Sob o mesmo céu
17 Te amo com todas as forças do meu coração.
Renesmee caminhava pela praia de Coney Island, em Nova York, com o som das ondas batendo suavemente na areia ao fundo. O vento trazia consigo o cheiro salgado do mar, misturado com o distante aroma de pipoca e algodão doce dos vendedores ambulantes, a deixando enjoada. Ela olhou para o celular, ignorando as inúmeras mensagens e ligações de Jacob, e sentou na areia fria, olhando fixamente para o horizonte.
As luzes brilhantes do parque de diversões ao longe contrastavam com a escuridão crescente do crepúsculo, refletindo no mar. A solidão da praia, em contraste com a vida vibrante ao redor, espelhava perfeitamente a sensação de isolamento que Renesmee sentia naquele momento. Ela abraçou suas pernas, os joelhos pressionados contra o peito, e se entregou às lágrimas.
Os soluços começaram suavemente, mas logo se tornaram incontroláveis. As lágrimas corriam livremente pelo seu rosto, enquanto sua mente tentava desesperadamente entender por que Rosalie, alguém que ela um dia admirou e amou como uma tia, havia se transformado em um monstro disposto a destruir sua felicidade. Cada onda que quebrava na praia parecia sussurrar suas dúvidas e medos, ecoando sua dor.
Renesmee permaneceu ali por horas, o tempo se misturando com suas emoções. O céu escureceu completamente, pontilhado de estrelas, enquanto a lua lançava um brilho prateado sobre a água. As risadas e gritos distantes dos visitantes do parque de diversões pareciam vir de um mundo diferente, onde a dor que ela sentia não existia.
Finalmente, exausta de tanto chorar, ela se levantou, sentindo a areia fria e úmida sob seus pés descalços. Olhando para o mar pela última vez, Renesmee decidiu que precisava proteger Jacob da verdade, mesmo que isso significasse partir seu próprio coração. A luta interna entre seu amor por Jacob e a necessidade de protegê-lo era quase insuportável.
Com os olhos inchados e o coração pesado, ela começou a caminhar pela praia, cada passo um esforço para dominar a dor que sentia. O futuro parecia incerto e aterrorizante, mas Renesmee sabia que precisava ser forte, não importa o quanto isso a machucasse. Ela respirou fundo, o ar salgado enchendo seus pulmões, e se preparou para fazer o que precisava ser feito.
E assim, com o som das ondas quebrando ao fundo e as estrelas brilhando acima, Renesmee caminhou de volta pela praia, lutando contra sua própria dor pelo que estava prestes a fazer, determinada a encontrar uma maneira de proteger Jacob, mesmo que isso significasse sacrificar sua própria felicidade.
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Jacob chegou ao seu apartamento após uma longa noite de trabalho, sentindo o peso do cansaço em seus ombros. Ele foi direto para o banheiro, onde tomou um banho quente, tentando relaxar seus músculos tensos. Depois de se trocar, olhou para o celular, preocupado. Renesmee ainda não havia retornado suas ligações.
Ele discou o número de Rosalie, esperando que ela tivesse alguma notícia. Após alguns toques, Rosalie atendeu com uma voz amistosa:
— Oi, Jacob! Tudo bem?
— Oi, Rosalie. Você sabe onde a Nessie está? Ela não retornou minhas ligações.
— Ah, sim. Ela dormiu aqui, mas saiu cedo. Disse que ia te encontrar — respondeu Rosalie, fingindo desentendimento. — Aconteceu alguma coisa?
— Não, nada. Só estou preocupado. Se você souber de algo, por favor, me avise.
— Claro, vou tentar falar com ela. Não se preocupe.
Rosalie encerrou a ligação com um sorriso vitorioso, enquanto Jacob, ainda mais preocupado, decidiu ir até a casa dos pais de Renesmee. Ele dirigiu rapidamente pelas ruas movimentadas de Nova York, passando por avenidas conhecidas como a 5ª Avenida, iluminada por vitrines de lojas de luxo, e a Broadway, onde as luzes dos teatros piscavam incessantemente.
Ao chegar na casa dos Cullen, ele foi recebido por Bella, que abriu a porta com uma expressão curiosa.
— Jacob, bom dia,
— Me diga por favor que Nessie está aqui — Ele disse com uma voz aflita.
A expressão de Bella mudou para preocupação — Não, ela ainda não chegou da casa de Rosalie.
— Nessie não atende minhas chamadas e nem responde minhas mensagens. Rosalie disse que ela saiu cedo da casa dela, mas não sei onde ela está.
— Vamos entrar, vou tentar ligar para ela.
Bella pegou seu celular e discou o número de Renesmee, mas a ligação caiu na caixa postal. Preocupada, com o desaparecimento da filha, ligou para Edward imediatamente.
— Edward, a Nessie não chegou em casa e não está atendendo o telefone. Jacob está aqui e ele também não conseguiu falar com ela.
— Estou indo para casa agora. Vamos encontrá-la — respondeu Edward, a voz tensa.
Jacob sentia um desespero se apossar de sua alma, não conseguiria simplesmente sentar e esperar sem saber se a mulher que amava estava bem, se não estava machucada, desesperado, decidiu sair novamente para procurar por Renesmee, Bella disse que avisaria caso a filha chegasse em casa, ele assentiu e saiu cantando pneus.
Dirigiu pelas avenidas de Nova York, os olhos atentos a cada esquina e rosto que passava. Passou pelo Central Park, onde as sombras das árvores criavam formas dançantes sob as luzes da rua, e pelo Times Square, onde a multidão e as luzes ofuscantes tornavam tudo ainda mais caótico.
Depois de horas de busca infrutífera, ele voltou para a casa dos Cullen. Edward estava prestes a sair para a delegacia quando a porta se abriu e Renesmee entrou, com um semblante cansado e triste.
— Não é necessário — disse ela, tentando parecer calma.
Edward e Bella, visivelmente preocupados, tentaram obter respostas. Nessie nunca havia feito aquele tipo de coisa nem mesmo em sua adolescência, ambos temiam que algo grave pudesse estar acontecendo.
— O que aconteceu, Nessie? — Perguntou Edward.
— Está tudo bem, querida? — Indagou Bella, tentando manter a calma.
Renesmee concordou com a cabeça tentando acalma-los focando-se em Jacob.
— Preciso conversar a sós com o Jake— disse ela tentando buscar forças para continuar.
Seus pais trocaram um olhar preocupado, mas assentiram e saíram juntos da sala, deixando-os a sós. Jacob tentou se aproximar, a preocupação estampada em seu rosto, mas Renesmee recuou, mantendo a distância.
— Fiz algo que te magoou? — Perguntou Jacob, confuso. — Sei que não tenho tido tempo como antes, mas em breve tudo voltará a ser como antes pequena.
Nessie suspirou, buscando forças para o que estava prestes a fazer. Olhou nos olhos do noivo, a dor evidente em seu rosto.
— Nada será como antes, Jake. Não haverá mais casamento.
Jacob a olhou, sem entender, o choque evidente em seu rosto.
— Como assim? O que você está dizendo?
— Eu... eu não estou pronta para me casar — disse ela, a voz trêmula.
Jacob se aproximou novamente, a confusão e a dor se misturando em seus olhos.
— Não estou entendendo, Nessie.
— Você ouviu Jake — Ela tentou ser dura com as palavras —
Não haverá mais casamento.
Jacob deu um tímido sorriso, apesar da preocupação ele percebeu que não era realmente aquilo que Nessie desejava, Ele se aproximou novamente e sem que ela esperasse a abraçou, e dessa vez, ela cedeu, tentando controlar suas lágrimas enquanto sentia o calor do corpo dele e o beijo suave em seus cabelos.
— Está tudo bem — sussurrou Jacob. — Entendo que eu apressei as coisas. Me perdoe por te assustar dessa maneira.
— Não Jake, você não entende — Ela falou em meio seus soluços.
Ele segurou o queixo da noiva, forçando-a a olhar nos seus olhos.
— Só aceito cancelar o casamento se você disser, olhando nos meus olhos, que não me ama.
Nessie não conseguiu responder. As lágrimas escorriam livremente por seu rosto enquanto soluçava de tanto chorar.
— Eu te amo, Jake. Te amo com todas as forças do meu coração.
Jacob a beijou, suas próprias lágrimas se misturando com as dela. O beijo foi profundo e cheio de emoção, um misto de amor, desespero e tristeza. Eles se abraçaram com força, como se o mundo ao redor desaparecesse, e naquele momento, o tempo parou. Seus corações batiam em uníssono, e apesar da dor que os envolvia, o amor entre eles permanecia inabalável.
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