos.
—Claro, seu idiota, ou você acha que eu estava usando ela para relaxar? — Falei totalmente irônico.
Sua expressão mudou totalmente para uma compreensão um tanto constrangida, e sem falar nada ele se virou novamente para suas coisas.
—Francamente Ron, você não acha que está na hora de ter ciúmes de mim? — Comentei casualmente tirando as malas vazias de cima da cama e pegando o meu malão no canto do quarto.
—Eu acho, mas eu não consigo. — Explicou-se normalmente. — Ela é minha irmãzinha, mesmo sendo chata e irritante a maior parte do tempo.
—Sua irmã não é chata nem irritante. — Discordei dele.
—Acho muito bom que você pense assim, amor. — A voz da minha namorada soou no momento exato que ela passou pela porta aberta do quarto do irmão.
Eu ri da sua petulância e Ron rolou os olhos para ela antes de continuar o que estava fazendo.
—Vim buscar minhas coisas. — Informou assim que parou ao meu lado já pegando sua pilha de roupas. — E avisar que o jantar está pronto, mamãe pediu para que avisasse.
—Obrigado amor, já vamos descer. — Agradeci, dei-lhe um selinho rápido e ela saiu novamente, tão rápido quanto havia entrado.
Ron não puxou mais nenhum assunto depois disso, e alguns minutos depois já estávamos na cozinha desfrutando os dotes culinários da Sra. Weasley.
Fomos dormir cedo porque depois do jantar ninguém mais teve coragem de arrumar nada. Na sexta feira acordei um pouco mais tarde do que o normal e assim que abri a porta do quarto, ainda de pijama, eu e minha sogra quase nos esbarramos.
—Ah Harry, querido, estava indo acordá-lo. — Cumprimentou sorridente. — Pegue, são suas roupas limpas. Deixe tudo pronto hoje. — Me passou uma pilha de roupas cheirosas e passadas.
—Obrigado Sra. Weasley. — Agradeci e entrei novamente no quarto para acomodar as roupas limpas no malão.
O dia foi turbulento para todo mundo: a Sra Weasley ditando suas regras para todos os cantos, e nós quatro correndo de um lado para o outro para deixar tudo pronto. Depois do almoço meu malão já estava totalmente organizado, só faltava conferir os meus livros. No entanto, havia algo importante que eu deveria fazer antes.
—Sra. Weasley. — Chamei da porta da cozinha.
—Sim Harry. — Respondeu ainda preparando o lanche que levaríamos no trem.
—Se importa se eu sair por umas duas horas? — Perguntei sabendo que ela não iria se opor.
—Ainda falta conferir seus livros, Harry. — Me lembrou, dessa vez me olhando.
—Eu sei, estava pensando que Monstro podia fazer isso por mim. Eu realmente gostaria de ver o Ted antes de viajar. — Esclareci minhas intenções e ela sorriu amplamente.
—Oh, claro, seu afilhado. Vá, eu mesma confiro as coisas do seu malão. — Me incentivou e eu sorri de volta.
—Não se preocupe, vou chamar Monstro para fazer isso. — Agradeci a ajuda e saí em direção ao quintal, onde minha namorada estava recolhendo suas ultimas roupas do varal para acomodá-las na mala.
—Gi. — Chamei e ela se virou para mim. — Vou sair uns minutinhos, quero visitar o Ted antes de irmos. Eu te convidaria para ir junto, mas não acho que a Sra. Weasley vá deixar.
—Eu também acho que não. — Comentou rindo. — Mas dê um beijo nele por mim, por favor.
—Dou sim. Tchau amor. — Nos despedimos com um selinho demorado e eu saí em direção ao limite do portão, de onde já era possível aparatar.
Assim que cruzei a linha imaginária de proteção me entreguei à sensação desconfortável de passar por dentro de uma mangueira. Cruzei o beco estreito que havia escolhido para minha aparição e caminhei até a casa do outro lado da rua principal.
—Boa tarde Sra. Tonks, espero que não esteja atrapalhando. — Cumprimentei assim que a porta foi aberta.
—Harry, que surpresa agradável. Não é incomodo algum, entre. — Afastou-se para que eu entrasse. — Teddy, venha ver quem está aqui, querido.
Assim que ela chamou, um garotinho minúsculo e com cabelos azuis turquesa surgiu a passinhos cambaleantes pela porta da sala, em suas mãos havia uma pequena vassoura de brinquedo. Ele me olhou confuso antes de sorrir e caminhar até mim, com os bracinhos estendidos.
Não soube o que fazer, de imediato, porque eu nunca havia tido que segurar uma criança antes, mas o peguei mesmo assim.
—Ele gosta de você. Eu sempre conto de você pra ele, para que cresça sabendo que tem alguém com quem pode contar. — A Sra. Tonks falou pensativa enquanto olhava Teddy me mostrar a vassoura que emitia algumas faíscas coloridas, e que sem surpresa nenhuma eu reparei ter sido comprada nas Gemialidades Weasley. — Se me dá licença, vou terminar o que estava fazendo. Importa-se?
—Claro que não, fique a vontade. Eu só vim ficar um pouco com ele antes de voltar para Hogwarts, só poderei vê-lo no natal. — Expliquei me sentindo um pouco mal por ter vindo sem avisar.
Assim que ela sumiu de vista eu me abaixei e o coloquei novamente no chão, para que brincássemos um pouco. Ele ainda não falava, mas passava o tempo todo soltando alguns gritinhos estridentes e exibindo os únicos três dentinhos que tinha.
Eu o ensinei a equilibrar-se melhor em cima da vassourinha e ele retribuía com suas exibições, que sempre eram seguidas de um tombo. Eu não sei exatamente quanto tempo ficamos brincando na sala porque eu me perdi um pouco o vendo rir sem nenhuma preocupação e observando as mudanças de cores dos seus cabelos, mas soube que já era hora de ir embora quando, de uma hora pra outra, ele se sentou no meu colo e dormiu, quase imediatamente.
A Sra. Tonks havia aparecido umas duas vezes na porta para nos observar, e em uma delas ficou algum tempo olhando como nos dávamos bem e rindo das risadinhas escandalosas dele. Quando me levantei, totalmente sem jeito, com ele adormecido nos braços, foi preciso chamá-la algumas vezes para que me dissesse onde eu devia colocá-lo.
—Oh Merlin, está dormindo. Desculpe Harry, não tinha te ouvido, venha colocá-lo no berço, esse menino está pesadinho. — Comentou enquanto subia as escadas na minha frente.
Eu não deixei de estranhar seu comentário, porque para mim ele parecia extremamente leve.
—Obrigada por passar o dia com ele, Harry. Acho que ele sente falta de brincar assim como fez hoje, eu não tenho mais a mesma disposição de quando Ninfadora nasceu. — Seus olhos brilharam mais quando falou isso.
—Eu que agradeço ter podido ficar, eu quero ser totalmente presente na vida dele. — Falei enquanto descíamos as escadas em direção à sala.
—Acho que isso será muito bom para ele. — Se virou e apontou para o sofá. — Gostaria de uma bebida? Eu vim aqui por duas vezes te oferecer algo, mas fiquei com dó de interromper a brincadeira vocês.
—Não se incomode, eu já vou indo. Ainda não terminei de organizar minhas coisas para Hogwarts, e amanhã já embarcamos. — Me despedi e ela acenou antes de me conduzir até a porta. — Obrigado mais uma vez, Sra. Tonks, foi um dia muito bom e espero voltar o mais breve possível.
—Venha sempre que quiser. Tenha um bom ano letivo. — Se despediu de mim e saí em direção ao beco de onde havia surgido horas atrás.
Cheguei à Toca me sentindo muito feliz de ter aproveitado tão bem o tempo com o garoto e um pouco revoltado porque meus tios nunca tiveram vinte minutos para fazer o mesmo comigo. No entanto essa era outra parte da história e eu a superaria sendo a versão mais próxima de um pai que Teddy Lupin precisa.
—Merlin, Harry, já estava preocupada. Não pensei que fosse demorar tanto. — Minha sogra falou assim que entrei pela porta da cozinha. — Você perdeu o lanche da tarde, está com fome?
—Não Sra. Weasley, obrigado. E desculpe a demora, não reparei o tempo passando. Fiquei sentado no chão da sala vendo brinquedos durante toda a tarde. — Expliquei e ela sorriu.
—E como ele está? — Perguntou voltando-se para o jantar que estava sendo preparado.
—Andando! — Exclamei como se isso explicasse tudo e ela riu mais.
Ouvi passos apressados vindo em direção à cozinha e já me virei sabendo exatamente quem era. Gina havia acabado de tomar banho e ainda tinha os cabelos molhados.
—Oi. — Me cumprimentou apenas com um sorriso, nós não nos beijávamos na frente dos seus pais. — Você demorou.
—Fiquei brincando com ele, desculpe. — Me expliquei sorrindo de volta e pegando sua mão, para segundos depois ser arrastado para a sala. — Você deveria vê-lo, está enorme. E se lembrava de mim, brincamos a tarde inteira.
—No natal podemos trazê-lo para passar uns dias conosco, o que acha? — Perguntou sentando-se ao meu lado e apoiando as pernas em cima das minhas.
—Acho que prefiro fazer isso quando já estivermos na nossa casa, ficaremos mais a vontade. — Opinei e ela meneou a cabeça em concordância. — Monstro conferiu minhas coisas?
—Sim, mas depois eu conferi tudo de novo. Não havia faltado nada, mas vai que ele errou! — Comentou normalmente e eu ri, internamente lisonjeado por sua preocupação.
Fiquei alguns minutos conversando com ela, enquanto estávamos sozinhos, e assim que Ron e Mione se jogaram no sofá à nossa frente o assunto foi totalmente convertido em planos que iam desde as próximas partidas de quadribol (assunto sugerido por Ron) até a quantidade de livros que deveríamos ler para os NIEMs (assunto sugerido por Hermione).
O jantar foi servido minutos depois que o Sr. Weasley chegou do ministério, e tão logo comemos a última colherada da sobremesa especial de despedida fomos todos expulsos e obrigados a dormir, porque amanhã não deveríamos nos atrasar.
O Sr. e a Sra. Weasley ficariam um pouco mais na cozinha, como faziam todos os dias, e depois de nos despedirmos, subimos para nossas respectivas acomodações, Ron e Mione a frente.
—Ron, preciso do celular. Quero ligar para os meus pais. — Hermione falou enquanto passávamos em frente ao quarto da minha namorada.
—Está no meu armário, vem cá. — Ele a convidou e continuaram subindo o próximo lance de escadas, que os levaria ao quarto que eu dividia com meu melhor amigo.
Meu primeiro intuito foi continuar subindo e me preparar para dormir enquanto Hermione pegava o que queria, mas assim que eles seguiram caminho fui puxado fortemente para o quarto mais feminino da casa. Eu pensei em rir ou até mesmo fazer uma brincadeirinha, mas antes sequer de conseguir raciocinar a porta já estava fechada, minhas costas prensadas na parede ao lado e minha ruiva grudada em mim, uma das pernas rodeando minha cintura e as mãos cravadas no meu cabelo enquanto ela atacava minha boca.
Eu adorava quando ela tinha esses ataques de loucura comigo, e como um imã eu já estava segurando-a pelo bumbum, friccionando nossos quadris. Aproveitei para alisar suas costas, a cintura e apertar suas coxas, enquanto ela se esfregava em mim e gemia baixinho ainda com a boca grudada na minha.
Quando seus beijos desceram para o meu pescoço eu fechei os olhos e apreciei a sensação gostosa que ela conseguia me fazer sentir, dessa vez passeando uma das mãos pelos seus seios, enquanto a outra ainda acariciava seu bumbum, agora por baixo da saia curta que Gina estava usando.
—Estou com saudade. — Falou provocante no me ouvido.
—Eu também. — Respondi mordendo de leve o lóbulo de sua orelha e atritando nossos quadris novamente.
—Mas é melhor parar, não é? — Perguntou com a voz meio ofegante.
—Por enquanto sim, no domingo teremos a sala precisa à nossa disposição. — Concordei grudando-a num abraço apertado e cheirando seu pescoço. — Cheirosa.
Ela não me respondeu, mas seu sorriso no meu pescoço, que era onde sua boca ainda estava.
—Vou subir, Gi. Tenho medo que seus pais apareçam de repente aqui. — Ela concordou com um aceno de cabeça. — Boa noite princesa, te amo.
—Boa noite, te amo também. — Grudou nossos lábios num selinho demorado.
Quando fechei a porta e me virei Hermione estava descendo as escadas com o celular nas mãos.
—Arrume o cabelo. — Me alertou divertida. — Boa noite, Harry.
—Boa noite, Mione. — Respondi sorrindo.
Quando entrei Ron já estava deitado e eu fiz o mesmo. Assim que me cobri, já com o pijama, ele se inclinou sobre a cama auxiliar onde eu dormia.
—Esse ano será fantástico, não é? — Perguntou empolgado.
—Será o melhor de todos. — Respondi sorrindo também. — Boa noite, Ron.
—Boa noite, cara.
Minutos depois eu já conseguia escutar seus roncos. Não sei precisar quanto tempo demorei para adormecer, mas não demorou para que isso acontecesse.
—Harry, acorda logo. — Senti uma mão menos delicada que a de Gina, mas infinitas vezes mais carinhosa que a do Ron me sacudir. — Anda, a Sra. Weasley já está nos chamando.
Apalpei o chão ao meu lado e peguei meus óculos, colocando-os de qualquer maneira no rosto para visualizar melhor o rosto desfocado de Hermione, cuja voz eu já havia reconhecido.
—Cadê o Ron? — Perguntei ao reparar a cama vazia ao meu lado.
—Está no banheiro. Já são nove e meia da manhã, temos que estar em King Cross em menos de uma hora e meia, se apresse. — Ordenou e saiu do quarto.
Eu já havia deixado minha roupa de viagem separada, então meu único trabalho adicional quando me levantei foi guardar o pijama no espaço reservado especialmente a ele. Quando Ron saiu do banheiro eu aproveitei para escovar os dentes e tentar arrumar o cabelo. O encontrei na escada já trocado e descemos juntos para tomar café da manhã.
—Vocês tem quinze minutos para terminar de comer, o carro já está esperando por nós. Seu pai está terminando de descer as malas e assim que terminar sairemos todos. — A Sra. Weasley começou a falar assim que entramos.
—Mamãe, onde está a comida do Fred? — Gina entrou correndo na cozinha.
Ela estava usando umas das roupas que compramos juntos na Austrália, calça jeans, tênis e uma baby look branca e rosa.
—Coloquei dentro da sua mochila Gina. — Informou tirando o avental e ajeitando rapidamente o cabelo.
—Terminei, podemos ir. — Anunciou o Sr. Weasley na porta da cozinha.
—Meninos, tempo esgotado. — Com um aceno de varinha o café da manhã sumiu da minha frente e eu e Ron nos olhamos inconformados. — Da próxima vez levantem-se mais cedo. — Categorizou a Sra. Weasley. Vamos.
—Cadê a Hermione? — Ron perguntou enquanto saíamos.
—Já está no carro. — O Sr. Weasley respondeu. — Ela me ajudou a descer as coisas, por isso terminamos rápido.
Pela cara que meu amigo fez, ele só não praguejou a pessoa que ajudou a corromper seu café da manhã porque se tratava da sua namorada, caso contrário era bem provável que lançasse uma azaração. Depois de todos devidamente acomodados, o carro deu partida e quarenta minutos depois adentrávamos a estação de sempre, rumo à plataforma já bem conhecida por todos.
—Primeiro vocês, garotas. — Ordenou a Sra. Weasley e Gina e Hermione sumiram entre as plataformas 9 e 10.
Logo depois fomos eu e Ron, segundos depois surgiram o Sr. e a Sra. Weasley. As chaminés já exalavam a costumeira fumaça branca nos agrupamos em frente a porta de um compartimento vazio para aguardar as instruções que ouvíamos todos os anos.
—Não se metam em confusão, comportem-se e estudem muito. Não se esqueça que é ano de NIEMs para todos vocês. — Recomendou a Sra. Weasley com o dedo em riste. — E não quero saber de nenhuma reclamação porque estavam se agarrando pelos corredores, estão me entendendo?
Essa ultima frase fez com que todos nós ficássemos vermelhos e o Sr. Weasley desviasse o olhar como se não estivesse presente. Passado o momento constrangedor ela nos entregou nosso lanche embrulhado em papel alumínio e embarcamos, ao som do apito sonoro que indicava que as portas estavam se fechando.
Como perfeito cavalheiro ajudei minha namorada a guardar sua bagagem no compartimento certo e os acomodamos um ao lado do outro, com Ron e Mione no banco à nossa frente.
—Começaremos as exibições e chateações agora ou manteremos mais algumas horas de paz? — Hermione perguntou enquanto fechava a porta da nossa cabine.
—Mais algumas horas de paz. — Gina respondeu se debruçando na janela para acenar para os pais e minha amiga fechou a cortininha que garantiria que não seriamos vistos.
O trem começou andar ao mesmo tempo em que as lagrimas da Sra. Weasley começaram a cair, como aconteciam todos os anos. Depois que eles sumiram de vista eu fechei um pouco a janela para que não ventasse tanto e observei a paisagem ainda muito urbana que contornava tudo à nossa volta.
—Eu não esperava que voltássemos quando fomos embora pela ultima vez. — Hermione confidenciou se acomodando no abraço do namorado.
—Eu também não. — Confirmei e abracei Gina pela cintura, trazendo-a mais para perto.
—Mas o importante é que estamos voltando, não é? — Ron perguntou sorrindo. — Poderiam nos presentear com a graça de não precisar fazer os NIEMs, não acham? — Finalizou em tom brincalhão e nós rimos.
Durante a viagem conversamos sobre coisas banais, compramos algumas coisas no carrinho de lanches e no meio da tarde Ron e Mione foram chamados para o vagão dos monitores. Quando eu e Gina ficamos sozinhos ela se deitou e apoiou a cabeça nas minhas pernas, assim ficamos conversando enquanto eu lhe acariciava os cabelos.
Assim que começou a anoitecer colocamos nossos uniformes da Grifinória e finalmente Ron e Mione puderam se reunir a nós dois. Algum tempo depois notamos a velocidade reduzindo e a tão conhecida gritaria dos alunos do primeiro ano. Nem foi preciso olhar pela janela para entender o motivo: Hogwarts já estava à vista.
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