Sob minha Pele

26 Capítulo Vinte e Cinco


Notas iniciais
Para avisos, spoilers e novidades não deixe de entrar no grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/1118626184823257/ Capítulo super dedicado a Anny que recomendou, muito obrigada por isso, sua linda *__* Boa leitura ♥

— Capitulo Vinte e Cinco —

— Edward —

Quando abri meus olhos, a primeira coisa que vi foi a fumaça preta diante de mim, logo depois consegui ver uma tonalidade alaranjada/avermelhada brilhando ao fundo do cômodo onde eu estava. Eram chamas, aquilo era fogo e a fumaça proveniente disso.

Um incêndio.

Incêndio!

Minha mente pareceu se despertar ao pensar naquilo, um incêndio só podia significar algo, meu pai.

Olhei melhor ao redor, procurando por ele, mas logo percebi que eu não estava no apartamento que morei com meus pais, mas naquele que morava com Rosalie. E, as chamas e a fumaça ainda estavam bem longe de mim e por sorte não bloqueavam minha passagem até a porta de saída do apartamento.

Eu iria sobreviver.

Meu pai morreu em um incêndio, mas eu sobreviveria. Eu teria uma segunda chance de viver, escaparia e viveria minha vida.

— Edward! — Uma voz desesperada clamou por mim. — Ajude-me, Edward, por favor.

Olhei para onde a fumaça e as chamas se concentravam, vendo Isabella do outro lado. Diferente de mim, ela não tinha qualquer escapatória, não conseguiria sair, pelo menos não sozinha.

— Edward, eu preciso que você me ajude a sair daqui — ela implorou, chorando, encolhendo-se quando ouvimos algo caindo em um dos quartos do apartamento. — Edward, estou desesperada!

Eu tinha escapatória, iria por em risco minha chance de fuga para ajudá-la? E se além de não conseguir salvá-la também acabasse morto ali? Não queria, não queria acabar como meu pai e sabia que se fosse até ela nós dois morreríamos.

— Desculpe, Bella — pedi. — Não posso fazer isso.

— Edward! — disse meu nome com incredulidade. — Você está apaixonado por mim — lembrou. — Sabe que estou apaixonada por você também. Não me deixe! — implorou, chorando ainda mais.

— Eu tenho que ir — murmurei, afastando-me mais um pouco dela. — Eu preciso ir, Bonequinha.

— Não, por favor, não — ela choramingou. — Ajude-me.

Neguei com um aceno de cabeça, olhando uma última vez para seu rosto sujo de fuligem e lágrimas, entre as chamas e a fumaça. Dei as costas para ela, eu a deixei para trás.

Enquanto me afastava podia ouvir seu choro, sua voz em pânico chamando por mim. Eu não senti remorso por deixá-la, em segundo nenhum pensei em dar meia volta e resgatá-la.

Estava apaixonado por Bella, mas não fui forte suficiente para lutar por ela, eu a deixei ir, a deixei morrer. Ela tinha confiado sua paixão em mim, mas eu não confiei a minha nela.

O nós não valeu de nada para mim ali, pois na primeira oportunidade me agarrei ao eu e a deixei só.

***

Olhos castanhos cor de chocolate.

A primeira imagem que surgiu em minha mente quando despertei foi isso, os olhos de Bella. Os reais olhos de Bella, aqueles que eu achava que combinavam perfeitamente com seu rosto.

Então, pensei nela ficando para trás. Eu tinha a deixado queimar, eu não a ajudei a se salvar, mesmo que ela tivesse me olhado suplicante com seus doces e quentes olhos castanhos.

— Bella — chamei por ela, tentando sair do meu topor. — Bella!

— Edward? — Eu ouvi sua voz, parecia longe de mim, uma distância que me fez ficar desesperado. A queria perto, não longe.

— Bella!

— Edward...

Algo tocou em meu rosto, fazendo com que eu abrisse meus olhos instantaneamente.

Chocolate, olhos cor de chocolate. Então, o rosto inteiro de Bella.

Eu tinha morrido também? Estava em algum outro plano com ela? Céu, inferno? Seja lá para qual lugar nós dois fossemos destinados.

— Ei, você está bem? — Bella perguntou, sorridente, afagando meu rosto, sua mão era quente e macia contra minha pele e, principalmente, real.

Eu estava vivo e, o que mais importava ali naquele instante, Isabella também estava viva.

— Sabe que isso está aumentando meu ego, não? — ela falou, ainda sorrindo, enquanto eu tentava controlar minha respiração desregular.

Tinha sido só um pesadelo, apenas mais um pesadelo para minha longa lista. Eu não tinha deixado Isabella para trás, não tinha a abandonado, tudo aquilo foi fruto da minha imaginação e só.

— Você chamando por mim logo pela manhã, quero dizer. — Bella se inclinou, tocando meus lábios com os seus. — Estava sonhando com nossa última noite, senhor Masen? — Ela provocou, levando a mão que não estava em meu rosto até minha barriga, descendo-a até a borda da cueca que eu usava.

Não respondi, não conseguia falar. Minha voz parecia ter sumido para dar espaço a todo o pavor daquele sonho, talvez depois daqueles onde tinha meu pai, ou eu morrendo no lugar dele, aquele pesadelo com Bella foi o pior.

Sonhei com ela outras vezes antes, mas em nenhuma vez eu simplesmente a deixava para trás por vontade própria. E, eu ainda podia lembrar, com precisão, de como não me arrependi no sonho de tê-la largado sozinha, em meio ao perigo causado pelo fogo.

— Edward, você está bem? — ela tornou a perguntar quando continuei mudo, sua mão em minha cueca subiu até meu coração, sentindo-o como ele estava batendo forte ainda por conta do pesadelo. — Ei, fale algo — implorou, como tinha implorado no sonho para que eu a salvasse.

Nos movi na cama, colocando o corpo quente de Bella embaixo do meu. Ela finalmente estava ali comigo, entregue ao que sentia, entregue a mim, entregue a nós.

Suas mãos estavam em meu rosto, seus olhos castanhos fixos nos meus. Eu beijei sua testa, sentindo sua pele e seu calor. Apenas sentindo-a junto a mim, era melhor do que imaginei.

— Você está me assustando, Edward — ela falou confusa. — Diga algo, antes que eu surte.

— Está tudo bem — falei, escondendo meu rosto entre seus cabelos, que se encontravam uma perfeita bagunça aquela manhã.

— Não parece, você está muito tenso. — Suas mãos tocaram meus ombros, dando uma leve pressão neles.

— Foi só um pesadelo. — Segurei em sua cintura, Bella estava completamente nua, eu adorei tê-la daquela forma logo pela manhã.

— Comigo?

— Não — menti, minha voz vacilando na resposta.

Eu não queria que ela soubesse, não queria deixá-la saber que fui um covarde no sonho, que eu tinha a abandonado.

— Bom, mas você estava chamando pelo meu nome — ela insistiu. — A menos que conheça outra Bella e estivesse sonhando com ela, o que eu tenho de dizer que não é muito legal quando você tem outra garota em sua cama. — Bella bufou, encaixando suas pernas ao redor do meu corpo, puxando-me para si. — Você estava, Edward? — Fez com que eu virasse meu rosto para o seu, os olhos castanhos ali eram questionadores.

— Não — neguei. — Claro que estava sonhando com você.

Bella era uma grande ciumenta. Eu devia ter esperado por isso, afinal, querendo ou não, ela continuava sendo uma menina mimada.

— Então, você estava tendo um pesadelo comigo — ela definiu. — Gostaria de dizer que tipo de vilão matava-me nele, senhor Masen? — Voltou a sorrir. — Um tipo o Jason de Sexta-Feira Treze?

Eu era o vilão que a matava, mas não podia dizer isso.

— Sei lá, não me lembro de nada que aconteceu no pesadelo — tornei a mentir.

Me sentia um babaca, sabia que era só um sonho, mas ainda assim estava me odiando por ter sido tão egoísta com ela.

Bella assentiu, não mais sorrindo novamente. Ela sabia, que eu estava mentindo, mas não parecia que continuaria falando sobre aquilo.

— Bom, eu preferiria que você tivesse tido um sonho erótico comigo, convenhamos que seria muito mais bacana — falou, remexendo-se embaixo de mim, colocando sua mão por dentro da minha cueca e tocando em meu pau.

— Porra, Bella. — Arfei ao sentir seu toque, meu rosto voltando aos seus cabelos.

Nós tínhamos transado mais uma vez, depois que ambos falaram sobre seus sentimentos, então Bella tinha apagado em meus braços e eu acabei adormecendo logo em seguida. Antes de dormir ainda estava em estado de êxtase, sem realmente crer se ela estava mesmo ali comigo, ou se era um sonho.

Era real, pois era bom, meus sonhos sempre acabavam se transformando na merda de um pesadelo.

— Eu sou péssima com sonhos e essa coisa toda — ela falou, movendo sua mão por meu pau com eficiência, já estava ficando duro. — Quase não me lembro de meus sonhos — acrescentou. — Porém, tenho certeza de que essa noite sonhei com você também.

Mas, ela com certeza não me deixou queimando para trás em seu sonho.

— Sabe, com você dentro de mim e tudo mais — sussurrou em meu ouvido.

Eu já sabia que Bella era perversa, mas descobri que ela também era algum tipo de mestre na cama, pois se saía muito bem. Muito!

— E você está tão tenso. — Com a mão livre ela empurrou minha cueca para baixo. — Deixe-me ajudá-lo a relaxar.

Ergui meu corpo, tateando na mesinha ao lado da minha cama até encontrar o lubrificante que tinha depositado fielmente ali. Bella me lançou um sorriso malicioso, tirando sua mão do meu pau e estendendo em direção ao frasco.

— Gosto como você sempre pensa em tudo, Masen — ela disse, retornando a me masturbar depois que eu coloquei um pouco do lubrificante em sua mão.

— Eu gosto da sua mão — gemi, a masturbação ficando mais fácil por conta da lubrificação, eu já estava mais duro ainda.

— Eu sei, sou excelente nisso.

Ela não precisou de muito mais para me ter exatamente como queria, parando de me masturbar. Suas pernas ao redor do meu corpo puxaram-me ainda mais para ela, meu pau tocando em sua boceta, esfregando-se em mim enquanto continuava me provocando.

— Foda-se, eu quero você, Bonequinha. — Segurei em suas coxas, fazendo com que ela parasse de se mover e lentamente me enterrei dentro do seu corpo.

Quente como o fogo.

Quente como o inferno.

Ainda assim, estar com Bella daquela maneira parecia um paraíso.

Ela gemeu baixinho embaixo de mim, fechando os olhos e mordendo seu lábio inferior, enquanto eu me movia dentro dela. Sua expressão era de puro prazer, ela também parecia estar no paraíso com aquilo.

Eu me inclinei em sua direção, capturando seus lábios nos meus. Nós dois tínhamos acabado de acordar, mas ela ainda era a garota mais cheirosa e gostosa do mundo para mim. A paixão envolvendo nós dois fazia com que ela não tivesse nada de errado, ela era perfeita.

Depois de beijá-la, coloquei minha boca em seu pescoço, distribuindo mordidas ali, tomando cuidado para não marcá-la. Enquanto continuava me deleitando dentro dela.

Tão linda, tão gostosa, tão perfeita.

— Edward — gemeu meu nome, sua respiração era tudo menos regular.

— Eu nunca vou deixá-la, Bonequinha — a fala escapou por meus lábios, antes que eu pudesse refletir sobre o que dizia.

Não sabia se estava dizendo aquilo só por conta do sonho, ou se era mesmo uma verdade. A questão era que já estava tão ligado a Isabella Higginbotham, que não queria me afastar dela. Talvez nunca e sempre fossem expressões muito fortes e abstratas, mas eu a teria por perto, junto a mim, o máximo de tempo possível.

— Sim, por favor — ela clamou, provavelmente não tinha se atentado a minha fala como eu também não tinha.

Voltei aos seus lábios, aumentando nosso ritmo, sendo seguido por Bella. Ela interrompeu o beijo em algum momento, estava tão entregue a nossa transa que não parecia conseguir se concentrar em mais nada.

Continuava de olhos fechados, gemidos baixos escapando por seus lábios rosados, sua face corada. Linda, tão linda como um anjo e perversa como um demônio, ela mexia com minha mente.

Eu a senti começando a estremecer, suas unhas cravando-se em minhas costas, sua boceta pressionando meu pau com seu orgasmo muito perto. Foi quando me dei conta de que não estava usando camisinha, eu tentei sair de dentro dela, mas Bella me apertou contra si. Era magra e pequena, porém sua força era desproporcional ao seu tamanho.

— Não, está bom assim, não pare — pediu, abrindo seus olhos. Mais escuros do que o normal, estavam quase negros por conta do prazer.

— Camisinha — falei, quase grunhindo, sem conseguir parar de fodê-la, pois aquilo estava sendo ótimo para mim também.

— Goze fora — ela sugeriu, sua respiração mais ofegante.

Não era a coisa mais segura do mundo, mas que se foda, eu não conseguiria deixar o corpo dela naquele instante, queria apenas me perder mais e mais nele. Tirando a ideia da nossa falta de cuidados de minha cabeça, eu continuei aquilo.

Os gemidos dela estavam aumentando, suas mãos em minhas costas mais agressivas e eu terminaria completamente marcado, mas pouco me importava. Era foda, era sensacional estar dentro dela, estar com ela, tê-la por perto.

Porra, eu pensei que já tivesse experimentado paixões avassaladoras antes, mas com Bella tudo parecia mais intenso.

— Bonequinha, eu já disse hoje que estou apaixonado por você? — falei em seu ouvido, mordendo e chupando o lóbulo de sua orelha.

— Ah! — Ela gemeu, mais alto ainda, em resposta. Suas pernas soltaram meu corpo, caindo sobre a cama.

Antes que eu pudesse apreciar a expressão de puro alivio em seu rosto quando gozou, Bella me puxou para si, beijando-me com urgência. Sua boceta me apertou ainda mais, como reflexo de seu orgasmo, eu também estava muito perto.

Me movi mais uma vez dentro dela, indo fundo, repetindo aquilo de novo. Eu precisava me afastar, precisava gozar fora.

Fazendo um esforço sobre humano, consegui tirar meu pau de sua boceta. Ainda me beijando, Bella o envolveu em seus dedos ágeis, ela bateu uma para mim, fazendo com que gozasse em sua mão.

Paraíso, certamente paraíso.

— Isso com certeza é a melhor forma de começar o dia — ela disse, meio aérea.

Eu ri, saindo de cima dela, me deitando ao seu lado, podendo vê-la limpando sua mão em meu lençol.

— Desculpe por isso — pedi, recuperando minhas forças.

— Eu disse que era um problema? — Ela arqueou uma sobrancelha, jogando o lençol sujo para fora da cama.

— Nós realmente precisamos aprender a colocar a camisinha antes — falei, Bella revirou os olhos, acomodando-se no colchão. — Você já estava acordada? Ou eu te acordei? — perguntei baixo. — Sabe, com meu pesadelo e tal.

— Eu já estava acordada. — Ela deu um sorriso travesso. — Planejando como acordá-lo diretamente para sexo, mas sem parecer uma puta por isso.

— Você não é uma puta só por querer ter sexo. — Neguei com um aceno de cabeça. — E, para referências futuras, pode me acordar chupando meu pau — brinquei, mas realmente adoraria que ela levasse aquilo a sério e fizesse isso um dia.

— Tão doce, Edward. — Ela riu, movendo-se na cama para beijar meu ombro. — Tudo que uma garota quer ouvir são essas três palavras mágicas: chupa meu pau.

— Pode deixar, eu irei dizê-las para você todo dia. — A coloquei debaixo do meu braço, ela moldou seu corpo ao meu, encostando seu rosto no meu peito.

— Eu preciso voltar para Manhattan — ela disse depois de um minuto inteiro de silêncio.

— Não, você gosta do Brooklyn agora.

Bella riu, sua mão passeando pela tatuagem em meu peito.

— Eu gosto de você, Edward, não do Brooklyn — me corrigiu.

— Estou lisonjeado em ouvir isso, Bonequinha, mas admita que você gosta do Brooklyn.

— Nem morta! — exclamou, erguendo o rosto, tentando esconder um sorrisinho. — E, eu realmente tenho de voltar para Manhattan, você sabe, pela minha mãe. — O vestígio de sorriso morreu ao mencionar Renée.

— Eu sei, claro que sei, estava apenas brincando. — Beijei sua cabeça. — Quer que eu vá com você?

— Sério? — Animação voltou a sua voz.

— Sim. — Assenti, olhando a hora no meu celular esquecido ao lado da cama em algum momento da noite. — Eu tenho de voltar pela parte da tarde, para ficar com Clary enquanto minha mãe vai trabalhar, mas dá tempo de ir com você.

— Clary está bem? — Bella perguntou.

— Sim, ela perguntou sobre vocês algumas vezes — contei, Bella me olhou surpresa. — Ela gosta de você.

— Sim, os Masen tem um bom gosto e gostam de mim — Bella disse cheia de si.

— Clary não é uma Masen.

— Oh, sim! — Bella assentiu, compreensão tomando conta de seu rosto. — Eu me lembro de você falando que ela é filha apenas da sua mãe.

— Isso. — Não pude deixar de torcer o nariz ao pensar em Richard. — O que acha de um banho juntos? — Passei minhas mãos por suas costas, querendo minha mente em coisas mais agradáveis, recusando-me a pensar em Richard, ou que ao ter Bella ali estava quebrando uma promessa feita à minha mãe.

— Seu banheiro é pequeno — Bella reclamou.

— Ei, senhorita meu banheiro é uma casa...

— Meu banheiro não é uma casa — ela me interrompeu, podia ver as imagens passando em sua mente, com certeza era uma casa, ou uma pequena casa, mas devia ser imenso.

— A questão é, Bonequinha. — Voltei a me deitar por cima dela, o que fez Bella parecer ainda mais animada por me ter naquela posição. — Você não vai nem ligar para o tamanho do banheiro, quando tiver minhas mãos em seu corpo.

— Você nem tem uma banheira, eu pensei que todos os banheiros tivessem banheiras, mesmo que pequenas...Edward! — Ela gritou quando eu me levantei da cama, puxando-a para fora também, jogando-a por cima do meu ombro. — Isso não é justo — reclamou, mas riu. — Estou tendo uma bela visão da sua bunda agora, garoto do Brooklyn. É uma bunda bem sexy, deixe-me dizer.

***

O banho foi um desastre.

O banheiro era mesmo pequeno e Bella terrivelmente espaçosa, além do fato de ela reclamar sobre cada produto ali. O sabonete não era o ideal para sua pele, o shampoo para seu cabelo, surtou quando eu disse que não tinha um sabonete especial para o rosto e surtou novamente quando depois de remexer nas coisas de Rosalie percebeu que ela também não.

Então, toda e qualquer ideia de sexo no banheiro que eu tinha em minha mente foram imediatamente abortadas. E, ainda tive de ouvi-la reclamando, mais, por não termos escova de dentes extras, o que a obrigou a gastar quase meio tubo da pasta de dente, usando seu dedo, para sentir-se limpa.

— Deus, eu vou para o céu depois de te aturar, Bella. — Bufei, quando ela começou a choramingar sobre seus cabelos estarem tão bagunçados e a escova de Rosalie não dar um jeito naquilo.

— Certo, porque você é muito fácil de se aturar — ela rebateu, desistindo de pentear o cabelo e o prendendo em um coque no topo da cabeça. — Como eu vou voltar para Manhattan? O vestido da Alice ainda está jogado por ai e deve estar fedendo pela água da chuva.

— Você pode pegar alguma roupa de Rosalie. — Eu mal tinha acabado de falar e Bella já me encarava em choque. — Ei, você está respirando?

— Rose e eu definitivamente não temos o mesmo estilo — afirmou, ainda chocada.

— É só uma roupa, Bella.

— Viu? Eu também vou para o céu por te aturar falando uma barbaridade dessas.

Eu estava pronto para rebater, quando ouvi batidas na porta.

— Caiam fora do meu banheiro! — Rosalie gritou.

— É nosso banheiro, eu também pago o aluguel — gritei de volta.

— Se vocês não saírem agora eu vou vomitar no seu quarto, Edward. Ou naqueles sapatos Jimmy Choo na entrada do apartamento.

— O quê? Não! — Bella gritou, seus olhos arregalando-se, apertando a toalha em volta de si, ela abriu a porta rapidamente. — Você não seria louca de vomitar nos sapatos de Alice, ela é sua cunhada, mas te mataria por isso sem pensar duas vezes.

Rosalie tinha seus sapatos em mãos, estava sem maquiagem e os cabelos presos de qualquer jeito. Ela definitivamente tinha feito a caminhada da vergonha do apartamento de Mike, onde disse que estaria noite passada quando pedi gentilmente — talvez com um pouco de desespero — que ela liberasse o apartamento para Isabella e eu ficarmos sozinho.

— Oh, Bella, você ainda está aqui — Rose disse com falsa surpresa. — Mexam-se! — ordenou.

— Bella precisa de roupas suas emprestadas — falei, saindo do banheiro também.

Rosalie pareceu tão descontente com isso quanto Bella.

— Que merda!

— Sim, eu sei como se sente. — Bella suspirou. — Mas não posso voltar para Manhattan usando o vestido detonado de Alice.

— Use roupas de Edward — Rosalie reclamou, realmente detestando a ideia de Bella em roupas suas.

— Uma camisa talvez funcione, mas eu ainda preciso de uma calça, saia, short ou qualquer coisa assim. — Bella olhou atentamente para mim, sem perder a oportunidade de tocar em meu peito molhado pelo banho. — Ei, você está seminu, vá se vestir, Rosalie não pode te ver assim.

Eu reprimi uma risada, mas Rose não.

— Não se preocupe Princesa de Manhattan, se fosse para Edward e eu transarmos já teria acontecido há muito tempo. Pode ficar tranquila, eu não irei assediar seu...Sabe-se lá o que vocês são um para o outro. — Ela balançou a cabeça, olhando-me confusa. Bom, nem e sabia, já que Bella e eu tínhamos decidido não rotular o nós. — Vá até meu armário procurar algo que possa vestir, mas fique longe das minhas roupas intimas. — Rose entrou no banheiro, batendo a porta com força atrás de si.

— Eca, claro que eu ficarei — Bella disse fazendo uma careta.

— Quarto da Rosalie, divirta-se! — Apontei para a porta, deixando-a ir para lá sozinha. Já tinha sido um grande sofrimento no banheiro com ela reclamando sobre tudo, não ia suportar uma nova rodada daquilo.

Fui para meu quarto, indo me vestir rapidamente. Quando Bella apareceu ali, estava visivelmente decepcionada.

— Alice precisa saber que Rosalie necessita de uma ida ao shopping — falou, ela segurava apenas uma saia preta em mãos. — O que você tem aqui que não ficará imenso em mim? — Parou ao meu lado diante o pequeno armário que tinha no meu quarto. — Você também precisa ir ao shopping, garoto do Brooklyn — falou, remexendo em minhas roupas.

— E você precisa parar de reclamar de tudo, estamos quites. — Comecei a procurar junto com ela algo que podia servir. — Toma. — Estendi para ela um moletom preto estampado com o nome de uma das minhas bandas favoritas, ainda era grande, mas um dos menores que tinha.

— Arctic Monkeys seria exatamente o que? — perguntou confusa.

— Sério, Bella? — perguntei decepcionado.

— Sim.

— Procure no Google, assim que você chegar a sua casa vai pegar seu notebook e ouvir Arctic Monkeys, vai ser a melhor coisa que fará na sua vida.

— Ah, outra banda de rock? — Ela suspirou, nada contente.

— Sim, você vai gostar — insisti, vestindo minha camiseta.

— Eu duvido muito. — Sua atenção foi para minhas cuecas.

— Desculpe?

— O quê? Eu não vou usar uma calcinha da Rosalie, a minha está suja e não vou sair por ai sem uma. Acredite, não seria um problema se eu estivesse em uma das minhas saias, mas não vou ficar pelada na saia de outra menina. Além do mais. — Ela pegou uma cueca boxer também preta. — Nós já transamos e tomamos banho juntos, usar sua cueca é o de menos agora.

Eu sorri, vendo-a com um amontoado de roupas emprestadas em mãos. Os cabelos no topo da cabeça ainda bagunçados, usando uma toalha que estava quase caindo de seu corpo e recebendo raios solares que entravam pela janela.

Definitivamente linda.

— Sabe. — Afaguei seu rosto. — Mesmo tendo de te suportar reclamando até sobre shampoo, eu continuo apaixonado por você, Bonequinha.

Ela deu um grande sorriso, jogando as roupas em suas mãos para dento do meu armário e praticamente pulando em meu colo para me abraçar.

— Você tem de saber que mesmo reclamando sobre tudo, eu na verdade estou muito feliz de estar aqui, garoto do Brooklyn — afirmou, seus braços ao redor do meu pescoço. — Muito. — Tocou sua boca na minha num rápido beijo. — Muito. — Mais um beijo de um segundo. — Muito. — Outro. — Muito feliz. — Beijou-me pra valer.

Eu não poderia abandonar aquela garota, então não entendi como no pesadelo tive coragem de fazer aquilo. Para sempre e nunca estavam se tornando cada vez menos abstratos, eu a queria em minha vida mais e mais.

***

Depois que Bella e eu conseguimos nos soltar, ela pode se arrumar. Estava emburrada, resmungando como nada que estava vestindo combinava entre si, ou com ela.

Quando estava — finalmente — arrumada, começou a juntar suas coisas espalhadas pelo apartamento. Calçou seu querido Jimmy Choo — na verdade de Alice, mas também gostava muito dele —, decretou que o vestido da amiga deveria ir para o lixo — sim, ela jogou a roupa no lixo sem pensar duas vezes — alegando que pagaria um novo para a namorada de Jasper — e pegou suas coisas do bolso da minha jaqueta.

Avisei Rosalie que estávamos de saída, ela apenas resmungou de seu quarto que queria dormir e, deixei meu apartamento com Isabella. A cada degrau que ela descia, era um choramingo diferente.

— Você devia usar sapatos baixos, não? — perguntei, ajudando-a a descer o resto da escada, carregando-a pela lateral de seu corpo.

— Não, esses são lindos — falou, fazendo uma nova careta quando a recoloquei no chão.

— E estão acabando com seus pés, Bonequinha. Você é como aquelas chinesas se torturando para caber em sapatinhos pequenos, isso irá destruir seus pés, pense no meu conselho.

— Seu conselho é péssimo — ela falou, abrindo a porta do prédio para sairmos.

A chuva tinha ido embora, New York recebia um Sol agradável aquela manhã.

— Não é, estou preocupado com a saúde dos seus pés. E das minhas costas, pois eu não vou sair te carregando por ai.

— Você está me chamando de gorda, Masen? — Lançou-me um sorriso provocador.

— Não, você não é gorda, Bonequinha. — Beijei sua bochecha, enquanto ela entrelaçava nossas mãos. — Mas, eu tenho uma alma gorda e estou morrendo de fome, será que podemos retardar em alguns minutos nossa ida para o hospital para comermos algo?

— Podemos — concordou. — A fisioterapia e a fonoaudiologia de Renée são só pela parte da tarde, posso demorar mais um pouco. O que vamos comer? — Olhou ao redor da rua. — Hot Dog? — Vi seus olhos brilhantes quando voltou a me olhar.

— Olha só você, toda fã de hot dog de rua do Brooklyn — provoquei.

— Não fale isso em voz alta. — Beliscou meu braço, fingindo seriedade.

— Bom, vamos ter de deixar seu desejo pelo hot dog para mais tarde, Miss Brooklyn. — A guiei na direção que queria que seguisse. — O cara que vende não está lá a esse horário.

— Para onde vamos? Na lanchonete que sua mãe trabalha?

Engoli em seco ao pensar naquela hipótese, mamãe não ia gostar nada de me ver com Bella.

— Não, tem uma cafeteria na outra rua — respondi.

— Isso quer dizer que eu terei de andar muito — ela se queixou. — Podemos pegar um táxi?

— Bella, é só uns dois minutos andando, levaria o triplo disso para conseguir o táxi.

— O Jimmy Choo está destruindo meu pé.

— Eu disse que deveria usar sapatos baixos.

— Não, eu posso aguentar a dor. — Soltou minha mão, andando a minha frente para provar que aguentava, até que parou e deu meia volta. — Prefiro andar ao seu lado, Garoto do Brooklyn. — Voltou a unir sua mão na minha.

— Você me arranjou um apelido, não é?

Ela pareceu muito empolgada com isso.

— Eu definitivamente só te chamarei de Garoto do Brooklyn daqui em diante, lide com isso.

Eu poderia, não era algo difícil, muito pelo contrário.

***

Bella insistiu muito em pagar pelo nosso café da manhã, mas consegui insistir mais e paguei. Eram apenas panquecas, waffles e cafés, eu não iria à falência por isso.

— Hum, muito melhor com canela — ela disse quando nós dois jogamos o pó dentro de nossos copos. — Deixe-me provar — pediu de olho grande para cima dos meus waffles.

— Aqui. — Estendi um pedaço para ela, mas Bella recusou quando seu celular sobre a mesa começou a tocar.

— Desculpe, preciso atender — pediu, pegando o celular e aceitando a chamada. — Oi, vovô.

Eu rapidamente mastiguei o pedaço de waffle no garfo, evitando fazer uma cara feia sobre Marcus Higginbotham.

— Sim, eu também — respondeu alguma pergunta dele. — Estou na casa dos Cullen, irei daqui a pouco para o hospital. — Se remexeu desconfortavelmente na cadeira, nossos olhares se encontraram rapidamente, mas ela desviou o seu imediatamente para suas panquecas. — Tudo bem, prometo que irei me cuidar. Se cuide também, vovô, por favor. Todo esse trabalho é muito desgastante para o senhor, eu fico preocupada. — Eu podia ver a preocupação no seu rosto. — Ligue-me assim que puder, faça uma boa viagem — desejou. — Amo você também.

Ela desligou, abaixando o celular de volta para a mesa, seus olhos encarando o aparelho.

— Tudo bem? — me arrisquei em perguntar.

— Sim. — Mal ouvi sua resposta. — Sim — repetiu em um tom mais alto, erguendo o olhar para mim. — Vovô só está com uns problemas de coração e isso acaba me deixando preocupada, fora que ele trabalha tanto, hoje mesmo vai ter de fazer uma viagem de última hora para Boston. Ele tem sofrido tanto com estresse ultimamente, com Renée, com meu fim de noi... — Ela se calou abruptamente, voltando a desviar o olhar.

— Com o fim do seu noivado com Jacob — completei por ela, Bella apenas concordou com um aceno de cabeça, sem voltar a me olhar. — Ele gostava do Jacob, né?

— Eu não quero falar sobre isso, Edward — ela pediu baixinho, escondendo o rosto entre as mãos.

— Bella?

— Vamos voltar a comer, você tem uma alma gorda que precisa ser alimentada, não é? — Tentou brincar, tirando o rosto de trás das mãos, mas seus olhos continuavam focados em tudo menos em mim.

— Bella?

— Os seus waffles estão bons?

— Bella?

— Sim, Edward? — Me olhou por fim, parecendo muito nervosa.

— Há algo mais que queira falar?

— Sobre os waffles? — Tentou parecer divertida, o que não deu certo.

— Sobre seu avô. — Não entrei em seu teatro.

— Não, não há nada — negou prontamente. — Está tudo bem.

— Você está pensando em contar a ele sobre nós dois?

Seu olhar me deu a resposta.

— Não precisa contar — continuei meu monologo. — Nem estamos namorando, né? — Ela assentiu, remexendo suas panquecas. — Eu realmente acho que precisamos de mais um tempo para nos adequar a tudo isso, então deixar seu avô e minha mãe saberem.

Bella me olhou confusa, largando o seu garfo.

— Sua mãe? O que tem Elizabeth?

Eu suspirei.

— Não se ofenda, mas...

— Ela não gosta de mim — Bella adivinhou, revirando os olhos.

— Ela não te conhece, quando eu não te conhecia também te achava uma mala, não é? — Foi minha vez de brincar.

— Que se dane, tudo bem. — Bella deu de ombros. — Meu avô e sua mãe podem esperar mais um tempo para saberem sobre nós.

Isso queria dizer que nós realmente iriamos durar, não?

— Vocês não falaram com Phill? — ela perguntou, mudando de assunto. — Sabe, o produtor que pedi que Alice repassasse o contato a vocês.

— Não ligamos, não estamos prontos para isso.

— Não estão prontos para o sucesso? — perguntou incrédula.

— Há, sim, porque somos os próximos Beatles — falei com sarcasmo. — Você nem gosta da nossa música, não diga que acha que realmente estamos prontos para nos tornarmos uma banda de verdade.

— Gosto da sua voz, só não gosto do seu gênero musical, mas não é o que estamos discutindo aqui. Vocês deveriam ligar, não custa nada — insistiu. — Phill é um cara legal, tenho certeza de que ele ia gostar de vocês.

— De onde o conhece?

— Ele foi namorado da minha mãe, acredita? — Ela bebeu um pouco do seu café. — Apareceu um dia lá no hospital para visitá-la, foi quando o conheci. Ou o reencontrei, aparentemente nós já tínhamos nos conhecido quando eu tinha uns dois anos de idade ou algo assim.

— Foi quando ele e Renée namoraram? — perguntei, dando um pedaço de waffle na boca dela.

Bella mastigou e engoliu antes de me responder.

— Não, ela ainda estava casada nessa época, eles namoraram antes de Renée conhecer meu pai.

— E o seu pai?

— O que tem ele? — Bella fechou a cara.

— Tem falado com ele?

— Ele é um babaca, Edward, não há nada a ser conversado com aquele homem. — Bebeu mais um pouco de café. — Vocês realmente deveriam entrar em contato com Phill, podiam conseguir um contrato com a gravadora dele...

— Bella — a interrompi. — A banda realmente não está pronta para isso, acredite em mim. Nós falaremos com Phill quando a The Dragons tiver algo de relevante a mostrar, eu prometo.

***

Assim que nosso café da manhã acabou, pegamos um táxi para Manhattan, seguindo direto para o hospital onde Renée estava internada. Bella estava alegre durante todo o caminho até lá — nós jogamos conversa fora sobre assuntos banais, ou falamos sobre a banda e sua faculdade de artes, sem nunca correr para temas mais complicados como minha família e a dela —, porém, assim que pisou no hospital, a garota Higginbotham ficou tensa.

Nós seguimos em silêncio, andando lado a lado — mas sem contato físico — até o andar da UTI. Ela tinha me dito um pouco do estado de Renée na noite anterior durante minha festa e apesar de dizer que a mãe estava bem, Bella não parecia tão positiva assim sobre a recuperação.

— Ai está você, Bella! — Carlisle deixava o quarto de Renée quando seguimos para lá, estando com Isabella ninguém me parou para que tivesse minha passagem liberada, ela garantiu isso só por estar perto de mim. — Eu estava estranhando você não ter aparecido ainda.

— Foi um longo caminho vindo do Brooklyn — ela falou, corando. Eu quis beijá-la ali, mas me contive.

— Sim, eu acredito que tenha sido. — Carlisle riu, voltando-se para mim. — Olá, Edward, é bom vê-lo.

— Oi, senhor Cullen. — Apertei sua mão.

— Foi seu aniversário ontem, estou certo? Meus parabéns!

— Foi sim, obrigado — agradeci.

— Como ela está, Carlisle? — Bella perguntou ansiosa.

— Acordada — Carlisle disse, extraindo um sorriso de Bella pela boa noticia. — Vocês podem entrar — ele falou. — Ela vai adorar ver você, Bella, qualquer coisa é só chamar.

Como Carlisle tinha antecipado, Renée estava acordada. Deitada na cama hospitalar, ela encarava o teto. Parecia um pouco melhor — fisicamente falando — de quando a vi pela primeira e última vez, no dia que Isabella e eu nos beijamos.

— Bom dia, mamãe! — Bella saudou entusiasmada, seguindo até Renée, entrando em seu campo de visão, eu fiquei junto à porta, sem querer invadir o espaço delas.

Vi Renée tentar mexer seu pescoço para ver melhor a filha e conseguiu um pouco disso, mas realmente bem pouco. Mas, seus olhos estavam voltados para Bella. Ela emitiu um som indecifrável, na tentativa de se comunicar.

O sorriso de Bella vacilou, mas ela uniu sua mão a da mãe, beijando a testa de Renée carinhosamente.

— Tudo bem, mamãe, você voltará a falar em breve, tenho certeza disso.

Renée tentou falar de novo, som nenhum saindo daquela vez e Bella quase desmoronou ali.

— Eu trouxe alguém para te ver — Bella contou para Renée, limpando uma lágrima que rolou pelo rosto da mãe. — Vem. — Acenou para mim.

Eu fui, esperando que estar ali não piorasse o estado de Renée.

— Você se lembra do Edward, mamãe? — Bella me puxou para seu lado. — Edward Masen.

Renée conseguiu me olhar, seus olhos claros pareciam perdidos, mas a vi piscar excessivamente a me ver. Provavelmente tentando lembrar-se de quem eu era, o que eu suspeitava que era impossível, já que tinha estado acordada por segundos da última vez que estive ali e com certeza nem tinha captado minha presença.

— Oi, Renée. — Sorri para ela. — Que bom que está acordada.

— Ele esteve aqui quando você acordou pela primeira vez. — Bella sorriu para mim, voltando a sorrir para a mãe. — Acho que Edward é meu amuleto da sorte, Renée. Sempre que ele está comigo você está acordada. — Apertou a mão da mãe.

A Higginbotham mais velha deixou um ruído baixo escapar de sua garganta.

— Sim, mamãe, eu também acho ele muito bonito! — Bella exclamou.

— Tenho certeza de que não foi isso que ela quis dizer — falei rindo, vi uma tentativa de sorriso de Renée.

— Viu? Ela está sorrindo, foi isso mesmo que quis dizer — Bella falou emocionada, muito perto de chorar. Eu a coloquei em meus braços, a abraçando por trás, sentindo a tensão em seu corpo. Suas mãos passearam por meus braços, aos poucos relaxando. — Mamãe, diga ao Edward que ele deve ligar para Phill — disse para Renée, que deu uma longa piscadela para mim. — Há, isso é ela dizendo que você deve ligar para ele, Garoto do Brooklyn.

Ri novamente, beijando a lateral de sua cabeça. Vi os olhos de Renée fixos na gente, assim como seu sorriso — ao seu modo — em seu rosto.

— Falando em Brooklyn, Bella precisa te contar sobre a experiência mais empolgante da vida dela, Renée. Comer um Hot Dog de rua, no Brooklyn!

Bella gargalhou, soando realmente feliz. Os olhos de Renée, que pareciam muito secos, ficaram brilhantes naquele instante.

— Sim, mamãe, você precisa saber disso — Bella falou.

Ela fez com que eu sentasse na poltrona ao lado da cama de Renée, sentando em minha coxa, facilitando para que sua mãe pudesse nos ver por conta da altura que estava. Bella se acomodou em meu colo, começando a contar sobre o Hot Dog, dizendo como tinha tentado fugir de comer a principio, mas como acabou gostando.

Nós passamos quase meia hora conversando com Renée, ela não podia falar de volta, mas parecia entender tudo que falávamos. Bella contou a ela sobre a The Dragons, fez com que eu contasse também, falamos sobre a Bonequinha ter me ensinado a tocar um pouco de piano e também a respeito das pinturas de Renée. Então, a mãe de Bella acabou pegando no sono.

— Ela parece bem para mim — eu disse, afagando a coxa de Bella, ela tinha praticamente se deitado em cima de mim ali.

— Eu não estava brincando quando disse que você é meu amuleto da sorte — falou aos sussurros. — Renée acordou pela primeira vez com você aqui, agora ela pareceu tão feliz, com você aqui também. Isso é incrível. — Beijou meu rosto. — Obrigado por ter vindo, Garoto do Brooklyn.

— Fiquei feliz de ter vindo também. — Tirei sua mão que estava em meu ombro, beijando-a. — Mas, infelizmente preciso ir agora.

— Já? — Ela fez um biquinho adorável.

— Sim, Bonequinha — confirmei. — Mamãe precisa que eu fique com Clary, para que ela possa ir trabalhar, os turnos dela estão uma bagunça nos últimos tempos.

— Sim, vá ficar com sua irmã. — Bella assentiu, afagando meu rosto. — Mande um beijo para Clary, ela foi uma das minhas melhores modelos.

— Eu não posso falar isso, Bella.

Ela suspirou, compreensão tomando conta de seu rosto.

— Certo, apenas diga que alguém especial mandou um beijo. — Piscou para mim.

— Especial? Nem um pouco convencida, Bonequinha! — A apertei em meus braços mais uma vez, então a beijei demoradamente querendo mais um pouco dela. — Ligue-me, certo?

— Eu deletei seu número — murmurou envergonhada. — Depois daquele dia que dançamos na casa dos Cullen. — Seu rosto assumiu uma expressão dolorosa ao dizer aquilo, eu realmente tinha bagunçado a cabeça dela aquele dia como ela me acusou de ter feito.

— Eu também deletei o seu — confessei, Bella riu, tirando seu celular do bolso do meu moletom que ela usava.

— Vamos corrigir o erro, Garoto do Brooklyn.

Entendi o que ela queria, passando meu celular para ela e pegando o seu. Nós salvamos nossos números no celular um do outro, Bonequinha no meu, Garoto do Brooklyn no dela.

Eu me despedi de Renée, que continuava dormindo, prometendo voltar em breve para visitá-la. Então, sai do quarto com Bella, que disse que me levaria até o elevador.

Sua mão se uniu a minha no instante que saímos do quarto, ela não pareceu se importar com aquilo, em andar por ali — Manhattan — de mãos dadas comigo.

— Bella? — Alguém chamou por ela enquanto caminhávamos em direção ao elevador, nós dois viramos em direção à voz, vi um cara de cabelos escuros andando até a gente.

— Ei, você! — Bella sorriu, largando minha mão quando ele parou a nossa frente, o abraçando.

Foi apenas um abraço, eu não deveria ficar enciumado, mas dane-se, fiquei.

Era algo sobre a paixão que sempre me esquecia, os ciúmes, mas que sempre aparecia. Era um saco, eu tinha ficado puto no dia anterior quando vi Benjamin dançando com Isabella.

— Como você está? — o cara perguntou para ela em um forte sotaque britânico, quando o abraço chegou ao fim.

Quem era ele, afinal?

— Bem, muito bem! — Bella exclamou, olhando de mim para o cara. — Esse é o Edward, meu amigo — frisou no amigo, o que detestei. — Lembra-se que falei dele, não?

Ela tinha falado de mim para aquele cara? Eu estava odiando ser deixado de fora da conversa ali, então pigarrei, chamando atenção.

— Edward Masen. — Me apresentei formalmente para o cara, ele usava uma camisa e calça sociais, com uma maleta em mãos. Talvez fosse um médico ali também, ou um revendedor farmacêutico.

— Joseph Owen — ele disse para mim. — Então, aparentemente vocês se resolveram, não? — perguntou divertido para Bella.

— É, foi isso. — Ela afagou meu braço. — Joe e eu nos conhecemos algumas semanas atrás aqui no hospital, você sabe, quando nós dois... — Ela não completou a frase, deixando com que eu entendesse sozinho e entendi, foi quando eu rompi nossa amizade.

Aquilo foi um soco no meu estômago. Estive culpando o meu eu do sonho por ter deixado Bella para trás, mas o meu eu real já tinha a deixado só uma vez.

— Joe é um excelente conselheiro estudantil, que trabalha como médico nas horas vagas — Bella falou, recobrando seu humor rapidamente. — Ah, e que usa sites de relacionamento para encontrar a futura esposa.

— Par perfeito ponto com — ele disse rindo.

— Algum progresso?

— Nenhum, Bella. As mulheres de New York aparentemente me odeiam — ele brincou. — Como sua mãe está?

— Melhorando — Bella respondeu, soando positiva sobre aquilo. — Ah, hora de ir, Garoto do Brooklyn — falou para mim, chateada, quando vimos o elevador, a alguns passos de distância, chegar ao andar.

— Vejo você depois, Bonequinha. — Afaguei seu rosto, ela concordou.

— Também preciso ir, estou saindo de um plantão de umas trinta horas — Joseph, ou Joe, como Bella chamava, falou. — Até mais, Bella.

— Até, Joe. — Se despediu dele. — Eu realmente vejo você em breve, Garoto do Brooklyn. — Piscou para mim, afastando-se até a direção do quarto de sua mãe.

Eu quis ficar com ela, mas tinha de ir cuidar de Clary, então forcei meus pés até o elevador. Entrei ali com Joe, nós dois indo para o fundo, atrás dos outros visitantes e funcionários ali.

— Bella estava bem mal outro dia — ele comentou em um tom de voz baixo, alguns andares depois. — Ela parece realmente feliz agora. — Olhou para mim, eu assenti, também me sentia mais feliz.

— É meu andar, vejo você por ai, Joseph — falei quando o elevador parou no térreo, ele seguiria até a garagem.

— Se precisar de um cirurgião é só chamar. — Não pude deixar de rir daquilo.

— Pode deixar, se eu precisar de alguém usando um bisturi em mim você vai ser o primeiro da fila.

— Fico grato. — As portas finalmente se abriram e as pessoas a minha frente começaram a sair. — Edward, cuide de Bella, certo?

— Eu irei — disse, mesmo que Joseph Owen fosse um estranho, pois queria deixar aquilo claro para mim. — Irei cuidar, prometo.

***

Minha mãe estava tão apressada aquela tarde, para ir trabalhar, que mal trocamos meia dúzia de palavras. Eu fiquei com Clary pela tarde inteira, até a noite, pois sabe-se lá onde Richard estava, às vezes ele sumia por dias, depois reaparecia como se nada tivesse acontecido.

Eu disse a Clary que uma pessoa especial — como Bellla tinha dito — havia lhe mandado um beijo e, a garota passou o resto do nosso tempo jurando que a pessoa em questão era o Justin Biber, o gosto dela musical com certeza era duvidoso demais para mim. Eu entendia como Bella se sentia sobre eu preferir rock, enquanto ela era a garota dos clássicos.

Mais tarde, quando foi minha vez de ir trabalhar, também não tive tempo para parar e conversar com mamãe. Particularmente gostei daquilo, era melhor evitá-la pessoalmente por um tempo, para não deixar com que ela percebesse que eu estava escondendo algo.

A boate estava relativamente cheia aquela noite, era uma terça-feira, mas a maioria das pessoas já estavam de férias, o que lhes permitia curtir mais em um dia de semana. E, toda aquela gente significava algo, ficar preso atrás daquele balcão, servindo bebidas sem parar.

Era um saco, no começo ser barmen tinha sido divertido, mas a cada dia tornava-se mais irritante ainda. Não era legal, eu apenas servia bebidas e só.

E, foi servindo uma daquelas inúmeras bebidas que a vi. Usava uma saia vermelha curta, uma blusa preta de alças finas e, claro, sapatos de salto. Ela estava linda, mais linda do que na noite anterior, com seus cabelos escuros presos em um rabo de cavalo no alto da cabeça, o que fazia os fios balançarem de um lado para o outro enquanto ela caminhava.

Entretanto, depois que o deslumbramento por vê-la passou, eu enxerguei o cara junto dela. Ele carregava algo que parecia ser uma câmera em uma mão, enquanto a outra estava localizada nas costas de Bella.

Os dois conversavam e riam, ele falava as coisas praticamente no ouvido dela, enquanto Bella também se inclinava na direção dele para falar. O ciúme bateu forte em mim, corroendo-me por dentro.

Quem era aquele cara com Bella? Por que eles pareciam tão íntimos e entrosados um com o outro?

Continuei servindo as bebidas, tentando focar naquilo e não nos dois andando pela boate.

Eu gritava em minha mente as quatro palavras mágicas: não é um jogo.

Ou era? Será que era? Bella esteve me enrolado durante aquele dia e no dia anterior? Aquele era mais um dos seus caras? Talvez o tal cara com quem ela tinha traído o noivo, porra!

Não é um jogo, não é um jogo, não é um jogo!

Eles chegaram próximo ao bar, eu mal podia enxergar o rosto daquele cara com a pouca luz. Servi mais uma bebida, vendo Bella se soltar dele, com uma expressão radiante, ela praticamente saltitou até o bar.

— Olá, Garoto do Brooklyn! — gritou contra a música alta, inclinando-se por cima do balcão, puxando-me pela gravata idiota do meu uniforme, plantando um beijo em meus lábios.

Não era um jogo, ela não estava jogando, me dei conta daquilo, respirando aliviado.

— Ei, o que...

Eu fui interrompido pelo cara parando ao lado dela, como pensei, ele carregava uma câmera.

— Oi, cara! — falou comigo, soando simpático, mas eu não o conhecia para afirmar isso. O ciclo social de Bella era uma merda, tirando Alice, eu sabia por Jasper que todos os outros riquinhos que frequentavam o mesmo clube que ela eram insuportáveis ao extremo.

— Esse é o Arthur — Bella começou a apresentação. — Art, esse é o Edward, meu... — ela se interrompeu, afinal não tínhamos um rótulo.

Talvez foi o ciúmes, talvez a paixão, quem me fez dizer aquilo, mas quando me dei conta já estava falando:

— Namorado. — Vi Bella me encarar confusa e chocada, tudo ao mesmo tempo. — Sou namorado da Bella.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 29.05.17