Sob minha Pele
31 Capítulo Trinta
Notas iniciais
— Capitulo Trinta —
— Edward —
Os dias entre o almoço na casa dos Cullen e a data marcada para nossa viagem para Hamptons, se sucederam sem Isabella e eu nos encontrarmos. Ela estava aproveitando o máximo de tempo possível no hospital com a mãe — já que passaria dias sem ver Renée — ou com seu avô.
Eu obviamente entendia a necessidade dela de estar com a mãe naquele momento, se meu pai tivesse sido resgatado com vida daquele incêndio e tivesse ficado internado, eu com certeza iria querer ficar com ele no hospital a todo instante. E, por mais que eu tivesse os dois pés atrás com Marcus Higginbotham, até mesmo pelo que tinha lido na carta de despedida de Renée, sabia que Bella sentia a falta dele, já que o homem vivia viajando.
Dessa forma, nós acabamos não nos encontrando pessoalmente durante aqueles dias. Até porque eu também estava trabalhando toda noite, ou servindo de babá para Clary enquanto mamãe ia trabalhar, Richard tinha voltado para casa, depois de sabe-se lá quanto tempo fora do mapa. Voltou como sempre, um bêbado babaca causador de problemas, o que me levou a passar muito tempo passeando com minha irmã pela cidade, sem querer que ela ou eu ficássemos perto de Richard.
— Eu gosto do Central Park, é meu lugar favorito do mundo inteirinho! — Clary anunciou um dia, quando a levei até Manhattan para aproveitar um pouco do lugar.
— É? — perguntei, sorrindo, ao me lembrar de Bella dizendo que o Central Park também era seu lugar favorito no mundo.
— É sim — Clary confirmou, saboreando o sorvete de chocolate que eu tinha comprado para ela.
Nós dois sentamos na grama, de frente para o lago. Estávamos próximos ao lugar que Bella conheceu Clary, o que já parecia ter sido a uma vida atrás.
— Sabe, eu conheço alguém que gosta muito do Central Park também.
— Quem? — Clary perguntou curiosa.
— A Bella — respondi, vendo o rosto de Clarisse se iluminar a menção da minha namorada.
— Sério? Ela também gosta daqui? Que legal! — Clary comemorou, olhando ao redor. — Será que ela tá aqui? Eu queria poder ver a Bella de novo.
— Acredito que ela não está aqui não. — Eu tinha certeza que não estava, Bella estava no hospital com a mãe, como em todas as outras tardes.
— Você viu ela?
— Não, a última vez que a vi foi naquele dia que ela fez um desenho de você — menti, odiando mentir para Clary, mas sabendo que era necessário, ou ela acabaria contando para mamãe sobre Bella. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde minha mãe teria de saber sobre o namoro, conversaria com Isabella, talvez quando voltássemos de Hamptons pudéssemos finalmente contar, para o avô dela também.
Só podia esperar que os dois entendessem, que não surtassem muito sobre aquilo. Minha mãe tinha até me feito prometer ficar longe de Isabella, temendo que eu acabasse corrompido pelo dinheiro que minha namorada tinha. Eu também sabia que o avô da Bella não ia me achar o namorado perfeito para a sua neta, quer dizer, eles eram donos de um império do ramo da construção, o que eu tinha a oferecer para ela fora passeios baratos no Brooklyn?
— Eddye? — Clary me chamou.
— Sim?
— Você estava no mundo da Lua — ela falou, rindo, em suas mãos apenas a casquinha sobressalente de seu sorvete. — Ficou encarando o lago por um tempão.
— Desculpe, baixinha, eu me distrai por um tempo. — Afaguei seus cabelos.
— Tudo bem — concordou. — Ouvi a mamãe chorando ontem de noite — contou em um sussurro, seus olhos fixos em seus pés.
— Ouviu? — perguntei preocupado.
Clary assentiu.
— Ela disse que estava chorando porque teve um pesadelo.
— Ela te contou sobre o que era o pesadelo?
— Apenas que você e o seu pai estavam nele, ela chorou muito, eu fiquei assustada — Clary continuou sussurrando, olhando para mim. — Você também tem pesadelos?
— Vários.
— Não fica com medo, eu te protejo! — Clary entoou decidida, me abraçando com força.
— Obrigado, Baixinha, eu não seria nada sem você. — Baguncei seus cabelos. — Vá brincar agora, certo? — Tirei a casquinha de sorvete de suas mãos.
— Certo. — Ela não precisou de muito mais para ir até o grupo de crianças mais próximo, familiarizando-se rapidamente e passando a brincar com eles.
Depois que Clary brincou bastante, nós voltamos para o apartamento onde ela morava com seus pais. A porta estava aberta, o que era um grande erro, o que nos permitiu entrar sem a necessidade de bater. Pelo horário, minha mãe já devia ter voltado da lanchonete.
Deixei Clary na sala, indo atrás da nossa mãe. A encontrei no quarto, ela estava falando ao telefone com alguém, ou melhor, ouvindo atentamente o que a outra pessoa tinha para falar, e quando me viu empalideceu, como se tivesse visto um fantasma.
— Preciso desligar agora — ela disse apressadamente para a pessoa do outro lado da linha. — Não me ligue mais! — Finalizou a chamada, encarando o celular em sua mão.
— Quem era no telefone? — perguntei preocupado com a reação dela.
— Ninguém, não era ninguém.
— Claro, ninguém agora usa celular — debochei. — Quem era no telefone, mãe? — insisti.
— Eu já disse, ninguém! — exclamou, engolindo em seco. — Cadê sua irmã? Vocês se divertiram?
— O que está escondendo? — ignorei sua mudança abrupta de assunto.
— Escondendo? Não estou escondendo absolutamente nada, Edward — falou, mas continuava nervosa.
— Apenas diga de uma vez quem era no telefone — exigi saber.
— Não devo satisfações nenhuma para você, Edward! — gritou, pegando-me de surpresa, era incomum demais vê-la gritando.
— É algo sobre Richard, não é? Ele se meteu em alguma merda e te envolveu...
— Não é da sua conta! — me interrompeu, com um novo grito.
— O que diabos aconteceu com você? — perguntei, assustado com o modo descontrolado que ela estava agindo.
— Não aconteceu nada, tá legal? — Ela suspirou, seus olhos estavam repletos de lágrimas. — Só estou cansada do trabalho, volto para casa querendo um pouco de sossego, atendo a merda de uma ligação de telemarketing e tenho de lidar com você agindo como se eu fosse uma criminosa escondendo meus erros.
Ela caiu sentada sobre a cama, escondendo o rosto entre as mãos. Aproximei-me com cautela dela, ajoelhando-me a sua frente, afastando suas mãos, podendo ver seu olhar torturado.
— O que está acontecendo, mãe? — perguntei em um tom de voz baixo, com medo.
— Tudo bem? — Mamãe olhou por cima de mim e eu olhei para trás, nós dois pudemos ver Clary parada na porta do quarto, ela também estava assustada, com toda certeza tinha escutado os gritos.
— Tudo, filha, só estou com um pouco de dor de cabeça — mamãe respondeu, forçando um sorriso para Clary. — Você se divertiu com seu irmão?
— Sim — Clary murmurou, entrando no quarto para se sentar ao lado de mamãe na cama. — Fomos ao Central Park.
— Vocês sempre vão. — Mamãe riu, beijando a bochecha de Clary e a colocando em seus braços. — O que você vai fazer no Quatro de Julho? Vai estar no trabalho? — me perguntou.
— Não, eu vou viajar — contei de uma vez, ela pareceu surpresa com aquilo. — Rose e eu, mais alguns amigos do trabalho, vamos para a praia por alguns dias.
— Parece divertido, espero que tenha um bom tempo. — Mamãe afagou meu rosto. — Está tudo bem, filho, não se preocupe comigo.
Eu sabia que era uma mentira, mas também estava cheio delas, então a deixei continuar mentindo um pouco mais. A verdade podia ser assustadora demais, eu preferia permanecer na ignorância da mentira.
***
No dia seguinte, no sábado pela manhã, Rosalie, Jasper e eu seguimos para Manhattan. Lá nos encontraríamos com Alice, Arthur e Bella para irmos para Hamptons.
Eu estava ansioso, não por ser a primeira vez que iria pisar em Hamptons, mas por estar ganhando um tempo de descanso do trabalho, com Bella ao meu lado. A saudades dela já estava me consumindo, eu precisava muito tê-la em meus braços novamente.
— Agora sim, estão todos aqui! — Alice gritou, com toda sua potência vocal, quando abriu a porta do seu apartamento para a gente. — Prontos para Hamptons? — indagou, abraçando Jasper. — Eu tenho muitos planos para a gente, Jazzy. — O beijou.
— Eca, não nos deixe saber disso, por favor — Rosalie implorou, puxando-me para o interior do apartamento dos Cullen, na sala encontramos com Arthur e Esme. — Olá, Esme! — Ela cumprimentou a mãe de Alice educadamente, aceitando facilmente o abraço de Esme. — Oi, Líder de Torcida!
— Olá, Anjo! — Arthur não se deixou abalar, sorrindo como um pateta para minha amiga.
— Você está aqui! — A voz de Bella me tirou rapidamente da troca de Rose e Arthur, olhei para a escada do apartamento, vendo-a descer com pressa, por sorte estava usando sandálias baixas, o que tirou meu receio de vê-la caindo no chão.
— Ei, eu sent... — Sequer consegui terminar de falar, Isabella se jogou em meus braços. Nós tínhamos uma sincronia perfeita, pois eu consegui a segurar e deixá-la entrelaçar suas pernas ao redor da minha cintura. Então, no instante seguinte ela já me beijava com devoção.
— Não, não, está cedo demais para isso! — Rosalie reclamou.
Nós a ignoramos, prolongando o beijo mais um pouco.
— O que estava dizendo? — Bella perguntou quando, infelizmente, o beijo acabou.
— Que senti sua falta. — A coloquei no chão, beijando sua testa. — Muita falta. — Outro beijo, ouvi Bella suspirar, sua mão pairando sobre meu peito.
— Parem com isso! — Rosalie clamou novamente, ouvi Esme rir.
— É melhor vocês irem logo — Esme falou, quando Bella e eu nos voltamos para os outros ali, Jasper e Alice estavam vindo da entrada do apartamento. — Para que não peguem muito trânsito, todos querem deixar a cidade para o feriado.
— Você pode pegar minhas malas lá em cima, Jazzy? — Alice perguntou a ele. — Estão pesadas demais para que eu carregue só.
— Claro — ele concordou.
— Também preciso de uma ajudinha — Bella falou para mim, puxando-me em direção à escada para que seguíssemos nossos amigos até o segundo andar. As meninas nos levaram para o que parecia ser o quarto de Alice, onde quatro malas esperavam pela gente.
— Só vamos passar quatro dias lá, você precisa mesmo de tudo isso, Alice? — Jasper reclamou quando a Cullen apontou suas duas malas, pegando uma bolsa, assim como Bella.
— Claro que preciso, Jasper, é Hamptons! — Alice exclamou indignada.
— Uma dessas malas é só de sapatos, né? — perguntei para Bella, puxando sua mala preta, a mais pesada.
— Quase isso — falou, mordiscando seu lábio inferior. — Mas, só para que você fique sabendo, por mim eu não levava roupa nenhuma e passaríamos a viagem inteira trancados no quarto, nus.
— Ei, não compartilhem esse tipo de coisa! — Alice gritou da entrada do quarto dela, onde ela e Jasper continuavam debatendo sobre o exagero de bagagem.
— Eu realmente gostei da sua ideia, Bonequinha — falei, fazendo Bella piscar para mim.
— Edward, cala a boca — Jasper ordenou. — Alice, eu te amo, mas você é muito exagerada — resmungou quando chegamos à escada. — Não precisava de todo esse peso, isso é fora do normal.
— Ou você é fraco demais, Edward não está reclamando de carregar as malas da Bella. — Alice bufou, descendo na frente.
— Do que adianta? Eu vou ter de carregar de qualquer jeito — falei, Bella sorriu triunfantemente.
— Bem que você sabe, mas eu prometo recompensá-lo mais tarde, Garoto do Brooklyn.
— Eu vou cobrar, saiba disso!
— Ninguém precisa saber dos planos de vocês! — Jasper exclamou.
— Você só está com inveja, Jazzy — Bella provocou.
— Há, muito engraçada, você — Jasper finalmente chegou ao fim da escada, respirando aliviado.
— Querido, tudo bem? — Esme perguntou a ele.
— Jasper está reclamando do peso das minhas malas. — Alice revirou os olhos. — Eu ainda estou levando pouca coisa, tive de condensar tudo nessas duas malinhas. Sou uma garota, tenho muita coisa para levar em viagens mesmo.
— Rosalie condensou tudo numa mochila. — Apontei para minha amiga, quando também cheguei ao fim da escada.
— É, eu não preciso levar minha casa para a viagem — Rose disse.
— Está levando biquínis, né? — Arthur perguntou a ela, sem conseguir conter um sorrisinho malicioso.
— Arthur! — Esme chamou a atenção dele.
— Desculpe — Arthur pediu rapidamente. — Desculpe, Anjo — pediu para Rose também.
— Vamos logo, eu estou louca para colocar sentir o ar de Hamptons — Alice falou em um tom sonhador.
— Certo, certo, tomem cuidado na estrada. — Esme começou a abraçar todos. — Avisem-me quando chegarem lá, okay? Dirijam com cuidado. Não exagerem nas bebidas, Alice isso é pra você.
— Mãe!
— Não me venha bancar a santa, eu sei bem sobre suas táticas de compra de bebida. Também não quero ninguém voltando grávida para New York. — Bella ao meu lado engasgou com a própria saliva, ela não poderia se entregar mais, porém tínhamos tomado cuidado com o lance de camisinha nas últimas vezes. Melhor, eu tinha, Bella continuava a querendo abominar o preservativo.
— Bella! — Esme se voltou para ela, com uma expressão extremamente maternal de quem cuida, o que me fez pensar na minha própria mãe. — Tome cuidado!
— Eu vou, prometo — minha namorada disse após voltar ao normal, recebendo o abraço de Esme. — Não deixe de me avisar sobre tudo relacionado à minha mãe, Esme, por favor.
— Eu não deixarei, irei lhe manter informada diariamente. Agora, vá e descanse, você teve muito em suas costas nas últimas semanas, precisa relaxar um pouco, Renée ficará bem aqui.
Bella assentiu, mesmo parecendo incerta sobre aquilo.
Nós seis terminamos de nos despedir de Esme, por fim saindo do apartamento e seguindo para a garagem. Eu não tinha parado para pensar na nossa ida para Hamptons, até que vi a Ferrari da Bella estacionada ao lado do carro de Alice.
— Oh, porra! — Rosalie arfou, parando ao ver a Ferrari. — Você tem mesmo uma Ferrari, caralho! — Ela correu até o carro, depois de jogar sua mochila para cima de Arthur. — É tão linda, olha essa cor, é incrível!
— Olha só, Rose tem mais interesse em um carro do que em você, Arthur — Alice o provocou, abrindo a porta malas do seu carro para que Jasper pudesse colocar as malas dela lá, junto com a mochila dele e o violão que ele tinha, que estava levando para que tivéssemos um pouco de música durante nosso tempo em Hamptons.
— Claro que sim! — Rose exclamou. — Olha esse carro!
— Você tem carteira? Pode ir dirigindo se quiser — Bella sugeriu, desligando o alarme do carro, Rose aproveitou aquilo para tocar nele, com certa devoção, eu a entendia a Ferrari era linda. Claro que não tão linda quanto a dona dela, porra, eu estava mais apaixonado ainda por Bella.
— Não tenho — Rose choramingou, parecendo realmente mal com aquilo.
— E você? — Bella me perguntou.
— Hum, não.
— Você vai querer dirigir, Art? — Balançou as chaves para o Davis.
— Não, o trabalho é todo seu. — Ele abriu a mala do carro, colocando sua mochila e de Rose ali, mas ficando com uma menor que eu julguei ter todo o equipamento precioso de fotografia dele.
— Vocês quatro podem ir juntos, Jasper e eu queremos um pouco de privacidade — Alice falou, empurrando o namorado para o banco do motorista, pelo menos Jasper tinha carteira para poder dirigir tranquilamente sem que a policia o parasse.
— Não batam o carro enquanto fazem sexo — provoquei, passando as malas de Bella para o carro, junto com minha própria mochila.
— Bem que eu queria poder fazer sexo no carro, mas estamos levando de mala extra o Anjo e a Líder de Torcida — Bella disse, arrumando as malas ali, eu ri, beijando o pescoço exposto dela graças ao coque que ela usava aquela manhã.
— Sinto falta do sexo, Bonequinha, foi uma longa semana sem ser acordado com aquele belo boquete que você faz muito bem.
— Eu disse, irei recompensá-lo.
— Ei, vocês dois, vamos! — Rose gritou contra o barulho da buzina da Ferrari que ela mesma apertou.
Alice e Jasper já estavam no outro carro, apenas esperando para deixarem a garagem do prédio também. Bella mandou Rose para o banco de trás da Ferrari, junto com Arthur, mesmo que ela tenha tentado convencer minha namorada a ir na frente.
— Seja um bom copiloto e coloque alguma música, Garoto do Brooklyn — Bella me pediu, deixando a garagem atrás do carro de Alice. — Tem um pendrive no porta luvas com algumas músicas.
Eu abri o porta luvas pegando o pendrive de lá de dentro, no banco de trás podia ouvir Rosalie respondendo mecanicamente para Arthur sobre nunca ter ido para Hamptons. Porém, diferente de mim ela já tinha ido para a Carolina do Norte, eu era a pessoa presa a New York desde sempre.
— Ei! — exclamei surpreso quando conectei o pendrive no sistema do som do carro, ouvindo Arctic Monkeys começar a tocar. — Você não fez isso! — exclamei, ainda surpreso, para minha namorada, que olhava para a rua diante de si, mas tinha um sorrisinho vitorioso nos lábios.
— Eu fiz sim, você gosta tanto deles, pensei que seria justo deixá-lo ouvir algo que curta durante a viagem. — Ela mal tinha terminado de falar e eu já estava plantando um beijo em sua bochecha, Bella era incrível.
— Não acredito que vou passar duas horas presa num carro com um casal grudento em começo de namoro — Rosalie protestou do banco de trás.
— Lide com isso, Rose! — Bella riu. — Ou, aproveite Art, ele está totalmente disponível.
Rosalie fingiu uma risada.
— Você nem respondeu minha pergunta sobre biquínis — Arthur falou para Rosalie.
— Claro que eu estou levando biquínis para a praia, Líder de Torcida. — Rose bufou. — O que importa é que você nunca vai ver o que tem atrás deles.
— Ai, essa doeu até em mim — Bella falou rindo, Arthur resmungou algo, distraindo-se com sua câmera rapidamente.
Me inclinei novamente na direção de Bella, perguntando em seu ouvido.
— Eu vou poder ver o que tem atrás do seu biquíni, né?
— Com certeza, Garoto do Brooklyn. — Sua mão segurou em meu braço, empurrando-me. — Agora fique quietinho no seu lugar, não quero causar um acidente e botar seu rostinho bonito em perigo.
Eu ri, voltando-me a acomodar ao banco do carona, colocando o cinto que ainda não tinha colocado. Aumentei um pouco o volume do som, passando a cantar as músicas que estavam sendo reproduzidas. O Sol do lado de fora da Ferrari brilhava e eu tinha minha garota ao meu lado, era um dia maravilhoso, que varreu para longe de mim qualquer preocupação sobre minha mãe e o que ela estava escondendo.
***
As pouco mais de duas horas de viagem até Hamptons passaram mais rapidamente do que o esperado, o que foi uma sorte porque não pegamos um trânsito carregado que não cansaria muito Bella que estava dirigindo. Foi uma viagem tranquila, na maior parte do tempo silenciosa, Rose não disse praticamente nada, Arthur estava focado demais em sua câmera, Bella concentrada em dirigir e eu me distrai com a música pela maior parte do tempo.
— Você dirige na volta, Art — Bella proclamou quando estacionou na frente da grande casa de praia dos Cullen, nós quatro deixando o carro dela. — Odeio dirigir.
Alice e Jasper deixavam o carro dela, indo em direção a porta da gigantesca casa. Era realmente imensa, localizada bem na frente da praia, muito afastada da casa mais próxima, o que a deixava parecendo uma daquelas casas de filme no meio do nada. Mas, eu não achava que passaríamos por um filme de terror ali, muito pelo contrário.
— Tudo be... — Ele se interrompeu quando viu Rosalie puxar a camiseta que usava para fora do seu corpo, ficando apenas em seu short e com a parte de cima de um biquíni vermelho. — Puta merda. — Arthur rapidamente pegou sua câmera, afastando-se da gente para tirar fotos da área ao redor da casa dos seus padrinhos.
— Rose, você vai enlouquecê-lo — Bella acusou.
— O quê? Não estou fazendo nada! — Rose se defendeu. — Só está quente pra caralho aqui, não tem como ficar cheia de roupas.
— Tenho certeza que também está bem quente para o Art, você tem peito pra caramba — Bella falou, apontando para o busto de Rose. — Eu estou com inveja.
— Com todo o dinheiro que você tem pode colocar silicone...
Rose se calou quando ouvimos um grito, olhamos em direção a entrada da casa, vendo Jasper carregando Alice no melhor estilo noiva para o interior da mansão praiana. As malas dos dois ficaram para trás na porta da casa, um grande descuido com o violão caído no chão, Jasper era péssimo em cuidar dele e da guitarra que tinha. Eu cuidava com tanta devoção da guitarra do meu pai que mesmo ela sendo tão velha, continuava funcionando muito bem, ainda que estivesse a aposentando e usando apenas a Fender que ganhei de Bella.
— E ai? Você acha que eu ficaria bem de silicone? — ela me perguntou, voltando ao assunto anterior.
— Eu não estou reclamando dos seus peitos, ele são perfeitos, Bonequinha.
A puxei para mim, para que pudesse beijá-la. Estava morrendo de saudades, cinco dias longe dela e a distância tinha sido esmagadora.
— Arg, não aguento mais vocês! — Rose resmungou, mas apenas parte da minha mente ouviu aquilo, mas não deixei passar despercebido o som dos cliques da câmera de Arthur.
— Você é muito inconveniente — acusei, parando de beijar Bella.
Rosalie estava andando em direção à entrada da casa, enquanto o Davis tinha andado até próximo Bella e eu para que pudesse tirar fotos.
— Vocês formam um casal bonito — ele falou, ignorando minha repreensão anterior. — Depois que eu convencer Rosalie a ser a modelo para meu projeto, posso marcar uma sessão especial com vocês, o que acham?
— Nem pen...
— No Central Park? — Bella me interrompeu, parecendo adorar a ideia de Arthur.
— Claro — Arthur concordou. — É um bom cenário.
— O que acha? — Bella me perguntou, seu olhar castanho era brilhante. — Parece legal, né? Nós teríamos as fotos só para a gente, claro, sem nenhuma exposição.
— Não sei, eu não estou nada a fim de bancar o modelo.
— São só fotos — Arthur insistiu.
— Com meu namorado, no Central Park, no lugar que mais gosto no mundo — Bella disse, sua voz soava doce e alegre, ela parecia muito iluminada sob o Sol de Hamptons.
— Certo, você venceu, Bonequinha. — Beijei a ponta do seu nariz. — Eu topo ser modelo por um dia.
— Não acredito que ele se rendeu tão rápido e nada da Rosalie aceitar posar para meu projeto — Arthur reclamou. — Eu tenho de tirar as fotos dela logo, ou terei de ir atrás de outra modelo para que a exposição ocorra em agosto como planejado.
— Boa sorte com isso, acho muito difícil Rosalie topar participar disso — falei, indo com Bella e Arthur até o porta malas para que tirássemos as bagagens dos quatro de lá, seguindo para a casa depois.
A mansão na beira da praia era pintada em um tom de cinza claro, com portas, janelas e escada da frente brancas. O piso do interior era de madeira, as paredes claras e com uma decoração que misturava o clássico e o praiano.
Nós passamos por umas duas salas de estar, uma com televisão e todos os outros aparatos tecnológicos e seguimos para a grande cozinha que tinha ali, onde Rose estava com Jazz e Alice. Anexada a cozinha, uma sala de jantar, com uma mesa com acomodação para pelo menos dez pessoas.
— Uau, isso aqui é lindo! — eu falei embasbacado, olhando pelas portas de vidro que dividiam a cozinha do deck, lá podia se ver uma piscina e o que parecia uma jacuzzi e mais ao fundo, depois de uma extensão de areia, a praia que parecia exclusiva dos Cullen.
— É mesmo, né? — Alice falou animadamente. — É um paraíso, a última vez que viemos para cá foi no meu aniversário em fevereiro, mas o clima estava uma merda.
— Nós congelamos, mas a festa foi incrível — Bella contou, remexendo na geladeira. — Graças que Esme pediu para a cozinheira deixar comida pronta para a gente, espero que ela tenha feito algo decente dessa vez, é uma colombiana babaca que nem deveria estar no país, mal entende uma palavra em inglês. Alguém deveria varrê-la de volta para o país escroto que ela saiu, não está fazendo nada que preste aqui, é um pedaço de lixo latino.
— Bella! — Alice chamou a atenção dela, todos os outros, inclusive eu, estavam calados diante as palavras grosseiras e preconceituosas de Isabella.
— O quê? — Bella perguntou confusa, tirando a cara de dentro da geladeira, olhando para Alice.
Ela pareceu se dar conta ali do que tinha falado, a grande bosta que tinha saído da sua boca.
— E-Eu — ela gaguejou, calando-se por fim, engolindo em seco.
Olhou para mim por um segundo, parecendo terrivelmente culpada, antes de sair apressadamente da cozinha em direção as salas de estar. Alice xingou baixinho, seguindo Bella.
— Então — Arthur começou, o clima que ficou na cozinha era terrível, eu ainda estava deglutindo o que tinha acabado de ouvir da boca da minha namorada. — Rose, você não quer mesmo ser a modelo para minhas fotos?
— Não — Rose respondeu com firmeza, ela me olhou por um longo tempo, mas eu permaneci mudo. — Vou dar um mergulho, não posso esperar muito mais por isso. — Ela foi até as portas de vidro, Arthur atrás dela como se orbitasse ao seu redor, eles passaram pelo deck, então pela ponte que ligava a casa a areia.
— Tudo bem? — Jasper me perguntou com cautela, apenas assenti, sem saber o que falar sobre o que tínhamos acabado de ouvir de Bella. — Certo, é melhor eu ligar para a mãe da Alice e avisar que a gente chegou. — Ele tirou o celular do bolso de sua bermuda.
Concordei novamente com um aceno de cabeça, jogando minha mochila que ainda estava em meus ombros no chão, junto as malas de Bella. Suspirei alto, deixando a cozinha também, podendo sentir o olhar de Jazz sobre mim.
Eu segui para a praia, indo até a areia branca e quente. O lugar era fantástico, mas tinha perdido um pouco da graça depois do que Bella disse, como ela podia ser tão arrogante e preconceituosa?
Rosalie estava no mar, seu short jeans largado em um canto qualquer na areia, junto as suas sandálias. Arthur também estava na água, mas na parte mais rasa, obviamente com sua fiel câmera em mãos, fazendo alguns registros de Rose, como também da praia como um todo.
Como esperado, o lugar era bem privativo, éramos apenas nós ali. O silêncio era absurdo, quebrado apenas pelo som das ondas.
Adorava estar na praia, era bem relaxante na maioria das vezes. Eu sorri, me lembrando de quando meu pai me levava para a praia em Coney Island todo o verão. Ele tinha me ensinado a nadar lá, com mamãe junto da gente, sempre me incentivando.
— Qual sua praia favorita? — Ouvi Rose perguntar a Arthur, depois que ela voltou a parte mais rasa, parando diante dele, ele aproveitou para tirar mais uma foto dela, Rosalie não parecia se importar mais com aquilo.
— Prainha em Arraial do Cabo, fica no Sudeste do Brasil — ele contou. — Eu tenho algumas fotos de lá no meu notebook, se quiser te mostro mais tarde. O lugar é um paraíso, muito melhor do que Malibu que era minha queridinha até eu ir para o Brasil.
— Sério? — Eles começaram a sair da água, se me notaram ali não pararam para falar comigo.
Rosalie pegou suas coisas a metros de distância de mim, continuando a andar com Arthur de volta para casa, mantendo a conversa que estavam tendo.
Sentei na areia, o Sol de meio dia era mais forte do que estava acostumado, mas eu estava contente de estar naquele lugar. Eu não conhecia a tal praia mencionada por Arthur, mas o trecho de praia privativa dos Cullen bem que poderia ser um paraíso em meio a todo aquele silêncio.
Passei algum tempo ali, sozinho, apenas vendo as ondas e ouvindo o som do mar. Tentei não pensar no modo estranho que minha mãe tinha agido no dia anterior, ou em Bella sendo desagradável. Só queria um pouco de paz, queria descansar também.
Eu estava pensando em como Clarisse amaria aquela praia, principalmente as conchinhas espalhadas na beira da água, quando Bella apareceu. Não disse nada primeiramente, apenas sentou do meu lado, encarando o mar como eu encarava, até que falou por fim.
— Desculpe pelo o que ouviu antes, Edward — sussurrou, mas no silêncio eu podia ouvi-la muito bem. — Eu fui uma idiota dizendo aquelas coisas da cozinheira dos Cullen.
— Você foi sim. — Não conseguia amenizar o que ela tinha dito, chamando a mulher de lixo latino.
Suspeitava que se fosse uma mulher latina rica, Bella pouco se importaria com sua nacionalidade, mas era uma mulher pobre.
— Eu... — Ela se calou, respirando fundo, parando de falar de vez.
— Você é mimada. — A olhei, Bella voltou o rosto para mim, seus olhos não estavam mais cheios de brilho, não de alegria. — Além de claramente preconceituosa, o jeito que falou da cozinheira dos Cullen foi tão baixo, Isabella. — Bufei. — Eu não tenho sangue latino, mas você sabe que sou da mesma classe social que essa mulher, não sabe? Estou só um pouquinho acima dela por ser americano e branco, mas eu cresci cercado por gente de outros países, imigrantes que vieram tentar uma vida boa no nosso grande país. Sou um servente como ela, minha mãe é, meu pai foi.
Voltei meu olhar para a água por um segundo.
— Meu pai trabalhou para a Organização Higginbotham, sabia?
— Não — Bella murmurou, eu retornei meu olhar para ela, que estava surpresa com o que tinha acabado de descobrir.
— Ele era um operário, Isabella, ele construía as obras que a Organização projetava. Os prédios por toda New York com o sobrenome da sua família na fachada, esses que constituem parte da sua fortuna, foram erguidos por operários como meu pai era, muito deles vindo de outros países, exatamente como a senhora que cozinha para os Cullen. Você está no topo da pirâmide social, Isabella, mas não estaria ai caso não existisse uma gigantesca base da classe operária colocando a mão no trabalho pesado, enquanto pessoas como você estão lucrando em cima disso.
Ela engoliu em seco, olhando para o mar.
— Não quis dizer que você...
— Que eu sou uma patricinha inútil? Eu sei que sou — ela falou, a voz era firme, mas não parecia zangada. — Nunca trabalhei, sequer me importo em aprender sobre o funcionamento da Organização Higginbotham, só fico na minha cobertura duplex em Manhattan colhendo os frutos dos trabalhos dos outros.
Bella balançou a cabeça em negativa.
— Sabe qual era meu plano para o futuro? Quando eu estava com Jacob? — Seu olhar voltou a se encontrar com o meu. — Ser uma esposa, apenas isso. Eu nem mesmo levo minha arte como um trabalho, encaro apenas como um hobby. Minha maior ambição era me tornar a primeira dama, quando Jacob se tornasse o presidente do país. Quem diabos se importa com a primeira dama? Ela não passa de um objeto de decoração para o marido dela, mas eu queria ser isso, Edward, queria ser um troféu ao lado de Jacob. — Lágrimas correram por seu rosto, Bella não se importou em limpá-las. — Então, sim, eu sei que não passo de uma garota rica inútil, que só pensa em si mesma e fala dos outros como se fossem nada, é essa garota que você está namorando. — Ela soluçou, seu choro piorando.
— Bella...
— Por que está comigo? — Ela me encarou, com descrença em seu olhar. — Logo no começo, quando estava querendo você por um mero capricho, Alice disse que eu não te merecia, Jasper disse isso alguns dias atrás, eles estão certos, não mereço você, Edward Masen. Você é incrível, sabia disso? Deve ser a pessoa mais gentil do mundo, o jeito como você me trata, como fala comigo, mesmo quando sou uma imbecil, você é tão bom!
— Bella. — Toquei em seu rosto, tirando as lágrimas que estavam tomando conta de sua pele.
Talvez se fosse outra garota, sendo uma riquinha mimada que achava que podia falar mal de qualquer um, eu sequer tivesse beijado Bella para começo de conversa, mas ela era a garota por quem eu tinha me apaixonado, eu estava perdido no labirinto por ela e no fundo sabia que ela era maior do que todo o estereótipo que carregava. Eu acreditava nela, tinha me entregado de corpo e alma a Bonequinha, apaixonado, mais a cada batida do meu coração, o sentimento já estava cada vez mais forte e presente, desenvolvendo-se, meu subconsciente já sabia disso, eu só não tinha me dado conta ainda.
— Está tudo bem — falei para ela, que negou novamente com um aceno de cabeça. — Está sim.
— Sou uma babaca, Edward, sempre estrago tudo. Era para essa ser nossa primeira viagem juntos, deveria ser perfeita, e o que eu faço? Chego aqui já...
Ela se calou quando eu a peguei no colo, a jogando sobre meu ombro. Bella soltou um gritinho, mas riu, o que me motivou a continuar. Tirei o celular do bolso da minha bermuda, o atirando na areia e indo para a água com Isabella.
Nós dois gritamos quando sentimos a água gelada nos atingir. Eu tirei Bella do meu ombro, a colocando de pé a minha frente, seu rosto ainda era aquele de quem tinha acabado de chorar, mas ela sorriu minimamente para mim.
— Está tudo bem, Bonequinha — repeti.
— Não está, você acabou de me jogar no mar com uma blusa e short que devem ser lavados a seco — brincou, seus lábios tremiam um pouco por conta do frio da água, ela estava completamente molhada, mesmo seus cabelos presos no coque.
— Bom, pelo menos você estava descalça, eu odiaria estragar um dos seus preciosos Jimmy Choo. — Segurei em sua cintura, erguendo Isabella e fazendo com que ela me abraçasse com suas pernas. A água naquela parte da praia batia no meio da minha barriga, mas eu era mais alto do que ela e conseguia firmar nós dois.
Bella riu um pouquinho, mas logo voltou a ficar séria.
— É sério, me desculpe por tudo que falei, Edward.
— Vamos esquecer isso, você está certa, é nossa primeira viagem juntos, merecemos aproveitar.
— A viagem que eu fiz o favor de começar com o pé esquerdo — ela resmungou, agarrando-se a mim quando uma onda maior nos alcançou. — A água está gelada demais.
— Eu posso esquentá-la, será um prazer, literalmente. — Infiltrei minhas mãos para o interior da sua blusa cor de salmão. Inclinei minha boca em direção a sua garganta, depositando um beijo ali, sentindo o gosto da água salgada na pele dela.
— Por que não me falou antes? Que seu pai trabalhou para a Organização Higginbotham, quero dizer — disse, fazendo com que eu tirasse a boca de sua pele imediatamente, movi meu olhar para ela, vendo Bella esperando por uma resposta.
— Não achei que era preciso, Bella, que diferença isso faz?
— Nós tínhamos isso em comum, você bem que podia ter dito — ela falou, suspirando. — Sei lá, vai que eu tenha até conhecido seu pai e não me lembro.
— Bella, você era uma garotinha quando meu pai trabalhou para a Organização Higginbotham, certo? Além do mais, eu te disse, ele era um operário, você com toda certeza do mundo não teve qualquer tipo de contato com Edward Masen.
— Espera, você é um Júnior?
— Como assim?
— Edward Anthony Masen Júnior. — Bateu o dedo na ponta do meu nariz, fazendo com que eu risse.
— Não, não mesmo. Meu pai era só Edward Masen, eu ganhei o Anthony de brinde, minha mãe queria que eu me chamasse Edward, ele queria o nome Anthony, aqui estou. E o seu Marie?
— Era o nome da minha avó materna — contou, dando de ombros, voltando-se a agarrar firmemente em mim quando uma nova onda forte bateu contra a gente. — Não a conheci, mas Renée quis prestar a homenagem.
As mãos ágeis de Bella puxaram a barra da minha camiseta para cima e ela pode tocar em minha barriga e peito.
— Agora, nós podemos deixar esse papo de nomes de lado, pelo que me lembro você prometeu me esquentar, chegou a hora, Garoto do Brooklyn.
— Como dito antes, com prazer, Bonequinha.
***
Não demorou muito para Alice aparecer, impedindo que Isabella e eu tivéssemos qualquer coisa além de beijos na água, chamando a gente para almoçar. Nós fomos obrigados a ir, já que tanto Bella quanto eu não tínhamos comido nada pela manhã e estávamos com fome.
Nosso grupo almoçou com Alice contando os planos para o feriado, tínhamos aquele dia todo livre, mas ela tinha nos arranjado convites para uma boate para a noite seguinte e para o luau onde comemoraríamos o Quatro de Julho na segunda-feira, ainda teríamos a terça em Hamptons e voltaríamos para New York na quarta de manhã. Rosalie tinha sido bem convincente com nosso chefe, conseguindo que nós dois tivéssemos uma folga de quatro dias seguidos e com direito a pagamentos mesmo assim.
Depois do almoço Alice arrastou Jasper para o centro da cidade, Arthur e Rosalie acabaram indo junto, mas Bella e eu preferimos ficar. Tinham sido dias afastados, nós realmente queríamos um tempo só de qualidade, sendo assim nos trancamos no quarto de hospedes que ficaríamos e aproveitamos como queríamos.
A casa dos Cullen tinham cinco quarto ao todo, mas a suíte principal de Esme e Carlisle foi determinada como uma zona proibida. Sendo assim, Alice e Jasper ficaram no quarto dela, Bella e eu em um, Rose e Arthur ocuparam os dois quartos restantes, por mais que ele tivesse brincado sobre dividir o dele com ela sem problema.
— E ai? Vocês fizeram muito sexo enquanto Jasper, Rosalie e eu éramos obrigados a andar por cada loja de Hamptons com Alice? — Arthur perguntou, enquanto eu descia as escadas com Bella acoplada nas minhas costas, com ela alegando não conseguir andar depois de termos passado horas na cama, claramente não dormindo.
— Eu tenho a pior cunhada do mundo — Rose protestou, enquanto mexia, para minha surpresa, na câmera de Arthur. Os dois estavam sentados lado a lado em um sofá, com uma proximidade muito maior do que quando estavam no banco de trás da Ferrari.
— Sou sua cunhada também — Bella falou quando a sentei no sofá livre.
— Oh, então eu tenho as duas piores cunhadas do mundo. — Rose debochou, mas sorriu gentilmente para Bella no final. — Tá, até que você é melhorzinha, não fica me fazendo ir a lojas. — Rose passou a câmera para Arthur. — Mas, eu vi uns caras lindos no centro, eu estou agradecida por isso!
— Me poupe. — Arthur bufou, ficando com uma careta no rosto, Rose não pode esconder um sorrisinho convencido ao ouvir os ciúmes na voz do ex líder de torcida.
— Eu sei, né? — Bella falou. — Tem uns caras bem gatos por Hamptons, parece uma concentração de modelos.
— Ei! — exclamei indignado ao ouvi-la falar aquilo, sentando ao seu lado no sofá, ela me lançou um sorriso travesso.
— Não se preocupe, eles não chegam aos seus pés, Garoto do Brooklyn. — Piscou para mim, afagando meu braço nu graças a regata que eu usava.
— Ah, Edward é facilmente ultrapassado — Rosalie afirmou. — Eu vi um japonês maravilhoso, eu estou perdidamente apaixonada por ele.
— Japonês, não sei que graça você vê em um japonês — Arthur continuou resmungando. — São todos iguais.
— Eu não sei quanto aos caras, mas fiquei com uma japonesa, ela era... — Calei a boca quando vi o olhar furioso de Bella. — Ela era bem comum — menti, Bella arqueou a sobrancelha em desafio. — Muito comum mesmo, bem sem graça.
— É, mas você a levou pra cama por uma semana inteira — Rose me entregou, Bella praticamente rosnou ao ouvir aquilo.
— Japonesas, você deveria ver como as australianas são quentes, Edward — Arthur falou para mim, mas olhou significativamente para Rosalie. — Eu não acho que nenhuma americana é tão boa no sexo quanto as australianas são.
— É uma pena que você nunca vai transar comigo, logo nunca vai ter a prova real que isso é uma teoria furada.
Arthur abriu a boca para rebater, mas ele não parecia saber o que falar.
— Enquanto tempo vocês acham que eles transam? — Bella me perguntou sussurrando, enquanto víamos Rose voltar a pegar a câmera de Arthur.
— Não sei, Rose é resistente.
— Eu aposto até segunda. — Bella não aceitou minha fala.
— Tá, okay, acho que eles não transam aqui.
Bella deu uma palmada na minha coxa.
— Eles vão, você vai perder.
— O que está em jogo? — Ela mordeu o lábio inferior.
— Se eu ganhar nós vamos fazer muito sexo.
— Bonequinha, era o que queria se eu ganhasse também. — A puxei para mim, podendo beijá-la.
— Excelente, assim nós dois saímos ganhando — ela falou quando liberei seus lábios. — Você é lindo! — exclamou, seus olhos castanhos passeando por meus rosto.
— Você também. — Sorri para ela. — Muito melhor do que qualquer japonesa — a provoquei, recebendo um tapa de leve no meu braço, nós dois acabamos rindo daquilo.
— Onde Alice e Jasper estão mesmo? — Bella perguntou para Rose e Arthur, que mostrava a loira algumas funções da câmera.
— Na cozinha, preparando comida mexicana, eles tiveram a ideia de fazer o jantar, não acho que vai dar certo — Arthur comentou.
— Por que não vamos encher a cara? — Rose perguntou animada. — O lado bom de ir ao centro foi que voltamos cheios de bebidas, vamos beber! — Ela pulou do sofá.
— É uma excelente ideia, Anjo, eu aprendi a fazer uma bebida muito boa no Brasil. — Arthur foi atrás de Rose para a cozinha.
— Tudo bem se eu beber? — perguntei para Bella, sabendo que ela não bebia e que não gostava mesmo daquilo por conta de Renée.
— Vá em frente, só não beba demais a ponto de estar indisposto para sexo mais tarde.
— Nunca. — Levantei do sofá. — Ainda não sente suas pernas?
— Você me destruiu, Masen! — acusou, esticando os braços para mim. — Mas, não estou reclamando, podemos passar mais um dia trancados no quarto que não vou reclamar.
— Pervertida. — A puxei para minhas costas, como a tinha carregado antes. — Comporte-se!
— Não posso prometer nada.
É, eu também não podia. A queria demais, de todas as formas possíveis, tão apaixonado!
***
Arthur preparou a bebida brasileira para todos nós, até mesmo para Bella que tomou apenas um pouco. Ele, Rose, Bella e eu seguimos para o deck, deixando Alice e Jasper na cozinha continuando na tentativa deles de fazerem comida mexicana.
As meninas não demoraram muito a entrarem na piscina, mesmo com Bella reclamando do frio da água que não era aquecida. Eu também não demorei nada a pegar o violão de Jasper, querendo tocar um pouco. Rose e eu cantávamos juntos, Arthur até se arriscava quando eu tocava algo que ele conhecia.
A comida mexicana de Jasper e Alice não era a melhor coisa do mundo, mas foi comestível. Nós todos comemos no deck da piscina, aproveitando a noite estrelada que Hamptons estava nos oferecendo, o visual era lindo ali, eu entendia o motivo de Arthur precisar tirar fotos de tudo e Bella que buscou seu material de desenho depois que terminou de comer, a inspiração estava por todo lado.
— Você está bem inspirada, né? — Ela estava sentada no chão do deck, usando a mesinha ali como suporte para seu caderno de desenho, desenhava uma sereia, era seu segundo desenho, o anterior tinha sido os olhos de Rose, ela tinha dado de presente para Arthur.
— Sim — respondeu, parecendo concentrada demais no desenho para ligar para mim.
Sorri, vendo como ela mergulhava totalmente quando estava voltada para sua arte.
Ouvi risinhos vindos da piscina, onde Alice e Jasper se pegavam, ele sussurrou algo para ela e os dois deram o fora de lá. Eu ri, vendo a pressa dos dois em entrarem na casa, o sexo estava chamando por eles. Arthur tinha ido dormir não muito antes, alegando estar cansado e bêbado demais para continuar de pé, Rosalie estava quase dormindo ao meu lado no sofá, também tinha bebido muito junto com Arthur.
— Barbie, é melhor você ir para cama — falei para ela.
— Eu preciso mesmo? — perguntou sonolenta.
— Precisa, vá dormir — insisti.
— Tá bom, tá bom. — Ela se forçou a levantar. — Boa noite para vocês, não façam nada que eu não faria.
Aos tropeços ela seguiu para o interior da casa.
— Ela vai ficar bem? — Bella perguntou, olhando para mim.
— Vai, eu disse que ela é resistente. Acabou?
— Sim. — Um sorriso grandioso tomou conta do rosto de Bella, ela estendeu o caderno para mim, a sereia estava lá, sentada sobre uma rocha, de costas, com seus longos cabelos ondulados balançando. Os traços de Bella eram excelentes, o desenho estava incrível.
— De onde veio a ideia da sereia? — perguntei, Bella saiu do chão, sentando ao meu lado no sofá.
— De onde estamos, claro. — Gesticulou ao redor, olhando para a praia a nossa frente.
— Eu realmente gostei do desenho. — Voltei meu olhar para a sereia. — Isso daria uma excelente tatuagem, você libera sua criação para que eu possa tatuar?
— Ah tá, até parece! — Bella riu, mas parou quando a olhei. — Você está falando sério?
— Claro que estou.
— Edward! — exclamou exasperada.
— O quê?
— A sereia sou eu, cabelos compridos, ondulados, linda até mesmo de costas. — Tentou brincar, mas continuou séria. — Se você tatuar esse desenho, é como me tatuar!
— E dai? Você é minha namorada e fez um desenho foda, ele merece estar na minha pele.
Ela balançou a cabeça em negação.
— Você está louco! — acusou. — Todas suas tatuagens tem significados importantes.
— Essa também terá, Bonequinha. — Toquei em seus lábios. — Você significa muito para mim, pode ter certeza disso. — Bella fechou os olhos, sentindo meu toque, que deslizou até sua bochecha. Ela era tão linda, eu estava tão feliz de estar com ela.
— Cante para mim — pediu, reabrindo seus olhos castanhos cor de chocolate, seu olhar era doce e quente.
— Alguma música em especial?
— Todas as músicas são especiais quando é você cantando, Garoto do Brooklyn.
Aquilo me fez sorrir, enquanto eu sentia meu coração bater mais forte em meu peito. Devolvi o caderno para Bella, ajustando o violão que estava em cima de mim em minhas mãos. Não precisei de muito para descobrir qual música eu queria cantar.
Logo comecei a tocar Baby I’m Yours, não sabia ao certo quem era o compositor da música, mas eu tinha a conhecido por Arctic Monkeys quando eles regravaram. Bella pareceu reconhecer a música, já que estava no pendrive onde ela tinha gravado as outras músicas da banda, ela deu um sorrisinho doce, colocando o caderno de desenho de lado e olhando para mim com um misto de adoração e carinho enquanto me via cantar e tocar.
— Baby I’m yours (baby, I’m yours). And I’ll be yours (yours) until the sun no longer shines*. — Lancei um sorriso para ela em meio a música, vendo as bochechas de Bella corando. — Yours (yours) until the poets run out of rhyme. In other words, until the end of time*.
Assim como a música dizia, eu era dela. Bella me tinha por completo e eu estava adorando aquilo, apesar das nossas diferenças e de tudo mais, estar com ela era uma das melhores coisas que já tinha acontecido em minha vida.
Bella continuou me assistindo e ouvindo cantar e tocar, quietinha ao meu lado, mas sorrindo e corando. Ela era adorável, eu queria saber desenhar para desenhá-la naquele instante, ou ter uma câmera comigo para registrar sua expressão suave e apaixonada.
— É uma música muito boa, a escolha foi excelente — ela parabenizou quando acabei.
Apoiei o violão no chão junto ao sofá, trazendo Bella para mim, fazendo com que ela sentasse em meu colo, com suas coxas me ladeando. Seu sorriso continuava em seu rosto, assim como o meu na minha própria face.
— Fico feliz que tenha gostado, a música diz exatamente como me sinto sobre você, Bonequinha. — Afaguei seu rosto, puxando-o para mim, até que nossos lábios estivessem a centímetros de distância.
— Você é meu?
— Completamente seu.
Bella selou nossos lábios, os separando não muito depois para voltar à posição inicial, sua mão repousou sobre meu peito. Não era uma surpresa que meu coração estivesse acelerado, ele sempre reagia assim quando eu tinha Isabella por perto, ela mexia com ele, com minha mente e comigo por completo.
Foi por isso que disse a frase seguinte, sem conseguir guardar as palavras para mim.
— Eu te amo, Bonequinha.
Fale com o autor