Sob o mesmo céu
53 Incêndio
Nessie observava Rosalie, tentando controlar o pânico crescente, enquanto a dor em sua barriga se intensificava. Ela sentia um misto de alívio por saber que Mel estava em segurança, mas também uma angústia sufocante ao perceber o estado mental perturbado de Rosalie.
Rosalie, por sua vez, estava em um diálogo que apenas ela parecia ouvir. Seus olhos estavam fixos em um ponto no vazio, onde Merliah — o espírito de sua filha — supostamente aparecia.
— Mamãe… não faça isso — Merliah suplicava, com uma expressão triste e cansada. — Deixe a Nessie ir. Mel já está segura. Você não precisa fazer isso.
Rosalie balançava a cabeça, a expressão oscilando entre raiva e confusão.
— Não, Merliah… — ela murmurou, com a voz trêmula. — Eu perdi você. Não posso perder tudo de novo! Elas me tiraram tudo… você, Edward… o amor que eu deveria ter. — Seus olhos brilhavam com um toque de desespero.
Nessie, assistindo Rosalie falar sozinha, percebeu a oportunidade de tentar se comunicar.
— Você está aqui, Liah? — sussurrou Nessie, a voz fraca, a mão sobre a barriga na tentativa de amenizar a dor.
Merliah sorriu para a irmã, embora soubesse que Nessie não a ouvia realmente.
— Sim, Nessie… estou aqui. Eu sou sua irmã… e estou tentando ajudar você — respondeu Merliah suavemente, em vão.
Do lado de fora, a polícia anunciava mais uma vez pelo megafone:
— Rosalie Hale, você está cercada! Entregue-se agora e libere Renesmee Cullen!
O som fez Rosalie estremecer, mas logo se recompôs e se aproximou de Nessie, puxando-a com brutalidade e a forçando a sentar-se novamente no sofá.
— Vocês não vão sair daqui vivas — murmurou, os olhos brilhando com uma mistura perigosa de raiva e loucura.
Nessie respirou fundo, a dor cada vez mais intensa, e tentou apelar à compaixão de Rosalie.
— Rosalie, por favor… — sua voz saiu ofegante. — Eu preciso de um médico. Deixe-me ir, eu… eu não posso perder meu bebê.
Rosalie apenas sorriu, afastando-se um pouco, com o olhar fixo no isqueiro em suas mãos. Ela girou a roda do objeto, fazendo uma pequena chama aparecer e logo sumir. A cada vez que o fogo acendia, uma expressão de satisfação distorcida tomava seu rosto.
— Vai acabar tudo aqui, Nessie… tudo que vocês me tiraram, agora eu recupero. — Ela acendia e apagava o isqueiro, o sorriso frio contrastando com o brilho da chama.
O pânico dominava Nessie enquanto observava a cena. Ela sabia que precisava se manter calma para proteger a si mesma e ao bebê.
— Rosalie, pense… pense em Merliah — disse Nessie, com a voz trêmula, tentando apelar à sanidade de Rosalie. — Ela… ela não quer que isso aconteça.
Rosalie hesitou por um segundo, os olhos se voltando para o espaço vazio onde Merliah supostamente estava. Merliah, visível apenas para ela, suplicava mais uma vez:
— Por favor, mamãe. Não faça isso.
A situação no loft se tornava cada vez mais caótica e desesperadora. Rosalie, obcecada em sua vingança, mal percebeu o perigo até que fosse tarde demais. Ao acender o isqueiro, as chamas subiram rapidamente pela sua roupa encharcada de gasolina, consumindo-a em segundos.
— Não! — Rosalie gritou, em pânico, enquanto tentava apagar as chamas que se espalhavam por seu corpo. Ela se jogou ao chão, mas seus movimentos desesperados apenas espalharam o fogo pela sala, incendiando o rastro de gasolina.
Nessie, assustada, instintivamente recuou ao ver as chamas crescerem ao redor. O fogo se alastrava rápido, cercando-a e bloqueando o caminho para a porta. O calor sufocante e a fumaça pesada tornavam o ambiente intransitável, e o desespero começou a dominá-la. Ela ouviu os gritos de Rosalie se transformarem em um eco distante, enquanto o fogo tomava conta do espaço.
Do lado de fora, Bella assistia horrorizada enquanto a fumaça começava a escapar pelas frestas da casa. Ela se virou para Jacob e, com a voz trêmula, disse:
— Ela jogou gasolina por toda a casa, Jacob. Rosalie… está completamente fora de controle.
Ao ver a fumaça, Jacob entrou em um estado de desespero absoluto. Ele entregou Mel para Bella e, ignorando todos ao seu redor, empurrou um dos policiais que tentava impedi-lo de avançar.
— Nessie! — Ele gritou, com o coração disparado, correndo em direção à casa enquanto chamava pela esposa.
Nessie ouviu sua voz ao longe e, por um momento, sentiu uma faísca de esperança. Mas a fumaça era espessa, e ela começou a se sentir tonta, sufocada. O calor insuportável a fazia lacrimejar, e sua visão começou a escurecer enquanto o ar parecia sumir. Ela deu alguns passos em direção à porta, mas suas forças fraquejaram, e, sem conseguir respirar, desmaiou.
Jacob, determinado a resgatar Nessie, chegou à porta do loft e a chutou repetidamente. As chamas e a fumaça escapavam pela fresta, mas ele ignorou o perigo, continuando a bater até que a porta finalmente cedeu com um estrondo. Enfrentando o fogo e a fumaça, ele entrou no interior do loft, gritando o nome de Nessie.
Com o ambiente tomado pelo fogo, Jacob a encontrou caída, quase sem consciência. Ele se abaixou, segurando-a cuidadosamente nos braços, e a puxou para perto, tentando protegê-la do calor com seu próprio corpo.
— Nessie, aguente firme… eu estou aqui — murmurou, sua voz quebrada pela emoção, enquanto tentava sair da casa em meio às chamas.
Nesse momento, Jasper e outros policiais chegaram ao local, apoiando Jacob enquanto ele avançava com Nessie nos braços para fora do loft em chamas. Assim que cruzaram a porta e se afastaram a uma distância segura, os bombeiros entraram rapidamente para tentar controlar o incêndio.
Jacob, com o coração disparado, correu até onde os paramédicos aguardavam. Sua voz tremia de desespero.
— Eu preciso de uma ambulância! Por favor, ela… ela precisa de ajuda agora!
Ele deitou Nessie no chão com cuidado, e o grupo de socorristas rapidamente se aproximou para realizar os primeiros socorros. Jacob observava cada movimento deles, seu olhar fixo no rosto pálido de Nessie, enquanto lágrimas silenciosas desciam pelo seu rosto. Ele sentiu uma mão em seu ombro e, ao olhar para o lado, viu Bella, que lhe deu um olhar encorajador, embora estivesse igualmente abalada.
— Cuide da Mel, Bella, por favor… — ele pediu, sua voz rouca.
— Claro, Jacob. Eu cuidarei dela — Bella respondeu, segurando Mel em seus braços, que observava tudo, assustada, mas segura ao lado da avó.
Os socorristas finalmente estabilizaram Nessie, colocando-a em uma maca e a transportando rapidamente para a ambulância. Jacob não hesitou; ele subiu ao lado dela e segurou sua mão com força, como se, de alguma forma, pudesse transmitir sua própria força a ela.
Durante o percurso, ele manteve o olhar fixo em Nessie, seus lábios murmurando palavras de encorajamento:
— Por favor, amor… fica comigo. Vocês vão ficar bem. Eu estou aqui, não vou te deixar.
Os minutos que seguiram pareceram horas. Ele sentia cada curva da ambulância, cada solavanco como se fosse uma eternidade, e tudo o que ele podia fazer era segurar a mão dela, desejando que ela pudesse sentir seu toque e saber que ele estava ao seu lado, que ele não a abandonaria.
Quando chegaram ao hospital, Jacob desceu junto com os paramédicos, nunca soltando a mão de Nessie até que foram forçados a levá-la para uma sala de emergência. Ele permaneceu parado do lado de fora, as mãos pressionadas no rosto, tentando se recompor enquanto aguardava ansioso por qualquer notícia sobre o estado dela.
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