Notas iniciais
Oi gente!!!! mais um capítulo para vocês :D Desculpem a demora, mas estou em processo de mudança de cidade e nem internet consegui instalar no ap ainda kkkkkk Espero que curtam os momentos finais da fic... Breve teremos mais um capítulo :)

Artur olhava atentamente para Morgana como se estivesse pedindo-lhe maiores detalhes com os olhos; Morgana não esperou muito para recomeçar a falar:

Há um encantamento muito conhecido em Avalon pelo qual os magos e bruxas tomam a forma do que quiserem por meio de uma ilusão provocada em quem está olhando para eles.

Como assim?

Não é uma mudança real de forma, mas apenas uma confusão dos sentidos de quem olha através do encanto. A derivação mais clássica desse encantamento é aquela em que as sacerdotisas tomam a forma da Deusa para parecerem mais imponentes.

E o que isso tem a ver com o resgate, Morgana? – disse Artur exasperado.

Creio que posso aplicar esse mesmo encanto em algum objeto, nesse caso, pode ser na tonalidade do metal que você entregará aos saqueadores. Dê a quantidade que eles pedem só que não em ouro, mas em níquel. Apenas recubra os sacos com algumas poucas moedas de ouro e deixe o resto a cargo do encanto. Eles acreditarão estar em posse de ouro por tempo o suficiente para resgatarmos Lancelot.

Tem certeza disso Morgana, não quero arriscar a vida dele!

Você não dispõe de recursos Artur; confie em mim, vai dar tudo certo!

Imediatamente, Artur foi aos cofres do castelo de Pellinore e encheu vários sacos com peças de níquel até que tudo chegou à quantidade exigida pelos sequestradores. Por fim, salpicou as poucas moedas em ouro que lá existiam por cima dos sacos e os fechou. Enquanto levava os sacos para Morgana, que já estava no pátio do castelo, os pensamentos do Rei não saíram de perto do seu duque; sua preocupação era tão forte que Artur mal conseguia conter-se; o que mais queria era cavalgar a toda velocidade para salvar seu amado.

Quando os sacos chegaram à Morgana, ela pediu para que todos a dessem o maior espaço possível e começou a traçar o círculo mágico ali mesmo, com todos a observá-la.

Depois de chamar as energias elementais para trabalhar consigo e de se sintonizar com a presença da Deusa, Morgana começou a trabalhar magicamente nos sacos para que todos aqueles que o vissem, pensassem que ali só havia ouro puro. Para tal, ela precisou abrir os sacos um por um e deixar que a energia da lua banhasse o metal de modo que o encantamento surtisse efeito.

Após empregar toda energia mágica necessária à tarefa, Morgana desfez o círculo e ordenou a alguns guardas que fechassem os sacos e os colocassem em uma carroça.

Todos obedeceram suas ordens, ainda sem entender o que havia acontecido ali; para todos, Morgana apenas ficara parada por alguns minutos e logo em seguida abrira os sacos repletos de ouro.

O castelão de Pellinore deixou os irmãos reais saírem ainda que a contragosto; sabia que estava desrespeitando uma ordem direta do seu rei, mas ele corria perigo e se os saqueadores exigiam a presença do Grande Rei apenas para realizar o resgate, então isso deveria ser feito.

Artur e Morgana cavalgaram o mais rápido que puderam; a carroça era conduzida por Morgana e, mesmo em velocidade menor que o cavalo de Artur, nunca o perdia de vista.

Ao chegarem às terras de Blackpool, Artur pôde ver a desolação instalada; vários corpos estavam espalhados pelo solo; soldados armados o suficiente para combater outro esquadrão real estavam a postos, todavia não impediram sua passagem, como já seria de se esperar.

Morgana ficou impressionada com a crueldade daquelas pessoas; várias camponesas e crianças também estavam entre os caídos em um mar de sangue que banhava àquelas terras.

Ao chegarem à casa principal, Artur tratou de pegar os sacos com a ajuda de Morgana e os conduziu para o interior da morada.

Logo foram recepcionados por um homem corpulento armado com um grande machado.

Então o Grande Rei da Bretanha realmente tem o soberano dessas terras em tão alta conta assim?

Onde está Lancelot? – disse Artur, percebendo rapidamente que os homens que ali estavam eram saxões do antigo tratado de paz.

Mostre o ouro primeiro!

Porque está fazendo isso? Não lhes dei terras o suficiente através do tratado? – Disse Artur, tentando entender a situação tenebrosa em que se encontrava.

Você terá de concordar comigo que seu reino caiu muito depois da última guerra... Por isso alguns de nós resolvemos expandir nossos territórios. Quem sabe conquistar terras do além-mar... Na Espanha quem sabe?

.. Aproveitaram-se de um momento de fragilidade do reino para explorá-lo e custear sua incursão à Espanha. Não vou discutir o quanto você está agindo mal nessa situação – disse Artur caminhando para perto do saxão com um saco nas mãos e abrindo-o em sua frente.

O que ambos puderam ver foi o brilho reluzente do ouro preenchendo todo o pesado saco. Artur impressionou-se mais uma vez com as habilidades da irmã, mas logo desviou sua atenção para o saxão que parecia satisfeitíssimo com a quantidade de dinheiro que estava prestes a receber.

A ordem para trazer o duque foi dada e logo Artur enxergou a silhueta esbelta do seu mestre de armas na penumbra. Quando os guardas que estavam trazendo Lancelot chegaram mais próximo às luzes dos archotes pendurados nas paredes da casa, o Grande Rei perdeu o senso ao ver seu amado, extremamente ferido, com hematomas por todas as partes do corpo, ainda sangrando, sendo jogado no chão próximo a ele.

Artur ajoelhou-se para acolher o seu Grão-duque, o ódio pelo saxão a sua frente começando a despontar em seu âmago.

Lance, Lance... Estás acordado, meu querido! – disse Artur com lágrimas nos olhos.

.. Você não devia estar aqui; é perigoso... Perdoe-me pela incompetência... Não pude vencê-los... Perdoe-me!

Não fale mais nada Lance... Porque não me deixou ajudá-lo?! Tens alguma noção do que vai acontecer comigo se você morrer?! – disse Artur aninhando o duque em seus braços. Logo em seguida, dirigiu seu olhar ao saxão que os observava em pé – Eu irei fazê-lo pagar pelo o que fez ao meu primo... Quando eu terminar com você, saxão, você vai implorar pela morte!

Você está sozinho Grande Rei, não tem condições de fazer ameaças!

Lancelot começou a desfalecer nos braços de Artur e Morgana disparou

Artur vamos rápido, ele não vai aguentar por muito tempo!

O instinto de salvar seu amado foi mais forte do que qualquer sentimento de vingança e Artur ergueu Lancelot nos braços dando as costas para o saxão, correndo para a saída na casa.

Um dos soldados tentou impedir o Rei preparando o arco para atirar, no mesmo instante, Morgana desembainhou seu punhal curvo e o atirou na direção do guarda atingindo-lhe diretamente no pescoço. Logo em seguida também começou a ir em direção da saída.

Já do lado de fora, os nobres puderam ouvir os gritos do chefe dos saxões incitando os guardas a impedirem sua passagem.

Artur colocou Lancelot na carroça com o maior cuidado que pôde naquelas circunstâncias; Morgana passou na frente e subiu na carroça; Artur deu a volta e tomou as rédeas começando a fuga o mais rápido possível; Vários guerreiros já estavam no cerco, em cima dos cavalos, tomados dos homens de Lancelot. Morgana não perdeu tempo e começou a recitar as palavras sagradas que rapidamente evocaram as brumas para aquele local.

Aproveitando a confusão estabelecida, Artur levou a carroça para a parte de trás das terras, a fim de conseguir escapar, dando a volta na região. A névoa conjurada por Morgana surtiu efeito e os homens do saxão não conseguiam acompanhar o trajeto que a carroça fazia; enquanto isso, o Grande rei escapava facilmente por entre os dedos saxões.

Em Avalon, Nimue e Connor decidem seguir até a morada da Senhora; certamente lá haveria uma maga anciã capaz de perceber a verdade em suas palavras.

O Lago estava tranquilo como sempre e a brisa vinda do mar carregava o cheiro das maçãs para dentro da Casa do Lago. O fim de tarde na Morada da Senhora era tranquilo e isso sempre atraía Grey, uma das magas anciãs, que sempre estavam à disposição para consultas.

A maga estranhou a chegada daquelas crianças; estranhou mais ainda a aura poderosa que emanava daqueles pequenos seres.

A surpresa tomou os olhos da anciã quando os jovens contaram tudo que passaram enquanto estiveram no país das fadas. Apesar de insano, a história parecia verídica o suficiente, ainda assim, Grey nunca havia visto os seres encantados interferirem tanto assim na Bretanha.

Apesar de todos os fatos fantásticos ocorridos, o que mais interessou àquela mulher experiente foram as medidas práticas que haviam de ser tomadas. Imediatamente, a maga instruiu Nimue para que ela usasse as águas do poço para entrar em contato com Morgana. Só ela poderia dar a ordem para que Nimue prosseguisse com o plano de levar Artur aos braços de Eda.

Enquanto Nimue descia as escadarias para encontrar o poço; Grey e Connor seguiram à Casa dos Bardos.

No castelo de Pellinore, Morgana tentava ao máximo tratar dos ferimentos do duque. Seus cataplasmas de ervas eram intensificados com encantamentos de cura; mesmo assim o duque ainda sentia muitas dores e queimava em febre.

Artur não suportava ver seu mestre de armas naquele estado. Segurava sua mão enquanto Morgana prosseguia com o tratamento; Lancelot delirava e chamava pelo nome do seu amado repetidas vezes. O sofrimento do duque era desesperador demais para que Artur ficasse impassível, todavia, naquela situação, ele se sentia inutilizado. Com os olhos mareados, o Grande Rei recorreu à Morgana:

Você vai conseguir salvá-lo, não é irmã?

Estou fazendo o meu melhor, mas não posso mentir para você Artur; ele está tão machucado que pode não resistir.

Não! Ele não pode morrer assim! – disse Artur tomado pelo horror – O encantamento que Guínevere usou para me salvar... Você pode realizá-lo usando a mim como fonte de energia?

Infelizmente não é assim que funciona, irmão... E mesmo que eu mesma fosse a fonte; acabaria morrendo antes de completá-lo. Não sou mais tão jovem quanto Guínevere; além disso ela foi ajudada pela proteção que a bainha da Sagrada regalia te dá... Lancelot não dispõe de tal amuleto.

Não há nada que você possa fazer para salvá-lo, então? É o fim, Morgana?! – disse Artur, chorando copiosamente.

É possível que haja uma única forma de salvá-lo – conjecturou Morgana, ao lembrar-se de um dos encantamentos mais antigos e perigosos de que ela já tivera ciência — Você realmente o ama a ponto de sacrificar o maior símbolo de sua força e reinado?

Do que falas?

Há um encantamento que pode salvar Lancelot... Ele agirá unindo a vida dele à vida de uma outra pessoa. Suas energias vitais se tornariam uma só e se a pessoa estivesse saudável, isso seria o bastante para recuperá-lo o suficiente para que ele termine o processo curativo. Isso claramente debilitaria muito a outra pessoa, mas se ela estiver em perfeita saúde, com certeza não a mataria. Esse encantamento é uma magia antiga e como condição, para que surta efeito, apenas uma coisa é exigida... Essa condição é um amor verdadeiro. As pessoas que unirão suas energias vitais para sempre devem se amar mais do que tudo para que o feitiço funcione.

Eu seria capaz de dar minha vida de bom grado para ele se recuperar, Morgana... Vamos logo prosseguir com esse encantamento; eu serei aquele a quem Lancelot se unirá!

Não é tão simples Artur! Lembre-se que a bainha que carregas o protege de toda e qualquer magia que debilite sua vida ou te prejudique. Para que tudo dê certo, você deve se abster de usar a bainha da Excalibur – Morgana percebeu a surpresa no olhar do Rei e continuou – e não é só isso; depois do encantamento, vocês estarão conectados magicamente para sempre; se você se ferir, ele também sofrerá, se você morrer, ele morre junto contigo. Se houver mais uma guerra em seu reinado e como Rei, você precise se utilizar da bainha mais uma vez para defender seu reino; o encanto se suspenderia e Lancelot cairia enfermo novamente. O oposto não aconteceria porque sua energia é que estaria mantendo vivos os dois. Lancelot estaria com a vida dele em tuas mãos...

Artur se manteve pensativo por alguns minutos. Não havia outro jeito a não ser aquele. Apenas teria que tomar mais cuidado para não se ferir a partir daquele momento, da sua vida dependeria a de Lancelot a partir de agora; não permitiria que a pessoa a quem mais amava em todo o mundo perecesse. Depois de chegar a sua conclusão o Grande Rei prosseguiu:

Morgana, pode realizar o encantamento!

Notas finais
Para quem quiser, reler, os capítulos 31 e 32 acabaram de ser betados; dentro de alguns dias estarei repostando... Até mais!!!