Sob minha Pele
39 Capítulo Trinta e Oito
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Oito —
— Bella —
Eu não sabia quase nada de Charlie Swan, nem tinha a real certeza de que ele era mesmo meu pai. Porém, seus olhos tão parecidos com os meus, aqueles olhos castanhos que por anos eu tentei esconder, me davam quase cem por cento de certeza.
Ainda pediria ajuda de Esme e Carlisle para um teste de DNA, claro, mas no fundo eu sabia qual seria o resultado daquele exame. Positivo para Charlie Swan pai de Isabella Higginbotham. Bom, Isabella Marie Higginbotham Sawyer, eu teria de trocar o Sawyer por Swan e o que faria com o Higginbotham?
Soltei Charlie, que olhava para mim com quase devoção. Não sabia dizer se era a emoção por eu ter o chamado de pai, ou se ele ainda estava emocionado demais por ver uma cópia da minha mãe diante de si.
— Melhor você ir embora agora, Charlie — anunciei, cruzando os braços na frente do corpo.
— Ir embora? — ele indagou, parecendo odiar aquilo. — Mas, Isabella, eu...
— Eu preciso que você vá — insisti.
— Você a ouviu, Charlie — Edward se pronunciou. — Melhor ir.
Vi Edward cruzar o caminho até mim, parando ao meu lado. O Garoto do Brooklyn passou um braço por minha cintura, puxando-me para perto de si, parte da sensação de paz por estar com ele voltando a me dominar.
— Acredito que Bella precisa descansar, Charlie — ele falou com o Swan. — Vamos deixá-la ter um pouco de descanso, certo? Você disse que iria ficar com o Aro, não? Pode ir até ele, nós te ligaremos caso... — Edward se calou, suspirando. — Nós te ligamos — prometeu.
— Sim, você com certeza precisa descansar — Charlie falou para mim, seus olhos castanhos, os meus olhos castanhos, ainda marejados. — Eu vou indo... — Ele engoliu em seco. — Isabella, eu preciso ver Renée — disse em um tom de confissão.
— Você não pode — murmurei.— E-Ela pensa que você está morto — lembrei. — Mamãe já passou por muita coisa, ela não pode ter tantas emoções assim. — Neguei com um aceno de cabeça.
— Bella, sei que isso vai assustar Renée a princípio — Edward falou para mim, fazendo com que eu o olhasse. — Mas, eu acho que quando a ficha cair, ela vai gostar muito de saber que Charlie na verdade está vivo. Isso provavelmente ajudaria a recuperação dela.
— Eu não sei — continuei murmurando, sem saber o que fazer. — Vou conversar com Carlisle e Esme sobre isso. — Voltei o olhar para Charlie. — Eu te ligo caso ache que seja, sei lá, uma boa, você ir visitar a minha mãe. — O homem sorriu, parecendo adorar a ideia, ele parecia gostar mesmo de Renée. Só que eu já tinha me enganado antes com as pessoas, não? Eu continuava com os dois pés atrás sobre Charlie, podia ter dito que ele era meu pai, mas ainda não confiava totalmente nele, provavelmente nunca mais confiaria plenamente em alguém.
Senti Edward beijar minha cabeça, o que me fez suspirar. Não, eu estava enganada, confiava no Garoto do Brooklyn completamente.
— Você também pode me ligar caso precise de algo — Charlie começou a falar, remexeu no bolso de sua calça e tirou uma carteira de lá, pegando alguns poucos dólares de dentro. — Tome, compre...
— Não! — Dei dois passos para trás, soltando-me de Edward. — Eu não quero seu dinheiro, Charlie!
— Mas, Isabella, eu sou seu pai — Charlie insistiu, mantendo o dinheiro esticado na minha direção. — Sei que é pouco, não tenho muito, porém vou te ajudar o máximo que conseguir, filha.
— Nós estamos bem — Edward negou também, fazendo Charlie fechar a mão ao redor do dinheiro. — Não se preocupe, eu não deixarei nada faltar para Bella. — Sorriu para mim. — Inclusive descanso, mas se continuarmos estendendo essa conversa ela só ficará mais cansada. — Edward segurou no ombro de Charlie, o guiando em direção a saída do apartamento.
— Até mais, filha. — Charlie acenou para mim, eu fiquei muda, sem conseguir sequer acenar de volta.
Ele pegou uma pequena mala velha que estava jogada na sala, então saiu do apartamento. Edward logo estava de volta para perto de mim, seu olhar era receoso.
— Ele me empurrou, eu cai no chão — respondi a pergunta que eu sabia que mais cedo ou mais tarde meu namorado faria.
Edward respirou fundo, sentando no sofá, eu permaneci em pé, ainda olhando para ele.
— A queda não doeu tanto quanto a ideia dele me empurrando, me machucando. Na verdade, tudo que ele disse aquela noite foi ainda pior do que o empurrão.
— O que ele disse?
— O que você acha? Eu tinha acabado de ser largada por meu noivo, depois de Jacob descobrir que eu o trai. Claro que o babaca do Jacob contou para o pai dele, que contou para meu avô. Quando cheguei ao apartamento, depois do jantar na casa dos Cullen, ele estava furioso, me chamou dos piores nomes que pode imaginar. — Parei de falar, sentando ao lado de Edward. — Eu quis ir embora de casa aquele dia, eu deveria ter feito isso, mas ele disse que estava doente. — Interrompi minha fala novamente.
— O quê? — Edward tocou gentilmente no meu joelho.
— A doença, provavelmente foi só mais uma mentira dele. — Levantei abruptamente. — Eu realmente preciso descansar, estou exausta, nós podemos conversar sobre o que você quiser outra hora.
— Certo, o quarto está arrumado, se precisar de algo basta pedir.
— Como assim?
— Como assim o que? — Edward se levantou também.
— Você não vem deitar comigo?
Ele sorriu, afagando meu rosto.
— Não quer um tempo sozinha na cama? Ela não é muito grande, eu pensei que você fosse querer dormir só por algumas horas, sabe, para relaxar melhor.
— Acredite, eu vou relaxar melhor com você lá. — Agarrei sua mão que estava no meu rosto, o arrastando até seu quarto. Ou seria nosso quarto? Afinal, aquele apartamento do Brooklyn seria meu lar a partir daquele dia.
— Gosto disso — ele comentou, me puxando para um rápido beijo quando chegamos ao quarto.
— Não para sexo — sussurrei.
— Eu sei. — Edward assentiu, afagando meu rosto novamente, seu olhar percorrendo minha face ainda com marcas da agressão. — Não é um jogo, se lembra? Eu com certeza não estou com você apenas por sexo.
— Sim. — Dei um mínimo sorriso. — Nós ate moramos juntos agora. — Respirei fundo, espalmando minhas mãos no peito de Edward, sentindo seu coração batendo. — Espero que isso não estrague tudo para a gente, eu também sei que você não tem grana suficiente para nós dois e com todo meu dinheiro apreendido não faço ideia de como ajudar nas despesas. — Levantei o olhar para o rosto de Edward, que parecia contrariado.
— Não se preocupe com nada disso, Bonequinha, eu dou um jeito.
— Não, eu não quero que você se mate trabalhando enquanto eu fico aqui sendo um peso morto. — Apertei meus dedos em sua roupa. — Ok, acho que é isso, eu tenho de ir atrás de um emprego.
Edward tentou segurar uma risada, mas ele logo estava gargalhando.
— Isso não é engraçado — resmunguei.
— Admita, Bonequinha, é sim! — Beijou minha testa, ainda rindo. — Imaginar você, com seu grande ego, sendo subordinada a alguém é muito engraçado. — Ri também, entendendo seu ponto de vista.
— Isso vai ser um caos — declarei.
— Entretanto, se você quiser mesmo trabalhar vou te apoiar nisso. Você sabe fazer um currículo?
— Claro que sei. — Bufei. — Tá, talvez eu não saiba exatamente por onde começar. — Edward riu ainda mais. — Eu presumo que você saiba e ira me ajudar nessa.
— Com toda certeza — Edward afirmou. — Só que agora. — Ele levou suas mãos para a barra do vestido que eu usava, o puxando para cima e me ajudando a tirá-lo. — A senhorita vai desfrutar do conforto da nossa cama.
— Nossa? — indaguei quando ele jogou o vestido no chão, eu não pude me importar menos com aquilo, chutando os sapatos que usava para longe.
Edward segurou meu rosto entre suas mãos, seus olhos verdes brilhavam para mim.
— Nossa, Bonequinha.
Eu o puxei para um beijo, sem saber o que falar de volta, mas querendo que ele soubesse pelo meu gesto como eu estava agradecida por aquilo. Edward me levou até a nossa cama, deitando-me sobre o colchão, ainda mantendo nosso beijo.
— Mal posso acreditar que você esta aqui — ele falou, afastando seus lábios dos meus, estava deitado em cima de mim, apoiando seu peso para que eu não o sentisse, mas grudou sua testa na minha e tê-lo perto era maravilhoso, especialmente por eu temer não durar muito.
Não fui inocentada, a qualquer momento poderia acabar presa novamente. Como Edward reagiria a uma segunda prisão de sua namorada?
— Eu também, acho que amo o Brooklyn agora — confessei, Edward riu, movendo-se na cama para deitar ao meu lado. — Eu não deveria ir visitar minha mãe logo? — perguntei, sentindo-me culpada por não ter ido ate Renée assim que deixei a cadeia.
— Ela está bem — Edward jurou, puxando-me para si, fazendo com que eu deitasse meu rosto em seu peito. — Agora descanse, Bonequinha.
Fechei os olhos, pela primeira vez desde que fui presa pude fazer aquilo sem temer que algo acontecesse enquanto eu me entregava ao sono. Sentir o calor do corpo de Edward, seus braços ao redor de mim e sua respiração era maravilhoso.
***
Acordei com o som de vozes ao longe, eu queria mandar quem quer que fosse calar a boca, mas o sono já tinha passado graças ao barulho. Irritada por ter sido acordada, abri os olhos, encarando o lado da cama vazio.
Onde estava Edward?
Eu não sabia dizer que horas eram, mas arriscava dizer que estávamos no fim da tarde. Não me sentia muito descansada, mas estava relativamente mais relaxada do que quando cheguei ao apartamento aquela manhã.
Ainda estava tentando voltar a mim, quando a porta do quarto se abriu, era Edward entrando. Ele usava suas roupas de trabalho e estava todo sorridente, seu sorriso aumentou ainda mais quando me viu.
— Você acordou! — comemorou, roubando um beijo meu. — Bem a tempo, Rose e eu estamos saindo para a boate.
— Isso é um convite? — Fiz uma careta, a ideia de ir para a boate não me agradava em nada, pelo menos não naquele dia, queria continuar ali relaxando.
— Na verdade, não. — Edward afastou uma mecha de cabelo do meu rosto. — Você tem visitas.
Franzi o cenho, temendo que Charlie tivesse voltado.
— Alice está ai, com Jasper e Arthur.
— Sério?
— Sim. — Edward beijou minha bochecha. — Ela disse que ia pedir o jantar de vocês, então acho que você ficara em boas mãos enquanto eu saio para trabalhar. Mas, qualquer coisa e só me ligar, dou um jeito de vir correndo te ver.
— Eu não tenho mais meu celular — sussurrei. — Tudo foi apreendido.
— Acredito que Alice cuidou disso para você, quer dizer, não recuperando o celular com a policia, mas comprando um novo. — Edward apontou para as malas de compras que Alice armou para mim, ele as tinha colocado junto ao seu armário, o que diminuía significativamente o tamanho do seu...nosso quarto. — Eu aposto que tem um celular dentro de uma dessas malas.
Sorri, assentindo.
— É uma boa aposta.
— Vou pegar papel e caneta, para anotar meu número para você. — Ele fez menção de se afastar, mas o segurei junto a mim.
— Eu tenho seu número decorado — garanti, roubando um beijo dele. — Você disse que Arthur está aqui?
— Sim, ele e Rose estão bem próximos, ainda que não tenham assumido nada, por quê?
— Ele conhece um monte de gente de galerias de arte, quem sabe consegue me ajudar com algum trabalho. — Edward sorriu largamente, me puxando para seu colo e me erguendo da cama.
— Você fica muito bonitinha toda empenhada em arranjar um trabalho. — Eu ri, contornando seu pescoço com meus braços.
— Mas, agora preciso daquele celular para me certificar de que Renée esta bem.
— Ela está — Edward garantiu. — Falei com Carlisle meia hora atrás, ele me disse que ela fez todos seus tratamentos, perguntou por você, mas que está mais tranquila.
— Você ligou para perguntar sobre ela? — indaguei surpresa, Edward deu de ombros, colocando-me no chão.
— Ela é sua mãe, minha sogra — ele falou. — Além de ter sido amiga dos meus pais. — Sua expressão ficou séria. — E bom, você sabe o que mais. — Eu sabia, ser irmã de Clarisse, aquilo era algo que eu tentava pensar o menos possível. — Renée é importante para mim também, Bonequinha. Fui visitá-la no sábado, ela sabia quem eu era, se lembrava dos meus pais.
— Eu tenho mesmo de contar a ela sobre o Charlie, não?
— Eu contaria se estivesse no seu lugar.
Encarei meus pés descalços, então voltei a encarar Edward.
— Você vai contar a verdade a Clarisse?
Edward franziu o cenho, mas concordou assentindo.
— Não sei quando, mas eu não quero que ela continue a vida dela numa mentira. Ela precisa saber a verdade, você entende, não entende?
— Sobre ter minha real paternidade omitida durante anos? — Soltei uma risada sem humor algum. — Entendo completamente, Edward.
— Ei, tente não ficar pensando muito nisso — ele pediu.
— Não é fácil, Edward. — Respirei fundo, encarando as malas do outro lado do quarto. — Eu estou bagunçando sua vida.
— Você não está. — Edward virou meu rosto na direção do seu. — Acredite, eu te quero aqui.
Ele não deveria querer, eu era um grande problema.
— Vou vestir algo e recepcionar meus ilustres convidados. — Me soltei dele, andando até as malas.
Rapidamente eu estava vestida, Edward que tinha ficado no quarto, deixou o cômodo junto comigo. Como ele falou antes, Alice, seu namorado e Arthur estavam na sala, assim como Rosalie. Os quatro conversavam e riam, mas pararam no momento que me viram, hesitantes com a minha presença.
— Ei, olhem só a minha nova colega de quarto! — Rosalie exclamou andando até mim e me dando um abraço, o que me pegou de surpresa, mas eu retribui o gesto. — Você precisa de algo? — perguntou baixinho para mim.
— Não, tudo bem — menti, Rose me soltou, encarando-me.
— Você é uma colega de quarto muito mais gostosa do que Edward, estou contente por isso — ela brincou, mas seu olhar continuava sério sobre mim.
— Nenhum problema para você se eu ficar aqui, né? — quis me certificar daquilo.
— Problema algum. — Rose piscou para mim. — Contanto que você fique fora do meu quarto.
Eu ri, assentindo.
— Pode deixar, eu ficarei longe do seu quarto, Barbie.
Rosalie revirou os olhos.
— Não me chame assim. — Ela olhou para Edward. — Melhor irmos para o trabalho agora, antes que nos atrasemos.
— Certo. — Edward beijou meu rosto. — Já sabe, qualquer coisa e só chamar.
— E ficar longe do meu quarto — Rose alertou novamente, ela e Edward seguiram até a saída do apartamento, Arthur foi atrás deles e vi ele dando um rápido beijo na loira, que resmungou algo, mas o beijou de volta antes de sair com meu namorado.
— O que vai querer comer, Bella? — Alice me perguntou.
— Tanto faz. — Me encolhi dentro do suéter que eu usava, ainda me sentindo cansada. — Vocês podem escolher.
— Comida tailandesa! — Arthur implorou, todo feliz depois de receber um beijo de Rosalie.
Alice e ele começaram a discutir sobre comida tailandesa e chinesa, eu não dei a mínima para aquilo e fui até a cozinha atrás de algo para beber. Abri a geladeira e fiquei encarando uma garrafa de cerveja que tinha lá dentro, até que decidi pegá-la para beber.
— Você não quer fazer isso. — Eu me sobressaltei, mas continuei de costas. — Afogar suas dores na bebida não é a melhor solução.
Apertei a garrafa em minhas mãos, olhando o rótulo uma última vez antes de devolvê-la para a geladeira, pegando no lugar uma garrafinha de água. Ele estava certo, encher a cara não resolveria nada, nunca resolveu para minha mãe. Virei em direção ao balcão da cozinha, Jasper estava debruçado sobre o mesmo, olhando-me atentamente.
— E-Eu não costumo be-beber — gaguejei, abrindo a garrafa de água e tomando um gole. — Na verdade, odeio álcool.
Jasper assentiu.
— Não comece a gostar agora. — Ele batucou os dedos sobre o balcão. — Como você está?
— Péssima — respondi sinceramente, Jasper assentiu novamente, mas não me olhou com pena.
— Acredito que foram dias bem longos lá.
— Longos demais. — Me aproximei do balcão, depositando a garrafa de água ali. — E eu posso voltar a qualquer momento.
Jasper fez uma careta.
— Você não é mesmo culpada? — Não parecia uma brincadeira, ele realmente estava em duvida sobre aquilo.
— Eu teria fugido com meu avô se fosse, ou com Jacob e o pai dele — respondi. — Que aliás, foi o homem que fez isso. — Apontei para meu rosto. — Acredite, se eu soubesse que estava na mira da policia e que tenho bilhões em meu nome, teria caído fora bem antes de ser arrastada para uma cadeia.
— Mas, você não é culpada.
— Não sou culpada — repeti. — Ou, eu sou. — Jasper me olhou confuso. — Culpada por ter sido tão idiota, tão ingênua e cega. Eu morava com um psicopata, era nora de outro. Os dois me enrolaram, o cara que eu cresci pensando ser meu pai não é e também está fugindo por ai. Todos ao meu redor me usaram, então, sim, talvez eu tenha sido culpada por ser tão egoísta que não conseguia prestar atenção a minha volta.
Inspirei, encarando a água.
— Você vai ficar bem — Jasper sussurrou, fazendo com que eu o olhasse.
— Eu posso ir para a cadeia, por longos anos.
— Tenho certeza de que você irá personalizar seu uniforme e deixá-lo ao seu gosto — brincou, surpreendentemente eu ri, mesmo com lágrimas deslizando por meu rosto.
— Você é um terrível amigo, Jasper. — Foi a vez dele de rir.
— Sou seu amigo?
— Já passamos da fase que você me odiava e eu te tratava como um escravo. — Limpei meu rosto. — Além do mais, se um dia você e Alice se casarem eu serei a madrinha do casamento, é bom que não nos detestemos.
Ele sorriu, olhando para onde Alice estava. Ela e Art falavam juntos ao celular, fazendo o pedido do nosso jantar.
— É bom que Edward me chame para ser padrinho do casamento de vocês — Jasper ameaçou.
— Oh, você não será — foi minha vez de brincar.
— Vai ter volta, Swan! — Ele pegou minha garrafinha de água, eu paralisei ao ouvir o modo que fui chamada. — Merda, foi mal por isso, é que Alice me disse o nome do cara que possivelmente é seu pai e fiquei com o sobrenome na cabeça.
— Não, tudo bem. — Abracei a mim mesma. — Para falar a verdade eu acho que gosto como o sobrenome soa, é delicado. — Dei um mínimo sorriso.
— Bom, eu vou ver o que os dois estão pedindo, eles não se entendem, parecem Rosalie e eu. — Jasper se afastou até sua namorada e Arthur.
Tinha um bloquinho de notas sobre o balcão, convenientemente uma caneta também. Eu os peguei e comecei a rabiscar ali, mas não desenhos.
Isabella Marie Higginbotham Sawyer.
Encarei o nome, para em seguida traçar uma linha sobre ele.
Isabella Marie Higginbotham Sawyer.
Logo abaixo escrevi:
Isabella Marie Swan.
Eu não o risquei, queria me acostumar a ele.
***
Alice e Jasper passaram um bom tempo no apartamento, até que decidiram seguir para o loft onde ele morava para aproveitarem o resto da noite. Arthur continuou no apartamento comigo, enquanto assistíamos um reality show na tv e ele mexia em sua câmera.
Eu já tinha pedido a ele que falasse com donos de galeria que conhecia, o ex líder de torcida tinha prometido falar com eles e me ajudar a buscar por um trabalho. O que eu precisava com urgência, pois não queria que Edward tivesse de gastar dinheiro comigo.
— Você pode ir embora, não precisa ficar de babá, eu vou ficar bem só. — falei para Arthur quando ele bocejou. Eu pelo menos esperava ficar bem sozinha.
— O quê? — Ele me olhou. — Não estou de babá, estou esperando a Rose voltar da boate.
— Hum, ela sabe que você iria espera-la? — indaguei.
— Não. — Arthur riu. — Mas, eu não acho que ela irá reclamar disso. — Ele se levantou, levando sua câmera. — Só que estou com muito sono, vou dormir enquanto ela não chega. — Rumou para o quarto de Rosalie.
Eu apenas desliguei a tv e fui para meu quarto, meu e de Edward. Me livrei das roupas que usava, ficando apenas com uma calcinha e pegando um moletom do meu namorado que parecia bem confortável.
Fiquei rolando na cama por um bom tempo, até que decidi pegar a foto que eu tinha de Charlie, Renée, Elizabeth e do pequeno Edward. Olhando a foto, pensando em mil coisas ao mesmo tempo, foi como por fim adormeci.
Infelizmente não foi um sono tranquilo, aparentemente Edward não era o único sofrendo com pesadelos.
***
Eu estava entrando no meu apartamento, o luxuoso apartamento de Manhattan. Em minhas mãos sacolas e mais sacolas de compras, todas de lojas caras. Parecia feliz, eu me sentia feliz.
Porém, tudo mudou quando escutei o som de dois tiros ecoarem por todo o apartamento silencioso. As sacolas de compras foram atiradas ao chão, então eu corri escada acima, indo até o quarto de Renée.
No momento que cruzei a porta do banheiro, eu a vi. Minha mãe estava caída no chão, já sem vida, cercada por sangue, culpa de um tiro que a acertou em seu peito.
— Não, mãe, não — murmurei em desespero, olhei mais a frente e vi outro corpo. Era Charlie, como Renée ele estava morto e cercado por seu sangue, um tiro em seu peito. — Charlie. — Eu dei um passo em direção a ele e Renée, até que vi que não éramos os únicos no banheiro.
Meu avô estava ali, com uma arma em mãos.
— Você fez isso? — eu consegui perguntar, apontando para os corpos de Renée e Charlie. Todo meu corpo tremia, enquanto eu chorava baixinho, ainda em choque.
— Eu precisei fazer — vovô respondeu, contornando os corpos no chão, um olhar assustador dirigido a mim. — Agora é sua hora. — Ele apontou a arma para mim. — Amo você, mas eu preciso te matar, minha garota...
— Bonequinha!
Abri os olhos em um rompante, respirando com dificuldade. Eu ouvia meu próprio choro e assim como no pesadelo, tremia muito. Senti mãos firmes em meus braços, então percebi Edward junto a mim na cama, seu olhar era preocupado.
— Eu tive um pesadelo —sussurrei, ele assentiu.
— Eu imaginei, você estava chorando quando entrei no quarto. — Ele abriu espaço na cama, fazendo com que eu deitasse em cima dele, me apertando contra si, como eu ainda tremia agradeci por aquilo. — Você quer me contar o que sonhou?
— Não, com certeza não — respondi rapidamente, escondendo meu rosto em seu peito. A imagem de Renée sem vida me assombrava desde o dia da overdose, aquele pesadelo só deixou tudo pior, pois lá ela tinha sido assassinada por meu avô. E tinha Charlie no meio daquela equação também, era sem duvidas um terrível pesadelo.
— Ok, não precisa. — Edward passou sua mão por meus cabelos, deslizando até minhas costas.
Eu funguei, parando de chorar aos poucos. Movi meu rosto para o lado, vendo a fotografia no espaço vago da cama.
— Não sei como não enlouqueci — falei, Edward continuou calado, deixando-me falar. — Na cadeia, foram dias terríveis. As mulheres comigo foram péssimas desde o começo, me ameaçando de coisas que você nem imagina. — Os dedos de Edward apertaram-se contra mim, talvez ele suspeitasse do que eu estava falando. — Eu fiquei com tanto medo lá.
— Você está segura agora, Bonequinha. — Edward ergueu meu rosto, mesmo no escuro do quarto pude ver seus olhos verdes brilhando para mim. — Não vou deixar nada, muito menos ninguém, machucá-la.
Sai de cima dele, peguei a foto e sentei ao seu lado. Edward continuava me olhando, ainda preocupado.
— Eu não tenho como provar minha inocência, Edward — falei, encarando a foto. — Vou ser condenada, será ainda pior do que ficar presa na delegacia, pois serei enviada para um presidio.
— Não, o advogado esta cuidando de tudo, você... — Edward se interrompeu quando voltei meu olhar para ele. — Você não pode ser presa, tá legal? — Ele engoliu em seco, vi lágrimas nos seus olhos. — Não agora!
— Edward...
— Você bagunçou minha cabeça, me fez ficar apaixonado por você, droga — xingou, saindo da cama, arrancando suas roupas. — Depois fez com que eu te amasse. — Seu rosto já estava molhado por suas lágrimas. — Eu não vou aceitar te perder agora, Isabella. Ouviu? Eu não posso te perder agora que te amo. — Ele voltou à cama, tomando meu rosto entre suas mãos. — Já perdi meu pai, Bonequinha, eu morreria se perdesse você.
— Eu não tenho como provar que sou inocente — repeti, soluçando, voltando a chorar. — Se-Seria melhor se a gente acabasse de uma vez — sugeri, mesmo odiando aquela ideia, ainda parecia a melhor para Edward.
— Não!
— Eu não quero te envolver ainda mais nisso.
— Não, Isabella, não!
— Billy Black ainda está solto, ele ainda quer o dinheiro e ameaçou todos a minha volta, aquele filho da puta vai chegar até você, Edward. — Apertei minhas mãos em seus braços. — Eu não posso deixar isso acontecer, e se ele atingir Clarisse? Ela é irmã da minha mãe!
— Ninguém vai fazer nada.
— Olhe para mim, Edward! — ordenei. — Olhe o que Billy Black fez comigo, ele pode fazer pior com você, com Clary.
A verdade era que não estava sentindo apenas medo de Billy, não depois do sonho, nãos depois de saber de tudo sobre meu avô. Marcus Higginbotham tinha prometido voltar por mim, isso estava me assombrando.
— Não vou te deixar, Bella.
— É pra sua segurança.
— Não! — ele gritou, levantando-se da cama novamente. — Eu te deixei sozinha uma vez, naquele maldito pesadelo que não sai da minha cabeça, deixei você queimando sozinha. Não posso fazer isso, entendeu? Eu te amo, não sou capaz de te abandonar agora, você está na minha cabeça, no meu coração, na minha pele. Não, Bella, não. — Edward esfregou o rosto, vermelho por seu choro.
Abaixei o olhar para a foto no meu colo, chorando pensando em como tudo poderia ter sido diferente. Senti Edward voltar à cama, puxando-me para seus braços.
— Não vamos terminar — ele proclamou decidido. — Se você for presa eu te esperarei ser solta. — Eu bufei, a ideia dele era idiota.
— O quê? Você vai parar a sua vida por minha conta, Edward? Não seja idiota, eu não posso pedir isso.
— Não está pedindo, eu estou falando o que farei.
Passei a foto para ele, que a pegou e analisou.
— Teria sido bem diferente, né?
— Sim — respondi sua pergunta. — Teríamos crescido juntos. — Apoiei meu rosto no seu ombro, nu, já que ele tinha ficado apenas em sua cueca. — Provavelmente seriamos melhores amigos, ou algo assim.
— Você teria conhecido o papai. — Sorri, beijando sua pele.
— Você não teria sido tão difícil — acrescentei, Edward riu, depositando um beijo na minha cabeça.
— Eu teria sido sua primeira transa.
— Oh, tão romântico.
— Bom, comparado ao que minha primeira transa foi, com certeza seria. — Ele me olhou com um sorriso travesso no rosto.
— Não quero ouvir sobre isso.
— Não estava pensando em contar. — Ele beijou minha cabeça novamente. — Eu fui um bebê lindo, não fui? — Se gabou, eu ri, recobrando a foto.
— Sim, você com certeza foi. Eu estava pensando nisso madrugada passada, em como... — Me calei, sem querer tocar naquele assunto.
— Em como o que? — ele perguntou curioso.
— Nada não.
— Bella — ele gemeu, irritado. — Fale de uma vez.
— Em como seriam nossos bebês — falei bem baixinho. — Um bebê nosso.
Ele piscou, surpreso com minha fala.
— É besteira da minha cabeça, eu tinha muito tempo livre na cadeia — debochei.
Edward se recostou a cama, eu ainda podia sentir seu olhar sobre mim, mas nos dois ficamos calados por um bom tempo. Até que por fim, ele falou primeiro.
— Uma menina? —– perguntou. — Parecida com você. — Um largo sorriso tomou conta da sua face.
— Que amaria sapatos Jimmy Choo — brinquei.
— Que amará — ele me corrigiu.
— Não use o verbo no futuro, Garoto do Brooklyn — pedi triste.
— Você não vê um futuro comigo ao seu lado, Bonequinha?
— Eu vejo, mas também sei que ele não irá se realizar. — Passei a foto para ele. — Você deveria me tirar da sua vida, nesse exato momento.
— Não vai acontecer, Bonequinha. — Edward colocou a foto na mesinha ao lado da cama. — Eu te amo. —– Beijou meus lábios por um segundo. — Eu não a perderei, não seremos como Renée e Charlie. — Sufoquei o choro dentro de mim. — Nem como meus pais. — Ele me beijou novamente. — Nada vai nos separar.
Eu podia dar a ele uma lista de coisas e pessoas que poderiam nos separar, mas não disse nada. No lugar disso, eu o beijei.
***
Na manhã seguinte, depois de tomarmos café com Arthur e Rosalie — que realmente não parecia irritada pelo fotografo ter se estabelecido no quarto dela na noite anterior —, Edward e eu fomos para Manhattan visitar minha mãe. Pegamos o metro, já que eu não tinha mais como sustentar viagens de taxi e eu tive de adquirir um novo MetroCard, uma vez que o anterior estava no meu antigo apartamento, junto com todos meus outros pertences. Como eu não tinha dinheiro, Edward arcou com tudo aquilo.
Ao menos aquela viagem foi fácil, eu já estava mais acostumada ao metro. Ainda assim, parecia que todos podiam me reconhecer dos jornais e eu sentia os olhares julgadores sobre mim, mesmo que Edward insistindo que era coisa da minha cabeça.
— Ai estão vocês! — Esme comemorou quando viu Edward e eu chegando ao andar da UTI, nós a cumprimentamos rapidamente. — Sua mãe vai adorar te ver — falou para mim, abraçando-me pela segunda vez.
— Eu estou louca para vê-la, mas antes tenho que te perguntar algo — comecei a falar. — Sobre... — Parei de falar, sem ter coragem de ir em frente.
— Charlie — Edward completou minha fala, Esme assentiu em compreensão.
— Carlisle e eu falamos sobre isso — Esme disse. –– Nós podemos chamar por uma psicóloga do hospital e ajudar a contar para Renée.
— Então, você acha que ela deve saber? — indaguei.
— Sabe que sim, Bella. — Esme afagou meu braço. — Quer que eu chame pela psicóloga?
— Não — neguei. — Minha mãe está acordada?
— Está sim.
— Eu preciso de um tempo sozinha com ela. — Me voltei para Edward. — Me dá uns minutos? Acho que quero fazer isso só.
— Tome o tempo que precisar, mas chame se precisar de algo.
Eu o beijei, mas logo fui me preparar para ir até o quarto de Renée. Uma enfermeira estava lá com ela, ajudando Renée a ficar sentada, na verdade inclinando a cama para deixar as costas da minha mãe como se ela estivesse sentada sustentando-se sozinha.
Quando me viu, Renée sorriu. Eu sorri de volta, indo com pressa até ela. Estava com tantas saudades da minha mãe, muitas.
— Oi, mamãe! — Beijei o topo da sua cabeça.
— Vou deixar vocês sozinhas — a enfermeira disse com simpatia. — As sessões de fisioterapia dela e fono já aconteceram, vocês tem o resto do dia livre.
— Obrigada — agradeci, deixando a mulher ir. — Como você está? — perguntei para minha mãe, nossas mãos estavam entrelaçadas.
— Bem — ela conseguiu falar, fazendo com que eu risse ao ouvi-la conseguir falar de forma tão clara.
— Você está progredindo. — Beijei sua cabeça outra vez.
— Bel. — Ela ergueu sua mão, tocando no colar no meu pescoço. — Char.
— Charlie, eu sei. — Renée arregalou um pouco os olhos. — Está tudo bem, mamãe. — Sentei na beirada da sua cama hospitalar.
— On... — Ela respirou fundo, mexendo a boca, até conseguir falar novamente. — Onde... — Apontou para mim.
— Onde eu estive? — Ela assentiu. — Resolvendo problemas — falei, sem querer falar da prisão para ela. — Mas, não se preocupe.
— Seu. — Ela parecia muito irritada por ter de se esforçar tanto para falar. — Avô.
— Não sei onde ele está — fui sincera. — Mas, agora sei que você estava certa, sei que eu não devo mais confiar nele. — Os olhos de Renée se enceram de lágrimas, ela voltou a tocar em minha mão, a apertando com toda sua força.
— Desc...Desculpe.
— Não precisa se desculpar por nada, Renée. — Limpei seu rosto, ela negou. — Sério, eu estou bem — insisti. — Estou morando com Edward.
Ela me olhou surpresa.
— Sei que é cedo, para nosso relacionamento, mas eu me sinto segura com ele no Brooklyn.
Renée sorriu, traçando um coração na palma da minha mão.
— Broo...
— Oh sim, eu sei que você gosta do Brooklyn, dona Renée. — Ela sorriu mais um pouco. — Também gosto, agora. — Remexi no bolso da calça que eu usava, tirando a fotografia lá de dentro, a desdobrei e a virei para Renée.
Minha mãe arfou, olhando-me assombrada.
— Charlie Swan é meu pai, não é?
— Sim — ela conseguiu falar de primeira.
Olhei para a foto também, para a figura de Charlie Swan nela. Ele era meu pai, eu era uma Swan.
— Char — Renée voltou a falar. — Mor...Morto. — Mais lagrimas deslizaram por seu rosto.
— Mamãe, Charlie Swan não morreu. — Renée ficou mais pálida do que já estava quando me ouviu dizer aquilo. — Respire — pedi, ela fez o que eu disse, mesmo ainda parecendo em choque. — Eu presumo quem disse a você que Charlie estava morto, mas não, ele está vivo e saudável. — Renée voltou a olhar a foto, depois para mim, a boca levemente aberta. —– Eu o conheci ontem, ele está em New York.
— Vi... — Renée resmungou. — Vivo! — conseguiu exclamar, sorrindo.
— Vivo, mamãe — confirmei. — Ele está vivo, no Brooklyn e ainda ama você.
— Oh! — Renée explodiu em um choro, esticando uma mão para meu rosto, o tocando. — Seu...pai.
— Meu pai. — Beijei a mão dela. — Ele pode vir te ver?
Renée assentiu, sorrindo entre suas lágrimas. O monitor mostrando seus batimentos mostravam o quão agitada ela estava, mas eu sabia que ela ficaria bem.
— Certo, eu vou pedir ao seu genro fazer uma ligação. — A abracei, antes de me afastar e sair do quarto. Edward estava do lado de fora, parecendo ansioso. — Garoto do Brooklyn?
— Eu devo chamar um enfermeiro? Ou Esme? — indagou apreensivo.
— Ela está bem. — Ele respirou aliviado. — Mas, preciso que você faça uma ligação, para meu pai. — Edward sorriu, eu revirei os olhos, sem querer fazer uma grande cena sobre aquilo. — Peça para ele vir ver Renée.
— Pode deixar, eu ligarei. — Edward tirou seu celular do bolso, já discando os números, voltei para o quarto junto de mamãe, que continuava em estado de êxtase com a noticia recebida.
Não muito depois Edward entrou no quarto, Renée sorriu para ele, o chamando com a mão. Ele foi até ela, lhe dando um grande abraço.
— Charlie está vindo — anunciou.
— Ok — eu murmurei, morrendo de ansiedade sobre aquilo.
— Renée — Edward falou com ela. — Bella e eu te daremos netos. — Mamãe arfou e eu quis bater naquele idiota. — Algum dia, não agora — ele emendou, sorrindo dela para mim. — Serão lindos bebês, não?
— Sim — Renée disse, toda feliz, recebendo mais um abraço de Edward e sorrindo para mim.
Eu queria que aquilo fosse verdade, mas já não sabia nada sobre meu futuro.
A hora seguinte, enquanto esperávamos por Charlie chegar do Brooklyn, pareceu durar uma eternidade. Eu tentava conversar com mamãe, mas tudo que realmente conseguia fazer era andar de um lado para o outro do quarto, nervosa demais. Ao menos Edward estava ali e podia distrai-la, claro que ele precisava ser cuidadoso sobre o que conversavam, não falar sobre minha prisão, sobre todo o caos que estava acontecendo fora daquele quarto, sobre Clarisse.
Mamãe não podia receber tantas informações sérias de uma única vez, precisávamos ir com calma. Eu não queria que ela piorasse, eu só queria a ver melhor. Não sabia o que seria de mim, mas esperava que ela pudesse ter um pouco de calma em seu futuro.
Uma batida na porta chamou nossa atenção, enquanto Edward falava com mamãe sobre a primeira vez que ele tocou em um show, como vomitou antes e depois daquele por estar tão nervoso. Todos se calaram, eu fui até a porta a abrindo um pouco e vendo Charlie lá fora.
Ele parecia tão ansioso quanto eu, naquela manhã usava roupas semelhantes ao do dia anterior.
— Oi — sussurrou, dando um pequeno sorriso para mim.
Eu sai do quarto, fechando a porta atrás de mim.
— Se você sumir da vida dela de novo, eu juro que nunca irei te perdoar, Charlie — aleguei, ele concordou.
— Não, eu nunca mais vou desaparecer da vida de Renée, Bella — prometeu. — Nem da sua.
— Eu não ligo, não te conhecia até ontem. — O rosto dele foi dominado por uma expressão triste. — Mas, quero seu sobrenome. — Charlie ficou significativamente surpreso com o que ouviu. — É meu por direito, não? — Sorri. — Além do mais, Isabella Swan tem uma boa sonoridade.
Charlie riu, os olhos castanhos que eu tinha herdado brilharam.
— O sobrenome é todo seu, filha.
— Eu tenho de me acostumar a isso — confidenciei, girando a maçaneta da porta do quarto. — Vá em frente, eu acho que você esperou muito tempo por esse reencontro.
— Você nem imagina.
Eu abri a porta, deixando com que ele entrasse. Edward estava em pé, junto a cama de mamãe. Ela voltou a chorar, muito quando viu Charlie, tentou se mexer e sair da cama, mas Edward não permitiu. No lugar dela correndo para Charlie, o homem fez aquilo.
Logo ele tinha Renée em seus braços, os dois chorando de forma que antes me irritaria, mas depois de tudo que eu tinha passado não me incomodou nem um pouco. Mamãe balbuciava e gaguejava palavras para Charlie, enquanto ele dizia o quanto a amava e pedia desculpas por não ter ido até ela antes.
Eu estava com os olhos tão focados nos dois, que nem reparei Edward os deixando e indo até mim. Apenas notei quando senti sua mão na minha, eu suspirei, apoiando minha cabeça em seu ombro.
— Bonequinha, você não vai me deixar, vai?
— E quem seria a mãe dos seus futuros lindos bebês? — Edward riu, virando meu rosto na direção do seu. — Não — respondi. — Eu não vou deixá-lo, não é um jogo.
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