Na vida, existe paixões. Aquela coisa em que te faz suspirar e não fazer outra coisa ao não ser pensar na pessoa pela qual você está apaixonada. E existe os amores. Aquele que te faz perder a noção, o juízo, a consciência, e a cabeça. Aquele que te arrebata, e que você sabe, desde o primeiro instante, que depois dele você nunca mais vai ser a mesma. Mas nem sempre você fica com a pessoa que você ama. A vida tem dessas. As vezes o amor é só pra ser sentido, e não vivido. Eu senti amor uma vez só. Era arrebatador, intenso, e depois passou a ser doloroso. Foi quando eu percebi que já não era mais amor, e que era hora de ir. O tempo passou, o meu amor virou o amor de outro alguém. E eu segui a minha vida. Depois que eu fui embora por amor a mim, eu nunca mais o vi. Mas eu sabia que esse momento chegaria, pois temos amigos em comum e pelo fato de gostarmos das mesmas coisas e frenquentarmos os mesmos lugares. Eu só não sabia que seria desse jeito. Aqui estou eu, tremendo, com borboletas na barriga, sensação que nenhuma outra pessoa conseguiu me fazer sentir durante anos. Só ele. O MEU passado. O meu ex amor. É ele quem me olha agora, que passeia pelo meu corpo com um olhar que me faz arrepiar. E eu que achava que havia superado. O destino provou o contrário.
— Katherine...
Foi só o que conseguiu sair da sua boca. Ele mantinha no rosto uma expressão de surpresa e assustado, e tenho quase certeza de que eu estava com as mesmas. Seu irmão, Luiz Augusto, estava a me encarar, me esperando falar algo. Mas da minha boca nada saía.
— Liss, senta aí pra gente poder entender o que tá acontecendo.
Ouvi -lo me chamar de "Liss" como nos velhos tempos me trouxe a tona muita coisa. Como quando tivemos nossa primeira briga e ele me chamou de "Liss" pela primeira vez. Eu odiei. Arremecei na sua cabeça a primeira coisa que vi, que foi o controle da TV. Depois de um tempo, eu aprendi a gostar. Mas ele não precisava saber que eu ainda adorava a maneira como ele me chamava.
Ainda trêmula, sentei no sofá. Ele sentou ao meu lado, e Luiz Augusto no braço da poltrona que ficava de frente para nós. Eu sentia falta dele. Sentia falta de Luiz. Nós 3 éramos amigos antes de tudo acontecer. Nos conhecemos através de Pedro, meu ex namorado e na época, melhor amigo de Bernardo e de Luiz. Comecei a namorar Pedro, conheci seus amigos, me tornei próxima dos dois. Até que Bernardo e Luiz descobriram que Pedro estava me traindo. Terminamos. Continuei próxima dos meninos. Nós saíamos os 3, íamos para todas as festas juntos e nunca havia acontecido nada entre nenhum de nós. Até que combinamos de ir para uma festa. Luiz arrumou uma mina por lá e foi pra casa dela. Fui para a casa deles como era de costume depois das festas. Bernardo e eu ficamos sozinhos pela primeira vez. E aconteceu. Eu perdi minha virgindade. Depois disso não desgrudamos mais, ele não me pediu em namoro, porque não era preciso rotular o que tinhamos e eu adorava isso. A gente só sentia. Vivia. Continuou a mesma coisa entre nós 3, só que eu passei de ser a "amiga" para a "namorada" e foi aí que as coisas ficaram estranhas. Luiz estava estranho, Bernardo me dando perdido. E pouco tempo depois eu descobri a primeira traição. Perdoei. Ele parecia arrependido. Houve a segunda. Perdoei. Ele dizia me amar muito. Na terceira, com a mesma menina, eu descobri que ele dizia pra ela que não tinha ninguém, que era solteiro. Nós não namoravamos, mas ele tinha a mim. Foi quando eu decidi que era hora de abrir mão dele, da gente, do que tínhamos e ir embora, me afastar de vez. Ele assumiu a menina como namorada 1 dia depois. Estão juntos até hoje. Vão se casar.
— O destino é mesmo filho da puta, não é, Kat?
Luiz falou, tentando quebrar o silêncio que já se instalava ali por minutos.
— Eu não sabia que vocês moravam aqui. Não sabia que eram os proprietários do 312.
— Não tinha como você saber. Essas merdas de aplicativo nunca dão os nomes completos. Só permitem as iniciais. Vou até denunciar depois.
— Eu vou embora.
Me levantei e caminhei em direção à porta.
— Você não vai nem querer conhecer o apartamento?
Luiz perguntou.
— Sério que você acha que isso pode dá certo?
Falei incrédula e com um tom de voz um pouco alto.
— Você está precisando, certo? Nós também. O Luiz está desempregado, e eu não posso manter sozinho esse apartamento. Precisamos de você o quanto você precisa da gente.
— Ninguém sabia, Katherine. Não tinha como saber! Mas já que está aqui, não tem pessoa melhor pra dividir esse apartamento com a gente do que você.
Não posso voltar para casa. Não vou ficar na casa de Lely para sempre e não vou conseguir encontrar outro apartamento com uma localização tão boa. Voltei e coloquei a bolsa em cima do sofá.
— Podem me mostrar o apartamento?
Luiz sorriu. E Bernardo apenas baixou a cabeça, evitando olhar para mim. Segui com Luiz até um corredor, onde tinha 4 portas e Ele abriu a primeira e mostrou o primeiro quarto. O dele. Ao lado do quarto dele havia uma suíte, que deduzi ser de Bernardo. Em frente ao quarto de Bernardo, o que seria meu. O espaço era bom, eu me maravilhei ao imaginar minhas coisas ali. O MEU lugar. E ao lado do meu quarto, um banheiro. Voltamos para a sala, onde ao lado, ficava a cozinha. Me impressionei em ver tudo arrumado, arrumado demais pra dois homens. E tinha a varanda, a vista dava para um Jardim. Me imaginei Armando uma rede e dormindo ali por horas. Voltamos para a sala, sentei dessa vez na poltrona onde Luiz estava e ele ao Lado de Bernardo, no sofá.
— O que achou, Liss?
— Prefiro Katherine.
Falei, sobre o apelido.
— Como quiser, Liss.
Revirei os olhos.
—Kat, estamos pedindo r$ 300,00 pelo aluguel da casa. Com a gente morando, claro. Você usa de tudo que a gente usar. Seu quarto vai ser aquele que a gente viu. R$ 100,00 do aluguel, mais r$ 100,00 para ajudar nas compras de casa e mais r$ 50,00 para ajudar a pagar a faxineira e r$ 50,00 para pagar a lavanderia onde suas roupas sujas, junto com as da gente, vai ser lavada e passada.
É um bom preço, pelo que eles estão oferecendo. Não terei que arrumar casa, nem lavar roupa. Apenas me dedicar ao meu trabalho e estudo. Não irá sobrar muita coisa do meu salário, mas o mesmo irá aumentar quando eu terminar o curso e for oficialmente contratada, então é uma boa. Sem pensar demais para não me arrepender, eu aceitei.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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