Notas iniciais
Olá!!! Esse aqui seria o penúltimo capítulo da história, mas resolvi dividir os restantes em dois e escrever um epílogo. Terminaremos, então, no capítulo 40 :( Espero que gostem!

Connor apenas aguardou o seu mentor deixar a Ilha do Dragão para começar a se preparar para os desafios que lhe foram impostos. Analisando a geografia do local, notou que a ilha era praticamente composta por pedras vulcânicas, havia apenas um pequeno bosque marcando o início da escalada.

Certamente levaria muito tempo para escalar àquela enorme montanha, não havia, portanto, tempo para ficar descansando. O jovem mago tratou de adentrar no bosque a fim de encontrar algo para comer durante a sua jornada.

Connor agradeceu a boa sorte de encontrar maçãs e frutas vermelhas aos montes naquela pequena floresta; logo tratou de encher a bolsa de couro de gamo que trazia junto consigo. Depois foi em busca de água em uma pequena nascente perto dali e encheu o seu cantil.

O bosque não durou nem mesmo por algumas horas de caminhada e Connor pôde ver os pés do monte totalmente desnudos. O aspirante a Merlin não demorou para iniciar a escalada.

Horas depois, o jovem lembrou-se do que seu mestre havia lhe falado. As pedras daquela montanha eram tão afiadas que qualquer derrapada lhe causaria um ferimento tal qual uma espada. Connor usou sua própria camisa para fazer bandagens que protegessem, ao menos um pouco, suas mãos e pés. Quando o sol começou a se por, o mago se deu por satisfeito e tratou de parar para comer, beber e quem sabe dormir um pouco. O topo parecia bem mais próximo agora, fato que deixou Connor orgulhoso de si mesmo, porém, o cansaço já estava começando a demonstrar seus primeiros sinais.

Artur e Lancelot acordaram quando a manhã já ia alta. O Grande rei estava tão exultante em alegria, que praticamente esqueceu do resto do mundo e só retornou à realidade, no café da manhã, quando Morgana atentou para o fato de que ainda haviam criminosos espalhados por Pellinore e de que o reino estava, obviamente sem regência.

Lancelot ficou extremamente preocupado ao ouvir a dura realidade; já ia começar a se preparar para uma nova investida contra os saqueadores, quando Nimue apareceu na Morada da Senhora:

Não precisam se preocupar, Senhora Morgana, majestade, meu pai... Acabo de ser informada de que o castelão de Pellinore pediu auxílio a Gales do Norte e Galahad conseguiu capturar a maior parte dos criminosos.

O jovem Galahad foi capaz de liderar o exército de Gales do Norte em batalha! – disse Morgana abrindo um largo sorriso.

Tão talentoso quanto o pai! – falou Artur olhando diretamente para Lancelot; seus olhos, de um azul tão belo que eram capazes de deixar o Grão-Duque sem qualquer reação.

Mas ele está bem, não se feriu, minha filha? – perguntou Lancelot depois de, com muito esforço, desviar o olhar do Grande Rei.

Está tudo bem, o mensageiro disse que ele apenas sofreu pequenos arranhões; a propósito, ele ainda está aqui, Galahad estava preocupado com o senhor e queria saber a respeito da sua saúde. Além disso, meu irmão está à espera de ordens sobre como proceder no reino.

Tudo bem Nimue; vou falar com ele, devo voltar à Pellinore ainda hoje – disse Lancelot.

Receio que ainda devas ficar, meu caro – interrompeu Artur – Você ainda precisa de muitos cuidados; não deve viajar ainda...

Mas Artur, a situação começa novamente a ficar tensa... Temos dois reinos desprotegidos conosco aqui; isso sem falar de Camelot!

Eu irei à Pellinore pedir para que Galahad fique por mais uma semana por lá... Ele herdará àquelas terras e as conhece bem. O povo vai gostar de tê-lo por lá. Depois vou à Camelot ver como as coisas estão por lá.

Quanto à Cornualha, primo, planejo voltar pessoalmente lá para reinar por um tempo, até que tenha escolhido um castelão de confiança. Artur está certo, você deve descansar, aqui em Avalon, não vai demorar até que se recuperes totalmente.

Lancelot deu-se por vencido, mesmo com todos dizendo que tudo corria bem, ainda lhe doía muito não ser mais o inatingível flecha de duende de outrora.

Artur percebeu o que se passava na cabeça daquele a que mais amava; o Grande-Rei levantou-se da mesa e pediu sutilmente para que Morgana avisasse sobre sua decisão ao mensageiro. A Dama do Lago saiu, seguida por Nimue, deixando os dois nobres a sós.

O Grande-Rei sentou-se novamente ao lado do seu duque, tomando seu rosto com a mão, erguendo seu olhar para que pudesse encará-lo, ao mesmo tempo em que fazia leves afagos em sua barba já crescida.

Não queria te deixar triste nem muito menos te desautorizar sobre o seu próprio reino... Só estou preocupado. Tu me deste um susto daqueles há pouco, meu amor, não quero que seu estado regrida.

Não estou chateado contigo, eu só... sinto que não sou mais forte o suficiente para te proteger; desde a última grande guerra venho falhado com você, meu Rei...

Não seja tão duro consigo mesmo, Lancelot. Não vês o quanto é importante para mim?! Essa marca no seu peito não te mostra que sou capaz de tudo por você?! Você não está enfraquecendo meu caro, mas carregaste o peso do reino inteiro nas costas por muito tempo, enquanto eu estava absorto em minhas discussões com Guínevere e Morgana... Mas aqueles tempos já se foram e você deve descansar para estar em plena forma de novo; não é isso que queres?

É... Obrigado, Artur... Por tudo!

Nada que eu faça vai conseguir pagar por tudo o que já me fizeste, meu campeão; eu quero te ver bem quando voltar, combinado?

Você verá; eu prometo! – disse Lancelot, logo antes de ter seus lábios tocados pelos de Artur, em um beijo casto e lento.

Connor finalmente acabara sua árdua escalada. Seu corpo estava aos frangalhos e essa era somente e primeira prova. Segundo o que Aran havia dito, agora ele teria que procurar o templo escondido por magia no cume da montanha.

O jovem mago sentou-se o mais confortavelmente que pôde e começou a reunir energia para executar um encantamento. O topo da montanha era recoberto por brumas e esse recurso era bastante conhecido pelos iniciados de Avalon para esconder coisas e confundir pessoas.

Tudo o que Connor precisou fazer foi proferir as palavras sagradas, ensinadas por Eda, que separam as brumas encantadas e revelam os seus segredos; imediatamente o círculo de pedras apareceu em meio à neblina e o aspirante a Merlin finalmente conseguiu adentrar o espaço sagrado.

Assim como Aran dissera, havia uma tábua de pedra talhada com palavras antigas, irreconhecíveis a qualquer um que tentasse lê-las, no centro do círculo. Não iria ser fácil conseguir entender o que estava escrito, mas Connor já havia traçado um plano desde que fora informado a respeito desse obstáculo. Havia passado tempo o suficiente no mundo das fadas para reconhecer que àquelas palavras estavam em sua língua.

Os seres encantados não costumavam deixar nada escrito pois o conhecimento sagrado não poderia ficar retido às palavras em um papel ou entalhadas em o que quer que fosse, mas havia exceções, e para tais, as fadas se utilizavam da língua encantada somente entendida por quem possuía sangue do povo antigo.

Sabendo ser impossível para ele conseguir passar por àquela prova sozinho, Connor traçou um círculo mágico e rogou pela a ajuda do povo encantado. Depois de longos minutos de silêncio, Connor abriu os olhos e se deparou com uma bela mulher loura, de cabelos trançados até a cintura e olhos cor de âmbar.

Senti a energia de algum mago pedindo por ajuda, mas não imaginei que chegaria à ilha do Dragão. – disse a jovem.

Posso perguntar seu nome?

Aine, senhora dos lagos, rainha da corte do verão, mãe das fadas de luz... E você, mago, quem és e o que queres?

.. Eu me chamo Connor; aspiro ao posto de Merlin da Bretanha e para tal foi me imposto a realização de tarefas que demonstrem minhas capacidades... Para prosseguir, preciso entender o que se encontra escrito nesta tábua de pedra. A única solução que encontrei foi pedir auxílio ao povo encantado.

A fada, vestida da cabeça aos pés com seda branca, coroada com flores também brancas, presas a um pente de ouro no alto de sua cabeça, continuou:

Entendo; vejo que aparenta ser bastante jovem, mas não o és... Também vejo que és um mago poderoso o suficiente para abrir um portal estável para suportar a minha passagem... a passagem da rainha das fadas do verão... Tens um bom coração também. Para chegar até aqui, precisou de força e usou de astúcia quando me chamou para revelar uma coisa que só os antigos conhecem... está bem, você merece ser o Merlin, apenas prometa que nunca nos trairá, precisamos confiar naqueles que nos são caros; as florestas sagradas estão sendo derrubadas dia após dia, o povo antigo está caindo no esquecimento e não podemos nos dar ao luxo de encher de poder alguém que não vá usá-lo com prudência!

Prometo nunca trair o povo encantado, Senhora!

Então lhe concederei o conhecimento escrito naquela pedra.

Imediatamente, a fada recitou as palavras sagradas e Connor as guardou na memória. Antes de se despedirem e Connor desfazer o círculo, a rainha das fadas de luz fez lhe uma pergunta:

Foi treinado em Avalon, meu jovem?

Não... Sou discípulo de Eda, a Rainha das fadas.

.. Tanto poder não poderia vir de outra fonte – disse a fada, sorrindo – Ela escolhe bem seus pupilos, devo admitir... Boa sorte, Connor!

Muito obrigado Senhora – disse Connor, desfazendo o círculo.

Depois de encerrado o encantamento Connor não perdeu tempo e recitou as palavras sagradas. Imediatamente caiu em sono profundo em meio ao círculo de pedras.