Notas iniciais
Gente ai vai mais um capítulo! Esse demorou um pouquinho, porque essa minha semana foi recheada de surpresas... Recebi a notícia de que fui aprovado na prova de transferência de curso para medicina e me ocupei bastante preparando a papelada para a transferência. Mas finalmente o capítulo saiu :)

Morgana finalmente havia chegado a Camelot. Tudo parecia tranquilo, as plantações de primavera já começavam a ser cultivadas. Depois de passar pelo pátio e adentrar na sala do trono, Morgana foi informada por um dos servos que o Rei não estava na cidade e que havia viajado a Pellinore.

A Dama do Lago mal teve tempo de descansar da longa viagem e partiu em rumo ao reino de Lancelot. Suas visões estavam cada vez mais fortes e um sentimento de urgência lhe tomava o âmago; não podia esperar nem um minuto que fosse.

Lancelot já avistava as terras que os saqueadores tomaram para si. Era possível avistar um pequeno exército bem armado, indicando que eles estavam se organizando há algum tempo para o ataque. Imediatamente o rei de Pellinore foi tomado por uma sensação de culpa. Se estivesse em seu reino poderia ter desmantelado os criminosos antes mesmo que se organizassem a tal ponto; mesmo assim, não se arrependia nem um minuto de ter ajudado Artur na defesa da Bretanha.

O duque organizou seus homens de modo que cercassem a fazenda afim de atacá-la por todos os lados.

Os saqueadores estavam preparados e não foram surpreendidos pela chegada da cavalaria real.

As espadas se cruzavam ferozmente; mesmo sem muitos cavalos, os saqueadores atiravam flechas do alto da casa principal da fazenda e graças a sua posição privilegiada, conseguiam acertar facilmente os soldados do rei, que se tornavam alvos muito visíveis em cima dos seus cavalos.

Lancelot tentava a todo custo adentrar na casa a fim de inutilizar os arqueiros da armada inimiga. Com suas espadas gêmeas do lago ficava fácil interromper o percurso das flechas antes delas atingirem sua armadura; ainda assim, temia pelos seus homens que morriam um a um em meio à defesa preparada pelos saqueadores.

Finalmente a parte do regimento que ficou responsável por dar a volta em torno das terras começava a chegar e atacar os inimigos pela retaguarda. O que Lancelot não previu foi a astúcia militar dos saqueadores, que atiraram flechas em chamas na direção do regimento, fazendo com que a plantação, certamente embebida em óleo, ardesse em fogo rapidamente, impedindo a passagem dos seus homens e assustando os cavalos.

Lancelot assistiu seu esquadrão ser obrigado a recuar em meio a rajada de flechas ardentes.

Mesmo nessas condições, o duque continuou avançando e conseguiu chegar na casa principal da fazenda, atacando ferozmente os arqueiros, que agora, estavam indefesos perante Sir Lancelot do Lago.

O rei de Pellinore continuava a atacar até sentir uma dor lancinante em suas costas. Uma flecha o havia acertado à altura do pulmão esquerdo e embora não houvesse atravessado completamente seu corpo graças a sua armadura feita em bronze, dada de presente pelo próprio Grande Rei, foi suficiente para fazer Lancelot cair de joelhos.

Imediatamente vários homens tomaram suas espadas, prendendo-lhe ainda com a flecha cravada em seu corpo. Antes de desmaiar, Lancelot pôde ver os poucos homens restantes do seu esquadrão serem mortos de maneira brutal.

No país das fadas, os anos se passavam mais rápido que o vento do norte. Eda instruía seus pupilos como fizera com a Rainha. Ela não se enganara ao escolher os dois para serem treinados em seu reino.

Nimue e Connor evoluíam a passos largos, assistidos, hora por Eda, hora, por uma das donzelas elementais.

Ao final de seus treinamentos, os dois foram sagrar-se como sacerdotes de alto nível na sala do trono do país das fadas.

Um maravilhoso banquete foi servido em comemoração e enquanto Connor comia e bebia junto às donzelas elementais, Eda chamou Nimue para uma última conversa, antes da sua partida.

Parabéns minha filha, você será uma sacerdotisa admirável!

Muito obrigada majestade, por tudo!

Não há o que agradecer, somos todas filhas da Deusa; mas agora preciso lhe falar sobre um assunto bastante sério para a Bretanha.

Do que se trata, Senhora?

Você já deve saber que o herdeiro real é seu irmão, Galahad. Você deve saber também que o Grande Rito deve ser celebrado para simbolizar o casamento do Rei com a terra e que a sacerdotisa também deve ser o sangue real de Avalon, não é?

Entendo; como sou a única, exceto a Senhora do Lago, que possui o sangue real de Avalon, terei que celebrar o Grande Rito com o meu próprio irmão...

Sei que não deve ser nada fácil. Até a própria Morgana quer de todo modo impedir que Galahad se torne Grande Rei para evitar o Grande Casamento.

Ela também teve que celebrar com o seu irmão... Sei bem da história.

Naquela época, Viviane não tinha escolha; mas creio que agora, nós podemos ajudar.

Como, majestade?

Deve instruir Morgana a trazer o Rei sob encantamento ao país das fadas. Eu mesmo gerarei o filho de Artur! Se tudo correr como planejado, em menos de um dia, deixarei a criança em Avalon para ser educada por Morgana.

Como o Rei reagiria a isso?

Ele pode ficar um pouco confuso no início, mas ao final de tudo isso, acabará aceitando seu novo herdeiro.

E como a Senhora tem certeza de que será um menino?

Você sabe que tenho meus encantamentos, Nimue... Pode fazer isso por mim?

Sim senhora!

Pois muito bem; ao voltarem vocês dois terão a mesma aparência de crianças de oito anos; mas tenho certeza de que saberá se comunicar com a Senhora do Lago para que ela faça o que for necessário.

Claro, farei como o ordenado.

Depois das festividades terem se findado. Nimue e Connor se viram novamente em Avalon, exatamente no mesmo lugar em que encontraram a jovem fada. Suas aparências permaneciam as mesmas, todavia, seu conhecimento aumentara infinitamente.

Morgana chegou à Pellinore quando a noite já ia alta. A Senhora de Avalon, não se surpreendeu ao ver a defesa do castelo montada, como se estivesse em guerra. Teria tido alguma dificuldade em se identificar tão tarde da noite, mas se utilizou de encantamentos para entrar no castelo sem ser impedida pelos guardas.

Já conhecia a morada de Lancelot do tempo em que visitara Elaine para pegar Nimue e levá-la a Avalon, por isso, não se demorou na sala do trono e foi direto aos aposentos do rei.

Ao entrar sem bater, Morgana se deparou com Artur, deitado na cama com a cabeça enfaixada, acompanhado por um pajem e por uma senhora que tentava a todo custo dar-lhe uma beberagem.

Artur, o que houve?!

Morgana, minha irmã!

Tive uma Visão e tive que vir. Senti que Lancelot corria perigo; fui a Camelot, mas vocês não estavam lá. Por isso vim para cá.

Você estava certa. Um grupo de saqueadores tomou as terras da fazenda onde fica a mina mais produtiva do reino de Pellinore, matando não só o seu senhorio como também várias outras pessoas! Lancelot saiu com a guarda real para recuperar as terras ainda pela manhã e quando lhe impus um ultimato de que deveria ir com ele a todo custo, ele me golpeou na nuca. Quando acordei, a noite já ia alta e mesmo fazendo de tudo para passar pela guarda, eles não obedecem às minhas ordens!

O povo de Pellinore é mesmo muito leal a seu rei, mesmo sob pena de serem punidos pelo Grande Rei. Espero que não tenha se irritado com ele Artur; só estava tentando te proteger.

Nunca me irritaria com ele, irmã... nunca! Mas não se trata disso; já faz muito tempo desde que ele partiu. Morgana eu já estou desesperado! – disse Artur, com a voz embargada.

Deixe-nos a sós!

Imediatamente, os criados se retiraram mediante a autoridade real da Senhora do Lago.

Calma Artur, você pode cavalgar?

Sim; já não sinto mais nada a não ser uma dor leve na nuca.

Então se arme e pegue a Excalibur; sairemos através de um encantamento. Nós vamos salvá-lo!

Preso a cordas, em um quarto mal iluminado, Lancelot se encontrava nu da cintura para cima; sua ferida fora fechada de qualquer maneira e ainda sangrava. Mesmo com a turbidez em sua visão, o duque pôde ver sua armadura e suas espadas jogadas num canto, próximas a um homem corpulento que portava um chicote feito em couro.

Vejo que a princesa já acordou! – disse o homem com um olhar de puro sadismo.

O que você quer? – disse o duque sentindo imediatamente uma pontada de dor no peito.

Você é o rei dessas terras e nós já sabemos que o Grande Rei o tem em alta conta. Logicamente teremos seu peso em ouro como resgate e um salvo conduto por toda a extensão da Bretanha para podermos ir em segurança para as terras espanholas aproveitar nossa nova fortuna.

A Bretanha não tem tanto ouro assim; acabamos de passar por uma guerra. Artur não dispõe de tanto...

Então teremos que fazê-lo entender que se não der o que queremos, você sofrerá, duque. Uma mensagem já foi enviada a seu castelo. Agora só nos resta deixar nossa ameaça mais convincente para quando o Rei chegar aqui.

O homem se posicionou por trás de Lancelot e começou a chicotear o duque, indefeso. Os gritos do duque ecoavam pela casa provocando imensa satisfação no seu algoz.

Como se não bastasse, o chefe dos saqueadores começou a espancar o duque com as próprias mãos. Após muito pouco tempo, Lancelot não conseguia nem mesmo gritar, sua respiração estava tão difícil que sentia-se atravessado por uma lança a cada tomada de ar. Apenas quando o seu sangue começou a escorrer pelo seu corpo e gotejar no chão, o Grão-duque abandonou a consciência mais uma vez.

Artur já se encontrava armado e pronto para sair quando ele e Morgana foram surpreendidos pela chegada de um soldado ao quarto.

Meu senhor; um emissário vindo dos saqueadores nos trouxe a notícia... o rei Lancelot foi capturado! Eles exigem muito ouro para o resgate. – Artur gelou com a notícia, mas aquela era uma hora para ser forte e reassumir o controle.

Não importa o quanto; Mande um emissário a Camelot para pegar o valor necessário!

Espere Artur – falou abruptamente Morgana – Não temos como pagar essa quantidade de ouro.

Deixaremos ele morrer então, Morgana?!

Não se preocupe, tive uma ideia!

Notas finais
O problema da pontuação continua...não sei como resolver... Sorry!