Sob o mesmo céu

49 Onde está nossa filha?


Renesmee e Jacob deixaram o hospital, onde tinham feito um exame de rotina para acompanhar a gravidez de sete meses dela. Enquanto Jacob dirigia, Renesmee observava as ruas movimentadas da cidade, aproveitando aquele momento a sós. Eles saíram do hospital e entraram na avenida principal, cercada por árvores e edifícios modernos, com as fachadas refletindo o céu claro de fim de manhã. O caminho até a Bright Minds, a escola infantil de Mel, passava por uma série de lojas e cafés, onde pais e crianças passeavam, aproveitando o clima agradável.

— E então, amor — Jacob quebrou o silêncio —, lembra que te falei sobre o projeto que estou planejando com Quil, Sam e Embry?

— Claro! — Renesmee sorriu, animada. — Você mencionou algo sobre abrir um negócio juntos. Vai mesmo sair do papel?

— Sim — ele confirmou, com um brilho nos olhos. — Decidimos que vai ser no ramo automotivo. Eu sempre quis ter minha própria linha de motores, e eles também se empolgaram com a ideia. Vamos fabricar motores customizados e trabalhar em algumas oficinas de mecânica especializada. Ainda estamos definindo alguns detalhes, mas tenho certeza de que será um bom começo.

Renesmee colocou a mão sobre a dele, que estava no câmbio, sorrindo orgulhosa.

— Isso é incrível, Jake! Sei que é um sonho antigo seu. E com Quil, Sam e Embry do seu lado, tem tudo pra dar certo. Já pensaram em algum nome para a empresa?

— Estamos entre "Black Motors" e "Lobos Customizados" — Jacob riu. — Ainda estamos decidindo, mas vamos acertar isso em breve. Quero que Mel também veja que o pai dela está construindo algo para o futuro.

Renesmee sorriu, imaginando Mel acompanhando o crescimento da empresa do pai. De repente, o celular de Jacob tocou, interrompendo o momento. Ele olhou para Renesmee e pediu que ela atendesse.

— Atende pra mim, Ness? Tô dirigindo.

Renesmee pegou o celular e olhou para o número na tela. Franziu a testa ao reconhecer o número da escola.

— É da escola da Mel — ela disse, um pouco tensa, antes de deslizar o dedo na tela para atender. — Alô? Sim, aqui é a mãe da Merliah.

A voz da diretora soou séria do outro lado da linha:

— Sra. Black, aqui é a Sra. Roberts, diretora da Bright Minds. Precisamos que vocês venham à escola imediatamente.

Renesmee sentiu o coração acelerar, trocando um olhar preocupado com Jacob, que agora observava a expressão da esposa, atento.

— Claro, estamos a caminho. Aconteceu alguma coisa com a Mel?

A diretora hesitou por um momento antes de responder, o que só aumentou a tensão de Renesmee.

— Prefiro explicar pessoalmente. Por favor, venham o mais rápido possível.

Renesmee desligou o celular, a expressão de preocupação clara em seu rosto.

— Jake… precisamos ir para a escola agora. Parece sério.

Jacob assentiu, apertando o volante e acelerando, enquanto o clima leve de antes desaparecia, substituído pela urgência e o medo silencioso do que os esperava na Bright Minds.

Jacob apertou a mão de Renesmee enquanto dirigia, tentando esconder a própria tensão para acalmá-la, embora ele também estivesse dominado pelo medo.

— Vai ficar tudo bem, Ness — ele murmurou, tentando soar convincente. — A diretora não deu detalhes, mas... talvez seja só um mal-entendido.

Renesmee olhava pela janela, os pensamentos girando em torno de Merliah. — Jake, e se ela estiver machucada? Ou... ou algo pior? — Sua voz falhou, e ela apertou o ventre em um gesto de proteção ao bebê.

— Não pense assim, Nessie. A Mel é forte, e a escola tem segurança. Vamos descobrir o que aconteceu, e vai ficar tudo bem — ele disse, forçando a calma.

Mas ao se aproximarem da escola, Jacob notou as luzes piscando das viaturas da polícia estacionadas na entrada. O coração de Renesmee disparou, e ele pôde ver o pânico tomando conta dela.

— Jake... o que aconteceu com a nossa filha? — Sua voz era um sussurro, os olhos arregalados.

Ele engoliu em seco, a própria preocupação crescendo enquanto tentava ser forte por ela. — Fique calma, por favor, Ness. Pense no bebê. Vamos descobrir agora.

Jacob estacionou o veículo e desceu rapidamente, segurando a mão de Renesmee com firmeza enquanto ambos caminhavam apressados até a entrada. Identificaram-se como os pais de Merliah Black, e os seguranças da escola acenaram para que os acompanhassem até a sala da Sra. Roberts. Dentro da sala, alguns policiais já aguardavam, a expressão deles sombria.

Assim que entrou, Renesmee não conseguiu se conter.

— Onde está a nossa filha? — perguntou, a voz carregada de ansiedade.

A diretora Roberts, com uma expressão pesarosa, deu um passo à frente. — Sr. e Sra. Black... sinto muito... Merliah... desapareceu.

As palavras ecoaram como um golpe. Renesmee sentiu o mundo girar e, antes que pudesse reagir, a vista escureceu, e ela caiu desmaiada. Jacob, desesperado, segurou-a nos braços, sua própria angústia tomando conta.

— Ness! Nessie, amor! — Ele chamava, tentando acordá-la, a preocupação com ela e com o bebê se misturando ao terror de perder Mel.

Um dos policiais aproximou-se para ajudar, segurando Renesmee enquanto Jacob a ajeitava em seus braços, sua voz tomada pela urgência.

— Precisamos de um médico aqui! — ele gritou, lutando para manter o controle.

Os outros policiais e funcionários ajudaram a levar Renesmee a uma cadeira próxima, enquanto ela recobrava a consciência lentamente. A mão de Jacob permaneceu sobre a dela, transmitindo toda a força que conseguia reunir, mesmo que por dentro ele estivesse tão devastado quanto ela.

Ele só pensava em uma coisa: trazer sua filha de volta, a qualquer custo.

.......

Rosalie estacionou a van diante do prédio antigo, onde seu loft abandonado ficava. O local parecia ainda mais deserto do que ela lembrava, e um sorriso sombrio se formou em seus lábios. Pegando Merliah no colo, ela ignorou o olhar assustado da menina, que gesticulava com as pequenas mãos e murmurava com a voz trêmula:

— Onde está meu papai? Onde está minha mamãe?

Rosalie franziu a testa, sem entender o que Mel tentava comunicar. Com um suspiro, subiu as escadas do prédio carregando a menina, até finalmente chegarem ao apartamento. O lugar estava empoeirado e sombrio, com as cortinas fechadas e uma atmosfera pesada.

— Este será o último lugar onde vão procurar por você — murmurou Rosalie, quase para si mesma, enquanto trancava a porta.

De repente, uma brisa leve e inexplicável pareceu atravessar o apartamento, fazendo as cortinas balançarem suavemente. Mel observou, com os olhos arregalados e assustados, uma figura translúcida surgir à sua frente. Era uma jovem loira com um olhar suave e um sorriso reconfortante. A jovem Merliah — o espírito da própria filha de Rosalie.

A aparição de Merliah olhou com doçura para a menina, percebendo o medo em seus olhos. Ela se aproximou, ajoelhando-se ao lado de Mel.

— Ei, calma, pequena... Eu sei que está assustada — disse Merliah com voz tranquila. — Eu prometo que tudo vai bem.

Mel olhou para a figura diante dela, ainda insegura, mas de alguma forma, sentiu uma calma inexplicável. Mesmo sem entender completamente o que estava acontecendo, ela confiava naquela presença.

Merliah ergueu os olhos para Rosalie, sua mãe, com um olhar firme e cheio de compaixão.

— Mamãe, por favor, devolva essa menina aos pais dela. Você não precisa fazer isso. Ela não tem culpa de nada.

Rosalie desviou o olhar, recusando-se a responder. Em vez disso, começou a preparar o loft para sua estadia, ignorando completamente a súplica de sua filha. O espírito de Merliah suspirou, voltando sua atenção à pequena Mel, que observava tudo com os olhos marejados.

— Eu quero a minha mamãe — disse Mel, gesticulando com as mãos, e uma lágrima escorreu por seu rosto.

Merliah acariciou delicadamente a bochecha da menina, transmitindo uma sensação de calor e conforto.

— Logo, logo, sua mamãe virá te buscar, pequena Mel — prometeu Merliah, sorrindo.

Mel olhou para ela com uma esperança tímida, e com a voz embargada, perguntou:

— Você promete?

Merliah sorriu e assentiu, segurando as pequenas mãos de Mel entre as suas.

— Prometo, minha querida. Logo você estará de volta nos braços dela.

Mel abraçou a presença etérea, encontrando um pouco de consolo na promessa. Mesmo que Rosalie insistisse em ignorar, o espírito de Merliah sabia que faria tudo ao seu alcance para manter aquela promessa e proteger a menina.

— Nessie eu preciso me comunicar com você.

Merliah murmurou para si mesma.