Sob minha Pele
21 Capítulo Vinte
Notas iniciais
— Capítulo Vinte—
— Edward —
Era de noite, uma noite quente e surpreendentemente estrelada, mesmo levando em conta o fato de estar em New York, onde não era comum ver tantas estrelas assim. Em New York, precisamente no Brooklyn, em alguma rua estranhamente deserta e silenciosa.
Não sabia o que estava fazendo ali, principalmente por estar sozinho em uma New York tão silenciosa. Claro, alguma parte da minha consciência me alertou para o fato de ser apenas mais um sonho criado por minha mente fértil, mas todo o resto realmente acreditava que aquilo era a vida real.
No instante que me movi, levantando da escadaria de um prédio onde estava sentado, ouvi meu nome ser chamado. Olhei ao redor, procurando o dono — ou dona da voz, não conseguia distinguir — que estava me chamando. E, mesmo na claridade da noite estrelada, não consegui localizar a pessoa.
— Edward! — Chamaram por mim outra vez.
Eu caminhei em direção à voz, meus pés tomando conta do controle de todo meu corpo. Se eu quisesse parar não poderia, pois eram eles no comando ali, mas a questão era, eu não queria parar, queria encontrar a pessoa me chamando.
— Edward, você está ai?
Então, a pessoa surgiu na esquina da rua. Era Bella, eu pensei que ficaria surpreso, mas não foi o que realmente aconteceu, parecia que já estava esperando que fosse ela no fim das contas.
— Edward — ela repetiu meu nome, em um tom de voz baixo, mas que ainda assim fui capaz de ouvir mesmo com a distância nos separando. — Edward. — Bella suspirou, um grande sorriso animado tomou conta de seu rosto, então ela correu até mim.
Eu a peguei em meus braços, em uma sincronia perfeita, quando ela chegou até mim. Bella apertou seu rosto contra meu pescoço, da mesma forma que eu apertei seu corpo contra o meu, sentindo-a ainda mais perto de mim, meu rosto sumindo entre seus cabelos, podendo sentir o aroma vindo deles.
Morangos, ela tinha cheiro de morangos. Eu queria beijá-la, só para saber se tinha o gosto também.
— Renée acordou, Edward — Bella contou, entusiasmada. — Ela está de volta para mim — disse contra minha pele.
Era um sonho, sabia disso, mas era como se eu quase pudesse sentir seus lábios roçando em mim graças ao movimento de sua fala.
— Ela acordou? — Coloquei Bella no chão sobre seus próprios pés, mas segurando em sua cintura, ainda mantendo-a próxima de mim, porém com uma distância que permitia que eu pudesse olhar para sua face. Ela estava feliz, eu não sabia se já tinha visto Bella tão feliz quanto via naquele momento.
— Minha mãe acordou — Bella repetiu, deixando com que suas mãos encontrassem as minhas, entrelaçando nossos dedos.
Seus olhos castanhos brilhavam sob a luz das estrelas, na verdade, Bella por inteira parecia brilhar. Seu sorriso, seu rosto, seus cabelos, sua pele, era como se ela estivesse reluzindo como ouro, como se estivesse ganhando vida.
Eu queria beijá-la.
— Beije-me — ela disse como se pudesse ler minha mente, levando uma de minhas mãos até seu peito, fazendo com que eu pudesse sentir seu coração batendo forte. — É por você que está batendo assim, Edward — sussurrou, mas ainda estava cercada por aquela áurea de brilho que a deixava iluminada. — Beije-me, Edward.
Eu a beijei, deixando nossos lábios se encontrarem. Ela não tinha gosto de morango, mas tinha um gosto muito melhor. Seus lábios eram doces e macios, faziam com que a cada segundo eu quisesse mais do beijo, mais dela.
— Isabella! — uma voz masculina gritou por ela. — Isabella, pare!
Ela aprofundou o beijo, suas mãos agarrando os meus cabelos, enquanto as minhas estavam em seu rosto.
— Isabella! — Outra voz, também masculina, a chamou.
A noite quente se tornou fria no instante que Bella saiu dos meus lábios, seu rosto manchado por lágrimas.
— Edward — ela murmurou aos prantos, o brilho tinha ido embora, junto com as estrelas, Bella parecia estar se desfazendo diante de mim. — Não me deixe, por favor — implorou, quanto mais chorava, mais desaparecia.
Dei um passo em sua direção, tentando alcançá-la, quando algo me distraiu.
— Filho? — Olhei para trás, vendo minha mãe ali, uma mão estendida na minha direção. — Você fez uma promessa, filho — sussurrou, tocando em meu braço.
— Mãe, el-ela — gaguejei, olhando para Bella, chorando e se desfazendo.
— Edward, vamos, filho. — Voltei a olhar para minha mãe, mas daquela vez quem tinha falado comigo era meu pai, parado ao lado dela.
— Pai, como? Pai! — Tropecei até ele, deixando uma distância ainda maior entre Isabella e eu se formar.
— Edward, não, por favor — ela implorou uma última vez. — Você prometeu que não me deixaria só, por que mentiu?
Ela desapareceu, bem diante aos meus olhos.
— Bella, não, Bella! — gritei. — Mãe, pai, para onde ela foi? — Olhei para onde eles estavam até um segundo antes, mas não os vi, não vi ninguém, eu estava novamente sozinho em uma New York deserta.
***
Claro que depois daquele sonho, acabei acordando, parecendo mais exausto de que quando tinha ido dormir. Já era quase manhã de segunda-feira, eu não tinha dormido muito uma vez que fui trabalhar no domingo, chegando apenas de madrugada do outro dia.
O resto do meu domingo, após ter estado com Bella no hospital foi seguido no modo automático. Eu tinha voltado para meu apartamento, tocado um pouco, ido trabalhar com Rose e retornado para casa depois do trabalho, sem falar muito, sem falar absolutamente nada sobre o beijo que troquei com a garota Higginbotham.
Queria esquecer aquilo, queria principalmente me esquecer de Isabella. Ter tentado ser amigo dela não foi algo bem pensado, nunca teria funcionado, nós não tínhamos qualquer tipo de conexão para sermos amigos, nossos caminhos eram muito distintos, exatamente como falei para ela.
Além do mais, sabia que no começo tudo que Bella queria comigo era provar de que conseguia tudo que queria. Talvez, talvez mesmo, isso tivesse mudado um pouco para ela, mas não iria arriscar minhas mãos no fogo pela Higginbotham.
Esfreguei meu rosto, ainda deitado em minha cama, tentando acordar de vez e parar de pensar em Isabella. Era uma missão complicada, difícil de admitir, mas era. Parecia que a garota tinha firmado raízes muito resistentes em minha mente, por isso eu tive de me afastar, pois não podia permitir que elas se espalhassem por todo o resto, que elas chegassem ao meu coração.
Eu não estava apaixonado por ela, já tinha me apaixonado antes, sabia como era o sentimento. Bella...Ela tinha complicado minha cabeça, mas não, aquilo não era paixão, eu não permitiria que fosse tão longe.
Isso seria um inferno na minha vida, estar apaixonado por Isabella Higginbotham. Ela tinha um noivo, vinha de uma família rica, estava totalmente confusa desde que sua mãe acabou indo parar naquele hospital e, o mais importante de tudo, eu não queria sentir aquilo por ela.
Havia uma promessa, que tentei passar por cima quando Isabella e eu nos tornamos amigos, mas a promessa ainda estava ali, há espreita. Eu tinha prometido a minha mãe que ficaria longe da Higginbotham e, se dona Elizabeth achava aquilo o melhor, precisava concordar.
Isabella era a garota rica de Manhattan, a que pisava nos outros. Eu, o garoto pobre do Brooklyn, o tipo que ela pisaria. Mamãe tinha razão, tudo que no final importava para pessoas como Isabella era o dinheiro e aquilo sempre iria nos diferenciar bruscamente.
Cansado de ficar na cama, sem realmente dormir, eu deixei meu quarto. Rosalie ainda estava no seu, o que queria dizer que o apartamento continuava mergulhado em um silêncio parcial, ainda era possível ouvir todos os barulhos da rua, ou um vizinho, ou dois acordados fazendo ruídos em seus apartamentos.
Preparei um pouco de café, querendo que a cafeína conseguisse algum progresso em minha cabeça. Eu tinha de esquecer Bella, aquilo já estava começando a me irritar, principalmente depois de sonhar com ela outra vez.
O beijo do sonho não fazia jus ao real, ela tinha lábios doces e macios, mas beijar a Bella em carne e osso era muito melhor do que simplesmente fantasiar com aquilo. Mas, assim como no sonho, o coração dela também batia muito forte quando beijo foi na realidade e provavelmente o meu também tinha batido daquela forma.
Não sei quanto tempo eu estava na cozinha, bebericando meu café enquanto tentava parar de pensar em Bella, o que só me fazia pensar mais nela, quando Rose chegou ali. Ela praticamente tropeçava em seus pés, ainda sonolenta demais por conta do seu sono, se serviu com um pouco de café e só depois disso falou comigo.
— O que você tem?
— Nada — menti.
— Claro, porque você esteve praticamente mudo desde ontem, mas isso é normal — debochou. — Escuta, sei que ontem foi um dia difícil para você, se quiser conversar sabe que estou aqui para te ouvir, Edward. — Ela bagunçou ainda mais meus cabelos.
— Eu beijei Isabella Higginbotham — contei, pegando Rosalie de surpresa, por sorte ela não perdeu o controle de suas mãos a ponto de deixar a xícara que carregava cair no chão.
— Você está brincando — sussurrou, neguei com um aceno de cabeça. — Edward! — gritou por fim, como eu sabia que ela acabaria fazendo. — Quando foi isso? Ela esteve ontem na boate em algum momento que eu não vi?
— Não, foi no hospital.
Rose negou com um aceno de cabeça, confusa.
— Você foi ao hospital?
— Sim — confessei. — Eu estava no cemitério, Bella ligou, disse que queria que eu visitasse a mãe dela e...Aliás, a mãe dela acordou do coma — informei, Rose assentiu.
— E você beijou a Higginbotham? Simples assim? Que diabos, Edward! Ela não tem um namorado?
— Tecnicamente ela me beijou primeiro. — Tentei amenizar meu lado, Rose não deu bola para aquilo. — E, sim, ela tem um namorado. — Um noivo, mas aquilo ainda não tinha sido anunciado publicamente.
— Edward...
— Eu sei o que vai falar, que aquele lance todo de amizade com ela era justamente para acabar nisso, que Bella e eu não somos nada parecidos e tudo mais. Acredite, eu sei. E, já cuidei de acabar com isso.
— Como? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Eu disse para ela que devíamos parar de nos falar e tudo mais, manter distância e essas coisas. Em outra língua mais popular, dei um fora na garota.
Rose suspirou, bebeu um longo gole de seu café antes de voltar a falar.
— E você está odiando isso, não é? Ter dado o fora nela, quero dizer. — Meus ombros caíram, assim como deixei meu olhar recair sobre a xícara em minhas mãos, o café ali ainda praticamente intacto.
— Mais ou menos, foi um bom beijo.
Rosalie deu um tapa em minha cabeça.
— Sério, você está cabisbaixo só por isso? Admita de uma vez, que pelo menos um pouquinho, gosta dessa garota mais do que deveria.
— Não.
— Okay, você queria saber sobre Emmett e eu não?
— Você vai contar? Pensei que isso era um assunto estritamente proibido.
— É, mas se mais alguém souber disso, pode dar adeus as suas bolas, Masen — ameaçou, pigarreou, depositou a xícara sobre o balcão e começou a falar. — Um dia, Emmett e eu estávamos na boate, depois de um show da The Dragons. Você, naquela época, estava namorando com Jessica e saíram logo depois do show. Jasper conheceu alguma garota, então ele caiu fora com ela não muito depois também. Emmett e eu estávamos bebendo juntos, talvez foi uma das únicas vezes que ele e eu não brigamos por qualquer coisa, estávamos tendo um bom tempo...
— E vocês foderam! — exclamei.
Rosalie bufou, acertando mais um tapa em minha cabeça.
— Cala a boca, Edward — ordenou.
— Mas, eu...
— Cala a boca — repetiu, voltando a contar sua história. — E não, eu nunca fiz sexo com Emmett, tire isso de sua mente pervertida. Pra falar a verdade sequer já o beijei, então, não, nada de sexo. Como eu estava falando, nós estávamos lá, bebendo e tudo mais quando eu deixei escapar que gostava dele, foi quando tentei beijá-lo e Emmett me deu um fora.
— Uau — murmurei. — Eu nunca vi Emm dar o fora em garota nenhuma, o que você tem de errado?
— Edward! — O tapa foi mais forte daquela vez, fazendo com que eu me retraísse de dor. — Emmett disse que não ficaria comigo, que me enxergava como um dos “caras”, por eu estar entre vocês na banda e não ser cheia de frescura como as outras meninas.
— Okay, ele é um completo idiota — conclui, Rose assentiu, engolindo em seco. — Por que você nunca nos disse isso? A mim e a Jasper.
— O quê? Para você e ele discutirem com Emmett por eu ter levado um fora, Edward? Me poupe, né? Eu não sou tão babaca assim. Até falei para o Emmett, depois desse vexame na boate, que eu apenas estava bêbada demais e sem falar coisa com coisa, ele acreditou muito bem na minha desculpa.
— Poderia ao menos ter dito para mim que estava apaixonada por um cara que está frequentemente por perto, sou seu melhor amigo, você devia ter dito algo. Além do mais, não foi nada legal descobrir sobre isso por Alice.
— Aquela anã fofoqueira. — Rose bufou, recuperando seu café.
— Então, você continua gostando do Emmett mesmo depois disso?
— Não sei, tá? É confuso, Edward. Eu provavelmente ia acabar detestando estar com ele se acontecesse, mas grande parte de mim ainda quer tê-lo para sanar o fato de ter sido dispensada no passado. — Seus olhos fixaram-se nos meus. — Algo muito parecido com você e a Higginbotham, não? Você não quis ficar com ela de primeira, agora ficaram e ela deve estar finalmente contente em ter conseguido sua vitória.
Eu não falei nada, parte de mim acreditava na fala de Rosalie, a outra não. Bella tinha parecido verdadeiramente arrasada quando eu disse que precisávamos no afastar, aparentado estar sofrendo quando falei que nossa amizade devia acabar. Entretanto, ela podia estar apenas confusa, como disse a ela também, tendo usado a mim como um apoio durante a reabilitação de Renée.
— Ela não sai da minha cabeça, que merda! — reclamei, grudando minha testa no balcão.
Rosalie riu, apenas uma risada que soava convencida, mas ela não disse nada. Parecemos entrar em um pacto silencioso ali, eu não falaria sobre Emmett, ela não falaria sobre Isabella.
***
Na terça-feira de manhã, Jasper praticamente madrugou em nossa porta, trazendo comida de café da manhã e um convite. Alice, junto aos seus pais, queriam que Rose e eu nos uníssemos a ele no jantar de quarta-feira, para que todos pudéssemos nos conhecer melhor.
Eu não queria ir, as probabilidades de Isabella estar lá eram gritantes e não precisava encontrá-la, principalmente tendo tão pouco tempo desde nosso último encontro. Além do mais, nem podia falar sobre aquilo com Jasper, pois ele não parecia ter ideia nenhuma de que eu tinha estado com Bella no domingo.
Isso me fazia pensar que: Bella tinha contado para Alice, mas a baixinha não contou para o namorado. Ou, Bella não contou sobre o beijo nem mesmo para a sua melhor amiga. Sendo franco, não sabia o que parecia melhor entre as alternativas.
— Emm não vai poder ir, ele tem que trabalhar amanhã, vai ter uma maratona de corrida do pessoal da academia, ou qualquer merda dessas — Jasper falou, empurrando mais comida para Rosalie e eu. A ideia dele era boa, nos comprar com comida, eu estava quase parando de pensar racionalmente e me rendendo às escolhas tomadas por meu estomago.
— E você nem nos perguntou se nós iriamos trabalhar — Rose disse de boca cheia.
— Eu sei que não vão, perguntei para Edward no sábado quando seria o dia de folga de vocês.
— Você perguntou? — questionei de boca cheia também, sem me lembrar daquilo.
— Perguntei. — Jasper assentiu. — Vamos lá, pessoal. Vocês já conhecem Alice, sabem que ela é incrível, os pais dela também são.
— É, eles são legais. — Jasper me olhou confuso quando eu disse aquilo. — Eu os conheci quando estive no hospital com Alice — o lembrei, evitando falar o nome de Bella.
— Ah claro, quando você foi lá ficar com Bella naquela confusão da mãe dela — ele disse. — Então, combinado, vocês dois jantarão lá amanhã?
— Ah que se foda, nós vamos — Rose cedeu primeiro. — Pelo jeito que você fala dessa garota vai acabar casando com ela mesmo. — Apontou para o irmão. — É melhor eu ir conhecer de vez os parentes dela.
— Isso, valeu, Rose! — Jasper comemorou. — Edward?
— Que seja, vamos lá — concordei também. — Não acho que um jantar em Manhattan será o fim do mundo.
Talvez fosse, se Bella estivesse lá, eu iria ter mais trabalho ainda para mantê-la longe da minha mente se ela estivesse diante meus olhos.
***
Jasper e eu seguimos com Rosalie para Manhattan no começo daquela noite de quarta-feira, o percurso foi rápido, passando mais rápido ainda pelos gêmeos estarem em uma conversa empolgada sobre o próximo show que faríamos. Logo estávamos à porta dos Cullen, quem nos recebeu foi uma entusiasmada Alice, que deu um beijo em Jasper, antes de se voltar para a gente.
— Que bom que vieram! — exclamou abraçando Rosalie, depois a mim. — É uma pena Emm não ter vindo, mas espero que no próximo ele venha.
— Vai ter um próximo? Eba! — Rose falou sarcasticamente.
— Rose! — Jazz chamou a atenção dela.
— Tudo bem, eu adoro o humor da Rose, ele lembra muito o da Bella de vez em quando — Alice disse, nos conduzindo pelo hall de entrada.
— E Bella estará aqui essa noite? — Rosalie perguntou, ficando séria, olhando rapidamente para mim.
— Sim, ela deve estar chegando, sempre se atrasa — Alice respondeu, nos levando para a sala de estar.
O apartamento, de forma geral, continuava o mesmo de quando estive ali semanas atrás. Vendo filme com Jazz e Alice, comendo pizza com Bella.
— Ai, estão vocês. — Esme e Carlisle estavam na sala, a senhora Cullen foi quem disse aquilo, sorrindo exatamente como a filha sorria. — Jasper, querido, é sempre maravilhoso, vê-lo. — Ela beijou a bochecha dele, voltando-se para mim. — Edward, que bom que veio. — Me deu um abraço maternal, voltando-se para Rose. — Rosalie, certo? Alice e Jazz disseram coisas maravilhosas sobre você, querida. — Esme a abraçou também, pegando Rose de surpresa, mas ela não a afastou.
— Olá, Edward! — Carlisle me deu um aperto de mão após falar com o genro. — Rosalie, bem vinda. — Apertou a mão dela também, sendo menos expansivo que a esposa e a filha.
— Bebidas? Todos são maiores de vinte e um, não? — Esme perguntou, ainda entusiasmada.
— Sim — respondemos.
— Ótimo, vem comigo, Edward? — ela me chamou, Carlisle balançou a cabeça em negação, escondendo um sorriso.
— Claro. — Segui a mãe de Alice até sua cozinha, evitando olhar para a sala de música quando passei por ali. — Belo apartamento — falei, a ajudando com taças, enquanto ela pegava um vinho na adega.
— Oh, que bom que gostou — ela disse cordialmente, servindo o vinho para todos. — Tem falado com Bella, Edward?
— Hum, não — sussurrei.
— Okay, não é da minha conta, algo deve ter acontecido no domingo, né?
Sim, Esme quase viu a gente se beijando, eu queria que ela esquecesse aquilo.
— Não, nada aconteceu — menti, Esme riu.
— Claro.
— Como Renée está? — perguntei, achando aquele um caminho mais seguro a se seguir.
— Progredindo. — Ela sorriu com certo alivio. — Aos poucos, mas está progredindo, o que já é ótimo. Ela não voltou a acordar no domingo ou na segunda, mas acordou ontem, passou quase cinco minutos desperta. Nós tiramos a máscara de oxigênio hoje, ela acordou novamente, passou mais bons minutos acordada. Ela está voltando aos poucos, está claramente perdida, ainda não consegue falar, ou se mover, mas um programa intensivo de reabilitação com fisioterapia e fonoaudiologia irá ajudá-la a se recuperar.
— Você é amiga dela? — eu perguntei, Esme negou com um aceno de cabeça.
— Entre Alice, o trabalho, mais trabalhos voluntários e uma casa eu não estava entre o tipo de amizades que Renée se cercava — contou. — Aquelas que ela podia festejar — explicou rapidamente, soando culpada. — Talvez, se eu tivesse me aproximado de Renée logo que as meninas se tornaram amigas as coisas pudessem ser minimamente diferentes para ela. — Se lamentou. — Ela poderia ter tido uma amiga com quem conversar.
— Você sabe muito sobre os Higginbotham?
— Não muito mais do que a maioria sabe. — Deu de ombros. — Como falei, Renée e eu não tínhamos qualquer tipo de amizade. Se eu conversei por umas cinco vezes com Marcus Higginbotham, em todos esses anos que Bella e Alice são amigas já foi muito. Bella é a única com esse sobrenome que eu tenho qualquer elo. — Esme voltou a sorrir. — Ela é como uma filha para mim, eu a adoro, profundamente.
Assenti, ajudando-a a colocar as taças em uma bandeja, já tendo experiência com aquilo.
— Ela pode ser bem difícil, Edward — Esme sussurrou. — Mas, é uma menina de bom coração — acrescentou. — Alice, Carlisle e eu sabemos disso, nós não a teríamos tão próxima de nós se fosse o contrário.
— Acho melhor levarmos isso logo — sugeri, apontando para a bandeja.
Ela concordou, deixando com que eu levasse a bandeja com as taças cheias, carregando consigo a garrafa de vinho e uma taça extra que eu sabia ser para Bella. Esme serviu todos quando chegamos lá, Carlisle ouvia Rose e Jazz falando sobre a banda, logo pedindo que eu me juntasse à conversa.
Sentei em um lugar junto à Rose, unindo-me a conversa. Todos nós passamos um tempo falando, Jasper estava certo, os pais de Alice eram mesmo legais e pelo modo como Rose logo desemburrou, pude notar que ela estava pensando o mesmo sobre os Cullen.
— É a Bella! — Alice gritou quando a campainha tocou. — Eu atendo, eu atendo. — Saiu correndo em seus saltos altos até a porta principal da cobertura.
— Tudo bem? — Rose perguntou baixinho para mim, aproveitando a conversa de Esme e Carlisle estar focada em Jasper naquele instante.
— Tudo, claro.
Qual é? Tinha sido só um beijo, nada além disso, Bella era totalmente superável.
Olhei em direção a entrada da sala quando ouvi os saltos de Alice ecoando, sua expressão foi a primeira coisa que percebi, a garota estava irritada, furiosa. Meus olhos pairaram atrás dela, vendo um cara alto, de descendência nativa americana, usando camisa polo, calça jeans nova em folha e tênis que certamente custavam mais que meu aluguel, era Jacob Black e, colada a ele estava Bella.
Isabella usava um vestido vermelho, com um pequeno decote, que ia até seus joelhos em uma saia rodada. Saltos altos, cabelo preso em um coque, muita maquiagem e joias cobrindo seu pescoço, orelhas, pulsos e dedos.
Mas, isso tudo ainda passou em segundo plano para mim. Em primeiro estava o fato dela não olhar para cima, encarando seus próprios pés, aquilo era totalmente não Bella.
— Olhem só, Jacob veio com Bella — Alice cuspiu a informação.
— Claro — Esme resmungou, mas logo pigarreou, colocando-se de pé, indo até os recém chegados junto com Carlisle.
— Jacob é... — Rose sussurrou.
— O namorado — sussurrei de volta.
Bella levantou o olhar quando Esme e Carlisle pararam diante eles, ela claramente não estava contente com algo, mas não parecia irritada como Alice, sim cansada. Ela não olhou para mim, mantendo seu olhar focado no casal Cullen diante de si.
— Carlisle, Esme, sempre é uma honra encontrá-los — Jacob os cumprimentou com apertos de mãos, a voz dele era grave, Bella revirou os olhos quando ele abriu a boca.
— Olá, Jacob — Carlisle disse polidamente. — Como vai seu pai?
— Você sabe, muito bem em D.C — Jacob respondeu dando um sorrisinho malicioso.
Provavelmente o pai dele estava conseguindo muita grana ilegal em Washington.
— Espero que não tenha problema ter trago Jake comigo — Bella disse, sua expressão era péssima, mas sua voz era controlada. — Ele chegou na hora que estava saindo, então...
— Bella, pare com pedidos de desculpas desnecessários, com certeza não há problema algum em um convidado a mais — Jacob falou, olhando para Rose, Jasper e eu, seu olhar se demorando muito mais em Rosalie.
— Não, tudo bem, sem problema algum — Esme forçou um sorriso para Jasper. — Posso colocar um lugar a mais na mesa para você, Jacob. Na verdade, é o que eu vou fazer agora, arrumar a sala de jantar. Carlisle, venha comigo. — Agarrou o braço do marido, o puxando para fora dali.
— Então, qual de vocês é o namoradinho da Alice? — Jacob perguntou, adentrando ainda mais na sala, puxando Bella junto de si. Alice pouco a frente deles parecia que a qualquer momento voaria no pescoço do Black, eu gostaria de ver aquilo, muito.
— Jasper. — Meu amigo se colocou de pé, estendendo uma mão para Jacob, enquanto com o outro braço envolvia a cintura de Alice.
— Claro, já te vi no clube. — Jacob sorriu presunçosamente, ele parecia já ter bebido algo. — Acho que você já viu James também. — Jacob olhou para Alice. — Ele mandou um grande beijo para você, Alice, disse que sente falta do tempo de vocês dois juntos.
— Bom, isso é unilateral, não sinto falta de nada que envolva James — Alice declarou, com a cabeça erguida, sem se deixar abalar por Jacob. — Aquela é Rosalie, irmã do Jasper e aquele Edward, melhor amigo dele. — Apontou para a gente do outro lado da sala. — Tudo que precisa saber, Jake — ironizou o apelido dele.
Bella me olhou ali, um olhar hesitante. Por um instante pensei que ela se soltaria de Jacob e iria ao meu encontro, mas, tudo que aconteceu foi somente um aceno de cabeça em minha direção e outro para Rose.
— E o que vocês fazem? — Jacob perguntou de Rosalie para mim.
— Vendemos órgãos no mercado negro. — Rosalie respondeu secamente, revirando os olhos.
— Uau, você tem uma língua afiada, garota! — Jacob assentiu, soltando a mão de Bella e voltando-se para a garrafa de vinho ali, pegou a taça extra e a encheu por completo para si.
Bella me olhou novamente, daquela vez chegando a dar um passo em direção ao sofá que eu estava, porém foi interrompida pela volta de Carlisle.
— Vamos jantar? Não queremos deixar Esme nervosa com mais imprevistos.
— É, malditos imprevistos — Alice guinchou, lançando um olhar rude para Bella antes de puxar Jasper atrás de si.
Rosalie e eu nos levantamos, os seguindo até lá. Pude ouvir os passos de Bella, assim como o do namoradinho babaca dela também, indo até a sala de jantar da cobertura dos Cullen.
Esme estabeleceu os lugares, ela ocupou uma cabeceira e o marido outra. Alice sentou à esquerda do pai, com Jasper entre ela e eu, que por sorte estava perto de Esme, ela era uma companhia bem mais agradável do que o Black. Rose estava sentada diante de mim, também do outro lado de Esme, entre minha amiga e Jacob, posicionado à direita de Carlisle, estava Bella.
— Eu pedi comida daquele restaurante italiano que você gosta, Bella — Alice falou, enquanto todos se serviam.
— Itália! — Jacob gritou, soando de fato bêbado, eu sabia os reconhecer muito bem já que trabalhava em um bar. Além do mais, tinha Richard.
— Jake, não grite, por favor — Bella pediu envergonhada.
— Querida, Itália — ele repetiu para ela, afagando seu rosto.
Eu senti raiva daquilo, de ver aquele bêbado tocando nela e soando tão fora de si.
— Jake...
— Para nossa lua de mel, bobinha — falou, apertando seus lábios contra os dela, fazendo com que Bella o afastasse rapidamente.
— Jacob, não.
— Vocês já sabem? — Jacob se voltou para todos nós, a taça que ele tinha de vinho antes, cheia até a borda tinha acabado, eu não vi quando aconteceu, mas ele bebeu tudo ali rapidamente. — Bella e eu iremos nos casar, nosso noivado está bem perto, não é, meu amor? — Meteu as mãos entre os cabelos de Bella, fazendo com que o coque se desfizesse.
— Jacob!
— Alice, nós podemos usar seu quarto? — Jacob perguntou a Alice, todos estavam paralisados diante aos gestos e fala do Black. Mas, eu sentia meu sangue ferver. — Prometo ser rápido.
Estava prestes a me levantar, para arrancar Jacob de perto de Bella com minhas próprias mãos, quando Carlisle passou a minha frente.
— Chega Jacob, você está constrangendo a todos nós, principalmente Isabella. — Carlisle se levantou, indicando que Jacob seguisse pela porta da sala de jantar.
— Okay, quem diabos você pensa que é para achar que pode mandar em mim, Cullen? — Jacob debochou, gargalhando.
— Eu sou o dono dessa casa! — Carlisle gritou, até mesmo eu me assustei com seu tom de voz, ele foi até Jacob o arrancando de seu lugar. — E não vou tolerar que fique aqui, atrapalhando nosso jantar.
— Isabella, você não vai fazer nada? — Jacob gritou com ela, enquanto Carlisle o empurrava para fora.
Um sorriso atrevido ganhou espaço entre os lábios dela.
— Não, eu ficarei aqui e jantarei, amor — falou debochadamente para Jacob.
— É? — Jacob conseguiu se afastar de Carlisle. — E o que vai fazer depois, Isabella? Vai correr para Paul Lahote e foder com ele?
Meu olhar se fixou em Bella, o sorriso tinha sumido de seu rosto, ela estava pálida, apavorada.
— Sim. — Jacob riu, alisando a camisa que tinha sido amarrotada. — Você pensou que eu não descobriria que estava por ai fodendo com um dos meus amigos, Isabella Higginbotham? — Ele olhou para Carlisle ao seu lado, então para todos nós. — Quer saber, esqueça tudo, Isabella, tudo! Foda-se o noivado, o casamento e a Itália na Lua de Mel, nós dois estamos acabados — pontuou, antes de sair por conta própria da sala de jantar.
O olhar de Bella cruzou com o meu, eu vi de tudo em seus olhos: dor, raiva, angústia, felicidade, mas lá no fundo vi algo maior, esperança.
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