Sob o mesmo céu
16 Armadilha
Renesmee, Merliah, Rosalie e Ryan jantaram juntos de forma harmoniosa, embora Renesmee ainda estivesse tentando compreender o silêncio do primo durante a refeição. A mesa estava elegantemente arrumada, com pratos de porcelana e talheres brilhantes. A luz suave das velas conferia um ar acolhedor ao ambiente.
Quando finalmente terminaram a sobremesa, uma deliciosa torta de maçã, Merliah disse que estava se sentindo cansada.
— Acho que vou para o meu quarto, estou exausta — disse Merliah, tentando disfarçar a fraqueza.
— Claro, querida. Vamos, eu te acompanho — sugeriu Renesmee.
As duas subiram as escadas e foram para o quarto de Merliah. O quarto era decorado de forma aconchegante, com fotos de momentos felizes espalhadas pelas paredes e móveis de madeira clara.
— Olha essas fotos, Nessie — disse Merliah, pegando um álbum de fotos reveladas recentemente. — Lembra daquela viagem à França?
Renesmee sorriu ao lembrar. — Como eu poderia esquecer? — disse, folheando o álbum. — Olha essa! Quando tentamos pedir croissants em francês e acabamos pedindo caracóis!
Merliah riu, uma risada genuína que iluminou seu rosto cansado. — E o garçom ficou tão confuso! Ele trouxe os caracóis e nós ficamos olhando para eles, sem saber o que fazer.
— Foi hilário — concordou Renesmee, rindo junto com a prima. — E Jacob tentando explicar em francês que não queríamos caracóis, mas croissants, e o garçom só olhando para ele como se fosse louco.
Merliah sorriu, um brilho de felicidade em seus olhos. — Estou tão feliz de estar com minha melhor amiga — disse ela, com a voz suavemente melancólica. — Nessie, guarde esses momentos para lembrar quando eu não estiver mais aqui.
Renesmee segurou a mão de Merliah, apertando-a com carinho. — Você estará aqui, Merliah. Ainda seremos madrinhas dos filhos uma da outra.
As duas riram, mas a risada foi interrompida por Rosalie, que entrou no quarto com duas bandejas de suco de laranja.
— Hora da sua medicação, Merliah — disse Rosalie, entregando um copo à filha e outro a Renesmee.
— Obrigada, tia Rosalie — disse Renesmee, aceitando o copo e tomando um gole.
Rosalie observou Merliah tomar seu medicamento e, em seguida, voltou sua atenção para Renesmee, sorrindo de maneira sutil. — Preparei o quarto de hóspedes para você, Nessie — disse Rosalie. — A medicação sempre deixa Merliah sonolenta, e logo ela adormecerá.
— Obrigada, tia — disse Renesmee, sem perceber o sorriso oculto de Rosalie. Ela continuou a conversar com Merliah, sem suspeitar da armadilha que estava prestes a cair.
Rosalie saiu do quarto e encontrou Ryan encostado próximo à porta.
— Está tudo pronto — disse ela, com um tom decidido. — Agora é sua vez de fazer a sua parte.
Ryan olhou para Rosalie, a culpa ainda evidente em seu rosto, mas ele sabia que não tinha escolha.
— Vou fazer o que você mandou — disse ele, resignado.
A casa estava silenciosa, exceto pelo som distante das conversas das meninas no quarto de Merliah. Rosalie olhou para Ryan com um olhar frio e calculista, satisfeita com o desenrolar de seu plano.
Após alguns minutos de conversa e risos, Renesmee começou a se sentir sonolenta. Ela observou Merliah, que já havia adormecido, e a cobriu com o cobertor, dando um sorriso carinhoso. Sentia-se feliz em saber que, de certa forma, estava dando esperanças à prima.
Caminhando até a porta do quarto de Merliah, Renesmee começou a perceber que algo estava errado. Sua visão ficou turva e ela cambaleou ao sair. Ryan, que estava próximo, a segurou rapidamente.
— Nessie, está tudo bem? — Perguntou ele, embora soubesse muito bem a razão pela qual sua prima estava naquela condição.
— Eu... não sei o que está acontecendo — respondeu Renesmee, com a voz fraca e confusa.
— Vem, deixa eu te ajudar — disse Ryan, passando um dos braços em volta da cintura de Renesmee para apoiá-la. Ele a levou pelo corredor até o quarto que Rosalie havia preparado.
O quarto estava decorado com uma simplicidade acolhedora: uma cama com lençóis brancos e uma colcha azul-clara, um abajur em forma de concha e uma cadeira de vime ao lado da janela, que estava entreaberta, deixando entrar uma brisa suave.
Renesmee tentou compreender o porquê de tudo estar girando. — Ryan... o que está acontecendo? — Perguntou ela, a voz um pouco mais desesperada.
— Vai ficar tudo bem-disse Ryan, com um suspiro. Ele sabia o que estava prestes a acontecer e odiava cada momento disso.
Quando chegaram ao quarto, Renesmee estava completamente desorientada. Ryan a abraçou, apoiando-a com mais firmeza.
— Por que você está me abraçando? — Renesmee perguntou, a confusão em seus olhos.
Ryan suspirou, percebendo Rosalie tirando fotos de longe. — Eu sinto muito, Nessie — murmurou ele, antes de beijá-la.
Renesmee tentou empurrá-lo, mas não tinha forças. Sua mente estava enevoada, e ela sentia como se estivesse sendo puxada para a escuridão. Com um último esforço, ela tentou resistir, mas acabou se entregando à escuridão.
Rosalie, escondida na sombra do corredor, sorriu ao ver seu plano se desenrolando perfeitamente. Ela observava enquanto Ryan colocava Renesmee suavemente na cama, a culpa evidente em seus olhos, mas ele continuou seguindo as ordens de sua madrasta.
O quarto silencioso foi preenchido apenas pelo som suave da respiração de Renesmee enquanto ela caía em um sono profundo e induzido, sem saber das intenções sombrias que a cercavam.
— Um dia você pagará por isso — Disse Ryan ao passar por Rosalie minutos depois após sair do quarto, sem camisa, Rosalie ficou em silêncio observando o enteado entrar em seu quarto.
Após entrar Ryan se entregou as lagrimas, ele sabia que o que acabará de fazer destruiria não somente a vida da prima a quem ele sempre teve carinho e respeitou, mas também a dele — Espero que um dia você me perdoe Nessie — Ele sussurrou para si mesmo antes de pegar sua mochila e sair do quarto.
Ryan olhou para aquela casa pela última vez antes de ir embora e jurou que nunca mais pisaria naquele lugar.
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Renesmee acordou na manhã seguinte com uma dor de cabeça esmagadora. Ao abrir os olhos, ela se assustou ao perceber que estava sem roupa, apenas enrolada em um lençol. A última imagem que tinha era de Ryan a levando para o quarto. Sentindo-se assustada e como se estivesse de ressaca, ela vestiu suas roupas apressadamente e saiu do quarto, encontrando Rosalie no corredor.
— Bom dia! — disse Rosalie de forma animada, com um sorriso radiante.
— Você viu o Ryan? — perguntou Renesmee, ainda desorientada e assustada.
Rosalie sorriu como se não entendesse a pergunta. — Ryan? Por que está perguntando por ele? Ele saiu do quarto há alguns minutos.
Renesmee olhou para a tia, aterrorizada. — Não... ele não dormiu no mesmo quarto que eu. Isso não pode ser verdade.
Rosalie ergueu uma sobrancelha, aparentando confusão. — Por que está tão nervosa, Nessie?
Renesmee balançou a cabeça, tentando ordenar seus pensamentos. — Eu... preciso ir embora.
Seu celular tocou e ela olhou para a tela, vendo que era Jacob ligando. Rosalie, percebendo a tensão, disse calmamente:
— Você não vai sair assim. Precisa tomar um banho para melhorar essa ressaca.
— Ressaca? Eu não bebi nada alcoólico! — Renesmee protestou, sua voz cheia de incredulidade.
Rosalie abriu a porta do quarto e fez um gesto para que Renesmee entrasse. — Entre, por favor.
Renesmee, sem outra opção, assentiu e entrou no quarto. Rosalie pegou um envelope de uma mesa próxima e entregou à sobrinha, que o pegou sem entender.
— O que é isso? — perguntou Renesmee, a voz trêmula.
— Apenas abra, querida — respondeu Rosalie, com um sorriso enigmático.
Renesmee abriu o envelope e, ao ver as fotos de ela e Ryan se beijando e juntos na cama, sentiu como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Ela se sentou na cama, as mãos tremulas.
— O que... o que é isso? — sua voz mal saía, os olhos arregalados de horror.
Rosalie se aproximou lentamente, sua voz baixa e controlada. — Essas fotos estão com um entregador a caminho do apartamento de Jacob. Basta um telefonema meu para que não sejam entregues a ele.
Renesmee olhou para Rosalie, só então havia percebido que tinha caído em uma grande armadilha, lágrimas começando a se formar em seus olhos. — Por que está fazendo isso comigo?
Rosalie suspirou, seu rosto suavizando por um momento. — Porque você precisa aprender a não se meter onde não é chamada. Agora, faça o que eu mandar e essas fotos nunca chegarão a Jacob.
— Eu não fiz nada, não aconteceu nada entre Ryan e eu — Renesmee gritou desesperada.
— Acha que seu noivo acreditará nisso?
Renesmee olhou assustada para Rosalie — O suco — Ela sussurrou — Tinha alguma coisa naquele suco.
— Não seja descarada sobrinha — Rosalie sorriu — O que acha de negociarmos.
— O que você quer de mim? Renesmee perguntou com a voz embargada por suas lagrimas.
— Quero que reconsidere meu pedido — Disse Rosalie — Querida Merliah tem pouco tempo de vida, depois vocês podem se casar, ser felizes...
— Você é louca! Renesmee gritou — Eu não posso fazer isso, e mesmo que eu termine com o Jake, ele não vai ficar com a Merliah.
— Eu cuido disso, faça sua parte.
— Eu não posso...
Rosalie suspirou com um semblante de aborrecimento — Está bem-Disse ela pegando o aparelho celular — Boa sorte em explicar ao seu noivo.
— Espera...Renesmee fechou os olhos sentindo seu coração dilacerar, não podia fazer aquilo com Jacob, mas se ele visse aquelas fotos mesmo ela sendo inocente ela o destruiria — Me dê uns dias, por favor...isso não é tão simples.
— Está bem — Disse Rosalie — Você tem uma semana.
Renesmee, sentindo-se traída e desesperada, apenas assentiu, incapaz de encontrar palavras. Ela estava presa na armadilha de Rosalie, sem saber como sair dela.
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