Sob a luz das estrelas
5 Rodovia 49...
Quando se é adolescente, você implora para chegar logo a vida adulta, pois sonha que uma vida de aventuras lhe espera. Infelizmente, a realidade é outra, você sai debaixo das azas de seus pais e dá um duro danado para achar um emprego para se manter vivo. Você percebe que seu primeiro amor não passou de tolices e ilusões, então acaba se casando com um babaca metido e preguiçoso, onde a única coisa que o cara sabe fazer é sair transando com outras mulheres pelas suas costas. Quando você percebe, os dois já estão metidos em um círculo vicioso sobre quem se importa menos com seu parceiro, e o divórcio? Não vai passar de apenas mais um papel guardado no fundo de uma de suas gavetas, pois seu casamento de fachada nunca teve importância. Mas sabe o que é o pior de tudo? É que sempre um dos lados sai perdendo, e nesse caso foi Catherine, pois ela jogou sete anos de sua vida no lixo ao lado de Eddie.
Já fazia quatorze anos desde que ela havia saído de New Orleans e casado com Eddie, Catherine fez isso apenas por ele ser amigo de seu pai, ela achou que se cassasse com um cara bonitão e bom de papo, ela esqueceria seu primeiro e único amor. Mas isso não aconteceu, jamais se pode apagar um amor, e muito menos esquecer aqueles lindos olhos verdes.
Louis foi o único homem que Catherine amou, ela o esperou voltar durante dois anos, mas quando o vento da primavera de 2003 voltou sozinho, sem um único aroma familiar, suas últimas esperanças foram esmagadas, como um inseto desprezível. Quando ela completara 18 anos, seus pais resolveram se mudar para Las Vegas, Cath conheceu Eddie e casou-se com ele no ano seguinte.
Agora era verão de 2017, as coisas estavam diferentes. Aquela noite de quarta feira estava quente e o turno havia sido difícil, Catherine, Grissom e Nick voltavam pela rodovia 49 após saírem de uma cena de crime. O som da velha Chevrolet azul escuro de Grissom, reproduzia as notas altas de Jet’s Are you gonna be my girl.
— E então Nick, como é mesmo o nome da sua nova namorada? – Perguntou a loira.
— Ela não é minha namorada, só estamos saindo, o nome dela é Kith, mas todos a chamam de Kiki.
— Tem certeza que ela não é uma prostituta ou um travestir? – Grissom sorriu com a pergunta da amiga.
— Claro que tenho.
— Ah é? Então quantos encontros vocês já tiveram ao todo e não vale pela webcam? – Brincou.
— Dois. – Ela o olhou com severidade. – Tá, tá, foi apenas um, mas com o de hoje à noite serão dois!
— Qual o sobrenome dela?
— Não sei.
— Qual o tamanho dos seios?
— O que... isso é realmente necessário?
— Sim.
— Certo, eles são grandes.
— Grandes em que aspecto? Grandes razoáveis, grandes medianos, ou extra grandes?
— O que?
— Não faça rodeios e responda. – Nick se remexeu no banco.
— Grandes medianos.
— Qual o tamanho do pé?
— Mas que... – Cath ergueu uma sobrancelha o intimidando. – 37 eu acho.
— Boas notícias cowboy, sua garota não é um rapaz, mas sugiro que não tire os olhos de sua carteira por um único segundo. – Grissom não conseguiu se conter, suas risadas foram espontâneas e incontroláveis.
— Qual é Grissom?
— Desculpe. – Respondeu tentando se conter. – Mas Catherine tem razão.
— Como pode dizer que ela tem razão se você nem mesmo tem experiência com mulheres!
— Posso até não ter MUITA experiência com mulheres, mas eu sempre fico de olhos abertos.
— Vocês dois são terríveis.
— Ei rapazes, o que é aquilo? – Algo um pouco à frente na estrada chamou a atenção de Catherine.
— Parece... parece com os piscas acionados de algum veículo.
Grissom encostou o carro no acostamento e os três saltaram do veículo se direcionando até a proteção de metal na borda do enorme penhasco.
— Acham que foi um acidente? – Nick reparou na proteção rompida.
— É o que vamos descobrir. – Grissom apanhou a lanterna no bolso e jogou seu facho na escuridão daquele penhasco, a luz incidiu sobre um automóvel, revelando o corpo ensanguentado de alguém em seu interior. – Droga, é uma viatura do departamento.
— Grissom precisamos fazer algo, o motorista ainda pode estar vivo. – Nick correu até o carro e apanhou o rádio.
— Central aqui é o investigador Stokes, preciso de ajuda na Rodovia 49, uma de nossas viaturas está caída no penhasco, o motorista ainda está dentro.
— Entendido investigador Stokes, aguarde o resgate.
— O socorro está a caminho! – Exclamou para Grissom e Catherine.
— Gil, veja aquilo! – Cath jogou o facho da lanterna por todo o perímetro onde o carro se encontrava.- A viatura está sendo sustentada apenas por algumas arvores. Elas não vão aguentar por muito tempo.
— Tem razão, o resgate não chegará a tempo, precisamos tira-lo dali. – Grissom correu até o carro.
— Ei o que vão fazer? – Nick preguntou a Grissom quando o mesmo voltou carregando uma corda.
— Precisamos tirar aquele homem de lá.
— Mas e se ele não estiver mais vivo? Só estaríamos nos arriscando.
— Nós não podemos saber, mas precisamos tentar, não podemos deixa-lo morrer se ainda estiver vivo. Por isso eu preciso que amarre uma das pontas da corda em você e desça até lá.
— Tem razão, não podemos deixa-lo morrer se ainda estiver vivo.
— Amarrarei a outra ponta no carro e eu os puxarei quando prendê-lo a você na corda.
— Certo. – Grissom voltou até o carro.
— Nick espere, aquelas arvores estão suportando apenas uma quantidade determinada de peso, se descer até lá, elas poderão ceder e assim nossos esforços serão em vão.
— E o que sugere que façamos? Estamos correndo contra o tempo Cath.
— Eu sugiro que eu desça em seu lugar!
— Nem pensar.
— Nick não estou brincando, você pesa o que? 84kg? – Ele assenti. – Eu peso menos do que você, é questão de logica cowboy, se eu descer até lá, será mais provável que as arvores não cedam com meu peso, do que com o seu.
— Já disse que você não vai descer até lá, se algo lhe acontecer, Grissom me matará!
— Nick, estamos com a vida de um dos nossos policiais em mãos! – Ele não pareceu muito convencido com seu argumento. – Está bem, então tentaremos a sorte, se eu ganhar eu vou, se você ganhar, você vai. – Ela estava desesperada
— E se você não conseguir o que irei dizer ao Grissom?
— Diga-o que eu venci você na sorte, por isso eu fui no seu lugar!
— Bela resposta Cath, mas estou fora.
— Nick por favor, prometo que se me deixar descer até lá arranjo um encontro com uma de minhas amigas.
— Qual delas
— Nancy, posso lhe garantir que ela não é prostituta e nem um travestir, mais tem os seios EXTRA GRANDES! – Ele hesitou por alguns segundos.
— Certo, se ganhar de mim na sorte a deixarei descer e você me arranjará um encontro com Nancy, mas se eu ganhar você ficará paradinha aqui. – Ela assentiu, os dois sacudiram as mãos e em seguida colocaram o jogo a mostra. Nick havia posto tesoura e a loira pedra.
— Muito bem passe a corda para cá. – Ele a entregou de mal gosto. Após envolver a corda em sua cintura ele fez um laço bem forte para que Catherine não pudesse se soltar.
O tempo estava passando, Catherine desceu rapidamente, parando sobre a parte lateral do carro, de onde o motorista se encontrava. A loira pôs dois dedos sobre a artéria carótida do homem e checou seu pulso, a pulsação estava fraca, mas ele ainda estava vivo, ela precisava tira-lo de lá. Catherine pôs um pouco de força para que a porta pudesse ser aberta e depois de tentar algumas vezes, ela finalmente conseguiu, ela passou o restante da corda envolta da cintura do homem e a amarrou forte. Todas aquelas arvores estavam segurando veículo por uma simples fração de peso, bastou um simples paço em falso, para que tudo fosse penhasco a baixo.
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