Sob a luz das estrelas
6 Capítulo 6: Sobre surpresas e curiosidades
Notas iniciais
Eu tenho a luz do sol num dia nublado, quando está frio lá fora. Eu acho que você diria: O que pode me fazer sentir desse jeito? Minha garota (minha garota, minha garota) – My girl- The Temptations
Rapunzel sentiu beijos por seu rosto e abriu os olhos lentamente. Estava com preguiça. Piscou confusa e quando sua visão focou ela pode ver Eugene olhando-a com carinho. Ele estava com o braço em volta da cintura dela e continuava sem camisa. Ela corou diante a visão tão desnuda:
–Bom dia.- Sussurrou e beijou-lhe a ponta do nariz- Dormiu bem?
–Sem pesadelos.- A jovem respondeu com um sorriso largo. Ele sorriu de volta:
–Legal. Hey. Eu vou fazer o café da manhã. Algum pedido especial?- Ela negou com a cabeça e sorriu. Passou os braços pelo pescoço dele e beijou-lhe a boca castamente- Ok. Tenho uma surpresa para você mais tarde.
–Eu adoro surpresas!- Disse empolgada:
–Yey!- Debochou fazendo-a rir com a familiaridade da coisa toda. Beijou-a mais uma vez e levantou com dificuldade em deixá-la. Sentiu o olhar dela sobre si conforme colocava sua camisa e sorriu convencido. Um travesseiro atingiu-lhe o rosto em seguida. Eugene riu e mandou um beijo pelo ar antes de sair do quarto. Rapunzel riu consigo mesma. Levantou e começou a se trocar. Olhou-se no espelho quando tirou a camisola. Conforme colocava o vestido seu rosto esquentava ao lembrar de Eugene e a falta de camisa. Ela não se importava com sua própria nudez quando estava sozinha, mas até mesmo a presença da mãe lhe deixava constrangida. O fato da mulher apontar seus seios pequenos como algo ruim lhe faziam menos confortável ainda em se despir na frente de alguém.
Rapunzel amarrava os laços do espartilho com facilidade. Era tranquilo fazer aquilo sozinha depois de anos tendo que se virar. Ocupada na tarefa ela pensava como Eugene não teve problemas em ficar praticamente sem roupas na frente dela. Ele a achava linda e se fosse para ficar sem roupas na frente de alguém com certeza ficaria mais a vontade de fosse com ele. Seu corpo esquentou ao lembrar como o corpo dele era. Suspirou. Sabia agora o que era o sexo e o que exatamente Eugene carregava dentro das calças, ainda assim não entendia a complexidade do ato, embora tenha pego a questão da mecânica. O livro não tinha sido bom em explicar a relação dos beijos com o sexo e ela apenas entendeu como funcionava cada coisa. Se um dia pensassem em ter um filho ela teria de ficar pelada na frente dele. Chegou à conclusão de que não seria tão ruim ou constrangedor já que ele a deixava com vontade de ficar nua apenas com beijos. Jogou esses pensamentos para longe e desceu.
O café da manhã foi regado à conversa e risos. Pascal os divertiu com seu show de conforme comia as frutas do cesto. Eugene e Rapunzel competiram tentando adivinhar qual seria a próxima cor a qual o camaleão escolheria. Quando terminaram de limpar a cozinha a loira viu o homem calçar suas botas e colocar o colete marrom escuro. Se aproximou receosa:
–Onde vamos?- Ele sorriu mostrando todos os dentes:
–Você tem algum sapato?
–Um só. Não é bem um sapato.
–Acho que serve. Da última vez você machucou os pés na estrada lembra?- Ela assentiu- É melhor colocá-los. Depois compraremos um a você.- Rapunzel torceu o nariz e saiu a procura da sapatilha fina feita de pano. Quando as achou se olhou no espelho. Ela não queria seu cabelo causando problemas em torno dela se fossem para algum outro lugar com pessoas que pudessem fazer perguntas difíceis. Suspirou buscando forças e pegou duas fitas grandes. Enrolou os cabelos tentando fazer um coque, mas ficou muito para cima e estranho de mais. A opção que usava de preso para ficar em casa estava fora de cogitação uma vez que só deixava parte do problema fora do caminho. Suspirou fazendo um bico. Nunca tinha pensado em seu cabelo gigante como um problema. Por fim sentou na cama e começou a trançá-lo. Era o único jeito. Não era um senhor penteado como o que as garotinhas da capital fizeram, mas ao menos tirava os fios do chão. Adornou o cabelo com fitas e tentou deixar o mais bonito que pode. Nunca sentiu necessidade de se achar bonita, mas queria ouvir Eugene dizendo novamente que era linda. Sorriu ansiosa. Colocou a sapatilha no pé e voltou para a sala sentindo-se desconfortável:
–Não gosto da ideia de usar sapato. Prefiro sentir onde estou pisando.- Esticou a mão para Pascal que subiu em seu ombro:
–Mas você pode acabar se machucando. E com essa coisinha fina vai sentir tudo que pisar.- Rapunzel riu:
–Ok. Mas não me compre sapatos. Onde vamos?
–Sua surpresa, lembra? Vamos nos apressar se não fica tarde para voltar. E só pra constar. — Piscou-lhe o olho direito- Você está linda–Rapunzel sentiu o coração acelerar e agradeceu timidamente. Uma descarga de adrenalina desceu por seu corpo ao pensar que sairia da torre mais uma vez. – Goldie. Vamos, nas minhas costas.- Ela piscou confusa- Você teve todo esse trabalho trançando esse cabelo. Vamos.- Ela sorriu e ficou com um pouco de medo quando o viu pendurado do lado de fora seguro apenas pelas flechas. Desceram juntos e ela pulou das costas dele para o chão. Tocou a grama sem medo. A sensação era boa. Sentiu um vento gelado bater em seu corpo e se encolheu. Usava um vestido lilás, muito parecido com o rosa de quando se conheceram:
–Acho que está esfriando.- Murmurou. Não se lembrava da brisa fria quando foram ver as lanternas. Qualquer ventinho era morno e o calor foi intenso durante a viagem. Eugene finalmente chegou ao chão. Colocou as flechas dentro da bolsa e entrelaçou a mão a dela:
–Está mesmo. Normal para o fim do verão não é?
–Eu gosto do verão, não por ser a estação do meu aniversário, mas porque o aroma das flores é uma das coisas que mais gosto em todo o mundo depois da sensação do sol no meu rosto.- Rapunzel comentou deleitando-se com a sensação da mão quente e calejada contra a sua:
–Faz muito sentido ter nascido no verão.- Brincou e cheirou o topo da cabeça dela- Você cheira a verão. Uma mistura de flores e sol.
–Ah!- Rapunzel riu discretamente- É que eu aprendi a aromatizar as barras de sabão. Eu as derreto no fogão e coloco pétalas em todas elas. Também deixo um pouco de pétalas no meio dos meus travesseiros. O aroma das flores me acalma. -Ele sorriu finalmente entendendo o cheiro gostoso que vinha dela:
–Eu adoro seu cheiro.- E para provar seu ponto a puxou para si e lhe cheirou o pescoço. Pascal correu para o ombro esquerdo desviando do rosto do homem. Parecia ofendido com a atitude do casal. Rapunzel soltou uma risadinha e roubou-lhe um beijo travesso. Ele sorriu contra a boca dela e se afastou relutante. Pegou a mão dela novamente e rumou para a saída. Ela parecia tão empolgada quanto da primeira vez em que saíram, mas ao invés de começar a correr e gritar de alegria se limitou a apertar a mão dele e disparar a falar sobre os caras do Snuggly Duckling e em como tudo parecia bem mais incrível agora que ela não se assustava tanto. A bipolaridade emocional não a acompanhava dessa vez. Fazendo do passeio algo menos tenso e muito divertido. Algum tempo depois eles finalmente alcançaram a estrada. Rapunzel logo viu o pub onde seus amigos sempre visitavam. Rumaram para lá numa imprudente visita já que os guardas poderia fazer uma batida por lá a qualquer hora.
Ele abriu a porta sem fazer alarde e os caras mal repararam nos dois, pelo menos até Rapunzel gritar feliz com HookHand e ele a tirar do chão num abraço feliz. Pascal correu para o ombro de Eugene, evitando ser esmagado pelo bandido de uma só mão:
–Hey Girlie! –Colocou-a no chão e ignorou o olhar assassino de Eugene- Esse Rider te levou até as lanternas?- Ela sorriu tão genuinamente que HookHand ficou feliz- Pelo visto você realizou seu sonho!
–Oh sim!- Ela suspirou feliz- Estava com saudades.- Os bandidos do pub se reuniram em volta dela e a fizeram andar para o meio do bar. Eugene se viu longe e não gostou daquilo- Mas seria tão bom ouvir uma música sua Hook. E também provar os bolinhos do Atila!- Lembrou fazendo os caras sorrirem diante a simpatia:
–Então.- Vlad perguntou acomodando-a numa cadeira e lhe estendendo uma caneca gigante de cerveja escura. Rapunzel começou a bebericar enquanto todos viravam suas cadeiras para o palquinho a fim de verem HookHand tocar. – Rider não parou de te perseguir depois de cumprir o acordo?- Rapunzel riu e tomou um gole de cerveja. Os bandidos começaram a bater palmas acompanhando a música. Rapunzel riu e começou a bater palmas junto:
–Ah. Ele foi embora por um tempo.- Vlad e Atila olharam com desconfiança. Big Nose franziu o cenho ao ouvir aquilo- Mas voltou.- Tomou mais um gole da cerveja e olhou para Eugene. Ele estava sentado no canto de braços cruzados e uma cara de tédio- E acho que somos algo mais que amigos.- Ela coçou a cabeça- Isso é complicado pra mim. Ainda não entendo muito as nomenclaturas.
–Então ele está se aproveitando de você?- Big Nose gritou transtornado e Vladimir levantou, com toda sua corpulência, indo até Eugene. Rapunzel arregalou os olhos:
–Rider!- Vlad gritou e o moreno o olhou questionador- O que anda fazendo com Girlie?- O tom protetor dele fez HookHand parar de tocar e todos os encaravam com interesse:
–E isso lá é dá sua conta?- Respondeu cruzando os braços em cima do peito e olhando-o com arrogância. Pascal olhou para o bandido corpulento no mesmo tom de Eugene:
–Ela é nossa amiga!- Atila se intrometeu parando ao lado de Vladimir- E alguém muito inocente para você fazer...Fazer o que está acostumado a fazer por aí!
–Está inteirado de meus costumes em homem cupcake?- Debochou com um sorriso arrogante. Vlad ficou possesso e levantou a mão em punho. Eugene arregalou os olhos e abaixou antes que o soco o pegasse. Rapunzel olhou a interação chocada e correu até eles:
–O que está acontecendo aqui? Por que estão fazendo isso com Euge...-Ele a olhou advertindo- Com Flynn?
–Olha Girlie!- Big Nose começou- Talvez você não saiba, mas esse Rider é um homem de bordel. Sabe o que homens de bordel fazem? Eles te quebram o coração!
–O que é um homem de bordel?
–Ele anda com prostituas!- Gunther cuspiu saindo de sua poltrona.- E caso você não saiba...
–Mais cuidado no linguajar!- Eugene rosnou- Rapunzel é...
–Nós sabemos o que ela é.- Big Nose resmungou- Uma menina delicada! Você não pode simplesmente sair por aí metendo as mãos nela, fingindo que gosta dela e saindo fora no dia seguinte! A honra de nossa Girlie será defendida!- Eugene meneou a cabeça negativamente e levou a mão a testa:
–Hey!- Ela gritou com desespero e olharam-na- Eu sei sobre o passado dele.- Comentou num tom ofendido- Mais do que qualquer um de vocês. Ao contrário do que andam pensando eu posso tomar minhas próprias decisões então se puderem...Parar de tentar acertar o nariz dele eu ficarei muito feliz.
–E só pra deixar claro! Eu me preocupo com ela tanto quanto vocês!- Eugene lembrou irritado- E não sou mais um cara de bordel!- HookHand lançou lhe um olhar cético. Eugene levou as mãos ao alto- Ghaaa! –Rosnou- Eu não preciso que um bando de rufiões bêbados confiem em mim!
–Flynn cale essa boca!- Rapunzel pediu completamente irritada- Era essa sua surpresa? Me trazer aqui para te ver brigar com meus amigos?- Ele ficou calado e os caras do pub estavam surpresos de ver Flynn boca grande Rider calado daquele jeito:
–Como você consegue?- Resmungou apontando para o local:
–Ela conseguiu gostar de você Rider! Se toca! É tão bêbado e rufião quanto nós.- HookHand lembrou. Eugene o olhou cético, da mesma maneira quando disse a Rapunzel sobre o cavalo- Então Girlie.- Saiu levando Rapunzel delicadamente de volta ao seu lugar- Aproveite o momento entre amigos e esqueça esse idiota mal amado.- Rapunzel soltou uma risadinha:
–Ele não é tão ruim depois de conhecê-lo.- Murmurou feliz:
–Oh garota.- O homem a olhou quase penalizado- Está mesmo no amor em?- Ela riu sem jeito e voltou a bebericar sua cerveja. Eugene revirou os olhos, mas não saiu de seu banquinho. Vlad e Atila voltaram para a mesa ao lado de Rapunzel e eles começaram a conversar animadamente. Em dado momento, lá pela quarta caneca de cerveja da loira HookHand começou a tocar a música que ela dançou no festival das lanternas. Era uma batida muito popular entre os habitantes de Corona. Rapunzel se levantou animada e sob o efeito do álcool. Eugene iniciava sua quinta caneca de cerveja quando ela se aproximou pulando e puxou-o bruscamente pela mão. Durante o festival não conseguiram dançar juntos. Tudo foi muito rápido e cheio de pessoas. Agora, no entanto, apenas alguns caras do pub se arriscavam na dança e ele foi o centro das atenções junto dela. Vê-la girar sobre os próprios pés, com um sorriso feliz no rosto o fez sentir-se nas nuvens. Ele podia entender o que aquele som evocava. Eram lembranças de liberdade, um gosto que ela estava sentindo novamente. Ele a girou alguma vezes e balançaram-se juntos. Ele não desviava os olhos dos dela, sendo impossível se concentrar em qualquer outra coisa. Rapunzel sorria para ele e retribuía seus olhares com intensidade. Eles se conheciam, ele podia dizer com toda a certeza de que ela era a pessoa que mais sabia dele além de si mesmo. O jeito que ela dançava feliz, os olhos cor de grama que não o deixavam por um segundo, olhando-o como se fosse a figura mais importante do mundo, aquilo era novo para ele e tão bem vindo que o espantava. Estava muito feliz por ter encontrado Rapunzel. As batidas ficaram mais frenéticas ao final da música e eles se viram abraçados quando o som terminou. Os bandidos continuaram batendo palmas. A porta se abriu abruptamente e Eugene olhou preocupado:
–Um cavalo do palácio! Rider dê o fora!
–Max!- Rapunzel gritou e correu até ele. O cavalo relinchou feliz e cheirou-a enquanto ela o abraçava- Oh Max! Que saudades!- O alazão branco relinchou- Como você está garoto?- Perguntou carinhosamente e ele fez algum som que Eugene não pode distinguir, mas Rapunzel pareceu fazê-lo- Oh, você é um bom menino não?- Passou a mão pela crina dele e Max assentiu:
–Bem! Pensei que não viria!- Eugene resmungou. Tinha esbarrado com o cavalo no caminho de volta a torre e o convidou a encontrar Rapunzel naquela data, por mais idiota que tenha se sentido ao falar com o equino. O animal o olhou com desdém e voltou sua atenção para a loira. Eugene revirou os olhos e se aproximou de Rapunzel. Ela sorriu emocionada para ele- Max vai te ensinar a montar.
–Igual os cavaleiros daquela história que eu gosto?-Eugene e Max assentiram- E isso foi ideia sua?
–Vai que um dia você precise.- Sorriu largamente e ela se jogou nos braços dele enchendo-o de beijos pelo rosto. Pascal soltou um chiadinho reclamando do movimento brusco. Ainda estava no ombro de Eugene:
–Muito obrigada. Eu nem sei o que dizer.- Eugene sorriu apaixonado e passou a mão pelo rosto dela:
–Tudo por você Goldie.- Sussurrou e ela sorriu feliz. Os bandidos tinham observado a interação com interesse. HookHand estava convencido de que os sentimentos dele para ela eram reais, mas os outros ainda eram desconfiados e temiam que sua amiga, tão boa como era, ficasse a ver navios quando ele fosse embora.
–Ok Blondie!- Eugene disse quando ela se acomodou na sela de Max. Só puxar!- Estavam atrás do pub, não queriam ser surpreendidos por guardas e Eugene ainda tinha reservas quanto aos irmãos ruivos que passou a perna. Começou a instruir sua garota quanto a como comandar o alazão branco. Max era gentil e levava a loira num trote lento e feliz. Rapunzel parecia muito orgulhosa de si. Ele confiou em Max e deixou-os se afastar. Sentou numa pedra grande que estava embaixo da árvore frondosa e observou-os. Tomaram uma distância grande e o moreno ficou atento.
Rapunzel viu o quanto estava longe de Eugene e sorriu. Ela tinha percorrido um caminho conduzindo um cavalo e sozinha. Completamente sozinha. O moreno tinha lhe avisado como proceder caso fosse um cavalo desconhecido e ela ouviu todas as instruções atentamente, tratando Max como se fosse a primeira vez que se viam. Agora, no entanto, ela estava com outra ideia:
–Max.- Chamou e o cavalo lançou um olhar questionador- Gostaria de correr um pouco?- Perguntou empolgada e o cavalo assentiu. Max virou, tomando a direção de volta para Eugene. Os trotes começaram a aumentar até se tornar um galope constante. Rapunzel sentiu o vento jogar seus cabelos para trás e gargalhou com a sensação de liberdade que dominou sua alma- Mais rápido Max!- O cavalo acatou sua ordem e aumentou a velocidade. O vento acariciou seu rosto com brusquidão e sentiu uma emoção muito forte no peito. De maneira imprudente soltou as mãos das rédeas e abriu os braços. Gritou feliz em meio ao riso:
–Rapunzel!- Ouviu a voz de Eugene gritar, mas parecia muito distante. Max parou abruptamente e sem ter onde segurar ela voou para longe. Arregalou os olhos vendo o chão abaixo de si e em seguida o céu conforme girava no ar. O chão foi ficando mais e mais perto até que Eugene apareceu inesperadamente abaixo de si e aparou seu golpe. O baque foi forte levando os dois ao chão em segundos. Ele gemeu de dor e ela levantou lentamente olhando-o com pavor:
–O que você tem na cabeça? Achou que podia voar?
–Max pararia aos poucos! Algo deve ter assustado ele!- O cavalo relinchou apontando na direção de Eugene. O moreno revirou os olhos:
–Achei que ele estava descontrolado e me coloquei na frente.
–Viu só? Eu ainda estaria me divertindo se não fosse tão imprudente.
–Rapunzel.- Ele levantou com a ajuda dela- Não pode ficar de braços abertos em cima de um cavalo em alta velocidade. É muito perigoso. A culpa foi minha, confesso, mas se não estivesse aqui e qualquer coisa o fizesse parar abruptamente? O que teria lhe acontecido em?
–Você tem seu ponto.- Ela concordou- Eu sinto muito.- Então sorriu largamente olhando-o feliz- Mas foi tão incrível. Você já fez isso antes?- Ele pode ver nela a mesma empolgação de quando ele fez seu primeiro roubo, ou quando se meteu em encrencas maiores do que podia aguentar apenas pela adrenalina:
–Tudo pelo desafio hã?- Brincou piscando-lhe o olho. Rapunzel sorriu e jogou-se nos braços dele:
–Esse dia está sendo incrível Eugene. Eu nunca pensei que pudesse correr com um cavalo. Obrigada Max!- Pascal chiou no ombro de Eugene e ele sorriu- Não fique com ciúme Pascal. Você tem todo meu coração.- O camaleão soltou outro chiado feliz. Rapunzel abraçou Max e depois começou a pular- Estou tão feliz por ter saído novamente!- Eugene sorriu:
–Você pode lidar com uma aventura mais distante amanhã?
–Onde vamos?- Ela se aproximou com os olhos brilhando:
–Eu estava pensando na praia.- Rapunzel levou as mãos ao peito e tentou segurar um grito de emoção:
–Vai me levar para ver o mar?
–Eu passei algum tempo no mar para saber. Todos devem sentir a liberdade que aquela imagem nos trás. –Falou num tom de quem se gaba ou se acha muito inteligente. Olhou-a de canto e viu a empolgação no rosto de sardas. Ficou contente e seu tom voltou ao normal-Você merece sentir a areia nos seus pés. E temos que aproveitar enquanto ainda é quente.- Ela sorriu largamente e se jogou nos braços dele. Um silêncio tomou o lugar. Eugene estava prestes a se afastar, mas ela enterrou o rosto em seu pescoço e ele percebeu que ela estava chorando- Hey Goldie. O que foi?- Se afastou e segurou-lhe o rosto com as mãos em concha. O polegar limpou uma lágrima teimosa. Rapunzel o olhou com devoção:
–É só que... Estar ao seu lado é tão fácil.- Ele franziu o cenho confuso- V-você... Vo-você não parece fazer um sacrifício para me agradar ou presentar.
–Não é um sacrifício te ver sorrir. Pelo contrário, você é uma pessoa que se alegra com pouco. Você gosta do mundo.- Sorriu para ela e Rapunzel voltou a chorar:
–O que quero dizer é que...-Suspirou- Não me sinto culpada quando faz algo por mim e isso...-Sorriu largamente entre as lágrimas- É libertador.- Eugene a olhou seriamente:
–Goldie.- Chamou o apelido que só usava quando era entre os dois- Hey.- Murmurou beijando-lhe o rosto com carinho- Eu não quero que sinta culpa, nunca, por estar feliz ao meu lado. Ver você feliz me faz feliz e não é sacrifício algum. Qualquer decisão que eu tomar será responsabilidade minha, você não tem que se sentir culpada, da mesma maneira que suas decisões cabem a você. Se estou com aqui, fazendo essas coisas, é porque quero. As pessoas tem o poder de decidir fazer o que querem da própria vida. Eu quero estar com você, não é nenhum sacrifício. –A mão esquerda deslizou até o cabelo, colocando a franja para trás e depois repousou na nuca embaixo da trança- Eu te amo e o amor faz isso conosco.- Aproximou a testa da dela e seus lábios roçaram um no outro- O amor nos liberta.- Ela sorriu e diminuiu a distancia entre eles. Pascal ficou vermelho e saiu do ombro de Eugene indo parar na cabeça de Max. O cavalo desviou o olhar e ficou raspando a pata na grama. Rapunzel suspirou contra a boca quente e puxou-o pela nuca. O queria por perto. O queria junto de si. Eugene apartou o beijo com mordidas suaves no lábio rosado e a abraçou protetoramente. Rapunzel fechou os olhos sentindo as batidas do coração dele contra seu rosto. O moreno deitou o queixo na cabeça dela:
–Quer voltar para o pub? Conversar um pouco mais com seus amigos?
–Sim.- Respondeu com o tom de voz mais bem humorado:
–Ótimo.
Rapunzel, Pascal e Eugene passaram o resto do dia na companhia de Max e dos bandidos do pub. Os caras introduziram a jovem as bebidas e quando a noite caiu ela estava pra lá de bêbada. Eugene não era de se dar muito com os caras e eles o cortavam a todo instante. Perdeu a conta de quantas vezes revirou os olhos para a atitude deles. Sabia que não era um cara muito fácil de lidar. Conforme a bebida subia em sua cabeça e de todos os presentes no recinto ele se tornou mais acessível e sentou ao lado de Rapunzel, conversando com os bandidos como se fossem velhos amigos. E foi um começo de noite com muita diversão. Rapunzel subiu ao palco e cantou ao lado de HookHand e todos aplaudiam sua voz doce. Voltaram para a torre quando já passava das sete e meia da noite. Max os levou até lá, deixando-os montar nele. Pascal estava dormindo perto da orelha do cavalo branco. A subida de volta foi um show a parte, já que Eugene estava um tanto quanto tonto. Eles quase caíram quando estavam na metade do caminho, deixando Max alarmado lá embaixo, mas por fim conseguiram entrar. Rapunzel se apoiou na janela e acenou um adeus feliz a Max. O cavalo fez seu caminho de volta para a capital.
Rapunzel estava risonha e bêbada. Eles subiram fazendo piadas e o moreno colocou Pascal em cima do travesseiro:
–Enfim em casa minha donzela.- Debochou jogando-a na cama. Rapunzel gargalhou num tom falsamente galanteador e jogou-lhe um dos travesseiros. Pascal achou por bem se empoleirar na almofadinha do criado mudo já que seus dois amigos estavam sendo mais bobos do que o normal. Ele não queria ser arremessado longe pela estranha falta de atenção que ambos tinham no momento:
–Eugene. – Rapunzel sentou em cima das pernas. Olhava-o ansiosa. A trança estava desfeita em sua maior parte e o cabeço começava a cair pelo rosto. Ela o olhou com expectativa, quase fazendo um bico. Aquele podia certamente ser o smolder dela. E merda, estava funcionando nele:
–Você está proibida de fazer essa expressão para qualquer outra pessoa.- Pontuou com um tom afetado pelas cervejas que tomou. Rapunzel riu e continuou olhando-o daquele jeito- O que há Blondie?
–Eu queria saber... Eu estou muito curiosa para saber se...-Suspirou- Se pode me mostrar.- E apontou para suas calças. Eugene arqueou a sobrancelha. Não, não, não nãonãonãonão, aquilo era ruim, muito ruim, porque não era ao menos apropriado:
–Você quer ver...Você quer me ver nu?- Rapunzel assentiu- Por quê?- Sua voz saiu esganiçada:
–Bem, eu estava aprendendo sobre anatomia, vendo aquele livro que me deu e eu queria ter a prova de que o livro é certo.- Falou com naturalidade. Ele engoliu em seco:
–Rapunzel, eu não sei se isso é uma boa ideia.
–Por que não? Você tem vergonha?
–Inferno Blondie claro que não! O que mais quero é ficar nu na sua frente. De preferência quando você estiver nua também eu só...-Ela o encarou com aqueles grandes olhos e a expectativa gritante- Inferno Rapunzel. –Eugene suspirou- Ok.- Chegou a conclusão de que aquela garota seria sua morte. Tirou as botas e a camisa e ela ficou olhando-o com tanta expectativa que seu corpo reagiu imediatamente. Fosse pelo álcool ou pelo desejo que sentia seu corpo reagiu de maneira rápida. Bufou e baixou as calças. Ele nunca tinha visto uma mulher olhá-lo com curiosidade crua do jeito que sua garota fazia. Aquilo o deixou meio sem jeito. Finalmente abaixou sua roupa intima. Rapunzel arfou e depois se inclinou para frente:
–Pode vir mais perto?
–O que?- Ele perguntou estupidamente e ela continuou encarando sua ereção latente:
–Mais perto. Pra eu ver direito.
–Eu não sei se é uma boa ideia eu...-Ela o encarou. Ele não conseguiu resistir. Chegou à conclusão que jamais conseguiria resistir ao olhar dela. Se aproximou, em toda sua glória, mas sentiu-se miserável. Não satisfeita em olhar Rapunzel tocou e ali não houve mais volta. Gemeu ao sentir a mão dela envolver seu comprimento e arrepiou-se por completo. Era uma pressão macia e quente contra si:
–Te machuquei?- A voz preocupada dela o fez abrir um olho só. Ela o olhava. Eugene negou desesperadamente com a cabeça- Eu não sabia que podia ser macio. O que isso faz a você?
–Bem. Muito bem.- Respondeu com a voz esganiçada:
–Então porque parece prestes a desmaiar? Você precisa sentar, venha.- Puxou-o pelo pulso e o moreno se viu ser conduzido feito um boneco sem vontade própria. Ela o aconchegou nos travesseiro e ficou sentada próxima de mais. Olhando-o com expectativa- Eugene?
–Só me dê um segundo.- Ele pediu levantando a mão. Ficou calado ouvindo a própria respiração. Pegou o travesseiro e cobriu suas partes intimas, nem um pouco a fim de levar o relacionamento deles aquele nível quando ela não fazia ideia do que era sentir prazer:
–Eu te machuquei não é?
–Não.- Gemeu frustrado e engoliu em seco. Abriu os olhos, finalmente encarando-a. Rapunzel o olhava com preocupação- Você me deu prazer Rapunzel. Mas eu não quero que faça isso enquanto não souber o que é sentir.
–Então me faça sentir.- Disse de um jeito simples:
–Não é assim que as coisas funcionam.
–Bem, se eu te dei prazer te tocando de um jeito simples porque não seria uma via de mão dupla?- Ele a olhou longamente e suspirou- Eu vou precisar ficar nua também?- Eugene assentiu, olhando-a longamente, quase certo de que ela desistiria da ideia maluca. – Então vou diminuir a luz.- Murmurou com um traço sutil de empolgação. Eugene ficou estarrecido na cama, observando-a atentamente. A jovem deixou apenas a luz mais longe da cama acesa e sentou, tratando tudo com muita naturalidade. A falta de noções religiosas ou sociais a deixavam encarar aquilo como mais uma experiência:
–Rapunzel.- Ele finalmente deixou a tensão de lado e sentou atrás dela. Empurrou o cabelo longo para frente deixando o pescoço exposto. Subiu as mãos ligeiras pelo laço do espartilho e abriu-o. Seus dedos começaram a cavar o caminho por entre a fita, afrouxando o aperto. Seu queixo estava encostado na curva entre o pescoço e o ombro- Esse momento pode ser muito importante para as mulheres...Mesmo que não façamos o que leu no livro, vamos compartilhar de algo mutuo e muito intimo. Algo que apenas as pessoas que se amam fazem. De preferencia em segredo, apenas entre dois. Entende?- Ele sentia necessidade de explicar-lhe cada detalhe, para que ela fosse ciente do que estava prestes a compartilhar. Não a queria ignorante em ralação as minucias que compunham um relacionamento amoroso- Em?- Sussurrou e não resistiu ao pedaço de pele macia. Deu uma leve mordida e sentiu-a estremecer contra si. Finalmente terminou de afrouxar o espartilho. Deslizou as mãos pelas laterais e o empurrou para frente. Rapunzel suspirou aliviada que tivesse tirado a peça incomoda:
–Sim. Eu entendo.- Ela sussurrou de volta- Mas você disse que deseja que eu saiba como é. Prefiro que me mostre. Não vou me arrepender.- Murmurou e arfou quando sentiu a língua dele brincar com a pele que tinha mordido. As sensações eram muitas. O calor dele atrás de si, os dedos ásperos brincando com sua pele, o queixo raspando no pescoço. A loira fechou os olhos curtindo cada mínimo detalhe:
–Certeza?
–Bem...-Ela suspirou e virou, ficando de frente para ele- Até agora tudo que me falou se mostrou verdade.- Piscou aqueles olhos lindos para ele e o moreno sentiu o corpo reagir no mesmo instante- Confio em você.- Com aquelas palavras ele não resistiu e a beijou. Rapunzel estremeceu quando sentiu o abraço dele. A língua do homem fazia movimentos ritmados e lentos. Uma dança sedutora que naquele momento tinha um algo a mais que ela não sabia dizer. A boca foi para o pescoço e ela agradeceu aquilo, pois a sensação e beijos quentes no local era maravilhosa. Sentiu as mãos dele puxaram seu vestido e suspirou. Tentou não se ater a esse fato e a tarefa se tornou mais fácil quando os beijos dele voltaram para seus lábios. Logo ela estava livre da roupa e sentiu-se exposta em sua combinação. Sua mãe lhe fez sentir-se feia e desajeitada o suficiente para que ela não ficasse a vontade na frente dela. A mão grande deslizou para a barra da camisa que consistia na roupa debaixo. Rapunzel arfou e a língua dele deslizou atrevidamente até sua orelha. Sentiu a textura da mão quente em sua pele e a sensação fria que o ar causou em sua orelha devido ao beijo molhado que recebeu. Ela pensou no quanto estranho aquele comportamento era, mas ao mesmo tempo adorou a sensação que provocou em seu corpo. Se deu conta de que por mais estranho que parecia ser duas pessoas em poucas roupas se beijando e abraçando-se daquela maneira, ainda assim era maravilhoso. A parte de cima de sua combinação se foi. Eugene apoiou as mãos no colchão e a olhou de cima:
–Você é linda.- A visão da jovem apenas com a parte debaixo da combinação olhando-o com expectativa ansiosa e envergonhada o fez arfar. Deslizou a mão pelo ventre. Sabia que deveria estar olhando bobamente, feito um tolo apaixonado e cheio de amor, mas raios, naquele momento ele o era. – Confia em mim.- Pediu numa voz tremida. Estava difícil controlar o desejo. Rapunzel assentiu e ele deslizou os beijos para o colo. A jovem arfou e arqueou as costas para cima quando sentiu a língua travessa brincar com seus mamilos. Era uma sensação úmida e quente que parecia acender todo seu corpo. De quebra ainda sentia os pelos do queixo dele rasparem em sua pele causando sensações eletrizantes. Então ele sugou os mamilos turgidos. Um de cada vez e a jovem gemeu em busca de mais sensações, porque era bom demais. Ele mordeu delicadamente no meio dos seios e desceu a língua, cada ato coberto de amor e devoção. Rapunzel sentiu os beijos pela barriga e suspirou ansiosa, sem ao menos entender o motivo, quando as mãos masculinas abaixaram a parte debaixo da combinação. Olhou brevemente vendo que ele continuava a descer os beijos. Ela não entendeu porque ele soltou um gemido, mas ficou feliz de que pudesse deixá-lo quente na mesma medida em que estava. Rapunzel soltou um grito escandalizado e arqueou os quadris quando sentiu onde ele a beijava. Completamente inebriada nas sensações que aquele beijo maravilhoso a proporcionava fechou os olhos. A mão foi direto aos cabelos dele. Precisava se agarrar em algo urgentemente. Seu peito começou a arfar e a sensação deliciosa lhe trouxe um gostinho de liberdade tão bom quanto à corrida de braços abertos em cima de Max. A pressão que sentia quando ele dispensava um beijo com mordidinhas ousadas naquele lugar era deliciosa e impossível de controlar. Labaredas pareciam consumir todo seu corpo e uma tempestade elétrica se fazia em seu cérebro. Era um lamber, sugar e respirar muito intenso. Tudo naquele ato era úmido, quente, intimo e enlouquecedor:
–Você é linda.- Ele murmurou e o som da voz rouca a deixou ainda mais sem controle. Sem conseguir dizer uma palavra a mais ela abriu a boca, buscando algo que seu corpo sabia estar perto mais do que sua mente. Então ela sentiu os dedos dele deslizarem com facilidade dentro de si. O primeiro para testar e o segundo para enlouquecer, sendo ajudados pela língua ousada. Agarrou com mais força o cabelo dele e arqueou novamente sentindo que finalmente tinha alcançado o que quer que fosse. Um grito escapou de sua garganta e ela arfou. Jogou-se cansada na cama e suspirou trêmula. Seu corpo todo estava tomado de uma languida sensação de felicidade. Um nó se formou em sua garganta devido a euforia. Eugene voltou com beijos e mordidas para cima e passou a mão por seus cabelos. Ele tentava enxergá-la na penumbra- Goldie?- Sussurrou preocupado. Beijou-lhe a testa com devoção- Você está bem?
–Sim. Eu acho...-Ela arfou e sorriu. — Acho que agora entendi.- E uma sensação de felicidade se apossou de seu corpo- Sentir prazer é quando você sente a necessidade de tocar a felicidade que está no coração. – Eugene sentiu uma emoção grande ao ouvir a forma bonita como ela tratou toda a situação. Sua garganta fechou num nó ao lembrar do quanto tinha se jogado desregradamente em noites com mulheres nada importantes. Jamais teria chego àquela definição tão bem quanto sua Blondie fez:
–Você está absolutamente certa. E sabe do que mais?- Ela esperou ansiosamente as palavras dele- Só conseguimos tocar a felicidade quando estamos com as pessoas que amamos.- Ela sorriu e beijou-o. Eugene suspirou e tentou controlar o próprio corpo- Hey. Vamos parar. Hoje foi tudo sobre você ok?- A jovem assentiu e estava prestes a se levantar para colocar a camisola- Shiiiu.- pediu e abraçou-a contra si- Só...Vamos ficar aqui mais um pouco.
–Ok.- Ela murmurou feliz e se abraçou a ele. Não existia espaço para pudor quando tinham finalmente alcançado a felicidade. Eugene os cobriu com um lençol e dormiram abraçados.
No dia seguinte Eugene queria se sentir culpado e envergonhado pelo que fez, queria que ela ficasse desconfortável com o que se passou ao estar de cabeça limpa, queria que todas essas reações comuns dominassem a relação deles, mas mais uma vez, Rapunzel não era uma pessoa comum. Ela estava intrigada e empolgada com a descoberta e ele deixou a boca abrir levemente quando ela falou, com todas as letras, que gostou do que sentiu. Eugene deitou a cabeça na mesa e soltou um gemido baixo quando ela comentou como quem fala de um dia de sol, que gostaria de fazer isso novamente. Ele podia jurar que a ouviu rindo diante suas reações e quando notou que ela levava esse passo de sua relação com a mesma naturalidade que levou os beijos de boca aberta mais uma vez ele se deu conta do quanto gostava do jeito dela.
O dia seguiu animado com a viagem perigosa deles até a praia. Rapunzel se mostrou com medo de ser pega pelos guardas, mas ao chegarem lá ela e Pascal praticamente entraram em combustão. Rapunzel correu e gritou pela areia, feliz com a liberdade adquirida. O vento salgado no rosto, a areia fazendo cocegas nos pés, foram algo que ela não pode aguentar. Estava tão histérica e contente quanto no dia em que saiu da torre. Ela segurou o vestido lilás até os joelhos e correu até a beirada do mar sentindo a areia molhada. Uma onda tímida veio em sua direção e banhou os pés dela. Rapunzel guinchou feliz e pulou animada. Olhou para Eugene e sorriu largamente. Ele tirou as botas e se aproximou. Pascal tinha ficado mais parecido com a cor da água enquanto olhava a imensidão completamente encantado:
–Isso é tão... Tão...-Agarrou a mão dele e começou a entrar no mar. Quando a água estava na altura do umbigo ela se jogou e afundou. Levantou com os olhos vermelhos e tossindo- É salgado!- Falou com empolgação. Passaram o resto do dia brincando na água e chamaram a atenção de alguns moradores locais. Ele escolheu aquela praia por ser bem longe da rota dos guardas e ficaram tranquilos a maior parte do dia. Quando decidiram voltar passaram por algumas casas afastadas da capital e o que Eugene viu fez seu coração acelerar:
–Não. Não, não não não.- Puxou o cartaz com raiva- Isso é ruim, isso é muito ruim!
–O que foi? Erraram seu nariz de novo?- Rapunzel debochou enquanto tentava tirar a areia do enorme cabelo. Eugene escondeu o cartaz dela, mas a garota foi tão ágil quanto ele e pegou o papel. As habilidades da jovem foram questionáveis para uma pessoa honesta. Eugene sabia que desafiá-la a roubar coisas de suas mãos e até mesmo lhe ensinar algumas técnica estava lhe dando um hábito talvez um tanto quanto ruim de ser silenciosa e sorrateira. Ao ver o papel o rosto de Rapunzel ficou sério. Ele sentiu o peito doer com aquela expressão preocupada- Procurada por associações com Flynn Rider, ladrão responsável pelo roubo da coroa entre outros crimes.- Ela ficou calada por um instante- Isso quer dizer que sou sua cúmplice?- Eugene assentiu:
–Eu sinto muito por isso eu realmente...-Engoliu sem seco e baixou a cabeça. Pascal o olhou com compaixão:
–Bem, já não era sem tempo. Te ajudei a escapar nas fuças deles.- Suspirou e passou a mão pelos cabelos. Eugene notou que levou a coisa bem de mais para alguém sensível como ela. Em seguida a loira estava sorrindo:
–Blondie?
–Bem. É emocionante não? Correr um perigo de vez em quando.- Eugene sorriu carinhosamente:
–Não quero que manche seu nome por minha culpa. Além do mais isso é perigoso em muitas maneiras. Se sua mãe ver seu rosto estampado por aí associado a mim? O que será de você? De nós?- Rapunzel arregalou os olhos:
–O isso é ruim, isso é muito ruim!- Resmungou pensando naquela possibilidade pela primeira vez- Já sei!
–O que?
–Vamos pedir a Vlad ou um dos caras do Snuggly que deem uma olhada pelos pontos principais de Corona. Se meu rosto estiver por lá eles tiram!
–A maioria deles também é procurado Rapunzel. Não sei se arriscariam o pescoço assim. E outra. O tipo da sua mãe seria facilmente reconhecido e chamaria atenção na capital. Duvido muito que as viagens dela sejam em Corona. De qualquer forma, é um risco que corremos. Temos de estar preparados para essa possibilidade.
–Você acha que devo contar sobre nós?
–Não.- Ele a encarou quase com pavor- Rapunzel. Eu não confio em sua mãe.
–Se ela quisesse me fazer algum mal...-Engoliu em seco- Teve todas as oportunidades possíveis, não acha?- Um vento mais gelado os assolou e ambos estremeceram:
–Eu só acho que pelo o que me disse ela pode ser uma pessoa...-Engoliu em seco- Difícil.
–Ela o é. Mas... Tenho que contar uma hora ou outra. Eu só... Vou continuar com meu plano. De insistir em sair. Assim que ela ver que posso me cuidar...Eu vou insistir. Ela vai se abrir e dia menos dia posso falar sobre você.
–Sabe que ela não nos aprovará. Não é?- A loira o olhou com tristeza- Rapunzel, apesar de estar disposto a não ser mais um fora da lei e reassumir minha antiga personalidade para ela e muitos outros eu sempre serei, e com razão, um ladrão promissor.- Rapunzel mordeu o canto da boca- Infelizmente é a verdade. Ela não verá futuro em nossa relação mesmo que resolvam sair da torre. Vai querer te casar com alguém de boas posses.
–Eu sou uma menina que viveu trancada na torre e nem sobrenome tem!- Ele a olhou surpreso por ter tal noção- Eu não serei um bom casamento a ninguém e se minha mãe me ama como diz ela vai te aceitar. Basta ter olhos para saber que seu coração é meu.- Sorriu abraçando-o- E que o meu será sempre seu.- Ele sorriu querendo acreditar nas esperanças dela. Ele sabia que uma mulher como Gothel não aceitaria aquilo, nem em mil anos. Sentia, em seu intimo, a certeza de que Gothel não era a mãe de Rapunzel e que ela era a única pessoa de quem a menina deveria se proteger. Eugene sabia que quando suas entranhas lhe diziam algo não deveria ignorar, por mais ridículo que fosse.
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