Sob minha Pele

6 Capítulo Cinco


Notas iniciais
Vou atrasar as respostas dos comentários do capítulo passado, pois estou com problemas na internet, mas não deixem de comentar aqui, por favor. Boa leitura ♥

— Capítulo Cinco —

— Bella —

O Central Park era meu lugar preferido no mundo, levando em conta que já estive em todos os continentes com exceção óbvia da Antártida, eu tinha propriedade em dizer que rodei o planeta, mas que aquele parque no coração de New York seria o mais próximo de um paraíso para mim. Mesmo com os turistas irritantes, as crianças barulhentas, o visual do local era maravilhoso e compensava o resto.

Eu ia até o Park quantas vezes era possível por semana, sempre carregando junto de mim alguma tela para aproveitar para pintar. Era meu passatempo preferido, podia passar horas e horas pintando e desenhando, desde criança sempre foi algo que me fazia bem.

Por isso eu estava saindo do meu prédio naquela manhã de sábado, em direção ao Central Park. Renée tinha ido para seu quarto por fim, então eu não a vi quando deixei o apartamento.

Caminhei pelo Park procurando por um bom lugar para ficar aquele dia, tentando evitar os pensamentos que me levassem a noite passada. Tudo que eu não precisava era pensar em qualquer um dos minutos que passei naquela boate imunda do Brooklyn, ainda não tinha falado sobre aquilo com Alice, mas quando falasse ela iria me ouvir por longas horas.

Eu estava atravessando uma parte próxima ao lago, cercado por grama e por pessoas aproveitando o Sol de maio, quando avistei cabelos cobres. Parei de andar, encarando as costas do cara ali, era Edward? Ou apenas outro ruivo perdido em New York?

Voltei a andar, me aproximando um pouco. Ele estava sentado sozinho, moveu a cabeça um pouco para a direita, deixando com que visse de relance seu rosto, o maxilar bem delineado ali. Com toda certeza era Edward.

Terminei o caminho até aquele vocalista que se achava demais, ele realmente acreditava que podia desprezar Isabella Higginbotham? Isso não aconteceria, ninguém simplesmente me ignorava.

Parei atrás dele, então limpei a garganta, chamando sua atenção. Edward olhou para trás, vendo-me ali. Ele se levantou, era tão alto e seu olhar verde tão intenso que eu acabei encolhendo-me diante de sua presença imponente, ainda que aquilo fosse ridículo.

— Olá Edward, você irá me cumprimentar hoje? — Estendi minha mão entre o espaço nos separando, nem no inferno que eu sairia daquele parque sem um devido cumprimento daquele cara, ele tinha de saber que Isabella Higginbotham não passava despercebida, muito menos era esnobada.

Edward sorriu, o maldito sorriso torto que carregava, ele segurou minha mão na sua, fazendo com que meu corpo se arrepiasse com seu toque. Novamente, aquilo tudo era ridículo, eu não devia ter reações daquele tipo com aquele cara babaca. Então, ele beijou minha mão, foi impossível não sorrir, era claro que no final quem ganharia era eu, por vê-lo se rendendo a mim, como ter sentido seus lábios em minha pele.

— Olá, Isabella! — ele disse meu nome como se estivesse o cantando, seus olhos nunca se distanciando dos meus. Minha mão ainda na sua, começava a suar, por conta do calor, então a puxei, dividindo o peso da tela que carregava e de toda a parafernália que levava comigo ali.

— Estou surpresa em vê-lo aqui — falei, jogando meus cabelos para trás dos ombros.

— É, por quê? — Ele tirou seus olhos do meu rosto, os percorrendo por todo meu corpo. Engoli em seco sobre sua analise, estava usando um dos tantos vestidos Prada que amava aquela manhã, bege, com detalhes em preto nas laterais, em meus pés sapatilhas Jimmy Choo da última coleção. — Você por acaso acredita que pessoas do Brooklyn não podem vir até Manhattan? — Seus olhos voltaram para os meus, então seu sorriso se transformou em um debochado. — Bom, provavelmente não conhece uma invenção muito útil para a modernidade, se chama metrô, ele é como um trem, mas anda debaixo da terra e leva os pobres mortais de um lado para o outro da cidade, senhorita Higginbotham.

Eu o encarei, sem conseguir acreditar que aquele vocalista idiota estava mesmo gozando com a minha cara. Óbvio que eu sabia o que era a porra de um metrô, sim, nunca tinha andado num lixo como aquele, não queria contrair qualquer doença naquele esgoto.

— Eu sei o que é um metrô — falei entre dentes.

— Ótimo, eu estava pensando que iria precisar lhe explicar sobre todo o conceito da coisa. — Edward suspendeu as mangas da camisa que usava, deixando amostra tatuagens em seus pulsos, em um era uma data, no outro a inscrição sem medo. Olhei curiosa para aquela, distraindo-me de toda sua fala estúpida sobre metrôs e ele tentando me fazer assumir o papel de burra. — Perdeu algo aqui? — Ele voltou a abaixar as mangas, voltei a atenção para seu rosto, o vendo irritado.

— Não, eu...

— Clary! — Edward me cortou, virando seu rosto na direção do lago. — Nem pense em fazer isso, afaste-se — ordenou para uma menina que tinha os mesmos cabelos acobreados que ele, que estava perto demais da borda do lago, brincando com pedrinhas que tinha ali.

— Ah, você é um pai? — eu perguntei, perplexa ao ver a semelhança entre ele e a garota que estava caminhando até ele. Edward não parecia tão velho assim para ser pai, mas eu não duvidava que poderia ser, as taxas de gravidez na adolescência não eram mesmo baixas, deveriam ser ainda mais altas de onde Edward vinha.

— Por Deus, não! — Edward exclamou fazendo uma careta. — Ela é minha irmã, tire sua mente disso.

— Hey Eddye, eu estava só catando pedrinhas para minha coleção — a garota anunciou ao se aproximar de onde estávamos, sua voz fina era terrivelmente irritante, como a de qualquer outra criança. E quem tinha coleções de pedra que não eram preciosas? — Olha, eu encontrei esta, parecem a cor dos olhos do papai. — Mostrou ao irmão, Edward repetiu a careta anterior, mas forçou um sorriso para a irmã logo em seguida. — Quem é você? — ela me perguntou olhando-me com curiosidade. — É a namorada do Edward? — A garota abriu um grande sorriso para mim.

— Eu não estou louco para namorá-la — Edward resmungou.

— Bem que você gostaria. — Sorri para ele, que não pareceu nada desconcertado com meu sorriso doce. Meu sorriso perfeito, o sorriso que fez com que Jacob caísse aos meus pés no instante que nos conhecemos, aquilo era errado, Edward não deveria ser imune a mim, ninguém era.

— Você é muito bonita! — a garotinha exclamou para mim.

— Claro que sou! — exclamei de volta, não tinha duvida alguma sobre isso.

— Eu sou Clarisse, mas eu gosto que me chamem de Clary — a garota disse. — Você quer uma pedrinha, moça? — Estendeu uma azulada para mim. — Ela se parece com seus olhos, são muito azuis!

Olhei horrorizada para sua mão suja de terra, eu com certeza não tocaria ali, propensa a pegar mil tipos de germes diferentes. Além do mais, o que diabos faria com uma maldita pedra imunda?

Edward se moveu, ficando ao meu lado, falando muito perto do meu ouvido.

— Apenas aceite a pedra, pode jogá-la fora assim que se afastar.

Engoli em seco, ele não devia estar tão perto, com certeza não. E me dar ordens para aceitar a porcaria de uma pedra? Aquilo era um absurdo.

— Por que eu deveria? — Movi meu rosto na direção do seu, podendo sentir sua respiração, ele devia ter comido algo envolvendo chocolate antes. Era tão doce, eu podia imaginar o gosto, mas queria chegar mais perto e tocar seus lábios com os meus para sentir direto da fonte.

— Porque é o certo a se fazer. — Edward prendeu uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, o sorriso torto voltando a invadir seu rosto. — E você fará o certo, não Isabella?

— Bella — murmurei, vendo duvida em seus olhos verdes. — Todos me chamam de Bella. — Afastei-me dele, voltando a olhar para Clary, Clarisse, ou sabe-se lá como chamavam aquela garota, que não parecia ter notado o irmão dela me dando ordens que eu não deveria, nem queria seguir.

Porém, como se estivesse fora de mim, estendi minha mão até a de Clary, pegando a pedra azul ali, a enfiando no fundo da bolsa com meus materiais de pintura. Minha mão tinha ficado suja com a terra da pedra, então sem me importar, limpei na camisa escura de Edward, que me encarou enquanto minha mão se esfregava em suas costas. Costas largas, assim como seus ombros.

— Você quer outra? — Clary perguntou entusiasmada para mim, mostrando as outras pedrinhas que tinha ali.

— Com certeza não — afirmei. — Até nunca mais, Edward! — exclamei para ele, seguindo até um lugar afastado para poder pintar em paz, me recusando a olhá-lo por mais um segundo que fosse.

Eu estava terminando de montar tudo para pintar, quando Edward apareceu do meu lado.

— Você não deveria estar com sua irmã? E pelo que me lembro acabei de dizer que não queria o ver mais.

— Abaixe a bola, Higginbotham — ele mandou.

Sério, quem ele pensava que era para poder mandar em mim sobre qualquer coisa?

— Você... — Ele me cortou.

— Clary voltou a brincar e só vim até aqui agradecer por ter aceitado a bendita pedra. Clarisse ia ficar muito triste se você não aceitasse o presente dela, então obrigado por isso e agora pode se desfazer do presente sem magoá-la.

— Sua irmã tem gostos muito duvidosos — falei, agachando-me no chão para pegar um dos pinceis na bolsa, vendo a pedra ali, a tirei, deixando-a cair no meio da grama do Central Park, livrando-me daquela coisa horrorosa.

— Ela é uma criança. — Edward bufou. — Você nunca cole...Esquece, claro que nunca colecionou pedras — ele se interrompeu a ver meu olhar para sua fala idiota.

— Eu coleciono, na verdade. — Dei de ombros. — Lindas, limpas e caras pedras vindas diretamente da Tiffany — brinquei, mas Edward não riu, apenas me olhou como se eu fosse retardada ou coisa assim. O que deixou meu rosto vermelho de raiva.

— Então, você compra suas joias da Tiffany com dinheiro de obras falsificadas? — Apontou para o quadro ainda pela metade que estava pintando aquela semana, era uma réplica do Noite Estrelada de Van Gogh.

— Você conhece Van Gogh? — perguntei surpresa, a maioria daquelas pessoas no Central Park aquela manhã nunca saberia reconhecer uma obra de Van Gogh, provavelmente nem saberia nada sobre o próprio.

— Eu não sei o que você exatamente pensa sobre as pessoas fora do seu mundinho brilhante da Tiffany, Isabella, mas eu não sou um idiota, claro que conheço Van Gogh. Precisa de mais do que isso? — Seu sorriso debochado voltou. — Você está pintando Noite Estrelada, que está em exposição permanente no Museu de Arte Moderna aqui em New York. O que mais precisa saber? Eu li uma biografia de Van Gogh, então pode demorar, talvez saiba mais do que você, Bonequinha de Luxo.

— Você me chamou de Bonequinha de Luxo? — indaguei indignada, morrendo de vontade de enfiar o pincel na minha mão na garganta de Edward. Ele realmente estava me colocando como a protagonista do filme? A instável, pobre e acompanhante de luxo de homens daquele filme de Audrey Hepburn?

— Sim. — Piscou para mim, começando a se afastar. — Ah, se eu fosse você recomeçaria a pintura, Clary faz isso melhor do que você e só é uma garotinha que coleciona pedras sujas do Central Park. — Eu inspirei fundo, morrendo de ódio daquele ruivo. — Até nunca mais, Bonequinha de Luxo.

***

Minha manhã de pintura no Central Park durou quase nada, cerca de meia hora depois, eu já desistia e deixava o parque. Para alivio dos meus nervos, Edward ou sua irmã na estavam a vista quando deixei meu lugar, indo pegar um táxi até o apartamento de Alice, para que pudesse pegar as chaves da minha Ferrari que ficaram em seu quarto na noite passada.

— Ei, eu pensei que você não ia falar comigo tão cedo — Alice disse quando cheguei ao seu quarto, depois de ter minha passagem liberada, como se eu ainda precisasse de liberação para estar em qualquer lugar, tudo que precisava dizer era meu sobrenome, se isso não funcionasse de primeira era só completar e contar de quem era neta.

— Eu não deveria, foi tudo ridículo — Revirei sua mesinha de estudos, achando minha chaves ali, então buscando minha bolsa no closet de Alice. — Conte-me, você finalmente fodeu com o instrutor? — perguntei voltando ao quarto, Alice estava sentada a sua penteadeira aplicando uma mascara no rosto.

— Agradeceria senão o chamasse assim, é como se estivesse o xingando.

Sim, era exatamente isso. Soava melhor do que chamá-los de nomes mais pesados, isso até queria dizer que eu estava sendo uma boa pessoa em relação ao instrutor.

— Vá direto ao ponto, ele ao menos fode bem? — perguntei, remexendo sua maleta de batons, roubando o que tinha usado na noite passada, que eu tinha quase certeza ser meu e ter deixado no apartamento dela em outra ocasião.

— Nós não chegamos ao sexo, Bella — Alice falou, aplicando mais uma camada de máscara em seu rosto.

— Por quê? Você chegou ao loft dele e caiu na real? Que o cara não tem futuro nenhum e que nem o sexo valeria a pena? — Alice bateu o pote com seu produto dermatológico na mesinha da penteadeira, fazendo com que eu me sobressaltasse de susto.

— Chega, Isabella! — Alice exclamou, falando séria, mas era difícil demais não rir com a cara dela toda pintada de verde como estava naquele momento.

— É, chega, por quê? — Eu sorri, quase explodindo em uma gargalhada.

— Pare com isso. — Alice cruzou os braços na frente do corpo. — Pare de agir como uma perfeita vadia, apesar de ser uma, não precisa ser uma comigo. Eu gosto de Jasper, de verdade, agradeceria se você o respeitasse, pois é minha melhor amiga, seria muito bom que os dois se dessem bem.

Foi impossível não rir daquela vez, alto, fazendo Alice mesmo por trás da máscara verde me olhar com raiva.

— Sério, Alice? Você quer que eu seja amiguinha de Jasper, o instrutor? Onde você pensa que “relacionamento” com esse cara morto de fome vai acabar? Em casamento, abra seus olhos, você nunca deixará o Upper East Side para virar esposa de um cara como aquele. — Ri ainda mais. — Faça-me o favor, vocês terão um mês de sexo, até você o chutar.

— Vá embora. — Alice apontou para a porta do quarto.

— O quê? — perguntei, parando de rir.

— Você ouviu o que eu disse. — Ela foi até a porta, a escancarando. — Saia, Isabella.

— Eu sou sua melhor amiga, você não pode me mandar embora! — Gritei. — Eu te transformei no que é hoje, antes de mim era só uma garotinha virginal burra, me deve muita coisa, Alice Cullen.

— Saia — Alice repetiu, gesticulando para fora do quarto. — Você é sim minha melhor amiga, Isabella. Eu só não consigo lembrar o motivo que me fez torná-la isso, já que você apenas enxerga a si mesma e tudo que é de seu interesse. Volte quando estiver disposta a ser uma amiga de verdade.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 10.12.16