Sobre os 19 anos depois
21 Expresso de Hogwarts - I
Notas iniciais
POV Harry
Quando Gina parou de surtar no dia em que encontramos o bilhete avisando o desaparecimento dos nossos companheiros de viagem, ela quis aproveitar nosso dia sozinho do modo mais trouxa possível, que segundo ela consistia em ir ao shopping, à praia, jantar fora, assistir filme e fazer amor antes de dormir, o que me agradava bastante.
O problema mesmo começou quando no sábado de manhã eles ainda não haviam voltado.
Na hora que Gina levantou saltitante, se trocou e disse que ia chamar Hermione para saber onde os dois haviam ido eu achei totalmente normal, porque ela é um poço de curiosidade. Estranho mesmo foi vê-la voltar dois minutos depois, sozinha e com os olhos arregalados dizendo que eles ainda não estavam lá. Eu certamente achava isso muito preocupante, mas entre surtar e acalmá-la eu optei pela segunda opção.
—Amor, eles devem estar por ai se agarrando. Deixe os dois. — Me sentei na cama e ela se sentou ao meu lado. — Enquanto eles não voltam podemos aproveitar só nós dois, o que acha? — A abracei pela cintura e beijei carinhosamente seu pescoço, fazendo-a sorrir. — E podemos ir ao cinema.
—Cinema? Aquele lugar para ver filmes? — Perguntou instantaneamente mais interessada.
—Sim. E podemos assistir o que você quiser. — A distrai.
Passamos o dia quase todo assistindo filmes, porque Gina adorou as telas enormes que ela nunca havia visto. No geral foi um dia normal, onde eu ri muito com a minha namorada e nós parecíamos o que realmente éramos: dois jovens apaixonados e (agora) sem nenhuma preocupação com o futuro, porque ele já era quase certo.
No fim do terceiro filme eu pedi encarecidamente que fossemos comer algo e voltar para o hotel, porque podia ser que Ron e Mione já tivessem voltado. Ela não questionou e voltamos caminhando pela orla da praia descalços e de mãos dadas, falando bobagens e fazendo planos para quando voltássemos para Hogwarts.
—Será que eu ainda serei capitão do time? — Perguntei ao acaso. — Eu gostaria de ser.
—Acho que sim, ano passado não houve nada relacionado a isso, então não elegeram um novo capitão. Eu ainda estou na equipe? — Perguntou com superioridade.
—Se você ainda jogar tão bem quando me lembro, está sim. — Respondi dando de ombros e nós dois rimos.
—Se não fosse o quadribol nós estaríamos aqui hoje? — Me perguntou sorrindo.
—Acho que sim. Eu não iria demorar tanto pra me tocar. E caso não estivéssemos ainda havia a opção de você jogar um balaço na minha cabeça pra eu acordar. — Rimos de novo. — Mas eu já teria falado com você, porque eu quebraria a cara do próximo cara que eu encontrasse te agarrando nas passagens secretas do castelo.
Ela gargalhou abertamente ao meu lado.
—Aquele dia eu não sei se ficava com mais vergonha de você ou mais raiva do Ron. — Confessou sorrindo. — Mas francamente, não sabia que você conhecia aquele lugar.
—E francamente, eu achei que você se desse mais o respeito. — Brinquei e levei um soco no ombro.
—Olha quem fala, não sou eu que andava por ai me agarrando com uma japonesa falsa e sem sal. — Falou com cara de nojo e rimos. — De qualquer forma, aquele lugar é estratégico, podemos ir lá juntos.
—Nem pensar, vou me lembrar de Dino Tomaz e ser obrigado a te largar lá sozinha e ir atrás dele encher aquela cara sem graça de porrada! — Disse em tom de brincadeira, mas sério. — Acharemos um lugar nosso. — A puxei para perto e beijei o topo da sua cabeça.
—Se assim você diz, eu sempre senti uma certa atração pela salinha do capitão que tem no vestiário do campo de quadribol. Aquele podia ser nosso lugar, o que acha? — Piscou pra mim no fim da frase.
—Não sei, podemos experimentá-lo e depois te dou meu aval de capitão. — Respondi com ar de superioridade e ela riu novamente.
—Espero que mamãe esteja cuidando bem do Fred. — Comentou depois de alguns segundos em silêncio.
—Não consigo imaginar nada que sua mãe não cuide bem. — Respondi imediatamente e ela revirou os olhos.
—Você e mamãe devem parar de puxar saco um do outro. Nós, os filhos, ficamos enciumados. — Apontou o dedo para mim enquanto dizia, me fazendo rir com ela.
—Será que eles já voltaram? — Perguntei mudando o rumo da conversa.
—Espero que sim, estou começando a me preocupar já. Eles não levaram nada com eles, as roupas, os dois notebooks e o celular ficaram no quarto.
Antes de sair da areia da praia para o asfalto da calçada paramos para colocar nossos sapatos. Depois disso foram mais uns dez minutos de caminhada tranquila até entrar no nosso quarto.
—Não voltaram! — Ela comentou com o cenho franzido e me olhando um tanto indecifravelmente. — Será que deveríamos contar para a minha mãe?
—Nem pensar! — Objetei com veemência. — a Sra. Weasley mataria nós quatro.
Ela riu um pouco, e eu acredito que seja dos meus olhos arregalados.
—Vou tomar banho, amor. — Me informou já se virando para o banheiro. — Pode me acompanhar se quiser.
Eu abri um sorriso enorme antes de saltar da cama e entrar no banheiro com ela. Terminado nosso banho, ela vestiu uma das minhas camisetas, uma calcinha branca e se deitou ao meu lado, aninhando-se carinhosamente em meu peito, como todos o dias.
—Quando voltarmos pra casa eu vou sentir falta de dormir com você. Isso é, se o Rony voltar e mamãe me deixar viva para a primeira noite. — Finalizou rindo e eu a acompanhei.
—Vou sentir falta também. Principalmente na academia de aurores.
—Eu não estou pensando nisso, então por favor não me lembre. — Me pediu séria e eu não questionei.
Levantei seu queixo para que ela me olhasse.
—Eu te amo, ruiva. — Beijei a ponta do seu nariz assim que terminei de falar.
—Também te amo, eleito. — Me deu um selinho demorado e encostou o rosto no meu peito.
Aos poucos eu senti sua respiração ficando mais pesada e adormeci também, abraçado a ela.
—Acordem, os dois. — Ouvi alguem sussurrando isso próximo a nós dois, mas não consegui identificar de imediato. — Gina, Harry. Levantem. — Agora eu também senti uma mão chacoalhando levemente meu ombro.
Consegui forçar meus olhos a se abrirem e ainda meio inconsciente senti minha namorada dar um pulo ao meu lado e gritar, simultaneamente.
—Seu idiota! — Foi o que ela proferiu em meio à voz alta. — Onde vocês estavam? Nós dois estávamos preocupada.
Me sentei imediatamente a tempo de ver ele dar dois passos atrás e Gina se levantar apontando o dedo para ele.
—Você é um bruxo, Ronald, e nem assim pensou na possibilidade remota de me mandar um aviso? Um patrono? Uma carta? Sei lá o que...
—E eu acho que você poderia se vestir. — Ele respondeu. — Não é como se eu estivesse confortável vendo minha irmã só de camiseta e calcinha.
Ele respondeu alto, mas ainda assim mais baixo que ela.
—Então olhe para o outro lado! — Ela respondeu séria e sem se mexer. — Onde você e sua namorada estavam enquanto nós dois nos preocupávamos com os dois?
Ele me lançou um olhar de "faz alguma coisa", mas eu só dei de ombros. Desde que comecei a namorar a irmã do meu melhor amigo prometi a mim mesmo nunca me intrometer nas recorrentes brigas dos dois.
—Se a senhorita parar de surtar, se vestir e me acompanhar, saberá. — Meu amigo retrucou com as orelhas vermelhas e cruzou os braços ameaçadoramente na frente do peito.
Gina bufou alto, se virou e caminhou a passos largos até o outro lado do quarto, pegou um vestido dentro da mala e se trancou no banheiro, batendo a porta ao passar.
—E ai, cara, beleza? — Perguntei quando ficamos só os dois.
—Comigo sim, com você já não sei. — Respondeu divertido. — Boa sorte pra você que pretender aguentar essa louca pela vida toda.
Nós dois rimos.
—Eu me acostumo. — Dei de ombros e ele riu. — Espero que você tenha uma boa explicação pra esse desaparecimento, porque ela ficou preocupada realmente.
—Eu sei. É que a minha irmã tem um jeito peculiar de demonstrar isso quando estamos perto. — Rimos baixinho. — Não sumiríamos daquele jeito se não fosse importante.
—Tem a ver com os pais da Mione? — Perguntei curioso.
—Tem.
—Vocês os encontraram?
—SIm! — Me respondeu radiante, e com um sorriso enorme.
—Mas como? — Perguntei confuso.
—Isso que estou tentando contar pra vocês, então é melhor virem logo.
Me troquei e quando Gina saiu do banheiro com cara de poucos amigos eu entrei, fiz minha higiene matinal e os encontrei cinco minutos depois no quarto. Ainda sem conversar.
—Vamos? — Convidei e ambos assentiram.
Rony foi à frente e Gina segurando minha mão. Descemos as escadas, atravessamos a rua e entramos numa pequena lanchonete que havia em frente ao hotel, onde encontramos rapidamente Hermione sentada radiante e Sr. e Sra. Granger em frente a ela, conversando alheios a tudo.
—Aaah! — Gina exclamou ao meu lado assim que os viu. — Estão perdados, Ronald. — Falou para o irmão e eu ri, Ron apenas a olhou e os dois se fuzilaram com o olhar.
—Com licença. — Ron falou assim que chegamos ao lado deles.
—Aah Harry, Gina. Desculpem sair sem avisar. — Hermione falou assim que nos viu e ambos sorrimos com compreensão para ela. — Deixe-me apresentá-los. Papai, mamãe, esses são Harry e Gina, a irmã do Rony.
—Um prazer conhecê-los Sr. e Sra. Granger. — Minha namorada falou educadamente apertando a mão dos dois.
—O prazer é nosso, querida. — A Sra. GRanger respondeu pelos dois, o marido apenas sorriu amplamente para ela. — Após conhecê-la eu devo supor que sua família é toda composta por lindos ruivos, Ron.
Rony e Gina coraram com o comentário e sorriram sem graça.
—E esse é o Harry, acho que se lembram dele. — Mione continuou com as apresentações.
—Claro, nos lembramos sim. Como vai, Harry? — Dessa vez foi o Sr. Granger que tomou a frente e me cumprimentou, a Sra. Granger apenas sorriu.
—Ótimo senhor, obrigada. — Respondi sorrindo.
—Não pense que escapou da bronca, Harry. — A Sra. Granger falou amável enquanto apertava minha mão e eu apenas sorri.
Nos sentamos todos juntos e tomamos café da manhã enquanto Ron e Mione contavam com detalhes o que havia acontecido desde a noite em que saíram. Quando finalizaram a narração dizendo que haviam ficado no sábado para conhecerem um pouco da cidadezinha onde estavam passando as férias e auxiliar os pais a arrumarem suas coisas para regressar a casa, Hermione se virou para mim e abriu a bolsa.
—Aah, e eu peguei uma coisa sua emprestada. Espero que não se importe. — Falou me entregando a capa da invisibilidade.
—Não tem problema. — A tranquilizei. — Se importa de deixá-la na sua bolsa? Eu pego no hotel depois.
Eu nunca havia conversado com os pais da Hermione, nos limitávamos a acenos distantes na plataforma do Expresso de Hogwarts. Eles se mostraram tão amáveis quanto Sr. e Sra. Weasley, com a diferença que era mais jovens e sabem falar 'telefone' corretamente.
Terminamos nosso café sem pressa e antes de levantarmos para sair a Sra. Granger chamou nossa atenção.
—Vocês voltarão na quarta feria para Londres, não é? — Perguntou apenas para confirmar.
—Sim, na quarta pela noite. — Hermione confirmou
—Então fazemos questão que passem o restante das férias conosco, na nossa casa. Não é John? — Olhou sorridente para o marido.
—Certamente. Ficarão conosco e os levaremos até o aeroporto. — O Sr. Granger confirmou.
—Vocês continuarão morando aqui? — Hermione perguntou.
—Ainda não sabemos querida. Mas mesmo que voltemos para Londres três dias é muito pouco para organizar todas as coisas e voltar com vocês. — O pai respondeu e ela assentiu.
—Não queremos incomodá-los. — Falei para ambos.
—Não será incomodo nenhum. — A Sra. Granger me tranquilizou. — Podemos aproveitar que estamos de carro e levar as malas de vocês agora.
Saímos da lanchonete direto para o hotel e enquanto os pais da Hermione buscavam o carro nós quatro aproveitamos para organizar nossas coisas e pagar o hotel. Quando minhas malas e as de Gina estavam prontas eu tive certeza que aquilo tudo nunca caberia em um carro trouxa, assim que o jeito foi lançar mão de um feitiço compactador, como os que Hermione lançava naquela bolsinha de contas que levava para todo lado. Quando tudo finalmente foi reduzido a uma única e mais leve mala de mãos descemos para encontrar todos já a nossa espera.
—Que mala pequena para duas pessoas passarem mais de duas semanas! — O Sr. Granger comentou enquanto colocava nossa bagagem no porta-malas e nos entreolhamos divertidos.
Depois de resolver que iríamos passar o dia em família e não na praia, como a Sra. Granger supôs que preferíssemos, nos esprememos no banco de trás enquanto o Sr. Granger entrava sentava-se no banco do motorista e a Sra. Granger no banco do passageiro, e fomos em direção à nova casa dos pais da minha melhor amiga.
Ao entrarmos pela porta da frente na sala de tamanho mediano e móveis claros que se estendia a nossa frente, eu apenas coloquei a mala no chão e olhei em volta discretamente, enquanto Hermione deu uma volta completa e completamente indiscreta olhando em volta.
—Uau. — Comentou enquanto olhava atentamente todos os detalhes. — Nada a ver com a nossa casa.
Seus pais riram baixinho.
—Falta seus milhares de livros. — O Sr. Granger comentou fazendo todos nós rirmos.
—Venham, vou lhes mostrar onde colocar as coisas. — A Sra. Granger nos chamou enquanto começava a subir uma escada estreita que havia no canto. No geral, aquela se parecia muito com a casa dos Dursley, embora fosse mais acolhedora e menos impecavelmente limpa.
Ao fim da escada havia um corredor grande com três portas à esquerda e uma ao fundo. Apontando para a primeira porta, a Sra. Granger nos disse:
—Os dois quartos de hóspedes têm o mesmo tamanho, então vocês podem escolher em qual deles dormirão os meninos e as meninas.
Nós quatro nos entreolhamos um pouquinho sem graças e a Sra. Granger se virou para nós exatamente nessa hora, com um olhar desconfiado.
—Não deixe seu pai ver essa expressão de decepção. — Falou em tom divertido para Hermione, fazendo com que ela e Ron corassem absurdamente. — E enquanto ficarem aqui, quartos separados. — Acrescentou como um aviso não como uma bronca e desceu nos deixando a sós.
—Mamãe vai gostar dela. — Rony comentou quando ficamos os quatro sozinhos no quarto onde as meninas ficariam, que era o segundo do corredor, e nós quatro gargalhamos abertamente.
Depois de separarmos nossas malas e nos acomodarmos em nossas respectivas habitações, nos reunimos na sala para passar nosso domingo em família, o que para Hermione significava o primeiro depois de muito tempo.
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