Sobre Aliens E Irmãos

1 I - Primeiro - Sobre Pesadelos e Acordos


Notas iniciais
Yo! Bem, aqui está o início do que pretende ser minha história mais longa. Estou realmente empolgada com este enredo e faz alguns meses que vêm sendo desenvolvido na minha mente. Bom proveito ;9


Naquela noite, uma lágrima brilhou em seu rosto.

Lembro-me perfeitamente: a casa estava em silêncio. Um silêncio perturbador, ao menos para mim, apenas uma criança intrometida na época. E somada à quietude estava a escuridão de uma residência que dorme. Eu, porém, não consegui dormir, por algum motivo que hoje me foge.

E não era somente eu a acordada, pois no andar inferior uma solitária lâmpada acesa denunciava mais alguém desperto. No silêncio e nas trevas de um lar tranqüilo, luzes acesas de madrugada significam problemas. Contudo, naquela época eu ainda não sabia disso. Viria a aprender rápido, ao menos.

Desci, com o máximo de delicadeza que um corpo infantil ainda tomado pelo sono permitiu, e antevi um borrão reclinado sobre a mesa de jantar. Para aguçar minha visão precária devido ao sono, esfreguei as mãos sobre os olhos até que o vulto se convertesse em um corpo de fato.

― Mamãe? ― murmurei, ainda em dúvida.

― Querida ― assustou-se ela ao ver-me. Seu rosto transmitia um sentimento estranho, que aos dez anos fui capaz de captar, ainda que não compreender. Apenas dias depois assimilei a tristeza que encobria-lhe os olhos amarelados que eu mesma herdei. ― Vá dormir, Misaki. Está tarde.

Seu tom era amável, como de costume, porém a voz não fluía, arranhada com o esforço.

― Onde está o papai? ― questionei. Só ele para alegrar a mamãe, pensei eu naquela época.

Quando suas feições contraíram-se ao ouvir seu nome, mesmo o meu eu de anos atrás foi capaz de relacionar seu sofrimento àquele homem. Meu pai. E foi neste momento que escorreu-lhe uma lágrima solitária.

****

Demorou a entender que foi somente um sonho. Melhor, uma lembrança. Recordação dolorosa de um passado distante. Isto, porém, não impediu Misaki de despertar abruptamente, ofegando como se os pulmões protestassem depois de um século sem oxigênio. Algumas gotas de suor escorriam pelo rosto ainda esculpido em choque. Aos poucos, apreendeu os detalhes do entorno ― estava em seu quarto; tinha dezoito anos, e não dez; e, mais importante, não dormia sozinha.

Ao seu lado, o namorado também acordara, pois devido à sua mania de abraçá-la enquanto dormia, logo percebeu seu movimento impetuoso. Porém, o raciocínio de Usui era lento enquanto não despertava por completo ― os olhos, ainda entreabertos, fitavam-na com alguma confusão e preocupação em meio ao cansaço.

― Misaki? ― Sua voz saiu arrastada devido ao sono. ― Algum problema?

― Nenhum, Takumi ― desconversou ela.

Sua mentira não seria detectada porque os sentidos deles ainda estavam entorpecidos. Apesar de comovida, não queria conversar sobre aquilo. Não agora. E, quando o loiro tentou insistir um pouco mais, apelou para algo útil que aprendera neste meio-tempo em que estiveram juntos. Dedilhou sua nuca de maneira vagarosa, carinhosa; hipnótica. O gesto, descobriu por acaso em certa tarde, fazia com que ele dormisse imediatamente.

Feito: poucos minutos após iniciar o afago, o rapaz afundou-se no colchão, mergulhado em sonhos uma vez mais. Uma ferramenta muito eficaz, confirmou ela. O observou durante algum tempo enquanto dormia; a face tranquila daquele pervertido conseguia ser fofa em meio à inconsciência.

Levantou rapidamente da cama de casal, pois pretendia que sua ida à cozinha na busca de um copo d’água não se demorasse. As noites de Tokyo eram frias, e a cama e o corpo quente de seu parceiro, convidativos. Já haviam se mudado há pouco mais de um mês para o pequeno apartamento na capital do país, devido à proximidade da universidade que cursavam.

Sim, porque ambos ingressaram na mais influente instituição superior do país – Toudai, a Universidade de Tóquio. Para ela, uma conquista, fruto de seu esforço absurdo dedicado ao vestibular. Para ele, uma obrigação que a família lhe endereçou: sua liberdade já restrita seria ameaçada se “ao menos não honrasse o nome dos seus”. Todos uns cretinos, pensou ela ao lembrar-se de sua visita ao último encontro realizado entre aqueles que se julgavam a realeza contemporânea.

Mas aquele não era um momento a se pensar nestes assuntos problemáticos; também queria voltar a dormir. Rapidamente alcançou seu destino, e notou que não era a única acordada naquela república tão apertada.

― Hanamaki? ― sussurrou para a loira, de costas para si.

Exausta, a mulher voltou seus olhos acinzentados em sua direção ― emolduravam-se com grossas olheiras cada vez mais escuras. Nas mãos, um copo quase cheio de um líquido escuro. Café. Há quanto tempo ela estava virando, perguntou-se ao vislumbrar sua expressão depressiva. Porque era Hanamaki Myoko a pessoa que mais sofria nas mãos de professores psicopatas em toda aquela casa.

―Ah, boa noite, Ayu-chan ― murmurou ela, em resposta. Não tinha ânimo para mais que um cumprimento formal, ainda que a abreviação de seu sobrenome amenizasse sua fala. Bebeu em um gole toda a cafeína.

― Não é melhor dormir? ― sugeriu a morena, sensibilizada com seu estado precário.

Myoko encarou-lhe, incrédula. Ela deveria entender sua dedicação extremada, já que agia da mesma maneira. E a Misaki restou assentir, enquanto sua colega arrastava-se de volta à sua toca. Trabalhos esperavam por seu retorno. Diante do pequeno encontro com a sofrida companheira, a agora universitária esqueceu-se de seu pesadelo. E ele não iria atormentá-la de novo por muito tempo. Seis meses, exatamente, para então arrastá-la em um novo ciclo de mágoa.

****

Encarou uma vez mais a folha em suas mãos. Restava tão pouco para concretizar seu desejo... Apenas uma assinatura mais e enfim poderia fundar seu clube, depois de um ano impedida por processos burocráticos. Sim, a líder do futuro Clube de Sorteios dirigiu-se à sala do Conselho Estudantil para que seu presidente finalizasse a inserção daquele novo grupo de atividades no Colégio Seika. Suzuna adentrou na sala com cuidado, pois, ainda que o motivo lhe fosse desconhecido, percebeu que Kanou não se sentia muito bem perto de colegas do sexo feminino.

― Então... conseguiu, Ayuzawa-san? ― murmurou o moreno, cercado de papéis por todos os lados em sua mesa.

Acompanhara o pedido da colega mais nova neste meio tempo. Na verdade, descobrira ao assumir a presidência, tinha de fiscalizar uma por uma todas as solicitações feitas por alunos. Era um cargo estressante, sim, mas a recompensa era maior: o contato maior com outros alunos, ainda que não tenham afetado sua fobia e seu retraimento naturais, melhoraram sua convivência com outras pessoas. Como dissera sua antecessora, seu círculo de relações expandiu-se.

― Foi fácil ― respondeu a pequena, com seu típico sorriso ameno. Na papelada, constava o nome de Miyazono Maria.

Seria a mulher loira a professora responsável pelo gerenciamento do clube, e não houve qualquer empecilho ao convencê-la. Suzuna apenas lhe ofereceu algo em troca de sua participação: fotos de sua irmã mais velha. Dormindo, comendo, fazendo as tarefas da casa, estudando. Encantada, Maria aceitou sem pensar duas vezes. E estava completo o procedimento para criar seu ansiado Clube de Sorteios. Restavam apenas os outros membros, mas nisto ela pensaria mais tarde ― precisaria escolher com cuidado seus alvos, para persuadi-los com sucesso.

― Aqui está. ― O nervosismo do moreno era evidente, e seu diálogo, formal e curto. Lidar com garotas desconhecidas era sempre difícil. ― Boa sorte com o clube.

Estreitando os olhos, a garota de marias-chiquinhas fitava o veterano de óculos analiticamente. Lentamente assimilava seu comportamento como uma aversão inconsciente à pessoas do sexo oposto, e não iria complicar ainda mais sua tarefa já complexa. No entanto, animou-o também:

― Boa sorte, presidente. ― Seu tom era amigável. Acrescentou, num sussurro: ― Onee-chan acredita que será um ótimo presidente; eu ouvi uma vez.

Bizarramente eufórica e apática simultaneamente, Suzuna partiu, deixando Soutarou a fitar a mesa com um sorriso bobo por motivar tal expectativa naquela que era seu exemplo de habilidade e eficiência. Já ela, dirigia-se ao outro lado da cidade, ansiosa para informar ao seu namorado sua mais nova conquista. Shintani Hinata ficaria orgulhoso, e ela conseguia antever seu sorriso de parabenização.

****

―Shiroyan, seu imbecil!

Frustrado com a ofensa, o loiro desceu da escada que lhe servia de suporte para empilhar produtos nas prateleiras mais altas e avançou contra seu colega de cabelos presos. Seus olhos brilhavam em fúria; os punhos cerrados foram levantados num gesto ameaçador.

― O que eu fiz errado dessa vez, Kurotatsu? ― cuspiu o rapaz, possesso. Já era a terceira vez que era repreendido nos últimos trinta minutos!

― Como o quê? ― O tom incrédulo do moreno era ultrajante. ― Tudo errado, como sempre!

E o ex-deliquente preparou-se para resolver aquele assunto da maneira como lhe convinha: com uma briga. Estava prestes a socar o amigo, que já havia se posicionado para o revide, quando um moreno mais baixo interviu, colocando-se entre os dois e separando-os com ambos os braços:

― Ei, acalmem-se, vocês dois ― murmurou o otaku. Arqueou as sobrancelhas e a face contraiu-se numa expressão sinistra de medo: ― Querem que ELA nos dê uma bronca de novo?

Com a simples memória do rosto de sua chefe, o trio arrepiou-se e voltou ao serviço, sem protestar. Sua chefe era uma mulher grande, forte, de voz potente assim como os punhos, e os três já haviam sido vítimas de sua fúria em diferentes ocasiões. Foi uma experiência dolorosa e traumática a cada um deles.

― O que “ocês” “tão” fazendo? ― indagou outro moreno, ao adentrar no depósito com uma caixa.

Eram os quatro os mais novos funcionários de uma loja de conveniências cuja proprietária raramente aparecia (e quando o fazia, punia aqueles que julgava maus empregados, ou seja, o ainda trio de idiotas). Sendo assim, todas as funções, do gerenciamento do caixa à estocagem, eram divididas entre os rapazes. Geralmente, era Hinata a lidar com os clientes, porque a mulher assim decidiu. Segundo Shiroyan, “a velha estava apaixonada por ele” e só lhe encarregava de funções mais simples, ainda que ele também os ajudasse quando ela não estava por perto.

― Seu maldito sortudo! ― disseram os três em uníssono enquanto ele alocava o pacote sobre uma mesa qualquer.

― Por quê, sortudo? ― Sua dúvida era genuína, pois desconhecia seu status de “preferido”.

― Volte para a loja, volte ― Kurotatsu fez um gesto irritado com as mãos. ― Antes que EU te bata, Shintani.

Confuso, o moreno foi em direção à porta, mas interrompeu-se para deixá-los a par: ― Daqui a uma hora vamos trocar de turno, certo?

Era ele o único idiota a responder com um sorriso amigável a hostilidade. E o único estúpido o suficiente para não aproveitar-se das regalias que a patroa lhe oferecia, agindo como um funcionário comum ao dividir as tarefas exaustivas com seus colegas de trabalho. Comovidos, Ikkun, Shiroyan e Kurotatsu permitiram que lágrimas escandalosas fossem vertidas.

―Esse moleque é tão legal ― chorou o loiro, e seus amigos assentiram.

****

Que saco. Estridente, o alarme na cômoda ao lado vibrava e soava, interrompendo seu tão merecido descanso. Estendeu os braços nus e acertou repetidas vezes o aparelho até que o som irritante deixasse de perturbar seus ouvidos. Sucesso: o silêncio retornara. Porém, o sono já havia se dissipado com o gesto e, ainda que cerrasse as pálpebras, de maneira alguma retornava. Ótimo.

Tora deitou-se de costas e fitou o teto, enquanto os olhos acostumavam-se à leve claridade que penetrava o quarto através das cortinas diáfanas. Ao seu lado, um colchão vazio. Estranho. Lembrava-se de ter dormido com uma garota qualquer na noite passada. Já deveria ter partido, raciocinou. E aquilo pouco importava, mesmo.

Levantou-se rapidamente, contendo um bocejo com as mãos. Prestes a chamar seu subordinado, lembrou-se enfim que ele não estava ali. Kanade Maki estava agora há muitos quilômetros de distância, na Universidade de Kyoto. Afinal, ambos já haviam se formado no Ensino Médio e o estágio seguinte era a faculdade, naturalmente. No entanto, devido à alguns ― inúmeros ―problemas internos e intrigas entre os membros de sua família, o futuro líder dos Igarashi teve de permanecer em seu lar para resolvê-los e, assim, adiar sua formação.

E formaturas evocavam recordações ruins. Foi ele a organizar a cerimônia de dois colégios distintos, e o cansaço ao ser sobrecarregado com a tarefa dupla lhe custou o papel de orador da turma. Enquanto o discurso para os alunos do Miyabigaoka era pronunciado, o presidente dormia em uma sala qualquer, acobertado por Maki. E na formatura do Seika, a qual também foi responsável pelos preparativos a pedido da família Walker, também poucas palavras ouviu da oradora e também presidente, Ayuzawa Misaki.

Todas aquelas lembranças apenas o estressavam. Estava ainda exausto, mesmo depois de alguns meses, possesso com as complicações que alguns de seus parentes causavam, afastado de seu subordinado, impedido de enfim separar-se minimamente daquela teia de relações, no aconchego de um apartamento de luxo nas proximidades de alguma universidade de prestígio. Não, tudo estava errado ― e seus problemas estavam apenas no começo.

****

― Sua idiota! Está tudo errado! ― protestou o moreno, retirando a agulha de sua boca.

Erika suspirou enquanto o costureiro ajeitava seu traje, que aparentemente ela vestira de forma errada. Estava de pé, enquanto Aoi acertava as medidas do tecido de sua cintura, um tanto encurvado e desconfortável. Com mais de 1,70, aos dezesseis anos o rapaz já era o mais alto membro da “equipe” do Maid-Latte (já que, assim como durante algum tempo, Usui foi um funcionário temporário, ele também o era, ainda que como estilista).

E esta altura agora o incomodava, quando tinha de adaptar as roupas que fizera àqueles corpos agora menores que o seu.

― Aoi-kun, não é melhor se sentar? ― recomendou a ruiva, pois o desconforto do garoto despertou-lhe a condolência.

― Apenas fique quieta enquanto termino. ― Sua sentença zangada foi abafada em parte pela agulha que desocupou suas mãos enquanto os dedos empenhavam-se em ajustar a vestimenta às curvas da mulher. ― Pronto.

Afastou-se para contemplar sua mais nova criação, e ela realmente ficou deslumbrante. Jovial e despojada, a roupa que confeccionara para Erika diferia de seu natural gosto por rendas e babados; contudo, ainda assim inflamou seu orgulho. Porque desde que o crescimento e as mudanças pelas quais passou na puberdade impediram-no de prosseguir como cross-dresser, voltou todo o seu empenho e paixão no seu hobby: confeccionar modelos femininos.

― Bem melhor ― suspirou o moreno, ao mesmo tempo em que sua tia adentrava no vestíbulo. A funcionária lhe agradeceu e foi encontrar-se com as outras, que também foram vestidas por ele. O segundo evento no qual era o estilista do café; o primeiro no qual não vestia um modelo próprio.

― Ficou perfeito, Aoi-chan! ― Satsuki logo reformulou-se ao receber um olhar de repreensão do sobrinho: ― Quer dizer, Aoi-kun!

Ainda que tenha deixado de se travestir, as memórias daquele passado lhe entristeciam. Não porque fora perfeito: mesmo quando menor, sofrera, principalmente devido ao preconceito do pai. Porém, as alegrias dos dias passados sempre parecem mais brilhantes depois que findam; a intensidade de sua sensação apenas cresce com o tempo. Queria ele manter o mesmo corpo pequeno que possuía aos quatorze; a natureza não satisfez seu desejo, entretanto. E dali em diante apenas queria esquecê-lo ― Aoi-chan não existia mais.

― Como não ficaria perfeito? ― bufou o rapaz de olhos azuis gêmeos aos de sua parente. ― Fui em quem fiz, o que mais esperava?

Ao menos o orgulho permanecera, contentou-se Satsuki, pois a tristeza de seu sobrinho afetava a ela mesma.

― Mas como vai o colégio novo? ― perguntou, genuinamente interessada. Afinal, queria saber sua condição em relação aos colegas. Transferir-se no segundo ano do ensino médio foi uma decisão terrível de seu irmão, e temia que Aoi não conquistasse nenhum amigo devido à sua ausência como calouro.

― O uniforme do Seika é horrível ― lamentou o rapaz, enquanto recolhia seus materiais de costura. Aquelas calças quadriculadas AMARELAS já eram pavorosas; em conjunto do jaleco verde, um desastre. ― Os alunos são normais.

Alguns chatos e interesseiros, completou o garoto em sua mente. A importância absurda que estes conferiam à opinião alheia irritava-lhe profundamente. Ainda odiava este tipo de pessoa indecisa e facilmente influenciável, talvez devido à sua personalidade decidida e um tanto presunçosa. Porém, guardou suas opiniões menos gentis para que aliviar o ânimo de Satsuki. E a mulher pareceu realmente satisfeita, pois voltou ao assunto inicial:

― Ficaram realmente lindas todas as roupas que você fez, Aoi-kun. ― Seu sorriso maternal fez com que o garoto corasse levemente. Não devido ao elogio, pois Hyoudou Aoi julgava merecer todos eles, e sim pelo sentimento transmitido naquelas palavras. ― É realmente muito talentoso.

― Então... Satsuki-san ―iniciou o garoto. Pretendia inserir seu pedido com sutileza; todavia, a ansiedade estragou seus planos. ― Posso cuidar do figurino no próximo evento?

Desta vez, preparou as roupas das maids, pois era apenas um dia diferenciado como qualquer data comemorativa que possibilitava o uso de cosplays. A ocasião que o moreno citara, no entanto, era o aniversário da loja ― o mais importante evento do Maid-Latte. Se ela o permitisse, seria ele o responsável pela imagem do estabelecimento tanto para os clientes regulares quanto para os novos. Era a oportunidade perfeita para provar seu talento. Entretanto, a mulher sabia que aquilo era carga demais para seu sobrinho, e prestes a negar, foi interrompida.

― Por favor! ― suplicou ele, de mãos unidas. ― Posso te mostrar alguns desenhos que já fiz, e começar a costurar essa semana se aprovar... ― O rapaz de olhos azuis somava qualquer fato a seu favor como argumento. ― Prometo que termino uma semana antes do aniversário!

Isto lhe dava pouco mais de um mês para preparar todo um vestuário adequado à todas as funcionárias, e não apenas às três com as quais já estava acostumado, pois a quarta maid se mudara para Tokyo cursar Direito. No entanto, aquele não era um momento apropriado para se pensar em Misaki. Deveria convencer sua tia, antes de tudo. E sua expressão ao praticamente implorar pela função aparentemente surtiu efeito, pois a morena suspirou, como se cedesse.

― Tudo bem, Aoi-kun ― confirmou ela, mas explicitou seus termos antes de qualquer comemoração: ― Tem de cumprir o que prometeu. Tudo pronto uma semana antes.

― Certo. ― O sorriso de triunfo que o costureiro deu em resposta transmitia tanta felicidade que Satsuki não se arrependeu de sua decisão precipitada.

Notas finais
Já estão "apresentados" todos os personagens da história original nesta fic que se passa poucos meses depois da formatura de Usui, Misaki, Tora, Shintani e os três patetas. Kanou está no 3º ano; Suzuna e Aoi no 2º. Até o próximo~~