Sob minha Pele
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
— Capítulo Seis —
— Edward —
Meus pais se conheceram na escola, ele era mais velho, um veterano, quando conheceu minha mãe. Segundo o que ele dizia e o que ela sustentava, eles logo se apaixonaram, o que contribuiu muito para que apenas dois meses depois de namoro, ela se descobrisse grávida.
Como ambos vinham de famílias que passavam por muita necessidade, tiveram de interromper os estudos para cuidar da nova vida pela qual seriam responsáveis. Meu pai arranjou empregos, minha mãe se dedicou exclusivamente a mim nos três primeiros anos, até que começasse a trabalhar também para ajudar na renda da família.
A morte de papai, então, não nos afetou apenas sentimentalmente. Sem o dinheiro que ele trazia para casa de seu emprego, logo mamãe e eu começamos a perceber que estávamos muito perto de precisar até mesmo de ajuda do governo para conseguir nos manter.
Então, eu era capaz de entender, pelo menos um pouco, o porquê de mamãe ter se tornado tão dependente de Richard no começo. Uma vez que ele apareceu na vida dela como um falso príncipe encantado, com dinheiro extra e fazendo milhões de promessas lhe dizendo que ele iria dar uma vida de rainha para ela muito em breve.
Porém, não foi preciso de muito para o príncipe se tornar um sapo. Ele logo mostrou sua verdadeira face, a do cara que só sabia beber, ficar sem empregos e gastar com jogos. E, mamãe já estava presa a ele, algo que nem mesmo eu durante todos aqueles anos consegui desfazer, o nó era firme demais.
Naquele sábado, depois do estranho encontro com Isabella — ou Bella — Higginbotham no Central Park, Clary e eu seguimos até a lanchonete onde nossa mãe trabalhava. Eu realmente precisava que ela pelo menos começasse a pensar em tirar Richard de sua vida e da de Clarisse, minha irmã não precisava crescer por perto de um cara daquele tipo, aquilo ia estragar sua mente para relações sociais no futuro.
— Hey, olhem só quem está aqui! — mamãe exclamou sorrindo ao nos ver entrar na lanchonete, parando junto ao balcão, ela estava atrás deste, arrumando algumas coisas ali.
— Oi mamãe, oi mamãe! — Clary praticamente gritou com empolgação, enquanto eu a sentava em um dos bancos ao redor do balcão.
— Você se divertiu com seu irmão, Clary? — mamãe perguntou a ela, esticando sua mão para afagar o rosto de Clarisse.
— Muito, nós fomos ao Central Park.
— Claro que fomos. — Eu ri, me apoiando no balcão. — Você moraria no Park se fosse possível, é louca por aquele lugar, baixinha.
— Eu conheci a namorada do Eddye, mamãe — Clary disse, mesmo que ela tivesse apenas oito era possível ver como aquela garotinha era ardilosa.
— Ei, você está namorando? — mamãe perguntou surpresa. — Isso é ótimo, você não falou em nenhuma garota desde que terminou com Jéssica ano passado. — Ela olhou ao redor, procurando pela minha ex, que estupidamente eu namorei sendo que ela trabalhava no mesmo local que minha mãe, isso nunca era algo bom já que sempre acabava topando com ela quando não queria.
— Não, não estou namorando — afirmei, o que não significava que eu não estava encontrando uma garota ou outra de vez em quando, só não tinha mais paciência para relacionamentos sérios. Jéssica tinha o desejo de ser tornar uma esposa jovem e eu definitivamente não tinha o desejo de ser um marido antes dos quarenta, afinal até para se casar precisava de um bom dinheiro e eu ainda não possuía isso. — Era apenas uma amiga da nova namorada de Jasper. Na verdade, você deve conhecê-la.
— Ela trabalha ou trabalhou aqui? — mamãe indagou confusa, servindo um copo de suco para Clary e outro para mim.
— Não mesmo. — Eu ri, pensando em Isabella trabalhando naquela lanchonete antiga no Brooklyn. — É Isabella Higginbotham, neta de Marcus Higginbotham da Organização que papai trabalhava.
Mamãe ficou séria, olhando-me atentamente.
— Eu não o quero envolvido com essa gente, filho! — ela disse em um suspiro. — Eles foram terríveis com seu pai.
— Acredite, eu sei. — Sim, eu sabia muito bem que tipo de pessoa baixa aquele pessoal conseguia ser, mesmo estando no topo da pirâmide social.
— Ela é muito bonita — Clary disse inocentemente. — Parecia uma princesa, ela tem olhos tão azuis, são lindos.
— Tome seu suco, Clary — mamãe disse, balançando a cabeça, pegando um pedido pela janela da cozinha, contornando o balcão para levar até a mesa de seu destino.
— Então, eu queria falar com você sobre Richard, mãe. — Comecei, a seguindo pela lanchonete enquanto ela servia uma mesa e ia limpar outra.
— O que tem ele? — ela questionou, enquanto mantinha seus olhos fixos em uma mancha de mostarda na superfície da mesa que limpava.
— Você precisa mandá-lo embora — falei firme. — Por Clary.
Mamãe suspirou, finalmente me olhando desde que mencionei Richard.
— Ele é o pai dela, Edward. E meu marido, eu não posso simplesmente tirá-lo de nossas vidas.
— Ele é um completo atraso de vida, isso é tudo o que ele é — falei entre os dentes. — E você sabe disso. Essa manhã, quando fui buscar Clary, ele já estava bebendo, mal tendo tempo de se recuperar da ressaca pelo dia anterior. Richard quebrou a porra de uma garrafa de cerveja na cozinha, ele provavelmente nem...
— Pare, Edward! — Ela voltou a limpar a mesa.
— Não vou parar. — Segurei em sua mão, fazendo com que ela bufasse e me olhasse novamente. — Eu sou seu filho, me preocupo com você.
— Então, não deveria estar insistindo que eu tire de casa o pai da minha filha. — Seus olhos verdes sobre mim eram tão sérios, que eu a soltei rapidamente. — Como você se sentiria se alguém tivesse pedido que eu tirasse seu pai de casa?
— Meu pai não era como Richard — falei furioso por ela sequer tentar os comparar. — Meu pai trabalhava, ele não era um porco bêbado.
— Ele é meu marido, Edward — repetiu. — Ele é pai da minha filha. Não vou perder minha família outra vez.
— Você está me perdendo, de novo — declarei, me afastando até Clary.
Era sempre assim, eu tentava alertá-la sobre Richard, nós dois brigávamos e eu passava algum tempo afastado dela e de Clary.
— Edward, espere! — ela me chamou.
— Eu preciso ir, baixinha. — Beijei o topo da cabeça de Clary ao me unir a ela perto do balcão.
— Já? — ela perguntou chateada.
— Vejo você em breve, okay? — Forcei um sorriso para ela, beliscando sua bochecha. — Tchau, mãe — murmurei ao passar por ela a caminho da saída da lanchonete.
***
Quando cheguei em casa mais tarde aquele dia, Rosalie estava na sala de estar, com uma aparência mais mortal do que nunca, o que sempre era indicativo de duas coisas:
1. Algum namorado babaca;
2. Ou contas atrasadas.
Como eu sabia que ela não estava saindo com ninguém, só podia ser a segunda opção.
— Randall esteve aqui — ela disse, enquanto rabiscava em seu caderno de composições e fumava. — Ele quer o dinheiro até segunda, ou temos que cair fora.
— Isso é sério? — indaguei irritado, sentando-me ao seu lado no sofá.
— Claro que é, Princesa! — ela zombou. — Você realmente acha que eu gosto de brincar sobre ordens de despejo? — Bufou, apagando seu cigarro. — Bom, sabemos o que tem que ser feito agora. — Ela me olhou com pena. — É isso, Edward, chegou a hora, você terá de se prostituir — brincou, fazendo com que eu gargalhasse e logo ela estava rindo também.
— Você é uma péssima cafetina, além do mais, é você quem tem os peitos, por que eu tenho de me prostituir? — entrei na brincadeira.
— Edward, querido, você tem a bunda mais bonita do que a minha, mesmo que doa admitir isso. — Ela deu uma batidinha em meu ombro. — Agora, rebole sua bunda bonita até a esquina e a anuncie por cinquenta a hora, para que conseguimos o dinheiro para o aluguel a tempo.
— Só cinquenta? — perguntei ofendido.
— Não se gabe tanto. — Ela se levantou, indo até o que podíamos chamar de cozinha naquele apartamento, se é que podíamos chamar aquilo de apartamento também. — Onde esteve a manhã inteira?
— No Central Park, com Clary.
— Hey, como ela está? Tem tempo que não a vejo — Rose disse, enquanto remexia na geladeira. — Além de sem tetos na segunda-feira também seremos mortos de fome, nossa comida está acabando.
— Nós temos comida? — perguntei indo até a cozinha também. — Eu só me alimento de fast food de qualquer forma.
— Sim, isso te matará tão rápido quanto meus cigarros — ela falou, tirando qualquer coisa da geladeira e colocando no microondas. — Então, Clary?
— Ela está bem, você sabe, o quanto é possível levando em conta o pai dela ser aquele sujeito — resmunguei. — Eu falei sobre isso com minha mãe, de novo pelo que parece ter sido a milionésima vez e ela ainda não consegue entender o quão tóxico esse cara é.
— Todos os homens são tóxicos! — Rosalie exclamou.
— Obrigado, você tirou o dia para me ofender? — reclamei, ela apenas deu de ombros. — E não fale como se detestasse os homens, no sábado passado você dormiu com aquele vizinho de baixo que com certeza curte garotos também.
— Eu dividiria um cara com ele. — Rosalie piscou para mim, tirando sua comida do microondas. — Quanto sua mãe, você sabe, ela está presa a Richard, é dependente emocional dele e está ligada a esse cara abusivo, isso não vai se resolver magicamente só por você mandando-a se afastar dele.
— Eu só sei que esse cara arruinará tudo, pois é o que ele sempre faz. — Peguei um garfo, comendo junto do prato de Rosalie. Ela assentiu para minha frase e sabia que ela entendia muito bem o que eu queria falar sobre pais que eram completos babacas, uma vez que o dela e de Jasper era um exatamente assim. — Você não vai acreditar em quem encontrei hoje.
— Jéssica? Edward, eu te disse que sair com ela não ia dar certo. Qual é? A garota trabalha no mesmo lugar que sua mãe, isso é horrível. — Rosalie sorriu. — Ela já escolheu o vestido para o casamento de vocês? Sério, cara, como a aguentou por cinco meses?
— Não, não era Jessica, ainda que encontrá-la com certeza fosse ser menos irritante. Era Isabella Higginbotham.
Rosalie largou seu garfo sobre o prato, encarando-me em choque.
— O quê? Como assim?
— Ei, você e ela sabem que o Central Park é um local público com livre circulação, não? — perguntei tirando o prato de sua mão. — Ela foi até lá para pintar, ou qualquer coisa assim, topou comigo, foi uma idiota, mas aceitou a pedrinha da coleção de Clary.
— Claro. — Rosalie gargalhou. — Isabella Higginbotham aceitando pedrinhas colecionáveis, isso é muito Upper East Side, com certeza.
— Esqueça-a. — Coloquei o prato sobre o balcão da pia. — Nós realmente precisamos do dinheiro para o aluguel, acho que ambos sabemos o que devemos fazer, certo?
— Sim, vá pegar seu lubrificante, eu pegarei o pacote de camisinha e te deixarei em uma esquina segura. — Revirei os olhos, recuperando a comida. — Vamos, Edward, você lucraria muito em uma noite, o suficiente para pagar o aluguel pelo resto do ano.
— Eu não vou me prostituir, não ainda — brinquei. — Mas, algum de nós terá de pedir grana emprestada ao chefe.
— Você! — ela gritou. — Eu estou de folga hoje, Eddye. — Abriu um grande sorriso.
— Rose...
— Aceite, você terá de pedir a grana, ou ir para a esquina rebolar sua bunda. — Ela pegou o prato das minhas mãos.
— Realmente não sei o que é pior. — Peguei o prato de volta. — Solte minha comida, Barbie Brooklyn.
***
Naquela noite, entre servir bebidas e mais bebidas, segui caminho até o chefe, Alistair. Ele estava nos fundos da boate, gritando com alguns funcionários, o que só me deu mais certeza de que estávamos ferrados e que a grana não rolaria tão fácil, ou sequer rolaria. Ele podia ser legal com todo o lance da banda, mas dinheiro era realmente seu ponto fraco.
— Ei chefe? — O chamei quando ele parou de gritar com o pessoal de antes. — Podemos conversar?
— O que? Você quebrou uma garrafa de um uísque de doze anos como aqueles imprestáveis? — Ele me fuzilou com seus olhos castanhos, seus cabelos loiros, quase tão loiros quanto os de Rosalie, estavam presos em um coque estilo samurai.
— Não, não tudo em ordem — falei rapidamente. — É o seguinte, Rosalie e eu estamos quase sendo despejados, eu queria saber se você podia nos emprestar alguma grana?
— Não — ele respondeu prontamente.
— Nós iremos pagar, você pode descontar diretamente do nosso próximo salário, mas realmente precisamos do dinheiro até segunda — insisti, o seguindo até a boate, que estava completamente cheia aquele sábado.
— Não, eu já disse não, Edward — ele gritou contra a música. — Sem chances, vocês tem de parar de pedir grana emprestada, eu não sou um banco. — Alistair desapareceu entre a multidão que lotava a boate, enquanto eu tive de voltar imediatamente para o balcão, antes que terminasse perdendo o emprego e ficasse sem dinheiro algum.
— Hey, o melhor drinque! — Emmett apareceu ali, bastante animado. — A casa está boa hoje, não? — ele indagou, olhando para um grupo de garotas do outro lado do balcão.
— Casa, que palavra maravilhosa, que pena que segunda-feira eu não terei mais uma — resmunguei, enquanto o servia.
— O que foi, cara? — Voltou a me olhar.
— O aluguel está atrasado, de novo, em uma quantia alta, como sempre e Randall quer nos colocar para fora senão tivermos a grana até a segunda.
— Eu acabei de receber da academia — Emmett falou depois de beber um pouco do seu drinque. — Posso emprestar algo para você e Rosalie.
— Rosalie se mataria antes de aceitar dinheiro seu — anunciei.
— Bom, ela prefere ir morar na rua? — Emmett pegou sua carteira, me entregando algum dinheiro.
— Emmett, não, sério. — Tentei devolver.
— Não, fique! — ele insistiu. — Eu tenho feito uma boa grana na academia, posso ajudar os amigos, mesmo que Rosalie me odeie sabe-se lá porque, não vou deixá-los na mão.
— Nós vamos pagar — prometi, guardando o dinheiro. — Então, indo bem na academia, você disse?
— Sim! — ele comemorou. — Se lembra da garota do Jazz de ontem, certo? A garota Cullen? Ela quer começar a malhar, então eu serei o novo personal trainer dela. A menina é realmente legal, não tão gostosa quanto a amiga, o que mostra para a gente que Jazz não sabe escolher, mas ela é boa de modo geral.
— Você acha Isabella gostosa? — perguntei fazendo uma careta. — Ela é bonita, claro, mas gostosa. — Neguei com um aceno de cabeça. — Ela com certeza não é boa de cama.
— Cara, acredite em mim. — Emmett me passou o dinheiro da bebida, enquanto acenava para as garotas de antes, pronto para ir até ela. — Isabella com certeza é boa de cama, se Jazz continuar saindo com a amiguinha dela, talvez um de nós dois possa pegá-la e comprovar isso.
— Toda sua, amigo, eu não ficaria com Isabella Higginbotham nem que fosse maluco. — Lhe passei dois drinques para ele levar para as garotas. — Por conta da casa, pelo dinheiro do aluguel, aproveite a noite.
— Com certeza, irei!
***
As duas semanas seguintes se resumiram em trabalho, já que Rosalie surtou quando descobriu sobre Emmett ser o nosso cara do empréstimo para que não fossemos despejados. Então, ela conseguiu trabalhos temporários para nós dois em uma loja de departamento para que conseguíssemos pagar Emmett, o que nos fazia estar na loja, quando não estávamos na boate.
O que também me fez dormir apenas duas horas por dia, comer mais fast food do que nunca e ficar longe de qualquer coisa sobre a banda aqueles dias. Até que nosso tempo na loja acabou e nós ainda tínhamos só metade da grana de Emmett.
— Você parece péssimo — Jasper disse enquanto deixávamos a academia que Emmett trabalhava, ele nos conseguia descontos lá e algumas promoções, sempre que isso acontecia podíamos ir lá malhar de graça.
— Eu estou, ter dois empregos é terrível e o dinheiro não compensa.
— Escuta — Jasper parou de andar, mexendo em seu celular. — O que acha de ir até a casa de Alice?
— O quê? — perguntei confuso, realmente querendo ir para casa dormir e aproveitar minha noite de folga da boate.
— É, ela e eu tínhamos combinado de ver qualquer besteira na TV, pedir pizza e tomar cerveja no apartamento dela. Perguntei para ela se você pode vir. — Sinalizou para seu celular. — Ela disse que tudo bem, quer dizer, você é meu melhor amigo, seria legal se vocês se conhecessem melhor.
— Ela tem idade para beber cerveja? — perguntei surpreso, Jasper riu.
— Não, mas os pais dela não vão chamar a policia para a gente por isso. Eles são médicos e estão de plantão hoje. Vamos, realmente quero que conheça Alice melhor, Rosalie sequer tem respondido minhas mensagens desde aquele dia na boate.
— Isso pode ser pelo fato de que ela e eu estávamos fazendo jornada dupla nos últimos dias. — Enfiei as mãos nos bolsos da calça. — Okay, vamos até Manhattan para que possamos beber com sua namoradinha.
— Sim, nós oficializamos isso quinta-feira, somos realmente namorados agora — disse, muito orgulhoso daquilo.
— Realmente gosta dela. — Assobiei, enquanto voltávamos a andar.
— Bastante.
— Já conheceu os sogros? — indaguei.
— Sim, na quinta no dia da oficialização. — Ele deu de ombros. — Carlisle pode ser um pouco assustador sobre Alice, mas acho que é compreensível, é filha única e a princesinha dele, mas não foi arrogante, nem nada do tipo. A mãe é uma das pessoas mais gentis que já conheci, é realmente legal. Mas, a melhor parte de tudo é que por algum motivo que ainda desconheço, Alice não está mais falando com Isabella, então ela está fora do caminho
— Ótimo — falei, praticamente dormindo em pé enquanto o seguia.
Algum tempo de caminhada, depois de metrô, nós chegamos ao prédio ostensivo que Alice morava. Nossa entrada já estava liberada, então Jasper me guiou até a cobertura, o que não era uma surpresa e a própria Alice abriu a porta.
— Oi meninos! — Não precisou de muito para ela se agarrar a Jasper. — Ei Jazzy!
— Oh Deus, Jazzy? — Explodi em uma gargalhada, Alice riu também, enquanto Jasper revirava os olhos. — Esse é o melhor apelido!
— Alice, por que foi me chamar assim na frente dele? — Jasper reclamou, enquanto ela nos colocava para dentro, só a sala de estar parecia ser maior que meu apartamento.
— Desculpe, saiu. — Ela beijou a bochecha dele. — É bom te ver de novo, Edward! — Se voltou para mim. — Você quer cerveja ou vinho? Meus pais tem uma adega realmente boa que me deixam assaltar vez ou outra.
— Cerveja está bem para mim — falei. — Então, Jazzy o que vai beber? — O provoquei.
— Cerveja — ele disse para Alice, que assentiu, desaparecendo pelo o interior do seu palácio no meio de Manhattan.
— Cara, ela vive em um castelo — falei olhando em volta. — Você será um príncipe se casar com ela, Jazzy.
— Deus, eu vou me matar se continuar me chamando assim.
— Ei, sem sangue no tapete branco da minha mãe! — Alice exclamou voltando a sala com três cervejas, passando uma para mim e Jasper, ficando com outra. — Ela já surtou por uma vida inteira quando Bella derramou vinho no sofá no último natal — falou, sua expressão até então animada, ficando triste. — A pizza, vamos pedir a pizza! — Alice pegou seu celular.
Nós passamos algum tempo discutindo os sabores, Alice e eu ganhamos de Jasper pedindo algo mais elaborada, já que ele era totalmente o tipo de cara de coisas mais clássicas. Estávamos assistindo a um filme de ação, quando a campainha tocou, pelo menos Jazz e eu estávamos, Alice tinha ido até a cozinha buscar mais cervejas e estava levando uma vida lá.
— Você pode atender, deve ser o cara da pizza? Eu vou chamar Alice — Jasper falou, já indo atrás dela.
— Claro, tanto faz. — Fui até a porta para abri-la.
Do outro lado não estava o cara da pizzaria, muito além disso, estava Isabella. Uma Isabella bem diferente das que tinha visto nas outras vezes, pessoalmente, pelo jornal, TV, ou qualquer outro meio de comunicação.
Ela estava descalça, segurando seus saltos e sua bolsa em uma mão, enquanto a outra segurava parte de seu vestido, que estava aparentemente rasgado na alça do lado direito. O vestido branco que usava, também tinha uma mancha vermelha na frente, não parecia sangue, mas o estrago ali era feio e pelo cheiro parecia ser alguma bebida alcoólica.
Seus cabelos estavam se soltando de qualquer penteado que ela tinha antes e seu rosto tinha algumas manchas da maquiagem. Ela me olhou em surpresa quando abri a porta, seus olhos não eram azuis aquela noite, sim castanhos em um tom de chocolate e eles estavam cheios de lágrimas.
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