Sob minha Pele

35 Capítulo Trinta e Quatro


Notas iniciais
Boa leitura :3

— Capitulo Trinta e Quatro —

— Edward —

Eu pensei que aquele pesadelo que vi e deixei Bella para trás — queimando — tinha sido algo horrível, mas a ideia de tê-la presa era ainda pior. Pois, era real, não apenas parte de um dos meus inúmeros pesadelos e eu sequer sabia como ajudá-la a escapar daquilo.

— Edward? Você me ouviu? — Carlisle perguntou do outro lado da linha, fazendo com que eu voltasse a prestar atenção na ligação do Cullen.

— Si-Sim — gaguejei, ainda sem conseguir engolir direito aquilo. — Presa? Por quê? — Minhas mãos tremiam e suavam, meu coração batia forte de forma nada agradável e minha cabeça doía como se eu tivesse a pior ressaca da história.

O que tinha acontecido com Isabella? Como diabos ela terminou presa? Será que Jacob tinha feito algo? Aquele filho da puta cretino! Ele tinha tentado bater nela, então a colocou em maus lençóis depois do nada bem vindo encontro em Hamptons?

Eu seria o próximo a ser preso, mas faria o Black pagar caro por qualquer coisa que tivesse feito a minha namorada.

— Eu não tenho uma resposta precisa sobre isso, Edward — Carlisle respondeu, de fato soando confuso. — A empregada dos Higginbotham, que viu Isabella ser presa, estava tão nervosa quando falou com Esme ao telefone, não soube dizer muita coisa.

— Porra, caralho! — comecei a xingar, movendo-me em meu quarto atrás de roupas para poder ir atrás de Isabella, eu a tiraria da prisão com as minhas próprias mãos.

— Edward, se acalme, por favor — Carlisle pediu. — Venha para Manhattan, tudo bem? Esme e Alice estão tentando descobrir mais coisas, como a delegacia para onde Isabella foi levada. Eu estou no hospital agora, não posso sair daqui, mas qualquer coisa pode me ligar e irei ajudar o máximo possível.

— E o avô dela? — indaguei Carlisle, enquanto me enfiava em uma calça jeans.

— Não sei direito, mas pelo o que a empregada dos Higginbotham disse a policia também está procurando por ele.

O quê?

— O quê? — consegui externar meus pensamentos, ficando surpreso por um segundo, até me lembrar de uma conversa com Jasper ao que parecia já ter ocorrido mil vidas atrás.

Eu já ouvi falar mil vezes que os Higginbotham lavam dinheiro desde que o nome surgiu.

— A policia também está procurando por Marcus Higginbotham — Carlisle repetiu. — Isso nos dá a ideia clara de o quer que tenha feito Bella ser presa, é algo ligada ao avô dela. — O Cullen suspirou. — Venha para Manhattan, Edward. Alice e Esme estão tão nervosas com tudo isso que achei melhor te ligar logo, ajude o máximo possível, eu também vou ajudar Bella a sair dessa.

— Eu vou, obrigado por ligar, Carlisle.

— Não faça nenhuma besteira — ele disse em um tom paternal, como se estivesse prevendo minha vontade de socar alguém, Jacob, principalmente.

— Não vou — menti, eu iria, no instante que o Black cruzasse meu caminho o mataria, pois algo em mim tinha a certeza de que a prisão de Isabella estava diretamente ligada aquele playboy mimado e cretino.

— É sério, Edward, cuidado! — Carlisle exclamou. — Preciso desligar agora, ligue-me se precisar de algo.

— Ok — concordei, finalizando a ligação, terminei de me vestir correndo, praticamente sem conseguir calçar meus coturnos por estar tão apressado.

— Ei, onde vai tão rápido, Usain Bolt? — Rose perguntou quando nos encontramos no corredor. Ela ainda estava em suas roupas de dormir, seu rosto todo amassado da cama, seus cabelos presos em um coque bagunçado.

— Bella foi presa! — falei entre dentes, vendo minha amiga empalidecer, como acordar de vez com minha frase.

— Pre-Presa?

— Sim, porra, sim! — Ficar repetindo aquilo tudo só deixava as coisas piores na minha cabeça. — Nem me pergunte porque, só sei que o avô dela também está sendo procurado pela policia. — Rose arregalou os olhos. — Algo me diz que o imprestável do Black está por trás disso — praticamente rosnei ao dizer aquilo. — Estou indo para Manhattan — informei.

— Eu vou trocar de roupa e sair com você, não é bom te deixar só agora — Rose falou apreensiva.

— Não, não, fique fora disso! — ordenei, terminando de amarrar o cadarço dos coturnos. — Eu não te quero indo em uma delegacia, já basta ter Isabella em um lugar nojento desses.

— Você está nervoso demais, Edward, não é mesmo bom sair por ai só.

— Eu vou me encontrar com Alice e Esme, não vou ficar só. — Segurei nos braços de Rosalie, que continuava aflita. — Prometo não tentar ser preso, mas se acontecer é porque encontrei Jacob Black e o matei. — Rose se soltou de mim, dando um tapa em meu peito.

— Edward, não brinque com algo sério assim.

— Não estou brincando, aquele mauricinho está pedindo por uns bons socos desde que apareceu no luau lá em Hamptons. — Suspirei, percorrendo a mão por meus cabelos. — Faz um favor para mim, vá ficar com minha irmã e minha mãe, tudo bem? Eu estava indo para o apartamento delas, contar sobre meu namoro com Bella e ficaria até mais tarde cuidando de Clarisse quando mamãe fosse trabalhar, mas com tudo isso provavelmente não vou estar de volta ao Brooklyn tão cedo.

— E o que eu vou dizer a sua mãe pra aparecer lá só? E a sua ausência, Edward? — Rose perguntou, seguindo-me até a porta do nosso apartamento.

— Não sei, Barbie, inventa algo — pedi, abrindo a porta. — Diz que surgiu uma entrevista de emprego em uma boate de Manhattan, que eu tive de ir até lá correndo pra isso.

Rose revirou os olhos.

— Você devia ter dito logo para sua mãe que está com Bella, Edward!

— Não tenho tempo para isso agora, Rose. — Engoli em seco. — Bella está presa, lembra? Eu preciso ir ajudá-la a sair dessa. Se eu não chegar a tempo de ir para o trabalho diz que eu estava doente.

— Ótimo, Alistair vai amar você faltando depois de todo o tempo que te deu de folga — Rose resmungou. — Vá de uma vez, mantenha-me informada sobre Bella.

— Não deixa a Clary ver TV, tá bem? — Beijei a bochecha de Rose. — Ela adora a Bella, ia surtar se visse que ela foi presa.

— Pode deixar, eu cuido da baixinha.

***

Peguei o metrô e fui direto para o apartamento dos Cullen quando cheguei a Manhattan, depois de me identificar com o porteiro tive meu acesso facilmente permitido para a cobertura da família de Alice. Quem abriu a porta para mim foi a própria, a namorada de Jasper parecia devastada, sem maquiagem alguma, com os olhos cheios de lágrimas e vermelhos.

— Ela foi presa, Edward — murmurou.

Era real, bem real.

— Como isso aconteceu, Alice? — perguntei em um tom de voz baixo, entrando no apartamento, batendo a porta atrás de mim.

— Eu não sei, o nosso advogado está buscando informações para ajudarmos Bella, ele prometeu ligar assim que conseguir algo. — Alice olhou para seus pés, chorando baixinho. — Ela é minha melhor amiga, é como uma irmã para mim e não faço ideia de como ajudá-la. — Alice levantou seu olhar para mim. — Bella já sofreu muito nos últimos tempos, Edward, eu tenho medo do que pode acontecer agora.

— Ela vai ficar bem — sussurrei. — Tudo ficará bem.

— Oh, você veio! — Ouvi a voz de Esme no hall de entrada, então ela parou junto da filha, afagando as costas de Alice. Esme estava séria, compenetrada, mas ainda podia ver a centelha de medo em seus olhos. — Carlisle ligou para você, não? — Acenei positivamente para a médica. — Obrigada por ter vindo, Edward, Bella vai precisar de você.

— Eu não a deixaria só, não seria capaz disso.

— Bom, isso é bom! — Com a mão livre Esme tocou em meu braço, seu olhar maternal fez com que eu pensasse na minha mãe, mas também em Renée naquele hospital, com certeza sem ter ideia de que a filha dela estava presa e o pai sendo procurado pela policia. — Você falou com Bella essa madrugada? A última vez que falei com ela foi quando a deixei no prédio do apartamento dela, estava tudo bem.

— Não, eu não falei com ela desde que Bella voltou para Manhattan — falei, sentindo-me culpado por aquilo. Eu devia ter ligado para ela durante a madrugada, ao menos uma vez, quem sabe só isso fosse o suficiente para o destino ser outro e ela não ter sido presa.

— Vamos, vamos sentar um pouco e esperar o advogado ligar. — Esme guiou Alice, que ainda chorava para a sala, acenando para que eu as seguisse. — Eu vou buscar um chá para você na cozinha, filha — disse para Alice depois de sentá-la em um sofá.

Sentei junto de Alice, lembrando-me de quando estive no apartamento dos Cullen pela primeira vez. De Bella e eu sentados no chão da sala comendo pizza, com ela me ensinando a tocar piano, me falando sobre Renée.

Eu precisava dela, precisava vê-la. Eu tinha de ter Bella em meus braços, me certificar de que ela estava bem, segura. Eu pensei que podia protegê-la de tudo, mas no momento que nos afastamos ela acabou presa.

— Jacob fez isso, ele com certeza armou algo para cima da Bella — eu disse para Alice, que negou com um aceno de cabeça.

— Você nunca viu Marcus Higginbotham de perto, não é, Edward?

— Não — respondi, ela assentiu.

— Ele é o diabo. — Alice sorriu para mim com amargura. — Qualquer um podia enxergar isso, menos Bella. Eu não sei o que ele fez, mas foi grave o suficiente para que todos pudessem ver a verdadeira forma demoníaca daquele homem, e agora está sendo caçado, só que acabou envolvendo Isabella nisso.

Apertei minhas mãos, olhando para meus coturnos.

— Eu não sei se Bella te contou, mas Renée deixou uma carta de despedida quando tentou se matar, lá dizia que ela não devia confiar no avô.

Alice respirou fundo ao meu lado, tocando em meu ombro.

— Renée com certeza sabe muito sobre o pai dela, Edward. — Voltei a olhar para a Cullen, que estava mais abatida do que antes. — Eu não estou exagerando, aquele homem com certeza é maligno, mas o pior é o fato de ele ter muito poder sobre a cabeça de Bella, é o que mais me assusta. O que ele pode ter causado a ela, o que pode ter a feito fazer, tudo por ser um grande manipulador.

— Você acha que ela pode realmente ser culpada de algo?

— Eu sei que ela está em problemas, Edward. Problemas que não sei se Bella ira conseguir se livrar tão facilmente.

Alice voltou a chorar, Esme voltou à sala.

— Aqui, filha, beba tudo — Esme entregou uma xícara de chá para Alice, outra para mim. — Você também, vamos tentar manter os níveis de estresse baixos.

— Nos dê calmantes, você é médica — Alice pediu, fazendo uma careta ao beber o chá.

— Alice, beba — Esme insistiu.

Eu sorri brevemente para a troca delas, antes de me forçar a beber o chá também. O gosto era uma merda, mas eu torci para aquilo me manter um pouco calmo, mesmo que lá no fundo soubesse ser impossível.

O celular de Esme tocou, vi tensão no seu olhar e no de Alice.

— É o advogado — Esme murmurou, antes de atender a ligação, a colocando no viva voz. — Oi, Jenks, o que conseguiu descobrir?

— Ela estava passando por um exame de corpo de delito, foi levada diretamente para lá depois da prisão ser efetuada — a voz masculina do advogado dos Cullen respondeu. — Está sendo direcionada para uma delegacia agora, eu te mandarei o endereço certo por mensagem, Esme. Um amigo meu da imprensa, que conseguiu acesso ao caso exclusivamente, me informou tudo.

— Jenks, é Alice — ela se pronunciou. — Por que Bella foi presa?

— Lavagem de dinheiro — respondeu.

Eu já ouvi falar mil vezes que os Higginbotham lavam dinheiro desde que o nome surgiu.

A fala de Jasper voltou mais uma vez a minha mente aquele dia, ele estava certo, os Higginbotham lavavam dinheiro. Mas, Bella sabia daquilo?

Eu fiquei imediatamente enjoado, afastando o chá de gosto terrível para longe de mim.

E se Bella soubesse de todo o esquema de lavagem de dinheiro? Eu estava envolvido com uma criminosa?

— Oh Deus! — Esme exclamou, cedendo um pouco mais em sua pose centrada, apertando com força o celular em sua mão. — Jenks, diga que isso é mentira.

— Sinto muito, Esme, é a mais pura verdade. Isabella e Marcus Higginbotham, assim como a família Black, foram acusados de lavagem de dinheiro. O senador, a esposa e o filho sumiram, assim como Marcus Higginbotham.

— Todos eles fugiram e deixaram Bella para trás? — consegui perguntar, Esme e Alice me olharam.

Bella não era culpada, como pude pensar isso? Ela era inocente, estava envolvida em um esquema sujo e quando a bomba explodiu todos caíram fora, deixando que ela cuidasse só dos destroços.

— Nós estamos indo para a delegacia, Jenks, você pode assumir o caso? — Esme falou, enxugando as lágrimas que molharam seu rosto. — Quero que cuide da defesa dela, quero que você mova céu, inferno e a porra toda, mas quero que tire aquela menina daquela prisão o quanto antes! — A fala agressiva não combinava com a feição doce de Esme, mas eu me vi assustado com suas palavras.

— Eu irei assumir o caso, Esme. Estarei na delegacia logo mais. Só tente não ser presa também, certo?

— Não posso fazer promessas agora, Jenks, nos encontre lá. — ordenou, finalizando a chamada. — Esqueçam o chá. — Arrancou a xícara da mão de Alice. — Estamos indo até Bella, agora!

***

A direção de Esme Cullen nos fez chegar rapidamente à delegacia para onde Bella tinha sido levada, o local estava cercado por jornalistas, o que parecia ser terrível. Eu hesitei por um segundo, mas logo me vi seguindo Alice e Esme para fora do carro que tinha sido estacionado diante a delegacia.

Com dificuldade nós cruzamos entre os jornalistas ali, obviamente um deles reconheceu Alice e sua mãe e logo começaram a enchê-las de questionamentos sobre Bella. As câmeras estavam ligadas, os microfones voltados para nós e os repórteres ali faziam uma pergunta depois da outra, alguns me notaram atrás das Cullen e perguntaram quem eu era, mas não abri a boca para responder nada.

— Eu quero ver Isabella Higginbotham, agora mesmo! — Esme exigiu para o primeiro policial que cruzou seu caminho quando entramos na delegacia.

— Você não pode, ela...

— Não estou nem ai para suas regras, eu quero ver Isabella e vou ver! — Esme ultrapassou o policial e todos os outros, abrindo espaço para Alice e eu.

Aquilo gerou o caos na delegacia, mas não seria eu que pararia a senhora Cullen, afinal também queria ver Bella logo.

Esme não precisou de muito para achar a sala do delegado e mesmo com muitos policias tentando detê-la, ninguém conseguiu impedi-la de abrir a porta sem sequer se anunciar. Então, eu pude ver Bella lá dentro.

O meu coração quebrou no instante que vi seu olhar apavorado, mas também quando percebi o lado direito do seu rosto totalmente machucado. Alguém tinha batido nela, alguém feriu Bella.

Sem me importar com mais nada eu ultrapassei Alice e Esme que estavam a minha frente, indo até Isabella, a colocando em meus braços, ouvindo seu choro desesperador.

— Vai ficar tudo bem, Bonequinha — prometi, mas aquela altura sequer acreditava em minhas próprias palavras, estava apavorado com tudo aquilo também.

— Saiam agora, vocês não tem permissão para ficar aqui! — o delegado gritou, Bella se agarrou a minha camiseta, claramente sem querer que eu fosse embora, também não queria ir, me recusava a ficar longe dela naquele momento.

— Isabella é inocente, você tem de soltá-la! — Esme exclamou, ela e Alice parando uma de cada lado meu e de Bella.

O delegado gargalhou.

— Eu sou o delegado aqui, senhora, pode deixar que decido quem é preso e quem é solto da minha delegacia.

Esme e ele continuaram discutindo, eu os coloquei no canto da minha mente, voltando a me focar apenas em Isabella em meus braços, que continuava chorando e tremia.

— Quem machucou você, Bonequinha? — Ela soluçou, afundando seu rosto em meu peito. — Jacob? Foi ele, não foi?

— Bi-Billy — Bella gaguejou a resposta. — Billy Black, o pai do Jacob.

Filho da puta!

Aquela família inteira não valia absolutamente nada!

— Vamos, vocês precisam sair agora. — Mãos apertaram meu braços, por sorte não sobre minha tatuagem ainda cicatrizando, fazendo com que eu me soltasse de Isabella.

— Não, não, me deixe ficar com ela, por favor. — Tentei me soltar do policial que me puxava para fora da sala, enquanto olhava para o delegado, que parecia irredutível.

— Você e essas duas, para fora, agora! — o delegado ordenou, apontando de mim para Alice e Esme, que também tinham policiais as levando para fora da sala. — Vocês estão com sorte que hoje estou bonzinho e não vou jogá-los numa cela por me desrespeitarem, mas quero vocês fora enquanto colho o depoimento de Isabella.

— Edward — Bella chamou por mim, seu rosto além de machucado estava tomado por lágrimas. — Eu sou inocente, não fiz nada disso, acredita em mim.

— Acredito, claro que eu acredito.

— Oh, tão romântico! — o policial junto de mim zombou. — Não se preocupa, cara, você pode requisitar visitas intimas.

Eu quis xingá-lo, mas me detive antes de realmente acabar preso. Bella já estava em apuros, eu não podia me ferrar também e deixar tudo pior, ainda tinha minha mãe e irmã no Brooklyn que precisavam de mim.

— Desculpe, Edward — Bella pediu antes que eu fosse jogado para fora da sala, seu olhar terminou de me despedaçar.

***

Alice, Esme e eu fomos gentilmente redirecionados para uma sala de espera na delegacia depois de sermos enxotados para fora da sala do delegado. O advogado dos Cullen, Jenks, tinha acabado de chegar naquele momento e conseguiu entrar lá para estar junto de Isabella durante o depoimento dela.

Eu tinha acabado de pisar na sala de espera quando meu celular tocou, era Rosalie.

— Não é um bom momento agora, não sei de muita coisa... — comecei a dispensá-la, mas ela me interrompeu rapidamente.

— Edward, fodeu — sussurrou.

— O quê?

— Sua mãe, ela não aceitou a minha desculpa de que TV mata os neurônios mais rápido e estava com o aparelho ligado quando noticiaram a prisão de Bella. — Parei de respirar, já sabendo o que viria a seguir. — Ela e Clary viram Isabella chegando à delegacia, também viram você chegando não muito depois. Bom, você pode presumir que sua mãe juntou um mais um, não é? Ela me pressionou a dizer a verdade, desculpe.

— Puta merda! — xinguei, percorrendo minha mão por meus cabelos. — Você ainda está no apartamento delas? — indaguei, sob o olhar atento de Esme, Alice encarava o copo de café em suas mãos.

— Eu estou — Rose respondeu. — Mas, a sua mãe saiu fora não muito depois, ela disse que ia atrás de você.

— O quê? Minha mãe está vindo para Manhattan? Rose!

— Ei, eu não consegui detê-la, ela estava muito nervosa e bem irritada, diga-se de passagem.

— Que seja, foi mal, a culpa não é sua mesmo. — Chutei a perna de uma mesinha, irritado com o mundo. — Ela vai arrancar minha cabeça por eu ter mentido sobre Bella.

— É, eu esperaria por isso, ela estava bem assustadora, sabe? — Rose contou. — Eu vou voltar para sala, Clary está me esperando lá, totalmente perdida no meio disso tudo. Vou distrai-la com desenhos, espero que funcione.

— Obrigado por ficar com ela — agradeci.

— Sem problemas, ela é um amor de menina.

— Richard não está ai, né?

— Não, antes da bomba da Bella estourar sua mãe falou que Richard estava fora da cidade, com a desculpa de ir visitar parentes ou algo assim.

— É a desculpa oficial dela para quando esse marido encostado está por ai bebendo e jogando. Qualquer coisa me liga, tenta distrair mesmo a Clarisse, por favor.

— Pode deixar — Rose disse. — E a Bella?

— Prestando depoimento, estive com ela por um segundo apenas — me queixei. — Ela está machucada e desesperada, isso tudo parece um inferno e agora tenho minha mãe, brava comigo, vindo para cá.

— É, você está ferrado! — Rose bufou. — Deixa eu ir agora, antes que Clarisse coloque fogo no l...Isso foi muito insensível, Edward — Rosalie se corrigiu rapidamente, soando culpada.

— Tanto faz — sussurrei, a garganta fechando ao me lembrar do meu pai. — Falo com você depois.

— Tchau.

Depois de desligar, eu fui sentar junto de Esme, que afagou meu ombro.

— Vamos tirar Bella daqui, Edward, eu te disse que ela é como uma filha para mim, vou cuidar dela.

Assenti, querendo chorar. Por Bella, por minha mãe estar irritada comigo, por estar me lembrando do meu pai.

— É um desenho lindo — Esme comentou, olhando para minha tatuagem mais recente.

— Bella quem desenhou — contei, minha voz embargada pelo choro, olhando para a sereia em meu braço.

— Ela é uma ótima artista, espero que possa focar nisso quando deixar esse lugar.

— Esme, o seu pai ainda está vivo? — perguntei, sem conseguir tirar o meu da cabeça.

— Não, papai morreu quando eu tinha dezesseis, câncer. — Seu olhar ficou ainda mais triste.

— Você ainda sente falta dele? — perguntei, minha voz era tão baixa que eu mal podia ouvi-la.

— Sempre sentirei, Edward.

Respirei fundo, colocando minhas mãos sobre meu rosto.

— Você é forte, Edward — Esme disse carinhosamente. — Eu imagino o quão forte já foi todos esses anos desde que seu pai morreu.

— Queria que ele estivesse aqui. — As lágrimas venceram a batalha, deslizando por meu rosto. — Queria que nada disso estivesse acontecendo, queria acordar desse pesadelo, só queria Bella fora desse lugar e meu pai vivo.

Esme não disse mais nada, apenas me abraçou e deixou com que eu chorasse em seu colo. Eu estava assustado, como na noite que meu pai morreu, o lema sem medo tatuado em minha pele era uma grande mentira.

***

Bella já estava a quase uma hora prestando depoimento, quando meu celular tocou. Eu gelei ao ver quem era me ligando, mas atendi usando o resto de coragem em mim, principalmente depois de todo o choro na delegacia.

— Oi, mãe.

— Central Park, perto do lago que Clary ama, agora — a voz dela era dura.

— Mãe...

— Eu não estou sugerindo, estou mandando — ordenou, desligando na minha cara.

— E-Eu prec-preciso ir — gaguejei para Esme e Alice. — Minha mãe quer me ver. — Eu parecia um adolescente tendo que prestar contas, era uma droga.

— Pode ir, nós te informamos de qualquer coisa — Esme assegurou.

— Por favor — pedi, antes de sair da sala de espera onde praticamente tínhamos sido presos.

Passar pela sala do delegado onde Bella estava foi horrível, eu queria entrar lá e tomá-la em meus braços novamente. No lugar disso, me vi forçando o passo para a saída da delegacia, para longe dela.

Os jornalistas continuavam lá, eles fizeram mais perguntas e eu apenas os ignorei. Segui caminho até o Central Park, então até o lago preferido de Clary ali, foi fácil localizar minha mãe no meio da grama, encarando a água.

— Me desculpe — pedi a ela, quando parei ao seu lado. Ela não me olhou, mas vi seus lábios tremerem. — Eu sei que prometi que ia ficar longe de Isabella, mas nós acabamos nos envolvendo e foi mais forte do que eu, mãe. Eu me apaixonei por Bella, então acabei a amando e não consegui lutar contra meus sentimentos.

Mamãe suspirou, virando-se de frente para mim. Ela me pegou de surpresa quando me deu um forte abraço, começando a chorar em meus braços.

— Mãe? — o choro dela me deixou confuso, aquilo tudo era por conta da minha quebra de promessa?

Ela me afastou, mexeu em seu bolso e tirou um papel dobrado e de aparência antiga de lá, suas mãos tremiam muito e ela não parava de chorar.

— Olhe! — Estendeu o papel para mim, eu o peguei, sentindo a textura, era um papel de fotografia.

Abri o papel, analisando a foto ali. Foi fácil identificar minha mãe, era ela quando mais nova. Mas, o que mais chamou atenção ali foi a mulher quem me carregava no colo — na fotografia eu devia ter entre um e dois anos —, era Renée, sem duvida alguma.

Ela era exatamente como Bella quando nova, com a diferença dos olhos claros. Mas, sim, aquela me carregando era Renée Higginbotham quando mais nova, cerca de vinte anos antes.

Além de mim, da minha mãe e de Renée, um homem estava na foto. Ele não era muito alto, tinha cabelos negros, pele branca e olhos escuros que me pareceram familiares demais. Todos na fotografia estavam atrás de uma mesa de Ação de Graças, facilmente identificável por conta do peru.

— Seu pai tirou essa fotografia — mamãe contou.

— Você conhece Renée Higginbotham — murmurei, levantando os olhos para minha mãe, que concordou com um aceno positivo. — A mãe da Bella, você conhece a mãe da Bella — minha cabeça ia explodir com aquela informação.

— E o pai — mamãe sussurrou.

— O embaixador? Como você conhece um embaixador? — indaguei.

— Edward, eu tenho noventa e nove por cento de certeza que o pai da Isabella não é o embaixador — mamãe disse, parando de chorar. — O homem na foto é o pai dela, Charlie Swan.

— O quê? — eu gritei, mamãe suspirou.

— Não faça um escândalo — ela pediu, olhando ao redor.

— Não faça um escândalo? Como você pode esperar que eu não faça um escândalo, mãe? — continuei gritando. — Você conhece a mãe da Bella. — Gesticulei para a foto em minhas mãos. — E para completar me diz que esse cara é o verdadeiro pai da minha namorada!

Foda-se, aquele dia tinha de ser fruto de um pesadelo, não tinha outra explicação.

— Vem, Edward. — Mamãe agarrou meu pulso, então subiu o olhar para minha tatuagem. — Você fez outra?

— Obviamente — resmunguei

Ela apenas me arrastou até o banco mais próximo, tirando a foto das minhas mãos, me forçando a sentar ali e sentando também.

— Charlie Swan trabalhava com seu pai na Organização Higginbotham — começou a contar, parecendo lutar contra cada uma daquelas palavras. — Eles eram amigos, Charlie foi até mesmo seu padrinho...Bom, teoricamente já que nunca chegamos a te batizar de fato, mas seu pai deu a Charlie o título.

— E onde Renée Higginbotham entra nisso?

— Ela acompanhou o pai — mamãe engoliu em seco ao mencionar Marcus — na inauguração de um prédio aqui no Brooklyn, uma construção da Organização Higginbotham. Alguns dos operários estavam lá no dia, incluindo seu pai e Charlie. Na saída da inauguração, eu fui até lá buscar pelos dois, você estava comigo. Renée ficou encantada por você no momento que te viu. — Mamãe deu um sorriso saudoso, afagando meu rosto. — Ela tinha despistado o pai, ou algo assim, e nós duas começamos a conversar, seu pai e Charlie apareceram e ela caiu nas graças do Swan.

— Mãe, isso não faz sentido, você está dizendo que o pai da Bella era um ex-operário da Organização Higginbotham?

— É exatamente o que estou dizendo, Edward. — Ela apontou para Charlie na foto. — Bella tem os olhos de Charlie, filho. Todo o resto de Renée, mas os olhos chocolate são de Charlie.

— Não estou entendendo nada, mãe.

— Charlie e Renée começaram a namorar, ela largou o namorado que tinha e se entregou a paixão que tinha com o Swan. Ela passou a frequentar o Brooklyn constantemente, estava sempre em nossa casa também, você a amava. — Mamãe voltou a chorar. — Quando Renée aparecia imediatamente você ia para o colo dela. — Ela tocou na foto.

— O que aconteceu? Por que Charlie e Renée não ficaram juntos? — perguntei, era óbvio que algo tinha os separado, já que ela tinha casado com o embaixador. Eu tinha minha suspeita, mas precisava que mamãe confirmasse para mim.

— Marcus Higginbotham aconteceu, Edward — mamãe parecia bem nervosa ali. — Ele descobriu sobre Renée, foi atrás de Charlie e... — Ela parou, voltando a encarar a foto.

— E?

— Marcus teria matado Charlie aquele dia, Edward, mas seu pai estava indo visitar o amigo e o Higginbotham se freou. Charlie já estava bem mal, de verdade, ele teve costelas quebradas, hemorragia interna, ele teria mesmo morrido se seu pai não tivesse chego e flagrado Marcus prestes a atirar em Charlie.

Não sabia o que dizer, muito menos o que pensar. Aquilo tudo parecia o roteiro de um filme.

— Seu pai implorou que Marcus não fizesse aquilo, implorou que ele pensasse em Renée. Marcus cedeu, apesar de tudo ele parecia amar a filha, mesmo que de um jeito louco. Mas, ele só saiu depois de ameaçar Charlie, seu pai e nossa família, tinha fotos minhas, suas, sabia quem cada um de nós era. Ele disse que mataria todos nós se Charlie, ou qualquer um de nós, voltasse a cruzar o caminho de Renée. Mandou Charlie cair fora do estado, deixou bem claro pro seu pai que ele seria demitido e que iria ser morto logo em seguida se tentasse falar algo com Renée.

Ela parou por um segundo, enquanto nós dois absorvíamos tudo aquilo.

— Logo depois disso tudo Renée se casou com o embaixador, depois teve Bella e eu estou certa que aquela menina é filha de Charlie. Ele está morando no norte, em uma cidade pequena em Washington, vem me ligando desde que Renée foi internada, quer voltar e ir atrás de Bella. Eu já mandei ele ficar longe, afinal todos nós recebemos aquela ameaça do Higginbotham anos atrás.

Eu me coloquei de pé, respirando com dificuldade.

— Marcus Higginbotham matou meu pai?

Porra, o avô de Bella era o responsável pelo incêndio? Era alguma represália?

— Edward, não — mamãe negou. — Foi um acidente, seu pai, eu, todos ficamos longe dos Higginbotham desde o acontecido com Charlie. Não era como se Renée estivesse por ai em cada esquina, ela praticamente desapareceu depois daquele dia também, poucas vezes alguma noticia dela saia.

Um acidente, tinha sido mesmo um acidente. Meu pai apenas tinha morrido num acidente, eu não sabia mais como me sentia sobre aquilo.

— Você tem certeza? — indaguei mamãe. — Que foi só um acidente, quero dizer. Não tem nenhum culpado pela morte dele?

— Você quer um culpado para fazer a dor passar — mamãe murmurou, eu assenti, começando a chorar, acabando caindo de joelhos diante dela. — Eu sinto muito, filho, por seu pai ter ido cedo demais. Também quis um culpado, quis extravasar a raiva de ter perdido ele em alguém, mas não, Edward, foi uma fatalidade.

Mamãe afagava meus cabelos, enquanto chorava também.

— Eu preciso que seja forte, Edward, há mais uma parte dessa história toda que tem de saber. — Eu a olhei por trás das minhas lágrimas, sentindo-me tudo naquele momento, menos forte. — E espero que você não me odeie depois do que vai ouvir.

— O que tem para me contar? — perguntei aterrorizado.

— Clary não é filha do Richard, Edward. — Eu levantei em um só movimento. — Ela é filha de Marcus Higginbotham.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 30.07.17