Sob minha Pele

13 Capítulo Doze


Notas iniciais
Capítulo super dedicado a Amanda Clarke que recomendou, muito, muito obrigada por isso ♥ Boa leitura :)

— Capítulo Doze —

— Edward —

Eu não esperava por aquilo, foi algo que com toda certeza pegou-me de surpresa. Ver Isabella desenhando minha irmã não era algo que imaginei que um dia aconteceria, até porque nunca pensei em ter Clary e Bella novamente juntas no mesmo lugar, principalmente naquela lanchonete.

Claro que ela podia ter desenhado Clarisse apenas para tentar soar boa e simpática para mim, exatamente como quando falou com minha mãe ao chegarmos ali. Bella era extremamente forçada, toda a simpatia que ela jogou para cima da minha mãe me deu vontade de rir, pois era ridículo como ela estava se esforçando tanto para conseguir só sexo com um cara que ela certamente via como a base de sua pirâmide social e nada mais.

Entretanto, enquanto ela desenhava Clary, a observei. Ela não estava gabando-se, muito menos chamando atenção para si durante todo o processo, se não olhássemos para ela, seria até mesmo como se ela não estivesse ali de tão quieta e concentrada estava em seu trabalho. E, quando chegou ao fim desse, ela parecia ter acabado de acordar de um sono profundo, ainda se readequando ao mundo, voltando a realidade.

Ela tinha mais camadas do que eu podia imaginar, isso me deixava confuso. Porém, não tão confuso quanto as reações estranhas de mamãe quando viu Isabella ali. Ela não parecia somente surpresa com a presença da Higginbotham na lanchonete, ela parecia verdadeiramente assustada diante Bella.

Tirei meus olhos do desenho de Clary, que ainda o admirava, comentando com Emmett sobre cada detalhe dele, buscando por minha mãe. Ela estava atrás do balcão, enxugando copos automaticamente, seus olhos pregados na porta da lanchonete, por ali era possível ver Alice e Jasper se despedindo, assim como Bella parada próxima ao táxi que as levaria para Upper East Side.

Eu levantei, deixando Emm responsável por Clary, indo até minha mãe. Ela forçou um sorriso para mim quando me viu, mas seus olhos ainda estavam carregados de preocupação, ela olhou uma última vez na direção de Isabella antes de se voltar para mim de vez.

— Quer comer algo a mais, querido? — perguntou gentilmente, seu sorriso tornando-se mais sincero, mas sua voz era baixa e temerosa.

— O que aconteceu? — indaguei, vendo-a desviar seu olhar do meu mais uma vez, passando a arrumar os lenços de papel com mais afinco do que o necessário. — Por que você reagiu daquele jeito diante Isabella? Como se ela fosse um fantasma, mãe, por quê?

— Eu só fiquei surpresa de uma garota como ela estar aqui, isso não é o usual, você sabe. — Ela deu de ombros.

— Não, não é. Mas, aquilo não era apenas surpresa, mãe, você estava estranha demais. Na verdade, você ainda está estranha demais — afirmei.

— Não é nada, Edward, acredite em mim. Eu só fiquei surpresa de ter uma Higginbotham aqui, talvez isso tenha me feito pensar no seu pai por tabela já que ele trabalhava para eles. É, é isso, eu tenho sentido falta de Edward nos últimos dias com a data da morte dele se aproximando, a todo tempo acabo pensando nele e fico confusa. — Me olhou, mais uma vez forçando o sorriso de antes, afagando meu rosto. — Alice parece uma garota muito legal, não? Estive a observando com Jasper, eles parecem verdadeiramente apaixonados. — Mudou de assunto bruscamente.

Suspirei, ela mencionar a aproximação do aniversário de morte do meu pai desviando meus pensamentos para um lugar obscuro.

— Sim, eles estão apaixonados — concordei, olhando para nossa mesa, vendo que Jasper já estava de volta a esta. — Alice é muito bacana, muito melhor do que Isabella, se quer saber.

Mamãe balançou a cabeça em negação.

— Isabella parece uma garota...Sinceramente, eu sequer sei como caracterizá-la.

— Mimada, egoísta, egocêntrica, insuportável? Eu tenho mais adjetivos para caracterizá-la se quiser, uma porção deles. — Mamãe não riu, balançando a cabeça novamente.

— A mãe dela estava sempre nos jornais e revistas, Renée, ela é um pouco mais nova do que eu, mas me recordo de que todas as garotas queriam ser como a princesinha da família. Bella é idêntica à mãe. Renée praticamente desapareceu do mapa depois que teve Isabella, essas pessoas são estranhas, não?

Eu pensei em contar, afinal aquela era minha mãe, mas a ideia de contar a quem quer que fosse sobre os problemas com álcool de Renée Higginbotham não parecia algo que deveria ser feito. De alguma forma, que estava longe da minha compreensão, Isabella tinha confiado em mim ao falar sobre os problemas da mãe dela, eu não iria espalhar a história dela.

— Ela desenhou Clary — murmurei, mamãe me encarou, um vinco formando-se entre seus olhos.

— Eu não gosto dessas pessoas, Edward — disse claramente, com raiva em sua voz, o que era algo muito raro de se ouvir vindo de Elizabeth. — Eles são sim tudo que você falou e mais um pouco, a companhia deles nos negou até a droga de um seguro, que para eles não seria quase nada, quando seu pai morreu. Sendo que seu pai trabalhou ali por anos e anos, não faltou um dia e... — Ela se interrompeu, respirando fundo. — Não se aproxime dessa gente, filho. Só há uma coisa que importa para pessoas como Isabella Higginbotham e o resto daquela família e isso é dinheiro. Não se deixe ser corrompido por esse mundo sujo, filho — pediu.

— Eu não irei — prometi.

— Fique longe de Isabella Higginbotham, principalmente — ela ordenou, não era um pedido, com certeza não. — Edward, prometa!

— Eu vou — prometi novamente. — Ficar longe de Isabella, não se preocupe quanto a isso.

Ouvi a hesitação em minha voz ao prometer aquilo, minha mãe também ouviu, mas nós não dissemos mais nenhuma palavra sobre o assunto.

***

Rosalie já tinha saído para o trabalho quando cheguei ao nosso apartamento depois de deixar a lanchonete, sendo assim eu precisei adiar nossa conversa para mais tarde. Eu realmente precisava falar sobre ela com Emmett, afinal a fala de Alice sobre os dois não saia de minha cabeça de jeito nenhum.

Porém, aquela noite, Rosalie voltou para casa com um cara, o que me fez mais uma vez ter de adiar qualquer conversa com ela. E o que me fez ter de dormir ouvindo música alta em meus fones de ouvido, recusando-me a ouvir qualquer barulho do quarto ao lado, o que também me deixou irritado, já que era a única pessoa ali sem transar.

Na manhã seguinte, eu acordei antes de Rosalie e seu cara que eu sequer sabia o nome, ela provavelmente também não sabia, então estávamos empatados. Eu estava fazendo café em nossa cozinha mal abastecida, quando os vi deixando o quarto dela, o cara abotoava sua calça, ainda confuso pelo sono e parecia mal ter acordado, Rose quase nunca os deixava ficar até o amanhecer, então aquele devia ter sido bom para ela o manter por mais tempo.

— A gente pode se ver hoje de novo? — ele perguntou a ela.

— Eu vou ver, qualquer coisa te ligo — ela disse, praticamente o empurrando até a porta. Com certeza Rose não ligaria de volta, senti até um pouco de pena do cara por isso.

— Ei, café? — ofereci ao sujeito, que ficou espantado a me ver ali, era uma das reações comuns.

Os caras que ficavam com Rosalie não ficavam muito contentes quando viam outro — eu — por ali, assim como as garotas que saiam comigo não suportavam que eu tivesse Rose por perto. Inclusive, foi um dos motivos que me fez terminar com minha última namorada, Jessica, ela morria de ciúmes de Rosalie e estava deixando todos nós loucos com aquilo.

— Não vai ser possível, Edward. Adam tem que ir embora agora, ou se atrasará para o trabalho — Rosalie falou pelo cara.

— Meu nome é Brad — ele disse, levemente constrangido para Rosalie.

— Certo, eu me lembrarei disso. — Eles chegaram a porta. — Não se esqueça de que o meu nome é Rachel, Adam...Brad — ela se corrigiu rapidamente, abrindo a porta para ele. — Até mais! — Ela desviou de um beijo dele, o colocando para fora.

— Isso sempre anima minhas manhãs, sabia? Mas, pobre Adam, quer dizer, Brad, que irá esperar até o dia de sua morte por essa ligação que nunca acontecerá — debochei, Rosalie revirou os olhos, vindo até mim e pegando minha xícara de café.

— Eu apaguei e me esqueci de o mandar embora pela noite — ela reclamou. — O sexo não foi tão bom para eu ir para a cama de novo com ele.

— Oh, uma pena. Mas, não reclame por ter tido sexo e você gritou bastante, não parecia tão ruim assim — resmunguei, a fazendo rir.

— Não disse que não foi bom, só disse que não foi o melhor para compensar uma segunda vez — ela falou. — Engraçado ele reclamar por eu estar o chamando de Adam, ele não reclamou ontem à noite. Ei, você queria conversar comigo ontem, não? Sobre o que era mesmo?

Peguei uma nova xícara de café, ganhando tempo para pensar em como eu falaria sobre aquilo com Rosalie. Do jeito que minha amiga era, eu não duvidava de que ela pudesse acabar me dando um soco por sugerir que ela era apaixonada por Emmett, mas eu precisava tirar aquilo da minha mente e talvez provar a Alice que ela estava completamente enganada sobre aquele assunto.

— Você gosta do Emm, Rose? — perguntei.

Ela se engasgou com o café, me deixando desesperado. Seu rosto ficou imediatamente vermelho e ela não conseguia respirar, contornei o balcão indo até ela, dando batidas em suas costas tentando fazê-la voltar ao normal.

— Tudo bem? — indaguei quando ela parou de tossir, mas seu olhar para mim era tão assustador que fez com que eu me encolhesse. — Okay, desculpe, mas você está bem?

— Estou — ela respondeu com a voz rouca, o que também podia ser consequência da vida dela de fumante. — E quanto a sua pergunta absurda, idiota e completamente sem noção, claro que não. Eu não suporto Emmett, isso é tudo!

Assenti, temendo insistir naquele assunto e acabar morto no chão daquela cozinha.

— Quem colocou isso na sua cabeça? — ela questionou, ainda irritada demais.

— Ninguém — menti.

— Sim, porque você ia mesmo pensar nessa besteira sozinho — Rose ironizou. — Quem, Edward?

— Alice.

Rosalie gargalhou, mas sem achar graça de fato naquilo.

— Ela acabou de me conhecer e deduz que eu estou apaixonada pelo idiota do Emmett?

Franzi o cenho, cruzando os braços na frente do corpo e me afastando de Rosalie para sair de seu alcance.

— Eu não perguntei se você estava apaixonada por Emmett, perguntei se você gostava dele.

O rosto dela, até então preso em uma careta irritada, desmoronou e ela me olhou alarmada.

— Isso é a mesma coisa, Edward! — Tentou contornar a situação.

— Não, Rosalie, isso não é a mesma coisa! — rebati.

— Eu não vou ficar aqui discutindo essa loucura sem sentido algum, vou voltar a dormir, é o melhor que faço. — Ela tentou passar por mim, mas segurei em seu braço, impedindo-a de sair.

— Você está apaixonada pelo Emmett, Rosalie? — a questionei novamente.

Seus olhos azuis me fuzilaram novamente, mas eu podia ver ali a verdade. Porra, era bom que não tinha apostado dinheiro com Alice, ou perderia aquilo facilmente.

— Eu não vou conversar sobre isso, Edward. — Foi tudo que ela falou, então se soltou de mim e foi para seu quarto, encerrando a conversa.

***

Eu tive um fim de semana agitado, entre trabalho, apresentação da banda no sábado e acabar aquela noite dormindo com uma garota que estava de férias na cidade. Ela era de algum país da América do Sul e mal falava inglês, mas ainda assim foi bom distrai-me um pouco com Gabriella, como ela se chamava.

No domingo, acordei já no meio da tarde, a garota tinha ido embora mais cedo e agradeci por isso. Eu não estava disposto a viver um romance de férias com ela, por mais bonita e interessante que pudesse ser.

Rosalie tinha me deixado uma mensagem avisando que tinha ido se encontrar com Adam/Brad, o que me surpreendeu. Mas, levando em conta que ela parecia fugir de mim nos últimos dias, não foi tão novo assim ela não estar por perto.

Morrendo de fome e sem ter muito o que fazer no apartamento, decidi ir comer algo na lanchonete que mamãe trabalhava. Talvez ela e Clary estivessem lá e eu pudesse passar um tempo com minha irmã.

Eu pensei em dar meia volta e sair da lanchonete quando cheguei lá e vi Jessica, obviamente eu já tinha a visto desde nosso termino, mas ela sempre insistia em ficar me rodando quando me via e isso era irritante. Talvez ela e Isabella estivessem tendo as mesmas aulas, pois ambas eram bem insistentes.

Só não sai dali e fui ate outra lanchonete, pois vi Alice em uma das mesas, lendo um jornal distraidamente. O mais discretamente que pude, fui até ela, tentando evitar ao máximo que Jessica me visse.

— Ei, Alice! — Sentei a sua frente, ela tirou os olhos do jornal, voltando-se para mim e sorriu.

— Hey Edward, você parece um caco — comentou.

— Você esteve no show ontem, foi uma noite longa — falei, fazendo-a rir.

— Eu sei, o vi com a brasileira — disse, colocando o jornal sobre a mesa. Olhando de relance pude ver a matéria que ela lia antes, era sobre o pai de Isabella, ele aparentemente tinha fechado algum acordo com o governo australiano e ganhou uma página só para si no jornal de domingo falando sobre isso.

— Ela era brasileira? Valeu, eu não tinha certeza quanto a nacionalidade dela. — Alice riu ainda mais. — O que está fazendo aqui só?

— Jasper está no clube dando aulas, Emmett foi se encontrar com uma garota e meus pais viajaram pelo fim de semana. Eu não tinha muito o que fazer, então acabei aqui vindo comer algo. — Apontou para seu prato vazio.

— Por que não está com Bella? — perguntei, bem no momento que Jessica se projetou ao lado da nossa mesa, com um sorriso gigantesco no rosto, mas lançando um olhar desconfiado para Alice.

— Oi Edward, tem tempo que eu não te vejo — ela falou, a voz era mais anasalada do que eu lembrava, enrolando uma mecha do seu cabelo castanho claro no dedo. — Sua mãe disse que você veio aqui outro dia, uma pena que eu não estava trabalhando, adoraria ter te visto.

— É, oi Jessica — a cumprimentei educadamente, o que já foi suficiente para que ela sorrisse mais ainda.

— Meu turno acaba em meia hora, talvez a gente pudesse dar uma volta por ai? O que acha? — Jessica sugeriu empolgada.

Chutei o pé de Alice por debaixo da mesa, ela resmungou, mas entendeu rapidamente o que eu queria.

— Você tem de encontrar o Jazzy em meia hora, não se esqueça disso, Masen — ela falou, Alice era uma excelente atriz, graças a Deus por isso.

— Claro, você está certa! — exclamei, pelo olhar reprovador que a Cullen me lançou pude saber que eu não era tão bom ator assim. — Você pode me trazer...

— Um hambúrguer, sim, eu lembro do que você gosta — Jessica me interrompeu, irritada pelo fora.

— Você destrói os corações de todas, não? — Alice perguntou, rindo, quando ela se afastou. — Na verdade isso é cruel, ela parece gostar de você.

— Jessica e eu namoramos por um tempo, não estava mais dando certo, ela já falava em casamento. E sentia ciúmes até de Rosalie que é como uma irmã para mim, nós dois não funcionaríamos de forma alguma por mais tempo — expliquei, Alice assentiu, parecendo entender. — Falando em Rosalie, você está certa, ela é apaixonada por Emmett.

— Eu disse. — Alice suspirou. — Sou uma profissional em sentimentos, Masen, não questione meus poderes.

— Pode deixar, Madame Alice.

Ela apenas deu um sorriso pequeno, seu olhar recaindo sobre o jornal onde estava a foto do pai de Bella.

— Tudo bem, Alice?

— Bella está noiva, Edward — sussurrou em resposta. — Ela oficializou isso na sexta-feira, eu só descobri hoje de manhã quando ela me enviou uma foto. Haverá uma grande festa de noivado em breve para tornar isso público.

— Isso não é bom? Não é o que ela quer? — perguntei confuso.

Alice negou com um aceno de cabeça, pegou seu celular e mostrou uma foto para mim. Isabella estava ao lado do seu noivo, Jacob Black. Ele parecia como um pavão ao lado dela, o peito aberto como se tivesse ganhado um prêmio, orgulhoso, expondo a mão dela onde o anel de noivado, que deveria valer milhões de dólares, se encontrava. Isabella sorria, mas o sorriso dela não chegava aos seus olhos, que ali estavam azuis e frios.

— Ela não o ama — Alice continuou sussurrando, parecendo muito triste com tudo aquilo. — Nunca amou e duvido que um dia ame Jacob. Ele é idiota, eu namorei um dos melhores amigos dele e Jacob é igualzinho, só mais um filhinho de papai imbecil e desprezível. Eu sei que Bella não é a melhor pessoa do mundo, Edward, realmente sei — falou aquilo, olhando-me rapidamente. — Mas, ela é minha melhor amiga. — Alice fungou. — Eu a amo, eu gostaria que ela pudesse enxergar além do mundo onde vive, esse noivado com Jacob só a colocará ainda mais em uma caverna.

Alice suspirou, então seu celular tocou. Nós dois pudemos ver o nome de Bella ali, Alice não hesitou em atender.

Alice, Alice! — Pude ouvir o grito de Isabella do outro lado da linha, mesmo que a ligação não estivesse no viva voz.

— Bella, por Deus, o que houve? — Alice perguntou nervosa, encarando-me, apertando o celular em sua mão conforme Bella falava com ela. — Sua mãe o que? Não, não! — Alice gritou também. — Bella, não desligue!

Ela afastou o celular de si, a ligação encerrada, seu rosto preso em choque.

— Alice? — a chamei com cautela, temendo o que Bella tinha lhe dito.

— A mãe da Bella — Alice murmurou, ainda encarando seu celular. — A mãe da Bella se matou.

Notas finais
~Fugindo enquanto há tempo~ Beijos! Lola Royal. 04.02.17