Sob minha Pele

12 Capítulo Onze


Notas iniciais
Boa leitura ♥

— Capítulo Onze —

— Bella —

Eu não entendia, não conseguia compreender de forma alguma. Porém, de um jeito maluco e errado, Edward Masen mexia comigo mais do que qualquer um já tinha mexido. E, para minha loucura, não era algo apenas físico. Já tinha deixado-me levar por isso antes, Paul era a própria viva de quanto eu podia ceder aos meus desejos e fazer coisas que podiam me colocar em perigo, mas Edward mexia com minha mente.

Ele parecia ter um poder especial de bagunçar meus pensamentos, de desviar o que eu estava pensando e fazer com que pensasse o que ele quisesse. Minha única intenção para aquela tarde era ir até o ensaio daquela bandinha e fazer Edward ceder a mim, fazê-lo ver que estava completamente errado e que me desejava, o que aconteceu não foi nada disso, ele virou o jogo, falou da minha mãe, me freou em minha missão e me fez desviar o caminho.

Odiava aquele cara, odiava tanto. Quem ele pensava que era para me desprezar e ainda dar palpites sobre o que eu devia fazer com a idiota da Renée? Ele não a conhecia, não sabia o quanto ela podia destruir a sua volta, o quanto ela era capaz de envergonhar a mim, a nossa família.

— Como você perdeu seu pai? — perguntei, ainda olhando diretamente para seus olhos verdes que tinham a capacidade perturbadora de me manterem focada apenas neles. Eu não sabia porque diabos estava indo a frente com aquele assunto, mas minha boca não se mantinha fechada, ou dizia coisas inteligentes como devia, estava perdendo o controle. — Ele também era um alcoólatra?

Edward suspirou, sua mão que continuava em meus cabelos caiu ao lado de seu corpo. Quando seus dedos tocaram rapidamente em meu rosto senti minha pele queimar por seu toque, eu implorava para não ter corado, seria constrangedor.

— Não, nem perto disso — ele respondeu, balançando a cabeça, a voz era baixa e escondia um choro que ele também não se permitia chorar. — Ele faleceu em um incêndio — contou, dando de ombros. — Tem muito tempo, então, sei lá — falou, parecendo confuso, esfregando o rosto com as mãos.

Aquilo parecia doer, perder o pai parecia causar de fato dor física em Edward, nunca ninguém próximo a mim morreu, minha avó materna e meus avôs paternos já estavam mortos quando nasci. Nunca fui a um velório, muito menos a um enterro, por mais que Alice tenha insistido que eu a acompanhasse ao enterro de sua avó alguns anos antes, mas aquilo não parecia certo, ficar vendo pessoas chorando sobre um caixão era algo que nunca queria ver de perto.

Mas, eu veria quando meu avô morresse, não? Isso fez meu coração apertar, então pensei em Renée morta e não sabia definir o que sentia com a imagem dela em um caixão.

— Sinto muito — falei para Edward, que olhou para mim surpreso. — Por seu pai. — Limpei a garganta, cruzando os braços na frente do corpo, sentindo-me com frio, mesmo sabendo que não estava de fato frio aquela tarde de maio.

— Obrigado. — Edward agradeceu, limpando a garganta também. — Apenas pense nisso, okay? Sua mãe ainda está viva, você pode perdê-la em um piscar de olhos e nem se dar conta disso, Isabella. Eu teria passado muito mais tempo com meu pai se soubesse que ele iria morrer aquele dia, teria feito algo se pudesse ter impedido a morte dele.

— Não, você não conhece Renée, não sabe como ela pode ser insuportável. — Desviei o olhar para o chão, encarando os coturnos de Edward.

— Bom, você também é insuportável — ele falou, fazendo com que eu voltasse a encará-lo, ele tinha um maldito sorriso torto no rosto, olhando-me com diversão.

— Você é um idiota, Edward!

— Outro adjetivo que também pode ser aplicado a você, senhorita Higginbotham? — provocou.

Minha boca escancarou, eu não sabia se o xingava de volta, ou se o socava. Passei muito tempo demais batalhando comigo mesma para saber o que fazer, o que levou a Edward ter tempo suficiente para se afastar de mim, indo até onde os outros estavam.

Irritada com aquilo, fui pisando alto até o sofá que estava sentada antes, para minha sorte, Emmett estava ocupado conversando com Jasper e Alice, então não foi encher a porra da minha paciência. Ele era lindo, eu definitivamente iria para a cama com ele se eu não estivesse tão focada em ir para a cama de Edward.

O que já estava me tirando do sério, valia tanto a pena ficar insistindo naquele babaca? Mas, ai eu me lembrava dele me desprezando, cada uma das vezes, eu só precisava fazê-lo morder a própria língua e perceber que me queria sim, que ele não era imune a mim de maneira nenhuma.

Talvez nem chegássemos de fato a transar, eu poderia o fazer implorar por mim, então mostrar quem de fato mandava ali e deixar claro que ele não me teria, que era eu quem definia tudo. Seria incrível, porém também parecia ser muito incrível a ideia de transar com ele. Por que diabos aquele cretino tinha de ser tão bonito?

Ele ganhava de Emmett, ganhava facilmente de Jasper. Era um dos caras mais bonitos que já tinha visto, ele era mais bonito do que muitos modelos por ai. Porra, ele devia ser tão bom fodendo, eu o queria me tocando como o via tocando aquela maldita guitarra.

— Bella?

Eu me sobressaltei ao ouvir a voz de Alice, olhei para o meu lado, vendo a sentando junto de mim no sofá.

— Tudo bem? — ela perguntou.

— Ele é tão bonito, eu odeio isso — resmunguei, a bandinha voltando a tocar, Edward riu de algo que Jasper disse no meio da música, fazendo um show e jogando a cabeça para trás. Eu beijaria cada pedaço de pele do pescoço dele, até aquilo era atraente nele.

— Oh Deus, isso é sério? — Alice tentou esconder um sorriso, sem êxito algum. — Você tem de superá-lo, Bella.

Não contei a Alice que queria Edward, então me odiei por estar deixando aquilo tão claro, até mesmo para ela. Eu estava parecendo uma garotinha boba apaixo...Não, isso nunca.

— Quer dizer — ela voltou a falar. — Edward é um cara legal, mas você... — Ela se calou quando a fuzilei com um olhar.

— Eu o que, Alice?

— Você não o merece. — Ela deu uma batidinha em minha coxa, dizendo aquilo com a maior neutralidade do mundo. — Não é o contrário como deve estar pensando, a verdade é que Edward é um cara legal demais e você não faz por merecer alguém como ele. Quem sabe se fosse um pouco diferente, mas não é e nem pretende mudar, certo? — Permaneci calada, aparentemente aquele dia as pessoas estavam conseguindo aquilo com muita facilidade de mim. — Além do mais, você tem o Jacob e está quase noiva dele.

Foi a primeira vez que a ideia de virar oficialmente noiva de Jacob não pareceu agradável aos meus ouvidos, sim algo detestável. Tirei os olhos de Alice, desviando o olhar para Edward que cantava com concentração absurda olhando para a parede a sua frente. Alice estava certa? Eu não merecia Edward?

***

Depois de mais algumas músicas ensaiadas, Emmett teve a ideia de sairmos para comer algo. Eu tentei recusar aquilo prontamente, afinal comer em qualquer lugar do Brooklyn não parecia um programa que faria, mas Alice me lançou um olhar macabro quando abri a boca para dizer que não ia, então apenas sussurrei em concordância.

— Claro, por que, não?

Edward abafou uma risada, provavelmente notando o quão falsamente animada estava para aquilo. Rosalie parada ao lado dele revirou os olhos, a cara emburrada e terrivelmente maquiada. Sério, para que ela usava tanto delineador? O visual gótico dela era ridículo.

— Eu estou sem fome — Rosalie disse. — Vou passar em casa antes de ir para o trabalho.

— Quer que eu vá com você? — Edward perguntou a ela, eu parecia a única prestando atenção nos dois. Jasper e Alice tinham ido até a cozinha e estavam se agarrando lá e Emmett tinha subido para trocar de roupas, para minha sorte não me convidou para seu quarto novamente. — Eu queria te perguntar algo — Edward falou para Rosalie, ele parecia confuso sobre algo, queria poder saber o que era que estava falando.

— Não, você pode ir — ela disse, estreitando os olhos para ele. — Mas, o que quer saber? — indagou.

Os olhos dele se desviaram para mim, forcei um sorriso para ele, Edward apenas bufou.

— Nós conversamos em casa, Rose — ele disse, encerrando o assunto.

— Tudo bem. — Ela também bufou. — Não se atrase para o trabalho, Masen — falou, então rapidamente deixou o loft, batendo a porta com força ao sair.

— Vai declarar seu amor a ela? — provoquei, Edward apenas me ignorou, pegando a capa da sua guitarra ao meu lado no sofá.

Okay, quando aquele cara ia cair aos meus pés?

— É uma guitarra antiga, não? — perguntei, analisando-a de perto, estava visivelmente acabada.

— Era do meu pai, ela é mais velha do que você, Bonequinha de Luxo — ele disse, respirei fundo para ignorar o apelido, eu não deixaria ele me irritar daquela forma.

— Você deveria trocá-la, iria melhora sua música — sugeri, Edward negou com um aceno de cabeça.

— Não posso me desfazer dela, foi uma das poucas coisas que restou do meu pai. Se eu não tivesse saído de casa aquele dia com ela, teria pegado fogo também — falou, o olhar perdido enquanto terminava de guardá-la.

— O incêndio foi em sua casa? — perguntei em um tom de voz baixo, ele apenas assentiu. — Seu pai estava sozinho? — Ele assentiu outra vez. — E sua irmã? — questionei, ouvindo a aflição em minha voz, o que me pegou de surpresa e fez Edward me olhar. — Digo, ela é tão nova, deve ter sido difícil para ela entender tudo isso, não?

— Não, Clary é apenas filha da minha mãe — ele contou, pendurando a guitarra em seu ombro. — Ela nasceu bem depois disso.

— Certo. — Foi minha vez de assentir, nossos olhares mais uma vez fixos um no outro. Edward tinha dito preferir a cor castanha, Renée sempre dizia isso quando comecei a usar lentes, eles estavam certos sobre detestarem o azul?

— Vamos, pessoal! — Emmett gritou, descendo as escadas, quebrando o contato visual que Edward e eu tínhamos.

— Que tal a lanchonete que a tia Lizza trabalha? — Jasper falou, deixando a cozinha com Alice, que vinha agarrada a mão dele, sustentando um grande sorriso.

Ela sim parecia uma garotinha boba apaixonada, eu não entendia aquilo, nem queria.

— Você vai pagar, não é por ser o trabalho da minha mãe que pode comer de graça — Edward disse a Jasper, mas sorria.

Oh porra, eu ia para onde a mãe dele trabalhava? Isso não parecia bom, de jeito algum. Lancei um olhar nervoso a Alice, mas ela estava concentrada demais em sua bolha de paixão para prestar atenção na melhor amiga.

— Vem, Bella! — Emmett estendeu a mão para me ajudar a levantar do sofá, como se eu fosse alguma incapaz que não conseguiria fazer aquilo. Ele estava começando a me dar nos nervos, ele era tão burro que não entendia que era com Edward que eu queria algo? Porra, eu estava o usando apenas para chamar a atenção do outro e, para meu desespero, não parecia estar dando certo.

Nós seguimos andando até a droga daquela lanchonete, podia não ser de fato um caminho longo, mas fazê-lo em cima de saltos altos estava destruindo meus pés. Alice parecia muito confortável em suas sapatilhas douradas, o que me fez invejá-la, meus pés estavam praticamente em carne viva ali.

— Eu vou pegar um táxi — ameacei, Jasper e Alice estavam muito a frente, eles pareciam ter saído de um fodido musical onde tudo era glorioso, riam, cantavam e ela até arriscou uma dancinha. Emmett em algum momento recebeu uma ligação e estava distraído com ela, com certeza era alguma garota, o que fazia Edward a pessoa mais próxima de mim e a única que ouviu minha reclamação.

— Só falta mais um pouco, não seja tão mimada! — ele exclamou para mim, eu tive muita vontade de tirar meu salto e jogar na cabeça dele, mas ficar descalça com o pé já dolorido não parecia que iria melhorar em nada meu estado.

— Não são seus pés que estão doendo! — rebati.

— Bom, então quem sabe isso sirva de lição e você se livre dessas coisas. — Olhou para trás, apontando para meus saltos.

— Essas coisas, Edward Masen, são saltos exclusivos da coleção de verão de Manolo Blahnik, nem está sendo vendido ainda. O ganhei de presente, só eu em todo país tenho acesso a essas coisas como você ousa chamar.

Ele parou de andar, fazendo com que eu parasse também, voltando a dar o seu característico sorriso torto.

— Bella, eu não me importo — falou, então voltou a andar, deixando-me para trás.

— Babaca — resmunguei, apressando o passo até ele, ou acabaria perdida no Brooklyn, era capaz de terminar não só sem meus sapatos, mas sem meus pés também. — Você poderia ser mais gentil, há uma moça com dores ao seu lado — falei quando o alcancei, não perdi a risada sufocada dele quando falei moça. — Eu preciso de uma massagem, poderia fazer uma em mim quando chegássemos a lanchonete, não? — Ele me olhou com uma careta.

— Você é mais convencida do que imaginei. E se isso não foi claro suficiente, quer dizer que não, eu não vou massagear seus pés. Mas, talvez Emmett aceitasse isso numa boa, tente com ele. — Edward deu um tapinha em minhas costas, foi minha vez de fazer uma careta para aquilo.

— Apenas me deixe usá-lo de apoio, meus pés estão feridos — pedi, quase voltando a parar de andar novamente.

Edward respirou fundo, mas assentiu. Um sorriso rasgou meus lábios, então segurei em seu ombro rapidamente antes que ele pudesse mudar de ideia, Edward segurou na base da minha cintura, praticamente sustentando todo meu peso.

Senti meu coração palpitar naquele momento, pela proximidade e por estar inebriada por conta do perfume vindo de Edward. Seu rosto continuava como se nada estivesse acontecendo, como se ele não estivesse sentindo nada, o que me incomodou muito. Como ele podia não estar interessado em mim? Principalmente naquele momento.

Emmett, ainda falando ao celular, nos lançou um olhar nada agradável, mas eu estava pouco me importando com aquilo. Quem sabe aquele contato fosse o suficiente para Edward se dar conta de que me queria, ele só precisava admitir isso para si mesmo.

Para minha raiva, que estava adorando ter Edward tão perto, não demorou nada mais para chegarmos a lanchonete, o que o fez prontamente me soltar e entrar no local antes de mim. Eu vi então, a garotinha ruiva correr até ele e se jogar nos braços do guitarrista, era Clary, sua irmã.

— Edward, você está aqui! — ela exclamou empolgada. — Eu estava sentindo sua falta.

— Eu também baixinha, o que tem aprontado? — Ele beijou a bochecha dela, a colocando no chão em seguida.

— Ah, eu... — Ela se interrompeu a me ver ali, então abriu um grande sorriso. — Bella! — O próximo ato me deixou em pânico, ela correu até mim e abraçou minhas pernas.

— O-Oi — gaguejei, sem ter ideia do que fazer com aquela menina agarrada a mim. Procurei por ajuda, mas Emmett, Jasper e Alice que chegaram a lanchonete primeiro, já estavam em uma mesa.

— Eu pensei que não ia mais te ver — disse, olhando para mim, ainda atracada as minhas pernas, então olhou para meus sapatos. — Adorei seus saltos!

— Bom, você ao menos tem um gosto decente comparado ao do seu irmão — falei, desfazendo o abraço dela, mas aquilo não pareceu abalá-la, já que ela continuava sorrindo. Edward revirou os olhos, mas também estava sorrindo.

Uma mulher se aproximou de nós, eu não precisei olhar duas vezes para ela para saber de quem se tratava. Edward e a mãe eram muito parecidos e, Clary tinha muito dela também. Mas, ela parecia uma mulher envelhecida e cansada, seu olhar verde como o dos filhos, era vacilante e assustado.

— Oi filho.

Edward rapidamente a abraçou, seu olhar sobre ela era preocupado.

— Tudo bem? — perguntou a ela.

— Sim, tudo maravilhoso — Ela forçou um sorriso, então me olhou diretamente, parecia estar tentando decifrar meu rosto. — Quem é sua amiga?

— Isabella Higginbotham. — Me apresentei, estendendo a mão para a mãe de Edward.

Sua reação me confundiu, ela deu dois passos para trás e agarrou o braço de Edward no processo, o puxando para perto. Edward também pareceu confuso sobre aquilo, mas não disse nada sobre a reação da mãe.

— Isabella, essa é minha mãe, Elizabeth — ele falou.

— É um prazer conhecê-la, senhora Masen. — Tornei a erguer minha mão para ela, quem sabe Edward caísse aos meus pés se eu fosse simpática com sua mãe.

— Não sou mais a senhora Masen. — Ela negou, apertando minha mão por fim, em um toque que durou exatos dois segundos, sua mão tremia. — Pode me chamar apenas de Elizabeth.

— Você está mesmo bem, mãe? — Edward perguntou a ela. — Está pálida.

— Apenas cansada do trabalho, querido — respondeu, afagando o rosto dele carinhosamente. — Vá comer algo com seus amigos, certo? Clary, volte ao seu dever de casa — ordenou aos dois.

— Mas eu quero ficar com Edward e Bella — Clary protestou, agarrando minha mão. Claro, aquela irmã queria algo comigo, enquanto o outro nada.

— Eu posso ajudá-la com o dever de casa — Edward falou, carregando Clary, afastando-se com ela até o balcão da lanchonete, que como previ era um lugar que eu nunca colocaria meus pés, mas claramente minha mente estava toda errada nos últimos tempos.

— Hum, vocês vendem salada aqui? — perguntei a Elizabeth, lendo o cardápio em cima do balcão, mais a maioria dos pratos ali eram de sanduiches e derivados.

— Sim, nós temos — respondeu. — Você parece muito com sua mãe — ela disse, fazendo com que eu a olhasse.

— Você conhece minha mãe?

— Pelos jornais e revistas — respondeu. — Ela aparecia muito neles quando era mais jovem, você é mesmo muito parecida com ela. Seu nascimento foi noticiado como se fosse o nascimento de uma princesa, eu lembro, em todas as fotos sua mãe tinha um sorriso glorioso enquanto a carregava. — Elizabeth sorriu um pouco ao dizer aquilo.

Assenti, eu tinha visto uma porção daquelas fotos. Tínhamos várias delas em casa, inclusive. Renée parecia outra pessoa nelas, seu sorriso era cheio de vida.

— Sente-se, Bella — Elizabeth recomendou. — Irei anotar seu pedido em breve. — Ela foi até uma mesa recolher a louça suja ali, deixando com que eu fosse até onde Alice estava com os outros.

Os bancos da lanchonete imitavam sofás, Jasper, Alice e Emmett ocupavam um, enquanto Edward e Clary estavam em outro. Diante a menina estava alguns livros e cadernos, Edward e ela estavam debruçados sobre eles.

Eu sentei do outro lado de Clary, pegando um cardápio que Alice ofereceu a mim. Sem precisar de muito tempo localizei a única salada oferecida ali e decidi que comeria apenas aquilo, junto a um copo de água.

— Bella você gosta de história? — Clary me perguntou.

— Bom, é melhor do que cálculo — respondi, olhando para seu dever de casa, vendo-a escrever respostas para as perguntas em seu livro didático. — Mas, minha matéria preferida na escola era artes — contei.

— Inclusive Bella irá se formar com honras em Artes na faculdade — Alice contou animada, eu sorri para ela gostando muito de sua fala.

— Que legal! — Clary exclamou. — Você pode desenhar algo para mim? — Estendeu para mim uma folha em branco e um lápis.

— Claro, por que não? — Peguei a folha e o lápis, então segurei no rosto de Clary, o analisando por algum tempo, ela tinha um rostinho bonito, eu tinha de admitir isso.

— Você vai me desenhar? — perguntou entusiasmada, apenas assenti, começando a esboçar o desenho.

Eu me concentrei tanto naquilo, que podia apenas ouvir ao fundo os outros conversando, sem sequer distinguir o assunto. Quando Elizabeth passou por nossa mesa, acabei dispensando a salada e qualquer outra coisa, concentrada demais no desenho para interrompê-lo para comer.

Desenhar e pintar eram as melhores coisas do mundo, mesmo fazer aquilo em uma folha de caderno com um lápis que não era propício, em uma lanchonete não tirava de mim o quanto gostava de me expressar através da minha arte. Pelo tempo todo que ficamos ali, que eu não me importei em calcular, fiquei desenhando, às vezes Clary ou Alice falavam comigo para elogiar o progresso, mas sequer conseguia parar para respondê-las.

— Bella, nós precisamos ir — Alice falou, então só ali percebi que ela estava em pé ao meu lado. Eu a olhei, parecendo voltar a realidade. — Tenho prova na sexta, ainda preciso estudar — ela disse, eu concordei com um aceno de cabeça, o desenho de Clary não estava perfeito, mas estava razoavelmente bom, assinei meu nome no canto da folha, repassando a ela.

— Uau! — Clary exclamou impressionada. — Você desenha muito bem!

— Desenha mesmo — Emmett disse, espiando o desenho.

— Obrigada — agradeci, sentindo meu pulso dolorido por desenhar, eu já tinha passado a noite inteira fazendo aquilo, precisava de descanso antes de destruir minha mão.

— Hey, arranjei o táxi de vocês. — Jasper surgiu da entrada da lanchonete, parando junto a Alice.

— Hora de ir — ela cantarolou.

— Obrigada pelo desenho, Bella! — Clary agradeceu, me dando um abraço apertado, eu retribui rapidamente, então a soltei, podendo ver Edward me encarando do outro lado da irmã. Seu olhar era indecifrável.

— Tchau, gente, até logo mais. — Alice abraçou Emmett, beliscou a bochecha de Clary que riu e acenou para Edward.

Apenas murmurei um tchau para todos ali, seguindo Alice para fora da lanchonete. Tive um rápido relance de Elizabeth me olhando atrás do balcão antes de deixar o local, eu acenei para ela, mas não ganhei qualquer tipo de cumprimento de volta.

Alice passou o caminho todo até Upper East Side falando sobre sua prova de sexta-feira, eu tentei me concentrar no que ela dizia, mas tinha sido uma tarde longa e só queria chegar em casa e descansar um pouco. Ela me deixou em meu apartamento, então seguiu caminho até o seu, mas antes disse.

— Obrigada por ter sido legal hoje — ela disse, apertando minha mão, deixando com que eu saísse do carro depois quando não falei nada de volta.

Assim que entrei na sala, vi Renée sentada no sofá, com uma garrafa de uísque em mãos e chorando baixinho.

— Bebê! — ela falou entre as lágrimas, sorrindo para mim.

— Oi. — Sentei no sofá diante dela, buscando em seu sorriso aquele nas fotos que Elizabeth mencionou, não estava ali, ele tinha sido perdido no meio do caminho.

— Ótimo, você chegou! — Vovô surgiu do segundo andar, desde sua volta quase não tinha o visto, ele passava muito tempo no trabalho. — Onde esteve? — perguntou a mim.

— Com Alice — respondi. — No apartamento dela — menti, sabendo que ele odiaria a ideia de que estive a tarde inteira circulando pelo Brooklyn.

— Certo, assine isso para mim. — Colocou em minha mão uma caneta e uma pasta de documentos.

— Claro — concordei prontamente, começando a assinar os documentos. Como uma de suas herdeiras, eu tinha de assinar sempre documentos referentes aos negócios.

— Nós vamos jantar com os Black na sexta-feira, garota — ele anunciou quando terminei de assinar tudo, afagando meu rosto gentilmente. — Temos de começar a planejar seu noivado oficial com Jacob.

— O quê? — Eu só percebi que tinha gritado pelo olhar irritado de meu avô. — Digo, já? — Me corrigi rapidamente.

— Sim, vamos fazer uma grande festa de noivado como você merece, minha querida — ele disse. — Vou sair para jantar com alguns investidores — falou e se virou para Renée. — Vá para seu quarto e recomponha-se, você parece deplorável, sua imprestável!

Ela se encolheu diante as palavras dele, olhando para a garrafa em suas mãos.

— Até depois, minha garota preferida. — Ele beijou o topo da minha cabeça e saiu.

— Não se case com Jacob — Renée murmurou, ainda olhando para sua bebida.

Eu levantei a encarando com raiva.

— O que deveria fazer? Tornar-me uma bêbada como você que não faz nada o dia inteiro? Não, obrigada!

Caminhei até a escada, querendo sair de perto dela imediatamente.

— Eu te amo, Bella — Renée falou, fazendo com que eu parasse de subir, mas me forcei a voltar a subir logo. — Eu sempre vou amá-la, filha, não se esqueça disso.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 28.01.17