Sob minha Pele
11 Capítulo Dez
Notas iniciais
— Capítulo Dez —
— Edward —
Jasper não disse uma só palavra entre o apartamento de Alice e o metrô naquela noite de sábado, eu também não, ainda pensando em Isabella propondo sexo para um cara que ela com certeza via como a base de sua pirâmide social. Além do mais, a garota tinha um namorado, ela era tão baixa ao ponto de trair o próprio namorado?
Eu estava mais certo de que Isabella Higginbotham era uma garotinha confusa, perdida em seu mundinho de luxo, ela nem devia saber quem era de verdade. Pude ver isso no modo como ela falava da mãe, como parecia desprotegida e frágil, escondendo-se atrás de seu dinheiro e poder.
Para ser sincero, eu tinha pena de Isabella. Pois, duvidava muito que algo fosse forte o suficiente para um dia fazê-la mudar, para mim ela sempre continuaria a ser a garota que se achava melhor do que todos, presa no alto da torre achando-se dona de tudo, quando na verdade estava só.
Não entendia como Alice podia ser amiga dela, talvez a Cullen conseguisse ver algo de bom na amiga que outras pessoas não viam, uma centelha de bondade escondida naquela fachada dura. Vi um lampejo de uma Bella diferente, quando seus olhos denunciaram as lágrimas, como ela falou cheia de nostalgia de uma mãe que não tinha mais da mesma forma que antes, até mesmo a se referir ao avô, porém, eu não acreditava que ela podia ser realmente boa, para mim ela estava quebrada o suficiente para isso.
Era um caminho sem volta.
— O que Isabella falou para você querer ir embora de uma hora para outra? — Jasper externou seus pensamentos por fim.
Suspirei, recostando minha cabeça no encosto do banco do metrô. Do outro lado do vagão, um casal que devia ser pouco mais velho do que eu, tinha junto de si um bebê enrolado em uma manta branca. O cara que supus ser o pai do bebê, o tinha no colo, conversando diretamente com a criança que mesmo sendo pequena, olhava com atenção para ele.
Senti falta do meu pai, aquilo nunca era algo que evaporava, mas às vezes a falta dele vinha muito forte. Tantos anos depois e ainda não queria acreditar que tinha o perdido para um estúpido acidente com gás, a vida era mesmo rápida e cheia de pegadinhas idiotas.
— Ela queria transar comigo — contei para Jasper, que arqueou uma sobrancelha.
— Ela tem um namorado.
— Isso não parecia um impedimento. — Dei de ombros. — Sério, aquela garota é louca, ela tem problemas — falei, fazendo-o rir.
— Sei que não posso controlar as amizades de Alice, nem nada disso, que seria até babaquice da minha parte — ele começou a falar um tempo depois, sustentando um olhar sério. — Mas, eu sinto uma energia muito ruim vindo de Isabella. — Lançou-me um rápido olhar preocupado. — É como se ela tivesse uma nuvem negra sobre a cabeça, sei lá, eu olho para aquela garota e realmente sinto que tudo de ruim que pode acontecer vai acontecer se ela estiver por perto.
— Desde quando você se tornou sensitivo? — indaguei rindo, Rosalie rolaria no chão de tanto rir se ouvisse o irmão falar daquele jeito.
— É sério, porra — Jasper reclamou, remexendo-se inquieto no banco. — Aquela menina deve ser o próprio sinônimo de problema. Também, vindo da família que vem. Eu já ouvi falar mil vezes que os Higginbotham lavam dinheiro desde que o nome surgiu. Até mesmo que o bisavô de Bella que foi presidente precisou adulterar a votação para conseguir o cargo, fora o rombo que ele deixou na economia. — Foi minha vez de arquear uma sobrancelha, aquela família era mesmo suja. — Mas, claro, nada disso foi provado, pois eles tem os grandões do governo e da justiça dentro do bolso.
Eu apenas fiquei em silêncio, pensando em como um homem como Marcus Higginbotham tinha tanto dinheiro, mas sempre pagava seus funcionários — como meu pai — que davam tudo de si em horas exaustivas de trabalho, com salários baixos e muitas vezes até mesmo com atrasos. A companhia nem mesmo tinha dado a mim e a minha mãe, pagamentos de seguros depois da morte do meu pai, alegando que o acidente não tinha ocorrido em hora, ou local, de trabalho para que nós recebêssemos algum dinheiro de ajuda, mesmo meu pai tendo trabalhado lá por anos e anos.
Nós podíamos ter requerido na justiça, mas minha mãe não quis ir em frente, dizendo que não devíamos provocar aquelas pessoas. Eu entendia perfeitamente o que ela queria dizer, nós sempre perderíamos para Marcus Higginbotham e sua influência.
— Acho que você não devia se envolver com ela, Edward — Jasper voltou a falar, eu o olhei, vendo seus olhos fitando-me com cuidado. — Com Isabella, além dela ser claramente problemática por si só, não sabemos o que as pessoas ao redor dela são capazes de fazer.
— Não vou me envolver com Isabella Higginbotham, Jasper, você enlouqueceu? — Revirei os olhos. — Sim, ela é bonita e tudo mais, mas eu não estou atraído por ela.
Jasper respirou fundo, apertando meu ombro.
— Mas ela está por você, Masen e Bella não é o tipo de garota que desiste fácil de algo que quer. E, boas novas, você é algo que ela quer — declarou.
— Bom, ela não terá — deixei bem claro, olhando mais uma vez para o casal com o bebê. — Você sente falta do seu pai?
Jasper gargalhou, alto.
— Sentir falta daquele idiota que nos largou? Não, obrigado. Se há algo que Isabella e eu temos em comum é que nós dois odiamos nossos pais, muito obrigado.
O olhei curioso.
— O pai dela é embaixador dos Estados Unidos na Austrália, Alice já deixou escapar o quanto Bella odeia o pai, um dos motivos que a leva a usar o sobrenome da mãe e, mal fala com ele por ter ido embora quando ela era só uma criança. Isso quer dizer que não só entre nós pobres mortais existem pais abandonares, não? — Ele balançou a cabeça. — Há entre os ricos de Upper East Side também.
— Eu acho que ainda ia preferir um pai abandonador a um morto — sussurrei, vendo o casal e o bebê descer na estação que paramos. — Você não faz ideia de quanto doeu enterrar meu pai.
— Não há nada que possa fazer sobre isso, Edward. Seu pai foi um grande homem, que infelizmente morreu de uma forma abrupta, você precisa seguir em frente agora.
Assenti, sabendo que a morte do meu pai era um capítulo em minha vida que precisava ser finalizado. Entretanto, eu ainda sentia que nunca conseguiria virar aquela página.
***
Rosalie ainda não tinha voltado do trabalho quando cheguei ao nosso apartamento aquela noite, ainda sem sono, afinal estava acostumado a ir dormir tarde, eu me sentei no sofá da sala com minha guitarra em mãos. Dedilhava uma música qualquer, pensando em Bella mais cedo aquele dia ensinando-me a tocar piano, ela era boa naquilo, levava jeito, mas pelo que vi de sua pintura e como ela falava sobre, aquilo era algo mais importante para ela.
Talvez sua arte fosse a única coisa que realmente importasse na vida de Bella, além do dinheiro e poder, obviamente.
Acabei pegando no sono ali mesmo no sofá, a guitarra ainda em minhas mãos e a mente vazia para qualquer ideia de letra de música. Então, sonhei com Bella, por mais que não quisesse, ela estava em minha mente — ocupando o lugar de boas ideias para canções — depois daquela noite longa entre ela propondo sexo e chegando a casa de Alice em um estado bagunçado ao extremo.
Sonhei com os olhos castanhos dela, inundados por lágrimas que ela não se permitia chorar. Bella sentada ao piano dos Cullen, chamando o nome da mãe baixinho, usando o vestido branco rasgado daquele dia. Parecia uma criança deixada para trás, abandonada e assustada. Seu lamento não era só triste, como parecia cheio de horror, como se estivesse vendo a mãe partir sem ela.
Era agoniante, até mesmo para um sonho. Eu me sentia preso no canto daquela sala, vendo a figura frágil de Isabella se lamentar, tocando notas no piano que deixavam a cena ainda mais cheia de um aspecto fúnebre, a cada vez que ela chamava o nome da mãe, eu sentia como a mim mesmo chamando por meu pai. As lágrimas nos olhos castanhos dela, eram semelhantes às lágrimas nos meus olhos quando vi as chamas consumindo o local onde meu pai estava.
Doía. Era torturante.
Então, eu despertei. Minhas mãos doíam por estarem esmagando a guitarra, soltei o instrumento devagar, sentindo a ardência em meus dedos vermelhos.
Olhei em direção a porta no mesmo momento que Rosalie entrava, voltando do trabalho.
— Tudo bem? — ela perguntou preocupada, jogando sua bolsa na mesinha de centro.
— Pesadelo — sussurrei, deixando a guitarra de lado, esfregando meu rosto. Ainda pensava em Bella clamando pela mãe, em mim clamando por meu pai anos antes enquanto o fogo o tirava de mim.
— Seu pai? — Seus olhos me analisaram atentamente.
— Mais ou menos. — Passei a mão pelos cabelos repetidamente. — Como foi no trabalho?
— A mesma coisa de sempre, você sabe. — Rosalie sentou ao meu lado no braço do sofá, seu olhar se perdendo a televisão a nossa frente. — Emmett estava lá enchendo a porra da minha paciência. Alías, ele deixou a boate com Irina Denali, Tanya também estava lá, te procurando, claro.
Sorri, lançando um olhar malicioso para Rosalie.
— Ela estava?
Irina e Tanya Denali eram irmãs gêmeas, na verdade trigêmeas contando com a terceira irmã — Kate — que morava na Califórnia, que estudavam na Universidade de New York. Emmett e eu a conhecemos na boate algum tempo atrás, ocasionalmente nós saiamos com elas. Eu tinha ficado primeiro com Irina, mas depois ela ficou com Emmett e me aproximei de Tanya, que era muito mais legal que a irmã, em todos os aspectos.
— Idiota. — Rose riu, batendo em meu ombro. — Sim, ela estava, você perdeu uma noite de sexo, lamento. Quer dizer, a não ser que tenha estado com alguém antes de eu chegar aqui.
— Sim, com seu irmão — brinquei, ganhando uma careta de Rosalie. — Jazz e eu fomos para Manhattan.
— Para a casa de Alice Cullen, certo? — ela indagou, nada contente com aquilo. — Eu me pergunto até onde essa garota vai se aproveitar do meu irmão, até onde ele vai ser tolo em acreditar que ela e ele podem ter um futuro juntos sendo tão diferentes.
— Talvez eles possam — contestei Rosalie. — Estou falando sério — completei quando vi seu olhar irritado sobre mim. — Eles realmente funcionam juntos, Barbie. Seu irmão nunca esteve tão envolvido com uma garota quanto está com Alice e, aparentemente ela nunca gostou tanto de alguém quanto gosta dela. Ela pode ser rica e tudo mais, porém não é uma patricinha fútil, parece mesmo ser alguém legal. Você deveria dar uma chance a Alice, ela é a namorada do seu irmão e ele ia ficar muito feliz se vocês duas ao menos não ficassem em um clima tenso a cada vez que se visem.
Rosalie deslizou até o lugar vago do sofá, suas mãos apertadas uma na outra, seus lábios comprimidos.
— Não quero que ele sofra, Edward.
— Eu sei.
— Nós já tivemos de ver o idiota do nosso pai indo embora, tivemos de dar tão duro junto com mamãe por anos. Sei que nossa vida não está uma maravilha agora, mas com mamãe morando com a irmã na Carolina do Norte, tendo uma vida mais sossegada que ela merece, Jasper com um bom emprego que o paga bem e eu me virando, as coisas estão indo melhor do que o esperado. Se essa tal de Alice Cullen o bagunçar, se ela o tirar do caminho certo, meu irmão pode se perder e nunca mais voltar. Não posso mais perder nada, já vi meu pai nos abandonar, já dei adeus à universidade, eu só...
Ela começou a chorar, enfiando-se em meus braços.
— Vai ficar tudo bem, Rose, vai ficar tudo bem. — A apertei contra mim, deixando-a chorar. Sabendo que aquilo era difícil para ela, o choro, ela sempre queria guardar tudo para si, temia seus sentimentos desde sempre. — Você quer rir de algo? — perguntei um tempo depois. — Alice chama Jasper de Jazzy.
Rosalie riu como esperado, ainda que chorasse um pouquinho.
— O que mais fizeram?
— Isabella Higginbotham também estava lá, ela me ensinou a tocar um pouco de piano. — Rosalie se remexeu em meus braços, para poder me olhar, ou melhor encarar. — Ficou fascinada por minhas tatuagens e quis me arrastar até a cama mais próxima.
— Você transou com ela? — Rosalie perguntou em choque, eu bufei.
— Claro que não. — Ela soltou o ar que estava prendendo. — Por Deus, eu tenho de estar muito bêbado para ir para a cama com ela, a garota é insuportável.
— É mesmo? — Rosalie me lançou um olhar desafiador. — Pois pelo que acabei de ouvir você tocou piano graças a ela e lhe mostrou suas tatuagens, isso não parece algo que faria com alguém insuportável.
— Tudo bem, noventa por cento dela é insuportável, satisfeita?
Rosalie expirou alto.
— Se a Cullen machucar meu irmão, ou se aquela Higginbotham que jura ser a dona do mundo te fizer algo, eu vou acabar com a raça das duas — ameaçou.
— O que seria de Jasper e eu senão tivéssemos você para defender nossas honras, Barbie? — brinquei.
— Duas menininhas desprotegidas. — Ela pulou do sofá, caminhando para seu quarto. — Se você ceder e for para a cama com Isabella, apenas faça o favor de se proteger, não temos espaço para um berço aqui.
— Você seria a madrinha do nosso bebê? — provoquei, a única resposta que ouvi foi a porta dela batendo com força.
***
Na quarta-feira de tarde, Rosalie e eu deixamos nosso apartamento em direção ao loft que Jasper e Emmett dividíamos, para podermos ensaiar um pouco, aproveitando que os dois estavam com aquele dia de folga e só trabalharíamos mais tarde. O loft era grande o suficiente para os dois, no mezanino ficavam os quartos, separados por uma parede fina que parecia ser muito inconveniente para quando eles tivessem garotas em casa, na parte debaixo, ficava a bateria de Rosalie e o espaço onde ensaiávamos, assim como uma cozinha e sala conjugados.
— Quem mais vocês estão esperando? — Rosalie perguntou confusa quando meio minuto depois de chegarmos ao loft alguém bateu na porta, eu estava mais perto desta, então fui até lá abrir.
Devo confessar que não fiquei tão surpreso assim de ver Alice, acompanhada de Bella. Eu não falava com Jasper desde o sábado, então não sabia que a namorada dele iria aparecer ali. Mas, aquilo parecia que ia acontecer de qualquer forma.
Encarei Bella, pensando na ousadia dela ao atender ao telefone de Jazz no domingo, quando liguei para ele justamente para marcar o ensaio. Ela tinha um sorrisinho presunçoso para mim, os olhos castanhos aquela tarde estavam escondidos atrás de lentes azuis.
— Olá, Edward! — exclamou, entrando no loft sem precisar de um convite formal.
— Ei...Bella — Jasper murmurou, pelo seu olhar ele não tinha a convidado para estar ali.
— Bella não teve uma aula hoje à tarde, passou lá em casa quando eu estava saindo, aqui estamos — Alice respondeu rapidamente, seu olhar e sua voz eram temerosos.
— Vocês vão assistir ao ensaio? — Rosalie perguntou entre dentes.
— Isso, vai ser divertido, vamos, se acomodem! — Emmett ordenou, indo até Bella. — Posso lhe oferecer algo?
— Não, estou bem, obrigada. — Ela piscou para ele. — É um lugar...peculiar. — Olhou ao redor para o loft.
— Se quiser mais tarde lhe apresento o meu quarto — Emmett sugeriu, a malicia em sua voz não era algo que ele queria deixar subtendida, sim escancarada.
Bella me lançou um rápido olhar, apenas arquei minha sobrancelha para ela, dizendo que por mim aquilo não era da minha conta. Jasper estava certo, a garota era persistente.
— Quem sabe, Emmett — disse para ele, olhando mais uma vez para mim depois de sua resposta.
— Vamos começar logo com isso — Rosalie resmungou, indo até sua bateria.
Alice e Bella tomaram lugares no sofá ali próximo, deixando com que começássemos a tocar por fim. Eu tentava ao máximo me concentrar apenas na música, mas o olhar afiado de Bella sobre mim me desconcentrava a todo instante.
Se ela estava quase aceitando a proposta de Emm não era mais fácil me deixar em paz de uma vez?
Nós fizemos uma pausa em determinado momento, Emmett aproveitou para ir até Bella falar sobre seu baixo. Ela parecia concentrada no que ele dizia, mas a garota era uma caixinha de mistérios, poderia estar pensando em joias ou em qualquer outra besteira.
Deixei Rosalie e Jasper em uma conversa sussurrada entre eles, coisa que nunca fui convidado a participar, indo até a área da cozinha pegar um pouco de água para beber. Alice me seguiu, seus passos e sua expressão facial eram hesitantes.
— Desculpe por ter trazido Bella — pediu. — Quer dizer, pelo jeito que você saiu lá de casa no sábado é óbvio que ela fez, ou falou algo, então foi mal ter a trazido justamente até aqui.
— Tudo bem, pelo menos Emmett pode lidar com ela. — Apontei com a cabeça para os dois, vendo que Bella tinha os olhos fixos em mim. Se Emmett percebeu aquilo não deu a mínima, mostrava a tatuagem tribal em seu braço, contando sobre cada detalhe dela.
— Ela não é ruim — Alice murmurou. — Quer dizer, não tão ruim quanto demonstra, ela tem momentos muito bons.
Apenas bebi um pouco da minha água, sem querer me estender naquele assunto.
— Então — Alice começou a falar em um tom conspiratório, apoiando-se no balcão ao meu lado. — Desde quando Rosalie é apaixonada por Emmett?
— O quê? — Eu gritei, além de Bella que já me encarava, todos se viraram para me olhar, mas logo voltaram a se concentrar no que faziam antes. — O quê? — repeti, mas daquela vez em um tom de voz baixo. — Rosalie não é apaixonada por Emmett, Alice.
Ela riu, parecendo uma criança.
— Edward, vocês garotos são tão ingênuos para certas coisas. Não consegue ver o quão enciumada sobre ele Rosalie ficou quando ele começou a dar em cima de Bella?
— Não, isso não faz sentido — reafirmei, olhando para Rosalie, que ajudava Jasper a afinar sua guitarra. — Ela o detesta, isso sim.
— Claro, é isso mesmo — Alice concordou ironicamente. — Se algum dia os dois ficarem juntos, você pode dizer que eu tinha avisado. — Ela pegou uma garrafa de água da geladeira, indo saltitando até o namorado.
Continuei parado na cozinha, ainda sem acreditar no que ela tinha dito, aquilo podia ser verdade? Não fazia sentido, Rosalie e Emmett nunca tinham se entendido, nem mesmo quando eram mais novos.
Porra, minha cabeça estava uma confusão com aquela duvida implantada por Alice.
— No que está pensando, Masen? — Eu me sobressaltei ao ouvir a voz de Bella, ela estava do outro lado do balcão, curvada sobre ele. O decote de sua blusa salmão deixando muito de sua pele amostra, rapidamente desviei o olhar para seu rosto, o sorriso presunçoso estava de volta aos seus lábios.
— O quê? Pensei que ia conhecer o quarto de Emmett — desafiei.
— Eu preferia conhecer o seu — ela disse, sem se importar com rodeios, indo direto ao que queria. — Por que não larga de mão o ensaio e leva-me até seu apartamento?
— Por que você não volta para Manhattan e vai para o quarto do seu namorado? — rebati.
— Você iria adorar uma noite comigo, Masen, não faz ideia do que está perdendo. — Ela contornou o balcão, se postando ao meu lado. Sua mão passeando por meu braço, os olhos falsos fixando-se nos meus.
— Por que das lentes? Você não parecia ter problemas de visão no sábado.
O sorriso no rosto dela morreu ao me ouvir falar daquilo, sua mão deixando meu braço imediatamente.
— Esse azul é absurdamente falso, apenas mais uma camada que usa para se esconder, não? — continuei a falar, vendo-a desconcertada com o que ouvia. — Apenas lhe deixa mais irreal, Bonequinha de Luxo.
— Você... — Ela se calou, sem saber o que falar.
— Como sua mãe está? — perguntei, ela piscou algumas vezes, parecendo surpresa com minha pergunta.
— Ela não vai mudar, Edward — murmurou o mais baixo que pode.
— Talvez ela precise de sua ajuda para mudar. — Afastei uma mecha de cabelo do seu rosto, que parecia mais suave sem ela bancando a conquistadora. — Eu perdi meu pai, Bella, você ainda tem sua mãe, lute para não perdê-la antes que seja tarde demais.
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