Sob o mesmo céu
48 Sequestro
O Hospital NewYork-Presbyterian, em Manhattan, tinha um ar moderno e sofisticado. As paredes claras e as janelas amplas deixavam a luz natural entrar, criando um ambiente acolhedor para todos que chegavam, incluindo Renesmee e Jacob, que aguardavam juntos na sala de exames. A ansiedade e o entusiasmo eram palpáveis, especialmente enquanto ele segurava firmemente a mão dela, ambos ansiosos para ver o bebê.
Logo, a Dra. Katherine Warren, a obstetra de Renesmee, entrou na sala com um sorriso acolhedor. Era uma mulher de cabelos loiros e curtos, com um olhar confiante e uma voz que transmitia serenidade. Ela os cumprimentou com simpatia:
— Renesmee, Jacob, prontos para ver o pequeno Jeremy?
Jacob trocou um olhar carinhoso com Renesmee, e um sorriso iluminou o rosto dela. – Mal podemos esperar, doutora – respondeu Renesmee, enquanto Jacob apertava suavemente sua mão.
Dra. Katherine preparou o aparelho de ultrassom e espalhou o gel frio sobre a barriga de Renesmee. Em poucos instantes, a tela ao lado da mesa revelou a imagem de Jeremy, o bebê que crescia dentro dela, com suas pequenas mãos e pernas se mexendo lentamente.
— Aqui está o Jeremy – disse a Dra. Katherine, apontando a imagem. – Ele está com aproximadamente vinte e oito semanas, ou sete meses. Parece muito saudável e está se desenvolvendo bem. O coração está forte e batendo no ritmo perfeito.
Jacob observava a tela com um brilho nos olhos. Parecia hipnotizado pela visão do filho, como se cada batida do coração de Jeremy estivesse em sincronia com a dele. Ele abaixou o olhar para Renesmee e sorriu, repleto de emoção.
— Ele é perfeito, Nessie – murmurou Jacob, com a voz ligeiramente embargada.
Renesmee retribuiu o olhar e apertou a mão dele com ternura. Naquele momento, ambos compartilharam um entendimento silencioso, uma conexão profunda que refletia o amor e a alegria de aguardarem juntos a chegada de Jeremy.
Dra. Katherine continuou a explorar o ultrassom, destacando o contorno do rostinho do bebê, o movimento constante do coração e as mãozinhas que ele movia delicadamente.
— Vocês realmente formam uma bela equipe – comentou a Dra. Katherine, sorrindo ao ver a cumplicidade entre o casal. – Jeremy é um bebê de muita sorte.
Jacob soltou uma risada suave, sentindo-se mais seguro e animado para os próximos passos dessa nova jornada. Ele sabia que, ao lado de Renesmee, estavam prontos para tudo que o futuro lhes reservava.
No pátio da escola, a pequena Mel corria e brincava com algumas crianças, soltando risadas leves que preenchiam o ar com alegria. Seus cabelos balançavam enquanto ela girava em círculos, até que, ao levantar o olhar, viu a figura familiar e querida de Merliah, o espírito da jovem a quem Renesmee homenageou ao dar o nome à pequena. Merliah observava Mel com um sorriso suave e, ao ver a felicidade da menina, aproximou-se.
— Mel, não se afaste da professora, está bem? – pediu Merliah com carinho.
Mel gesticulou com as mãozinhas, transmitindo que sentia falta de sua amiga espiritual.
— Também senti sua falta, pequena – respondeu Merliah, tocada pelo carinho da menina.
Merliah desviou o olhar em direção ao estacionamento da escola e viu Rosalie, disfarçada com roupas de limpeza, adentrando o prédio. O sorriso de Merliah sumiu, e sua expressão tornou-se preocupada. Ela abaixou-se e olhou para Mel novamente.
— Querida, por que não vai até a professora? Eu prometo que, quando você estiver em casa, vou brincar com você – disse Merliah com um tom de urgência.
Mel assentiu, sorrindo, e correu para dentro da escola. Merliah a observou ir, aliviada, antes de seguir em direção a Rosalie.
Rosalie caminhava pelo corredor com um carrinho de limpeza à frente, como se estivesse apenas desempenhando uma tarefa cotidiana. Merliah se aproximou dela, seu olhar determinado.
Merliah seguiu Rosalie pelo corredor, sentindo o peso da urgência em suas palavras. Tentava alcançar a mãe, mesmo sabendo que, para Rosalie, sua presença era como um sussurro distante.
— Mãe, por favor, não faça isso – implorou Merliah, tentando conter a angústia em sua voz. – Mel não é sua. Ela é só uma criança... a neta que você sempre quis.
Rosalie parou por um momento, virando o rosto na direção de Merliah, embora não a encarasse diretamente. Seus olhos estavam tomados por um brilho sombrio, misto de dor e delírio.
— Essa menina... ela é minha, você não é minha Merliah– murmurou Rosalie, sua voz tremendo, ora de raiva, ora de desejo. – Mel é o que me foi tirado. Ela devia ter sido minha desde o começo.
— Mãe, você sabe que isso não é verdade. A Mel pertence à Renesmee... ela é a filha dela, não sua. Ela nunca será o que você perdeu – disse Merliah, tentando apelar ao que restava da razão de Rosalie.
Mas Rosalie balançou a cabeça, sua expressão oscilando entre negação e insistência.
— Você não entende! – rebateu ela, sua voz quase em um sussurro. – A vida inteira fui privada daquilo que mais desejei... minha filha foi tirada de mim, e não vou perder isso outra vez.
— Mas ela não pode preencher esse vazio, mãe. Não desse jeito... Você vai ferir alguém que não tem culpa. Eu sei que isso te assombra, sei que você sofreu – Merliah se aproximou, tentando transmitir a dor dela mesma e a inocência de Mel. – Mas não faça algo que jamais poderá desfazer.
— Não fale como se entendesse! – Rosalie estreitou os olhos, a voz carregada de amargura. – Eu esperei demais por essa chance. Ninguém vai me impedir de tê-la... nem você.
Merliah engoliu em seco, desesperada, mas sabendo que nada do que dissesse mudaria o que Rosalie pretendia fazer. Ela viu a mãe empurrar o carrinho em direção ao corredor onde Mel passava, e uma sombra de sorriso perturbador surgiu em seus lábios ao avistar a criança.
— Mãe, por favor – implorou Merliah uma última vez, com a voz repleta de desespero. – Não faça isso.
Rosalie viu Mel no corredor e seus olhos se iluminaram com uma expressão de posse e desejo. Aproximou-se com um sorriso suave, disfarçando suas intenções, enquanto Merliah, desesperada, tentava alcançar a mãe.
— Mãe, por favor! Isso está errado. Não leve Mel... ela é apenas uma criança, inocente – suplicou Merliah, a voz tomada pelo desespero.
Mas Rosalie a ignorou completamente, como se o espírito da filha não passasse de uma sombra invisível e inaudível. Ela abaixou-se à altura de Mel, o sorriso suave ainda em seus lábios.
— Oi, querida. A professora está te esperando lá na sala – disse Rosalie em um tom doce, olhando para Mel como se fosse uma filha que há muito tempo sonhava em ter.
Mel, sem perceber nada estranho, sorriu de volta, com aquela confiança inocente que só as crianças possuem. Ela olhou ao redor, como se esperasse ver Merliah, mas, por algum motivo, não conseguia perceber o espírito de sua amiga. Isso deixou Merliah ainda mais aflita, sabendo que a pequena estava vulnerável.
— Mel, não vá com ela! – Merliah exclamou, mas sua voz parecia não alcançar a menina.
Rosalie estendeu a mão, e Mel, inocentemente, segurou-a com confiança, sem imaginar o que estava por trás daquele sorriso. Rosalie apertou sua mão com carinho exagerado e, guiando a menina, conduziu-a pelo corredor até o depósito.
O espírito de Merliah continuava tentando impedir, mas Rosalie parecia inabalável, determinada a levar adiante o plano que tinha em mente. Cada passo que davam em direção ao depósito aumentava a aflição de Merliah, que assistia, impotente, a mãe afastando Mel da segurança da escola e da supervisão dos professores.
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