Notas iniciais
Mais um capítulo :) Poderia ter postado antes mas achei que esse merecia ser um pouco maior... Ele vai dar o tom dos nossos últimos capítulos... Sim a fic está acabando (pausa para o choro desesperado kkk). Espero que gostem :)

Como Prometido pelo seu duque, Artur acordou envolto pelos braços fortes de Lancelot, que dormia pesadamente, como se ainda estivesse dormindo há poucas horas. O soberano da Bretanha permitiu-se admirar seu protetor adormecido. Os primeiros raios de sol tocavam-lhe a pele e os belos cachos negros; seu rosto estava relaxado como o de um jovem, embora a barba áspera denunciasse os anos a mais. Ainda assim não havia ninguém em toda a Bretanha que se comparasse a beleza de Sir Lancelot do Lago e essa beleza, aos olhos do Rei, era ainda mais evidente Quando Lancelot acordou, Artur já o esperava à mesa de dejejum, esboçando um sorriso leve:

Bom dia, meu bem.

Bom dia Artur!

Dormiu bem?

Como uma pedra – disse Lancelot, levantando-se e indo em direção à mesa.

Que bom; então depois daqui já podemos começar nossa viagem?

Sem dúvida, assim chegaremos rápido à Pellinore!

Artur rapidamente acabou de comer, apenas serviu-se de um pouco de pão e mel e tomou um copo de leite com canela. Assistiu, entretanto, com muita satisfação no olhar, ao seu duque, que comia com um apetite sem igual.

A viagem a Pellinore foi bastante agradável e rápida. Os dois eram excelentes cavaleiros e mais de metade do caminho fora percorrida em apenas um dia de cavalgada.

À noite, os nobres resolveram montar acampamento. Lancelot saiu em busca de lenha para uma fogueira e Artur foi reabastecer os cantis com água em um riacho próximo à estrada para o próximo dia de viagem.

A lua estava belíssima e Lancelot não teve dificuldades em encontrar lenha suficiente para uma pequena fogueira. Ao chegar novamente no local do acampamento, o duque se deparou com Artur, despido da cintura para cima, banhando-se com a água de um dos cantis.

A visão surtiu um efeito mais do que imediato no comandante da cavalaria, que se aproximou rapidamente do Rei, largando os feixes de lenha em qualquer lugar.

Artur percebeu a chegada do Grão-duque e sorriu ao ver o desejo em seus olhos enegrecidos.

Não houve sequer tempo para pensar; Artur mal se levantou da pedra aonde estava sentado e logo pôde sentir o corpo quente de Lancelot junto ao seu. As mãos experientes do duque conduziam Artur, que já estava com seus braços entrelaçados em volta do pescoço do nobre, à perfeição.

Os dois deitaram-se na relva baixa e Lancelot começou a preparar Artur, penetrando em seu interior lentamente. A sensação, já bastante conhecida pelo Rei, era indiscutivelmente a melhor coisa que já havia sentido, fazendo-lhe perder a noção da sua própria existência à medida em que as estocadas iam ficando mais rápidas e fortes.

Lancelot não se continha, tamanho prazer que sentia ao tomar seu Rei para si; seus movimentos eram ritmados e certeiros fazendo Artur morder a própria mão para conter os gemidos altos que, mesmo assim, insistiam em escapar. Não demorou muito para o duque da Bretanha se derramar em meio ao êxtase, praticamente desabando por sobre o Rei logo em seguida, numa espécie de torpor leve sereno.

Artur acariciava os cabelos suados do seu vassalo enquanto observava o céu sem estrelas que lhes servia perfeitamente de teto.

Linda noite para ficar com quem se ama não é Lance... Lance?!

O soberano Bretão riu-se ao ver o duque ressonando; provavelmente chegara tarde na noite anterior e estava cansado por cavalgar o dia todo. Artur resolveu dormir também. Sentia-se protegido do mundo ao lado do seu mais fiel cavaleiro e dormir ao seu lado, sentindo a pele mal barbeada roçar levemente o seu pescoço, era tão fácil como respirar.

Morgana estava novamente na estrada; mal tinha acabado de chegar à Cornualha, já tinha que deixá-la novamente. Mas não havia outro jeito; as repetidas Visões e o colar que Eda havia lhe feito ter quebrado repentinamente eram sinais demais para a Senhora do Lago se manter estática.

Ainda não tinha começado a observar quem dos seus próprios vassalos era de confiança para ser o castelão de Tintagel, por isso ainda deveria voltar à Cornualha para cumprir seu compromisso, todavia, aquilo não a importava naquele momento, ela sabia que Artur iria precisar de sua ajuda o mais rápido possível, esse era o aviso que seus dons premonitórios estavam tentando dá-la.

A cada dia que se passava, o céu estava ficando mais limpo e ensolarado e isso facilitaria muito sua viagem. Ainda assim, levaria dias até a chegada em Camelot e Morgana pedia à Deusa que chegasse a tempo de agir antes que fosse tarde demais.

Connor e Nimue seguiam pacientemente o caminho ditado por Davey. A paisagem ia ficando cada vez mais distinta daquela a que Nimue estava acostumada em Avalon, porém, algo lhe dizia que não devia ter medo algum.

Depois de uma considerável caminhada os três chegaram aos pés de um monte rodeado por um lago; em seu topo um castelo imponente ostentava sua glória. Quase que imediatamente, uma linda jovem de cabelos negro-azulados se aproximava guiando uma barca e Nimue não pôde deixar de notar a semelhança com a barca de Avalon. Então era isso, estava no país das fadas?

A jovem se apresentou como Vivienne e ajudou a todos a subirem na barca, continuando o seu trajeto rumo ao castelo.

Já no interior da edificação, Connor nem teve tempo para admirar a beleza daquele ambiente e já se deparou com uma linda mulher que trazia consigo uma tiara enfeitada com pedras preciosas.

Olá crianças!

A senhora é quem eu estou pensando – disse Nimue?

Não sei exatamente o que pensas, minha criança, mas pode me chamar de Eda, a Rainha das fadas.

Então estamos mesmo no país das fadas, eu pensei que fosse só uma história que contavam para eu não me aventurar muito longe de casa! – disse Connor.

Não meu jovem, nós existimos tanto quanto você, mas não havia razão para seus pais lhe dizerem que não podia andar pelos bosques. Não costumamos vagar com tanta frequência assim pelo mundo de vocês e certamente não temos a menor intenção de raptar crianças... Exceto, é claro, que se tratem de crianças como vocês...

Como assim? – disse Nimue.

Vocês estão destinados a substituírem os grandes do seu mundo que vieram antes de vocês. Isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, mas pelo o que podemos sentir do seu mundo, o tempo ainda não está do nosso lado. Vocês precisam terminar seu treinamento aqui, onde o tempo não exerce seus domínios. Sinto que vocês serão necessários muito mais rapidamente do que pensei na Bretanha. Agora, tentem não se preocupar tanto. Podem seguir para comer e descansar nos seus quartos. Amanhã retomaremos o seu treinamento aqui Nimue e começaremos o seu Connor.

Mas não se preocuparão conosco em Avalon? – disse Connor.

Não sentirão sua falta nem por cinco minutos; não se preocupe.

Depois de conversarem com Eda; os dois seguiram em silêncio, ainda impressionados demais com ocorrido, para os seus quartos.

Artur e Lancelot chegaram à Pellinore ainda cedo. O castelo de Lancelot não era nem de longe tão imponente quanto Camelot, mas era tão fácil de se defender quanto. Suas dimensões diminutas quando comparadas às imensas torres do castelo de Artur, fizeram o Rei se sentir acolhido em um ambiente aconchegante e familiar, mesmo que nunca tivesse posto os pés ali.

O que achou meu Rei? Não é tão grande quanto Camelot, mas espero que seja do seu agrado.

É lindo Lance, apesar de pequeno, é aconchegante, quente e transpassa uma força fora do comum... Parece bastante como dono!

Agora estás a me chamar de baixinho, Pendragon?! – disse Lancelot aos risos.

De modo algum, Lance... Estou dizendo que seu castelo me aquece por dentro como você faz.

O rei de Pellinore mal sabia o que dizer e respondeu a seu primo com um beijo casto nos lábios.

Depois de se limparem de toda a poeira da viagem e de comerem alguma coisa, os nobres passaram o dia inteiro explorando os domínios de Lancelot.

Nos dias em que se seguiram, Artur e Lancelot visitaram praticamente todos os vassalos, vistoriando como estavam suas terras e oferecendo recursos aos reparos necessários para se garantir uma boa colheita.

Artur não se surpreendeu em saber o quanto Lancelot era amado pelo seu povo, mesmo passando grande parte do seu tempo a serviço em Camelot. Ele era um herói inegável com um senso de justiça fora do comum e um ótimo administrador de suas terras. Qualidades que faziam até o Rei da Bretanha amá-lo como a mais ninguém.

Após três dias em Pellinore, os nobres decidiram voltar a Camelot. Artur esperava, mesmo que a contragosto, sentado no trono, enquanto Lancelot dava as últimas instruções a seu castelão antes de partir.

Depois de findar sua conversa, Lancelot deu ordens para que fossem buscar seus alforjes de viagem, indo logo em seguida em direção a Artur.

Tudo pronto Artur, em breve partiremos – disse Lancelot sentando-se aos pés do trono.

Tudo bem, mas Lance, pelo amor de Deus, venha sentar-se no seu lugar; esse trono é seu e não meu!

Sou seu vassalo meu senhor, meu trono é seu trono; além do mais aqui está bastante confortável – decreta Lancelot, recostando-se no colo de Artur, que ficou vermelho dos pés à cabeça fazendo Lancelot gargalhar.

Ambos foram surpreendidos por um aldeão que entrou na sala do trono de supetão. Sua expressão demonstrava urgência e pavor. Lancelot pôs-se de pé e começou a falar:

O que houve?!

Um grupo de saqueadores invadiu a fazenda Blackpool, matou o senhor das terras e se instalou no forte, todos os que ficaram em seu caminho foram mortos!

E quando foi isso! – disse Lancelot exasperado!

O ataque começou a menos de uma hora; corri para avisar a vossa majestade assim que o massacre começou!

Artur, preciso ir resolver isso, ninguém mata alguém de Pellinore assim sem sentir a fúria de seu rei! Além do mais, Blackpool é a aonde fica a nossa mina mais produtiva. Por favor, apenas me espere um pouco, sim?

Como assim esperar?! Sua terra está sobre ataque, eu vou com você assim como você sempre me ajudou quando a Bretanha estava em perigo!

Você é o Grande Rei, deve ficar protegido no castelo.

Você não sai daqui sem mim; isso é uma ordem!

Lancelot gelou ao ouvir essas palavras da boca de Artur; mesmo assim não estava nem um pouco disposto a fazer seu amado correr um perigo desnecessário. O Grão-duque se aproximou do Rei abraçando-lhe gentilmente.

Eu sinto muito Artur; peço que me perdoe. Voltarei assim que possível para receber a punição que me cabe pelo que vou fazer agora...

Imediatamente, Lancelot acertou o Rei com um golpe rápido e seco na nuca, fazendo-o desfalecer em seus braços.

Todos os presentes ficaram estupefatos coma cena, mas não tiveram tempo de pensar sobre o que acabara de ocorrer, porque Lancelot começou a disparar ordens aos quatro ventos:

Preparem meus homens para o ataque, deixem o suficiente para defender o castelo com facilidade. Chame a curandeira do castelo e levem-na para o meu quarto para tratar do Rei. Quero um servo para vestir a minha armadura, o mais rápido possível!

O castelão de Pellinore saiu exasperado para fazer as ordens de seu senhor serem cumpridas. Lancelot tranquilizou o aldeão e disse que ele poderia ficar no castelo durante o ataque e logo em seguida dirigiu-se para o seu quarto, levando Artur em seus braços.

Chegando ao recinto, o duque colocou o Rei gentilmente por sobre a cama. Rapidamente verificou o local do golpe e agradeceu mentalmente por não estar sangrando. Felizmente havia aplicado o golpe com força o suficiente e no local certo para não causar sequelas mais graves que um desmaio.

Espero que me perdoe, meu anjo – disse Lancelot, beijando a testa de Artur, com lágrimas nos olhos.

A curandeira e o servo chegaram ao quarto e Lancelot recomendou que ela cuidasse do Rei com mais esmero do que se fosse ele mesmo deitado naquela cama.

Depois de armado, o rei de Pellinore saiu para ir de encontro aos seus homens; Bam, o castelão, também o esperava no pátio do castelo.

Bam, coordene a defesa se necessário e aconteça o que acontecer não permita que o Rei saia do castelo!

Sim senhor!

Dito isso, Lancelot, saiu para retomar Blackpool dos saqueadores.

Morgana estava tão perto de Camelot, que já podia ver suas torres ao alto.

Notas finais
O nyah, não sei porqueestá engolindo meus sinais de pontuação; mas espero que tenha saído legível. Até a próxima :D