Sob minha Pele
27 Capitulo Vinte e Seis
Notas iniciais
— Capitulo Vinte e Seis —
— Bella —
Observar Renée tinha se tornado parte da minha rotina naqueles últimos dias, seja ela acordada ou dormindo. Eu apenas ficava no meu posto ao seu lado na cama, a assistindo respirar, o que queria dizer que ela estava viva, o que apesar de tudo me enchia de paz.
Ainda era aterrorizante me lembrar de quando ela quase morreu, eu não achava que um dia seria capaz de esquecer aquele dia, de esquecer Renée sem respiração ou batimentos cardíacos. Eu continuaria sendo assombrada por aquele domingo, dia após dia, até o fim da minha vida.
Porém, ver que — mesmo aos poucos — minha mãe estava melhorando, enchia-me de felicidade. Uma felicidade que nunca senti, nem mesmo antes de tudo, quando a vida era calma e comum para mim.
— Você vai ficar bem, mamãe — sussurrei para ela no meio daquela tarde, depois de sua sessão de fisioterapia.
Como ela estava dormindo, a fonoaudiologia teve de ser cancelada por aquele dia, pois os médicos não queriam forçar Renée a ficar acordada, sabendo que ela precisava de descanso. Mas, a equipe de fisioterapia tinha passado por ali, feito alguns exercícios e ido embora. Renée não acordava com nada daquilo, o que me dizia que ela estava bem cansada, mesmo com dias tendo se passado desde que acordou pela primeira vez, seu corpo ainda necessitava de repouso.
— Você gostou do Edward, não é? — perguntei baixinho para ela, sorrindo.
Ele tinha ido comigo para o hospital aquela manhã, ficado pouco tempo, mas pegou Renée acordada. E, eu o nomeei meu amuleto da sorte, pois todas as vezes que ele esteve naquele quarto, Renée também esteve acordada.
Mamãe ainda não tinha recuperado sua fala, mas, eu pude ver em seus olhos e na sua tentativa de um sorriso, como ela tinha ficado contente em ver Edward. Já tinha contado para ela antes sobre o fim do meu relacionamento com Jacob, então quando me viu com Edward ela entendeu o que estava acontecendo. O que me enchia de mais positividade, ela ainda tinha uma porção de sequelas do acontecimento, mas estava progredindo.
Um dia nós duas deixaríamos aquele hospital, para sempre. Nós seriamos felizes longe daquelas paredes brancas, longe daqueles aparelhos médicos e da incerteza do amanhã. Nós encontraríamos a felicidade, recomeçaríamos juntas e daquela vez eu iria observá-la e ia amá-la como ela merecia, como minha mãe.
— Amo você, mamãe. — Beijei sua testa. — Amo tanto, Renée. — Limpei a lágrima correndo por meu rosto.
Eu faria tudo por ela, iria ser a melhor filha do mundo. Renée nunca mais teria motivos para desistir, eu lhe daria todos os dias mil motivos para fazê-la seguir em frente, estaria ao lado dela lhe ajudando a olhar o futuro, nunca a deixaria cair.
— Logo você estará longe daqui, mamãe. — Afaguei seu rosto adormecido. — E nós seremos tão felizes, pode apostar que sim. — Eu ri baixinho. — Mal vejo a hora de levá-la para casa, de levá-la para ver Edward tocando, eu já sei que você amará a música da The Dragons, é tão barulhenta como você gosta. — Ri mais um pouquinho, sentindo meu coração esquentar com a ideia de um futuro tranquilo, onde tudo estaria bem.
Mamãe saudável, voltando a pintar como um dia tanto amou. Eu me formando em Columbia, talvez pintando com mamãe. Vovô e mamãe se entendo, nós três reconstruindo nossos laços eternos. E, por fim, Edward.
Ele estaria ali, eu o queria ali, já não conseguia imaginar minha vida sem o Garoto do Brooklyn. Mesmo com as diferenças, mesmo com os receios e as provocações, eu gostava tanto dele, eu me sentia tão bem com ele, queria mais daquilo, mais daquele sentimento novo em meu peito, nomeado paixão.
— Edward deveria ligar para o Phill, mamãe — falei, suspirando alto. — Ele e os outros estão perdendo tempo, não acha? O quanto antes Phill vê-los tocando e saber que os quatro são bons, logo irá contratá-los para a gravadora que trabalha. Edward e Rosalie vão poder deixar a droga daquela boate, Jasper não será mais um instrutor de tênis e Emmett vai cair fora da academia. Não que eu me importe com Emmett, ele é um babaca, mas se essa oportunidade com Phill quer dizer que Edward vai conseguir algo melhor em sua vida, eu acho que ele deva tomá-la para si de uma vez.
Olhei para o meu celular sobre a mesinha no canto do quarto, eu tinha o número de Phill salvo ali, por que não ligava para ele? Edward e os outros estavam sendo covardes, mas eu poderia resolver aquilo.
— É isso, mamãe. — Suspirei alto, tomando uma decisão. — Se Edward está sendo medroso, eu farei contato com Phill em nome da The Dragons. — Me afastei de Renée, indo até meu celular, o pegando e logo alcançando o número de Phill na lista de contatos.
Não falava com ele desde que lhe enviei a mensagem falando sobre a The Dragons, Phill também não tinha respondido, mas esperava que aquilo não fosse um problema. Ele foi namorado de Renée no passado, foi até o hospital visitá-la, poderia ir checar a banda um dia ao meu pedido, a filha de sua ex-namorada, alguém que ele claramente ainda nutria sentimentos bons como demonstrou quando esteve ali a visitando.
— Alô! — Ele atendeu, soando apressado.
— Phill, é Bella — anunciei. — Filha de Renée.
— Sim — sua voz soou menos agitada ao falar aquilo. — Não me esqueci de você, Bella, como sua mãe está? — Tinha preocupação em seu questionamento.
— Melhorando — respondi, olhando para Renée ainda dormindo. — Mas, não foi para falar sobre ela que liguei — confessei, sentando na poltrona. — Recebeu minha mensagem outro dia, não? Sobre uma banda, a The Dragons.
— É, eu me lembro da sua mensagem, mas não recebi a ligação de ninguém com uma banda com esse nome. — Sim, porque os integrantes da banda estavam sendo covardes. — Tem certeza de que repassou o número certo a eles?
— Tenho, tenho. — Percorri minha mão por meus cabelos. — O pessoal da banda esteve um pouco desligado nos últimos dias, mas eles estão voltando agora. — Resolvi não dizer a Phill sobre os temores dos componentes da The Dragons, não era bom começar dizendo que nem eles mesmos confiavam no que estavam fazendo. — Irão tocar na sexta-feira — contei, repassando a informação que Edward tinha dito para mim aquela manhã quando seguíamos o caminho do Brooklyn para Manhattan.
— E você quer que eu vá vê-los tocando — Phill finalizou meu pedido.
— Eu sei que vai gostar bastante deles, Phill — falei com confiança. — Boate Night Club, no Brooklyn, banda The Dragons. Conto com você lá?
— Bella, eu não sei, talvez fosse melhor eles me enviarem alguma demo — falou relutante, eu sabia que os meninos e Rosalie não iam concordar com aquilo, precisava que Phill fosse vê-los e ouvi-los ao vivo.
— Por favor, por favor, por favor — insisti, colocando meu melhor tom doce no pedido. — Faça isso por mim, Phill — implorei. — Por mais alguns meses com minha mãe e eu teria sido sua filha, não é?
Ele gargalhou.
— Deus, sim, eu realmente quase fui seu pai.
— Viu? Nós temos uma ligação, quase pai — falei, sorrindo.
Porra, Phill com certeza teria sido um pai melhor que o filho da puta do Caius era. O destino era uma merda comigo, disso eu tinha certeza.
— Faça isso pela sua quase filha, certo? Só precisa ir lá, vê-los tocando e irá me agradecer por ter colocado em seu caminho uma banda tão boa.
— Eles são mesmo bons, Bella?
— Excelentes, você pode confiar em mim, eu não o faria ir até o Brooklyn por qualquer coisa.
— Tudo bem — ele cedeu. — Você venceu!
Sim, eu sabia que venceria, sempre ganhava o que queria.
— É insistente como sua mãe, saiba disso. — Olhei para mamãe sobre a cama, meu peito doendo ao pensar que a Renée que um dia Phill conheceu realmente foi alguém insistente, mas aquela ali tinha desistido.
— Eu o vejo na boate na sexta-feira, então?
— Estarei lá, espero que eles sejam realmente bons, Bella.
— Tem minha palavra. — Animação voltou a me dominar, tudo daria certo, a banda arrasaria e Phill os contrataria. Edward ficaria rico e famoso, ele iria crescer e se tornar um rockstar fodão. — Até sexta.
— Até, cuide-se.
— Pode deixar.
Nós desligamos em seguida, o que me permitiu soltar um gritinho de comemoração, mas não alto suficiente que acordaria mamãe.
Eu não contaria para ninguém sobre aquilo, deixaria com que a presença de Phill para o pessoal da The Dragons fosse notada só no final do show, quando ele fosse até eles para os parabenizar e dar as boas novas sobre o contrato que com certeza iria fazer. Já podia imaginar todos no final me agradecendo, felizes por eu ter tomado a inciativa de chamar por Phill.
— Eu estou saindo com um futuro astro do rock, mamãe — falei para Renée, sem conter o sorriso bobo no meu rosto.
Pensando em como seria legal sair viajando por ai com Edward em turnês da banda, não tínhamos um rótulo para o nós, mas com certeza estaríamos juntos. Era sério quando eu repetia que não era um jogo, tudo que queria para nós dois era que pudesse durar bastante, talvez para sempre fosse um bom começo.
— Olá, garota do Brooklyn! — Alice exclamou quando entrou no quarto de Renée.
— Há, muito engraçado — debochei, mas não consegui esconder um sorriso ao pensar em Edward, o meu Garoto do Brooklyn. — Você é mais do Brooklyn do que eu.
— É, talvez, mas você só está começando. — Ela fechou a porta, me lançando um olhar animado. — Antes que eu te encha de perguntas sobre sua noite com Edward, tenho uma novidade.
— É, qual? — perguntei curiosa.
— Arthur voltou para New York e ele quer muito te ver.
— Que Arthur? — indaguei confusa, ainda pensando em Edward, fama, turnê e sexo nos bastidores dos seus shows. Odiava rock, mas tudo aquilo parecia muito quente.
— Deus, Bella! — Alice revirou os olhos, andando até mim. Eu já sabia que ela ia aparecer ali, tinha me enviado mensagens avisando aquilo e, era bom ter minha melhor amiga sempre por perto me apoiando com Renée e tudo mais. — Arthur Davis, o afilhado dos meus pais, lembra-se agora?
— Claro, claro que lembro — confirmei pensando em Art.
Não éramos melhores amigos, mas como ele era afilhado dos Cullen sempre esteve por perto enquanto eu estava com Alice. Nós três tivemos algum tempo de uma amizade mais próxima, até Arthur, sendo mais velho que Alice e eu, se mudar para Berkeley na Califórnia, onde foi estudar depois do colegial.
— O que ele quer comigo? — perguntei hesitante, temendo a mente extremamente criativa de Arthur. Não sei se era confiável topar algo com alguém que estava a dois anos viajando o mundo como um mochileiro, dormindo em albergues e coisa e tal, isso não era nada atrativo.
— Ele não contou, apenas falou que você vai adorar o que ele tem a oferecer.
— Eu não sei se gosto de como isso soa — murmurei, já que no meu tempo mais próxima de Arthur, tínhamos ficado uma vez. Só uma vez mesmo, eu era nova — Jacob viria depois disso — e ele um cara mais velho que estava sempre por perto, quisemos ver como seria, mas um beijo depois e deixamos aquilo de lado.
E se ele já soubesse sobre o fim do meu namoro/noivado com Jacob? Se estivesse querendo ver como seria com nós dois mais experientes? Eu definitivamente não queria aquilo, tinha Edward e estava preservando nosso nós exclusivo, meus dias de traidora ficando enterrados no passado.
— O que está vestindo? — Alice mudou de assunto, olhando com atenção para o moletom de Edward que eu estava usando.
— Nem queira saber — choraminguei olhando para meu visual. — Você por acaso não tem roupas ai que podem me dar um aspecto menos Brooklyn? — perguntei, eu adorava como o moletom de Edward tinha seu cheiro e tudo mais, porém isso não queria dizer que eu sairia por ai tranquila em estar com roupas que com toda certeza não combinavam comigo.
— Não. — Alice riu, checando Renée. — Ela parece bem hoje.
— O amuleto da sorte esteve aqui.
— Desculpe?
— Edward. — Um sorriso carinhoso tomou conta dos meus lábios ao falar dele. — Nós três tivemos um bom tempo essa manhã, Renée parecia bem contente com ele aqui.
— Eu estou tão feliz por vocês dois, amiga — Alice disse radiante. — Como foi a noite? — perguntou maliciosamente.
— Eu não vou compartilhar — falei, ganhando uma careta de Alice. — Sério, tudo que você precisa saber é que foi muito bom. Tipo, muito bom!
— Eu posso ver pelo brilho no seu rosto. — Alice riu. — Tudo bem, eu prometo não interrogá-la sobre os detalhes.
— Obrigada por isso.
— Mas, vocês ainda não tem um rótulo?
— É, nada de rótulo, mas somos exclusivos — afirmei, Alice me encarou em confusão, acenando negativamente com a cabeça.
— Certo, está me dizendo que vocês estão por ai se pegando, você está usando a roupa dele, passando a noite em seu apartamento e que logo no primeiro dia vocês concordaram que não sairão com outras pessoas? — Eu assenti para sua pergunta. — Bella, isso é um namoro — declarou.
— Não, não é um namoro.
— Oh, Bella, isso com certeza é um namoro. — Ela me lançou um sorrisinho maroto. — Jasper e eu começamos dessa mesma maneira, quer dizer, eu não tive sexo com ele na primeira noite como você e Edward tiveram, mas nós ficamos nessa de exclusivos até ele por fim perceber que o que queria de verdade era um pedido de namoro, ai oficializamos tudo.
— Não quero um pedido de namoro — resmunguei. Eu não ligava para aquelas besteiras românticas, até dias atrás sequer acreditava que realmente podia me apaixonar, não estava esperando Edward fazer um pedido de namoro cheio de pompa, ou qualquer coisa assim como deveria ter sido entre Alice e Jasper. Não mesmo. — Edward ainda está todo receoso com nós dois, eu não vou ficar forçando uma relação.
— Vocês se gostam — ela insistiu. — Além do mais, falar a palavra namoro não dói, afinal vocês já namoram só estão fugindo de um rótulo.
— Não somos como você e Jasper, Alice, sabe disso, precisamos ir com calma.
— O quê? Por que você traiu Jacob e Edward sabe disso? Por que vocês dois não se davam bem no começo? Bella, esqueça essa merda toda, certo? Vocês estão se dando bem agora e foi Jacob quem você traiu, isso não quer dizer que vai trair Edward.
— É, mas trai Jacob com Edward uma vez — lembrei. — Teria ido muito além disso se o Masen não fosse absurdamente honrado, não posso julgá-lo por ficar com medo do que eu sou capaz de fazer, não quando ele conhece meu histórico.
Alice respirou fundo.
— Você o trairia, Bella? Trairia Edward?
— Não, nunca — confidenciei. — Eu estou apaixonada por ele, nunca faria isso, Al. Trair Jacob foi errado, certo, eu sei disso, mas eu não estava de verdade naquele namoro, então não me senti realmente mal por ter o traído. Mas, fazer isso com Edward? Não, eu não poderia magoá-lo dessa forma, não é um jogo.
— Foi um jogo no começo — Alice disse, avaliando-me. — Você o queria para provar a si mesma algumas coisas, não?
— Sim. — Me senti péssima por aquilo. — E, sei que comecei tudo errado entre ele e eu, que fui mimada, arrogante e tudo mais todas as vezes que tentei o arrastar para a cama mais próxima para fazê-lo ser meu só para que eu provasse a mim mesma que podia ter tudo e todos. Só que, não é mais assim, não é mais assim desde que Edward veio até mim nesse hospital quando mais precisei de suporte.
— Viu? — Ela sentou no braço da poltrona que eu estava, dando palmadinhas em minha cabeça. — Você está amadurecendo, pequeno gafanhoto. — Eu tive de rir daquilo. — Pronta para um relacionamento sério, cheio de paixão, respeito, confiança e tudo mais com Edward, que é um cara anos luz melhor que o Black. Estou orgulhosa de você, de verdade. — Apertou minha bochecha. — Quando vai começar a usar coturnos?
— Vá se danar, Alice — resmunguei. Coturnos nunca, eu manteria meus preciosos Jimmy Choo.
— Voltando a falar em Arthur.
— O que tem ele agora? — perguntei.
— Eu comentei sobre a Night Club, Art nos intimou a ir com ele, falou que está com saudades da noite nova-iorquina.
— Ele tem uma perfeita noite nova-iorquina aqui em Manhattan, por que ir até o Brooklyn?
Alice riu, dando mais umas palmadas na minha cabeça, eu ia dar na cara dela em breve se continuasse com aquilo.
— Bella, você também tinha uma porção de caras aos seus pés aqui em Manhattan, mas acabou na cama de um do Brooklyn.
— E não me arrependo. — Suspirei, flashes de memória da minha noite com Edward pipocando em minha mente. — Foi tão bom!
— Eu não preciso mesmo de detalhes.
— Não te darei detalhes, pode ficar tranquila. Então, vamos para a Night Club essa noite com Arthur?
— Isso mesmo, sabe como o Art gosta de bancar o desbravador de lugares novos, ele vai adorar a boate. — Mais uma palmadinha em minha cabeça, eu acertei a coxa dela de volta. — Ai, Bella! — reclamou.
— Bateu, levou, Cullen.
— Você é agressiva, né? Bateu muito em Edward ontem? Já sei, vocês dois curtem BDSM! Algemas, couro, chicote, aquelas coisas de colocar nos mami...
— Alice! — exclamei, fazendo com que ela se calasse. — Como você sabe tanto assim? — perguntei chocada, na minha cabeça ela ainda era a inocente Alice de nossa adolescência.
— Qual é, Bella? — Ela deu um sorrisinho malicioso.
— Sério? — Fiz uma careta. — Você e Jasper? — Aquilo era inacreditável, pelo menos vindo da Cullen. — Não consigo mesmo acreditar nisso.
— Tá, tá bom. — Ela bufou, corando um pouco. — Não fizemos nada disso, eu apenas andei lendo alguns livros eróticos com o tema.
Foi impossível não gargalhar diante sua confissão, por sorte não despertei Renée de seu sono com aquilo.
— Falando em roupas...
— Não estávamos falando em roupas, Al, estávamos falando sobre seus fetiches secretos — eu disse, ainda rindo. — Já contou pro Jasper? Quem vai ser o dominador da relação de vocês? Do jeito que você é irritante eu super vejo Jasper como o submisso, ele vai andar com uma coleira por ai?
— Falando em roupas — ela repetiu, tentando ignorar minha fala. — Eu vejo meus sapatos. — Apontou para meus pés. — Mas não vejo meu vestido em lugar nenhum. — Gesticulou ao redor do quarto.
— Opa! — Lhe lancei um sorriso pequeno. — Então, eu meio que joguei seu vestido fora.
— O quê? — De vermelha pós ter confessado seu interesse por BDSM, Alice ficou pálida. — No lixo?
— No lixo.
— Isabella! — Ela bateu em minha cabeça.
— Alice! — Bati em sua coxa. — Oh, desculpe, não é porque te bati que quero entrar em uma relação BDSM com você.
— Vá se foder — ela xingou.
— Eu já fui, duas vezes antes de dormir, uma ao acordar.
Ela me olhou indignada.
— O quê?
— Tudo isso?
Assenti, Alice revirou os olhos, cruzando os braços na frente do corpo, aborrecida.
— Jasper precisa recuperar o gás do começo do nosso namoro.
***
Com vovô ainda em Boston, ele voltaria apenas no domingo de tarde, eu me permiti sair aquela noite também. Claro que depois de checar com Carlisle, que estava de plantão, que Renée ficaria bem e que eu poderia ir despreocupada para o Brooklyn com sua filha e seu afilhado.
Mas, também liguei para vovô, informando que não estaria em casa. Eu já estava mentindo a ele sobre meu real paradeiro, dizendo que ficaria em Manhattan com os Cullen, não precisava mentir mais ainda que estaria em casa quando na verdade não estaria.
Ele, para meu alivio, não criou problemas. Falamos rapidamente, já que ele estava saindo para um jantar com alguns empresários de Boston e não poderia se prolongar com a ligação, concordando com tudo que falei, tendo de desligar para voltar aos negócios.
Passei em meu apartamento no começo daquela noite, preparando-me para passar a noite fora. Arrumei-me para ir à boate, como também preparei uma grande bolsa — que eu poderia deixar no carro de Alice, uma vez que ela anunciou que estaria dirigindo seu Porsche até o Brooklyn — com roupas e tudo mais de necessário para que eu pudesse usar no apartamento de Edward quando fosse com ele para lá.
Certo, eu estava me auto convidando para passar a noite no apartamento dele, uma vez que quis fazer da minha aparição na boate uma surpresa. Ainda assim, não achava que o Masen fosse negar minha presença em sua cama, não depois de uma noite intensa e de uma manhã igualmente boa.
— Olá, senhorita Brooklyn! — Esme falou quando abriu a porta de seu apartamento para mim, fazendo com que eu corasse.
— Alice é uma fofoqueira — acusei, Esme riu suavemente.
— Um pouquinho, mas prometo que será uma fofoca mantida apenas entre a gente — Esme disse. — Você está linda, aliás.
— Obrigada! — agradeci, sorrindo para ela.
— Entre, entre. — Esme indicou o interior do seu apartamento. — Alice está terminando de se arrumar, mas Art está lá na sala esperando por vocês para saírem.
— Certo — concordei, seguindo com ela até a sala de estar, como dito, Arthur estava ali.
O afilhado dos Cullen tinha nascido em New York, também era filho de médicos como os pais da minha melhor amiga, mas passou o começo de sua infância em Toronto no Canadá, até que retornasse com a família para os Estados Unidos aos cinco anos. Ele tinha vinte e um anos, quando se formou em Jornalismo pela Berkeley e caiu no mundo como mochileiro, sozinho com suas câmeras e sua vontade de desbravar o globo terrestre.
Arthur Davis era alto, mas ainda mais baixo que Edward, seus cabelos eram negros e tinha recebido um bom corte, sendo que quando ele saiu em sua viagem pelo mundo estava mantendo um duvidoso cabelo longo que lhe permitia até mesmo prender em um rabo de cavalo. Os olhos dele eram azuis, bem azuis. E, sua pele branca estava bronzeada, indicando que ele tinha vindo de algum lugar com maior incidência solar aquela época do ano.
— Ai está você! — ele exclamou a me ver, deixando sobre o sofá sua fiel câmera fotográfica, indo até mim.
— Ei, oi, Art! — falei, sendo sufocada por seu abraço, ganhando um beijo na bochecha.
— Vou apressar Alice, ou vocês não saem daqui hoje — Esme disse, desaparecendo pela escada que lhe levaria ao segundo andar.
— Como você está? — Arthur perguntou quando me soltou, sua voz parecia uma grande bagunça de vários sotaques, ele realmente tinha passado um longo tempo fora de New York.
— Bem, quer dizer, você sabe, né? — Ele assentiu.
— Eu quis te ligar quando descobri sobre sua mãe, mas falei com tia Esme e ela disse que era melhor não ficar te importunando muito. Há algo que possa fazer por você? — Afagou meu braço carinhosamente.
— Está tudo bem agora — assegurei. — E você? Dois anos fora, né? Deve ter se divertido aos montes — mudei de assunto logo, sem querer ficar triste por Renée aquela noite.
Arthur riu, coçando o queixo.
— Bella, divertir é uma palavra muito rasa perto do quanto aproveitei essa viagem, deveria ter ido comigo.
— Claro e atrasar meu tempo em Columbia — debochei, Arthur revirou os olhos.
— Aprendi muito mais viajando por ai do que aprendi em Berkeley, acredite.
— Imagino o tipo de diversão que teve, eu vi as fotos que enviou da Holanda. — Soquei seu ombro, fazendo com que Arthur risse novamente.
— Foi um dos melhores destinos da viagem — ele disse em um tom saudoso. — Eu fiquei sabendo que terminou com o chato do Black.
Engoli em seco, era ali que Arthur sugeriria uma nova chance para nós dois? Porra, onde estavam Alice e Esme quando se precisava das duas?
— É, mas...
— Esqueça o Black, eu tenho uma proposta imperdível para você — falou, impedindo que eu falasse que Jacob estava fora, mas que Edward existia.
— Escuta, Art — comecei cautelosamente. — Você é um cara legal, mas nós não demos certo quando éramos mais novos, com certeza não daríamos certo agora. Eu estou apaixonada por outro cara, estou ficando com ele e tudo mais. Na verdade, é para a boate que ele trabalha que estamos indo, então se você insistir nessa de nós dois... — Eu me calei quando vi Arthur segurando uma risada. — Do que está rindo?
— De você — respondeu. — Desculpe. — Ele riu um pouco. — É apenas engraçado como deduziu que eu estava tentando te pegar, quer dizer, você com certeza está mais bonita agora do que quando ficamos uma porrada de anos atrás, mas eu realmente não quero nada com você, Bella.
— Ufa! — Respirei aliviada e, aquilo me surpreendeu.
O último cara que disse que não queria nada comigo foi Edward e, eu fiquei louca atrás dele. Então, Arthur falava aquilo e eu não podia me importar menos com ele não querendo nada comigo, na verdade, até agradecia por o Davis não estar querendo nada daquele tipo, era a prova de que estava apaixonada por Edward, que não era um jogo, já que nenhum outro cara me importava mais.
— Qual sua proposta para mim, então? — questionei, vendo um grande sorriso surgir em seu rosto.
— Eu estava no México, você sabe, o primeiro país que fui durante minha viagem, quando tive essa ideia de fotografar garotas...
— Não estou surpresa. — Revirei os olhos.
— Deixe-me falar, Bella — pediu, voltando a contar seu plano, com animação. — Como estava dizendo, fotografar garotas tipicamente locais, fiz um ensaio com uma garota de cada país que passei.
— Você transou com todas?
— Bella! — exclamou indignado, eu ri, sabia que Arthur não era aquele tipo de cara. — Então, agora estou de volta aos Estados Unidos e quero que você seja a modelo representando nosso país.
— Sério?
— Sim, claro que sim! — exclamou, parecendo tão empolgado como Alice com, sei lá, qualquer coisa. — Vamos capturar você por toda Manhattan, tem a essência desse lugar em sua pele, Bella. Vai combinar perfeitamente com meu projeto, não há ninguém melhor para representar os Estados Unidos, New York, Manhattan, do que você. Eu já tenho duas galerias grandes aqui de Manhattan interessadas no projeto, você pode me ajudar a decidir qual acha melhor para ter sua imagem divulgada, a ideia é fazer a exposição no começo de agosto.
Parei para pensar naquilo, eu toparia na hora antes de tudo. Antes de Renée, antes de terminar com Jacob, antes de mudar como estava mudando. E, apesar da ideia de Art ser muito tentadora, principalmente para meu lado artista que entendia muito bem o que ele estava fazendo, eu não me sentia confortável em participar daquilo.
— Vamos, Bella, eu preciso de você — Arthur insistiu, sorrindo largamente para mim, enquanto me olhava dos pés a cabeça. — Isso seria incrível, nós quase fizemos antes da minha viagem, vamos fazer agora.
— Eu não tenho certeza, Arthur — sussurrei, pensando em tudo que aquilo poderia implicar.
— Bella. — Ele tocou em meu queixo, erguendo meu rosto, sua mão mantendo-se em minha face. — Eu preciso muito, muito de você.
— Realmente não vai rolar, Art. — Tirei sua mão do meu rosto. — Com minha mãe doente, com o rompimento do meu namoro com Jacob, com esse novo cara, tem muito em minha cabeça, não quero entrar em mais algo agora. — Renée, Jacob e Edward não eram os verdadeiros motivos para minha recusa, eu não queria que vovô tivesse problemas com minha super exposição, eu tinha de preservar sua saúde já debilitada. Ele, com certeza, não gostaria nada de me ver servindo de modelo.
— Mas, nós íamos fazer aquele ensaio no Central Park, antes de eu viajar — lembrou. — Você é uma modelo perfeita, Bella, sabe que a câmera te ama.
— É, eu sei — concordei com aquilo. — Mas, isso é diferente do ensaio no Central Park, aquilo seria apenas um ensaio pequeno. Essa sua ideia é fantástica, Art, provavelmente será o trabalho de sua vida. Quer dizer, você levou dois anos rodando o mundo para fotografar essas garotas, não quero que estrague tudo no final com uma modelo claramente desanimada para esse tipo de coisa. — Apontei para mim.
Ele suspirou, mas assentiu.
— Certo, isso foi indelicado da minha parte, deveria ter percebido que você não está no clima para essas coisas.
— Que bom que entendeu, por que não usa Alice como sua modelo?
Arthur fez uma careta.
— Alice não tem a alma de Manhattan como você.
— Certo, eu vou ser uma boa amiga e ajudá-lo a achar alguém que capte a essência de Manhattan — prometi.
***
Quando Alice finalmente terminou de se arrumar, ela estava tendo alguma crise com suas roupas aquele dia, nós pudemos entrar em seu carro e partir para o Brooklyn. Deixei Art ir no banco da frente, enquanto ia no de trás, querendo de uma vez chegar a Night Club para poder ver Edward.
Eu já estava com saudades dele, queria muito dele, mas se tivesse apenas um beijo e abraço já seria suficiente. Maldita paixão que me fazia soar como uma adolescente boba, mas essa era a verdade.
Alice e Arthur passaram o caminho inteiro falando, eles não eram irmãos, mas tinham muito em comum já que tiveram criações semelhantes. Então, com eles falando sem parar, eu me mantive quieta no banco de trás, querendo relaxar um pouco para aguentar nosso tempo na boate, que eu sabia que seria intenso tendo de lidar com os dois, mas pelo menos Alice estava fora da bebida já que estava dirigindo.
Jasper, segundo ela, não poderia nos encontrar lá. Ele teria de ir trabalhar cedo na manhã seguinte, sendo assim não poderia virar a noite na boate. E, como Alice tinha de levar Art de volta para Manhattan de qualquer forma, ela não poderia ir atrás do namorado no loft que ele dividia com o chato do Emmett.
— Melhor vocês descerem aqui e entrarem logo — ela falou, parando o carro diante a Nigth Club. — Eu vou buscar por uma vaga.
— Tem certeza de que não quer que eu vá com você? — Arthur perguntou preocupado para ela, eu estava quase saindo do carro para ir buscar por Edward naquela boate. — Pode ser perigoso voltar para cá só.
— Pode deixar, eu me cuido — Alice disse, flexionando seu braço. — Tenho malhado, posso quebrar a cara de alguém que ousar tocar em mim.
Eu ri.
— É, além do mais ela é uma dominadora, os homens tem de servi-la.
Arthur me olhou com curiosidade.
— O que quer dizer, Bella?
— Pra fora do meu carro, os dois! — Alice ordenou, destravando as portas.
— Nós temos de obedecer, Art, ela gosta de submissos.
— Bella! — Alice guinchou, eu ri, saindo do carro com Arthur.
Nós molhamos a mão do segurança da boate com grana, conseguindo entrar sem apresentar minha identidade e com certeza sem precisar enfrentar a longa fila de pessoas que queriam entrar como a gente. Mesmo sendo uma terça-feira, a Night Club estava cheia, afinal aquela época do ano muitos já estavam de férias, fora que New York estava cheia de turistas, como sempre.
Ainda estávamos na entrada da boate, quando um cara que deveria ter o dobro da minha altura, passou por mim como uma bala, quase me levando ao chão. Arthur gritou com ele, o mandando olhar por onde andava, mas o homem já estava longe.
Art colocou sua mão livre no meio das minhas costas, impedindo que qualquer outro acabasse me derrubando no chão. O que aconteceria muito fácil, eu usava saltos bem altos aquele dia, que me davam quase estabilidade nenhuma ao andar, talvez Edward estivesse certo sobre o lance dos sapatos, mas não ia abrir mão dos meus preciosos saltos.
Seguimos em direção ao bar, onde eu finalmente encontraria Edward, conversando — sobre Alice e seu entendimento sobre BDSM — com Art como podíamos, já que a música era absurdamente alta. Eu realmente não gostava daquela barulheira toda, mas podia suportar por uma noite.
Assim que chegamos próximo ao bar, vi Edward. Mesmo com o aglomerado de pessoas esperando por suas bebidas, mesmo com a fraca luz, foi impossível não vê-lo ali.
Ele parecia irritado com algo, enquanto servia drinks sem parar. E, por um segundo me perdi nele usando uma camisa social branca com as mangas dobras em seus braços, assim como uma gravata vermelha, eu já queria tirar tudo aquilo dele.
Soltei-me de Art, cruzando o aglomerado de pessoas ao redor do bar para alcançar Edward.
— Olá, Garoto do Brooklyn! — gritei, sentindo-me extremamente animada por estar o vendo. Joguei meu corpo contra o balcão, puxando Edward para mim por sua gravata, lhe dando um beijo.
— Ei, o que...
Edward começou a falar, mas se calou quando Arthur se colocou ao meu lado junto ao balcão.
— Oi, cara! — Arthur o cumprimentou.
— Esse é o Arthur — os apresentei. — Art, esse é o Edward, meu... — Eu me calei rapidamente, o que diria? Que éramos amigos? Que estávamos por ai nos pegando e éramos exclusivos? Era melhor não dizer nada, já que nosso nós era livre de rótulos.
Edward, então, me pegou de surpresa com sua fala:
— Namorado. — Eu o encarei, chocada com sua apresentação, sem saber o que pensar sobre aquilo. — Sou namorado da Bella.
— Você com certeza é. — Arthur me lançou um sorrisinho presunçoso, mas eu continuava estática sobre a fala de Edward. — Eu sou afilhado dos pais de Alice, você a conhece, certo?
— Claro, claro. — Edward engoliu em seco, olhando rapidamente para mim, parecendo culpado.
— Ei, Edward, menos papo e mais bebidas. — Um cara loiro, circulando atrás do balcão, ordenou, provavelmente era seu chefe.
— Certo — Edward falou para ele, sem conseguir esconder uma careta de insatisfação. — Você quer beber o que, Bonequinha? — perguntou para mim.
Nós tínhamos nos tornado namorados? Daquele jeito completamente do nada? Não precisava de um pedido, só queria que ele...Só queria que ele tivesse sido mais gentil sobre aquilo.
— Eu vou querer uma cerveja — Arthur respondeu quando continuei muda.
— Bella? — Edward insistiu comigo. — Cerveja, vodca... — Algo em meu rosto o fez parar de dizer nomes de bebidas alcoólicas. — Um drink, sem álcool, de morango? — Mesmo ainda em choque com a rotulação do nosso nós, concordei com um aceno de cabeça para a proposta final de bebida.
Edward entregou a cerveja para Art, junto com uma comanda, começando a preparar meu drink.
— Você está bem? — o afilhado dos Cullen me perguntou.
— Sim — murmurei, sem nem me importar se ele tinha ouvido minha resposta.
Era isso mesmo? Edward e eu estávamos namorando? Mas, como ele decidia aquilo só? Eu não devia participar da reunião que nomeava nosso nós? E, como ele tinha aderido a um rótulo em apenas vinte e quatro horas? Sendo que na noite anterior estava todo cheio de receios.
— Aqui, Bonequinha. — Edward entregou meu drink, nossas mãos se esbarrando quando o copo passou dele para mim. Seu olhar sobre mim era apreensivo, cauteloso. — Não, por minha conta — ele recusou a comanda do bar que estendi a ele.
— Hum, Bella, acho melhor irmos atrás de Alice — Arthur sugeriu depois de tomar um gole de sua bebida. — Ela é tão pequena, vai acabar sendo pisoteada pela multidão. — Aquilo me fez rir, mas também fez Edward revirar os olhos, ele não parecia muito suscetível a Arthur.
Foi pensando naquilo que liguei os pontos, ele só tinha se intitulado meu namorado por ciúmes.
— Vejo você depois — falei para Edward, ouvindo a irritação em minha voz.
Eu estava puta, por ele ter colocado um rótulo em nós só por conta dos seus ciúmes. Não era um maldito objeto, que ele podia requerer um atestado de dono usando a porra de um pronome possessivo. Se fosse para se intitular meu namorado, que fizesse aquilo porque realmente queria, não só para demarcar território.
Ele apenas concordou com um aceno de cabeça, voltando ao seu trabalho, enquanto eu ia atrás de Arthur localizar minha amiga.
— Então, namorado — Arthur disse em um tom cheio de diversão, olhando ao redor a procura de Alice.
— Não, Art, não! — exclamei, querendo que se calasse sobre aquilo, o que para seu próprio bem, ele fez.
Nós fomos em direção às mesas do fundo da boate, o mais longe possível da multidão que dançava na pista como se suas vidas dependessem daquilo. Depois da pista, eu podia ver o palco, aquele dia vazio, mas que teria a The Dragons tocando no fim da semana.
— Ai, estão vocês! — Alice se uniu a gente segundos depois de chegarmos à mesa. — Está tão legal aqui, queria que Jazzy tivesse vindo — ela choramingou no final. — O que você tem? — perguntou para mim, provavelmente notando a expressão de raiva em meu rosto.
Só por ciúmes? Maldito seja, Edward Masen! E, que se foda Isabella Higginbotham por ter se tornado romântica do nada, preocupando-se com a droga de um rótulo!
— Ela e o namorado não pareciam na mesma página — Art comentou despreocupadamente, largando sua bebida sobre a mesa, focando-se em sua câmera para começar a tirar fotos do pessoal dançando.
— Edward e Bella não são namorados — Alice disse, me lançando um olhar malicioso.
— Bom, ele se apresentou como namorado dela para mim — Arthur falou, dando de ombros.
Alice me encarou em expectativa.
— Quando foi que vocês oficializaram?
— Aparentemente Edward oficializou sozinho — cuspi as palavras, largando o drink de morango intocado sobre a mesa. — Eu vou resolver isso. — Marchei de volta ao bar, ouvi Alice e Arthur me chamando, mas não dei bola para eles.
O bar estava ainda mais cercado de pessoas que antes e, eu mais afoita para chegar até o balcão. Sai empurrando as pessoas da minha frente, sem me importar em pisar em alguns pés e dar algumas cotoveladas.
— Ai, garota, espere sua vez. — Uma oriental baixinha disse para mim, eu apenas dei uma cotovelada nela também, tirando-a do meu caminho.
— Ei, Edward! — gritei por ele, que estava mais afastado do balcão, repondo algumas bebidas nas prateleiras atrás do bar.
Ele me olhou, parecendo surpreso com minha presença ali.
— Oi, posso servir você? — um cara sorridente me perguntou, o reconheci, era Mike, um dos caras dançando com Rosalie e eu na noite passada, o cara que ela tinha pegado.
— Eu cuido disso, Newton. — Edward o tirou do caminho, parando junto ao balcão nos separando. — O que vai querer beber, Isabella?
— Isabella? Onde está o namorada, Masen? — o confrontei.
— Agora, não, Bella — ele pediu, olhando ao redor, eu pouco me importei com as pessoas ali.
— Agora não? Você quer que eu marque uma reunião para acertamos isso? Tudo bem, deixe-me ver na minha agenda quando terei tempo livre para tratar dos seus ciúmes descabidos.
— O que você quer de mim? — ele gritou contra a música.
— Eu? O que você quer? Se chamando de meu namorado do nada, nós só estamos juntos há um dia, nós combinamos em ir com calma com isso tudo — esbravejei, confusa, irritada, apaixonada. Os meus sentimentos estavam todos fora de linha, tudo que eu acreditava estava, Edward estava mexendo por completo comigo.
— Eu quero você, Isabella!
— Eu já sou sua, seu idiota! — gritei de volta.
— Então, seja minha namorada!
— Eu quero ser! — Ele abriu um grande sorriso ao ouvir aquilo, inclinando-se sobre o balcão para me beijar com urgência.
— Foda-se, você está sempre bagunçando minha cabeça, Edward — acusei contra seus lábios.
— Desculpe — pediu, segurando meu rosto, voltando a explorar minha boca.
— Você deveria ter feito um pedido. — Afastei nossos lábios novamente.
— Eu deveria? — perguntou confuso.
— Sim, porra, sim!
Dane-se, eu podia e queria ter um pouco de besteiras românticas.
— Você quer ser minha namorada, Bonequinha? — perguntou, afagando meu rosto delicadamente.
— Sim — respondi suavemente. — Eu quero ser sua namorada, Garoto do Brooklyn.
Ele voltou a me beijar no mesmo instante, mas se afastou bruscamente.
— Edward, eu não estou te pagando para ficar beijando uma das clientes! — O cara loiro de antes ordenou, eu cheguei muito perto de mandá-lo se foder, mas não podia colocar Edward em problemas no trabalho, pelo menos não antes da The Dragons assinar contrato com Phill e a gravadora.
— Desculpe, chefe — Edward pediu a ele, voltando-se para mim. — Falo com você depois, certo?
— Não beije outras clientes, Garoto do Brooklyn — brinquei, piscando para ele, limpando a marca do meu batom do seu rosto.
— Só você, Bonequinha. — Piscou de volta para mim. — Agora é sério, vai.
Eu bufei, deixando-o servir aquele monte de gente irritante cercando o balcão, voltando para onde Alice e Art estavam.
Namorados, tinha se tornado oficial.
Toquei no colar de mamãe, aquele que estava com ela quando a encontrei naquele dia terrível, esperando que a peça também fosse um amuleto de sorte. Implorei a todos os deuses, ao destino, ao universo e a tudo que era possível que aquele namoro durasse.
***
Com toda certeza eu detestava boates, sempre as odiei. Quando ia a boates com Alice, outros amigos, ou até mesmo Jacob, sempre era um sofrimento. Claro, eu acabava dançando em algum momento, mas com toda certeza não se tratava do meu hobby favorito.
Naquela noite, Arthur e Alice estavam empolgados demais para serem acompanhados. Mesmo sem beber uma gota de álcool, a baixinha estava pulando e cantando as músicas, enquanto não estava na pista de dança com Arthur, que por sua vez se revezava entre dançar com Al e tirar foto de tudo e todos.
— Você odeia isso aqui, né? — Rosalie, apareceu junto à mesa que eu estava, recolhendo os copos e as garrafas vazios ali.
Não tinha um lugar para sentar, meus pés estavam tão doloridos por conta dos saltos que eu usava.
— Oi — falei com ela, era a primeira vez que a via aquela noite. — Sim, eu detesto esse lugar.
Ela riu, segurando a bandeja em suas mãos com muita eficiência.
— O que não faz por sexo, em?
Eu tive de rir, okay, ela estava relativamente certa.
— Edward me pediu em namoro — confidenciei, tinha contado aquilo para meus amigos antes, Arthur disse que já sabia do namoro e Alice fez o mesmo, mas ela gritou muito em comemoração, talvez Rosalie fosse uma receptora melhor daquela noticia.
— Sério? — Olhou em direção ao bar onde Edward ainda estava.
Eu não tinha voltado a vê-lo desde que o namoro se oficializou, ou Art ia enfrentar o tumulto junto ao balcão para pegar nossas bebidas, ou conseguíamos que uma das meninas circulando pela boate servindo drinks conseguissem trazer mais para a gente.
— Sério. — Mordi o lábio inferior.
Namorados, eu gostava de como aquilo soava. Era muito melhor do que o nós, me dava uma sensação de segurança. Não acabaríamos, iriamos durar.
— Uau! — Rose continuava surpresa.
— Você não gosta dele, né? Só de Emmett, certo? — perguntei apreensiva.
Rosalie revirou os olhos, apoiando a bandeja sobre a mesa.
— Edward é meu melhor amigo, Isabella...
— Sim, mas...
— Melhor amigo — ela repetiu aquilo com confiança. — Eu o conheço desde que éramos crianças, ele é como meu segundo irmão, Isabella. — Suspirou, estendendo sua mão para mim, hesitei, mas coloquei a minha na sua. — Pode confiar em mim, Higginbotham, Edward nunca vai lhe trair, principalmente comigo.
— Obrigada — agradeci.
Eu sabia que ele não me trairia, mas tinha medo de ele me largar, de se cansar de mim e de toda minha confusão.
— Vocês dois tem de trabalhar em seus ciúmes — ela disse em uma careta, soltando minha mão, recuperando sua bandeja. — O que posso trazer para você beber?
— Eu adoraria mais uma cerveja. — Um flash me cegou, mas não foi uma foto minha que Art, que tinha acabado de voltar da pista de dança, tirou, já que sua câmera estava apontada para Rosalie.
— O quê? — ela gritou, soando realmente irritada. — Que porra é essa, cara? — o confrontou.
— Ficou incrível — Art falou, olhando fascinado para a tela de sua câmera, mas voltando seus olhos para Rosalie. — Você é muito fotogênica.
— Apague essa merda de foto! — Rosalie exigiu, parecendo que poderia derrubar Art ali mesmo com um único soco, eu não duvidava que ela poderia fazer aquilo.
— É só uma foto, Rosalie — intervi, ela me encarou com raiva, fazendo com que eu me encolhesse diante seu olhar severo.
— Apague essa merda! — repetiu para Arthur, que também parecia assustado com ela.
— Eu não vou divulgar sua foto em lugar nenhum — ele prometeu.
— Eu mandei você apagar isso — ela continuou gritando. — Não te dei permissão para sair tirando fotos minhas, já ouviu falar em algo chamado direito de imagem? Bom, não te dei o direito de usar a minha em uma foto idiota.
— Eu juro que não vou usá-la para nada, só...
— Apague, eu odeio que tirem fotos minhas! — Rosalie continuou exigindo.
— M-Mas — Arthur gaguejou, olhando de Rosalie para a câmera. — Como você pode odiar ser fotografada? Você é linda!
Rosalie bufou, largando novamente a bandeja sobre a mesa, estendendo a mão para a câmera de Arthur. O fotografo relutou, mas entregou o aparelho a ela, com dois botões apertados e Rosalie deletou a foto.
— Não tire fotos das pessoas sem antes pedir autorização delas — falou a ele em um tom rude, recolheu a bandeja e se afastou da gente.
— Que mulher é essa? — Arthur me perguntou, entre susto e devoção.
— Rosalie, ela é cunhada da Alice, na verdade — respondi rindo. — E, considerando que ela acabou de dizer que é como uma irmã do Edward, podemos dizer que é minha cunhada também.
— Deus, ela é linda! — Arthur exclamou deslumbrado, olhando para Rosalie que estava algumas mesas de distância recolhendo mais copos e garrafas vazias. — Ela parece um anjo.
Sufoquei uma risada, vendo Arthur tecer uma longa linha de elogios a Rosalie.
— Cuidado, ela pode ser bem durona — alertei.
— Não me importa. — Arthur voltou a me olhar, quando Rosalie sumiu de suas vistas. — Esqueça Manhattan, Bella, eu quero o Brooklyn.
— O quê? — perguntei confusa com sua fala.
— Para as fotos do projeto, não quero fotografar nenhuma garota de Manhattan, eu quero fotografar Rosalie. Aqui. — Gesticulou ao redor da boate. — Aqui na boate, lá fora pelas ruas do Brooklyn, eu só preciso fotografar aquela menina. Ela tem personalidade forte, é bonita, fica extremamente sexy com aquelas roupas de bar girl, é tudo que quero nas minhas fotos, uma garota que tenha alma, que seja real.
— O que está acontecendo? — Alice perguntou, voltando da pista de dança. — Arthur, você está bem? Está com um olhar meio estranho.
— Ele conheceu Rosalie, tirou uma foto, ela o fez apagar, agora Art está encantado por sua cunhada — resumi. — Quer dizer, nossa cunhada.
Edward e eu estávamos namorando, eu sorri, tocando mais uma vez no colar de mamãe.
— O quê? Não, nem pensar! — Alice gritou para Arthur. — Você não vai arrastar suas asinhas para Rose, Art.
— Por que não? — ele perguntou irritado. — E, arrastar asinhas, Alice? Que século você vive? — Arthur jogou sua câmera para mim. — Quer saber, eu duvido que Rosalie vá vir trazer minha bebida, vou até o bar buscar uma cerveja. — Afastou-se rapidamente.
— Arg, ninguém merece, já basta Rosalie e Emmett serem teimosos, agora Arthur vai se meter no caminho deles — Alice reclamou.
— Realmente acha que Emmett e Rosalie podem funcionar, Al? — perguntei, desacreditada daquilo. Mesmo que a loira e eu não tivéssemos nos dado bem logo de cara, ela parecia boa demais para o baixista da The Dragons, além do mais, sem o convite dela para o aniversário de Edward, ele e eu provavelmente ainda nem teríamos nos reencontrado.
— Eu tenho certeza disso, Bella — ela disse com confiança. — Olha, se você e Edward estão namorando, Rose e Emm também podem.
— Eu não acho que seja a mesma coisa...
— Bella, eu sei o que estou falando — Alice me calou. — Arthur e Rosalie? Nem pensar. Agora, Rosalie e Emmett? Tudo a ver! Eu adoro o Art, mas nós seis já fechamos um grupo, Rose e Emm precisam apenas se entenderem para se tornarem um casal também.
Suspirei, mas decidi não desafiá-la, Alice já tinha provado que sabia bem mais de relacionamentos do que eu.
***
Estava quase dormindo sobre a mesa, vendo Arthur e Alice dançando com um dos poucos grupos remanescentes na boate que já estava praticamente vazia de clientes, quando senti uma mão quente e de toque familiar em minhas costas. Eu despertei, olhando para trás, vendo Edward ali.
Ele tinha tirado sua camisa branca, assim como a gravata, ficando em uma camiseta preta e uma calça jeans, em seu ombro uma mochila. Parecia cansado, seu olhar era pesado e seus ombros estavam caídos.
— Ei, namorado! — Eu me infiltrei em seus braços, beijando sua bochecha.
— Oi, Bonequinha.
Edward me apertou contra si.
— Eu acabei por aqui, você vem para o apartamento comigo, não?
— Sim, é o que me manteve por aqui toda a noite. — Beijei seu rosto mais uma vez.
— Edward, Edward, Edward! — Ouvi os gritos de Alice, eu me soltei de Edward, bem a tempo de ver minha amiga correndo pela boate até a gente, com Arthur a seguindo. — Você e Bella estão namorando! — Alice gritou quando parou junto da gente.
— Como ela pode ter tanta energia? — Edward perguntou para mim, ignorando a fala de Alice.
— E olha que ela nem bebeu — falei. — Alias, Alice, você pode nos dar uma carona até o apartamento da Rose e do Edward, né? — sugeri, já que sabia que ele faria a cena de “vamos andar pouco” para recusar minha proposta de pegar um táxi.
— Claro, eu levo você lá — ela concordou. — Cadê a Rose?
— Já está vindo. — Edward se apoiou na mesa, como eu estive antes, sendo pego de surpresa quando Art tirou uma foto dele. — Que merda é essa?
Lá vamos nós.
— Desculpa, cara — o Davis pediu, conferindo a foto. — Ossos do oficio, eu realmente preciso tirar fotos.
— Isso já é compulsão, Arthur. — Alice lhe deu uma cotovelada. — Rose, ai está você! — ela gritou quando a loira se uniu a gente. Como Edward, Rosalie tinha se livrado de suas roupas de bar girl, trocando-se para uma blusa que deixava parte de sua barriga exposta.
— Você pode falar como uma pessoa normal? Sem gritaria a cada frase — Rosalie questionou, parecendo tão cansada quanto Edward.
— Vamos logo, certo? — sugeri. — Rosalie, Alice vai nos dar uma carona.
— Yay — ela fingiu falsa empolgação. — E você, quem é afinal? — questionou Arthur.
— Arthur Davis. — Prontamente estendeu uma mão para ela, o olhar de fascinação voltando ao seu rosto. — Sou afilhado dos pais de Alice. — Olhou para sua mão, Rose bufou, mas apertou a mão dele, só que o toque durou uns três segundos no máximo.
— Rosalie — ela disse seu nome. — E meu sobrenome é: mantenha sua câmera longe de mim.
Arthur sorriu largamente para ela.
— Você é linda!
Eu achava que ele sequer estava pensando antes de cuspir sua adoração sobre Rosalie, quando ela claramente o queria longe.
— Foda-se! — Edward, ao meu lado, xingou. — Vamos embora de uma vez.
— Vamos, vamos! — Alice fez um grande esforço ali para não gritar, saindo saltitante a nossa frente.
Arthur e Alice foram buscar o carro dela, estacionado na rua atrás da Night Club, enquanto fiquei com Rosalie e Edward na frente da boate, esperando pelos dois. Rose não perdeu tempo em começar a fumar, mesmo que Edward tivesse pedido que ela não fizesse isso, ela não deu a mínima, continuando ligada ao seu cigarro.
— Você está bem? — perguntei a Edward, quando nos afastamos de Rosalie para não acabarmos sufocados com o cheiro da fumaça.
— Só cansado — respondeu, percorrendo suas mãos pelos cabelos. — Nós...Puta que pariu! — ele exclamou, em choque, quando Alice estacionou o Porsche diante a gente. — Porra, porra, porra! — falou, ainda deslumbrado com o carro amarelo da minha amiga.
— Isso é sério? Que carro fantástico! — Rosalie gritou, sim, gritou. Olhei para trás, vendo-a jogar seu cigarro no chão, o apagar com a sola de sua bota e correr até o Porsche.
— Isso porque você ainda não viu a Ferrari da Bella — Edward disse para ela.
— Oh, eu acho que gosto de você agora, Isabella — Rosalie falou para mim, fazendo com que eu risse. — Quando poderei ver seu carro?
— Em breve, prometo. — Abri a porta de trás para que entrássemos, Alice e Arthur ouviam música de boate ali também.
Rose entrou primeiro, começando a encher Alice de perguntas a respeito do Porsche. Eu fiquei entre a loira e Edward, apoiando minha cabeça em seu ombro, deixando com que os dedos dele passeassem por meus cabelos, que em algum momento da noite soltei do rabo de cavalo.
— Entregues — Alice anunciou quando estacionou diante ao prédio que Rose e Edward moravam.
— Foi bom conhecer vocês, os vejo em breve — Arthur se voltou para Edward e Rosalie. A loira, que ainda estava animada com o carro de Alice, apenas assentiu, saindo do Porsche, Edward resmungou:
— Tanto faz.
Ele saiu do carro também, enquanto eu pegava minha bolsa.
— Ei, Bella, você pode conversar com Rose sobre aquilo? — Art perguntou para mim.
— Sobre o que? — Alice indagou.
— Eu não prometo nada, Art — ignorei Alice, sabendo que ele estava se referendo a ter Rosalie como sua modelo.
— Apenas me dê uma força — ele pediu, sorrindo para mim. — Melhor você ir logo, Edward com certeza não foi com minha cara.
Bufei, disse tchau para Alice e sai do carro.
Rosalie seguiu direto para seu quarto quando entramos no apartamento, assim como Edward e eu para o dele. O Masen começou a se livrar de suas roupas e, estava indo me beijar, quando eu o afastei.
— Precisamos conversar — anunciei, indicando que ele deveria se sentar.
— Bella, está tarde — reclamou, mas sentou na sua cama.
— Eu fiquei com Arthur uma vez — fui direto ao ponto, vendo raiva tomar conta da expressão de Edward.
— E o que eu tenho a ver com isso? — perguntou irritado, mas contendo-se. — É algo do seu passado, não é da minha conta.
Sim, lá estávamos nós para a conversa que tínhamos tido na noite passada no loft, depois de eu saber e surtar — por ciúmes — que ele tinha ficado com as irmãs Denali.
— Eu sei que você se importa com meu passado, Edward — murmurei, apoiando-me na porta, ficando bem de frente para ele sentado na cama.
— Bella...
— Não precisa mentir para si mesmo, nem para mim, quero que sejamos sinceros um com o outro — insisti. — Por isso estou te contando que fiquei com Arthur, anos atrás, mas fiquei. — Suspirei, engolindo em seco, sob o olhar atento de Edward. — Não foi nada especial, acredite em mim, só um beijo.
— Certo, obrigado por me deixar saber disso — ele murmurou de volta, cruzando os braços na frente do corpo.
— Quanto a trair o Jacob, eu sei que isso foi errado, mas não posso consertar ter sido uma traidora com o Black. E, que se foda, eu não gostava dele, então se fui uma vagabunda...
— Você não foi uma vagabunda, Bella — falou sério, levantando-se. — Não é uma vagabunda, coloque isso na sua cabeça — pediu, afagando meu rosto delicadamente, eu senti as lágrimas em meus olhos.
Eu era, sabia disso. Vovô estava certo, quando falou tudo aquilo para mim na noite que Jacob terminou comigo, tudo que fiz no meu passado me taxavam como uma vagabunda vadia, mas não queria mais ser aquilo, por mim, por minha mãe, por vovô e por Edward.
— Eu prometo que vou ser a namorada mais fiel do mundo, Edward. — Toquei em seu rosto, impedindo-me de chorar.
Ele beijou minha testa por um longo tempo, suas mãos mantendo-se em minha face.
— Isabella...Qual seu nome todo mesmo? — perguntou, fazendo com que eu ficasse confusa, mas respondi.
— Isabella Marie Higginbotham. — Deixei o sobrenome de Caius de lado, sem querer qualquer ligação com aquele homem que não ligava para a própria filha.
— Certo.
Edward afastou-se um pouco de mim, deixando com que eu pudesse olhar melhor para seu rosto e seus olhos.
— Eu preciso disso. — Tirou o colar que eu usava, confundindo-me mais ainda.
O que ele estava fazendo?
— Isabella Marie Higginbotham, você é uma incrível pintora e desenhista, adoradora de Jimmy Choo, tem um rosto doce e uma boca suja, detesta rock, é mimada, mas eu sei que seu coração é bom. — As lágrimas deslizaram por meu rosto ao ouvir aquilo. — E, eu estou perdidamente apaixonado por você, Bonequinha. — Sorriu para mim, o sorriso que fazia meu peito se aquecer. — Nós, continuaremos sendo nós, mas eu gostaria que você aceitasse colocar um rótulo nisso. Então, aceita ser minha namorada?
— Aceito, claro que aceito — respondi triunfante, mais uma vez aquela noite tornando-me namorada de Edward Masen. E, percebi que se ele pedisse por aquilo cem vezes, eu aceitaria todas elas.
— Eu gosto de ouvir isso — ele falou, colocando o colar de novo em mim, uma representação do nosso compromisso. — E eu confio em você, Bonequinha. — Voltou a segurar meu rosto, entre suas mãos. — Confie em mim também, faremos o nosso nós durar — prometeu.
Assenti, confiando em suas palavras, confiando nele plenamente.
— Beije-me, Garoto do Brooklyn — pedi.
Edward beijou, selando nosso compromisso.
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