Sob minha Pele

14 Capítulo Treze


Notas iniciais
Capítulo fora de hora, mas precisava postar ele logo...Ele é dedicado a fofa da alexa1981 que recomendou, MUITO obrigada pela recomendação ♥ Boa leitura!

— Capítulo Treze —

— Bella —

Renée permaneceu em casa na noite do noivado, um decreto do meu avô para garantir que o jantar fosse perfeito sem a alcoólatra da minha mãe para atrapalhá-lo. Ela não ofereceu resistência, sequer a mim tentando pedir novamente que eu repensasse o casamento com Jacob.

Não que se ela tivesse falado outra vez, eu teria pensado mais sobre aquilo. Estava completamente fora de questão, eu tinha de casar com Jacob Black, não era um desejo me unir a ele pela besteira de um casamento de contos de fadas, mas pelo dinheiro. Eu já era grande o suficiente sozinha, mas poderia derrubar limites unindo-me ao Black. Além do mais, meu avô queria aquilo, sempre quis, não poderia decepcioná-lo, eu iria me tornar a noiva de Jacob, aquilo era o certo para todos nós.

— Linda como sempre, querida! — Vovô exclamou quando me uni a ele no primeiro andar do apartamento, ele já estava em um de seus tantos ternos Armani, exalando poder.

Naquela noite, optei por um vestido salmão, ele ia até meus joelhos em uma saia rodada parecida com as roupas da década de cinquenta, sem decote profundo e com alças grosas. Meu visual se completava com uma maquiagem bem feita, saltos altos e joias Tiffany, o que me fez pensar no filme de Audrey Hepburn e em Edward, o que me deixou mais abalada do que o previsto.

Não devia pensar no vocalista da The Dragons, não aquela noite. Eu não o queria em minha mente enquanto estava prestes a oficializar tudo sobre o noivado, não gostava da ideia de colocá-lo na mesma linha de pensamento que Jacob, eles não pertenciam ao mesmo lugar.

— Que bom que gostou. — Sorri para vovô. — Tem certeza de que não devemos levar Renée? — perguntei a ele. Ela estava em seu quarto, provavelmente já caída de bêbada, pensei em ir checá-la antes de sair, certificar-me de que ela não precisava de nada, mas ao mesmo tempo em que parte de mim queria fazer aquilo, a outra recusava-se a se preocupar com Renée.

— Não, ela só nos daria trabalho — vovô respondeu. — Essa noite é muito importante, para nós dois, Isabella, ela deve ser perfeita. — Ele tocou em meu queixo, erguendo meu rosto. — Sua mãe tem nosso nome e nosso sangue, minha cara, mas ela não sabe honrá-lo. Deixe-me cuidar de você, eu sei o que é melhor para sua vida, sempre soube, confie em mim. — Assenti, sabendo que ele estava certo quanto aquilo, ele era o único ao meu lado sempre, meu pai tinha me deixado para trás em New York quando foi para a Austrália, Renée tornou-se apenas uma alcoólatra, porém, eu tinha vovô ao meu lado, era a única família com quem me importava. — Pense em como esse noivado será lucrativo, certo?

— Claro, eu penso muito nisso — garanti. — Sei que em alguns anos Jacob estará na Casa Branca e estarei lá junto a ele.

Vovô sorriu, assentindo.

— Isso, continue pensando alto, foi como lhe criei. Você estará com Jacob na Casa Branca e nossos negócios se tornarão ainda maiores por isso, tão grandes que nós nem teremos como saber quanto dinheiro possuímos. — Ele piscou para mim, fazendo com que eu sorrisse triunfante, imaginando-me cada vez mais no topo, nem o céu seria capaz de me deter. — Quanto a Renée, Bella, nós não precisamos dela, entendeu? — O sorriso sumiu do meu rosto, mas me vi concordando com um aceno de cabeça. — Nós somos a realeza aqui, Renée não passa de um simples peão. Ela é descartável, o que importa aqui é o que você e eu fazemos e faremos por essa família e seus negócios.

— Talvez, é só uma ideia — comecei a falar hesitante. — Nós devêssemos mandá-la para uma clínica de reabilitação — disse por fim, pensando na sugestão de Edward alguns dias antes.

Vovô encarou-me, claramente nada contente com o que falei. Eu senti-me estúpida por aquilo, o que diabos tinha em mente a sugerir algo que Edward sugeriu antes? Era como afirmar que ele possuía a razão, coisa que não possuía, ele não conhecia Renée, não sabia que ela não tinha mais volta.

— Não vamos perder tempo com Renée, Isabella! — Foi tudo que vovô falou, em um tom ríspido. — Não se esqueça de tudo que falei, o importante aqui é preservarmos coisas de fato relevantes. Colocar Renée em uma dessas clínicas estúpidas seria um gasto desnecessário, já lhe disse mil vezes, ela é uma alcoólatra causadora de problemas como a mãe dela foi, isso não pode ser reparado. Mas, não se preocupe, você terá um futuro brilhante que planejo desde que nasceu, nada irá arruinar isso, Isabella. Sua avó foi fraca, sua mãe é, entretanto você será grandiosa, me ouviu? — Assenti. — Repita, repita que fará tudo para ser grandiosa!

— Eu farei tudo para ser grandiosa — repeti, vendo Renée no alto da escada ela parecia estar vendo uma assombração ao olhar para a gente, vovô seguiu meu olhar, um sorriso debochado infiltrando-se no rosto dele.

— Você consegue ver, Renée? Isabella será tudo que você podia ter sido, ela é a única coisa boa que fez em sua inútil vida. — Ele riu, Renée encolheu-se dentro do roupão que usava, seus olhos focados em mim. — Vamos, minha garota preferida. — Vovô segurou em minha mão, puxando-me em direção à saída do apartamento. — Temos um noivado para planejar.

Olhei uma última vez para Renée antes de sair, desejando pela primeira vez ficar com ela, não seguir junto a vovô.

***

Jacob morava sozinho em um apartamento que ganhou do pai assim que se formou no colegial, mas o jantar daquela noite aconteceria na casa dos Black. Como William, mais conhecido como Billy, o pai de Jake, passava muito tempo com a esposa em Washignton D.C, a casa deles em Manhattan era quase inutilizada, eu já estava convencendo meu namorado a pedir aquela casa para Billy, eu queria reformá-la e fazer dela minha assim que casasse, talvez fosse um assunto a ser discutido naquele jantar.

Sarah, a mãe de Jacob, nos recebeu aquela noite. Ela era uma mulher de expressão rígida, isso graças a todo botox que usava para não aparentar ser tão velha quanto realmente era. Isso era algo que ela conseguia, não parecia velha, mas parecia horrorosa com todas as plásticas em excesso. Billy devia ter pelo menos uma amante para cada dia da semana, eu teria se Sarah fosse minha esposa.

— Marcus, há quanto tempo não nos vemos, Higginbotham! — Billy exclamou, indo cumprimentar meu avô, enquanto Jacob ia até mim.

— Olá! — Forcei um sorriso para ele, segurando na gola de sua camisa social, puxando-o para mim com o intuito de beijá-lo.

Era um beijo frio, no instante que a boca de Jacob tocou a minha senti vontade de repulsá-lo e cuspir, mas não poderia fazer aquilo. Desviei a mente de quem realmente estava ali comigo, imaginando que no lugar do Black, Edward finalmente me beijava.

Imaginei como os seus lábios deveriam ser macios, como seria prazeroso ter suas mãos em minhas costas, puxando-me para ele, fazendo com que nossos corpos se chocassem. Pensei em entrelaçar meus dedos em seu cabelo, enquanto Edward morderia meu lábio inferior. Eu estaria inebriada por seu perfume, querendo mais e mais dele.

Deus, eu queria tanto tê-lo. Ao menos por uma única noite, só precisava disso.

— Parece que as crianças estão animadas com o noivado. — Ouvi a voz de Billy, o que imediatamente me arrastou de volta a realidade. Os lábios voltaram a ser os secos de Jacob, suas mãos não eram as mãos que eu queria e definitivamente Edward não cheirava a cigarro como meu namorado, quase noivo, cheirava aquela noite. Odiava quando Jacob fumava — um hábito que estava tornando-se mais comum — e ficava perto de mim, por tabela sempre ficava com aquele cheiro entranhado nas minhas roupas.

— Estou tão animada que finalmente começaremos a pensar no noivado e no casamento! — Sarah exclamou contente, mas seu rosto era uma máscara de apenas uma face, tornando-se impossível que ela sorrisse muito.

— Todos estamos, Sarah — vovô disse, já sentado em uma das poltronas da sala. — Será um grande dia para todos nós.

— Mal posso esperar por isso — Jacob falou, sua mão deslizando pelas minhas costas, quase chegando a minha bunda, me fez afastar-me dele e tomar um lugar para sentar também. — O que deseja beber, senhor Higginbotham? — perguntou a vovô.

— Uísque, Jacob, temos de comemorar em grande estilo essa noite, não?

— Com toda certeza — Billy concordou rindo, com um copo de uísque em mãos, ele já estava levemente embriagado aquela altura.

— Vai querer beber algo? — Jacob perguntou a mim.

— Não — murmurei, sentido meu estômago embrulhado, o que não melhoraria com bebida alguma.

— Ela vai querer uma taça de vinho — vovô disse para Jacob. — Tinto — acrescentou, voltando-se para Billy. — Eu estarei viajando para Dubai amanhã, então o máximo que pudermos definir hoje, será ótimo para mim, não posso deixar Bella por conta própria, ela ainda precisa de um pulso firme a ajudando a escolher algumas coisas.

— O senhor vai para Dubai amanhã? — perguntei, sem ter a mínima ideia de que ele iria fazer mais uma viagem. — Acabou de voltar, não pensei que viajaria novamente tão rápido.

— Negócios — disse simplesmente, pegando o copo que Jacob lhe estendeu e a taça com meu vinho entregando-a mim. — Beba um pouco, querida, você parece tensa.

Peguei a taça, tomando um gole do vinho ali. Eu detestei, a vontade de colocar aquilo para fora foi instantânea, mas continuei a me forçar a beber, esperando que aquilo realmente pudesse contornar a tensão que sentia, não era como se fosse acabar como Renée com uma taça em uma única noite.

— Eu estive pensando em uma data para o noivado, vinte e sete de agosto — Sarah disse, fazendo com que eu a encarasse. Aquilo seria dali a três meses, só três meses, era mais rápido do que o esperado, mais rápido do que eu queria. — Teremos tempo suficiente para planejar uma festa deslumbrante, como chamaremos a atenção para a candidatura de Billy, isso irá fazer todos verem como estamos comprometidos com a entidade familiar.

— Nós contaremos com a presença até do presidente — Billy emendou, vi o sorriso triunfante de Jacob a ouvir aquilo.

— Nada mais justo, já que em alguns anos Jacob será o futuro presidente — vovô disse. — Ouviu, Bella? Eu disse que seu noivado seria uma grande festa.

Não falei nada, apenas assenti, bebendo mais um pouco.

— O casamento deve ocorrer em um ano, um ano e meio no máximo — Sarah continuou. — Em uma grande igreja, é importante para os eleitores de Billy.

— Foda-se a porra da igreja! — Billy cuspiu, gargalhando, bem mais bêbado do que antes. — Só quero que os malditos eleitores acreditem que somos religiosos e que eles podem confiar na gente. Jacob, Isabella, não importa o que façam dentro de casa, contato que fora dela vocês garantam que todos os vejam como santos, é o que os conduzirá a Casa Branca.

Todos, inclusive eu, riram daquilo.

***

O jantar se baseou em pensar de modo geral sobre a festa de noivado, o local onde aconteceria, quem seria convidado e tudo isso. Billy estava pouco se importando para isso, Jacob estava mais preocupado em comer, então Sarah, meu avô e eu estávamos pensando em todos os detalhes.

Eu não estava tão animada sobre aquilo como imaginava que ficaria, toda vez que olhava Jacob sentado ao meu lado e pensava que era com ele que eu teria de casar, bebia mais um pouco de vinho, na tentativa de aplacar os pensamentos confusos em minha cabeça. Jacob era bonito, transava bem, mas eu já estava cansada dele, talvez Billy não fosse o único com amantes, eu precisaria de um amante para cada dia depois do casamento, com toda certeza.

— Jacob, vá pegar o anel de noivado, vamos ver como ficará em Bella — Sarah ordenou ao filho depois do jantar, quando voltamos a sala de estar, que imediatamente deixou o local para buscar o anel. — Você ainda não poderá ficar com o anel, ou as pessoas descobrirão antes da hora sobre o noivado — Sarah falou para mim. — Mas, vamos ver se ele não precisa de um ajuste, ou qualquer coisa assim. — Ela pegou a caixinha de veludo que Jacob trouxe consigo. — Aqui está! — mostrou o anel para todos, ele me parecia familiar de alguma forma. — É de um design de joias alemão, eu pedi que ele se inspirasse no anel de noivado de Elizabeth Taylor — contou.

— Tem trinta e cinco quilates, dois a mais do que o de Elizabeth Taylor tinha — Jacob disse, pegando a joia, colocando-a em mim, ele era pesado e brilhante, o diamante era imenso. — Quanto custou mesmo, mãe?

— Cerca de trinta milhões. — Sara mexeu minha mão de um lado para o outro, o anel refletindo a luz ali. — Deixe-me tirar uma foto, para que você possa babar nele até agosto quando poderá o usar para sempre, Isabella. — Ela pegou meu celular.

Jacob me colocou de pé, então em uma pose para a foto. Eu sorri, mas estava terrivelmente enjoada por tanto vinho que bebi.

— Perfeito! — vovô exclamou olhando para Jacob e eu. — Não se sente, grandiosa, Isabella?

— Sim — respondi, olhando mais uma vez para o anel em minha mão. Trinta milhões, aquilo era de fato grande. — O anel é magnífico, com certeza muito mais bonito do que o de Elizabeth Taylor foi um dia.

Devolvi o anel para Sarah, pegando meu celular, evitando ver a foto ali.

— Eu tenho de ir agora, meu voo será pela manhã e ainda tenho de por alguns negócios em ordem aqui em New York — vovô falou. — Não, você pode ir passar a noite com Jacob, Isabella — ele disse para mim quando comecei a me mexer para acompanhá-lo. — Agrade seu noivo um pouco esta noite, minha querida — sussurrou para mim, beijando minha bochecha. — Eu trarei presentes de Dubai quando voltar de viagem — prometeu.

Então, ele saiu após se despedir de todos. Não muito tempo depois, Jacob e eu saímos também, com ele bêbado e eu também, tivemos de ser levados para o apartamento pelo motorista de Billy, já que nenhum de nós dois conseguiria dirigir sem acabar em um acidente.

— Você está fodidamente gostosa hoje, Bella — ele disse, me colocando contra a parede no momento que entramos no apartamento, suas mãos estavam sobre meus seios e sua boca foi de encontro a minha.

— Não — pedi, sentindo-me mais enjoada do que antes.

— Nós temos de comemorar — ele abriu meu vestido, descendo os beijos para meu colo.

— Jacob, não! — gritei, o afastando com o resto de forças em mim aquele dia. — Eu não estou me sentido bem — falei, recolocando meu vestido e indo para o banheiro de visitas, vomitando no momento que alcancei o vaso.

— Que merda toda é essa? — ele reclamou da porta.

— Eu bebi muito — sussurrei, vomitando mais em seguida.

— Que bosta! — Jacob reclamou. — Durma no quarto de hospedes, não quero alguém fedendo a vômito na minha cama. — Ele se afastou, batendo a porta a sair.

Deixei o apartamento de Jacob na manhã seguinte antes mesmo que ele acordasse, eu ainda me sentia péssima por conta da bebida e por mal ter dormido aquela noite. Quando cheguei ao meu apartamento Sue — uma das empregadas — informou que meu avô já tinha viajado e que Renée estava no seu quarto dormindo.

Eu estava exausta, então fui para meu próprio quarto tentar dormir um pouco. As horas iam passando e não conseguia pegar no sono, como sequer tive vontade de sair de lá para comer qualquer coisa, temendo voltar a passar mal.

Jacob mandou uma mensagem em algum momento do dia informando que iria sair com Paul e James aquela noite, eu temi por aquilo, mas estava me sentindo indisposta demais para ir atrás dele e impedi-lo de ir confraternizar com Paul. Alice não só mandou mensagens, como ligou, mas ignorei as ligações, sem querer falar com ela, mas as mensagens não passaram despercebidas.

Alice: Jasper vai tocar hoje, o que acha de ir à boate comigo assistir? Prometo não forçá-la a usar coturnos :p

Alice: Bella?

Alice: Okay, acho que sua falta de respostas pode ser considerado um não. Falo com você depois!

No meio da noite, enquanto eu mexia no meu celular sem realmente parar para ver algo, me deparei com uma atualização de Alice no Instagram. Era uma foto dela com Jasper na boate, os dois se olhavam e a legenda continha o trecho de uma música que eu não reconheci, mas dizia: Há algo em seus olhos, é amor à primeira vista?*

Ainda assim, o que mais chamou minha atenção na foto foi quem estava atrás de Jasper e Alice, na verdade, as duas pessoas ao fundo da imagem. Uma garota e Edward, eles se beijavam. Aquilo me incomodou profundamente, fazendo com que eu desligasse o celular.

Minha cabeça doía muito, meu corpo parecia estar sob um peso de uma tonelada e queria chorar. Nunca mais beberia, aquela merda tinha acabado com meu corpo e cabeça.

Sentei em minha cama, jogando o celular sobre o criado mudo ao lado. Vendo ali uma foto minha com Renée, eu tinha uns cinco anos de idade e ela carregava-me no colo, nós estávamos na galeria que um dia ela teve, durou menos de um ano, os negócios não deram certo e vovô fez com que ela desativasse o local. Nós duas sorriamos naquela foto, Renée olhava para mim e parecia muito feliz, o que fez com que meu coração entrasse na roda de dor aquela noite.

Sem pensar muito, eu deixei meu quarto, cruzando o corredor até o quarto de Renée. O local estava completamente escuro, fedia a álcool e estava mais frio do que o necessário.

Ao ouvir o barulho da porta, Renée se mexeu, saindo debaixo das cobertas. Fui até ela, olhando diretamente para ela, sem conseguir ver muito graças a falta de iluminação.

Renée abriu espaço para mim em sua cama, deixando-me deitar ao seu lado. Ela me abraçou, algo que não fazia tinha tempo demais, algo que eu não permitia que ela fizesse tinha tempo demais. Seu choro logo começou, era baixo, mas ainda assim tinha um tom desesperador. Eu não sabia o que fazer diante aquilo, então apenas me agarrei a ela, apenas estive ali com minha mãe.

— Eu te amo, filha — ela sussurrou, beijando minha testa.

Foi suficiente para afastá-la, evitei seu olhar quando deixei seu quarto. Não podia, nem queria lidar com aquilo, eu não queria saber da besteira que era o amor.

***

No domingo acordei muito mais disposta, eu logo deixei o apartamento, disposta a sair para fazer compras pelo dia inteiro. Mandei mensagens para Alice, chamando-a para me acompanhar, mas ela não me respondeu, provavelmente ainda estava sentindo-se irritada por eu não ter a respondido na noite anterior.

Eu estava na loja da Tiffany, escolhendo algumas joias novas, quando um casal comprando um anel de noivado despertou minha atenção. Imediatamente me lembrei da foto que eu tinha com meu próprio anel de noivado, então decidi a enviar para Alice, com a legenda: Tão animada em ser uma noiva oficialmente, olhe o tamanho desse diamante!

Então, vi minha expressão na foto, eu não parecia nada animada. O que me fez enviar apenas a foto, deixando a legenda de lado.

— Mais alguma coisa, senhorita Higginbotham? — a vendedora perguntou.

— Quero ver mais alguns colares — pedi a ela. — Os mais caros.

Naquela tarde, quando voltei para casa depois da minha maratona de compras, Sue me abordou no momento que entrei em casa.

— Sua mãe não deixou o quarto o dia inteiro, está trancada lá dentro — anunciou. — Ela comeu muito pouco ontem e nada hoje, estou preocupada.

— Que saco — reclamei, deixando as sacolas no chão da sala, ficando apenas com minha bolsa pendura no ombro, indo até o escritório de vovô. Ele guardava ali chaves extras de cada porta do apartamento, peguei a chave do quarto de Renée, indo até lá. — Renée, você precisa ir comer algo! — exclamei, sem vê-la no quarto, procurei no closet, mas ela também não estava ali, então fui até o banheiro, onde finalmente a vi, mas detestando encontrá-la daquela forma. — Mãe! — gritei, atirando-me ao chão do lado dela.

Renée estava desmaiada, respirava com dificuldade e quando a toquei senti que ela estava quente demais. Continuei chamando por ela, cada vez gritando mais, só que ela não respondia, eu senti seu pulso, mas assim como sua respiração ele parecia desregular. Aos seus pés uma garrafa de bebida qualquer e um saquinho com um pó branco, aquilo era cocaína?

— Meu Deus! — Sue gritou ao aparecer ali.

— Ligue para a emergência! — ordenei, percebendo ali as lágrimas em meus olhos deslizando por meu rosto. — Mãe, por favor, acorde — implorei soluçando, afagando seu rosto. — Mãe, eu amo você — falei, o que sempre guardei para mim, o que nunca me permiti dizer por medo. — Mãe, não me deixe, por favor, eu preciso de você.

Olhei para sua mão esquerda, vendo-a junto a ela um pedaço de papel e um colar antigo com um pingente de coração pequeno na ponta. Peguei o papel e o colar os enfiando em minha bolsa, não leria aquilo, não ali, ela não morreria, eu não precisava de uma carta de despedida.

— A ambulância está vindo — ouvi a voz de Sue ao fundo.

— Mãe, você vai ficar bem, ouviu? A ajuda está vindo! — Eu mal conseguia enxergar Renée, meus olhos cegados pelas lágrimas que pareciam presas há anos. Há quanto tempo não me permitia chorar? — Eu amo você, desculpe não ter dito antes. — Beijei seu rosto, sentindo seu corpo parar. — Mãe? — Toquei seu pulso, sem senti-lo. — Mãe, não, não! — gritei, encostando meu ouvido em seu coração, ele não batia. — Não, você não pode morrer! — Comecei a fazer massagem torácica nela, mas eu estava tendo uma crise de choro que me deixava trêmula. — Mamãe.

Senti alguém me afastar dela algum tempo depois, então fui tirada do banheiro. Vi os paramédicos entrando ali, junto com aparelhos hospitalares que antes só tinha visto em filmes e séries, um assumiu meu lugar junto a Renée massageando ao peito dela, enquanto outros dois o ajudavam com tudo.

— Há quanto tempo o coração dela parou? — um perguntou a Sue.

— Cerca de dois minutos — ela respondeu, também chorando.

Dois minutos? Todo aquele tempo tinha se passado? Não!

— Vamos lá!

Um deles começou a dar choques com desfibrilador em Renée, ver seu corpo naquele estado piorou meu choro. Ela estava morrendo, ela não sobreviveria. Por que eu não disse que a amava na noite anterior quando tive oportunidade?

— Estamos a perdendo!

Não.

— Três minutos.

Peguei a carta e o colar em minha bolsa, coloquei o colar em meu pescoço, então desdobrei o papel para poder ler.

“Desculpe-me por isso, Bella, não suportava mais. Eu tentei, ser forte por nós duas nos últimos vinte anos, mas não consigo mais. Isso tudo tem me matado aos poucos, preciso de libertação, de paz. Espero que possa me perdoar um dia por tudo, como espero que consiga libertar-se ainda em vida, não confie em seu avô, eu lhe imploro. Fique com o colar, ele é importante para mim, para nós.

Sempre te amarei.”

— Quatro minutos.

— Mais uma vez.

— Bella? — Sue se virou para mim, eu neguei com a cabeça, devolvendo a carta para minha bolsa.

— Cinco minutos!

— O cérebro dela está morrendo, vamos, pessoal!

— Não, mãe, mãe! — Tentei entrar no banheiro, mas um dos paramédicos me afastou.

— Tire-a daqui! — ordenou para Sue.

— Vamos, Bella, vamos. — Sue me levou para fora do quarto.

Eu cai no chão, agarrando minhas próprias pernas, enquanto chorava como uma garotinha. Minha mãe estava morrendo, o coração dela já tinha parado e o cérebro estava parando, ela não sobreviveria.

— Seis minutos!

Deveria ter a ajudado, enquanto havia tempo. Edward disse aquilo, eu devia ter o ouvido, ele estava certo.

— Oito minutos!

Não, não podia ter passado tanto tempo.

Solucei, pegando o celular em minha bolsa ainda junto de mim, tentando discar o número de Alice e pedir por socorro, mas minhas mãos tremiam demais. Quando por fim consegui ligar, ouvi a contagem continuar.

— Nove minutos!

— Alice, Alice!gritei quando ela atendeu.

— Bella, por Deus, o que houve? — Alice perguntou.

— Minha mãe se matou, Alice, ela morreu — falei, pensando no coração de Renée parado a quase dez minutos. Ela estava morta, eu tinha perdido minha mãe. Uma mãe que desprezei, uma mãe que eu podia ter salvado.

— Sua mãe o que? Não, não! — Alice gritou também.

— É tudo minha culpa, Al. Eu fiz isso, ela se matou porque não a ajudei.

— Dez minutos!

Quem sobreviveria a dez minutos sem o coração batendo e sem respiração?

— Eu tenho de desligar — murmurei, sem saber o que fazer diante aquilo tudo.

— Bella, não desligue!

Desliguei, atirando o celular contra a parede, enquanto gritava alto.

— Mãe!

Senti os braços de Sue ao meu redor, tentei me esquivar deles, mas ela parecia mais forte do que eu naquele momento.

Nunca teria uma segunda chance, nunca poderia fazer diferente entre Renée e eu. Ela tinha ido, sem saber que eu a amava. Toquei no colar em meu pescoço, ela disse que ele era importante para nós duas, mas nunca tinha o visto antes.

Eu te amo, mãe, pensei com força. Se houvesse alma, ou qualquer coisa assim, esperei que ela pudesse ser capaz de saber daquilo, pelo menos uma vez.

— Ela voltou!

Ergui meu rosto, olhando na direção do quarto. Vendo dois dos paramédicos carregando o corpo de Renée em uma maca, ela estava respirando?

— Como assim ela voltou? — Sue perguntou por mim.

— Ela voltou, o coração dela voltou a bater — o paramédico informou.

Ela estava viva? Minha mãe estava viva?

— Mãe? — Fiquei de pé com dificuldade, ela tinha uma bomba de oxigênio em seu rosto, mas o que me fez sorrir foi ver o peito dela subindo e descendo. — Mãe, amo você.

— Nós precisamos levá-la ao hospital imediatamente — o paramédico disse, os outros dois já descendo a escada do apartamento. — O coração dela voltou, mas não sabemos o quão prejudicado o cérebro dela foi, ela ainda corre riscos de morrer.

Não, ela não morreria antes de me ouvir retribuir aquele eu te amo.

Notas finais
SEGURA ESSE PLOT TWIST BRASIL! Não, antes que perguntem, eu não mudei de ideia sobre a morte da Renée, isso tudo já estava planejado, até considerei realmente que ela morresse, mas não ficaria tão bom. Matá-la seria prejudicial não só ao enredo, como ao próprio desenvolvimento da Bella. Sei que um monte de gente ficou triste/raivoso com o final do capítulo passado, mas ele era necessário. Sério, desculpem, mas não me joguem numa fogueira! * Há algo em seus olhos, é amor à primeira vista? Trecho traduzido retirado da música You and I da banda Scorpions. Trecho original: There's something in your eyes, is this love at first sight. Beijos! Lola Royal. 05.02.17