Sob seu olhar

7 Capítulo 7


Notas iniciais
EU NÃO MORRIIIII Ok, meus planos foram para lá de frustrados kfmrkfmrkf mas voltei e com CAPÍTULO ENOOOOORRRRMEEEEEEE É o maior capítulo até aqui, e sério, espero que gostem. De verdade. Aproveitem, e perdoem qualquer erro. Tá tudo sem revisar skmxskmx ~~~~

— Isso é estranho, acho que deveríamos conversar.

Após o fantástico cumprimento que pareceu durar eras, um silêncio fez até o som alto de Munhoz e Mariano parecer triste e vazio.

Noah parecia uma estátua e eu não ousei dar mais passos em direção a ele. Então decidi que seria melhor tomar a iniciativa.

Até que enfim ele se moveu e pareceu olhar um pouco pela janela, antes de olhar em minha direção.

— Sim, tem razão. — Confirmou, me fazendo sentir o coração bater mais forte.

As vezes eu esqueço o quão a voz dele é bonita. Junto a todo o conjunto.

— Noah, não somos próximos, então achei que pudesse ser coisa da minha cabeça, mas, você está me ignorando?

Tomo coragem para dizer tudo de uma vez, apenas para vê-lo dar as costas e fazer um sinal de espere.

— Espera. Tem algo acontecendo aqui.

Não o que eu queria que acontecesse. Resmungo em pensamento, completamente desanimada com a minha tentativa de resolver tudo e sendo claramente ignorada. Ainda ppr cima novamente, importante ressaltar.

Porém, ao contrário do que eu imaginava Noah continua a olhar pela janela com uma expressão preocupada.

Me aproximo dele sentindo minhas pernas ficarem moles a cada passo até chegar e olhar o que tem na janela.

É um casal, ou melhor, Thiago e Rose. Onde Thiago está falando alga coisa no ouvindo de Rose, que sorri.

— Espiar a vida dos outros não é legal, sabia? — Sussurro com um ar de brincadeira, mas eu só sinto o clima ficar mais tenso.

— Isso não pode ser bom, Thiago tentou com Catty sábado passado. Desde então eu venho o observado. Ele embebeda as garotas e depois faz o que quer. — Sua voz baixa faz meu coração bater como louco. Queria que não estivéssemos nessa situação para que ele pudesse acelerar ainda mais por Noah. Porém saber aquilo de Thiago me deixa nervosa também.

Observamos em silêncio a cena. Thiago está alheio de nossa presença na janela, e Rose não parece estar com nenhum tipo de problema. A não ser estar com um estuprador em potencial e estar começando a ficar muito bêbada para entender o que ele diz. Vejo isso pelo fato de ela mostrar que tem dificuldade de entender o que ele fala.

— O que vamos fazer? — Olho em direção à Noah, que desvia os olhos da janela para mim.

— Esperar ele agir. Se eu interferir antes ele vai armar um escândalo como no último sábado. Rose está bêbada demais para entender o que está acontecendo, e vai ser manipulada por ele. O desgraçado sabe manipular.

Quando ele termina de falar seus olhos retornam para a janela e logo em seguida seus músculos ficam tensos. Também viro para a janela e constato que Rose e Thiago sumiram. Vejo o reflexo de algumas luzes nas janelas.

— O carro. Eles vão sair daqui de carro! — Noah sai da janela a passos rápidos, indo para fora do cômodo.

Saio correndo atrás dele sem nem pensar direito, o seguindo com dificuldade devido ao meu sedentarismo.

Alcanço Noah no meio-fio, quando ele entra em seu carro. Não penso duas vezes em dar a volta no carro e entrar nele sem o consentimento do dono.

Quando viro em direção ao motorista, ele me encara com uma expressão de surpresa e, talvez, choque.

— Vai, ele já dobrou ali no canto. — Digo com a voz falhando devido ao fôlego perdido na corrida e na minha ousadia.

Noah não retruca, apenas dá partida, seguindo o carro vermelho de Thiago.

...

O trajeto todo é feito em silêncio. Não é bom clima para conversar sobre banalidades, e nem para conversar sobre nosso problema.

Thiago corta a cidade e nós também. Como já passam das 22h eu tenho que mandar uma mensagem para meus pais avisando que chegarei tarde, e cada vez que andamos mais pela cidade eu sinto que não chegarei a tempo em casa e a CIA vai vir atrás de mim a mando de meus pais surtados.

— Isso seria horrível. — Murmuro comigo mesma, olhando pela janela. Os bares e casas noturnas estão a mil, mas Thiago não para em nenhuma delas.

Ele segue em direção a parte mais afastada, onde entra em uma rua de terra. A princípio penso ser uma chácara, mas logo vejo que é um hotel meia boca de estrada.

Observo Noah e ele está cada vez mais concentrado, tanto que parece que vai quebrar o volante em suas mãos.

Quando o carro vermelho a nossa frente dá sinal que vai parar, ele imediatamente destrava o cinto de segurança, e eu acabo por fazer o mesmo, me atrapalhando um pouco na hora de tirá-lo.

Enfim o carro da frente é desligado e dele Thiago sai carregando uma Rose completamente bêbada, ao ponto de mal se aguentar nas próprias pernas. Fico aflita com aquilo e tomo o impulso de sair do carro no mesmo instante.

— Tá com celular aí? — Noah me pergunta quando sai, olhando nos meus olhos de uma maneira que me faz recuar um passo. Balanço a cabeça que sim. — Okay, se ele tentar fugir ou qualquer coisa acontecer você liga para a polícia. Entendeu?

Novamente confirmo com a cabeça, e tiro meu celular do bolso o deixando em mãos.

Noah se afasta de mim e vai atrás de Thiago correndo e o alcança antes que ele chegue na portaria do Hotel. Fico apreensiva já que dessa distância tudo o que consigo ouvir são os grilos ao meu redor.

As expressões de Thiago e Noah parecem ser a de pessoas próximas a matarem uma a outra, enquanto Rose, apoiada em Thiago, parece estar passando muito mal.

Dou um passo a frente.

Thiago parece enfurecido, tanto que praticamente joga Rose em Noah e sai andando de volta para seu carro. Ele dá a volta na estrada de terra sem cuidado algum. E quando passa por mim faz questão de passar por uma poça de lama, fazendo-a espirrar completamente em mim.

— Idiota. — O xingo enquanto corro na direção de Noah que traz Rose no colo. — Como ela está?!

Noah passa por mim indo diretamente para o único veículo na estrada. Rose está pálida.

— Mal. Temos que ir para o hospital.

Eu entro no automóvel e ele dá a partida antes que eu termine de fechar a trava do cinto de Rose.

...

No hospital tive que ligar para Karen, melhor amiga de Rose, e chamá-la para o hospital. Rose acordou um pouco depois e confirmou em prestar boletim de ocorrência contra Thiago, logo agradecendo a nós dois por tê-la salvado.

Karen resolveu ficar com Rose no hospital e ficou de dar notícia sobre qualquer coisa que acontecesse.

Agora são 3h da manhã e eu estou sem saber o que faço agora, parada no meio-fio do hospital.

Noah para ao meu lado, com as chaves balançando nas mãos. Agora que a adrenalina passou estamos estranhos novamente, e seu desconforto visível está me deixando nervosa.

— Vamos voltar para a festa. — O tom de voz dele é incerto, parece uma pergunta e também uma afirmação.

— Vamos. — Confirmo, colocando as mãos no bolso da saia e tirando meu celular para checar as horas. — Uau, 3 da manhã. Será que ainda tem gente lá?

A pergunta foi mais para mim mesma que para ele, que faz uma expressão pensativa.

— Talvez. Geralmente as festas de sábado emendam em um churrasco no domingo. — Ele hesita assim que nos aproximamos do carro, como se a ideia de dividir um espaço pequeno comigo agora fosse inconcebível.

Estou frustrada, por isso tiro meu celular do bolso para mexer nas redes sociais. Uma mensagem de Tereza me chama a atenção onde ela primeiro pergunta por que eu sumi e logo em seguida avisa que está indo embora. Hora do envio: 1h e 15min da manhã.

Logo em seguida uma nova mensagem surge na tela, dizendo que ela disse para os meus pais que eu estava na casa dela, e que disse o total inverso para os meus pais. Resumindo: Eu tenho que passar a noite em claro, fora de casa, e sozinha.

— Que ótimo. — Resmungo sentindo certa irritação por conta de Tereza. Se bem que eu mesma não avisei minha saída.

Afundo no banco, esperando chegar logo na casa de João e fazer sei lá o que sozinha já que nem grana eu tenho para o uber. Tereza nem deve ter lembrado que todo meu dinheiro estava com ela.

Noah não puxa assunto e eu também não. Ficamos em um silêncio interminável até vermos as primeiras luzes da casa de João. As luzes me lembram um detalhe muito importante que acabei deixando passar.

Minha saia está terrivelmente suja de lama.

Tento mandar mensagem para Tereza, mas a mensagem sequer chega no celular dela. O que me resta é aceitar praticamente toda a faculdade me vendo com uma roupa cheia de lama.

Noah não estaciona na casa do João, passa direto até a casa com cor de pérola no fim da rua. Eu o olho sem entender, mas ele não parece ligar. Não até parar em frente a sua casa.

— Seu tamanho é o mesmo da Catty? — Ele pergunta de súbito, me deixando confusa.

— Meu tamanho de que? — Solto, no automático.

— De roupas. Você tá parecendo alguém que veio de um curral, ou algo do tipo.

Olho para baixo. Minha saia e um pouco da blusa estão tomadas pelo marrom, sem contar nos meus sapatos, ou melhor, de Tereza. Sem dúvidas ela vai surtar.

— Obrigada pro ressaltar isso. — Ironizo. Noah segue em direção à própria casa, que conta apenas com algumas luzes acesas. — E eu não sei, acho que a Catty usa tamanho menor.

Ele apenas move a cabeça concordando e entra na casa. Eu o acompanho tentando não fazer barulho, mesmo com saltos que parecem fazer a casa toda cair a cada passo. Noah vira-se sem aviso prévio, me fazendo esbarrar nele assim que dou o primeiro passo para dentro da casa.

Meu nariz bate em cheio nas suas costas, e eu sinto uma dor forte nele. Noah olha por cima do ombro e eu vejo seu rosto preocupado com a luz que vem da rua.

— Machucou? — Sussurra. Nego com a cabeça. — Ótimo, okay, você pode tirar os sapatos? Meus pais estão em casa e...

— Eu sei, eu sei. — Interrompo, tirando os sapatos e os deixando na mão. Quando meus pés sentem o piso frio sinto um arrepio subir minhas costas.

Noah prossegue e eu o sigo até as escadas centrais da casa forçando o olhar para enxergar os degraus. Por fim chegamos em um corredor que é iluminado pela luz do celular de Noah, quando alcançamos o penúltimo quarto da direita ele para e abre a porta usando uma chave que tira do bolso.

Ele acende a luz e automaticamente vejo que este deve ser o quarto dele. Olho ao redor vendo diversos livros em prateleiras embutidas, e uma grande variedade de alguns outros espalhados por estantes, sem dúvidas ele é um bom leitor. Os móveis são aqueles que sempre vemos em lojas caras, e a madeira parece brilhar diante da luz.

Noah que havia sumido de minha visão retorna com uma toalha em mãos e aponta para a porta aberta atrás de si que eu sequer havia notado.

— Toma, vai tomar um banho. Eu vou pegar algumas roupas.

Sem dizer mais nada ele sai. E eu vou em direção ao banheiro afim de tomar um banho que tire metade daquela lama de mim.

...

Não nego que foi bastante estranho tomar banho sabendo que no outro cômodo estava Noah. Aquilo deu-me uma sensação estranha. Medo, e também, calor?

Banho tomado, ousei espiar através da porta e mal vi quando uma pilha de roupas tomou a minha frente. Segurei a toalha com uma mão e com a outra agarrei a pilha de roupas.

Eram vestidos, os mais longos que já vi Catty usar. Peguei um de cor azulada e que parecia o mais simples — e barato — entre eles. Não ousei olhar meu reflexo no espelho.

— Okay, o que eu faço com as roupas sujas? — Indago, olhando para as roupas sujas.

— Deixa no cesto mesmo. Depois eu peço para a Catty te devolver quando forem lavadas.

Faço um "ok" com a mão e coloco a mão a frente da boca quando sinto um bocejo vir. Devem passar das 4h da manhã, e com as aventuras da noite isso tudo está resultando em um sono crescente.

Meu celular diz que Tereza ainda não recebeu a mensagem, então continuo ilhada. Ergo o olhar do celular e noto o olhar de Noah sobre mim. Parece um pouco perdido.

— Pode dormir aí se quiser. Mais tarde eu te levo em casa. — Ele caminha até o armário e me entrega um edredom limpo.

Apenas confirmo, cansada demais para falar ou discutir qualquer coisa.

Fico com vergonha ao deitar na cama dele e faço questão de me cobrir por inteira com a coberta que me foi dada. Fecho os olhos e ouço seus passos se afastando.

— Sabe, eu não entendo. Primeiro você parece estar me ignorando, e agora faz tudo isso. Sinceramente falando, Noah, qual é a sua? — Comento em tom baixo, abrindo os olhos e vendo o exato momento em que ele parece paralisado, com a mão próxima ao interruptor.

Ele não olha para mim, e tampouco para trás.

— Mais tarde conversamos.

O quarto se torna escuro e logo depois a porta é fechada.

Um suspiro de frustração é inevitável. Não avancei e nem regredi. Estou estagnada nessa situação incômoda.

Porém, o cansaço ainda pesa, e sou obrigada a fechar os olhos e tentar dormir. Ainda que o cheiro de Noah esteja na cama e em meu nariz, e seu sorriso bastante infiltrado em meus sonhos.

Notas finais
Tretas, e tretas, hein?