Notas iniciais
Agora com betagem!!!

O maior de todos os cavaleiros ajoelhou-se para pegar a sua protegida nos braços, as lágrimas caindo sem mais fim de seu rosto, estampado pelo pesar.

– Por favor, meu Rei, sei que o que vou pedir parece demais, mas fique aí, o senhor ainda não deve se esforçar demais... – Lancelot murmurou. – Vou pô-la numa das camas do quarto da Dama do Lago, Depois volto para te pegar... Faria isso por mim, meu senhor?

Lancelot recebeu um breve aceno de cabeça e deu as costas a Artur. Ver a dor do seu Rei machucava ainda mais o seu coração. Subiu lentamente a escadaria que dava à casa da Senhora, e quando lá chegou, algumas donzelas, que estavam tratando das sacerdotisas mais velhas, foram lhe acudir.

Guínevere foi posta numa cama, enquanto Lancelot descia novamente as escadas para pegar o seu Rei. Artur chorava copiosamente ainda deitado na grama baixa próxima ao poço. Lancelot pôde vê-lo mais claramente, e concluiu que, nem se quisesse, poderia se mexer sem ajuda, ainda estava muito frágil. O Duque da Bretanha abaixou-se até seu Rei ajeitando-o com todo o cuidado em seus braços, passando os braços do próprio Artur em torno de seu pescoço, dizendo:

– Sei que não devo ter o seu perdão, meu Rei. Desobedeci claramente sua ordem de escoltar Morgana e Gwen a um local seguro, e nem ao menos cheguei a tempo de protegê-lo... Quero que saiba que estou ciente de que mereço ser chicoteado em praça pública por desobediência, mas, meu senhor, deixe-me ao menos comparecer ao funeral da Rainha!

– Oh meu primo... Meu irmão de armas... Meu Lancelot! Nenhuma culpa paira sobre você... Você sempre foi o melhor de nós dois. A culpa por essa perda terrível foi minha... Não consegui lutar bem o suficiente para proteger nem sequer a mim mesmo, e minha Rainha teve de se sacrificar por mim. Não fazia ideia de que ela possuía tais encantos, mas agora não importa mais. Tudo o que temos a fazer é chorar pela nossa amada!

Lancelot agarrou o primo ainda mais firmemente, e começou a subir as escadarias novamente. Uma brisa doce agora passava por aquele local, mas nem mesmo ela seria capaz de apagar todo o sofrimento que aqueles homens sentiam.

Finalmente os preparativos para o funeral da Grande Rainha da Bretanha haviam terminado. O corpo da nobre fora lavado e perfumado com as ervas apropriadas. Ela trajava a vestimenta típica de uma sacerdotisa do mais alto nível com o crescente marcado na testa e a adaga em meia lua típica de uma seguidora da Deusa repousando sobre seu peito.

A maioria dos residentes da ilha acompanharam solenemente o cortejo, apenas algumas donzelas da casa das Moças foram incumbidas de continuarem a tratar das sacerdotisas mais velhas que realizaram o grande encantamento.

Morgana, mesmo exausta, fez questão de acompanhar Guínevere nos seus últimos momentos sobre a Terra. Qualquer outra pessoa se sentiria culpada por conduzir a Rainha para aquele desfecho trágico, mas Morgana sabia que tudo o que passou foi necessário para o bem da Bretanha. Estava orgulhosa da sua amiga, sim, já se sentia completamente à vontade para chamá-la daquele modo.Guínevere finalmente pôde reparar seus erros e entender que a verdade pode ser vista sobre diferentes ópticas. Sua alma descansaria junto à Mãe e, quem sabe, voltaria a esta Terra algum dia.

Artur estava arrasado, mas já conformado com o trágico destino de sua Rainha. Ainda apoiado em Lancelot, que deixava discretas lágrimas brincarem em seu rosto, observou o esquife feito em carvalho descer por entre uma cova feita no bosque de macieiras da Ilha Sagrada.

Estava feito, Guínevere não mais pertencia a este mundo.

A despeito de todas as recomendações de Morgana sobre ficar mais um pouco na ilha para se recuperar melhor, Artur decidiu ir à Bretanha ver como se encontrava seu reino logo após a guerra. Acompanhado por Lancelot e Morgana, que fora abrir a passagem nas brumas, o Grande Rei refletia em voz alta:

– Preciso voltar a meu país antes que pensem que morri na batalha. O reino já vai estar bastante desestabilizado para enfrentar mais essa crise interna.

– Mas não deve inspecionar o reino ainda, meu senhor. Quando chegarmos em Camelot, o senhor pode dar as ordens necessárias para a recuperação da capital aos homens que estiverem em condições de cumpri-las. Devemos consultar Tristão a respeito da nomeação de intendentes fiéis e competentes para avaliar a situação geral do reino e destinar os recursos necessários à recuperação dos feudos menores e das terras produtoras. Devemos ser bem sábios a esse respeito, não temos muitos recursos disponíveis.

– Você é sempre sábio, meu Lancelot, farei isso; quanto a você, não se esqueça de Galahad, precisa ir buscá-lo no reino do seu irmão e agradecer em meu nome pela ajuda dada à Bretanha.

– Claro, assim que nos ajustarmos melhor irei buscar meu filho. Você vem para a Bretanha conosco, Morgana?

– Não, primo, assim como vocês precisam pôr em ordem na Bretanha, eu preciso fazer o mesmo com Avalon... Mas prometo que quando eu regularizar todos os por menores da ilha eu vou fazer uma visita. Estamos precisando de novos interessados nas antigas artes e usarei minha ida a Camelot como pretexto para andar pela Bretanha em busca de pessoas com o Chamado para as Artes.

Depois de chegarem à costa, Morgana se despediu dos nobres deixando-lhes com um cavalo dado pelo povo antigo que rodeava a Ilha Sagrada.

Artur ainda não podia montar sozinho devido aos ferimentos, que, embora fechados, ainda necessitavam de cuidados. Lancelot montou no cavalo e ajudou Artur a subir ajeitando-lhe a sua frente, segurando firme sua cintura, pressionando o corpo do Rei para mais perto do seu.

– Assim está bom, não queremos que seus ferimentos abram de novo não é?

– Lance, você sabe que, mesmo que abrissem, não sangrariam, por causa da bainha.

– Mas isso não significa que você não sentiria dor, Artur! A última coisa que eu quero é te ver sofrendo mais!

– Lance... Não tenho palavras para te agradecer por estar sempre comigo! Também prezo muito pela sua segurança. Agora vamos Grão-Duque, precisamos ver como está nosso reino.

– Grão-Duque?!

– Você deixou seu reino para cuidar de assuntos da Bretanha... Para cuidar de mim. Apesar da ajuda de todos os outros reinos menores, incluindo a ajuda de Tristão, ninguém nunca demonstrou se importar tanto comigo. Claro que todos serão recompensados, a ajuda de meus amigos foi imprescindível para salvar o reino, mas é justo que você comande os outros duques. Ninguém em toda Bretanha vai ter mais poder do que você, Lance!

– Exceto, é claro, você, meu senhor.

– Oficialmente sim, mas você sabe que eu nunca ousaria te desapontar, meu caro.

Lancelot corou com o comentário. Desconversou e iniciou a cavalgada. Em pouco tempo, chegariam à Camelot.

Notas finais
Enjoy it!