Notas iniciais
Mais um capítulo!! Provavelmente devem sair mais dois e um epílogo, mas nada está decidido, só que estamos em contagem regressiva :( Mas vamos deixar de tristeza e ir logo para o que interessa!

Morgana começara a pensar sobre como iria realizar o encantamento; certamente não teria como conseguir todas as ervas de que precisava para dar seguimento ao feitiço. A Dama do Lago, então, resolveu transportar Lancelot para Avalon, tendo assim todos os recursos disponíveis.

Artur não saia do lado do seu duque nem por um minuto. Por causa dos ferimentos nas costas, o rei de Pellinore encontrava dificuldades em deitar-se confortavelmente. O Grande Rei sabia o quanto seu corpo estava frágil e temia que o estado de Lancelot piorasse ainda mais. Com todo o cuidado do mundo, deitou-se na cama e apoiou o seu mestre de armas em seu próprio corpo de tal forma que suas costas injuriadas não tocassem de forma alguma no leito.

Morgana havia se decidido a ir à Avalon e ordenou que a carroça fosse preparada. O castelão de Pellinore insistiu para que ficasse argumentando que os saqueadores ainda estavam à solta e que provavelmente os encontrariam desprotegidos no caminho.

A duquesa da Cornualha sabia muito bem dos riscos, mas manteve sua ordem. Equipou a carroça com mantimentos e armas para a viagem. Também mandou que colocassem palha fresca envolta por tecidos para que Lancelot pudesse viajar em repouso.

Voltando aos aposentos reais, Morgana se deparou com o duque do Lago adormecido nos braços de seu Rei, que encontrava-se atento aos seus menores movimentos. A lembrança do tempo em que todos não passavam de adolescentes veio imediatamente à tona para a duquesa. Lancelot voltara, por um instante a ser aquele jovem despreocupado e Artur retomara seu olhar doce e gentil, que a vida lhe havia tirado. A Senhora de Avalon teve que se afastar de seus devaneios para falar com seu irmão sobre o que estavam prestes a fazer.

Artur – disse Morgana numa voz mais baixa que a habitual.

Sim?

Devemos partir para Avalon; somente lá conseguirei realizar o encantamento com perfeição; em nenhum outro lugar teríamos todas as condições favoráveis para que tudo dê certo.

A viagem será perigosa irmã; com certeza seremos perseguidos pelos saqueadores. Tem certeza de que não há outra saída?!

Receio que não, Artur!

.. Então você deve guiar a carroça. Eu tenho que manter Lancelot protegido dos solavancos da estrada; além disso, tenho que estar atento a qualquer ataque.

Podemos levar uma escolta de Pellinore.

Claro, mas todo o cuidado será pouco!

Quando todos os preparativos para viagem ficaram prontos, Morgana tomou as rédeas da carroça enquanto Artur acomodava Lancelot na parte de trás do veículo, protegendo-o, com o seu próprio corpo do contato direto com a carroça.

Os portões do castelo foram abertos e a carroça escoltada por parte da guarda real de Lancelot partiu a toda velocidade. A viagem até Avalon era bastante curta; tomando-se como referência o País do Lago, não demorariam mais que algumas horas para chegar à Ilha Sagrada.

Grey havia acabado de chegar à Casa dos Bardos, acompanhada por Connor. A maga foi recebida por um dos poucos anciãos ainda restantes em Avalon desde a queda do último Merlin.

Aran era um mago detentor de uma sabedoria comparável até mesmo a dos Merlins. Sagrou-se na ilha pouco depois que Taliesin tornou-se o Mensageiro dos deuses e depois que conseguiu chegar no mais alto grau de sacerdócio, permaneceu na ilha como um dos conselheiros do Merlin.

O imponente homem de cabelos há muito brancos e olhos bastante negros, concedeu a seus visitantes um certo olhar de curiosidade:

A que devo a honra de sua visita, Grey? Esse jovem estava lhe importunando de algum modo na Casa das Moças?

Não é isso Aran. Temos assuntos sérios a tratar; assuntos tão sérios que fizeram o povo encantado interferir como nunca havia visto em nosso mundo!

Nas horas que se seguiram, Grey explicou tudo pelo que Connor e Nimue haviam passado e sugeriu a Aran que o jovem fosse testado a fim de que se constatasse suas habilidades para se tornar o novo Merlin.

O ancião ficou surpreso com os rumos que os fatos haviam tomado, mas em momento nenhum considerou negar a Connor o direito de realizar os testes da Ilha do Dragão, mesmo ele não aparentando ter o mínimo de idade necessária para tal.

Depois de se assegurar que o futuro Merlin estava em segurança, Grey retornou à morada da Senhora para auxiliar Nimue no que fosse necessário.

Aran assumiu os cuidados para com Connor, fazendo-lhe comer e beber o suficiente para restaurar suas forças. No dia que se seguiria, iriam juntos à Ilha do Dragão.

A viagem seguia e Morgana estava conseguindo despistar possíveis saxões que por ventura estivessem em seu encalço; estava cansada, todavia. Utilizar-se por tanto tempo da magia climática do nevoeiro exauria suas forças.

Artur estava cada vez mais atento a Lancelot. O duque queimava em febre e seus ferimentos não estavam completamente fechados. O Grande Rei tentava, em vão, fazer seu mestre de armas beber a infusão de ervas que Morgana havia preparado anteriormente, mas para Lancelot, até mesmo respirar estava se tornando uma tarefa dantesca.

A curta viagem à Ilha Sagrada estava começando a perecer levar dias até que finalmente os nobres bretões chegaram às margens do Lago. Não demorou muito para que a barca guiada pelos remanescentes do povo antigo se mostrasse para eles.

Morgana abriu as brumas de forma sucinta, também estava muito preocupada com o primo; se há pouco existia alguma dúvida a respeito da necessidade do encantamento, àquela altura, o estado de Lancelot falava por si.

Nimue tentava com cada vez mais afinco, estabelecer contato com Morgana a fim de pedir-lhe alguma orientação sobre como proceder; qual não foi sua surpresa ao ver a Senhora do Lago chegando em sua Morada, acompanhada pelo Grão-duque e pelo Grande Rei.

A jovem subiu as escadarias que davam acesso ao local e se deparou com Morgana exasperada, orientando as donzelas sobre quais ervas colherem e como deveriam preparar o local para algum tipo de encantamento em especial. Pôde ver também que o Rei estava deveras preocupado, seu rosto estava levemente rubro, aparentando um choro recente.

A razão para tal sucessão de fatos só veio à tona, para a sacerdotisa quando ela notou seu pai, gravemente ferido, deitado na cama da Senhora.

O desespero começou a tomar conta dos pensamentos de Nimue, que se ajoelhou aos pés do leito e começou a falar:

.. Pai?! O senhor está bem?!... Como isso foi acontecer?!

.. Como você cresceu, minha menina! –disse Lancelot, com muita dificuldade – Perdoe-me por te negligenciar tanto... Eu não queria que tivesse sido assim!

Por favor não fale mais, pai – falou Nimue ao ver que o duque mal conseguia manter-se consciente – sempre senti falta da sua presença, mas sei que nada do que aconteceu foi por sua culpa... Além do mais aqui tenho uma família... Vai ficar tudo bem, eu prometo!

Imediatamente, Nimue levantou-se e foi falar com Morgana:

Precisamos falar, Senhora.

Por favor Nimue, agora não é o momento, tenho que realizar um encantamento secreto domais alto nível para tentar salvar seu pai; temos muito pouco tempo!

Mas a Senhora está esgotada! Tentei por horas algum contato através do poço e sei que a única razão para que ele não tenha surtido efeito é por que a Senhora dispôs de quase toda a sua energia para algum tipo de sortilégio!

Você está certa menina... Mas além de mim, ninguém mais pode realizar esse feitiço...

Eu farei o encantamento!

Impossível; você não tem o conhecimento, nem a experiência necessária.

Confie em mim... Não colocaria a vida do meu próprio pai em risco! – nesse exato momento Nimue tocou a mão de Morgana e a Dama do Lago pôde sentir uma energia poderosíssima ecoando através do corpo daquela jovem; por alguma razão que desconhecia, limitou-se a acenar em assentimento.

Artur estava junto à cama afagando os cachos do seu amado, retirando, com uma compressa, por vez ou outra, o suor que minava de sua testa.

Artur, precisamos começar – disse Morgana – Nimue ficará responsável por realizar o sortilégio.

Como assim? Pensei que você faria isso, por ser uma magia de difícil execução! Morgana, ela é jovem demais! Não quero arriscar perdê-lo; faça o encantamento, eu te suplico!

Não se preocupe Artur, ninguém aqui brincaria com a vida de Lancelot... Ela tem condições de realizar o encantamento – disse Morgana com uma certeza que jamais soubera que possuía.

Artur recuou, mesmo que ainda parecesse temeroso, e limitou-se a perguntar:

Como devo proceder?

A infusão de ervas já deve estar quase pronta; você deve bebê-la e dá-la para Lancelot beber; isso unirá vocês temporariamente para podermos dar sequência ao sortilégio. No momento apropriado, quando Nimue já tiver aberto o círculo mágico e dito as palavras sagradas, você deve beijar Lancelot. Sua energia vital vai passar para o corpo dele; mesmo que te sintas muito exaurido, Artur, é imprescindível que não rompas o contato até o momento certo. Para concluir o encantamento e transferir em definitivo uma parte de sua existência a Lancelot, um selo precisa ser feito; com certeza vai doer, mas você deve suportar até o final para que tudo corra como planejado... Você entendeu, meu irmão?

Farei o que for necessário para salvá-lo!

Então não percamos mais tempo! – disse Nimue já com a infusão em mãos.

Morgana se afastou da cama e acomodou-se, apreensiva, próximo à lareira, para ver, o que certamente, seria o mais impressionante ato mágico de toda a sua vida.

Notas finais
Peço desculpas pela formatação; mas sempre o Nyah está sumindo com os sinais de pontuação... Sorry!