Sob minha Pele
8 Capítulo Sete
Notas iniciais
— Capítulo Sete —
— Bella —
A universidade de Columbia foi meu destino na segunda-feira, após um fim de semana estranho. Entre a ida ao Brooklyn, encontrar Edward no Central Park e Alice sentindo-se poderosa e me mandando embora de sua casa, tudo que queria daqueles dias eram que eles sumissem da minha mente para sempre.
Eu sabia que não demoraria muito até Alice procurar por mim, então não me preocupei com isso. Em alguns dias ela cansaria do instrutor idiota que estava se envolvendo, ai iria voltar até mim, deixando seu conto de fadas patético de lado.
Alice com certeza continuaria sendo só uma garotinha tímida se não tivesse me conhecido, ela sequer tinha amigos até eu a apadrinhar. Óbvio que logo ela voltaria para debaixo da minha proteção, ela não viveria em Manhattan sem que eu estivesse ali a guiando em tudo e ela nunca seria feliz no mundinho barato do instrutor de tênis.
Estava caminhando para minha primeira aula aquela manhã, quando avistei Jacob conversando com James Wright. Vendo James ali, só pude comprovar ainda mais o quanto Alice estava estragando tudo mais ainda para si. James era seu ex-namorado, vindo de uma família nobre da Inglaterra, era o tipo de homem que Alice devia se relacionar.
— Hey, olá Bella! — James exclamou, vendo-me primeiro, uma vez que Jacob estava de costas para mim.
— Olá James — o cumprimentei com um sorriso, o mesmo sorriso que não balançou Edward nem um pouco no sábado, mas que fez James me olhar da exata maneira que eu queria. — Podemos conversar? — perguntei a Jacob, tocando em suas costas musculosas.
— Claro — respondeu, mas sua voz era completamente desinteressada, como se eu estivesse mais animada para conversar com ele, só queria ir para minha aula o quanto antes. — Vejo você depois, James!
— Até depois, Wright. — Pisquei para James, que sorriu maliciosamente para mim. Então, se afastou, sabendo que nem Jacob, muito menos eu, seriamos as pessoas a dar espaço ali, ele que nos desse licença.
— E ai? — Jacob me encarou, seus olhos escuros me fuzilando com raiva. — Vai pedir desculpas por ter feito aquele show na sexta-feira de manhã quando sai com Paul?
— Eu já disse, não gosto de vê-lo envolvido com Paul, Jacob. — Não apenas por não gostar, mas por temer onde aquilo podia parar, se Jacob descobrisse o que Paul e eu tínhamos feito, ele iria ficar maluco. — Ele é uma péssima companhia, Jake — disse de forma doce, enquanto afagava seu rosto e aproximava meu corpo do seu, logo sentindo a mão de Jacob segurar em minha cintura. — Senti sua falta no fim de semana, lindo. — Comecei a beijá-lo, sabendo que aquilo o derrubaria facilmente.
Eu tinha Jacob em minhas mãos, ele tentava se soltar algumas vezes, mas sempre conseguia retomar o controle. Não podia perdê-lo, não seria burra como Alice e trocaria um cara como Jacob por um garoto pobre do Brooklyn. Jacob era de uma família de políticos, assim como meu bisavô um dia tinha sido presidente do país, o avô de Jacob tinha sido.
Agora, o pai dele era um senador e Jacob também entraria para política assim que se formasse em Columbia. Mais alguns anos e seria o presidente, eu estaria lá, ao seu lado, no topo, onde era meu lugar. Meu avô ficaria muito orgulhoso de mim, iria honrar o nome da nossa família, o que Renée não sabia fazer sendo uma alcoólatra que sequer conseguiu manter seu casamento.
— Que tal eu ir dormir no seu apartamento hoje? — sugeri, enquanto ele beijava meu pescoço com urgência, de forma que chegava até ser engraçada. — Sinto sua falta de tantas formas — menti, brincando com meus dedos em seu cabelo.
— Sim, eu quero você — Jacob disse contra minha pele.
Puxei seu rosto para o meu, o beijando mais uma vez. Um beijo que o deixaria pensando em nossa noite pelo resto do dia, um beijo que o faria ver que ele me queria, um beijo que o faria pensar que não podia me perder.
— Tenho de ir para a aula agora, lindo. — Nos afastei após o beijo, a boca dele manchada com meu batom. — Vejo você de noite.
— Você com certeza vai ver. — Jacob sorriu para mim, parecendo deslumbrado com minha imagem diante dele. — Amo você, Bella.
— Também amo você, lindo.
Era uma mentira, obviamente. Não acreditava no amor.
***
Na segunda-feira da semana seguinte, eu estava esperando Jacob perto do meu carro no estacionamento da Universidade, para que pudéssemos sair para almoçar. Estava lá, mandando mensagens para meu avô, que se encontrava em Hong Kong a trabalho desde o começo de maio, quando avistei Alice caminhando pelo estacionamento, indo até mim, com toda a certeza.
Claro, como previsto, uma semana foi o máximo de tempo que ela pode ficar sem mim por perto. Eu queria rir, aquilo era tão óbvio, ela não podia viver sem mim.
Acenei para ela, então o choque tomou conta de mim quando Alice não acenou de volta e simplesmente passou direto por mim, indo até seu carro estacionado perto da minha Ferrari. Ela tinha me esnobado? No meio do estacionamento? Passou por mim como se eu fosse um nada!
— Ei Bella? — Tirei os olhos do carro de Alice que deixava o estacionamento, vendo Jacob se aproximando de mim. — Vamos? Estou com fome — ele resmungou.
— Sim — murmurei, ainda em choque com o que Alice tinha feito.
Aquilo estava errado, eu era a melhor amiga dela, ela precisava de mim.
Jacob e eu logo saímos para almoçar, um restaurante não muito longe da universidade, uma vez que ainda teríamos aulas aquela tarde. Ele se formaria no ano que vem, em ciências políticas, eu me formaria no ano seguinte em artes, por mais que isso irritasse meu pai, que não via sentido algum em minhas pinturas, mas meu avô via e isso era tudo que eu precisava de apoio.
Que se dane meu pai, o grande embaixador dos Estados Unidos na Austrália, eu tinha meu avô ao meu lado. Além do mais, não era como se eu fosse viver de artes, isso era apenas um hobby, eu logo estaria junto a Jacob no cenário político, não precisava de um diploma em ciências políticas para isso.
— Você não tem falado com Alice? — Jacob perguntou, enquanto eu revirava a comida em meu prato, sem fome alguma. — O que aconteceu?
— Alice está sendo idiota, apenas isso. — Dei de ombros. — Ela retomará sua cabeça em breve — garanti. — Você sabe, Alice precisa de mim para tudo. — Forcei uma risada, pois tinha sido estranho demais ter visto Alice passar por mim como se eu não existisse.
— James está ficando com Victoria Gilbert, se Alice ainda o quiser é bom que ela se apresse. Sabemos como a Gilbert é rápida.
— A Gilbert não se compara a Alice, Jacob. Por favor, Alice é uma Cullen — afirmei.
— Isabella?
Eu me virei ao ouvir chamarem meu nome, vendo uma das minhas professoras de Columbia próxima a mesa que estávamos. Era Carmen Denali, além de minha professora, tinha estudado com Renée quando no passado minha mãe também se formou em artes pela Universidade que eu frequentava.
— Senhora Denali! — Coloquei um grande sorriso no rosto, mesmo que tudo que eu menos quisesse naquele momento fosse sorrir, minha cabeça estava explodindo. — Olá, é bom vê-la fora da Universidade — falei, levantando-me, cumprimentando-a com um aperto de mão. — Conhece Jacob, não? Ele é filho do Senador Black. — Gesticulei para Jacob, que já tinha se colocado de pé também e cumprimentou Carmen.
— Claro que conheço, eu com certeza votarei no seu pai este ano para que ele permaneça no senado — Carmen disse para ele.
— Isso é maravilhoso, sabemos que meu pai é o homem certo para nos representar — Jacob disse polidamente, Carmen assentiu sorrindo demasiadamente para meu namorado. Ela nem fazia questão de esconder que tinha um grande interesse por homens mais novos, mesmo casada, todos sabiam das aventuras sexuais de Carmen com outros caras, todos mais jovens.
— Isabella, querida, eu tenho um grande convite para você. Iria dizer amanhã em sua aula comigo, mas já que nos encontramos aqui, acho que posso adiantar a surpresa. No próximo sábado oferecerei um jantar em minha casa, onde receberei alguns amigos próximos junto ao meu marido, mas o principal convidado da noite será Santiago Gatti.
Quando ela disse o nome minha boca automaticamente se abriu com a noticia de que eu iria conhecer Santiago Gatti, ele era um grande pintor Argentino. Eu tinha pelo menos três dos quadros dele em casa, era um dos meus artistas contemporâneos favoritos.
— Isso, isso é maravilhoso! — exclamei para Carmen.
— Sabia que ia gostar — ela falou, jogando o cabelo escuro por cima do ombro. — Ele está fazendo uma rápida passagem por New York, antes de seguir viagem para a Tailândia, onde ficará por alguns meses preparando sua próxima coleção e cedeu sua noite de sábado para nos presentear com sua ilustre presença no jantar. Eu gostaria muito que fosse, Isabella — Carmen disse sorridente. — Acredito que há muito que possa aprender com Santiago. — Não perdi o tom dúbio em sua voz, ela com certeza conhecia Santiago muito bem, de todas as formas. — Faço questão que leve sua mãe, há tempos não vejo Renée. — Ela olhou para Jacob. — Também será muito bem vindo ao jantar, senhor Black.
— Aprecio o convite, senhora Denali, mas eu estarei com meus pais em Washington D.C no fim de semana — Jacob informou, então sorriu para mim. — Mas tenho certeza de que Bella irá se sair muito bem no jantar sem mim, eu já a ouvi falando muitas vezes sobre Santiago Gatti, certamente é o pintor favorito dela.
— Então, eu a espero no sábado em minha casa, Isabella.
— Estarei lá — prometi.
— Com sua mãe.
— Claro, com minha mãe. — Forcei mais um sorriso, detestando a ideia de sair com Renée, mesmo que por algumas horas.
***
Eu precisava admitir que sentia falta de Alice, apenas para fins de moda. Era mais fácil para ela lidar com roupas, enquanto eu acabava perdendo tempo, buscando pelas combinações certas. Então, para o sábado, precisei de muito exercício mental para escolher a roupa perfeita para o jantar.
Acabei com um vestido branco de tecido leve, longo, com decote, sem mangas e alças em pedraria. Saltos altos finos, que iriam deixar meus pés doloridos por todo o domingo, mas que valeriam a pena ser usados no sábado. Meus cabelos presos em um coque baixo, com algumas mechas soltas, como uma maquiagem que destacava meus olhos.
Ou, que deviam destacar meus olhos. Tudo caiu por terra quando percebi que estava sem lentes de contato para aquele dia, não me sobrou escolha alguma ao invés de aceitar que precisaria sair com meus estúpidos olhos castanhos a vista. Eu enxergava sem as lentes, muito bem, uma vez que elas eram totalmente para fins estéticos, mas odiava ficar sem elas.
— Você está tão linda, amorzinho! — Eu me sobressaltei ao ouvir Renée, a encarando pelo espelho do meu closet.
Ela usava um vestido preto, que ressaltava a palidez de sua pele, que eu também tinha herdado. Seus cabelos estavam bem arrumados, o que era um milagre. Mas, não era uma novidade ver que ela já segurava um copo com bebida em mãos, mesmo que nem tivéssemos no jantar ainda.
— Preciso que se comporte hoje, Renée — ordenei, enquanto passava o batom nude em meus lábios. — Pessoas importantes estarão lá, Santiago Gatti estará, eu não preciso de você dando vexames hoje.
Ela se aproximou de mim, parando ao meu lado na frente do espelho. Lado a lado nossas semelhanças se destacavam ainda mais, com exceção dos olhos castanhos que eu tinha de aceitar por aquela noite.
— Amo você, filha — falou, afagando meu braço. — Você é tudo para mim, meu amor.
— Vamos embora. — A ignorei, guardei o batom em minha bolsa, seguindo para fora do closet.
O apartamento de Carmen não ficava muito longe, era em um edifício no mesma rua que Alice morava, ainda assim optei por um motorista e carro particular aquela noite. Não seria de bom tom chegar ao jantar de táxi, nem mesmo dirigindo.
— Ah, que bom que vieram! — Carmen exclamou quando entramos em seu apartamento, algumas pessoas já estavam por ali, menos o convidado ilustre da noite.
— Carmen! — Renée exclamou, mais alto do que o necessário, abraçando a conhecida de longa data.
— Renée. — Vi Carmen dar um sorriso amarelo a ela, provavelmente notando que Renée estava fedendo a álcool. — Bella, querida. — O sorriso para mim surgiu fácil. — Santiago ainda não chegou, mas enquanto isso deixe-me apresentá-la a outras pessoas. Renée, sinta-se a vontade — disse para minha mãe, que já tinha uma taça de champanhe em mãos, servida pelo garçom que passou por nós.
Deixei Carmen levar-me para conhecer as outras pessoas ali, o que era ótimo, pois assim eu não precisava ficar colada a Renée. Mas, minha mente estava agitada, louca para conhecer Santiago de uma vez por todas.
Até que ele finalmente chegou. Pelo que eu sabia, Santiago tinha por volta dos trinta e cinco anos de idade, talvez um pouco menos. Era argentino, filho de italianos. Sua pele branca era bronzeada, cabelos castanhos claros, olhos âmbar, não era musculoso, mas era alto e tinha uma presença que enchia a sala.
— Santiago, quero que conheça alguém — Carmen disse a ele, enquanto o conduzia até mim, que segurava uma taça de champanhe de enfeite em minha mão por todo aquele tempo que estava lá. — Essa é Isabella Higginbotham, é minha aluna em Columbia. A melhor delas, devo admitir, é uma excelente artista. — Carmen piscou para mim. — Eu pensei que seria ótimo que os dois se conhecessem.
— Senhorita Higginbotham, é um prazer conhecê-la — Santiago disse, com um forte sotaque latino, tomando minha mão na sua, levando-a até seus lábios. Aquilo fez com que eu pensasse em Edward, o que me pegou de surpresa, não pensava nele espontaneamente, apenas quando pensava em Alice, então em Jasper e por tabela no cara ruivo de cabelos completamente bagunçados de dois sábados anteriores.
— Acredite, senhor Gatti, o prazer é todo meu — falei para Santiago, Carmen já tinha se afastado de nós sorrateiramente.
— Apenas Santiago — ele pediu, ainda com minha mão na sua, a afagando, enquanto seus olhos se mantinham presos nos meus.
— Só se me chamar de Bella — pedi de volta, sorrindo para ele, o vendo me analisar de cima a baixo, seu olhar se prendendo em meu decote por mais tempo do que o necessário.
— Não há duvida alguma que seja bela, minha cara. — Sua mão deixou a minha, percorrendo meu braço com a ponta dos dedos. — Então, é filha de Marcus Higginbotham?
— Neta, na verdade.
— Eu adoraria conhecer seu avô — Santiago falou suavemente. — Soube que ele é um grande patrocinador.
— Ele é sim, mas infelizmente está viajando agora, não deve voltar até junho — expliquei, sabendo muito bem o que ele queria. Mas, também sabia o que eu queria, dois podiam jogar aquele jogo, eu não me importava.
— E é uma artista como eu?
— Não tão boa quanto você, devo reconhecer. Você é um gênio com tintas e pinceis, eu apenas brinco um pouco.
— Gostaria de ver um pouco do seu trabalho. — A mão dele chegou ao meu pescoço. — Quem sabe pintá-la, você certamente é uma excelente visão para se colocar em um quadro, doce Bella. Que tal amanhã? Estou hospedado no Four Seasons.
— Iria adorar...
Interrompi minha fala quando vi Renée, segurando outra de suas muitas bebidas daquela noite em mãos, simplesmente subiu na mesinha de centro da sala de Carmen, balançando-se ao som do Jazz que tocava ali. A olhei alarmada, enquanto todos a encaravam com repulsa por seu show.
Soltei-me de Santiago rapidamente, indo até Renée.
— Desça já daí, Renée! — ordenei entre dentes.
— Vamos, amorzinho, dance comigo! — Renée praticamente gritou, balançando-se ao som da música, totalmente desajeitada graças ao seu estado embriagado.
— Renée, desça — ordenei mais uma vez, sentindo todos nos olharem por conta daquilo.
— Bella, você é tãããão chaaaaata. — Renée cantarolou, pulou da mesa, perdendo o equilíbrio, o que resultou nela indo ao chão e meu vestido manchado pelo Martini que ela tomava, uma vez que sua bebida atingiu-me em cheio.
— M-Meu vestido — gaguejei, vendo o estrago que ela tinha feito. — Por Deus, levante-se, Renée — exigi, estendendo a mão para ela, que segurou no que restava da minha roupa, fazendo com que a pedraria da alça direita se romper, espalhando-se pelo chão.
Rapidamente segurei o vestido, impedindo que as pessoas ali, desde professores da universidade onde eu estudava, a empresários, vissem meu seio exposto.
— Olhe o que você fez — falei para Renée, que estava quase dormindo no chão.
— Filha...
— Levante-se. — A agarrei com a mão livre, puxando-a para cima, sem me importar em procurar pelos sapatos que ela tinha perdido em algum lugar.
Os convidados de Carmen estavam com olhares julgadores, não pude ir contra eles. Renée e seu circo nunca era algo agradável de se ver, não seria nunca.
— Vá embora agora, antes que ela cause mais caos, eu pensei que ela era como a Renée inteligente e divertida que conheci na faculdade, mas com certeza não é — Carmen murmurou para mim em tom rígido. — Isso é uma vergonha, você se constrangeu em frente a Santiago, esqueça-o.
Olhei para Santiago, vendo-o com o pior dos olhares da noite. Levei Renée para fora do apartamento de Carmen imediatamente, a coloquei dentro do carro particular, ordenando ao nosso motorista que ele a levasse para casa e mandasse as empregadas a colocarem na cama.
Eu não queria ir com ela, não conseguia. Estava tão envergonhada e raivosa com tudo aquilo, quis ligar para meu avô e contar tudo, mandá-lo dar um jeito em Renée de uma vez por todas, antes que ela arruinasse minha vida de uma vez. Porém, o apartamento de Alice estava ali, do outro lado da rua, tão perto.
Queria vê-la, Alice era sempre a pessoa a me ajudar quando Renée me enlouquecia. Admiti para mim mesma aquela noite que precisava de Alice, que não era apenas ela que precisava de mim por perto.
Atravessei a rua, meu corpo todo cheio de tensão por conta do estado bagunçado que me encontrava. Meu vestido destruido, meus cabelos se soltando. Era uma visão terrível, algo que Santiago Gatti nunca pintaria.
Não sofri impedimento algum de subir para o apartamento de Alice, o que me acalmou um pouco. Ela pelo menos não tinha vetado minha presença do prédio, isso era bom, queria dizer que ela não estava com tanta raiva assim, não?
Enquanto eu subia, sozinha no elevador, pensei que queria muito que Esme estivesse ali aquela noite. Pois, ela era uma mãe excelente, iria cuidar do estado lastimável que eu me encontrava. Coisa que Renée não fazia, já que ela não era uma mãe, era uma praga em minha vida, desde sempre.
Chutei os saltos dos meus pés, enquanto sem me importar sentava no chão do elevador. Era um longo caminho até a cobertura do prédio e sentia-me sem força alguma. Esfreguei meus olhos, querendo os livrar das lágrimas se acumulando ali, não choraria por Renée, fiz isso por muito tempo enquanto crescia, mas não era mais uma criança, nunca mais iria derramar uma lágrima sequer por ela.
Soltei um suspiro de alivio quando o elevador chegou a cobertura, saltei dele rapidamente, segurando minha bolsa e meus sapatos com uma mão, enquanto mantinha meu vestido no lugar com a outra. Eu fedia a álcool, fedia como Renée.
Toquei a campainha, querendo que Alice surgisse logo e conserta-se aquela bagunça para mim. Porém, não foi Alice, nem Esme, muito menos Carlisle quem abriu a porta, foi Edward.
O que ele estava fazendo ali?
Seu olhar sobre mim era intrigado, parando algum tempo sobre a grande mancha de Martini no meu vestido, até seus olhos fixarem-se nos meus.
— Ei — ele sussurrou, ainda confuso. — Acho que você não é a entregadora de pizza — disse em um tom de brincadeira, eu não acreditei quando me ouvi rindo, pois não era possível que conseguiria rir depois de tudo que aconteceu, principalmente daquela piada idiota.
— Não sou mesmo — sussurrei de volta.
— Bella? — Olhei para trás de Edward, vendo Alice e Jasper surgirem no hall de entrada, o que explicava o que o ruivo estava fazendo ali naquele sábado de noite.
Alice estava muito séria, mas ela tinha certa aflição diante meu estado.
— Desculpe — falei com dificuldade em admitir que fui uma vaca com ela. — Por tudo. — Olhei rapidamente para Jasper ao seu lado, que não parecia contente em me ver. — Eu realmente preciso de você, Al.
Ela respirou fundo, ultrapassou Edward, colocando-me em seus braços.
— Renée? — perguntou baixinho para que apenas eu escutasse.
— Sim — murmurei, escondendo meu rosto no seu pescoço, controlando a vontade gritante de chorar.
— Venha, você precisa de um banho. — Ela me guiou para dentro do apartamento já tão conhecido, para onde eu sempre corria quando Renée sufocava-me. — Meninos, se vocês quiserem ir, eu vou entender — falou para Jasper e Edward.
— Não, eles podem ficar — murmurei para Alice. — Só vou tomar um banho e ir para casa, não interrompa sua noite por mim, Al.
— Nós pedimos pizza, você está com cara que esta com fome, deveria ficar — Alice disse gentilmente.
— Alice...
Aquilo seria demais, ficar ali com Edward e Jasper.
— Você poderia fazer isso por mim, Bella? — Alice perguntou. — Eu realmente preciso acreditar em suas desculpas, ou elas serão invalidas.
Lembrei-me dela pedindo que eu respeitasse Jasper, que eu me desse bem com ele. Olhei para o loiro parado ali junto ao seu amigo, engoli em seco, não achava que Jasper fosse alguém que devia estar com Alice, nunca acharia, mas se eu tinha de aceitá-lo para ter minha amiga de volta, eu faria isso.
— Eu fico — falei para Alice, que abriu um grande sorriso para mim.
— Venha! — Ela praticamente correu até a escada.
Meu olhar se perdeu em Edward uma última vez antes de segui-la. Alice deixou com que eu usasse seu banheiro, depois que joguei meu vestido no lixo, nunca mais querendo vê-lo. Enquanto eu tomava banho, ela estava do outro lado do boxe ouvindo-me narrar o que tinha acontecido, mas não falei sobre estar acertando com Santiago ir transar com ele, Alice iria me repreender por aquilo eternamente.
Ela me deixou só quando foi a hora de eu me vestir, pegando roupas dela. Enfiei-me em um short jeans, regata e nada mais. Era uma noite quente e eu estava tão agitada com tudo que tinha ocorrido, que meu sangue parecia ferver. Não me importei em secar meu cabelo, aquilo levaria uma vida e estava realmente com fome, então desci rapidamente as escadas.
A sala estaria completamente vazia, senão fosse Edward sentado no sofá, encarando a televisão que tinha um filme qualquer pausado. Sobre a mesinha de centro, duas caixas grandes de pizza.
— Onde está Alice? — perguntei a ele, que se virou para me olhar.
— Na cozinha com Jazz, foram buscar por bebidas.
— Claro — concordei, indo sentar no outro sofá, longe de Edward. Encolhendo-me ali, pensando em Renée, eu devia ligar para casa, certificar-me que ela estava bem, mas não conseguia fazer isso.
— Bella? — Pisquei, tirando os olhos da pizza, olhando para Edward. — Você está bem? — ele perguntou sério. — Está meio verde. — Deu um meio sorriso.
— Estou — falei firme, mas minha voz era rouca graças ao choro que estava prendendo desde que tirei Renée do apartamento de Carmen. — Quer dizer, eu provavelmente estou verde porque não comi nada nas últimas seis horas — falei, deixando o sofá, deslizando até o chão, indo de encontro a pizza ali. — Estou morrendo de fome — procurei por garfo e faca na mesinha, mas não tinha nada.
— Aqui. — Edward foi para o chão junto comigo, cortando a pizza com as próprias mãos, estendendo uma fatia para mim, enquanto ficava com a outra. — O que você não sabe comer pizza com a mão, Bonequinha de Luxo?
— Odeio esse apelido — resmunguei, pegando a pizza de sua mão, dando uma grande mordida, deixando escapar um suspiro contente ao sentir finalmente algo em meu estômago.
Edward riu, olhando-me com diversão.
— O quê? — perguntei após engolir.
— Você come como se estivesse gravando um filme pornô, gemendo desse jeito — falou.
— Você é um completo babaca, sabia?— Bufei.
— Não é a primeira a dizer isso. — Deu de ombros, ainda sorrindo.
O ignorei, voltando a comer, fazendo questão de suspirar novamente, vendo-o rir baixinho por aquilo. Senti parte da tensão da noite sair de cima de mim naquele momento, enquanto comia pizza com a mão, sentada no chão, ouvindo a risada de Edward.
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