Notas iniciais
Quero saber se estão gostando, comentemmmm!!

O lugar é bom, o preço é mais do que posso pagar.
O preço é ótimo, mas o lugar é péssimo.
Os dois são bons, mas fica distante do meu trabalho, escola e curso.

Desisto. Agora são exatamente 2:45 da manhã, eu tenho pouquíssimas horas pra dormir e ainda não encontrei um lugar pra morar. Parece que terei que segurar as pontas aqui por mais algum tempo.


(...)

— Como assim você não encontrou nada?

Lely tentava me encarar e prestar atenção no trânsito ao mesmo tempo.

— Não achei. Simplesmente não achei. Os apartamentos que têm lá por perto, me parecem muito bons. Mas eles cobram mais do que eu posso pagar. E não, não vou aceitar que você me ajude.


— Eu sou sua tia, é quase que uma obrigação minha te ajudar.


— Eu posso segurar as pontas lá em casa por mais um tempo. Até eu me organizar ou surgir algo pra mim.


— Não, olha, eu ganho super bem. E não vai ser pra sempre. A escola vai te contratar assim que você concluir o curso e seu salário vai aumentar o triplo. E pra isso acontecer, não vai demorar muito. Me deixa te ajudar, por favor!


— Eu sou muito grata por isso, mas não posso aceitar. Você tem duas crianças e mais sua casa pra sustentar.


— Tudo bem mas venha passar uns dias comigo, Até você conseguir achar algo.


— Isso aí eu aceito. Não quero mais continuar morando naquela casa, preciso sair urgente.


— Ótimo, então hoje já deixe suas coisas arrumadas. E amanhã eu passo mais cedo e te pego.


— Tá bom.

(...)

Eu estava atolada em trabalho, minha mente mal conseguia parar pra raciocinar algo sem ser "documentos enviados para empresa" eu precisava de um tempo pra respirar. Me levantei e me dirigi à praça da escola. Era momento de aula e não havia ninguém. Um momento de paz. Puxei o celular do bolso e abri o WhatsApp. Nada muito importante, só minha mãe me pedindo pra pensar melhor na decisão que tomei de sair de casa, mensagens de "bom dia" de algumas tias no grupo da família, e minha irmã me pedindo uma roupa emprestada antes de eu ir embora. Rolei a Barra de notificação e foi aí que meu coração disparou.


Sra. Katherine Liss, o aplicativo "Procurando um imóvel" informa que há novos imóveis a ver.

Não hesitei em ir, abri as novas janelas de anúncios e estava quase fechando o app de novo quando um me interessou.


Procura-se alguém que queira ocupar um quarto em um apartamento na Zona Oeste, interessados entrar em contato.

Comecei a pensar. Bem, se é pra dividir um apartamento, o aluguel não deve ser tão caro. Ela provavelmente precisa de alguém pra dividir o aluguel. Ou ele. Caramba, eu não pensei nisso. É um problema pra mim se for um cara? Depois eu penso nisso. Agora eu vou mandar mensagem e pedir pra olhar o local. Deus, tomara que ninguém tenha fechado com ela ainda. Ou ele. Tô nervosa.


"Gostaria que nos encontrássemos para que eu conheça o apartamento e a sua proposta de aluguel. Aguardo retorno. KL"


Gostaria que o aplicativo mostrasse o nome da pessoa, mas ele só permite mostrar as iniciais. Foi aí que eu percebi! Meu Deus do céu, será que eu marquei um encontro com um cafetão que vai querer me levar pra Turquia igual em Salve Jorge? E se alguém tentar algo comigo? Será que é uma boa ideia eu ir? Agora tá feito. Já havia mando mensagem e estava aguardando uma resposta. Se a resposta não chegar, eu vou levar como um aviso de Deus e vou desinstalar o app e começar a procurar na moda antiga, nos anúncios de jornais. Foi aí que a mensagem chegou.

"Olá KL, eu fico feliz com seu interesse. O apartamento fica na Av. das Palmeiras, ao lado do prédio do curso formativo Grau Técnico. Se você puder vir às 12:00 para conversarmos, o andar é o 10 apart. 312. Aguardo resposta, LA"

LA. Larissa Alves, Larissa Almeida, Leticia Álvares. LA me parece ser bem inicial de nome de mulher, espero que não esteja errada. Seria bem constrangedor ter que dividir um apartamento com um cara.


"Eu aparecerei sim, muito obrigada pela atenção e tenha um bom dia! KL."

Enviei uma resposta e me permiti dá leves "gritinhos", em apenas minutos eu poderia ter um lugar pra morar. O horário do almoço se aproximava, eu voltei pra minha sala de trabalho e terminei dois documentos que agora estavam prontos pra serem enviados, o Sinal indicando o horário do almoço tocou, peguei minhas coisas e fui até a sala onde Lely dava aula. Ela estava lá super atenciosa com os menores, enquanto eles formavam filinhas para o almoço. Eles foram acompanhando a outra professora que também era parceira de sala de Lely e ela veio até mim que estava escorada na porta.


— A que devo a honra?

— Você não vai acreditar.


Enquanto andávamos para o refeitório onde Lely iria ficar, eu contei pra ela da novidade e posso dizer que ela agiu mais como tia do que como amiga, e deixou claro a preocupação.


— Será isso confiável? Quer que eu vá com você? Eu não me importo.

— Não precisa se preocupar, se eu sumir você já sabe. O apart. É no décimo andar, 312. Na Av. Das Palmeiras.

— Qualquer coisa me Liga. E me dê sinal de vida, pelo amor de Deus.

— Pode deixar. Torça por mim!

A deixei e segui rumo ao apartamento. Eu espero que ele seja realmente bom e que o preço seja mais ainda, porque a localização é maravilhosa. Ao lado do prédio onde faço o curso, pertinho da escola onde trabalho, e pertinho de onde estudo. Caminhei 5 minutos a pé, da escola até o prédio e assim que cheguei o porteiro parecia está esperando por mim.


— Boa tarde. Eu vim para o anúncio e...


Ele me cortou no meio da frase.


— Ah sim, a Sra é a KL?

— Isso, Katherine Liss.

— Pode entrar. Estão a sua espera.


Ele liberou a minha entrada e eu fui em direção aos elevadores. Chamei um deles e fiquei esperando. A decoração da sala de espera, onde eu estava, era muito bonita, assim como a frente dos prédios. O elevador chegou e assim que eu entrei, me deu um enorme frio na barriga. Espero que goste de mim e que eu goste do lugar e que entremos em um acordo financeiro. Por um momento fechei os olhos e desejei que tudo desse certo pra mim. Foi aí que as portas se abriram, procurei o 312 pela direita, mas era os números que vinham bem antes. Fui pra esquerda e era um dos últimos. 312. Uma porta branca como as outras e com um tapete com uma frase que me fez rir. "Se veio de mãos vazias, volte e traga a cerveja."
Toquei a campainha duas vezes e ouvi passos vindo de dentro na minha direção. Quando a porta se abriu, eu tive a maior surpresa da minha vida.

— V-Você?

Notas finais
O que me dizem?