Sob a luz das estrelas
16 Capítulo 16: Ever After
Notas iniciais
Bem quando você acha que sabe o que dizer. Alguém vem só e mostra-lhe uma nova forma- Something that i want- Grace Potter
Eugene seguiu Joe escadas acima. O tamanho do castelo começava a oprimi-lo. Ele não deveria perder sequer um segundo com gente que o abandonou. Mas Joe fora firme em seus argumentos e ele cedeu.
Repassava as coisas que aconteceram em sua vida nos últimos meses. Se escondeu numa torre, foi coagido por uma linda jovem de cabelos esquisitos. Viveram aventuras e uma experiência de quase morte dentro daquela caverna. Se apaixonou por ela, vendeu a coroa, mas desistiu de seu sonho vazio por ela. E Rapunzel, céus! Rapunzel era o sol em sua vida escura, mas vinha com o pacote de problemas. Tinha cabelos mágicos, culpados por fazê-la cativa de uma mulher obcecada por sua juventude. Essa mulher fingiu ser mãe dela, tinha centenas de anos e só estava viva por causa dos cabelos.
Ele e Rapunzel se entregaram numa paixão que deixou sua vida de cabeça para baixo, eles fugiram e as loucuras não pararam por aí. Ele correu para salvá-la. Levou uma facada quase no coração, ficou cego, sentiu-se morrer e mais, deixou-se morrer por ela e então voltou a vida por causa de uma lágrima mágica! Para completar todo o frenesi que viveram Rapunzel estava grávida, era a princesa perdida e ele o filho bastardo de um conde. Era demais para sua mente processar.
Os planos de sua vida ruindo em menos de um dia. Ele deveria saber que as coisas não seriam simples com ela. E pensar que há meses ele só queria ficar rico e fugir de Corona.
Joe abriu uma porta grande de madeira e ele se viu no mesmo escritório que esteve um pouco antes do almoço. Um nó se formou na garganta. Tantas coisas tinham acontecido num período de cinco horas que parecia ter se passado uma vida desde que esteve ali. Não conseguiu processar a gritaria que ouviu do lado de dentro. Tudo cessou quando as portas abriram. Seu coração bateu mais fraco durante um segundo, só para voltar acelerado. Sentia as mãos frias e o rosto quente e o nó na garganta persistia, sendo acompanhado de um frio horrível no estomago. Eugene queria sair correndo dali com mais vontade do que fugiu dos guardas. Entrou lentamente e viu uma mulher sentada na poltrona, ao lado dela um senhor estava em pé. A senhora se levantou e o encarou de olhos marejados. Não era o mesmo olhar que Eugene tinha visto na rainha ao encarar Rapunzel. Era mais como se ela visse um fantasma. Ela levou à mão a boca, estava trêmula, soltou um suspiro sofrido e continuou olhando-o com espanto e choque:
–Harryson...- Sussurrou espantada e se aproximou. Eugene franziu o cenho e desviou os olhos da mulher encarando o homem que ainda estava paralisado no mesmo local. Ao observá-lo não teve dúvidas. Era seu pai. Eram tão iguais que chegava a ser ridículo. A única diferença era que o homem a sua frente tinha um corte de cabelo burguês, roupas caras e o rosto limpo de barba. Mas estava tudo ali. A semelhança nítida. Tão óbvio.
– V-vocês...-A mulher voltou a falar e Eugene a encarou. Ela era miúda, cabelos loiros escuros, olheiras e rosto pintado de tanto chorar. Tinha um nariz empinado e apesar da idade ainda era atraente. Ela parecia derrotada, o penteado saindo do lugar, o vestido amarrotado e as unhas roídas. — Vocês são idênticos. – Ele não esboçou reação nenhuma. Continuava olhando para os mais velhos com indiferença. Por dentro queria gritar. Queria chacoalhar a mulher a sua frente e dar um soco naquele homem de pose arrogante. Queria socar aquele homem até não se parecerem mais porque era muito cruel que fossem tão parecidos. – Eugene... É seu nome, não é? Eugene...
–Fitzherbert.- Finalmente falou. A mulher a sua frente soluçou e rompeu num pranto sentido.
–Eugene. Meu pequeno Eugene.- Ela se aproximou pronta para tocá-lo no rosto, mas ele desviou e cruzou os braços, olhando-os com rancor- Queria tanto saber se está bem. Se está...
–Agora vocês sabem. Se me dão licença.
–Espere.- O homem pediu. Eugene revirou os olhos- Eu gostaria de me apresentar. Sou Harryson Eugene Sach.
–Conde Sach. Eu sei. Agora se...
–Seu pai.- Ele murmurou e se aproximou, estava nitidamente chocado- Mas eu...Todos esses anos não sabia que estava vivo.- Eugene o olhou de maneira cética e franziu os lábios com nojo:
–Olha.- Suspirou e olhou-os com desprezo- Eu gostaria de dizer que foi um prazer finalmente conhecê-los, mas não escolheram o melhor momento para terem essa conversa. – Estava esgotado com tantas informações novas e reviravoltas
–Eugene...- A pessoa que ele deveria chamar de mãe o chamou esticando a mão- Não podemos conver....
– Façam o seguinte. – Interrompeu-a bruscamente- Daqui 26 anos vocês reaparecem. Talvez eu esteja preparado para falar caso estejam vivos. Afinal foi tão fácil largar um recém nascido a própria sorte.- Riu debochado- Vai ser muito mais fácil fazer isso com um homem sem vínculo algum com vocês a não ser o maldito sangue. Que cá entre nós, não significa nada aqui. Passar bem.- Saiu andando e segurou a maçaneta. Estava trancada- Joe!- Gritou sentindo o controle ir embora:
–Só vai sair daí depois de conversarem.- Ouviu a voz abafada da jovem gritar.
–Pare de bancar a vadia intrometida!- Gritou querendo que ela se ofendesse e abrisse a porta pronta para brigar.
–Não vai dar certo seu patife arrogante!- Ela devolveu irritada. Eugene socou a porta e ficou ali, encarando a madeira. Após alguns minutos sentiu uma mão em seu ombro. Virou e encarou a mulher a sua frente:
–O que você quer?- Alexandra não controlou o tremer de lábios com o tratamento dele. Os olhos dela encheram de água e a mulher assentiu derrotada.
–Queremos nos explicar.- Harryson murmurou. Eugene assentiu.
–Ok. Comecem. – Sentou na poltrona que antes estava ocupada por Alexandra.
–Eugene...- Alexandra cruzou os braços e o olhou prestes a explodir em lágrimas.- Eu sei que na-nada do que falar ou fizer s-será des-desculpa...Mas...- Suspirou chorosa- Seu pai e eu nos apaixonamos quando éramos muito jovens. Ele estava prometido à outra pessoa, mas nos envolvemos mesmo assim.- Olhou-o nos olhos e Eugene pode identificar culpa e vergonha. Aquela mulher parecia destruída- Eu fiquei grávida, mas... Ele não podia acabar com o compromisso. –Lançou um olhar magoado a Harryson- Tinha muita coisa em jogo. Minha mãe me tiraria de Corona para que não descobrissem, mas ela não queria...Não queria...-Olhou-o com tristeza e dor-Ela não queria você.- E ao terminar aquela frase debulhou-se em lágrimas. Tentava falar em meio aos soluços. Quando conseguiu se acalmar o olhou com culpa e o falou com a voz embargada- Eu era jovem, imatura, não tinha o que fazer, não teria como te criar direito, não queria que crescesse sendo apontado como bastardo do reino.- Eugene engoliu os muitos insultos que teria- Então a melhor opção foi te doar para o orfanato... Foi te proteger desses boatos. – Falou num sussurro choroso e depois aumentou o tom de voz — Eu estava disposta a voltar. Eu juro que estava.- O olhou com súplica- Mas não consegui.- Sussurrou. O descontrole preocupava Harryson e irritava Eugene- 16 anos depois eu voltei, disposta a te encontrar caso não tivesse uma nova família, mas você tinha fugido de lá e nunca mais soube nada. – Alexandra respirou profundamente tentando buscar controle, mas ao fazer isso o pranto ameaçou voltar- M-me perdoa.- Ajoelhou-se na frente dele e o olhou com súplica- Eu não dormi em paz nenhum dia de minha vida depois de te deixar lá. Eu não sabia o que fazer e...- Eugene engoliu em seco ao sentir as mãos dela nas suas. Seu coração deu um salto fraco. Não por saber que ela era sua mãe, mas pela compaixão ao ver qualquer pessoa numa situação daquelas.
–Por favor, se acalme. – Pediu num tom de voz neutro.
–E em minha defesa...-Harryson suspirou- Eu não sabia que estava no orfanato.- O moreno virou a cabeça e olhou para seu “pai” com incredulidade:
–O que?- Riu sarcástico — Não tem um pingo de sensibilidade?- Apontou para Alexandra. Harryson optou por ignorar aquele comentário e continuou com sua explicação.
– Quando encontrei Alexandra ela já estava casada e ao me dizer o que fez eu entendi que você não tinha sobrevivido ao parto.- Eugene voltou a olhar para a mulher.- Pensei que tinha nascido morto. Não sabia de nada até Joe nos contar suas suspeitas. E olhá-lo agora confirmou tudo. Não há dúvidas. É meu filho. Eu e sua mãe queremos recomeçar, queremos...- Eugene suspirou e esfregou o rosto com as mãos. Harryson Sach parecia ter decorado uma fala. Não dizia aquelas desculpas com sinceridade. Era uma obrigação, obviamente uma que gostaria de ter se livrado.
–Escuta...-Ele desvencilhou-se de Alexandra delicadamente- que ainda estava ajoelhada e com as mãos no colo dele- e levantou da poltrona- Que motivos foram esses? Que motivos foram para que você não assumisse a mulher a qual estava apaixonado? E que motivos te fizeram abandonar o próprio filho?- Seu olhar correu de um para o outro. Alexandra levantou e cruzou os braços de um jeito protetor:
–Se eu não me casasse meu pai me deserdaria. Não teria dinheiro para te criar. Desonraria sua mãe...
–E quanto a mim Eugene, já disse, você seria rechaçado pelos outros. Seria uma paria. E eu não poderia te dar uma vida digna.-Sussurrou com vergonha.
–E como conseguiu seu título?- A mulher engoliu em seco- Eu sei como. Você se casou com um nobre inglês. Um filho nas suas saias te tiraria essa oportunidade. E agora está chorando, não porque se arrepende, mas porque foi descoberta.- Alexandra arfou- Quer saber?- Levantou e começou a andar de um lado para o outro.
– Eu passei a minha vida toda, até os meus 16 anos, ouvindo coisas bem cruéis. Não tive amigos porque até os pobres coitados do orfanato não queriam ser amigos de um bastardo. Me metia em brigas porque ouvia dos garotos que nem minha mãe me quis e me jogou lá. Feito um lixo! – Alexandra arfou e o olhou com culpa:
–Eugene.- Murmurou sentindo-se a pior pessoa do mundo- Eu...-Segurou os braços dele e o fez olhar- Eu sinto muito. Eu sei que o que fiz não tem perdão, que não há justificativas.- Suspirou- Eu só...Pensei que estava fazendo o certo quando te deixei. Te amava tanto que pensei que faria o melhor me afastando. Eu não tinha onde ficar eu...
–Olha senhora...
–Alexandra. Pode me chamar de Alexandra.
–Ok Alexandra. – Olhou-a e sentiu que podia romper em lágrimas a qualquer segundo- Minha noiva está grávida.- A mulher arfou e soltou os braços dele para levar as mãos a boca- Eu sou um ladrão procurado. Mesmo que eu esteja disposto a deixar essa vida duvido que os guardas de Corona e Arendelle acreditem. – Ela assentiu- O dinheiro que tenho nos daria segurança de um ano apenas. Não tínhamos nada até umas horas atrás. Não tínhamos nomes importantes, gente que nos ajudasse e nem empregos. Mas em nenhum momento passou por minha mente ou dela de abandonar nosso filho. Por mais dificuldade que pudéssemos passar. Nós sabíamos que seria bem pior se ele fosse abandonado por nós. E olha só.- Ele riu sarcástico- Nós também não planejamos a gravidez, mas ao invés de sair correndo e abandonar a mulher que amo.- Encarou o homem e depois olhou novamente para a mulher- Eu fiquei. Por que nada justifica abandonar o próprio filho. Entende?- Ambos assentiram, a culpa estampada no rosto dos mais velhos:
–Eugene, eu sinto muito. Eu só gostaria de poder concertar as coisas.- Alexandra murmurou sentindo-se a pior pessoa do mundo.
–Eu gostaria que minha noiva não fosse a princesa perdida. Podemos mudar essa verdade?- Alexandre negou enquanto deixava lágrimas escaparem- Então nos entendemos. Pode me emprestar seu grampo?- A mulher o olhou confusa e assentiu enquanto retirava o acessório de cabelo. Entregou o grampo a Eugene. O moreno andou até a porta e se concentrou em abrir a fechadura. Conseguiu e saiu dali. Joe o olhava com surpresa, mas não se atreveu a importuná-lo.
_________Tangled________
–Então ele voltou a vida.- Rapunzel terminou num suspiro. O casal a sua frente a olhava com choque. Como se não conseguissem acreditar na história que tinham ouvido- Eu posso provar se for preciso. Posso levá-los até a torre. Embora não queira voltar lá.
–Nós acreditamos em você querida. – Eleonor sussurrou e esticou a mão tocando a dela. Sorriu para a filha- E nunca pensei que diria isso, mas estamos gratos a Rider por...
–Eugene.
–Estamos gratos a Eugene por roubar aquela coroa. –Concertou num tom amável- Ele te tirou daquela torre e te protegeu do pior.
–Ele morreu por mim.- Salientou após o comentário da mãe.
–Sim. Ele morreu por você.- A mulher sorriu- E graças a deus está conosco.- Suspirou chorosa- Eu sei que é muito para você processar.
–Acredito que para vocês também.- A jovem comentou num tom tímido e deu de ombros, prestes a puxar uma mecha de cabelo, mas lembrou que não o tinha mais.
–Estou feliz que nada de grave tenha acontecido a Eugene.- E Rapunzel sentiu sinceridade na voz dela. Sorriu com mais confiança ao encarar a mãe.
–Rapunzel.- Frederic chamou sorrindo ternamente- Eu entendo o que aconteceu. Entendo a importância de Rider para você. Mas não podemos ignorar os crimes que ele cometeu além do roubo da coroa.- Rapunzel baixou os olhos- Entende o que quero dizer?
–Sim. Eu entendo, mas...- Encarou-os com pesar- Não posso ficar com vocês. Irei embora.-E estava chorosa ao anunciar aquilo. Eleonor e Frederic perderam o chão e Rapunzel sentiu-se mal por dizer tais palavras.
–Não quer ficar conosco?- Eleonor perguntou desolada. A jovem engoliu em seco e sentiu os olhos marejarem.
–Eu quero. Muito. Saber que tenho pais de verdade me deixa muito feliz, mas...- Baixou o olhar e suspirou- Estou grávida.- A rainha arfou- Não posso ficar longe de Eugene. Eu o amo e o quero participando da minha vida, que ele possa ver o filho crescer. Tudo que vivemos...Eu não posso deixá-lo ir depois que ele abriu mão de tudo que era e conhecia por mim. Eu o amo.- Olhou nos olhos da mãe que estavam marejados iguais aos seus- Eu entendo...-Encarou o pai que a olhava com apreensão- Entendo seu ponto. Sei que isso não seria tão correto, mas... Flynn Rider cometeu muitos erros. Mas Eugene Fitzherbert é um homem diferente.
–Você está grávida?- O rei perguntou. Parecia meio zonzo com aquela informação. Rapunzel assentiu e encostou-se mais ao encosto do sofá. Sentia tontura e um pouco de sono. Não percebeu sua mãe saindo de seu lugar e sentando ao seu lado
– Querida, está tudo bem?
–Sim.- Assentiu abrindo os olhos e vendo-os preocupados- Por favor, podem chamar Eugene? Foi tanta loucura hoje...Eu preciso dele perto de mim.
–Sim. Claro.- Frederic andou até a porta e cochichou com um dos guardas. Depois voltou.
–Filha, está com fome? Com sede? Quer algo? Em seu estado não é bom...- Rapunzel tentou sorrir, mas sentia-se um pouco indisposta. Há horas não comia nada e sua garganta estava seca. Nunca tinha se sentido fraca antes devido a mágica do cabelo. Suspeitava de que não tinha tido sintomas de gravidez pelo mesmo motivo. Agora, no entanto.
–Água, por favor.- Sentiu a mão de sua mãe acariciar a sua com carinho. Ela olhou para a mulher. Nunca tinha visto aquele olhar de Gothel, nunca tinha recebido um carinho que não fosse direcionado ao seu cabelo. Estava emocionada, mas ainda assim estranhando tudo. Viu Eugene andar vagarosamente até si e ajoelhar. Eleonor deu-lhe espaço e Rapunzel sorriu fracamente ao sentir as mãos dele nas suas:
–Hey Goldie.- Sussurrou e beijou-lhe as mãos- Está passando mal?- A rainha levou a mão ao peito enquanto os olhava com um sorriso discreto e choroso. O jeito que aquele ladrão olhava para sua filha deixava claro o quanto a amava.
–Um pouquinho.- Jogou-se nos braços dele abraçando-o e enterrando o rosto no ombro — Não quero ficar longe de você depois de tudo que houve. – A voz saiu abafada. Ficaram quase um minuto inteiro abraçados. O corpo de Rapunzel tremeu num suspiro longo. Se afastaram lentamente e ele tocou o rosto dela com carinho:
–Eu não vou a lugar nenhum Goldie.- Sussurrou beijando-lhe a têmpora. Suspirou e se afastaram. Eugene levantou- Mas acho que precisam terminar de conversar...- Estava nitidamente deslocado. Eleonor se levantou e o encarou longamente:
–Eugene.- Chamou-o pelo nome- Obrigada.- Murmurou e se aproximou dele. O moreno estava preparado para muitas coisas, principalmente para ela começar o discurso do quanto ele era inadequado para a realeza, mas nunca se preparou para ser abraçado. E mais, ser abraçado com carinho. Como se realmente quisessem fazer aquilo- Seja bem vindo a nossa família querido.- E o homem sentiu-se realmente querido. Não como uma farpa que se expunha após muito tempo, incomodando. Não se sentiu desconfortável como se sentiu ao ver o olhar de desgosto de seu verdadeiro pai e o olhar chocado de sua verdadeira mãe por ter sido descoberta. Algo se rompeu dentro dele e emocionado, quase a beira de lágrimas, afastou-se da rainha e perguntou:
–N-não v-vão me mandar para longe dela?
–Claro que não.- Eleonor limpou a lágrima que ele derramou e nem tinha percebido- Que tipo de mãe eu seria fazendo isso a minha única filha?
–Embora...-Frederic se pronunciou- Eu deveria mandar cortar sua cabeça por ter roubado outras coisas da minha filha além da coroa.- Eleonor corou e Eugene engoliu em seco- Mas ao invés disso vamos preparar um casamento para o próximo mês.- Rapunzel os olhou emocionada:
–Posso chamar meus amigos? Do Snuggly Duckling?
–Onde você andou com a minha filha?- Frederic perguntou chocado e Eugene sorriu sem jeito dando de ombros.
____Tangled____
Rapunzel fazia as malas enquanto se perdia em pensamentos. Estava feliz, tinha passado mais três dias em Arendelle e arrumava as coisas para voltar. Uma grande festa era organizada em Corona para comemorar a volta da princesa perdida. Rapunzel sentia empolgação em todos os seus poros por pensar em ir a uma enorme festa e rever seus velhos amigos do pub.
Anna tinha acabado de sair de seu quarto e a morena ainda estava rindo com a conversa dela. Elas tinham se dado tão bem que não se desgrudaram. Eram primas e estavam se tornando grandes amigas. Eram muito parecidas. Infelizmente ela não pode conhecer tão bem sua outra prima, Elsa, que só apareceu nas refeições e não conversou com ninguém. Rapunzel achou-a triste. Mas em geral os moradores estavam felizes. Sua tia Natália era muito simpática e mais falante que sua mãe, as duas se davam muito bem. Seu pai e seu tio eram educados e bondosos. Não soube o que dizer do pai de Eugene já que ele tinha deixado Arendelle e não compartilhou nenhuma refeição com eles na sala de jantar.
Já Alexandra, Rapunzel não tivera a oportunidade de ouvir o lado dela da história, mas a mulher parecia ser amável e solicita. Rapunzel gostava de conversar com ela. A miúda condessa parecia extremamente culpada e arrependida e cada vez que Eugene a tratava formalmente ou a ignorava ela parecia morrer um pouco por dentro. Ele não a tratava mal, mas Rapunzel sabia mais do que ninguém que falsos tratamentos corteses eram os piores. Podia ver o quanto à mulher se esforçava para não invadir o espaço dele e também podia ver os olhos lacrimosos, estava sempre com uma expressão de choro. O que deixava a morena triste. Queria ver todos bem. Alexandra parecia ser muito amiga de sua mãe e aquilo a fez sentir esperança, com a convivência Eugene poderia perdoá-la.
Como gesto de mudança Alexandra parou de pressionar a sobrinha a se casar com o irmão de Eugene. Quanto a ele, Rapunzel reservava apenas curiosidade, ainda não sabia como ele era. Já sua amiga Joe tinha se retraído na própria concha depois de uma discussão acalorada com o capitão da guarda de Corona. Ela não quis falar com ninguém sobre aquilo. Pascal chiou tirando a loira de seus pensamentos:
–Eu sei. Max também está muito feliz.- Sorriu para o seu amigo mais antigo- As coisas foram bem intensas nos últimos tempos hã?- O bichinho assentiu. Ouviu uma batida na porta- Entre.- A maçaneta girou e Eugene entrou fechando a porta logo em seguida. Ajeitou a postura, andando de maneira teatral até ela. Estava cantarolando uma música- Hey...-Ela cumprimentou e ele continuou cantarolando enquanto se aproximava:
–Aqui Goldie.- Entregou-lhe uma flor roxa, muito parecida com as que enfeitaram seus longos cabelos no festival das lanternas. Rapunzel sorriu e arqueou as sobrancelhas quando ele a puxou e começou a rodar no quarto cantarolando algo que ela lembrava vagamente*. Segurou-lhe a mão e afez girar. Rapunzel riu quando voltou a encará-lo:
–Eugene.- Ela chamou sorrindo e ele a beijou. Rapunzel suspirou e abraçou-o quase deixando a flor cair. O moreno separou-se e a girou de novo.
–Hum, hum, hum...-Ele continuou cantarolando aquele ritmo que a deixava feliz sem entender o motivo- Estou com saudade da minha noiva...-Ainda usava o mesmo ritmo para a canção improvisada- Os pais dela me deixaram para fora do quarto, mesmo ela estando grávida...
–Será que é por que fomos imprudentes?- Ela cantou de volta incerta- E precisam evitar fofocas?
–Não vale.- Ele terminou a música com uma reclamação e a puxou para si- Você tem uma voz maravilhosa. Deveria cantar mais vezes.- Fez questão de colar todo corpo ao dela e juntar suas testas. A voz baixa e quase manhosa que usou fez a jovem suspirar.
–Pensei que não fosse de cantar ou gostar de música.- Provocou de volta passando as mãos pelos ombros e braços dele.
–E você acreditou?- Piscou-lhe um olho deixando-a quente por dentro. Rapunzel beijou-o de maneira entusiasmada e o moreno suspirou contra a boca macia:
–Eugene...-Ela se afastou e o encarou longamente- O que houve com Alexandra?- O homem ficou sério.
–Eu disse algumas verdades.
–Ela...Te explicou o que aconteceu?- O moreno assentiu.
–Mas não quero falar sobre isso. Não vai mudar nada mesmo. – Rapunzel o encarou seriamente e voltou para sua tarefa de arrumar a mala. Pascal correu e se empoleirou no ombro de Eugene:
–Hey amigo.- O moreno cumprimentou o pequeno camaleão que chiou em resposta- O que foi?- Questionou e Rapunzel o olhou com cuidado.
–Só que... Essa situação me incomoda. Você e sua mãe.
–Rapunzel!- Ele bufou- Essa mulher me abandonou. O que quer em? E aquele homem nem fez questão...
–Não estou falando do seu pai. Estou falando da pessoa que está nesse castelo mendigando seu afeto.
–Eu mendiguei muito mais o dela. Durante toda minha infância.
–Onde você estaria agora se ainda te julgassem pelos erros que cometeu?- Ele baixou o olhar- O que está feito não tem remédio.- Ela se aproximou e segurou o queixo dele fazendo-o olhar nos olhos dela- As pessoas fazem coisas das quais não tem noção da gravidade...-Suspirou- Apenas para se arrependerem futuramente. Ela já tem a culpa castigando-a o suficiente. Seja mais maleável.- Ele sentiu a garganta fechar num nó salgado.- Não estou exigindo que seja agora, ou daqui seis meses. Apenas...-Passou a mão pelo rosto dele- Abra seu coração e deixe que o tempo faça o resto.- Beijou-o carinhosamente.
–Obrigado Rapunzel.- Ele sussurrou colando a testa a dela- Por me ajudar a ser uma pessoa melhor.
Dois meses depois
Eugene deitou na cama extremamente macia e observou a luz suave que saia da suíte. Estava ansioso para ter sua garota de novo. O rei parecia quere vê-lo sofrer por ter adiantado as coisas com sua única filha, proibindo-os de dormirem juntos durante todos os preparativos do casamento. Que duraram dois meses inteiros. Durante esse tempo ele dormia numa ala do castelo e ela em outra, cheios de olhos cuidando para que não escapassem a noite. Não que não tenha tentando. Ele tentou e muito. E Rapunzel também, mas eram sempre flagrados. E de dia estavam sempre com todos. Suspirou pensando nos últimos meses. Sua relação com Alexandra ainda era distante, mas ele começava a aceitar a mulher em seu coração. Principalmente porque Rapunzel se dava bem com ela...E com todos do reino.
Sorriu quando Rapunzel saiu da suíte vestindo uma camisola branca e nupcial. Ela andou até a janela enorme o olhou com um sorriso tímido. Passou a mão pelo cabelo como se fosse puxar a enorme trança para frente. Ficou nitidamente sem jeito quando lembrou que não tinha mais 70 pés de cabelos loiros. Ele levantou, sentindo o corpo esquentar com a transparência do tecido dela. Ainda era inverno, mas o quarto deles estava quentinho devido à lareira, o que lhe dava o privilégio de estar sem camisa ou calças, apenas com a roupa debaixo. Em Corona nunca fazia tanto frio quanto em Arendelle ou no velho mundo. Eles eram o reino do sol afinal. Se aproximou abraçando-a por trás e colocando seu corpo ao dela. Apoiou o queixo no ombro pintado de sardas e ouviu-a suspirar feliz. Eugene já podia ver o ventre dela redondinho. Uma pequena bolinha, que confirmava o que estava acontecendo:
–Ainda quero saber como Pascal e Max ficaram naquele estado.- A morena sussurrou olhando para o céu- Cheios de piche e Max...-Ela riu e sentiu os braços dele lhe rodearem- Com um vestido rosa!
–Isso foi mais anormal do que eu voltar subitamente a vida.- Os dois riram. Rapunzel lançou um olhar de esguelha para o peito nu dele e suspirou, sentindo-se extremamente arrepiada- Mas eles conseguiram sumir com o bolo também.
–E estragaram boa parte da festa.- Os dois começaram a rir- Papai ficou furioso com eles.
–Eu gostei. Escapamos mais cedo.- Eugene também estava aliviado que Pascal não estivesse com eles naquele momento. Sorriu discretamente e deslizou os lábios até a pele do pescoço dela. Desceu os beijos de maneira sedutora para os ombros, só para subir logo em seguida para a orelha:
–Eugene.- Ela murmurou no meio de um suspiro e apontou para o céu. O moreno sorriu ao conseguir identificar a estrela que tinha ‘roubado’ para ela.
–Sim Goldie?
–Acha que seremos felizes para sempre?- Ele encarou aquele ponto brilhante no céu e sentiu uma certeza que não tinha explicação.
–Sim. Nós seremos.
Fale com o autor