Sobre Aliens E Irmãos

5 I - Quinto - Sobre Armários e Doces - +18/hentai


Notas iniciais
E aí, povo. Well, "taí". Já estava com saudades de escrever hentai e matei um milésimozinho dessa vontade escrevendo este aqui. A indicação do nome pode parecer boba, mas ajuda a identificar a quem não gosta de hentai, ou futuramente, lemons. Assim, só lê quem quer, né xD Nos vemos ao final, boa leitura~~


Desde que adentrara no ambiente, pôde captar alguns poucos detalhes óbvios. Era um local escuro ― a única iluminação provinha de uma desgastada e solitária lâmpada. Para sua surpresa, não era tão apertado quanto previra, mas o amontoado de objetos a se delinearem na meia-luz o tornavam sufocante. E, acima de tudo, era quente. Muito quente. Mas talvez sua percepção estivesse deturpada, pois no momento estava ocupada.

Mal abriram a porta com facilidade com a chave, Usui tratou de apanhar seus lábios, comprimindo-a contra uma superfície qualquer enquanto trancava a porta atrás de si. Havia o receio e a empolgação de serem descobertos, e a morena correspondeu-lhe com sua língua ansiosa e urgente. Contudo, o bastardo não parecia compartilhar de sua avidez e pressa ― beijava-a com tal lentidão que a namorada sentiu-se excitada apenas com a expectativa de uma resposta mais veemente.

Como a chave estava devidamente posicionada sobre a fechadura, as mãos do loiro estavam livres para percorrer o corpo de Misaki, deliciosamente apertado contra o seu devido à ausência de espaço disponível. Deslizou os dedos por entre suas costas, proporcionando arrepios femininos e alguns suspiros abafados por sua boca gradativamente mais voraz. Ao alcançar seu quadril, tratou de agarrar suas coxas, sustentando-a subitamente ― e a universitária não demorou a captar o que ele pretendia, enlaçando –o com suas pernas.

Naquele recinto atulhado, nada era tão distante; Takumi poucos passos deu até soltá-la sobre algo que se assemelhava a uma bancada. E a ambos tanto fazia onde estavam apoiados. Ao deixar os lábios da morena ainda famintos pelos seus, avançou sobre seu pescoço ― apenas roçava a pele, sem tocá-la mais intensamente. E consciente do que ele fazia, Misaki remexeu-se, inquieta.

― Droga, Takumi!

― O que eu fiz, Misa-chan? ― indagou ele, simulando inocência, traída devido ao sorriso obsceno.

Como se para complementar suas palavras, lambeu a garganta exposta, antes de marcá-la com seus chupões. À sua maneira, ela tentava reprimir os próprios gemidos ao morder os lábios; porém, sentia-se recompensada pelas carícias delirantes. Aquele estúpido sempre adorou provocá-la com movimentos vagarosos, que despertavam nela reações insanas. Mas a sofreguidão com que o desejava não lhe permitia tolerar a lentidão ― na verdade, queria arrancá-lo das roupas imediatamente.

E tentou fazê-lo, enganchando seus dedos às extremidades do que lhe cobria o tronco. Mais ágil, todavia, Usui apanhou-lhe as mãos, segurando-as contra um anteparo no qual a morena foi parcialmente reclinada. Inutilizara ambos os pares de mãos; tanto os dela, presos; quanto os seus, ao prendê-los. Contudo, seus lábios e língua estavam livres de quaisquer restrições. Também deixou de sugar sua pele para lambê-la, até alcançar seu ouvido esquerdo.

― Por que a pressa? ― Um simples sussurro fez com que contraísse suas entranhas; sua excitação já ultrapassara os limites.

― Não temos... muito tempo ― murmurou, retardando sua frase quando sentiu que ele lambia sua orelha.

Não era uma mentira o que dissera, afinal eles realmente não dispunham de uma eternidade. Seu maior motivo, no entanto, era a fome violenta que sentia consumi-la ― talvez resultado da situação inusitada, ou das próprias provocações do loiro, ou ainda ambos a acentuarem um ao outro. De qualquer maneira, era insuportável lidar com tantos estímulos quando ele voltou a atiçá-la com sua boca, alternando leves mordidas e chupões suaves enquanto aguardava que ela completasse a própria sentença. E a ela restava apenas contorcer-se, apertando as coxas uma à outra, ou simplesmente ofegar livremente, tentando soltar os pulsos aprisionados.

― Agir desse jeito só vai fazer com que eu demore mais ― ele enfim avisou, divertido, embora em seus olhos também ardesse o desejo.

Que droga, protestou ela mais uma vez, mentalmente. Ainda assim, aquietou-se, mantendo descompassada apenas sua respiração irregular. Seus olhos, entretanto, denunciavam sua contida ânsia ao encarar os dele, como se quisessem convencê-lo. E para retribuí-la, além de satisfazer a si mesmo, voltou a beijar os lábios sedentos de Misaki.

Abandonando qualquer contenção anterior, ela permitiu-se explorar livremente tudo que ele tinha a oferecer; confrontava sua desmedida avidez com os estímulos deliberadamente lentos de Takumi, e não conteve os próprios gemidos abafados pelo contato com o outro. Somado à intensidade e habilidade com que a morena usava de seus lábios e língua, o som incitou nele uma absurda necessidade que ultrapassou seu intento de provocá-la. Mordeu seu lábio inferior, arrancando dela muito mais ruídos de contentamento, e passou a corresponder de sua voracidade ao saboreá-la com equivalência.

Era apenas Misaki a enlouquecê-lo daquela maneira.

Ao rodeá-lo novamente com as pernas, aproximando seu sexo ao dele, a morena suscitou nele um gemido também contido em seus lábios. Apertou-se mais contra o membro já rígido a latejar, desfrutando da sensação enquanto sua boca, já inchada, era liberta. Ao tentar alcançar a garganta do namorado com os lábios, foi arrebatada pela sensação da boca dele sobre seu próprio pescoço. Quando beijaram-se, a temperatura de suas línguas era semelhante; porém, ao tocar sua pele já quente com tamanha ânsia, Usui enfim deixou-a ciente do contraste de temperaturas, excitando-a muito mais.

―Vai continuar boazinha se eu te soltar? ― questionou ao fitá-la com seus olhos verdes vívidos.

― É claro que não ― respondeu ela sem pestanejar. Nunca deixaria o idiota fazer tudo sozinho.

Sua resposta pareceu agradá-lo, pois não demorou muito a soltá-la. E ela também foi rápida a entrelaçar seus dedos aos fios claros, estendendo-se para provar ela mesma da pele de Takumi. Arranhava sua nuca e seus ombros enquanto a língua e os dentes estavam ocupados em marcá-lo também. Já as mãos do rapaz eram mais ousadas, ao apertar sua carne ainda coberta por tecido. Mas não por muito tempo.

Porque as mãos a agarrar suas nádegas para comprimi-la contra a ereção furiosa logo alcançaram a extremidade da blusa da morena, puxando-a com tamanha violência que o tecido por pouco não suportou. Atirou a vestimenta em uma direção qualquer, assim como ela quando arrancou-lhe de suas próprias camadas de tecido ― mais tarde, teriam dificuldade em reunir novamente todas as roupas. No momento, porém, o que lhes importava era somente satisfazer um ao outro de suas necessidades insanas.

Antes de qualquer reação do rapaz, excitado com a visão da namorada ― cujo tronco estava coberto apenas por um atraente sutiã azul ―, Misaki adiantou-se até seu tórax, acariciando-lhe com seus lábios e unhas. Provocou nele um ofegar surpreso e enquanto descia seus dedos por entre seu umbigo, destinando-se ao cós da calça masculina, mirou-lhe com um travesso sorriso de desafio.

― Você é muito lerdo.

― Lerdo? ― Usui arqueou as sobrancelhas, e tão logo ela percebeu, as mãos do rapaz livraram-na da peça que a encobria ao rapidamente desenganchar o fecho. Perguntou, malicioso: ― Não é você que está ansiosa demais?

E a velocidade com que seus seios arrebitados e agora desobstruídos foram estimulados deixou a morena sem ar ― podia antever o sorriso vitorioso e atrevido do namorado ao atordoá-la com as carícias imediatamente intensas. Quando o maldito começava, ela ficava entre aproveitar-se apenas e desejar que ele avance de uma vez. Apesar de suas pretensões de revidá-lo, apenas desfrutou da sensação de suas mamas apertadas, massageadas, e logo abocanhadas.

Numa trilha sensual, a língua aquecia e umedecia a superfície já férvida, contornando um dos mamilos para que enfim os lábios o envolvessem e chupassem. Ocupados em puxar o outro botão rosado sem pudores, os dedos também delineavam as curvas delgadas com delicadeza, para em seguida contrastar o próprio contato ao fincarem-se à pele com aspereza.

Proporcionavam um ao outro sinais de seu prazer, e os chupões avermelhados sobre os seios de Misaki, assim como os arranhões nas costas do loiro denunciavam a tensão sexual que pairava sobre os dois durante aquele amasso irrefreável. Hábeis, as mãos de Misaki livraram-no de seu cinto e de sua calça, que desabaram sobre o chão do depósito após penderem dos quadris do rapaz.

Ao roçar minimamente sobre os boxers, os lábios a experimentar de seu colo e sua clavícula tornaram-se mais selvagens, assim como as carícias mais exigentes ao avançarem por sobre suas coxas. O hábito que ela tinha de usar calças mostrou-se muito inconveniente ― a saia do Seika era infinitamente mais prática. E ao tentar liberar as pernas da namorada, traçadas de maneira pecaminosa, Takumi não foi nem um pouco gentil.

― Não sou só eu a ansiosa, idiota ― percebeu Misaki, enquanto sustentava-se sobre as mãos apoiadas sobre a bancada improvisada para facilitar o processo de retirada. Um pouco mais e ficaria sem seu jeans, e não havia qualquer outra vestimenta para substituí-lo quando deixassem o local.

Com o mesmo destino do restante das peças, a calça deixou de ser visível tão logo despida ― mas a calcinha azulada permaneceu, o que frustrou bastante a morena. Quando ele enfim reagira como queria, iria voltar a estimulá-la de maneira vagarosa e delirante? Ela não suportaria! Mal continha os próprios gemidos e o arfar desmedido, e tinha plena consciência da umidade no vértice de suas pernas. Ela o queria ― naquele instante!

― O que acha de pedir? ― sugeriu ele, sobre seu ouvido. Rouca e grave, sua voz fez com que as profundezas femininas se comprimissem em resposta.

― Você quer que eu implore? ― Ultrajada e excitada, a universitária nem ao menos notou que sua pergunta apenas instigou o namorado a prosseguir.

― Se prefere ver dessa maneira... ― continuou ele. Passou a estimulá-la com seus lábios sobre os ombros, enquanto apertava-a contra o próprio membro rijo. ― Estou esperando, Misaki.

Por que tinha de murmurar seu nome de modo tão sedutor? E as malditas mãos, por que tinham de tocá-la de forma tão luxuriante e possessiva? Em outra situação, negaria aquela proposta até a morte ― a avidez, no entanto, dominava-a e impedia qualquer racionalidade. Só restava obedecê-lo, mesmo que a ideia a repelisse. Que se dane tudo!

― Tudo bem! Quero que me arranque logo dessa droga e quero você de uma vez. Agora!

O que deveria ser um pedido ganhou aspectos de ordem, mas ele sinceramente não se importava. Ao retirar o tecido, no entanto, não deixou de arranhar suas pernas durante o percurso, e o incêndio de seu gesto provocou sobre a pele da outra fez com que ela gemesse seu nome. A intensidade de seu desejo equivalia-se ao dela, o que foi claramente expresso quando adentrou nela de repente, apanhando seu ofegar aturdido em meio a um beijo lascivo. Mesmo que já repetido inúmeras vezes, o gesto de penetrá-la sempre gerava nele um endurecimento ainda maior, espontâneo diante da superfície molhada e ardente a envolvê-lo num aperto estreito.

À ela, a invasão repentina incendiou-a muito mais; o calor emanado por suas entranhas dilatava-se pelo corpo inteiro diante do órgão grosso e comprido a saciá-la. E as investidas deliciosas e violentas eram complementadas pela língua a remexer-se contra a sua; aos lábios a captarem os seus para amenizar qualquer som erótico. Usui devorava-a sem restrições, tanto ao profanar sua boca com voracidade indecente, quanto ao arrebatá-la ao estocar gradativamente mais fundo.

E a sensação, para ambos, era amplificada devido à ausência de quaisquer barreiras entre seus sexos. Desde que Misaki passara a usar de pílulas como método contraceptivo, o preservativo mostrou-se desnecessário ― e sua ausência era prazerosa demais para que voltassem a utilizá-lo. Podiam sentir a textura, a temperatura, o pulsar um do outro sem filtros; desfrutar muito mais de seus próprios corpos, enfim.

Silenciar-se era uma tarefa árdua para ambos, embora a morena estivesse em desvantagem: teve de morder os próprios lábios quando o namorado voltou a castigar sua garganta com mordidas e chupões. A própria cabeça pendeu para trás ao sentir perigosamente próximo o próprio orgasmo, estimulado com as arremetidas certeiras ao seu ponto mais sensível. Suas unhas afundadas sobre o cabelo loiro remexiam-se num ritmo frenético enquanto estava quase...

Alto e claro, o ruído de vozes no exterior os interrompeu. Imediatamente, Takumi deixou de mexer-se para voltar sua atenção aos rumores além da porta trancada. Ainda que não pudessem abri-la, poderiam muito bem ouvi-los se prosseguissem. Contudo, aparentavam estar apenas de passagem e logo os deixariam a sós novamente. Enquanto isso, Misaki nada ouviu, nada percebeu ― toda a sua concentração estava voltada para suas regiões mais baixas, ainda preenchidas.

Não bastasse a interrupção quando estava prestes a gozar, quando estagnada, conseguia sentir o volume que envolvia com muito mais intensidade, ansiosa para que voltasse a mover-se. Contorceu-se, desconfortável e inquieta com a sensação, e o namorado notou seus movimentos. Seria divertido, pensou. Restringiu seus quadris ao empurrá-los contra si mesmo, impedindo-a de remexer-se à procura de alívio, enquanto aguçava seu prazer ao friccionar sua boca sobre o pescoço de Misaki.

― O que está fazendo, seu estúpido? ― sussurrou, perplexa, tentando desesperadamente conter a própria respiração.

― É melhor ficar quietinha, presidente ― aconselhou ele, com um provocante sorriso dissimulado. ― Ou quer que nos ouçam?

Próxima da insanidade e absurdamente consciente de qualquer mínimo latejar da ereção, ela inconscientemente passou a deslocar seus quadris contra as limitações promovidas pelo loiro. Seu movimento era gradualmente mais hipnótico e sensual, e o atrito afetou à Usui mais do que previra. Somadas à contração das paredes internas da namorada e o enlace mais estreito de suas pernas a trazê-lo para mais perto, eram um convite para que o rapaz se perdesse em meio à luxúria com ela.

― Droga, Misaki! ― praguejou ele mais alto, pois os funcionários já haviam partido. E ela sorriu ao despertar nele a mesma reação que outrora ela mesma demonstrara.

― Bem feito, imbecil. ― Sua voz era desafiadora ao enfim revidá-lo pela provocação anterior, e mordeu seu lóbulo como se o incentivasse.

Assim ele o fez. Agarrou as coxas com muito mais sofreguidão ao investir novamente, avivando nela o familiar prazer que antecede o clímax. Fincando as unhas sobre o dorso de Takumi, a morena dizia seu nome repetidas vezes enquanto lhe pedia por cada vez mais. A anterior frustração de seu orgasmo parecia intensificar agora sua satisfação, a tal ponto que abafou seus gritos a rasgar sua garganta ao morder os ombros nus à sua frente.

Empurrando-se e puxando-se continuamente contra ela, o loiro cerrava os dentes para também conter os próprios grunhidos, principalmente quando a intimidade de Misaki passou a convulsionar-se em anúncio ao seu êxtase poderoso. Investiu mais força e rapidez às estocadas, ao deixar o instinto dominá-lo enquanto todos os sentidos captavam apenas à Misaki. Seu cheiro, sua visão, seu sabor, sua voz, sua calidez ― tudo o estimulava mais e mais a mergulhar-se mais rudemente entre as pernas que dominava com maestria com suas mãos vigorosas, até que derramou-se inteiramente dentro dela.

Não poderiam dizer quanto tempo permaneceram abraçados um ao outro, ainda exaustos, e muito menos ao em seguida procurar por entre as roupas embaralhadas em meio à confusão de objetos daquele armário. Quando enfim vestiram-se por completo, a universitária abriu a porta com receio, verificando ambas as direções antes de deixar o compartimento. Não havia ninguém, felizmente.

Logo ao sair, Usui a envolveu novamente, desta vez por trás ― este abraço, porém, era carinhoso, assim como os suaves beijos que distribuiu sobre os cabelos escuros. Não havia limites para o amor que sentia por aquela mulher, que permitiu-se sorrir minimamente para si mesma ao pousar as mãos sobre os braços a cingi-la. Mas as responsabilidades não demoraram a ocupar sua mente. Voltou seu rosto para trás, para encará-lo um pouco mais ríspida.

― Você tem aula e eu também ― lembrou ela, numa advertência.

Ele nada disse em resposta ― apenas aproximou-se para beijá-la em despedida. Enquanto correspondia ao gesto, a morena elaborou então um plano. Havia ainda algo a fazer. Deslizou sua língua sobre os lábios do rapaz, para adentrá-la em sua boca logo em seguida, para distraí-lo. Quando ele foi absorto no beijo mais audacioso do que planejara, aproveitou-se para levar suas mãos às calças masculinas. Seu destino eram os bolsos. Ao apanhar as chaves, tornou brandos seus lábios sobre os dele, até afastarem-se.

― Vou devolver para algum responsável ― explicou diante do olhar confuso de Takumi.

― Você não muda, não é, Misa-chan? ― rendeu-se ele, divertido. A natureza obstinada e um tanto obcecada pelas regras da ex-presidente ainda era vívida e presente, mesmo que seus métodos houvessem mudado.

― Como se pudesse falar alguma coisa, alien pervertido!

****

― Qual compartimento celular produz mais ATP e qual consome mais?

Diante da pergunta, o moreno vasculhou sua mente em busca da lembrança daquele tema. Havia estudado sobre aquilo, poderia jurar! Fechou os olhos, como se assim sua concentração se elevasse naturalmente. Enquanto isso, Suzuna fitava-o, apoiando sua cabeça sobre uma das mãos enquanto os braços fincavam-se sobre o kotatsu ¹. Para ajudá-lo com as questões do vestibular ainda tão distante, foi à casa do namorado.

― Mitocôndrias e... ― Hinata esforçou-se um pouco mais. Estava tão perto! ― ... cloroplastos?

A resposta, que mais aparentava ser uma dúvida, estava correta, afinal. Sentada ao seu lado, assistiu à comemoração do outro ― sua animação era um contraste à apatia convencional da colegial. Para incentivá-lo mais, propôs então que lhe ofereceria uma bala a cada acerto. De sua tradicional maneira excêntrica, divulgou o doce cuja superfície era azeda para contrastar com o recheio de chocolate, atribuindo-lhe qualidades que nem sequer existiam.

― E o gosto é ótimo ― comentou ao final, levando uma delas à boca.

― Sua cruel! ― lamentou ele, enquanto salivava pelos pequenos globos de sabor misto.

― Está perdendo tempo, You-kun ― advertiu, enquanto desfrutava da bala ao volvê-la em sua boca.

― Ok, me pergunte sobre qualquer assunto!

Satisfeita, pois seu intento de animá-lo ainda mais surtira efeito, assinalou no caderno de exercícios inúmeras questões para que Shintani as resolvesse. Disse ainda que mudou de ideia e teria de responder a todas para ganhar somente uma porção, já que o doce era saboroso demais para o distribuísse levianamente. Sua provocação obteve êxito, e o moreno dedicou toda a sua atenção à resolução dos problemas de Química e Biologia. Ao final, conferiram juntos o gabarito, e a empolgação e ansiedade do rapaz faziam dele muito mais fofo aos seus olhos.

― Está bem, feche os olhos e abra a boca ― pediu ela, ao que o maior obedeceu, contente.

Durante alguns segundos, Suzuna deliberou, para enfim estender-se e oferecer a bala. A que estava em sua boca. Aproveitou-se para esfregar sua própria língua à dele, pois o gesto fez com que transmitisse a bala a ele, de qualquer forma. E embora inicialmente surpreso, Hinata não demorou a envolver os lábios da pequena com os seus, correspondendo ao beijo com intensidade. Para lá e para cá, numa confusão entre as cavidades úmidas, a substância de sabor cítrico já perdera grande parte de sua camada superior e o gosto marcante do cacau foi sentido por ambos. Ao sugar o lábio inferior do moreno antes de afastar-se, ela também apanhou um resquício do doce.

― Chocolate e You-kun, o melhor sabor de todos ― confessou quase que para si mesma, simultaneamente divertida e sugestiva. Quando o namorado corou com seu comentário, apreciou suas feições adoráveis, para complementar-se: ― Se quiser outra, é só pedir.

Afinal, ao dividirem do doce metade de sua consistência foi absorvida por ela mesma. Contudo, naquele momento apenas pretendia provar da menor uma vez mais, e a encarou com seriedade antes de beijá-la ele mesmo. Como a morena não ofereceu resistência alguma, acabaram deitados sobre o chão, enquanto as pernas permaneciam aquecidas no interior do kotatsu.

Havia algo de viciante na morena, que estendia-se para além de suas carícias. Talvez a mescla do meigo ao atrevido, como quando ela corava mesmo que sua impetuosidade superasse o embaraço. Talvez porque, exclusivamente em ocasiões como aquela, seus modos não eram nada apáticos, e apenas a ele fosse acessível esta visão. Suzuna era um vício e sobretudo, era sua.

Exploravam a boca um do outro, encontrando pontos sensíveis que os faziam estremecer. Estavam na deliciosa época de descobertas, e a cada achado intensificam mais a busca por novas regiões incólumes. Escondidas sobre o grosso cobertor, suas pernas roçavam umas às outras, quase que num emaranhado. E os lábios de Hinata desceram ao queixo da pequena, para prosseguirem até alcançar sua garganta desprotegida.

Fino e macio, o pescoço feminino delineava-se como se para provocá-lo, e seus instintos sempre o levavam a cobri-lo com suaves beijos e lambidas, ou leves mordidas e chupões. A superfície cândida era um convite à exploração, e Suzuna contorcia-se embaixo de si, extasiada. Alguns baixos ― e lindos ― suspiros deixavam os lábios da garota, principalmente quando puxou com delicadeza a ponta de seus fios presos, pois a sensação encontrava correspondência imediata nas terminações nervosas da colegial.

Enquanto acariciava-o com seus pés diminutos, a morena envolveu a nuca do rapaz com as mãos que antes agarravam-lhe os braços, e ambos miraram um ao outro brevemente. Denúncias de suas satisfações, suas faces coradas e o ofegar constante dos dois acentuou-se quando ela o trouxe para seus lábios novamente. Adorava percorrer com a língua as extensões externa e interna da boca de Shintani, assim como sentir os fios de sua nuca a eriçarem-se sobre seus dedos.

Continuaram a proporcionar arrepios recíprocos, alheios a qualquer noção de tempo existente. Como ela bem dissera, estava apreciando um de seus sabores favoritos ― e ele não poderia caracterizá-la de maneira distinta. Ao final, estavam ambos deitados, lado a lado. Alternavam beijos, carícias, frases bobas e risadas. Em meio à situação descontraída, o semblante do rapaz tornou-se mais sério, assim como suas bochechas coradas.

― Tem noção do quanto eu te amo? ― explicitou ele, direto. Era uma das tantas coisas que admirava no namorado: mesmo em meio ao rubor, ele nunca deixara de declarar seus sentimentos.

― É, acho que sei um pouquinho ― brincou ela, desviando os olhos.

― Só um pouquinho?

Demonstrando sua decepção, os lábios do rapaz projetaram-se num biquinho. Que bonitinho, pensou ela. E correspondeu ao gesto com uma risada gostosa, animada e quase infantil de contentamento. Raras vezes ria do mesmo modo, pois apenas o fazia quando feliz o suficiente para romper a barreira de sua ligeira bizarrice costumeira. Era o som mais amável que ele já ouvira.

― Amo quando “ocê” ri ― indicou, com um sorriso.

― Também amo muitas coisas em “ocê”. ― Ao imitar seu sotaque, seu objetivo não era zombar dele; afinal, já dissera claramente que achava uma graça a maneira com que ele modificava certas palavras, e a lembrança despertou nele novos enrubescimentos. E agora a pretensão da menor era implicar: ― Ei, You-kun, não tem que estudar mais?

― A culpa é sua por me distrair tanto. ― Em complemento à resposta, ele abraçou-a carinhosamente, mesmo que seu tom expressasse um breve aborrecimento.

― Não vou mais te distrair então ― mentiu ela, desviando o próprio rosto.

― Não! ― exasperou-se ele, e Suzuna sorriu brandamente antes de voltar-se em sua direção para que selasse seus lábios aos dele de novo.

Os estudos poderiam esperar um pouco mais.

Notas finais
¹ Kotatsu é uma espécie de mesinha com um aquecedor embutido. Para que o calor não escape, um cobertor lacra os quatro lados. Bem, esta foi uma rapidinha de quase 2400 palavras xP Mas não estou satisfeita, e quando puder farei um hentai mais decente (leia-se mais longo). Ah, ao contrário da Misaki (que era muito tímida e talz), a Suzuna é uma ótima personagem a se explorar mesmo enquanto virgem. E isso é tão legal =u= Não tenho noção de quando o hentai SuzuHina irá sair (e o arco deles ainda vai demorar um pouquinho a ser publicado), mas vou "brincar" bastante com os dois até lá. Até~~