Sob minha Pele
4 Capítulo Três
Notas iniciais
— Capítulo Três —
— Bella —
Não sei por quanto tempo aquele show demorou, eu deveria ter odiado tudo, realmente odiei a maior parte. A música alta demais, as pessoas empurrando e pisando em meu pé, o cheiro de cigarro que continuava por ali, mas algo no meio daquilo tudo foi o suficiente para que eu simplesmente não deixasse Alice para trás e caísse fora daquela maldita boate de nome clichê.
Edward. Não, Edward não, a voz de Edward. Isso soava melhor, como a voz dele soava.
Ele era tão bom cantando, era um desperdício uma voz tão boa quanto a sua ser perdida em um gênero musical tão irritante quanto o rock. Ele seria muito melhor aproveitado em músicas realmente substanciais, com um conteúdo por trás, nãos com aquelas canções sobre sexo e amores perdidos, aquilo tudo era besteira pura.
Sexo era algo simplesmente físico, tudo de bom que vinha dele era alguns instantes de prazer conseguidos pelo orgasmo. Amor era uma invenção de poetas bêbados que tinham doenças sexualmente transmissíveis adquiridas por treparem com prostitutas.
Definitivamente, sexo e amor não estavam ligados. Um era apenas contato corporal, o outro uma mentira. Odiava quando as pessoas insistiam em tratá-los como itens de um mesmo pacote, como se ambos realmente significasse qualquer merda para qualquer pessoa sobre a terra.
— Oh meu Deus, eles não foram incríveis? — Alice gritou em meu ouvido quando a banda deixou o palco, vi Edward me olhar uma última vez, o que aconteceu muito durante o show, antes de seguir seus companheiros para a parte de trás da boate.
— Poupe-me, Alice, você está agindo como uma adolescente que acabou de ver algum garotinho estúpido de boy band — reclamei, abrindo espaço entre o aglomerado de pessoas amontoadas na frente do palco da boate, querendo chegar a uma mesa do outro lado, eu realmente precisava de um pouco de álcool para não surtar depois de meia hora de show barato.
— Eu? — Ela riu, escolhendo uma mesa. — Você que ficou toda desconcertada pelo Edward! — exclamou, piscando para mim, acenando para uma garota que estava servindo mesas. — Queremos duas doses de vodca, por favor — pediu a bargirl, lhe dando uma nota alta para sermos atendidas mais rápido, já tínhamos subornado os seguranças para entrarmos ali sendo menor de idade, aquilo era o de menos.
— Claro, volto logo. — A garota se afastou.
— Eu não estava desconcertada por Edward — afirmei quando voltamos a ficar sozinhas, realmente cogitei a ideia de tirar meus saltos, eles estavam me matando, mas isso seria perder o resto de classe que me restava estando naquele lugar dos infernos.
— Continue mentindo para si mesma, querida. — Alice riu. — Oh que bom, seu atendimento é maravilhoso! — exclamou quando a garota voltou com nossas bebidas, bebendo sua dose em um único gole. Talvez ela estivesse aprendendo com Renée, eu era absurdamente fraca para álcool, então apenas beberiquei um pouco da minha dose.
— O que ainda estamos fazendo aqui? Vamos apenas cair fora, você já viu seu bendito instrutor gostoso manipulando uma guitarra e dizendo algumas palavras no microfone de backing vocal, sua mãe deve ter feito a torta de chocolate, eu realmente queria um pouco disso — falei, balançando o líquido dentro do meu copo, como Renée bebia doses e doses daquilo diariamente? Era tão forte!
— Não, Jasper me viu durante o show, ele virá até mim, ocasionalmente.
Alice olhou ao redor da boate, uma nova banda se apresentava, sendo mais barulhenta que a anterior de Edward e de Jasper. Em algum momento do show, eles tinham falado o nome dela: The Dragons, absurdamente clichê também.
— Ah, lá está ele! — ela praticamente gritou, arrumando sua blusa, deixando que o pequeno decote ali ficasse mais embaixo para que seus seios aparecessem mais.
— Isso que dá se vestir como Joan Jett, você não fica sexy com essa merda — falei, apontando para a jaqueta dela.
— Você sabe quem é Joan Jett? — ela indagou surpresa.
— Eu não sou estúpida, Alice, claro que sei quem é Joan Jett.
— Isso é realmente algo novo. — Alice riu, então voltou a olhar na direção onde tinha visto Jasper antes, o instrutor de tênis estava na companhia do grandão que parecia um lutador de UFC, ambos carregando em suas costas seus instrumentos. Gostei disso, era mais seguro do que ficar com Edward e todo aquele maldito charme dele por perto.
— Alice, eu não posso acreditar que você veio! — Jasper exclamou, sem se importar em abraçá-la quando alcançou nossa mesa. Alice, obviamente, retribuiu o abraço, um grande sorriso em seu rosto foi tudo que vi antes dela o esconder no pescoço de Jasper, foda-se, ela estava cheirando o cara, aquilo era esquisito.
— Hey, sou Emmett! — O grandão se apresentou para mim, me lançando um grande sorriso, o que deixou a vista em sua bochecha esquerda uma covinha que lhe dava um ar jovial.
— Isabella Higginbotham. — Apertei sua mão, observando sua tatuagem tribal no seu braço direito, já que ele usava apenas uma regata preta. Eu também podia ver a tatuagem de uma cruz no lado esquerdo de seu pescoço, imaginei o quão doloroso aquela merda deve ter custado para ser feita.
— Da Organização Higginbotham? — Emmett indagou, arregalando seus olhos em espanto.
— Sim — confirmei, lançando um grande sorriso a ele por ser reconhecida, ainda apertando sua mão. Emmett assentiu, seus olhos saindo do meu rosto e percorrendo meu corpo inteiro, ele umedeceu seus lábios quando olhou uma segunda vez para meu decote.
— Ei Bella, é bom vê-la! — Jasper exclamou para mim.
Tirei minha mão da de Emmett, vendo o loiro de olhos cor de mel segurando na mão de minha amiga. Aquilo era terrível, o gosto de homens de Alice me dava asco na maior parte do tempo. Nerds, caras pobres, tinha de tudo, por que ela não voltava para James de uma vez? Ele era filho de um grande empresário, era perfeito.
— Olá Jasper — o cumprimentei com a voz seca, ele não se importou em sorrir para mim, nós dois sabíamos a posição do outro, isso era bom. Ele para mim não passava do instrutor de tênis do clube que eu frequentava, eu era como sua chefe.
— Bella, Jasper acabou de nos convidar para o loft dele e de Emmett, para que possamos tomar algumas bebidas — Alice falou, olhando para mim em expectativa.
— Bom, eu recuso. — Peguei a minha dose de vodca ali, entornando o restante de uma só vez, sendo impossível não fazer uma careta.
— Qual é, gata, vai ser legal. — Emmett, ainda perto de mim, segurou em minha cintura, seu polegar infiltrando-se por dentro da minha roupa, passeando pela minha pele quente graças a dose de álcool recém tomada.
— Emmett, não! — Jasper chamou a atenção dele, eu quis rir do loirinho, ele realmente achava que Emmett seria o tipo de cara que eu me envolveria? Por Deus, nunca.
— O que estamos tramando?
Eu esquentei ainda mais ao ouvir aquela voz atrás de mim, como também me arrepiei. Bati na mão de Emmett, sem querer que ele achasse que eu estava sendo reativa ao seu toque, por mais atraente que ele fosse.
— Hum, Emmett e eu estávamos convidando as meninas para o loft — Jasper disse, olhando para a figura de Edward ainda escondida atrás de mim. Eu podia senti-lo, seu peito estava quase tocando em minhas costas. — Aliás, Edward esta é Alice Cullen. — Ele sinalizou para Alice, ainda agarrada a sua mão. — E essa é Isabella Higginbotham.
Edward se moveu, seu braço esbarrando no meu quando ele se posicionou ao meu lado na rodinha que estávamos formando ali. Ele também tinha sua guitarra em sua capa protetora acoplada as suas costas, aquilo não deveria deixá-lo mais sexy, ele deveria estar corcunda, mas não, ele estava fodidamente quente carregando aquilo.
— Hey Alice, ouvi falar muito sobre você. — Ele tomou a mão livre da minha amiga na sua, levando-a até seus lábios, mesmo no escuro quase total da boate, pude ver o rubor tomando conta do rosto dela com o gesto. Claro, depois era eu a desconcertada pelo vocalista idiota.
— Espero que tenha ouvido só coisas boas — Alice disse, lançando um olhar significativo para Jasper.
— Com certeza. — Jasper sorriu para ela.
— Você não vai me cumprimentar? — indaguei Edward, que continuava ao meu lado, mas sequer olhava em minha direção.
— Eu deveria? — Ele me olhou, seu olhar verde tinha um brilho divertido e malicioso.
— Sim, isso é o que pessoas educadas fazem! — exclamei entredentes. Qual é, ele até beijava a mão de Alice e sequer iria dizer oi para mim? Foda-se, todos sabiam que eu era muito melhor do que ela em tudo.
— Bom, eu não sou tão educado assim. — Ele deu de ombros, o sorriso torto, que só podia ser uma jogada dele para seduzir garotas idiotas, voltando ao seu rosto.
— Então — Alice voltou a falar, olhando de mim para Edward com curiosidade. — Vamos ao loft dos garotos, Bella?
— Não, eu vou para minha casa! — declarei, irritada de ter topado ir a porcaria daquela boate naquela bosta de lugar que era o Brooklyn.
— Na verdade, você não vai querer ir para sua casa, lembra? — ela fez uma careta. É, Renée estava lá bêbada, provavelmente já na fase insuportável do choro.
— Eu posso levá-la em minha moto, Gatinha — Emmett disse para mim, sua mão voltando a minha cintura, seu corpo colando no meu. Eu não o quis afastar daquela vez, talvez por conta do álcool, ou pela forma como Edward nos olhou com desgosto, isso realmente era legal de se ver.
— Sim, mais uma vadia na sua garupa, é um ritual. — A loira que estava no palco com eles chegou a nossa rodinha, segurando suas baquetas, encarando-me com nojo.
— Desculpe, quem é a vadia aqui? — a confrontei, ela estava do outro lado de Edward, então eu tive de passar por ele até parar na frente dela.
— Estou olhando para ela — a loira falou, arqueando uma sobrancelha.
Eu dei mais um passo em sua direção, pronta para bater em seu rosto mal maquiado, quando uma mão envolveu meu corpo, afastando-me daquela vaca de peitos grandes. Olhei para baixo, vendo a mão de Edward, com dedos longos demais, em minha barriga.
— Nem sonhe em bater em Rosalie! — ele falou sério, me soltando tão rápido quanto me tocou, mas minha respiração já estava fora do ritmo graças ao seu toque.
— Vamos para casa, Edward? — Rosalie perguntou a ele, antes de me lançar mais um olhar de nojo.
— Claro — ele concordou, saindo com ela, sem se importar em se despedir dos outros.
— Está tudo bem? — Ouvi Alice perguntar a Jasper, enquanto eu continuava fuzilando a loira sair da boate com Edward a escoltando, a mão dele que antes esteve em mim, nas costas dela, eles com certeza deviam ser namorados, já que aparentemente até moravam juntos.
— Sim, Rosalie na verdade é minha irmã — Jasper disse, eu me virei para olhá-lo, podia notar algumas semelhanças entre eles, mesmo que os olhos dela fossem absurdamente azuis. — Ela não está em um dia bom, aparentemente. — Jasper deu de ombros, então voltou a sorrir para Alice, que não se fixou no confronto anterior devolvendo o sorriso para ele.
— Então, você vem com a gente, Gatinha? — Emmett me perguntou, vindo até perto de mim para afastar uma mecha do meu cabelo, que tinha se soltado do rabo de cavalo, para longe do meu rosto.
— Não, eu realmente prefiro ir embora. — Tirei sua mão de mim outra vez, seu rosto endureceu com a recusa, mas aquilo não me causou nada, ele com certeza não era o primeiro cara que eu dispensava, nem seria o último. — Alice, vá com Jasper, eu vou voltar para meu apartamento.
— Mas, Bella...
— Isso tudo não é para mim, você sabe, eu realmente prefiro ir para casa do que embarcar em uma de suas aventuras pelo resto da noite — falei firme, ganhando um olhar triste dela e outro irritado de Jasper.
Não esperei ela falar nada, nem Emmett, ou o patético instrutor de tênis que Alice queria em sua cama. Apenas marchei em direção a saída da boate, dando cotoveladas em uma porção de pessoas para chegar ao lado de fora.
Como era de se esperar, não tinha um táxi passando ali. Tudo que tinha era uma confraternização de fumantes, eu tive de pagar para um dos seguranças da boate chamarem um carro para mim.
Vi entre a fumaça excessiva, Edward e Rosalie, na verdade era um pouco difícil não enxergá-lo com aquele cabelo ruivo chamativo. Ela fumava, enquanto ele apenas a ouvia.
A garota estava de costas para mim, então não me viu, mas ele sim. Seus olhos se prenderam nos meus, ele apenas me encarou por um tempo, até dar um de seus sorrisos tortos para mim.
Rosalie deve ter visto isso, pois seguiu o olhar dele. Ela me mediu de cima abaixo, antes de se voltar para Edward e puxá-lo pela mão pela calçada, dobrando na esquina próxima.
— Senhorita, seu carro está aqui — o segurança me avisou.
— Ótimo! — exclamei, indo em direção ao táxi, enquanto esperava o motorista dar partida, pude ver Alice deixar a boate com Jasper.
Ela era patética, o que ela ia ganhar se envolvendo com um cara pobre como um instrutor de tênis? Ela realmente acreditava naquela merda toda de amor? Aquilo não existia, era só uma invenção, era só mais uma mentira.
— Upper East Side — falei para o motorista. — E desligue o rádio, nem fale comigo — ordenei, ele cumpriu minhas ordens prontamente.
Peguei meu celular no meio do caminho, checando as mensagens ali.
Vovô: Como vai minha garota preferida? Eu estou com saudades, comporte-se na minha ausência.
Sorri para a mensagem de vovô, também estava com saudades dele.
Bella: Volte para casa logo, New York não é boa o suficiente sem você por perto.
R.H: Amorzinho, venha para casa ficar com a mamãe.
Apenas deletei a mensagem de Renée, eu nunca as respondia mesmo.
J.B: Está tudo bem, Bella, pode parar de encher a porra da minha caixa postal agora.
Deixei a mensagem de Jacob de lado, eu me resolveria com ele outra hora.
C.S: Você está viva?
Eu suspirei, sabendo que precisava responder a mensagem do cara que era meu pai, para todos os casos, em algum momento.
Bella: Sim e você? Ainda não foi morto por um canguru?
Ele não demorou a responder, pela hora sabia que estava já era outro dia na Austrália e ele certamente estava trabalhando, o que era só o que ele fazia. Mas, isso ainda era melhor do que ser a porra de uma mãe bêbada como Renée era.
C.S: Eu vi as fotos das pinturas que me enviou, apenas corte esta merda, okay? Você não precisa perder tempo com desenhos, foque nas coisas importantes, como seu casamento com o garoto Black, engravide logo se for preciso para avançar as coisas, apenas não o perca.
Bella: Eu não vou perdê-lo.
Garanti, ele não respondeu mais, então me convenci que nossa primeira conversa em dois meses, tinha terminado.
Não me surpreendi quando entrei no apartamento, deparando-me com Renée dormindo de qualquer jeito no sofá da sala. Garrafas de bebida e copos espalhados por ali, o som ainda ligado em uma música irritante dos anos oitenta, ou setenta.
Fui até lá, desligando aquela merda, minha cabeça poluída demais para uma noite. A falta de barulho fez Renée acordar, sua mão indo logo a sua testa, seus olhos mal se abrindo devido a dor que devia estar sentindo.
— Amorzinho, você voltou! — ela disse, a voz arranhada ao falar.
— Não por você. — Cruzei os braços na frente do corpo, a olhando com pena por estar em um estado lastimável, a vida dela deveria ser mesmo uma merda. — Recomponha-se, Renée — ordenei. — Você é uma Higginbotham, está degradando o nome que carrega, o jogando na lama.
— Bella! — falou sufocada. — Não, não me trate assim. Eu sou sua mãe, eu te amo.
Eu revirei os olhos, já me encaminhando para fora da sala.
— Amor não existe.
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