Sob minha Pele
44 Capítulo Quarenta e Três
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Três —
— Bella —
Acordar na manhã seguinte ao meu aniversário foi incrível, me sentia bem de mil formas diferentes. Com certeza aquele foi o melhor aniversário da minha vida, apesar de todo o resto que já tinha acontecido aquele ano, eu me sentia incrivelmente bem.
Claro que aquilo foi maximizado pelo fato de Edward ter composto não só uma, como três canções para mim, eu me apaixonei por cada uma delas perdidamente, como tinha me apaixonado pelo Garoto do Brooklyn para começo de conversa. Eu também não podia deixar de pensar que ele tinha me dado o anel de noivado, era uma aliança simples — como o próprio repetiu várias vezes —, mas era delicada e representava muito para mim, estava nas nuvens por conta daquilo.
Espreguicei-me na cama, ainda pensando na última noite mágica que tinha tido. Com toda certeza comemorar com todo aquele sexo tornou tudo ainda melhor, eu não podia ter tido um aniversário melhor.
Bom, talvez sim, mas não ficaria remoendo aquilo. Estava na hora de ser plenamente feliz, esquecer os problemas, eu merecia aquilo.
O espaço reservado para Edward na cama já estava frio, o que indicava que ele já tinha saído algum tempo. Eu não estava muito contente sobre ele, Rose e Jasper irem até Phill, mas esperava que tudo fosse diferente daquela vez.
Ergui minha mão, onde minha aliança/anel de noivado estava. A luz solar entrando pela janela fazia a peça brilhar, sorri ainda mais, a analisando melhor.
Era sim uma joia simples, nada comparada ao caro anel de noivado que os Black tinham para mim, só que isso tornava tudo melhor. Uma joia simples, mas com um significado real. Edward deu a mim por me amar, por realmente querer que um dia fossemos marido e mulher. Tudo com Jacob foi um plano desde sempre, estava com ele unicamente por negócios.
Jacob tinha se entregado para a polícia, entregado provas que me absolveram, mas aquele amor que dizia sentir por mim me dava nojo, nada além disso. Se ele realmente me amasse, como Edward amava, se eu o amasse, como amava Edward, as coisas entre nós dois teriam sido diferentes desde o começo.
— Oi, eu sou a senhora Masen! — falei em um tom de voz formal, ainda olhando para a aliança em meu dedo. — Oh, sim, sou a esposa de Edward, ele não é maravilhoso? Ele compôs três músicas para mim, sou a musa inspiradora dele.
Ri do meu monólogo, mexendo em minha aliança. Noiva de Edward, eu estava muito feliz com aquilo.
Em minha mente já pensava em mil cenários para nosso casamento, estava bem criativa aquela manhã. Desenharia todas as opções em breve, faria uma coleção de desenhos só com as ideias para nosso casamento, que nem sabia quando aconteceria, mas eu tinha um noivo, uma aliança e estava apaixonada, casaria um dia sem dúvida alguma.
Senti meu coração aquecer por aquilo, noiva do homem que eu amava, o homem que me amava de volta. Isso era perfeito, aquilo sim era um noivado real, não o que tive com o idiota do Black.
— Oi, sou Isabella Masen. — Sentei na cama, continuando a testar meu futuro nome.
Eu mal via a hora de contar para todos sobre o noivado. Edward tinha comprado as alianças no cartão de Jasper, mas o pegou emprestado e fez a compra só, o namorado de Alice ainda não sabia sobre o noivado.
Continuava sendo nosso segredinho, ficaria assim por mais um tempo. Edward tinha falado na noite passada sobre não querer distrair Jasper e Rosalie da missão que tinham de fazer com Phill aquela manhã, então ele tiraria sua aliança, eu tiraria a minha e quando nos encontrássemos no apartamento de Lizz mais tarde anunciaríamos o noivado.
— Droga, a Lizz! — gritei quando me dei conta de que tinha de ir até a casa dela.
Era a última semana de férias de Clarisse, eu tinha prometido a baixinha um tempo com ela para que pudéssemos aproveitar. Sai da cama, interrompendo meu momento de contemplação como a futura senhora Masen.
Rapidamente me arrumei e sai de casa, comeria algo na casa de Elizabeth mesmo, Edward certamente não se casaria com uma chefe de cozinha, era ótimo que ele já soubesse muito bem daquilo. No caminho para o apartamento da minha sogra fiz uma rápida parada em uma farmácia, a comemoração com sexo livre precisava de reparos.
Sendo assim, não me importei em comprar uma pílula do dia seguinte. Já tinha tomado uma daquelas uma vez, sabia que ficaria tudo bem. Por mais que quisesse ter filhos com Edward, nós dois não estávamos prontos para nos tornarmos pais, nem teríamos onde colocar um berço.
Eu tinha sido absolvida, mas continuava pobre. Jenks estava abrindo um processo contra Billy Black por conta da agressão que sofri, mas o ex-senador também estava com todos seus bens apreendidos pela polícia. Ele, Billy, não tinha conseguido um Habeas Corpus, Sarah sim, mas meu advogado também conseguiu uma medida de restrição que fazia com que ela ficasse longe de mim. Até onde eu sabia ela e Jacob estavam sendo abrigados por uma irmã de Sarah, quem estava pagando pelo advogado de ambos.
Estava chegando à porta do apartamento de Lizz, quando ela se abriu. Um Richard saiu lá de dentro, ele cheirava a cigarros e bebidas, terminava de colocar sua camiseta manchada por algo que provavelmente era cerveja.
— Olha só, a namoradinha do bastardo! — exclamou para mim, visivelmente bêbado. — Você é bem gostosinha, né? — Engoli em seco, dando passagem para ele se afastar de mim. — Se aquele bastardo de merda não der conta, pode me chamar que resolvo todos seus problemas, gostosinha!
Quis confrontá-lo, mas não tive coragem, por isso apenas o deixei ir. Torcendo para que ele fosse atropelado por um carro na rua, o mundo seria melhor sem Richard nele.
— Lizz? — chamei por ela quando entrei no apartamento, o cheiro forte de cerveja bateu em mim fácil.
— Ei, Bella. — Lizz apareceu na minha frente, visivelmente aflita, com um pano sujo em mãos. — Esqueci completamente que estava vindo, querida.
— Por que esse cheiro forte de cerveja? — indaguei, ela suspirou. Seus olhos verdes estavam tomados por lágrimas, aquilo não foi algo nada bom de se ver. — Lizz?
— Richard chegou mais cedo essa manhã, quando eu disse que não tinha dinheiro para ele, porque realmente não tenho, o homem quebrou umas garrafas de cerveja que tinha na geladeira — contou, visivelmente envergonhada. — Mas, ele saiu, está tudo bem agora.
— Não está nada bem, Elizabeth — falei firme, ela suspirou novamente. — Cadê a Clary?
— No quarto, eu a mandei para lá quando ele começou a quebrar tudo, não queria que ela visse, Clary já viu o suficiente... — Elizabeth engoliu em seco, apertando o pano em suas mãos.
— Você precisa se livrar desse homem, Elizabeth — sussurrei. — Por você e por Clarisse — acrescentei. — Ela não pode crescer com isso. — Segurei em seu braço, querendo a conduzir para o sofá, mas me interrompi quando a ouvi gemer de dor. — Elizabeth?
— Bella, não... — Já era tarde demais, ergui a manga do suéter que ela usava, revelando em seu braço marcas de dedos.
— Porra — xinguei baixinho, sabendo muito bem que aquilo tinha sido obra de Richard. — Essa não foi a primeira vez, foi?
— Eu não quero falar sobre isso.
— Lizz, eu sei como você está se sentindo. — Meus olhos se encontraram com os dela. — Sei bem, tá? Eu também apanhei — sussurrei. — Do maldito do Billy Black, do meu próprio avô. — Lizz deixou as lágrimas deslizarem por seu rosto. — Por favor, deixa eu te ajudar, Edward também pode te ajudar, vamos à delegacia, fazemos uma denúncia, Richard vai ter de ficar longe...
— Bella! — Me calei quando vi Clarisse sair do quarto, Elizabeth abaixou a manga do suéter e limpou as lágrimas de seu rosto com agilidade.
— Oi, lindinha! — Devolvi o abraço de Clary quando ela chegou até mim. — O que quer fazer hoje?
— Desenhar — respondeu, olhando para a mãe em seguida. — Mamãe, você está chorando?
— Não, está tudo bem — Elizabeth mentiu. — Eu vou arrumar a casa — ela se afastou até a cozinha.
— Mamãe estava chorando, né? — Clary perguntou aos sussurros para mim.
— Vamos desenhar — foi tudo que respondi.
***
Edward estava com seu celular desligado, por isso eu não conseguia falar com ele de forma alguma, aquela apreensão toda estava me matando. Eles iriam apresentar suas músicas para Phill e aquilo era pressuposto demorar, só que já estava demorando demais.
Tinha dado certo? Ou ele e os amigos tinham tirado um tempo para curtir a rejeição? Porra, Phill tinha os rejeitado novamente? Ele seria uma grande babaca se tivesse feito isso pela segunda vez, Edward tinha contado como Rose, Jasper — que teve que se desdobrar entre o trabalho no clube e o trabalho com a banda — e ele deram duro nas últimas semanas para compor as canções e tudo mais.
— Acho que encontramos nosso som, Bonequinha — ele tinha dito.
Afaguei os cabelos de Clary, enquanto ela desenhava sob minha supervisão, ainda pensando no irmão dela. Elizabeth tinha acabado de limpar a casa e estava cozinhando, ela não trabalharia aquele dia.
No instante que ouvi o som da porta de entrada do apartamento, pulei do chão para ficar em pé. Edward apareceu no meu campo de visão, seu olhar era perdido, carregando a Fender em suas costas.
— Diga-me que deu certo! — implorei.
— O que deu certo? — Elizabeth perguntou da cozinha, eu não tinha contado para ela e Clary sobre o que Edward tinha ido fazer, apenas falei que ele estava ocupado com a sua banda.
— Eu fui até um produtor musical — Edward contou, colocando as mãos nos bolsos da calça, engolindo em seco, encarando a parede atrás de mim.
— O que isso quer dizer? — Clary perguntou confusa.
— Oh Deus! — Elizabeth foi até nós, parecendo bem ansiosa como eu já estava, mas Edward continuava bem desligado do mundo a sua volta.
— Fui apresentar umas músicas para esse produtor, para ver se ele topava produzir algo junto a The Dragons. — Edward suspirou, passando as mãos pelo rosto.
— Então? — perguntei, afastando suas mãos, para que pudesse ver seu rosto, Edward deu um sorriso pequeno.
— Ele aceitou, Bonequinha — meu noivo falou, impressionado.
— Edward! — gritei, ainda agarrada aos seus pulsos.
— Phill vai produzir um álbum da The Dragons, nós vamos lançar um álbum!
— Deus! — Elizabeth gritou, com animação na sua voz.
Eu soltei os pulsos de Edward, para pular no colo dele e o abraçar apertado. Ele tinha conseguido, o seu sonho iria se realizar, eu estava tão feliz por isso.
— Parabéns, parabéns, parabéns, amor — falei, enchendo o rosto dele de beijos, enquanto Edward mantinha-me em seus braços.
— Porra, Bella, obrigado por isso — agradeceu, interrompendo-se para me beijar, voltando a falar rapidamente em seguida. — Se você não tivesse colocado Phill em nosso caminho nada disso teria acontecido, porra, muito obrigado. — Mais um beijo.
— Ei, olha a língua, Edward! — Elizabeth chamou a atenção do filho.
Soltei-me de Edward rindo, deixando com que ele fosse abraçar a mãe.
— Você vai gravar um álbum, filho — ela murmurou, parecendo ainda estar associando a notícia, todos estávamos para falar a verdade. O olhar de Edward continuava extasiado, mesmo que ele sorrisse. — Seu pai ia ficar tão orgulhoso! — Elizabeth segurou o rosto de Edward entre suas mãos, olhando para o filho com admiração. — Deus, o seu pai ia ficar orgulhoso demais.
Edward assentiu, eu vi seus olhos verdes brilhando por conta das lágrimas acumulando-se ali, graças à menção ao seu pai.
— Você acha? — ele perguntou a Lizz.
— Tenho certeza! — Ela chorava também, o abraçou mais uma vez. — Você vai ser famoso! — exclamou quando soltou Edward, abrindo um gigantesco sorriso para o filho e batendo palmas. — Clary seu irmão vai ser famoso.
— Você vai aparecer na TV e tudo mais? — Clary perguntou do meu lado. — Famoso tipo o Justin Bieber. — Gargalhei, Edward também, pegando sua irmãzinha no colo.
— Tipo o Justin Bieber não, Clary — ele disse, dando um beijo barulhento na bochecha dela. — Nem sabemos se a banda vai fazer sucesso, por enquanto só temos a certeza de que gravaremos um disco.
— Ah, vocês com certeza vão fazer sucesso! — entoei, Edward sorriu para mim, me dando um rápido beijo nos lábios.
Ele estava tão feliz, ele merecia tanto aquilo.
— Espera, quem é esse produtor? — Lizz indagou.
— Phill Dwyer, um ex-namorado da mãe da Bella — Edward respondeu, Elizabeth abriu a boca em choque, rindo em seguida.
— Isso é serio? — perguntou para mim, confirmei com um aceno de cabeça.
— Phill foi visitar a mamãe meses atrás no hospital, eu descobri que ele era um produtor musical e fiz com que ele assistisse a um show da The Dragons, mas...
— Ele nos odiou. — Edward completou, colocando Clarisse no chão. — Só que ai Jazz, Rose e eu voltamos a trabalhar em novas músicas e fomos até lá as apresentar para Phill. Ainda tem muito a ser trabalhado, claro, somos só iniciantes, mas ele vê potencial na gente agora — falou a última parte olhando para mim. — Sério, Bonequinha, você é a responsável por isso!
— Não fiz nada. — Dei de ombros. — O que vocês vão fazer agora?
— Tem tanta coisa para fazer — Edward proclamou, o entusiasmo dele era claro. — Phill vai falar com o pessoal da gravadora e tudo mais para começar, vamos assinar o contrato com eles em alguns dias. Depois disso vamos começar a trabalhar em toda a pré produção do álbum, só ai iremos gravar. — Ele se calou, me puxando para si e voltando a me beijar.
Eu ri, mas logo retribui o beijo, Edward estava insaciável.
— Onde estão Rose e Jasper? — Lizz perguntou.
— Rose foi se encontrar com Arthur, Jasper com Alice — Edward contou, finalizando nosso beijo e afagando meu rosto, sorrindo para mim. — Mãe, Clary. — Ele se voltou para as duas. — Bella e eu temos algo para contar.
— Vocês vão ter um bebê? — Clary perguntou em um grito.
— O quê? Não! — respondi apressadamente, vendo Elizabeth suspirar aliviada. — De onde tirou essa ideia, Clarisse?
— Ué, os casais não tem bebês? Eu pensei que vocês iriam ter um também, vocês nunca vão ter?
— Um dia, Clary — Edward beijou minha bochecha. — Ainda é cedo demais para Bella e eu termos filhos.
— Ah, que chato! — Clarisse reclamou.
— O que vocês tem para nos contar? — Lizz perguntou curiosa.
Edward me olhou com questionamento no seu olhar, eu assenti. Então, nós dois mexemos nos bolsos de nossas calças jeans, tirando nossas respectivas alianças, as recolocando no lugar que deviam ficar.
— Isabella e eu estamos noivos — Edward disse para a mãe, que tapou a boca com as mãos. — Sei que pode parecer cedo, mas... — Elizabeth calou Edward quando correu até a gente, nos apertando em um abraço forte.
— Ai, vocês dois! — ela disse, entre lágrimas e risadas. — Sim, é cedo, mas vocês se amam tanto. — Ela beijou minha bochecha, para me abraçar forte outra vez. — Bella, minha querida, sua mãe vai ficar nas nuvens quando descobrir isso.
— Na verdade ela já sabe — Edward disse, pegando-me de surpresa. — Eu contei quando Renée deixou o hospital. — Piscou para mim. — Falei que iria te pedir em casamento, sobre as músicas que fiz e queria te dar no seu aniversário.
— Amor! — Eu o agarrei, voltando a encher seu rosto de beijos.
— Vou terminar o almoço, precisamos de comida para comemorar tantas noticias boas — Lizz sorriu para a gente, antes de voltar para a cozinha.
— Eu vou usar um lindo vestido no casamento de vocês, não? — Clary nos perguntou.
— O seu vestido será ainda mais lindo do que o meu, princesinha! — exclamei, segurando em sua mão e fazendo com que ela rodasse como em uma dança. Clary sorriu, o sorriso dela era tão lindo, ela não merecia ter por perto um pai como Richard, mesmo que sanguineamente não fosse o real pai dela. — Ei, por que você não desenha como vai querer seu vestido? Preciso conversar rapidinho com seu irmão.
Soltei Clary, puxando Edward pela mão até o único quarto do apartamento. Lá dentro ele logo começou a me beijar, colocando-me contra a porta.
— Garoto do Brooklyn. — O afastei. — Por mais que eu queira muito te beijar agora, precisamos conversar.
— Sim, eu ainda não te agradeci o suficiente por ter nos apresentado Phill. — Edward colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, beijando minha testa em seguida.
— Não sobre a banda — sussurrei, o afastando mais, seu corpo muito próximo do meu me distraia. — Até me desculpa por estar cortando o clima bom com esse papo, mas é necessário.
— O que foi?
— Precisamos conversar sobre o Richard. — A expressão animada de Edward morreu ao ouvir o que disse. — Temos de ajudar sua mãe.
***
Edward ouviu e odiou cada palavra que lhe contei sobre Richard, seu rosto estava preso em uma máscara de raiva enquanto eu falava sobre meu encontro com seu padrasto e o que descobri sobre Lizz. Então, quando acabei a história, meu noivo chorou.
— Amor. — Fui até ele, que estava sentado na beira da cama. Me coloquei entre suas pernas, o puxando em um meio abraço, deixando Edward repousar o rosto em meu busto, ainda com ele chorando. — Vai ficar tudo bem, Garoto do Brooklyn.
— Não vai, Bella — ele disse, sua voz era aflita. — Parece que vai, às vezes algo bom acontece, mas outras coisas piores vem para zombar por cima.
— Nós vamos livrar sua mãe e sua irmã desse homem, eu prometo.
— Como? Eu tento fazer isso tem anos, mamãe simplesmente não escuta.
— Vamos conseguir, juntos. — Ergui seu rosto, fazendo com que ele olhasse para mim. — Confia em mim, vai ficar tudo bem. — Beijei o topo da sua cabeça, ainda o ouvindo chorar.
Escutamos uma batida na porta, então Lizz entrou.
— Gente, o almoço...Edward, por que você está chorando? — perguntou alarmada, fechando a porta atrás de si.
— Lizz, eu contei tudo para ele — murmurei, ela me olhou com uma expressão traída. — Não só sobre seu braço machucado, não cheguei a te falar, mas seu marido foi grosseiro e vulgar comigo mais cedo, disse coisas muito nojentas. — Ela desviou seu olhar para o chão.
— Deixa a gente te ajudar, mãe — Edward pediu, parando de chorar aos poucos.
— Ele é o pai da Clary — Lizz murmurou. — O único pai que ela conhece, eu não quero que ela cresça sem um pai como você, Edward.
— Acredite, será muito melhor para ela crescer longe dele — tomei a liberdade de falar. — Eu não conheci o pai do Edward, mas por tudo que ouvir ele era incrível, com certeza faz muita falta, Richard só vai fazer mal a Clary. Eu entendo disso, você sabe bem, cresci vendo Renée beber por dias, eu a amo, mas isso me fez mal também.
Lizz me olhou, seus olhos estavam marejados.
— Você também precisa pensar em si mesma, mãe — Edward acrescentou. — Ou em mim, se preferir. Eu só posso falar que se esse cara encostar o dedo em você de novo, vou matar ele, juro que mato.
— Não sei o que fazer — Lizz sussurrou.
— Denunciar, só pra começar — expliquei.
— Ele vai vir atrás da gente! — Lizz exclamou, limpando seu rosto. — Não vai nos deixar em paz.
— A polícia...
— A polícia não está nem ai pra gente pobre, Bella — ela me interrompeu. — Nós não importamos para as autoridades.
— Você e Clary vem morar comigo e Bella — Edward falou decidido, colocando-se de pé.
— O quê? Não! — Lizz negou. — Além do mais, vocês não moram sozinhos lá, tem Rosalie!
— Eu acho que Rose pode passar um tempo com Arthur no apartamento dele — Edward falou, ainda confuso e choroso.
— Tem certeza? — perguntei a ele. Rose e Arthur mal ficavam no apartamento dele, só tinham ficado noite passada para nos dar mais privacidade para nossa comemoração final do meu aniversário.
— Vou falar com ela. — Pegou seu celular, ligando para a melhor amiga. — Barbie? — a chamou quando Rose atendeu. — Desculpa estar pedindo isso, é muito prepotente da minha parte, você pode dizer não...Enfim, mamãe e Clary não podem continuar nesse apartamento, preciso tirá-las daqui, Richard é um perigo para as duas. Eu pensei em levá-las para nosso apartamento, ele não sabe onde moramos, pelo menos lá elas estariam seguras. Você sabe o que estou pedindo, né? — Edward a escutou pacientemente, sorrindo por um segundo. — Obrigado, eu fico te devendo essa. Vamos achar outro apartamento para elas, ai você volta se Arthur já não tiver te roubado eternamente da gente.
Eles se despediram, então Edward desligou a chamada.
— Ela topou, vocês vão ficar com a gente — falou para a mãe.
— Isso é loucura, Edward. O Richard é meu marido...
— Chega, mãe! — Edward a cortou, enfurecido. — Chega, eu cansei disso, está na hora de você cansar também. A Clarisse precisa ficar segura, vocês duas precisam!
— Ele ainda pode ir atrás de mim no trabalho.
— Por isso você e eu vamos agora mesmo para uma delegacia, você vai denunciá-lo e juro que vou atrás de todos os policiais da cidade caso algo te aconteça.
— Edward...
— Agora, mãe!
— Eu vou levar Clarisse para casa comigo, vou pegar algumas roupas suas e dela, Lizz, depois voltamos com mais tempo e pegamos o resto.
— Gente...
— Isso está decidido, Elizabeth — falei, Edward concordou com um aceno de cabeça.
— Pensa no papai — ele pediu, os ombros de Lizz caíram. — Pensa como você era feliz com ele, como está sendo infeliz com o Richard. O papai odiaria te ver assim, mãe.
Ela abraçou Edward, para depois falar:
— Você está certo.
***
Antes de sair Edward explicou a Clarisse que ela e Lizz morariam com a gente por um tempo, dizendo que seria muito mais legal assim, Clary não perguntou sobre o pai não ir junto. Eu podia notar que no fundo ela sabia muito bem o porque, era uma criança, mas não era estúpida.
Depois que Edward e Lizz saíram, Clarisse e eu começamos a juntar tudo de mais importante para irmos embora. Eu embalei o almoço feito por Elizabeth para levar conosco, para termos algo pronto para almoçar quando chegássemos ao nosso apartamento.
— Hey, Clary! — Arthur estava na nossa sala quando chegamos lá.
— Oi, oi! — Ela foi até ele, soando bem animada, Arthur com certeza tinha uma fã mirim.
— Cadê a Rose? — perguntei a ele depois de largar tudo que tinha pegado na casa de Lizz.
— No quarto arrumando as coisas dela — Arthur respondeu, já se distraindo com Clarisse que começou a perguntar sobre as fotos que ele tinha tirado na minha festa no dia passado.
Segui até o quarto de Rose, que estava socando tudo dentro de uma mala. Ela não se preocupava em dobrar nada, era algo bem a cara da loira.
— Bella! — Ela gritou quando me viu.
— Hey... — A loira já me apertava em um abraço. — Oh, eu também vou sentir sua falta aqui.
— O quê? Não! — Ela me soltou, rindo. — Estou te abraçando como agradecimento, por ter nos apresentado ao Phill.
— Ah, isso faz mais sentido. — Sorri. — Como foi lá? Não tive muito tempo de conversar com Edward sobre isso.
— Foi maravilhoso, claro que não estamos perfeitos nem nada disso, mas Phill parecia mesmo animado com a gente — ela falou, jogando o short em suas mãos para cima da mala grande sobre sua cama, parecia ser de Arthur, eu reconhecia como uma mala cara demais que Rose não teria dando sopa no apartamento.
— Fico muito feliz por isso, vocês merecem — falei, passando a mão pelos cabelos.
— Isabella! — ela gritou, agarrando minha mão, encarando a aliança.
— Opa!
— Você e Edward vão casar? — perguntou, ainda gritando.
— Vamos, ele...
— Arthur, Isabella e Edward vão casar! — ela gritou mais alto do que antes, segundos depois o ex-líder de torcida estava na porta do quarto, com Clarisse a tiracolo.
— Vocês vão casar? — ele indagou.
— Vamos...
— Oh, aquele idiota tinha de ter me contado antes! — Rosalie reclamou. — Arthur, liga pro meu irmão e para a Alice, diz para eles virem para cá, vamos dar uma festa para comemorar o noivado e a nova fase da banda.
— Vamos? — perguntei.
— Oh, vamos sim! — Rosalie disse, exalando alegria. — Eu vou ligar para o nosso chefe na boate e dizer que Edward e eu contraímos uma virose, então não podemos ir trabalhar. — Ela deixou o quarto, já mexendo em seu celular, Arthur foi junto, mexendo no seu também.
— Bella? — Clary me chamou.
— Sim?
— Mamãe e eu vamos ficar aqui porque o papai é mal, né?
Suspirei, agachando-me diante dela.
— Sim. — Toquei gentilmente em seu rosto.
Ela assentiu, mas logo sorriu.
— Gosto muito de você, Bella.
— Gosto muito de você também, Clary.
***
A festa de noivado/comemoração pela banda realmente aconteceu em nosso apartamento aquela noite, Edward que tinha estado boa parte da tarde com a mãe na delegacia ficou bem surpreso quando chegaram ao nosso apartamento e encontrou a movimentação sobre a festa. Ao menos foi algo menor do que a do meu aniversário na noite passada, apenas os meninos da banda, Art e Alice, a mãe dela, meu pai, Lizz e Clary. Mamãe tinha ficado em Manhattan com Carlisle, já que ela não podia estar se cansando muito, uma vez que já tinha estado presente na minha festa.
A festa dupla do dia catorze foi boa, mesmo com Lizz visivelmente abalada por conta de tudo, assim como Edward. Eles tinham feito a denúncia, então estávamos na mão da polícia em esperar que Richard não fizesse nada.
— Quer dizer que terei a honra de ser o pai da noiva? — Charlie se aproximou de mim, eu estava comendo alguns docinhos que Alice tinha comprando para a festa, enquanto os outros estavam espalhados pelo apartamento em conversas paralelas.
— Você é um cara muito sortudo, eu sou a melhor filha. — Sorri para ele, lhe entregando um docinho.
— Nunca vou me desculpar o suficiente por não ter estado ao seu lado, em todos os outros momentos de sua vida — Charlie disse, com a voz carregada de tristeza.
— Vamos ter muitos outros momentos, pai — o assegurei, tocando em sua mão. — Natais, aniversários, casamento... — Sorri para Charlie. — Filhos!
— Sou novo demais para ter netos, Bells. — Eu ri. — Você também é nova demais para ser mãe — acrescentou.
— Estou bem quanto a isso, se tranquilize — garanti. — Só quero que saiba que sim, você perdeu bons anos da minha vida, mas ainda temos o resto de nossas vidas para aproveitar, pai.
Charlie contornou o balcão, me dando um abraço.
— Ei, desculpe atrapalhar vocês. — Lizz apareceu, estava tensa, como esteve por todo aquele dia. — Tomei uma decisão.
— Qual? — Charlie perguntou.
— Acho que devemos contar em breve a verdade que falta para Renée e Clary. — Agarrei o braço de Charlie, sabendo muito bem a que Elizabeth se referia. — Elas precisam saber.
Olhei para a sala, onde Edward estava com sua irmãzinha. Os dois fazendo caretas para a câmera de Arthur, que tirava fotos deles, cada um segurando uma das guitarras do meu noivo para as poses.
— Você está de acordo? — Lizz me questionou.
— Sim, elas precisam mesmo saber.
***
Consegui uma folga na segunda-feira seguinte, Clarisse deveria voltar à escola aquele dia, mas tínhamos o grande assunto a tratar com ela. Então, ficaríamos todos no apartamento para lidar com aquilo, depois eu me encontraria com Charlie e mamãe no apartamento dos Cullen, contando para Renée a verdade.
Elizabeth, Edward e eu estávamos bem apreensivos durante o café da manhã, tínhamos acordado entre a gente que depois daquilo contaríamos para Clary. A garotinha não fazia ideia da noticia que receberia, estava feliz comemorando o fato de que tinha ganhado mais um dia de férias.
Aqueles dias com ela e Lizz no apartamento estavam sendo bons. A presença de Clary animava qualquer um, fora que tê-las por perto significava segurança. Por um milagre Richard não tinha aparecido no trabalho de Elizabeth, e quando ela e Edward foram buscar mais coisas no outro apartamento o homem não estava lá, mesmo que tivessem vestígios da passagem dele por ali.
— Clarisse, precisamos ter uma conversa séria com você — Edward falou, depois que terminamos de organizar a bagunça do café da manhã.
— Deus — Lizz murmurou, já chorando.
— Por que você está chorando, mamãe? — Clary perguntou assustada.
— Vem, baixinha. — Edward pegou a irmã no colo, levando-a até o sofá, eu fiz com que Lizz seguisse até eles também, sentei ela no sofá e fiquei em pé, nervosa demais para parar de me mover por completo.
— Na-Não se-sei como co-contar — Lizz gaguejou.
— O que está acontecendo? — Clary estava ainda mais assustada.
— Ok, certo! — Edward exclamou, tomando uma lufada de ar. — Clary, tudo que vamos falar pode e com certeza será bem confuso para você, mas precisamos te contar, pois você merece saber, certo? — Ela assentiu, olhando fixamente para o irmão.
Toquei no braço de Edward, pedindo permissão com o olhar para tomar à dianteira.
— Sabe, Clary. — Ela olhou para mim, concentrada. — Até um tempo atrás eu pensava que meu pai se chamava Caius, cresci imaginando que meu pai era esse homem.
— Mas, seu pai não é o tio Charlie?
— Sim, sim, isso que quero dizer — falei. — Eu cresci pensando que meu pai era Caius, mas então descobri que meu pai verdadeiro é o Charlie. Isso foi bem impactante para mim, mas com Charlie ganhei um pedacinho a mais para minha família.
Clary franziu o cenho, Elizabeth chorava copiosamente ao lado dos filhos no sofá.
— Richard não é meu pai? — Clarisse perguntou, os olhos verdes arregalados. Tão esperta!
— Não, ele não é — Edward respondeu, Clary arfou.
— Mamãe? — ela clamou por Lizz, que a puxou para um abraço.
— Desculpe, meu bebê, eu não devia ter mentido sobre isso.
— Por que você mentiu? Quem é meu pai verdadeiro? — Clary indagou apreensiva.
— Eu precisei...
— Não, Lizz, não! — a interrompi, antes que ela contasse toda a verdade para Clarisse, a menina era nova demais para aquilo.
— Ei, baixinha! — Edward se ajoelhou diante o sofá, tomando as mãos da irmã nas suas. — Por enquanto você só precisa saber que se a mamãe te escondeu a verdade foi para te proteger, um dia contaremos tudo melhor, prometo, mas por enquanto apenas te daremos um resumo, certo? — Clary concordou, estava pálida. — O nome do seu verdadeiro pai, seu pai biológico, é Marcus Higginbotham. — Clary olhou imediatamente para mim, reconhecendo o sobrenome. — Sim, é o avô da Bella.
Clary soltou um gritinho.
— Eu sou parente da Bella!
Não pude deixar de rir, no fundo ela ainda era uma criança inocente que não tinha consciência de tudo.
— Você é minha tia — contei, ajoelhando-me ao lado de Edward.
— Irmã da Renée — Lizz completou, Clary sorriu largamente para a mãe. Ela e mamãe tinham se encontrado duas vezes desde a saída de Renée do hospital, nem faziam ideia da realidade. — Depois que contarmos a ela você talvez possa a chamar de irmã. — Lizz deu um sorriso ansioso.
— E me chamar de sobrinha. — Apertei a bochecha de Clarisse, que pulou do sofá se jogando nos meus braços.
— Que legal, eu sou sua parente!
A apertei contra mim, sentindo o cheiro do meu shampoo de morango que ela começou a usar.
— Ei, será que posso conversar sozinha com minha tia por um minuto? — perguntei para Lizz e Edward, eles hesitaram, mas deixaram a sala em direção aos quartos.
— Sobrinha! — Clary exclamou, batendo o dedo na ponta do meu nariz, fazendo com que eu risse. Voltei a sentá-la no sofá, querendo que conversássemos cara a cara.
— Eu preciso falar melhor com você sobre o Marcus...
— Quando vou conhecer meu verdadeiro pai? — ela perguntou entusiasmada.
— Clarisse. — Afaguei seu rostinho. — O meu avô, o seu pai, ele errou muito, sabe? — A animação fugiu do rosto dela. — Ele cometeu crimes muito feios, está fugindo da polícia por não querer pagar pelos erros dele. — Clary fez um biquinho. — Marcus não é um homem bom — falei com sinceridade, para mim e para ela. — Ele foi mal com a minha mãe, foi mal comigo também.
— Ele te fez mal?
— Sim.
— Não gosto dele — Clarisse falou emburrada.
— Eu quero te dizer algo, Clary — disse olhando diretamente para os olhos dela. — Marcus fez muito mal as pessoas, principalmente a quem é da família dele, mas eu te prometo que nunca deixarei com que ele faça mal a você, querida.
— Jura?
— Juro! — Beijei sua testa. — Marcus nunca vai fazer mal algum contra você. — Apertei suas mãos. — Há algo que precisa saber sobre ser uma mulher Higginbotham, Clarisse, nós somos muito fortes.
***
Algum tempo depois, após Lizz ter seu próprio momento sozinha com Clarisse, nós quatro fomos para Manhattan. Charlie já estava a postos na casa dos Cullen para que ele e eu fossemos conversar com mamãe, Esme serviu torta de chocolate para Clary, Lizz e Edward, enquanto ia com meu pai até minha mãe.
Contar tudo para mamãe foi terrível, não exatamente por ela, mas por mim. Falar sobre a história entre meu avô e Elizabeth era admitir em voz alta que aquele homem, que por anos idolatrei, não passava de um cara baixo.
— Traga a Lizz até aqui — mamãe pediu para mim, seu rosto torturado, ainda digerindo o que tinha ouvido.
Charlie e eu fizemos o que ela quis, descendo e pedindo que a mãe de Edward fosse conversar com a minha. Elas passaram cerca de uma hora sozinhas no quarto conversando, até que Elizabeth, que claramente tinha chorado muito apareceu.
— Clary, venha comigo, filha — chamou pela garota. — Renée quer muito te ver.
Não me dei ao trabalho de esperar por um convite formal, indo junto com Clarisse e Lizz para o quarto da minha mãe.
— Olá! — Renée, que com certeza tinha chorado muito também, abriu um grande sorriso para Clary.
— Oi, tia Renée! — Clary exclamou, mas olhou confusa para a mãe.
— Você pode chamá-la assim se quiser, não é, Renée?
— Claro — minha mãe concordou. — Venha até aqui, Clarisse.
Clary se soltou da mãe, correndo até ao lado da cama de Renée.
— Você é tão linda, meu bem — Renee falou para ela, sorrindo. — Estou muito feliz em saber que sou sua irmã.
— Sério?
— Sim, sério. — Renée afagou os cabelos de Clarisse. — Sempre quis uma irmã, então ganhei uma muito legal. — Se inclinou para beijar o rosto de Clary. — Bem vinda à família, Clarisse. — Renée olhou para Lizz e para mim paradas perto da porta. — Somos todos uma família, não? — Sorriu. — Obrigada por estarem comigo.
Fui até minha mãe, beijando sua face demoradamente. Lizz se enfiou na cama com ela, abraçando Renée.
— Amo você, mãe — falei para Renée. — Eu te amo muito.
Olhei para Clary entre a gente.
— Você com certeza tem a melhor irmã de todas, estou com inveja.
— Posso ser sua irmã também, Bella — Clary disse animada.
Mamãe a puxou para um novo abraço.
— Ah, Clarisse, você é tão doce! — falou para ela.
Elizabeth me olhou, sorrindo gentilmente, mas eu podia sentir a preocupação emanando dela.
— Vai ficar tudo bem, nada vai acontecer— prometi a ela.
Eu estava errada.
***
Naquele sábado Charlie e eu estávamos de folga, então aproveitamos para ficar com Renée. Eu estava na cama com ela, desenhando algumas coisas para Aro, Charlie estava sentado em uma poltrona ao lado da cama assistindo ao jornal, enquanto conversava com mamãe sobre os planos deles de viajarem para a Florida quando ela melhorasse.
— Edward e eu devemos ir com vocês, ele nunca foi para a Disney — falei, distraída com meu desenho.
—...o embaixador foi preso no Brasil. — Olhei rapidamente para a televisão do quarto, me deparando com uma imagem de Caius sendo preso.
— Falta um — Charlie falou baixinho, eu apertei com força o lápis entre meus dedos.
Meu olhar se encontrou com o de mamãe, ela estava aflita.
— Caius Sawyer chega aos Estados Unidos ainda hoje — a repórter continuava a dar a noticia.
— Você vai ir ver ele? — mamãe me perguntou.
— Ele é meu pai? — indaguei.
— Não, claro que não, Isabella! — exclamou com certeza. — Casei apressadamente com Caius, pois era isso que Marcus queria, mas nunca dormi com o Sawyer. Ele te assumiu, claro, mas sabia muito bem que não era seu pai. Bom, ele assumiria de qualquer jeito, tinha muito interesse em mim por conta dos negócios dele com seu avô.
— Marcus sempre soube? — consegui perguntar. — Que eu era filha de Charlie.
— Sempre.
Assenti.
— Não há motivo algum para eu ir visitar Caius, ele não é nada para mim — falei, deixando bem claro. — Charlie, eu falarei com Esme, vou pedir a ela que nos ajude a fazer um teste de DNA, está na hora de cuidarmos da troca do meu sobrenome. — Larguei o caderno de desenho. — Vou ao banheiro. — Sai apressadamente do quarto, indo para o banheiro do corredor chorar um pouco.
Tudo aquilo era confuso demais, com certeza ainda doía.
— Falta um. — Pensei na fala de Charlie.
Onde estava meu avô?
***
Fizemos o teste de DNA dois dias depois, com a coleta acontecendo ali mesmo na casa dos Cullen. Lizz e Clary também participaram, usando amostras de Renée para comprovar a paternidade de Clarisse.
Elizabeth não queria mudar o nome da filha, nem nada disso, mas queria que tudo ficasse realmente comprovado. Mamãe e eu falamos que não tinha necessidade, mas ela insistiu.
Enquanto isso, Charlie e eu realmente precisávamos daquela comprovação. Em duas semanas o resultado ficaria pronto, ai nós dois poderíamos começar o processo de reconhecimento de paternidade.
— Isabella Swan — Charlie falou para mim, após a coleta das amostras.
Sorri para ele, o abraçando em seguida.
— Obrigada por ter aparecido na minha vida, pai.
***
A The Dragons se reuniria naquele fim de tarde em nosso apartamento, para enfim assinar o contrato com a gravadora. Por isso, eu estava correndo para chegar lá bem a tempo, sem querer perder o momento de glória de Edward e dos nossos amigos.
Assim que sai da estação de metrô comecei a ter a sensação de que estava sendo seguida. Olhava constantemente para trás, mas não parecia que nenhuma das pessoas por perto estavam me seguindo, mas o sentimento persistia.
Eu teria pegado um táxi, para ir mais rápido para casa, se tivesse grana para esbanjar. Então, tive de apressar meu passo, quase correndo, para tentar despistar meu perseguidor, isso se eu realmente estivesse sendo perseguida, não fosse apenas minha mente ficando louca.
Estava chegando à frente do prédio, quando ouvi meu nome.
— Hey, Bella! — Olhei para o outro lado da rua, de onde o chamado vinha, vendo que era Phill dobrando a esquina, então olhei para trás na calçada que estava, vendo Richard, que parou de andar.
Eu paralisei, era ele me seguindo. Sua aparência era de quem estava bêbado, sua expressão furiosa.
Phill atravessou a rua correndo, chegando até mim.
— Oi, Phill — sussurrei, temendo o que poderia ter acontecido comigo se ele não tivesse aparecido.
Richard passou direto pela gente, não disse nada, apenas me lançou um olhar cheio de ódio.
— Vi aquele cara te seguindo — Phill falou. — Conhece ele? Você está bem?
— Conheço, e o ex-padrasto do Edward — contei. — Estou bem sim, você apareceu antes de ele fazer algo. — Suspirei. — Aliás, oi!
— Oi! — Phill sorriu.
— Phill, eu...
— Esquece — ele disse, sorrindo gentilmente para mim. — Na última vez que nos encontramos você estava com raiva, eu entendo.
— Bom, não estou com mais raiva agora, você finalmente se deu conta de que a The Dragons é ótima.
O sorriso de Phill aumentou.
— Eles evoluíram significativamente! — Ergueu a pasta de documentos em sua mão. — Agora vamos colocá-los no caminho certo.
Foi minha vez de sorrir.
— Eles merecem! Edward vai ser famoso, vou precisar lidar com os ciúmes de ter de o compartilhar com os fãs.
Phill riu.
— Pelas músicas que ouvi, ele te ama muito, não se preocupe. — Phill hesitou antes de voltar a falar. — Como sua mãe está?
— Bem, ela deixou o hospital, agora com Charlie... — Me calei rapidamente.
— Ela está feliz? — Phill perguntou.
— Está.
Ele assentiu.
— É o que importa, gosto muito dela, quero que Renée seja feliz, ela com certeza merece depois de tudo que aconteceu. — Suspirou. — Vamos, os garotos precisam assinar o contrato.
A banda já estava completa no apartamento, contando com a presença extra de Alice, Arthur e Clary, eu sabia que Lizz ainda estava no trabalho. Phill falou com todos, logo sentando-se junto a banda para explicar mais uma vez o contrato, eles tinham feito aquilo no dia anterior quando foram a gravadora tratar de alguns detalhes da contratação.
Jasper foi o primeiro a assinar, passando a caneta para a irmã, aquela altura Arthur já estava fotografando, Rose assinou dando um sorriso pequeno no final.
— Sua vez, Edward. — Passou a caneta para meu noivo, Edward me olhou.
Ergui meu pulso tatuado, apontando para a frase gravada eternamente ali. Ele assentiu, entendendo meu incentivo. Se voltou para a papelada e assinou, aconteceu, a The Dragons tinha um contrato.
Um barulho alto soou pelo apartamento, vi Alice com uma garrafa de champanhe recém aberta em suas mãos.
— Vamos comemorar! — ela gritou.
Edward saiu do sofá, indo até mim.
— Obrigado, Bonequinha!
***
A comemoração não durou muito, Alice tinha aula no dia seguinte e logo foi para o loft com Jasper. Phill precisava levar o contrato para a gravadora, indo de volta para Manhattan. Arthur iria fazer umas fotos na manhã seguinte, então ele e Rose foram embora em seguida, ela parecia estar lidando bem com o fato de morar com o fotógrafo.
Edward e eu jantamos com Clarisse e Lizz, depois que a mãe dele voltou para casa. Eu tinha de contar a eles sobre Richard me perseguindo, mas Edward estava feliz demais e não queria abalar sua felicidade.
Nós dois, depois que Lizz foi colocar Clary para dormir, ficamos no sofá. Ele tocando Não é um jogo para mim, enquanto eu o desenhava, mas os desenhos não faziam jus a Edward.
— Você é lindo demais, não consigo reproduzir tanta beleza! — exclamei inconformada, Edward riu no meio da música.
— Eu acho que estou com testa demais — disse brincando, espiando meu desenho.
Belisquei seu braço, fazendo com que ele risse outra vez.
— Edward? — Nos viramos para a entrada da sala, nos deparando com uma Elizabeth extremante pálida, que segurava seu celular em mãos.
— O que foi, mãe? — Edward questionou, rapidamente se preocupando.
— A polícia me ligou — Lizz sussurrou, olhando para o celular, depois para o filho. — Disseram que Richard foi assassinado.
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